perspectivas

Domingo, 14 Agosto 2016

A insustentável leveza do intelecto moderno

 

O Carlos Fiolhais diz que “o ser humano é o mais infinito dos macacos”, e, vindo dele esta ideia, por um momento quase acreditei que ele dizia a verdade!.

darwin macaco webBaseia-se ele na ideia segundo a qual um macaco, teclando numa máquina de escrever durante um “tempo infinito”, acabaria por exemplo por escrever “Os Lusíadas”. Neste caso, segundo o Carlos Fiolhais, o Luís de Camões seria um exemplo do “mais infinito dos macacos”.

A ideia de “tempo infinito” é auto-contraditória ou absurda, porque a noção de “infinito” não é idêntica à noção de “eterno”. O macaco do Carlos Fiolhais (salvo seja) poderia eventualmente ser eterno no tempo, mas ser infinito é uma singularidade que está para além do tempo. Poderíamos falar de um macaco teclando eternamente em uma máquina até conseguir escrever “Os Lusíadas” — mas nem isto seria possível porque o tempo não é eterno, na medida em teve um início no Big Bang.

Um dos erros dos românticos e dos idealistas do século XIX foi a confusão entre “infinito”, por um lado, e “eterno”, por outro lado (eliminando-se assim a transcendência, e reduzindo-se toda a realidade à imanência). O intelecto dos homens modernos tornou-se insustentavelmente leve. Por isso é que não me admiro que o Carlos Fiolhais faça uma comparação entre um ser humano e um macaco. A ideia não é a de valorizar o macaco (comparado-o com o ser humano): em vez disso, a ideia é a de desvalorizar o ser humano (como faz o Peter Singer, entre outros); o ser humano tornou-se-se o principal inimigo ontológico do ser humano.


A nossa língua utiliza um código (alfabeto), e se escrevermos as letras “ABC” de uma forma repetida ao longo de 1.000 páginas, por exemplo, teríamos um padrão regular, altamente ordenado e previsível (que é como o que é produzido pelas leis da Natureza); mas se analisarmos “Os Lusíadas”, verificamos um padrão irregular nas letras do alfabeto utilizadas, o que significa uma enorme quantidade de informação. Para produzir essa informação é necessária uma coisa que se chama “inteligência”.

A ideia implícita do Carlos Fiolhais segundo a qual não seria absurdo que um macaco, teclando eternamente, acabaria por escrever “Os Lusíadas”, advém da constatação lógica de que a vida não surgiu por acaso — a não ser que acreditemos (uma crença contra toda a lógica) de que a vida terá surgido por puro acaso — como o macaco que tecla eternamente acaba por escrever “Os Lusíadas”. Temos, portanto, cientistas que acreditam no “acaso” porque a crença (mais consentânea com a lógica) em uma inteligência criadora superior, é-lhes absolutamente repugnante.


Mesmo que fosse possível ao macaco teclar eternamente para escrever “Os Lusíadas”, há um limite máximo para o conhecimento — ou seja, a ideia positivista segundo a qual o conhecimento humano ou do macaco não tem limites, é própria de gente com uma insustentável leveza de intelecto.

O biofísico Alfred Gierer chamou à atenção para uma dificuldade particular: a densidade média da matéria no universo foi calculada com base em medições astrofísicas, e aquela é da ordem de uma partícula elementar longeva [protão, neutrão, electrão, etc.] por metro cúbico; considerando a dimensão do universo, resulta daí um número total de cerca de 10^80 (1 seguido de oitenta zeros) de partículas no universo.

Se multiplicarmos este número (10^80 ) pela idade do universo: 20 mil milhões de anos-luz = 10^40 (1 seguido de 40 zeros) períodos elementares [período mínimo de estabilidade de partículas elementares], obtém-se o número 10^120 (1 seguido de 120 zeros) que corresponde à constante cosmológica da natureza (que se designa pelo símbolo Λ).

Este número Λ representa o limite superior lógico para o trabalho de cálculo de um computador cuja dimensão e idade seriam iguais a todo o universo, que efectuasse cálculos ininterruptamente desde o início da sua existência, e cujos elementos constitutivos fossem partículas elementares longevas individuais.

Portanto, podemos dizer que Λ é o "máximo excogitável" do universo, como é também o máximo da realidade da existência do universo ― nada é possível, em termos do espaço-tempo, acima de Λ.

Assim, a teoria do conhecimento finística de Gierer refere que, do número máximo de operações realizáveis no cosmo (porque o cosmo ou universo, não é eterno), resulta como consequência para a teoria do conhecimento o facto de o número de passos na análise de problemas também ser, por princípio, limitado — sejam eles passos mentais ou passos de processamento de informações através computador. Sobretudo é limitado, por princípio, o número das possibilidades que podem ser verificadas sucessivamente, uma a uma, para comprovar ou refutar a validade universal de uma afirmação. Gierer refere-se aqui estritamente ao Homem inserido no universo (ou ao macaco do Carlos Fiolhais ) ou mundo do senso-comum, como é óbvio. Gierer estabelece o limite máximo do conhecimento possível no mundo macroscópico na constante cosmológica do universo: 10^120.

Portanto, o macaco do Carlos Fiolhais, mesmo que fosse tão inteligente como o negro Abdul Majeed Wakaso (e depois “a Direita é que é racista!”) da estória do Marmelo, ele chegaria a um limite máximo de operações realizáveis na máquina de escrever em que atingiria a constante cosmológica do universo. A origem da informação complementar inteligente teria que vir de Além do espaço-tempo.

Quarta-feira, 13 Julho 2016

A arte é incompatível com ciência (do Iluminismo)

Filed under: cultura — O. Braga @ 12:24 pm
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“O Real nunca é belo” — Jean-Paul Sartre

Se partirmos dos princípios fundamentais do Iluminismo, arte e ciência são inconciliáveis — ao contrário do que defende o Carlos Fiolhais ; ou então, ele coloca em causa o próprio Iluminismo, o que eu não acredito que seja verdade. Defender a conciliação entre a arte e a ciência é colocar em causa não só o Positivismo mas também o Iluminismo que está na sua origem.

“A estética não existe” — Paul Valéry

Segundo o Iluminismo, a ética, a estética e a metafísica são subjectivas, e alegadamente não fazem parte da experiência (empirismo) que legitima a ciência. Segundo o Iluminismo, a razão opõe-se à tradição; e não é possível ética, estética, e mesmo ciência, sem tradição.

O problema fundamental escora-se na lógica do Iluminismo: a ciência não explica nada, não explica as causas dos fenómenos naturais: apenas descreve os fenómenos; vem daqui a frase célebre de Newton: Hypotheses non fingo — ao passo que a obra-de-arte pretende explicar a realidade de um só golpe: uma obra-de-arte não é uma descrição da natureza: antes, é (pelo menos) uma tentativa de a explicar.

A estética, como a ética, pertence ao domínio da metafísica, ao passo que a ciência iluminista é uma metafísica que nega a metafísica (é uma metafísica negativa).

Quarta-feira, 22 Junho 2016

A história da carochinha do Carlos Fiolhais para adormecer as crianças adultas

 

“Apesar de restar ainda muito por esclarecer, todos os avanços têm corroborado a teoria de Darwin, segunda a qual, após a diferenciação que define uma nova espécie, o que acontece por acaso (mutação ou modificação ocasional do ADN), é crucial a adaptação ao meio ambiente”.

Carlos Fiolhais

Ou seja, a adaptação ao meio-ambiente é efectuada por acaso. Quando eu, por exemplo, me adapto ao meio-ambiente cretino da Academia coimbrinha, faço-o por acaso: sou uma espécie de sonâmbulo que sigo aleatoriamente as opções que tenho.

A complexidade do olho que vê a luz, surgiu por acaso. A inteligência nos animais surgiu por acaso, e por isso é que o Carlos Fiolhais se diz inteligente: foi um simples acaso; não há qualquer nexo causal na formação da inteligência dele; e por isso não podemos ter a certeza se o Carlos Fiolhais é inteligente ou mentecapto: é uma questão de perspectiva e de opinião.

A ciência do Carlos Fiolhais caracteriza-se pelo império do acaso: é uma ciência sem causa e sem efeito. A existência da Natureza é um acidente. Quando não sabemos a razão de um fenómeno, ou dizemos que aconteceu por acaso, ou dizemos que o fenómeno é mágico.

Mas repare-se como o Carlos Fiolhais fala de “diferenciação que define uma nova espécie”, ou seja, fala da macro-evolução que faz com que uma minhoca se transforme em uma baleia por uma operação de magia. O pensamento mágico da Idade Média voltou a estar na moda. E o burro sou eu!

ateismo

Terça-feira, 29 Março 2016

O Carlos Fiolhais confunde “técnicos” e “cientistas”

 

“O autor é claro: "De psicologia, de gostos, de tendências e sentimentos quase iguais aos seus, a mulher do sábio deve ser dotada de um grande espírito de sacrifício." Imagine-se agora se o autor pudesse vir cá hoje e verificar que a maior parte dos cientistas são mulheres!

Carlos Fiolhais


Em ciência, existem os trabalhadores e os pensadores. Para os trabalhadores (os técnicos) existem “livros de receitas”: até mesmo um físico medíocre, por exemplo, pode fazer um trabalho de primeira qualidade no laboratório, aplicando fórmulas sem ter em consideração toda a problemática científica e filosófica do seu campo de trabalho.

No manual de metodologia das ciências da natureza de Herbert Pietschmann, distingue-se entre o físico trabalhador, por um lado, e o físico pensador, por outro lado:

“Os físicos trabalhadores que aplicam os métodos da física não têm quaisquer dificuldades em mecânica quântica. Porém, acontece frequentemente que nem sequer têm consciência das suas consequências de longo alcance para a questão da reprodução de uma ‘realidade’. Os conflitos só surgem na tentativa de interpretação da forma como o método utilizado, sem qualquer problema na prática, descreve uma ‘realidade’.”

Gribbin escreveu [John Gribbin (1984) In Search of Schrödinger’s Cat: Quantum Physics And Reality]:

“É precisamente por causa do grande êxito da equação de Schrödinger, como instrumento prático, que muitas pessoas foram impedidas de reflectir profundamente sobre a forma e a razão do funcionamento desde instrumento”.

É politicamente correcto que o Carlos Fiolhais afirme que “a maior parte dos cientistas são mulheres”. Para o Carlos Fiolhais, uma pessoa sentada num laboratório é tomaticamente “cientista”. O politicamente correcto de Carlos Fiolhais causa náuseas.

Domingo, 27 Dezembro 2015

A estupidez do Carlos Fiolhais

 

Não está escrito em lugar nenhum na Bíblia que é o Sol que se move em torno da Terra — ao contrário do que o estúpido Carlos Fiolhais afirma aqui; eis um exemplo da degradação da cultura intelectual da nossa sociedade. Já não há paciência para tanta estupidez das “elites” coimbrinhas.

O que se passou com Galileu foi explicado aqui: havia um paradigma válido que era o sistema de Ptolomeu, que podia explicar melhor muitos fenómenos celestes. Isto não tem nada a ver com a Bíblia — ao contrário do que o estúpido afirma —, mas antes tem a ver com o exercício da autoridade; e o exercício da autoridade baseado em paradigmas ainda existe hoje, e o estúpido Carlos Fiolhais tem sido um dos representantes dogmáticos de alguns paradigmas autoritários, por exemplo, a síntese moderna do darwinismo.

Mas quando o Carlos Fiolhais diz que a ciência é a condição da democracia, já não é estupidez: é ignorância!

A democracia moderna surgiu em Inglaterra por causa da guerra civil inglesa do século XVII (Cromwell), e não por causa de qualquer desenvolvimento científico.

E quanto à alegação do Carlos Fiolhais segundo a qual “a ciência floresce melhor em democracias”, não explica por que razão o regime de Hitler, isolado contra todo o mundo anglófono (e não só), esteve muito próximo da bomba atómica, e foi o precursor da propulsão dos foguetões que os Estados Unidos aproveitaram através de Von Braun.

Domingo, 21 Junho 2015

Carlos Fiolhais e a ciência entendida como uma ideologia política

 

“No ambiente do nosso planeta, os nossos olhos adaptaram-se, ao longo do caminho de evolução biológica, a perceber as cores.”

Carlos Fiolhais

A narrativa do Carlos Fiolhais é mais ou menos a seguinte: “Era uma vez uma bactéria que se transformou numa baleia e depois, graças à evolução biológica, se transformou num macaco, num cão e num ser humano!”

“A questão de como é que um nervo se tornou sensível à luz não nos importa, tal como a questão de saber como é que a própria vida teve origem”.

→ Darwin, “A Origem das Espécies”, pág. 151, 1872

Como se vê, estamos perante uma concepção mágica da realidade, semelhante à que existia no neolítico. É claro que Carlos Fiolhais sabe perfeitamente que conta uma estória da carochinha. Ou, em português correcto: ele sabe que mente! Ele mente porque concebe a ciência como uma ideologia política.

Felizmente, as pessoas vão tendo acesso à cultura e vão deixando de acreditar nas estórias da carochinha de gente como o Carlos Fiolhais:

“Os cientistas têm, de alguma forma, uma inclinação para confundir os seus desejos com a realidade. Por exemplo, há alguns séculos, pensava-se que os insectos e outros pequenos animais surgiam directamente a partir da comida estragada. Isto era fácil de acreditar uma vez que se pensava que os pequenos animais eram muito simples (antes da invenção do microscópio, os naturalistas pensavam que os insectos não possuíam órgãos internos)”.

→ Michael Behe, “A Caixa Negra de Darwin”, pág. 40.

Aconselho os leitores do Rerum Natura a leitura do livro do bioquímico americano Michael Behe, “A Caixa Negra de Darwin”. Não se deixem enganar por gentalha como a que escreve naquele blogue.

Quando o Carlos Fiolhais reclama mais dinheiro do Estado para aquilo a que ele chama “investigação científica”, do que se trata é exigir fundos do erário público para financiar a propaganda de uma ideologia política cientificista que grassa pela academia coimbrinha. E muito bem faz Passos Coelho em cortar as vazas a essa gente.

O professor Galopim de Carvalho deveria dedicar-se ao estudo das pedras e deixar a História em paz

 

Quando o professor Galopim galopa os corcéis da história ou da filosofia, sai asneira:

“Na mesma época, o Santo Ofício levara Giordano Bruno à fogueira e obrigara Galileu a repudiar as suas ideias sobre o heliocentrismo, tidas por ofensivas da Fé”.

Burrice do Galopim de Carvalho

Misturar, em um mesmo parágrafo e pelas mesmas razões, Giordano Bruno e Galileu, só pode ser burrice de quem aprendeu a classificar pedras e faz da história das ideias uma espécie de menir. Giordano Bruno não foi executado pela Inquisição por ter ter defendido o heliocentrismo!

Por outro lado, já aqui demonstramos aqui que a mente retorcida de Carlos Fiolhais e o cérebro empedernido de Galopim de Carvalho não têm razão em relação a Galileu, porque a ciência actual comporta-se da mesmíssima maneira que a Igreja Católica medieval:

“Qualquer cientista propriamente dito — e não alguém contaminado pelo cientismo, como é o caso de Carlos Fiolhais — reconhece hoje, e a partir da perspectiva actual segundo o conceito de paradigma de Thomas Kuhn, que a reacção do Papa às teses de Galileu foi absolutamente correcta. As teses de Copérnico receberam o imprimatur porque foram formuladas como hipóteses. Porém, Galileu não quis formular quaisquer hipóteses, mas afirmar verdades absolutas — e isto numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

A Igreja Católica, naquela época, defendeu a concepção científica mais moderna embora se tenha atido a concepções cosmológicas erradas. O mesmo critério da Igreja Católica daquele tempo é utilizado por Carlos Fiolhais quando defende o darwinismo: mas Carlos Fiolhais fala sistematicamente em Galileu sem falar nele próprio e naquilo que comprovadamente de errado ele ainda defende.”

Sexta-feira, 19 Junho 2015

¿ A pornografia pode ser arte ? (parte II)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 4:09 am
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A pornografia é uma forma negativa de arte, no sentido em que intuitivamente podemos saber, através dela, o que é a arte propriamente dita.
A pornografia é um contraste da arte que a intuição permite identificar.

Na primeira parte desta pequena série de dois verbetes, referi-me a este artigo publicado no blogue Rerum Natura que se questiona se a pornografia pode ser arte. Também me referi à influência de Nietzsche na cultura filosófica académica americana, que vai de gente como por exemplo Goodman, Quine, Sellars, etc., até Rorty e seus sequazes.

Leonardo Da Vinci sugere que a obra de arte é bela quando não pensamos em acrescentar-lhe ou subtrair-lhe qualquer coisa sem pena. Nietzsche não concorda com Da Vinci; responde-lhe que a pena que sentimos no acrescento ou na subtracção de qualquer coisa na obra de arte, não passa de um produto de uma convenção cultural e social. Seria interessante imaginar um diálogo entre Da Vinci e Nietzsche acerca da arte.

A diferença fundamental entre Da Vinci e Nietzsche, na concepção da arte, é a diferença entre intuição e instinto.

O instinto não é inteligência, ao passo que a intuição é uma forma de inteligência.

A inteligência é — como o instinto — uma função de adaptação ao real, mas que pressupõe construção e invenção. O instinto é, pelo contrário, um comportamento adaptador estereotipado, dependendo de uma programação genética. A espécie humana, em relação aos outros animais, é relativamente pouco determinada pelo instinto; daí que o ser humano necessite da educação que pressupõe inteligência inata.

A intuição (Descartes) é a concepção imediata e perfeitamente clara de uma ideia pelo espírito e, por isso, a intuição é espiritual — e distingue-se da inferência que estabelece as suas verdades por intermédio de uma demonstração. É este conceito de “intuição” que caracteriza a arte e os artistas, mas que Nietzsche e académicos contemporâneos negam porque fazem coincidir os conceitos de “intuição” e de “instinto”.

Por exemplo, Fernando Pessoa não escrevia, de pé e horas a fio, por instinto, mas antes por uma espécie de inteligência a que chamamos de “intuição”. Amália Rodrigues não cantava por instinto, mas por uma espécie de intuição a que os artistas chamam de “inspiração”. E por aí fora.

Se a arte é uma actividade ordenada com vista a um fim deferente dela própria, uma obra de arte comunica os seus signos — que ela própria criou — com o mundo através da intuição. É neste sentido que se pode falar em “transcendência da obra de arte”, no sentido em que ela “sai” da subjectividade do artista e se universaliza através da intuição que é mais ou menos comum ao ser humano em geral.

Uma obra de arte apela à intuição, e não ao instinto — exactamente porque o fim da obra de arte é diferente de ela própria. Quando uma representação apela apenas ao instinto, o seu fim não se transcende: pelo contrário, o seu fim mantém-se restrito, limitado, à sua própria representação; e por isso não é uma obra de arte propriamente dita.

Na medida em que uma representação pornográfica (e falo aqui de pornografia ou libido, e não de erotismo ou eros) apela menos à intuição (a uma espécie de “inteligência irracional”) do que ao instinto (que é “irracionalidade sem inteligência”), é praticamente impossível que ela inclua em si mesma a potencialidade de se transcender (sair fora de) em relação ao seu próprio significado intrínseco.

A pornografia é uma forma negativa de arte, no sentido em que intuitivamente podemos saber, através dela, o que é a arte propriamente dita. A pornografia é um contraste da arte que a intuição permite identificar.

Quarta-feira, 17 Junho 2015

¿ A pornografia pode ser arte ? (parte I)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 6:29 am
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“A estética não existe.”Paul Valéry


O discurso filosófico académico moderno contemporâneo é sistematicamente ambíguo e/ou ambivalente, o que resulta da cultura académica filosófica americana pós-moderna (nitidamente) herdeira de Nietzsche. O filósofo académico pós-moderno dá a sensação de que se senta na sanita e não sabe se há-de cagar ou se há-de “dar corda ao relógio”. É o que se pode inferir deste texto publicado por Carlos Fiolhais no Rerum Natura.

Nietzsche antecipou — como a profecia que se auto-realiza — as modificações que a contemporaneidade provocou na concepção da “arte”, definindo-a mais como um movimento (político) diversificado do que como a procura de um ideal de beleza.

Tudo isto parte do erro do convencionalismo de Nietzsche — a ideia segundo a qual realidade e factos não existem per se (anti-realismo), e de que tudo o que aparentemente existe (incluindo a ciência) são apenas e só convenções sociais. Não sei se o Carlos Fiolhais se deu conta de que ao publicar aquele extracto do prefácio de um determinado livro, assume as dores de uma corrente filosófica anti-realista e, por isso, anti-científica.

A arte é, por definição, uma actividade ordenada com vista a um fim deferente dela própria (o que a diferencia do jogo), por um lado, e cujas técnicas são objecto de aprendizagem ou de ensino, por outro lado.

O discurso ético — e portanto, filosófico — académico contemporâneo sobre a “arte” baseia-se fundamentalmente em alguns conceitos-chave falaciosos: liberdade, tolerância, consentimento etário. Principalmente estes três. É disto que falarei em um próximo verbete (porque agora estou sem tempo e espaço).

Sábado, 6 Junho 2015

O Carlos Fiolhais e a gasolina a 5 Euros

 

Pergunta o Carlos Fiolhais :

“E se os mais importantes combustíveis do mundo não fossem extraídos das profundezas da Terra, mas crescessem em florestas, campos, parques e jardins? E se a gasolina e o diesel poluentes que são queimados nos motores pudessem ser substituídos por combustíveis não poluentes, reciclados a partir de relva cortada, papel usado ou serradura? E se fosse possível fornecer energia aos automóveis, autocarros, eléctricos e comboios ao mesmo tempo que limpávamos o ar do dióxido de carbono, reflorestávamos prados e florestas e tornávamos o mundo mais verde?”

melanciaResposta: se tudo aquilo acontecesse, o preço do combustível, em vez de ser de 1,60 € por litro, passaria a ser de 5,00 € por litro.

E agora pergunto eu: se o litro de combustível passasse a 5 Euros por litro, ¿o Carlos Fiolhais ficaria feliz? Resposta: ficaria feliz e contente! Se passasse a 10 Euros/L, mais feliz ele ficaria!

E ¿por que ficaria ele contente? Porque a maioria das pessoas passaria a andar de bicicleta, e então seríamos quase todos iguais…!

Sermos quase todos iguais — com excepção dele e dos eleitos da academia coimbrinha, obviamente! — é um ideal de Carlos Fiolhais: por isso é que o Aquecimento Global foi inventado na década de 1990 pela quinta coluna comunista que perdeu a guerra com a queda do muro de Berlim.

Segunda-feira, 23 Março 2015

O Carlos Fiolhais anda enganado por pseudo astrólogos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:41 pm
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Quando a Lua cheia recente causou a maior maré do século, é natural que o Carlos Fiolhais ande aluado, e pior fica quando não tem consciência disso. Quando temos consciência de que a Lua influencia a nossa psique e, em consequência, o nosso comportamento, sabemos lidar melhor com os nossos possíveis desvarios. Mas o Carlos Fiolhais, na sua auto-intitulada qualidade de cientista, nega que a Lua tenha qualquer influência na sua (dele) psique e comportamento. E por isso, quando está aluarado, só diz disparates.

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Vamos ver se ele aprende — embora burro velho não tome andadura.

A astrologia não prediz acontecimentos: indica apenas fases de mutações — como, por exemplo, as mutações das fases da Lua — e de transformações do indivíduo (e não propriamente de uma comunidade ou de uma sociedade inteira). Quando o Carlos Fiolhais (ou outra pessoa qualquer) vir um “astrólogo” prever acontecimentos, terá então razões objectivas e sem aluamentos para o considerar um charlatão.

Segunda-feira, 9 Fevereiro 2015

¿O que é que tem a ver a ciência com o “marido” do Alexandre Quintanilha?!

 

 

O Carlos Fiolhais  — ¿quem poderia ser, senão ele? — publicou no blogue Rerum Natura uma entrevista com o Alexandre Quintanilhaem que ele aponta o dedo à pseudo-avaliação da FCT da ciência nacional” (sic). Algumas pérolas do Alexandre Quintanilha:

“Apesar de viverem numa sociedade católica, [as pessoas] são livres na sua forma de estar, como é o caso das vizinhas que à varanda o vêem descer a rua de braço dado com o marido e cumprimentam o casal, como qualquer morador do bairro.”

(…)

“Dou um exemplo pessoal. Casei-me com o Richard [Zimler] em Portugal. Algo impensável há dez anos. Os meus amigos lá fora ficaram espantadíssimos. Portugal evoluiu imenso. Há milhares de jovens que, por exemplo, vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais.”
(…)
“E, portanto, o investimento na educação teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir. É um certo empowerment que as pessoas adoptaram, mas que infelizmente está a enfraquecer porque muitos não sabem se vale ou valeu a pena.”

Reparem bem:

1/ Portugal evoluiu imenso porque o Alexandre Quintanilha “casou-se” com o Richard Zimmler.

2/ A “evolução” de Portugal foi tão grande que “há milhares de jovens que vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, e seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

3/ Toda essa “evolução” deveu-se ao  “investimento na educação” que “teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir”. Foi o grande “investimento na educação” (de José Sócrates)  que permitiu que o Alexandre Quintanilha andasse de mãos dadas com o “marido” e vice-versa, e que incentivou que “milhares de jovens passassem a viver com outros jovens sem se casarem, terem filhos sem se casarem, e seguirem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

4/ Portanto, educação que se preze é contra os pais. Educar as crianças ou jovens contra os pais é sinal de “evolução” da sociedade.

Por outro  lado, a promiscuidade sexual é sinal de progresso e de “evolução” — simplesmente não é possível a investigação científica sem umas orgias no laboratório da universidade. Aliás, o governo de Passos Coelho, através do FCT, deveria facultar um “subsídio de coito” para os investigadores, para além da Bolsa: investigação científica digna desse nome não passa sem um subsídio de coito.

5/ Uma sociedade sem “casamento” gay, por um lado, e sem surubas estudantis, por outro  lado, não pode progredir na ciência. O “casamento” gay está directamente ligado ao progresso da ciência.

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