perspectivas

Sábado, 16 Março 2019

A fórmula intemporal da estética dos objectos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:47 pm
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A professora Helena Serrão transcreve aqui um trecho de uma tal Paula Mateus (que eu não sei quem é) acerca da teoria histórica de um tal Levinson (que também não sei quem é, nem me interessa saber). O que me interessa é tentar analisar o referido textículo.

Desde logo, e contra a teoria do Tal Levinson (ou da Paula Mateus), a essência da arte não se reduz à História; a arte transcende a História: neste aspecto (como noutros) aplica-se o realismo de Platão. Toda a arte é uma aproximação (mais ou menos conseguida) ao um ideal estético/ético (ideal de beleza).

Aplica-se aqui a diferença humeana (isto é uma analogia!) entre “questões de facto”, por um lado, e as “relações de ideias”, por outro lado: certas concepções sobre “relações de ideias” são verdades necessárias (existem em uma realidade ideal, intemporal); por exemplo, dados os axiomas de Euclides, só se pode concluir que a soma dos ângulos de um triângulo é de 180 graus e não outra coisa qualquer: o axioma de Euclides existe em uma realidade ideal. Mas a obra de arte humana (empírica, temporal) já é uma “questão de facto”, é uma realidade contingente que se pode assemelhar, mais ou menos, à “realidade ideal” que é o ideal estético que existe independentemente de qualquer recurso à evidência empírica.

Mas, por outro lado, o Tal Levinson tem razão quando inclui o factor histórico (o legado cultural, civilizacional, a tradição, etc.) na actividade artística. Porém, e ao contrário do que diz o Tal Levinson, não existe “evolução na arte” — porque isso seria introduzir a validade do Historicismo na arte, por um lado, e por outro lado seria considerar a decadência (cultural) da arte como uma “evolução” no sentido positivo. Existe, sim, mudança na arte, que não é necessariamente “evolução” no sentido positivo.

O conceito (do Tal Levinson) de “direito de propriedade da arte” cheira a Pragmatismo. Nem vale a pena falar do assunto.

Quarta-feira, 13 Julho 2016

A arte é incompatível com ciência (do Iluminismo)

Filed under: cultura — O. Braga @ 12:24 pm
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“O Real nunca é belo” — Jean-Paul Sartre

Se partirmos dos princípios fundamentais do Iluminismo, arte e ciência são inconciliáveis — ao contrário do que defende o Carlos Fiolhais ; ou então, ele coloca em causa o próprio Iluminismo, o que eu não acredito que seja verdade. Defender a conciliação entre a arte e a ciência é colocar em causa não só o Positivismo mas também o Iluminismo que está na sua origem.

“A estética não existe” — Paul Valéry

Segundo o Iluminismo, a ética, a estética e a metafísica são subjectivas, e alegadamente não fazem parte da experiência (empirismo) que legitima a ciência. Segundo o Iluminismo, a razão opõe-se à tradição; e não é possível ética, estética, e mesmo ciência, sem tradição.

O problema fundamental escora-se na lógica do Iluminismo: a ciência não explica nada, não explica as causas dos fenómenos naturais: apenas descreve os fenómenos; vem daqui a frase célebre de Newton: Hypotheses non fingo — ao passo que a obra-de-arte pretende explicar a realidade de um só golpe: uma obra-de-arte não é uma descrição da natureza: antes, é (pelo menos) uma tentativa de a explicar.

A estética, como a ética, pertence ao domínio da metafísica, ao passo que a ciência iluminista é uma metafísica que nega a metafísica (é uma metafísica negativa).

Sexta-feira, 19 Junho 2015

¿ A pornografia pode ser arte ? (parte II)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 4:09 am
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A pornografia é uma forma negativa de arte, no sentido em que intuitivamente podemos saber, através dela, o que é a arte propriamente dita.
A pornografia é um contraste da arte que a intuição permite identificar.

Na primeira parte desta pequena série de dois verbetes, referi-me a este artigo publicado no blogue Rerum Natura que se questiona se a pornografia pode ser arte. Também me referi à influência de Nietzsche na cultura filosófica académica americana, que vai de gente como por exemplo Goodman, Quine, Sellars, etc., até Rorty e seus sequazes.

Leonardo Da Vinci sugere que a obra de arte é bela quando não pensamos em acrescentar-lhe ou subtrair-lhe qualquer coisa sem pena. Nietzsche não concorda com Da Vinci; responde-lhe que a pena que sentimos no acrescento ou na subtracção de qualquer coisa na obra de arte, não passa de um produto de uma convenção cultural e social. Seria interessante imaginar um diálogo entre Da Vinci e Nietzsche acerca da arte.

A diferença fundamental entre Da Vinci e Nietzsche, na concepção da arte, é a diferença entre intuição e instinto.

O instinto não é inteligência, ao passo que a intuição é uma forma de inteligência.

A inteligência é — como o instinto — uma função de adaptação ao real, mas que pressupõe construção e invenção. O instinto é, pelo contrário, um comportamento adaptador estereotipado, dependendo de uma programação genética. A espécie humana, em relação aos outros animais, é relativamente pouco determinada pelo instinto; daí que o ser humano necessite da educação que pressupõe inteligência inata.

A intuição (Descartes) é a concepção imediata e perfeitamente clara de uma ideia pelo espírito e, por isso, a intuição é espiritual — e distingue-se da inferência que estabelece as suas verdades por intermédio de uma demonstração. É este conceito de “intuição” que caracteriza a arte e os artistas, mas que Nietzsche e académicos contemporâneos negam porque fazem coincidir os conceitos de “intuição” e de “instinto”.

Por exemplo, Fernando Pessoa não escrevia, de pé e horas a fio, por instinto, mas antes por uma espécie de inteligência a que chamamos de “intuição”. Amália Rodrigues não cantava por instinto, mas por uma espécie de intuição a que os artistas chamam de “inspiração”. E por aí fora.

Se a arte é uma actividade ordenada com vista a um fim deferente dela própria, uma obra de arte comunica os seus signos — que ela própria criou — com o mundo através da intuição. É neste sentido que se pode falar em “transcendência da obra de arte”, no sentido em que ela “sai” da subjectividade do artista e se universaliza através da intuição que é mais ou menos comum ao ser humano em geral.

Uma obra de arte apela à intuição, e não ao instinto — exactamente porque o fim da obra de arte é diferente de ela própria. Quando uma representação apela apenas ao instinto, o seu fim não se transcende: pelo contrário, o seu fim mantém-se restrito, limitado, à sua própria representação; e por isso não é uma obra de arte propriamente dita.

Na medida em que uma representação pornográfica (e falo aqui de pornografia ou libido, e não de erotismo ou eros) apela menos à intuição (a uma espécie de “inteligência irracional”) do que ao instinto (que é “irracionalidade sem inteligência”), é praticamente impossível que ela inclua em si mesma a potencialidade de se transcender (sair fora de) em relação ao seu próprio significado intrínseco.

A pornografia é uma forma negativa de arte, no sentido em que intuitivamente podemos saber, através dela, o que é a arte propriamente dita. A pornografia é um contraste da arte que a intuição permite identificar.

Quarta-feira, 17 Junho 2015

¿ A pornografia pode ser arte ? (parte I)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 6:29 am
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“A estética não existe.”Paul Valéry


O discurso filosófico académico moderno contemporâneo é sistematicamente ambíguo e/ou ambivalente, o que resulta da cultura académica filosófica americana pós-moderna (nitidamente) herdeira de Nietzsche. O filósofo académico pós-moderno dá a sensação de que se senta na sanita e não sabe se há-de cagar ou se há-de “dar corda ao relógio”. É o que se pode inferir deste texto publicado por Carlos Fiolhais no Rerum Natura.

Nietzsche antecipou — como a profecia que se auto-realiza — as modificações que a contemporaneidade provocou na concepção da “arte”, definindo-a mais como um movimento (político) diversificado do que como a procura de um ideal de beleza.

Tudo isto parte do erro do convencionalismo de Nietzsche — a ideia segundo a qual realidade e factos não existem per se (anti-realismo), e de que tudo o que aparentemente existe (incluindo a ciência) são apenas e só convenções sociais. Não sei se o Carlos Fiolhais se deu conta de que ao publicar aquele extracto do prefácio de um determinado livro, assume as dores de uma corrente filosófica anti-realista e, por isso, anti-científica.

A arte é, por definição, uma actividade ordenada com vista a um fim deferente dela própria (o que a diferencia do jogo), por um lado, e cujas técnicas são objecto de aprendizagem ou de ensino, por outro lado.

O discurso ético — e portanto, filosófico — académico contemporâneo sobre a “arte” baseia-se fundamentalmente em alguns conceitos-chave falaciosos: liberdade, tolerância, consentimento etário. Principalmente estes três. É disto que falarei em um próximo verbete (porque agora estou sem tempo e espaço).

Domingo, 22 Março 2015

A grande arte que se faz hoje é orgulho de uma civilização

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:41 pm
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Na escultura podemos ver o rei de Espanha, D. Juan Carlos, vomitando e a ser sodomizado pela feminista e sindicalista Domitila Barrios de Chúngara que, por sua vez, está a ser sodomizada por um lobo. Tudo isto de passa sobre um tapete de capacetes nazis. Esta peça de “arte” é de autoria da “artista” austríaca Inès Doujak e será exposta no Museu de Arte Contemporânea, em Barcelona.

arte-moderna-espanhola

Quinta-feira, 17 Abril 2014

Quero dar os parabéns à Câmara Municipal de Vila Franca

Filed under: cultura — O. Braga @ 4:11 pm
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A Câmara Municipal de Vila Franca apoia a realização de touradas na praça da cidade. Quero daqui felicitar a Câmara Municipal de Vila Franca por apoiar a arte, a cultura, o turismo e o desenvolvimento económico naquela cidade.

picasso e touros2

Quinta-feira, 27 Março 2014

A Arte Moderna

Filed under: cultura,Decadência do Ocidente — O. Braga @ 12:54 pm
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«Millie Brown está nas bocas do mundo depois de ter vomitado em cima de Lady Gaga, durante um espectáculo da cantora. Acidente? Não. A artista transformou o vómito numa arte, ao beber copos de leite com corantes de várias cores, e regurgitando-os para cima de uma tela.

A primeira vez que o fez foi num palco em Berlim e tinha apenas 17 anos: “Queria usar o meu corpo para criar arte.”, recorda a londrina de 27 anos, numa entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Queria mesmo que viesse ‘de dentro’, queria criar algo bonito que fosse puro e incontrolável”.»

Vomitar pode ser arte?


arte moderna web

Respigado aqui.

Quinta-feira, 14 Novembro 2013

Esta porcaria vale 100 milhões de Euros

 

borras anais do Francisco Presunto web 650

As coisas valem aquilo que dão por elas: se alguém der 100 milhões de Euros por um monte de esterco, devemos então concluir que o cagalhão pictográfico colorido tem esse valor. Mas aquela matéria fecal pitoresca plasmada em tela não tem culpa que dêem por ela valores obscenos: a culpa é do filistinismo de uma burguesia acéfala e culturalmente podre que é a causa da decadência cultural europeia a partir do século XIX.

Otto Dix mulherPor exemplo, ainda há pouco tempo saiu a notícia de que foram encontradas “obras de arte” escondidas em um apartamento de um alemão de Munique. Entre essas obras de arte estava um pedaço de arte rupestre do princípio do século XX, de autoria de um espécime do Neandertal que deu pelo nome de Otto Dix, pictograma esse que vemos aqui ao lado. Segundo os entendidos em arte rupestre contemporânea, esse quadro do neolítico actual vale 10 milhões de Euros. Otto Dix fazia parte do movimento Verista que se caracterizava pelo ênfase no feio e no sórdido:

“The verists’ vehement form of realism emphasized the ugly and sordid.[6] Their art was raw, provocative, and harshly satirical. George Grosz and Otto Dix are considered the most important of the verists.”

O australopiteco moderno Otto Dix adoptou, depois, a “Arte DaDA”. O nome “DaDa” é arbitrário: poderia ser, por exemplo, arte “Bilú-Bilú”, ou arte “Piu Piu”, ou arte “Puta que o Pariu” que se caracterizou pela dissolução total de todo e qualquer valor humano nos campos da ética e da filosofia, por um lado, e, por outro lado, pela total negação de tudo o que existiu até ao paleolítico moderno marcado por esse movimento cultural rupícola.

Depois surgiu o Futurismo, a que o pitecantropo Otto Dix também aderiu — já no tempo de Fernando Pessoa adulto e em relação ao qual ele utilizou uma ironia crítica finíssima. O Futurismo é uma espécie de um movimento de hipsters trans-humanistas que viam na tecnologia a destruição da moral e da natureza humanas: o ser humano era visto pelos futuristas como um produto fora de moda e desactualizado.

É neste contexto niilista que surge o Francisco Presunto (para que não se confunda com o emérito epistemólogo Francis Bacon, nascido no século XVI), cujas borras anais impressas valem 100 milhões de Euros.

Quarta-feira, 5 Junho 2013

Passamos a ser “alemães ao quadrado”

Filed under: cultura,educação,Portugal — O. Braga @ 11:02 am
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aqui uma pequena confusão entre a “formatação”, no sentido de disciplina mental excessiva que coarcta a criatividade, por um lado, e por outro lado a “burocracia” – porque a burocracia pode ser altamente criativa!


“Das feições de alma que caracterizam o povo português, a mais irritante é, sem dúvida, o seu excesso de disciplina. Somos um povo disciplinado por excelência. Levamos a disciplina social àquele ponto de excesso em que coisa nenhuma, por boa que seja – e eu não creio que a disciplina seja boa -, por força que há-de ser prejudicial.
(…)
Parecemo-nos muito com os alemães. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem.” – Fernando Pessoa, Ideias Políticas

Ora bem. Como se pode ver, a crítica à “formatação” não é novidade. O problema é que há aqui uma falta de graduação que conduz a extremos: por um lado, o “ódio” de Fernando Pessoa a qualquer tipo de disciplina – o que é mau: Fernando Pessoa não compreendeu, talvez, que nem toda a gente é génio; a genialidade que “odeia” a disciplina — mas que não prescinde da disciplina na sua formação! — é excepção.

Por outro lado, o excesso de disciplina conduz a uma espécie de “mentalidade alemã” que impera actualmente na nossa cultura política: se, como diz Fernando Pessoa e com alguma razão, “nos parecemos com os alemães”, a influência da cultura política alemã, que está na moda entre a nossa elite, conduz a um excesso de disciplina e de “formatação”. Passamos a ser “alemães ao quadrado”.

A formatação, em si mesma, não é má. O que é mau é o excesso de formatação. A criança deve aprender a raciocinar de forma lógica, mas sem que a lógica substitua o raciocínio.

Segunda-feira, 3 Junho 2013

O blogue Rerum Natura e a arte

“Dois homens não vêem uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra “mesa” da mesma maneira. Só querendo visualizar uma coisa é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstracta da mesa.” – Fernando Pessoa, Prosa, Ricardo Reis

Não foi por acaso que o blogue Rerum Natura colocou este postal sobre a arte , a que fiz referência em um verbete anterior . Contradizer um certo niilismo encapotado próprio e característico do blogue Rerum Natura tem-me dado muito trabalho; e diga-se que é preciso alguma paciência e “bagagem” para reduzir ao absurdo as ideias daquele blogue, o que infelizmente a maioria dos leitores dele, não tem.

A mim não me interessa aquilo que Tolstoi pensa sobre a arte; o que me interessa é que eu nunca publicaria, neste blogue, as ideias de Tolstoi sobre a arte sem um contraditório. E o Rerum Natura publica sempre o controverso, o polémico, e mesmo o niilista, sem contraditório.

“O público não é crítico, não pensa espontaneamente. Na escolha do que lê, na própria disposição do bom gosto, é guiado por influências externas.” – Fernando Pessoa, Correspondência


“A única coisa superior que o homem pode conseguir é um disfarce do instinto, ou seja, o domínio do instinto, por meio de instinto reputado superior. Esse instinto é o instinto estético. Toda a verdadeira política e toda a verdadeira vida social superior é uma simples questão de senso estético, ou de bom gosto.” – Fernando Pessoa, Reflexões sobre o Homem, textos de 1926-1928


Nasce o ideal da nossa consciência da imperfeição da vida. Tantos, portanto, serão os ideais possíveis quantos forem os modos por que é possível ter a vida imperfeita. A cada modo de a ter por imperfeita corresponderá, por contraste e semelhança, um conceito de perfeição. É a esse conceito de perfeição que se dá o nome de ideal.

(…)

Assim, todo o corpo é imperfeito porque não é um corpo perfeito; toda a vida é imperfeita porque, durando, não dura sempre; todo o prazer imperfeito porque o envelhece o cansaço; toda a compreensão imperfeita porque, quanto mais se expande, em maiores fronteiras confina com o incompreensível que a cerca. Quem sente desta maneira a imperfeição da vida, quem assim a compara com ela própria, tendo-a por infiel à sua própria natureza, força é que sinta como ideal um conceito de perfeição que se apoie na mesma vida. Este ideal de perfeição é ideal helénico, ou o que pode assim designar-se, por terem sido os gregos antigos quem mais distintivamente o teve, quem, em verdade, o formou, de quem, por certo, ele foi herdado pelas civilizações posteriores.

(…)

É esta inferioridade essencial (da vida) que dá às coisas a imperfeição que elas mostram. Porque é vil e terreno, o corpo morre; não dura o prazer porque é do corpo, e por isso vil, e a essência do que é vil não pode durar; desaparece a juventude porque é um episódio desta vida passageira; murcha a beleza que vemos porque cresce na haste temporal. Só Deus, e a alma, que ele criou e se lhe assemelha, são a perfeição e a verdadeira vida.” – Fernando Pessoa, Textos de Crítica e de Intervenção.


Ora bem. Destas quatro citações de Fernando Pessoa podemos concluir o seguinte:

  • dois homens não vêem uma obra de arte da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra “obra de arte” da mesma maneira. Só querendo visualizar uma obra de arte é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstracta de “obra de arte”.
  • o povo não é crítico, por exemplo, em relação à arte; e por isso é que o blogue Rerum Natura age em função de um determinado nível de acrisia natural no povo, tentando manipular consciências e empreender uma lobotomia ideológica aos seus leitores.
  • o sentido estético define uma sociedade superior. E o que é o sentido estético?
  • o sentido estético advém da imperfeição do mundo, e faz parte de um ideal. Por isso é que a estética é inseparável da ética. E assim como os valores da ética são objectivos – os valores da ética existem por si próprios sem necessidade de serem deduzidos de uma qualquer utilidade -, assim os valores da estética são objectivos. Assim como acontece com os valores da ética, os valores da estética tendem a transcender a imperfeição do mundo através do ideal helénico de beleza, e segundo os filósofos gregos que o romantismo alemão (Fichte, Hegel et al) apenas subsumiram nas suas teorias.

Aos autores do blogue Rerum Natura faz falta ler Fernando Pessoa, em vez de promover Tolstoi. “O que é nacional é bom”.

A arte subjectiva, simples, moderna e compreensível

Imaginemos a seguinte proposição:

“Existem duas categorias de indivíduos: os que sabem ler e escrever, e os que não sabem. Mas ambas as categorias são equivalentes, porque o analfabetismo é tanto uma forma de estar no mundo como a literacia.”

Se aplicarmos este tipo de raciocínio à arte, é o que é defendido neste postal do Rerum Natura:

as definições estéticas da beleza reduzem-se a duas concepções principais: a primeira, que a beleza é algo que existe em si mesmo, uma manifestação do absolutamente perfeito – da ideia, do espírito, da vontade, de Deus; a outra, que a beleza é um certo tipo de prazer obtido por nós desinteressadamente.

A primeira definição era aceite por Fichte, Schelling, Hegel, Schopenhauer e pelos franceses Cousin, Jouffroy, Ravaisson e outros, sem mencionar os filósofos estetas de segundo plano. Esta mesma definição objectivo-mística da beleza é também aceite pela maior parte das pessoas instruídas da nossa época. É uma concepção de beleza muito difundida, sobretudo entre as pessoas da geração mais velha.

Asegunda concepção de beleza encara-a como um certo tipo de prazer retirado por nós, sem qualquer finalidade ou proveito próprio, encontrando-se predominantemente difundida entre os estetas ingleses e partilhada pela outra metade, geralmente mais jovem, da nossa sociedade.


Exposição artística realizada em 2008 em Portugal, com o patrocínio do ministério da cultura de José Sócrates

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cu2 cu3 cu4 cu5 cu6 Exposição da arte do cu: uma definição subjectiva de arte muito simples e compreensível,
que considera a beleza como aquilo que agrada. Clique nas imagens para ampliar os cus.

Quarta-feira, 10 Abril 2013

Fernando Pessoa, a arte e a moral

Filed under: ética,cultura,Ut Edita — O. Braga @ 11:54 am
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“As épocas têm mais em comum as suas ideias morais que as suas imoralidades. Só nas épocas de decadência é que a moralidade deixou de ser um ideal; e, mesmo nessas, reconhece-se o seu valor ideal.

(…)

Os homens não apreciam só esteticamente, apreciam segundo toda a sua constituição moral. Por isso coisas grosseiras, impuras, lhes desagradam, não na parte estética neles, mas na parte moral que não podem mandar embora de si.”

Fernando Pessoa, “Arte e Moral”, Obras em Prosa, 1975, Tomo II, pág. 154

Nesta citação de Fernando Pessoa, reconhece-se que mesmo em épocas de decadência o valor moral não deixa de ser visto como um ideal; por exemplo, entre o povo mais simples mas já não entre as elites. O factor de decadência cultural de uma época são as elites, e não o povo que é simplesmente arrastado na enxurrada dos valores negativos ou niilistas.

Por outro lado, Fernando Pessoa reconhece que o gosto estético é inseparável dos valores morais. E é por isso que, em épocas de decadência, a arte degrada-se sem que os próprios artistas — que pertencem às elites — se dêem conta dessa degradação, porque quando estes procuram apenas a beleza sem consideração de qualquer valor moral (o que é próprio das épocas de decadência), a própria obra de arte produzida é prejudicada pela ausência do valor moral.

Na mesma página, Fernando Pessoa escreve o seguinte: “Um assunto sexual deve ser tratado em arte de modo que não suscite desejo. Para suscitar desejos, serve melhor uma fotografia pornográfica”.

Portanto, existe uma relação intrínseca entre a arte e a moral. E quando nós vemos hoje uma tendência clara e evidente para separar radicalmente a arte dos valores morais, temos aí a prova insofismável que vivemos numa época de decadência.

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