perspectivas

Sexta-feira, 15 Março 2013

A dificuldade de George Steiner

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:19 pm
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“A nossa questão inicial é mais estreita, ou, mais precisamente,supõe uma sugestão da ordem do senso comum sobre a existência de continuidades entre a intenção linguística e o enunciado. O leitor individual ou um grupo de leitores descobre que não é capaz de entender esta ou aquela passagem de um poema ou, na realidade, o poema no seu todo.”

via De Rerum Natura: Sobre a dificuldade.

Existe uma diferença entre o facto de “um leitor individual ou um grupo de leitores” não ser “capaz de entender (de todo!) esta ou aquela passagem de um poema”, por um lado, e por outro lado, o facto de “um leitor individual ou um grupo de leitores” fazer uma interpretação diversa “desta ou aquela passagem de um poema” e diferente da intenção original do poeta.
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Sexta-feira, 7 Setembro 2012

A demitificação e desmistificação de Heidegger

Heidegger foi tudo menos original.
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Segunda-feira, 3 Maio 2010

A Guerra Cultural

«Qualquer pessoa com uma mente informada e reflectiva que viva no século XX a partir do fim da primeira guerra mundial ― como é o meu caso ― acaba por se se sentir cercada, senão oprimida, por todos os lados por uma inundação da linguagem ideológica.

Essa pessoa não consegue lidar com os utilizadores da linguagem ideológica como parceiros de uma discussão, mas terá antes que fazer destes o objecto de investigação.

Não existe uma comunidade de linguagem entre os representantes das ideologias dominantes. Por isso, a comunidade da linguagem que essa pessoa pretende usar para criticar os utilizadores da linguagem ideológica deve ser, em primeiro lugar, descoberta e, se necessário, estabelecida.»

― Eric Voegelin

Na sequência deste postal sobre António Sardinha, em que lhe reconheço a razão sobre o diagnóstico da modernidade, é importante que a não-esquerda — que é, por definição genérica, o conjunto abrangente do pensamento político não contaminado pelo marxismo nas suas diversas vertentes — tenha a noção da importância da linguagem. Por exemplo, quando eu escrevo sobre o “casamento” gay, o termo “casamento” vem sempre entre aspas, o que significa que eu não aceito a definição de “casamento” proposta pelo marxismo cultural. Quando eu escrevo sobre o aborto, nunca me refiro à “interrupção voluntária da gravidez” ou “IVG” sem a colocação de aspas, o que significa que recuso a linguagem imposta pelo marxismo cultural. E por aí fora. Assim procedendo, e através do recurso à linguagem do senso-comum — a linguagem que não complica o que é simples e lógico — a não-esquerda reserva para si mesma o poder de declarar os termos do discurso, ou seja, de contribuir para a criação da comunidade da linguagem de que nos fala Eric Voegelin.

No mercado das ideias, o controlo dos termos do discurso é fundamental, e equivale ao controlo dos meios de produção no marxismo económico clássico. Se repararmos bem, os marxistas — partido comunista, bloco de esquerda, e parte do partido socialista — pretendem discutir os assuntos dos valores presentes na sociedade impondo, à partida, a utilização de categorias, termos e definições da sua autoria, ou seja, pretendem que toda a gente aceite os seus termos de discurso ou a sua linguagem. Quando alguém, que pensa de si próprio como não sendo marxista, utiliza a linguagem imposta pelo marxismo cultural, aceitou já discutir os valores da sociedade segundo as condições do discurso impostas pelo inimigo político, o que significa que já perdeu o debate.

Este é o principal problema da chamada “direita liberal” ou “neoliberal”(ou mesmo de uma outra direita dita “revolucionária”) : já perdeu a batalha política. É uma questão de tempo para seja neutralizada pelo marxismo cultural. Essa “direita”, que é produto directo do Iluminismo (ou seja, faz parte do problema), parte do princípio positivista (que por sua vez é transposto directamente do epicurismo) de que o importante são os factos e não os conceitos e valores.
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Quinta-feira, 25 Fevereiro 2010

Cuidado com a linguagem!

Dei aqui com este trecho:

Género e sexo

O termo “sexo” refere-se às diferenças biologicamente determinadas, enquanto o termo “género” refere-se às diferenças nos papéis e relações sociais entre homens e mulheres.
Os papéis do género são aprendidos através da socialização e variam amplamente no seio e entre as culturas; os papéis de género são também afectados pela idade, classe, raça, etnicidade e religião, bem como pelos ambientes geográficos, económicos e políticos. Uma vez que muitas línguas locais não possuem a palavra género, os tradutores podem ter de considerar outras alternativas para distinguir entre esses conceitos.

O termo “género” não deveria ser aplicado nestas circunstâncias, tanto do ponto de vista etimológico como lógico/filosófico.
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Domingo, 13 Setembro 2009

Para podermos criticar a linguagem ideológica, temos que criar uma comunidade de linguagem

Filed under: cultura,filosofia,Política — O. Braga @ 9:34 am
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«Qualquer pessoa com uma mente informada e reflectiva que viva no século XX a partir do fim da primeira guerra mundial ― como é o meu caso ― acaba por se sentir cercada ― senão oprimida ― por todos os lados por uma inundação da linguagem ideológica.

Essa pessoa não consegue lidar com os utilizadores da linguagem ideológica como parceiros de uma discussão, mas terá antes que fazer destes o objecto de investigação.

Não existe uma comunidade de linguagem entre os representantes das ideologias dominantes. Por isso, a comunidade da linguagem que essa pessoa pretende usar para criticar os utilizadores da linguagem ideológica deve ser, em primeiro lugar, descoberta e, se necessário, estabelecida.»

― Eric Voegelin.

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