perspectivas

Segunda-feira, 23 Março 2015

O Carlos Fiolhais anda enganado por pseudo astrólogos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:41 pm
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Quando a Lua cheia recente causou a maior maré do século, é natural que o Carlos Fiolhais ande aluado, e pior fica quando não tem consciência disso. Quando temos consciência de que a Lua influencia a nossa psique e, em consequência, o nosso comportamento, sabemos lidar melhor com os nossos possíveis desvarios. Mas o Carlos Fiolhais, na sua auto-intitulada qualidade de cientista, nega que a Lua tenha qualquer influência na sua (dele) psique e comportamento. E por isso, quando está aluarado, só diz disparates.

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Vamos ver se ele aprende — embora burro velho não tome andadura.

A astrologia não prediz acontecimentos: indica apenas fases de mutações — como, por exemplo, as mutações das fases da Lua — e de transformações do indivíduo (e não propriamente de uma comunidade ou de uma sociedade inteira). Quando o Carlos Fiolhais (ou outra pessoa qualquer) vir um “astrólogo” prever acontecimentos, terá então razões objectivas e sem aluamentos para o considerar um charlatão.

Segunda-feira, 9 Fevereiro 2015

¿O que é que tem a ver a ciência com o “marido” do Alexandre Quintanilha?!

 

 

O Carlos Fiolhais  — ¿quem poderia ser, senão ele? — publicou no blogue Rerum Natura uma entrevista com o Alexandre Quintanilhaem que ele aponta o dedo à pseudo-avaliação da FCT da ciência nacional” (sic). Algumas pérolas do Alexandre Quintanilha:

“Apesar de viverem numa sociedade católica, [as pessoas] são livres na sua forma de estar, como é o caso das vizinhas que à varanda o vêem descer a rua de braço dado com o marido e cumprimentam o casal, como qualquer morador do bairro.”

(…)

“Dou um exemplo pessoal. Casei-me com o Richard [Zimler] em Portugal. Algo impensável há dez anos. Os meus amigos lá fora ficaram espantadíssimos. Portugal evoluiu imenso. Há milhares de jovens que, por exemplo, vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais.”
(…)
“E, portanto, o investimento na educação teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir. É um certo empowerment que as pessoas adoptaram, mas que infelizmente está a enfraquecer porque muitos não sabem se vale ou valeu a pena.”

Reparem bem:

1/ Portugal evoluiu imenso porque o Alexandre Quintanilha “casou-se” com o Richard Zimmler.

2/ A “evolução” de Portugal foi tão grande que “há milhares de jovens que vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, e seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

3/ Toda essa “evolução” deveu-se ao  “investimento na educação” que “teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir”. Foi o grande “investimento na educação” (de José Sócrates)  que permitiu que o Alexandre Quintanilha andasse de mãos dadas com o “marido” e vice-versa, e que incentivou que “milhares de jovens passassem a viver com outros jovens sem se casarem, terem filhos sem se casarem, e seguirem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

4/ Portanto, educação que se preze é contra os pais. Educar as crianças ou jovens contra os pais é sinal de “evolução” da sociedade.

Por outro  lado, a promiscuidade sexual é sinal de progresso e de “evolução” — simplesmente não é possível a investigação científica sem umas orgias no laboratório da universidade. Aliás, o governo de Passos Coelho, através do FCT, deveria facultar um “subsídio de coito” para os investigadores, para além da Bolsa: investigação científica digna desse nome não passa sem um subsídio de coito.

5/ Uma sociedade sem “casamento” gay, por um lado, e sem surubas estudantis, por outro  lado, não pode progredir na ciência. O “casamento” gay está directamente ligado ao progresso da ciência.

Sexta-feira, 6 Fevereiro 2015

O FaceBook e o tempo

 

cientismo2Só falta comparar a invenção do FaceBook à  descoberta da penicilina. Os ditos “progressistas” são tão estúpidos que tolhem qualquer tentativa de inteligibilidade. São contra a globalização, mas não toda: só apoiam um certo tipo de globalização internacionalista e marxizante, a que chamam de “comunidade” não obstante a realidade do Número de Dunbar. Gostam do FaceBook apenas pela possibilidade de propaganda política e ideológica: utilizam os instrumentos da globalização americana para poderem lutar contra ela.

O problema não é a existência do Facebook; eu próprio utilizo o Facebook, e portanto não tenho nada contra o Facebook. O problema é o carpe Diem:

“O tempo em que vivemos, todos nós, é o tempo. Com tudo o que advém do tempo. Não é “o meu tempo” ou o “teu tempo”. É o tempo. Ainda que outros tivessem vivido, tivessem tido carne e ossos a compor a sua condição humana noutros anos, noutras épocas, em outras eternidades.”

Este parágrafo é patético. Só uma pessoa estúpida o escreveria, e outro estúpido o publicaria. Quando os estúpidos começam a filosofar só sai estupidez: para estes, o tempo não tem passado; o tempo reduz-se ao presente.

Aqui a estupidez é elevada ao quadrado, porque há uma intencionalidade na defesa de uma posição estúpida: é como aquela pessoa que defende a estupidez porque acredita que pode retirar vantagem dela. É uma estupidez consciente, e por isso é elevada ao quadrado.

Nem a ciência vive sem tradição (o passado). Mas quando se trata de política, o Carlos Fiolhais faz do passado tábua-rasa. Ca’ganda cientista!

Quarta-feira, 4 Fevereiro 2015

David Marçal, Carlos Fiolhais, e a homeopatia

Filed under: Ciência — O. Braga @ 2:47 pm
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Em relação a este artigo publicado no Rerum Natura por David Marçal e Carlos Fiolhais, digo o seguinte:

1/ tenho muitas reservas acerca da visão científica desses dois senhores: servem-se do método científico para defender um pensamento dogmático baseado em paradigmas imobilistas que pretendem petrificar a ciência em conformidade com as suas crenças pessoais, políticas e subjectivas. Fazendo uma analogia: esses senhores desempenham hoje o papel da Igreja Católica da Idade Média em relação a Galileu: defendem dogmaticamente um paradigma.

2/ pelo exemplo daqueles dois senhores, devemos duvidar — no sentido da “dúvida metódica”, e não no sentido da “dúvida céptica” — da ciência: eles representam a normalidade científica actual que se confunde com o cientismo.

Quando vemos que a ciência se fecha em si mesma e se dogmatiza, mas ainda assim defende o método científico para “salvar as aparências”, e pior, serve de arma de arremesso político e ideológico — temos a obrigação de duvidar dela.

3/ parece-me claro que a homeopatia não obedece a critérios objectivos de verificação. A homeopatia não é falsificável. Portanto, não podemos dizer que a homeopatia faz parte da ciência.

Mas isso não significa necessariamente que todos os aspectos da homeopatia não mereçam investigação científica. E é esta negação dogmática, radical e irracional em relação a todas as áreas da homeopatia que caracteriza o David Marçal e o Carlos Fiolhais. Por exemplo, em relação a Jacques Benveniste, existem alguns desenvolvimentos: o que está em causa é não considerar a ciência como uma área fechada em função de crenças ideológicas, políticas, ou outras.

Segunda-feira, 26 Janeiro 2015

A universidade coimbrinha e a falta de vergonha

 

Depois do chamado Climagate, o Carlos Fiolhais deveria ter um pouco de vergonha. Mas se há uma característica certa da universidade coimbrinha, é a falta de vergonha.

Sexta-feira, 9 Janeiro 2015

O Carlos Fiolhais subscreve qualquer burrice em nome da ciência

 

Carlos Fiolhais  faz aqui uma crítica a Olavo de Carvalho.

Contudo, com o frenesim de substanciar a sua crítica, subscreve a tese de um qualquer estudante de Física — quando o Carlos Fiolhais  aceita a “explicação” do tal estudante em relação ao conceito de “curvatura do espaço” que, segundo o inteli-jumento com alvará de inteligência, atribui aos teoremas da geometria pura.

Os vários sistemas da geometria (euclidiana, Lobachevsky e Riemann) estão, em si mesmos, isentos de conteúdo empírico (vou repetir, para que o Carlos Fiolhais  entenda bem: isentos de conteúdo empírico!) — só quando se conjugam com certos princípios da mecânica é que surgem proposições empiricamente significativas. Ou seja, é necessário especificar como é que os termos como “ponto”, “linha” e “ângulo” se devem medir antes que os teoremas geométricos se possam aplicar à  experiência.

A geometria pura, é arte, e não é ciência! 

O conceito de “curvatura do espaço” explica-se mediante o conceito de “massa” — e não com os teoremas geométricos de Lobachevsky e Riemann tal como o querido aluno do Carlos Fiolhais  pretendeu dizer. Ou seja, o Carlos Fiolhais subscreveu uma burrice.

É certo que Olavo de Carvalho cometeu um erro — está errado. Afinal ele é um ser humano. Só os inteli-jumentos como o Carlos Fiolhais  não cometem erros.

Sexta-feira, 2 Janeiro 2015

A pseudo-ciência que condena a pseudo-ciência

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 10:01 pm
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É muito interessante este verbete no blogue Blasfémias, e aconselho veementemente uma visita.

O referido verbete coloca a nu a falácia cientificista da Ideologia de Género — pena é que os vídeos estejam sub-titulados em inglês, porque a maioria da população portuguesa não lê em inglês; e aposto quanto quiserem que aqueles vídeos jamais serão passados em qualquer canal de televisão português.

Vivemos em um tempo muito complicado, em que pseudo-cientistas politicamente correctos — como por exemplo os que escrevem no blogue Rerum Natura — se dedicam a denunciar a pseudo-ciência. Vemos, por exemplo, esta notícia no Rerum Natura segundo a qual  se realizará um encontro onde “criadores, cientistas, ensaístas” abordarão o problema do livre-arbítrio. Escreve o Carlos Fiolhais :

“Estamos habituados a pensar que somos livres para decidir e escolher os nossos actos. Não passará esta certeza de uma ilusão? Experiências na área das neuro-ciências colocam dúvidas sobre a existência do livre-arbítrio, embora não exista consenso dos cientistas e dos filósofos quanto à interpretação dessas mesmas experiências. A discussão sobre este conceito é, aliás, muito antiga. O mais tardar desde Santo Agostinho que a existência do livre-arbítrio tem sido uma questão central na História da Filosofia e da Teologia e, mais recentemente, na História da Ciência. Ao longo do processo histórico, a relação entre livre-arbítrio e responsabilidade tem passado pela discussão sobre a compatibilidade do determinismo e do indeterminismo com o livre-arbítrio.”

Se o Homem não tivesse livre-arbítrio não seria possível a ciência — ver: pesadelo do determinismo físico. Já uma vez aconselhei o Carlos Fiolhais a ter lições de lógica do Desidério Murcho.

Portanto, é um absurdo que cientistas se reúnam para discutir se existe ou não o livre-arbítrio no ser humano: basta isto para termos a noção da cultura do absurdo intelectual em que vivemos. Bem faz o Passos Coelho em cortar as prebendas a esses sibaritas.

Não é só a validade da experiência humana que é negada: é também a realidade exterior que é tacitamente negada por aquilo a que hoje se chama “ciência”, e que se aproxima cada vez mais do imperativo orwelliano.

Domingo, 30 Novembro 2014

A teoria científica como “explicação” da realidade

Filed under: Ciência — O. Braga @ 7:21 pm
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O Carlos Fiolhais explica aqui, embora de forma enviesada, por que razão Galileu foi condenado pela Igreja Católica; mas não explica por que razão Copérnico, que defendeu a mesma tese de Galileu antes deste, não foi condenado pela Igreja Católica. Ou seja, a teoria de Carlos Fiolhais é deficitária e tem que ser substituída por uma teoria melhor.

“Qualquer cientista propriamente dito reconhece hoje, e a partir da perspectiva actual segundo o conceito de paradigma de Thomas Kuhn, que a reacção do Papa às teses de Galileu foi absolutamente correcta. As teses de Copérnico receberam o imprimatur porque foram formuladas como hipóteses. Porém, Galileu não quis formular quaisquer hipóteses, mas afirmar verdades absolutas — e isto numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

A Igreja Católica, naquela época, defendeu a concepção científica mais moderna embora se tenha atido a concepções cosmológicas erradas.”

Afinal, ¿do que é que Carlos Fiolhais está a falar quando se refere ao bosão de Higgs? Está a falar de uma “teoria que explica alguma coisa”. ¿E o que é uma “teoria”?

1/ o fundamento de qualquer teoria é a Lógica que não existe da mesma forma na realidade quântica e na realidade macroscópica. Na realidade quântica, “a nossa lógica é uma batata”. O que significa, por inferência, que as teorias científicas acerca da realidade quântica são apenas “teorias da batata” (hipóteses mais ou menos verificáveis).

2/ a “lógica dedutiva”, que está subjacente à teoria científica, baseia-se por sua vez na teoria do silogismo de Aristóteles: é, ela própria uma teoria da validade das inferências lógicas ou da relação de sequência lógica. Se as premissas de uma inferência válida forem verdadeiras, então segue-se que a conclusão também deverá ser verdadeira.

3/ na ciência trabalha-se com teorias, ou seja, sistemas dedutivos que tentam “explicar” um problema científico. Mas não se trata de “explicar”: trata-se de “descrever” — porque se uma teoria científica se baseia na “lógica dedutiva” que é ela própria uma teoria, a ciência prossegue em circulus in demonstrando: a teoria científica baseia-se sempre em uma teoria prévia e axiomática (a Lógica), e portanto, o conceito de “teoria científica” é tautológico. Uma tautologia não explica nada: apenas pode descrever alguma coisa.

4/ é melhor ter uma teoria, apesar da tautologia, do que não ter nenhuma — porque uma teoria revela a preocupação com a verdade que nos distingue dos animais irracionais.

5/ não existe uma ciência de observação pura: todas as ciências estão imbuídas de teorias. O leitor retire desta proposição a conclusão que quiser.

Quinta-feira, 13 Novembro 2014

A velha Teoria Crítica e o delírio interpretativo da Raquel Varela

 

“Nesta desordem destrutiva há uma ostracização das ciências fundamentais – burlesca. A separação entre ciência fundamental e aplicada, ou entre ciências sociais e exactas é fictícia, e do ponto de vista produtivo, regressiva.”

Raquel Varela

Nota: apliquei as vírgulas à citação, que não existiam no texto original. A Raquel Varela escreve “à moda” de José Saramago.


A Raquel Varela aproveitou-se de uma frase solta de Angela Merkel para, baseando-se nessa frase, retirar dela conclusões abusivas e inusitadas. E o Carlos Fiolhais  caiu na esparrela. Ou, como dizia o reaccionário Nicolás Gómez Dávila, “a Esquerda acertou no diagnóstico mas errou na receita”. Ou ainda, como dizia o poeta Aleixo: “para a mentira ser segura, e atingir profundidade, tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade”.

Eu estou perfeitamente à vontade para criticar a Raquel Varela neste caso, porque não simpatizo minimamente com Angela Merkel e porque há anos que falo aqui do conceito de “sinificação”. Parece que a “elite” só agora acordou para o problema.

É verdade que o mundo não é perfeito; mas também é verdade que é impossível construir um mundo perfeito — ou um “mundo melhor”, no sentido da utopia que retira ao Homem a sua própria humanidade.

O que um ser racional pode fazer é tentar atenuar as consequências negativas dos problemas do mundo; mas o que é irracional, ou mesmo um insulto à nossa inteligência colectiva, é que uma auto-intitulada plêiade de iluminados se arrogue no direito de reclamar para si a correcção dos problemas do mundo mediante a absolutização de uma ideologia política que a História já demonstrou que os agrava.

teorica criticaA estratégia retórica da Raquel Varela passa pela velha Teoria Crítica da Escola de Frankfurt: critica tudo e todos. Criticar, criticar, criticar! As soluções da Raquel Varela para o tal “mundo imperfeito” estão escondidas (Audiatur Et Altera Pars) porque são inconfessáveis: o povo fugiria a sete pés, se ela confessasse. Mas culpa não é dela: a culpa é de quem a alcandorou ao “escol” (incluindo o Carlos Fiolhais ).

Ao contrário do que defende a Raquel Varela mediante a picaretagem da Teoria Crítica — e também o “papa Francisco” e o Frei Bento Domingues, por exemplo —, os problemas da humanidade não podem ser abordados apenas a partir das “periferias”: pelo contrário, terá que haver uma abordagem holista, que tenha em atenção o Todo. Não é possível conceber a periferia sem ter em consideração o centro; mas um facto tão evidente e básico como este parece não perpassar pelas mentes das “elites” que temos.

Por fim, a citação da Raquel Varela em epígrafe. A citação revela (não só, mas também) o delírio interpretativo da Raquel Varela — uma doença mental.

Em qualquer ciência, há os cientistas-técnicos, e os cientistas propriamente ditos (os teóricos); portanto, existe de facto, na ciência, uma distinção entre ciência teórica (ou “fundamental”, como ela diz), por um lado, e a ciência aplicada, por outro  lado.

Ademais, quem diz que não existe qualquer diferença entre ciências sociais e ciências da natureza (ou exactas, que inclui o formalismo da matemática), ou é pessoa estúpida ou é doente mental. Mas o Carlos Fiolhais  citou-a!

Só uma pessoa que padece de uma doença mental irreversível pode, ainda hoje, ter uma visão cartesiana do ser humano, a ponto de não o distinguir de um qualquer outro objecto de investigação científica. Por isso é que chegamos ao ponto a que chegamos: perante a voragem do neoliberalismo, as soluções apresentadas pelos “progressistas do mundo melhor” são as que constam da decrepitude do niilismo e da estupidez da Teoria Crítica.

Domingo, 9 Novembro 2014

O Carlos Fiolhais e a homeopatia

 

O Carlos Fiolhais e o David Marçal por um lado, e o Paulo Varela Gomes, por outro lado, andam de candeias às avessas por causa da homeopatia. Eu penso que todos radicalizam as suas posições.

cientismoDo ponto de vista da ciência positivista, e nomeadamente da bioquímica, a homeopatia não é credível. E aqui o Carlos Fiolhais e o David Marçal, têm razão. Se existe uma lógica na homeopatia, essa lógica não obedece aos princípios de nexo causal estritos e deterministas da ciência positivista. Ou seja, a homeopatia não permite que se façam estatísticas em relação a experiências do passado que permitam prever o futuro com uma grande percentagem de fiabilidade — que é o que a ciência positivista faz.

Mas, por outro lado, não podemos reduzir a realidade inteira à ciência positivista: quem faz isso é adepto do cientismo. Por exemplo, quando o David Marçal mete no mesmo saco a acupunctura e a homeopatia, revela um pensamento dogmático que valida absolutamente a ciência positivista.

Claramente, na homeopatia existe um factor de acção subjectiva da consciência da pessoa sobre a sua doença; e é isto que o positivismo não entende nem nunca entenderá. Assim como a maior fé que existe é a do cientista positivista porque é uma fé inconfessável, assim o doente que recorre à homeopatia fá-lo em um contexto de uma fé quasi-religiosa. São fés diferentes, mas não deixam por isso de ser fés.

Faz falta ao Carlos Fiolhais e ao David Marçal ler alguma coisa de Willard Van Orman Quine.

Terça-feira, 23 Setembro 2014

Stephen Hawking e a entrevista ao jornal espanhol “El Mundo”

 

Não me queria referir a este assunto, porque o estado de saúde de Stephen Hawking merece misericórdia e respeito. Mas já que Carlos Fiolhais se referiu ao assunto, aqui vai.

Stephen-Hawking-a-secoO pensamento de Hawking é a negação do nexo causal, portanto, na prática, acientífico. A ideia de “um universo que se pode criar do Nada, por geração espontânea”, é acreditar num milagre. É evidente que existe aqui implícita a ideia de um “milagre”, e essa ideia de milagre (entendido em si mesmo) é de origem cristã (no caso de Hawking).

Quando Stephen Hawking fala em “mente de Deus” e “mente humana” (em inglês: “mind”, que significa também “espírito”), está a utilizar conceitos cristãos.

Por exemplo, um ateu propriamente dito e coerente, em vez de dizer à sua mulher “Amo-te de corpo e alma”, diria o seguinte: “Querida! A dopamina tomou conta do meu bolbo caudal raquidiano!”

Para um ateu não pode, em coerência, existir “mente” ou espírito”: antes existe uma caixa craniana com um montão de moléculas em constantes reacções químicas; também não pode existir “verdade”, porque o montão de moléculas em reacções químicas pode induzir tipos de verdades diferentes dependendo dos indivíduos. A minha química pode chegar a uma conclusão diferente da tua; por isso a verdade não existe e a ciência também não.

Há uma coisa que eu admiro em Stephen Hawking: tem uma vontade estóica. Qualquer pessoa na situação dele já tinha defendido a eutanásia. E essa qualidade de Stephen Hawking não pode ser escamoteada.

Segunda-feira, 22 Setembro 2014

Os porcos não voam, e em certos casos até concordo

Filed under: Ciência — O. Braga @ 6:12 pm
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Quando um homem das ciências se mete a dissertar sobre matérias que não são da sua especialidade, dá nisto:

“… ocorreu ontem à noite na TVI. No seu comentário habitual, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa equivocou-se, ao fazer uma comparação errónea.

Comentando os pedidos de desculpa dos ministros Nuno Crato e Paula Teixeira da Cruz, o Prof. Marcelo afirmou a certa altura: Eles entendem que, pedindo desculpa, cumpriram a sua missão. Mas isto tem um preço. É um bocadinho como a TAC: quando uma pessoa faz uma TAC, a TAC fica no corpo, aquela radiação fica lá e não se cura. Ver vídeo a partir dos 20 minutos.

Todos percebemos que se tratava de uma analogia, mas há limites para certas analogias, sobretudo quando são feitas perante centenas de milhar de pessoas… A TAC não fica no corpo (que é isto da TAC ficar no corpo?!). Os raios-X não ficam no corpo; entram, atravessam o corpo e são detectados, caso contrário nem produziriam qualquer imagem! E nem vale a pena referir o não se cura…”

Uma analogia bizarra

Repare-se como se falou, em primeiro lugar, em analogia, depois em comparação , e novamente em analogia — como se os dois conceitos fossem idênticos ou mesmo semelhantes.

O prof. Carlos Fiolhais tentou remediar o caso. Mas esqueceu-se de dizer que os cientistas, em geral, não aconselham uma mulher grávida a expor o ventre a raios-X — vá-se lá saber por que razão… !

(more…)

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