perspectivas

Sábado, 17 Setembro 2016

A acção dos animais modernos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 4:31 pm
Tags: , , , ,

 

“Esse gosto mórbido da inacção mental explica que tenha sido possível aos arautos da esquerda ir introduzindo no convívio social das nações, sem oposição proporcionada, as maiores aberrações intelectuais, como a Ideologia de Género, a generalização da matança de inocentes no ventre materno, os horrores da arte moderna; e, na Igreja, a contestação de doutrinas evidentes, a demolição de cerimónias ancestrais belíssimas, de costumes tocantes.

São máquinas de opinião pública que vêm despejando sobre as pessoas esses e outros horrores, como certos tubos enormes despejam asfalto numa via de terra para se constituir ali uma estrada, enquanto o «louco» olha para isso com olhar desagradado, mas aparvalhado”.

A preguiça mental contra a acção


1/ A partir da Idade Moderna, principalmente depois de Kant, os valores da cultura ocidental passaram a valorizar a acção em detrimento do pensamento.

actionO homem moderno, depois de Karl Marx, — tal como acontece com os animais irracionais — é livre porque age: é a acção que determina a sua liberdade; quem não age (de forma positiva, uma vez que o não-agir é uma forma negativa de agir) não é livre.

Porém a tradição europeia anterior à Idade Moderna era a de que o ser humano age porque é livre: é em função da nossa liberdade que agimos; ou, na terminologia de Kant: a nossa liberdade é a condição da nossa acção.

A animalização da acção (“eu sou livre porque ajo”), introduzida pelo modernismo e cimentada por Karl Marx, Kierkegaard e Nietzsche (ou seja, a inversão ideológica de Platão) levou a que muita gente considerasse a acção, ou algo próprio de gente de poucos escrúpulos (a ideia de “acção” como a iniciação de um “processo histórico” inconsequente, imprevisível e irresponsável), ou então a acção passou a ser vista como uma forma insensata de realização de uma qualquer utopia (a “transformação do mundo” preconizada por Karl Marx que já causou centenas de milhões de vítimas mortais em todo o mundo).

2/ Esta característica moderna de animalização da acção não é só característica da Esquerda — a não ser que George Soros, Rockefeller, Rothschild, Bill Gates, etc., também sejam de esquerda.

Segunda-feira, 14 Junho 2010

A demagogia de José Pacheco Pereira

Que José Sócrates tenha horror às definições porque tem a cabeça cheia de vento — ou que o mesmo aconteça com Francisco Louçã porque a fobia às definições é uma característica do gnóstico — é aceitável porque se compreende a “coerência” vinda de quem vem. Porém, que José Pacheco Pereira fuja às definições é duplamente grave: em primeiro lugar porque (que eu saiba) o Partido Social Democrata não é propriamente um partido marxista; em segundo lugar porque o J.P.P. tem uma licenciatura em filosofia.
(more…)

Sexta-feira, 9 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade (5)

Filed under: filosofia,Política — O. Braga @ 5:38 pm
Tags: , , , ,


« A acção, na medida em que é livre, não sofre a orientação do intelecto nem o ditame da vontade.»
— Hannah Arendt (Between Past and Future ― 1961)

O que Arendt diz aqui é que o acto, sendo livre, é independente do intelecto e da vontade de quem o pratica. Por outras palavras: se alguém pega numa pistola e dá um tiro nos miolos num vizinho, esse acto, sendo livre, não sofre a orientação do intelecto nem se sujeita à vontade de quem o praticou. O resultado prático da conclusão de Hannah Arendt é o de que a liberdade é inimputável.
(more…)

%d bloggers like this: