perspectivas

Sábado, 5 Novembro 2016

O determinismo soteriológico do Calvinismo e da gnose da Antiguidade Tardia

 

Acerca deste verbete, um leitor colocou a seguinte pergunta:

¿Você poderia explicar melhor por que a predestinação calvinista tem orientação gnóstica?


Os leitores deste blogue, em geral, terão já notado que o blogue não sofre actualizações diárias, como acontecia ainda há pouco tempo. E uma das razões deste semi-abandono do blogue é a dificuldade em fazer subir o nível de complexidade dos assuntos tratados: chegamos a um ponto em que nos tornamos incompreensíveis ou ininteligíveis.


Para responder a esta pergunta, eu teria que dizer o que é a “predestinação calvinista”; e depois dizer o que é a “gnose”. E depois, estabelecer paralelos ideológicos entre uma coisa e outra. ¿Estão a ver a trabalheira?

Podemos resumir a coisa assim: na gnose da Antiguidade Tardia, a salvação do indivíduo também estava pré-determinada por Deus:

“Os gnósticos da Antiguidade Tardia formaram seitas iniciáticas assentes na distinção radical entre os chamados Hílicos (a escória da humanidade, ou profanos, ou não-convertidos), por um lado, e por outro lado os chamados Pneumáticos (os possuidores do Espírito Santo). Apenas para os Pneumáticos havia a possibilidade hic et nunc de salvação, ao passo que os Hílicos estavam, à partida, destinados à morte espiritual (determinismo da salvação)”.

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Quinta-feira, 7 Julho 2016

O erro de Espinoza

Filed under: cultura — O. Braga @ 2:37 pm
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O essencial das ideologias de Richard Dawkins e/ou de Peter Singer encontrava-se já em Espinoza.

SpinozaPor isso é que Espinoza é adulado por ideólogos de Esquerda: Espinoza é ensinado nas escolas e nas universidades assim como uma espécie de “introdução ao ateísmo” que é determinista por natureza; os comunistas apreciam muito Espinoza.

Mas quando analisamos uma teoria ou uma doutrina de um determinada época, temos também que a avaliar em função dos conhecimentos que temos hoje.

Espinoza partiu do princípio de que o universo é eterno; e a não ser que a Física actual esteja errada, o universo que temos teve um princípio (Big Bang), e por isso, teve um início no tempo. Portanto, se o princípio de que parte Espinoza está errado, toda a teoria dele está errada. Além disso a Física actual chegou à conclusão que a natureza não é determinista (como defende Espinoza e o ateísmo), por um lado, e por outro lado que o nexo causal que existe na leis da natureza macroscópica se deve à entropia da gravidade, mas as leis da natureza não são 100% infalíveis — por exemplo, e por mais estranho que nos possa parecer, a ideia segundo a qual “o Sol nascerá amanhã” não é garantida a 100%.

Espinoza esteve errado em quase tudo o que defendeu; até a sua ética é inconsequente porque não tem uma relação coerente com a sua (dele) metafísica: não se pode defender a liberdade do ser humano, ao mesmo tempo que se defende que o ser humano obedece ao mesmo princípio totalmente determinístico das leis da natureza.

Espinoza deve ensinado aos estudantes de filosofia no sentido de lhes transmitir um exemplo de uma teoria e doutrina erradas.

Sexta-feira, 27 Maio 2016

O Luís Laparoto e a soteriologia da eutanásia

 

O grande problema da filosofia — e da ética — é o de que muitos “filósofos” fazem dela pura retórica (na esteira de Nietzsche, que lançou a moda). A filosofia é reduzida ao acto de “escrever bem”; desta forma, qualquer literato passa a ser filósofo. Se não é assim, então analisemos este texto de um tal Luís Coelho. Trata-se de uma logomaquia que confunde alhos com bugalhos; e o laparoto até publica livros.

Negação do livre-arbítrio; “a liberdade humana é ilusória”

O laparoto é livre para dizer que a liberdade do comum dos mortais é ilusória; mas a liberdade nietzscheana dele, na sua qualidade de semi-deus, já não é ilusória. Critica Platão e o platonismo, mas assume o direito a ser uma espécie de rei-filósofo que decide o que é bom para os mortais.

“Se a liberdade é, de facto, um dogma da espiritualidade, e da Filosofia em geral, é também factual que só a morte se aproxima de uma verdadeira forma de "ser livre". Porque a liberdade que geralmente achamos possuir é apenas obediência à condição primária e arquetípica que, quiçá ilusoriamente, sentimos ser nossa”.

Todo o texto está cheio de contradições; aliás, a contradição, em si mesma, é transformada em uma espécie de lógica. Por exemplo, quando ele diz que a liberdade é ilusória, mas, ao mesmo tempo, defende a liberdade de alguém exigir a um médico que o mate.

“Tenho por hábito dizer que, com o advento da modernidade, acrescido ao dogma da liberdade individual, ganhámos o direito inalienável de gozar com duas coisas: Deus e a Morte. A primeira é tabu já desusado, a "morte de Deus" tornou o sagrado obsoleto, matéria risível, para o bem e para o mal; a segunda é tabu ainda dominante, nisso a religião ainda prepondera, e quando o tema da "morte assistida" é reactualizado é a morte própria, a destruição pessoal — a culpa milenar incutida pela religião e o platonismo —, que é reactualizada, em conjunto com o que Mircea Eliade denunciaria enquanto "reactualização nostálgica das origens"”.

Toda a gente sabe, por intuição, que o sagrado não se tornou obsoleto; o que mudou (em alguns estratos culturais) foi a concepção do sagrado — o sagrado nunca morre nem se torna obsoleto, porque o ser humano não pode viver sem ele. O sagrado actual passou a ser, em parte, a negação de um certo sagrado: trata-se de uma metafísica, porque qualquer negação da Metafísica é uma forma de metafísica. Mas o laparoto escreve livros. E diz que leu Eliade.

E depois vemos um laparoto que despreza a teologia a abordar a problemática teológica; deixou de falar em ética e passou para a teologia com tiques de especialista — tal como um criacionista bíblico convicto pode criticar a evolução das espécies.

Em seguida, temos o problema da “culpa”. Temos que extirpar a culpa do ser humano, nem que nos atiremos de uma ponte abaixo. Maldita culpa! Puta-que-pariu a consciência moral!, que não deveria existir! Deveríamos ser livres o suficiente para não sentir culpa — embora a liberdade seja ilusória para os Hílicos.

O laparoto pertence à categoria dos Pneumáticos que já conseguiram a salvação porque “gozam com a morte”: ele já se encontra em uma dimensão ontológica superior, característica de uma plêiade de indivíduos nietzscheanos que está “para além do bem e do mal”. Só lhe falta agora cantar o hino litúrgico da Igreja Católica,

“Ó morte, sempre vencedora,
Onde está agora, a tua vitória?”,

e meter uma bala na cabeça — porque toda a gente é livre de se suicidar: não há é o direito de exigir que os outros se transformem em assassinos por imposição do Estado.

Quinta-feira, 18 Fevereiro 2016

A “causa” científica, e a interpretação do nosso cérebro

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:08 am
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Quando uma pedra está ao sol, aquece. ¿Será o Sol a “causa” do calor na pedra? A “causa” é uma ideia que existe apenas na nossa cabeça.

Não é possível ver a causa em lugar algum. Ela só existe no nosso pensamento.

Portanto, o facto da pedra aquecida pelo Sol é um produto da percepção sensorial e do esforço interpretativo do nosso cérebro.

Transportamos connosco — no cérebro — um conjunto de interpretações e aplicamo-las ao caos das percepções sensoriais, de modo a que possa nascer daí um mundo ordenado. É como se andássemos sempre com uns óculos com determinadas características, e só reconhecemos a estrutura do mundo através das suas lentes estruturadas.

Sexta-feira, 2 Agosto 2013

A corrupção ideológica e fundamental da Justiça

« O Tribunal da Relação do Porto obrigou uma empresa de Oliveira de Azeméis a reintegrar um empregado da recolha do lixo que tinha sido despedido por se ter descoberto que estava a trabalhar alcoolizado.

(…)

segundo o Tribunal da Relação do Porto, que confirmou recentemente uma sentença de primeira instância, os resultados das análises ao sangue nunca poderiam ter sido usados pela entidade patronal sem autorização do trabalhador.

Por outro lado, alegam ainda os juízes, não existe na Greendays nenhuma norma que proíba o consumo de álcool em serviço. Por isso, no seu acórdão, os magistrados deixam um conselho à firma: que emita uma norma interna fixando o limite de álcool em 0,50 gramas por litro, “para evitar que os trabalhadores se despeçam todos em caso de tolerância zero”.

“Vamos convir que o trabalho não é agradável”, observam ainda os desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias Rodrigues e Paula Ferreira Roberto. “Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos”. »


Ler aqui a notícia. Recorde-se que o trabalhador despedido pela empresa Greendays tinha uma taxa de alcoolemia de 2,5 no sangue. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: ¿como é possível que um Tribunal da Relação tenha proferido um acórdão desta índole? Como é que se pode explicar “isto”?


1/ O aumento progressivo da discricionariedade das decisões dos juízes

O aumento progressivo da discricionariedade das decisões dos juízes é um facto que se pode verificar pela experiência. E a razão desse aumento da discricionariedade das decisões dos juízes deve-se a um afastamento, cada vez maior, do Direito Positivo em relação à Lei Natural. Este afastamento tem como efeito o facto de a Lei se ir tornando cada vez menos abstracta, em função da indução de um fenómeno de adequação sistemática da norma ao facto. Quanto mais a esquerda e o politicamente correcto exigem que as leis sejam feitas em função e à medida dos factos, menos abstracta é a lei, e por isso maior se torna a discricionariedade do julgamento dos juízes.

Ora, há muito tempo que sabemos que os factos não criam normas, embora as normas possam criar, em alguns casos, factos.

2/ A imposição, na cultura intelectual, de um determinismo ontológico que nega o livre-arbítrio

O politicamente correcto e a esquerda têm uma visão determinística e pseudo-científica do ser humano, ou seja, o livre-arbítrio do ser humano é, em grande parte, negado. Para eles, o ser humano “já nasceu assim” – por exemplo, para esse determinismo ontológico, os gays “já nasceram assim” – e não se pode mudar a si mesmo. E esta é mais uma razão por que os juízes pensam que devem assumir o papel dos sábios da “República” de Platão, julgando subjectivamente em causa alheia. O ser humano, ou seja, o cidadão, passa a ser infantilizado pelo Direito Positivo; o cidadão passa a ter um estatuto de menoridade face à Justiça.

Se juntarmos estes dois factores, temos a negação, pura e dura, da Justiça. E a esquerda, incluindo o Partido Socialista e em conivência com a maçonaria irregular do GOL (Grande Oriente Lusitano) , são os propulsores ideológicos deste novo tipo de corrupção fundamental da Justiça.

Terça-feira, 20 Novembro 2012

A “ciência” darwinista parece cada vez mais ilógica

“Agora, Oswald é um dos autores de um novo artigo, publicado ontem na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences, que resultou do estudo de alguns dos nossos parentes mais próximos, chimpanzés e orangotangos.”

via Os chimpanzés e orangotangos têm uma curva da felicidade, tal e qual como nós – Ciências – PUBLICO.PT.

Parece que vários investigadores internacionais da área da “psicologia evolucionista” (ou “evolucionária”) terão pedido aos tratadores de jardins zoológicos para preencher questionários acerca dos animais; por exemplo, se os animais estão bem dispostos e quando, se existe bem-estar relacional e quando, etc., partindo do princípio de que os tratadores se teriam de colocar na pele dos animais. Ou seja, parece que os animais foram sujeitos a uma espécie de sondagem de mercado ao longo do tempo: só falta, na ficha técnica, os números de telefone das respectivas tocas.

Depois, os “cientistas” de “psicologia evolucionista” chegaram à seguinte conclusão/proposição:

1/ os símios têm crise de meia-idade; 2/ o ser humano também tem crises de meia-idade; logo, 3/ –> segue-se que o ser humano evoluiu dos símios.

Mesmo que seja verdade (que a premissa seja verdadeira) que os símios têm “crise de meia-idade”, existem aqui várias falácias lógicas: desde logo, a falácia Cum hoc ergo propter hoc; e depois, não se segue que o primeiro facto (a putativa “crise de meia-idade” nos símios) implique necessariamente uma relação com a crise de meia-idade nos humanos (Non sequitur). A seguir temos a falácia lógica Petitio Principii. E ainda temos presentes a falácia Apelo à Natureza e a falácia naturalista. Identifiquei pelo menos cinco falácias lógicas!

Em vez de estudarmos a psicologia dos animais, deveríamos estudar, em primeiro lugar, a psicologia dos investigadores de “psicologia evolucionista”. Talvez tivéssemos algumas surpresas.

Terça-feira, 28 Agosto 2012

As contradições fundamentais da Ideologia de Género

A ideologia de género ou de “neutralidade de género” — ou melhor: a Ideologia da Ausência de Género — baseia-se (pelo menos) numa contradição fundamental: por um lado, (1) nega o livre-arbítrio do ser humano [nega a moral] e baseia o comportamento humano em determinismos biológicos [por exemplo, “o homossexual nasceu assim” ou “a culpa do acto pedófilo está nos genes”, ou “o assassino é vítima da sociedade”]; e, por outro lado, (2) nega os determinismos biológicos quando aplicados aos dois sexos [por exemplo, “os géneros são construções sociais e culturais”].

Por um lado, o determinismo biológico subjacente aos dois sexos não existe; e, por outro lado, um putativo determinismo biológico justifica a negação da moral, ou pelo menos coloca em causa a moral que sustenta os princípios da justiça.

Dentro desta contradição fundamental existem dois subtipos de Ideologia da Ausência de Género: (1) a que nega a ciência [por exemplo, o Bloco de Esquerda] quando esta chega à conclusão factual de que homens e mulheres são diferentes por natureza, e (2) a trans-humanista, que embora reconhecendo os factos da ciência, acredita que a própria biologia humana pode ser alterada, e que a natureza fundamental da natureza humana pode ser mudada em laboratório, por forma a que a importância dos géneros — leia-se: sexos — na vida social sejam abolidos [por exemplo, a ala radical do Partido Socialista; e/ou a deputada socialista Isabel Moreira que defende que “a mulher deve separar-se emocionalmente da maternidade” , o que é uma outra forma de assumir um trans-humanismo].

Esta é uma das razões por que o velho socialista Manuel Alegre, num confronto televisivo com o democrata-cristão Bagão Félix, se sentiu na necessidade de afirmar pública e peremptoriamente que “existe o bem e o mal” (sic) — o que está em contradição com o seu apoio radical à “modificação dos costumes” proposta pelo Bloco de Esquerda e pela ala radical do Partido Socialista.

Isabel Moreira

Em suma: a Esquerda é contraditória por natureza. O que falta saber com alguma acuidade, é se essa natureza ideológica contraditória da Esquerda é propositada e estratégica, e se pretende induzir uma dissonância cognitiva generalizada e extensível a toda a sociedade (Pavlov), ou se é matéria do âmbito da psiquiatria.

O que me parece é a que a maioria dos crentes na Ideologia da Ausência de Género têm distúrbios mentais sérios e precisam de tratamento psiquiátrico.

[ ficheiro PDF do Sol]

Quarta-feira, 25 Julho 2012

Resposta a uma pergunta acerca do indeterminismo do futuro (2)

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 11:21 pm
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O princípio da incerteza

A definição que dei, no postal anterior [que diz respeito a esta pergunta], do “princípio de incerteza de Heisenberg” é politicamente correcta, ou seja, não corresponde exactamente à realidade. é uma definição destinada a não chocar o senso-comum.

Na verdade, do que se trata não é da “impossibilidade de determinar simultaneamente a posição e a velocidade das partículas”, mas antes que as partículas/ondas [ou seja, Ψ, ou função onda/partícula] não possuem estas duas características — a posição e a velocidade — simultaneamente, ou seja, as partículas/ondas nunca têm estas duas características ao mesmo tempo. Repare-se bem: não têm!

Na realidade, as partículas ou tem posição, ou têm velocidade, e nunca as duas coisas ao mesmo tempo. E aqui entramos no absurdo.

O absurdo é aparente e só para quem vê o universo segundo a visão da física clássica: naturalista, como um sistema fechado, e reduzido à matéria [a tudo o que tem massa]. Basta que concebamos a onda quântica como desprovida de massa — mais ou menos, dependendo dos casos; podendo até ser totalmente desprovida de massa, pelo menos em tese — para que o conceito de “complementaridade” onda/partícula deixe de ser absurdo.

Mas antes de mais, vejamos este vídeo:
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Neognosticismo (2) — a cisão de Duns Escoto

É vulgar ouvirmos alguns católicos dizer que o movimento revolucionário iniciou-se com a Reforma protestante. Isso é parcialmente verdadeiro, mas as sementes ideológicas do movimento revolucionário e da Reforma estavam já presentes na Igreja Católica medieval. Para além da irmandade franciscana, e de um caso ou outro como o de Joaquim de Fiore, é importante falar na cisão de Duns Escoto.

O futuro é apenas uma miríade infinita de possibilidades, e nada está pré-determinado. E mesmo aquilo que parece estar pré-determinado, por exemplo, as leis da física, não só não têm qualquer valor face à singularidade [por exemplo, face a um buraco negro], como não existe racionalmente qualquer certeza de que não possam ser anuladas a qualquer momento.

Vimos no verbete anterior, grosso modo, as diferenças entre a ética voluntarista neoplatónica baseada no “paradoxo paulino” e em parte adoptada por Santo Agostinho, e que se estendeu ao longo dos séculos, tornando-se dominante, até que surgiu S. Tomás de Aquino. Este último introduziu uma nova ética cristã e católica, embora intelectualista e racional. Depois de Aquino surgiu Duns Escoto com o retorno a uma ética voluntarista radical e de ruptura total com S. Tomás de Aquino. Duns Escoto levou o paradoxo paulino a um extremo radical e absurdo, comparável em absurdez à ciência actual que diz que o universo surgiu do Nada.

Duns Escoto levou o determinismo e a recusa do livre-arbítrio a tal ponto que defendeu que Deus é desprovido de liberdade [evolução para Espinoza, misturada com o estoicismo: Deus sive Natura].
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Sexta-feira, 20 Julho 2012

A autonomia do indivíduo e a desconstrução da família nuclear (2)

Estava eu a ler um texto sobre a Lei Natural [em inglês] segundo S. Tomás de Aquino, quando me lembrei de escrever qualquer coisa sobre o assunto, e ainda a propósito da política absolutista da autonomia do indivíduo — ou política dos direitos humanos, sendo lógico que os direitos humanos não podem ser, em si mesmos, uma política.

Desde logo, fica-me a ideia de que a Lei Natural de S. Tomás de Aquino não é exactamente a mesma Lei Natural de Santo Agostinho e do apóstolo Paulo [este assunto fica para o próximo verbete]. E toda esta história da Lei Natural [com excepção da visão tomista da Lei Natural] se relaciona com o gnosticismo e, consequentemente, mais tarde na História, com o cientismo [ou talvez possamos chamar-lhe “positivismo degradado”].

Eric Voegelin definiu assim o gnosticismo:

“O gnosticismo é um sistema de crenças que nega e rejeita a estrutura da realidade, particularmente a realidade da natureza humana, e substitui-a por um mundo imaginário construído por intelectuais gnósticos e controlado por activistas gnósticos.” — Eric Voegelin, “A Nova Ciência da Política”, 1952

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Sexta-feira, 4 Novembro 2011

A neurobiologia e a cacofonia do cérebro

«Dr. Gazzaniga, 71, now a professor of psychology at the University of California, Santa Barbara, is best known for a dazzling series of studies that revealed the brain’s split personality, the division of labor between its left and right hemispheres. But he is perhaps next best known for telling stories, many of them about blown experiments, dumb questions and other blunders during his nearly half-century career at the top of his field.

Now, in lectures and a new book, he is spelling out another kind of cautionary tale — a serious one, about the uses of neuroscience in society, particularly in the courtroom

via Telling the Story of the Brain’s Cacophony of Competing Voices – NYTimes.com.

Podemos imaginar uma cena, por um absurdo apresentado como sendo absolutamente racional, em que um assassino em série diz ao juiz, em tribunal:

“Senhor juiz, a culpa dos assassínios não foi minha: a culpa foi dos meus genes!”

O mesmo princípio absurdo do determinismo genético e/ou determinismo neurobiológico tem sido utilizado pelo lóbi político guei que afirma que “um guei já nasceu guei”. E como um guei “já nasceu guei”, todo o tipo de comportamento inerente à “condição inata guei” terá que ser admitida.
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Terça-feira, 15 Março 2011

O neo-ateísmo e a quântica (II)

O ateísmo como ideologia — e mais tarde, como religião política — consolidou-se a partir do século XIX com o empirismo de Stuart Mill, completado pelo evolucionismo de Spencer, o que levou os espíritos a não ver no Homem senão um autómato, a reduzir a vida espiritual a uma mecânica, ou a imagens sensíveis regidas por leis de associação — da mesma forma que os átomos supostamente actuavam em concordância com a lei da gravitação. O mundo empírico e utilitarista de Stuart Mill, na esteira ideológica do positivismo, resumia-se num conceito: WYSIWYG (“aquilo que vês é só o que existe”).
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