perspectivas

Domingo, 23 Fevereiro 2014

Armadilha legalista da maçonaria

Filed under: Maçonaria — orlando braga @ 11:13 am
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“No domínio do Direito, nenhuma dedução científica é possível”S. Boaventura

A eutanásia foi legalizada na Bélgica em 2002, e agora surge a primeira litigância judicial contra um “médico” que assassinou uma “cliente”. Mas o problema de qualquer litigância judicial é que parte do princípio de que a lei (da eutanásia, neste caso) deve ser respeitada, ou seja, parte do pressuposto de que a lei (da eutanásia) é aceitável e legítima.

A única forma de combater uma lei maçónica iníqua — como, por exemplo, a lei da eutanásia ou do aborto — é não a considerar legal porque é ilegítima. Não há como considerar um quadro legal iníquo para uma qualquer litigância judicial: essa lei simplesmente não existe porque deve ser recusada enquanto lei ilegítima. E sendo que uma determinada lei não existe de facto (porque não é legítima), não faz sentido qualquer litigância judicial em torno dela.

Terça-feira, 18 Fevereiro 2014

A judicialização da moral

Filed under: ética — orlando braga @ 1:55 pm
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Quando as simples regras de conduta (ou de bom comportamento) passam para a alçada dos tribunais, entramos já na antecâmara de um sistema para-totalitário.

A Helena Matos escreve o seguinte:

«No dia 11 de Janeiro de 2014 lia-se no Jornal de Notícias: “Alunos a masturbarem-se durante as aulas, bolas de papel em chamas atiradas, dentro da sala de aula, contra os professores, sala de computadores com alunos a ver pornografia e a provocar os professores e tentativa de incêndio da escola”, são estas as queixas que um grupo de pais de alunos da Escola Secundária de Maximinos, em Braga, decidiu ontem dar a conhecer ao Procurador do Ministério Público, evocando que foram praticados “crimes de natureza semi-pública”.»


No tempo de Salazar (que Deus o tenha), o reitor do liceu tinha um poder quase total para resolver problemas disciplinares. Não passaria pela cabeça de ninguém que se tivesse que recorrer a um tribunal para resolver um problema de um estudante que se masturbava na sala-de-aula. Num caso destes, o reitor do liceu assumia a sua responsabilidade e o aluno era simplesmente expulso do liceu. E, no entanto, é esta III república — que judicializa os valores da ética, a moral e os costumes — que diz que “os faxistas eram os outros”.

A partir do momento em que seja um tribunal a decidir se a masturbação na sala-de-aula é coisa boa ou não, “estamos lixados” (como bem diz a Helena Matos). Eu diria mais: estamos fornicados!, porque o bom-senso deixa de existir, e o senso-comum é transferido para os ditâmes arbitrários do Direito Positivo. Ora, o Direito Positivo é (ou pretende ser) uma ciência, e a ciência, por definição, não pode definir a ética. Pelo contrário, é a ética que deve influenciar o Direito Positivo.

A ideia de “responsabilidade moral” reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe a “autonomia”, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica. A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela ausência de “bases objectivas” (no sentido naturalista e positivista) dos valores da ética.

Segunda-feira, 17 Fevereiro 2014

A adopção de crianças por pares de invertidos e a ideologia de género

 

Não há ainda histórico estatístico e científico, e por isso procede-se com toda a pressa, antes que as estatísticas apareçam e revelem cientificamente a realidade. A esperança é que se faça uma história que seja irrevogável; que a imposição da ideologia à realidade seja permanente; que uma psicose colectiva passe a fazer parte da normalidade.

1984 webQuando aparecerem as primeiras estatísticas sólidas e fidedignas, as anomalias irão então ser consideradas normais — porque a história já foi feita e é considerada irrevogável: quando a anomalia passa a ser a regra, as excepções à regra passam a ser anomalias.

A visão da realidade é hegeliana: tudo o que seja a negação do “progresso dialéctico” (mesmo que este “progresso” seja produto da vontade exclusiva de um pequeno grupo ou de uma elite) não é tolerável, porque se parte do princípio de que o progresso é uma lei da natureza — mesmo que o “progresso” seja imposto à Natureza e à revelia da Lei Natural.

O Direito transforma-se, assim, na sua negação. Mas como o Direito Negativo também vai fazer parte da história, não poderá ser invalidado, porque não se pode invalidar o “processo histórico” hegeliano. O “processo histórico” é a garantia do “progresso da moral” (e do “progresso da lógica”, porque, alegadamente, “a lógica evolui”); e a moral, sendo substituída pelo Direito Positivo, poderá passar a ser não importa o que for decidido pelo Poder de fazer as leis arbitrárias.

O legal passa não só a ser legítimo, como passa a deter o exclusivo da legitimidade; e passa também a substituir a ética — qualquer ética que não coincida com os valores da arbitrariedade do Direito. A ética passará a emanar exclusivamente dos tribunais e à revelia de qualquer ciência. Para garantir que a substituição da realidade pela ideologia não seja colocada em causa, será então construído um eficaz pan-óptico cultural.

Sábado, 15 Fevereiro 2014

A esquerda renunciou a ser reformadora social para ser revolucionária moral ( Christian Vanneste )

Filed under: Europa,Política — orlando braga @ 2:05 pm
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vanneste web«Il faut déconstruire les stéréotypes. Tel un leitmotiv, cette formule est devenue le slogan de l’idéologie de la gauche. Depuis que celle-ci a compris que sa politique économique condamnait sa politique sociale, elle se replie dangereusement sur les valeurs et les comportements.

Depuis qu’elle sait qu’en prétendant mieux répartir les richesses, on en produit surtout moins, la gauche a renoncé à être réformatrice sociale pour devenir révolutionnaire morale

La Chasse aux Stéréotypes, c’est du Totalitarisme !

Quinta-feira, 6 Fevereiro 2014

A União Europeia das engenharias sociais

 

“No sabemos lo que nos pasa, y eso es lo que pasa.” — Ortega y Gasset

Para as elites actuais, Ortega y Gasset foi uma espécie de burro; ao contrário do filósofo espanhol, as elites actuais não se consideram cegas, como estavam seguramente cegas as elites de 1937 a 1939. Não lhes passa pela cabeça que não sejam outra coisa que uma plêiade de iluminados prenhes de certezas. E é nisto que a História se repete: a memória dos povos é curta e as elites cometem sempre o mesmo tipo de erros, convencidos de que “sabem o que se passa”.

manif pour tousAs engenharias sociais que separam o homem, por um lado, da Natureza, por outro lado (e através da substituição da Ética pelo Direito Positivo), são produtos de convicções firmes das elites que destroem qualquer informação que as desminta — porque as elites têm a certeza de que “sabem o que se passa”. Como aconteceu na década de 1930, estamos hoje entregues a gente que tem a certeza absoluta da rectitude da sua acção política, e muitas vezes à revelia da vontade dos povos que nelas delegou o Poder através do voto.

Não adianta que os filósofos chamem à atenção para a necessidade de prudência na política: em vez disso, as elites tratam de erradicar a filosofia do ensino oficial, cortando o mal pela raiz — porque pensar é perigoso!; e porque as ideologias fazem explodir a razão e a informação, na medida em que a informação é endogenamente inimiga das ideologias. Tal como na década de 1930, hoje não há lugar para quaisquer dúvidas senão aquelas que incomodam as elites. Como dizia Lenine: “Os factos são teimosos”. E como os factos são teimosos, as elites que temos tratam de eliminar os “factos que teimam” em não se adequar à realidade delirante e psicótica por elas construída.

Voltamos ciclicamente à estaca zero. Todos os ensinamentos que retiramos do horror de uma época pretérita são esquecidos na época seguinte em nome de uma nova crença na possibilidade de um paraíso na Terra. O que muda é apenas a noção de “paraíso”, própria da moda coeva.

¿François Hollande tem legitimidade política para fazer o que está a fazer em França, acolitado pela elite maçónica e jacobina? É claro que não tem essa legitimidade. Mas faz o que faz, em nome do conceito abstracto de “Vontade Geral“. Ele não foi eleito para criar um clima de terror cultural no seu país, mas não hesitou um segundo em optar pelo terrorismo em relação à cultura antropológica do seu povo. Estamos todos a lidar com gente muito perigosa.


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Quinta-feira, 12 Dezembro 2013

A grave doença espiritual das elites

 

O suicídio de Kate Barry (filha de Jane Birkin) chocou-me, como me chocam todos os suicídios. Mas tratando-se de uma figura pública que não vivia propriamente na pobreza, o seu suicídio torna-se ainda mais incompreensível.

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Sábado, 30 Novembro 2013

A prostituição é um problema social insolúvel

 

Não existem provas, mas é provável que no paleolítico já existissem prostitutas; estou a imaginar um homem do Neandertal a oferecer uma bugiganga qualquer à mulher do vizinho em troca de sexo. Em algumas actuais tribos índias da Amazónia, é normal um homem “partilhar” a sua mulher com outro homem em troca de trabalho na caça e na pesca; e, que eu saiba, elas não se queixam.

prostituta
Kant estabeleceu o seguinte imperativo prático: “Procede de modo a tratar a humanidade, na tua pessoa como na dos outros, sempre como fim e nunca como simples meio”. Porém, um princípio ético não pode ser imposto através do Direito Positivo, como tentam fazer os socialistas franceses e certos puritanos de direita (os tais “católicos fervorosos”): o princípio ético tem que existir antes da lei, ou seja, o princípio ético tem que ser interiorizado através da educação. A lei e o Direito Positivo não substituem a sensibilidade ética que só é adquirível por intermédio da educação desde tenra idade: é necessário que as nossas crianças voltem a ter aulas de Religião e Moral na escola pública.

Os políticos franceses caem em uma contradição: por um lado, pretendem criminalizar o cliente da prostituta, mas, por outro lado, pretendem despenalizar ou descriminalizar o acto de aliciamento público por parte da prostituta. Ou seja: passaria a ser crime que um homem ceda ao aliciamento por parte de uma prostituta, mas deixaria de ser delito que a prostituta alicie o homem. Dá-me ideia de que a política francesa se rege pelos princípios éticos do Marquês de Sade.

O que é surpreendente na classe política democrática é a ideia segundo a qual “a lei impõe a ética”. Esta ideia abstrusa e absurda é de origem protestante e sobretudo luterana. Os políticos partem do princípio irracional segundo o qual se uma determinada lei é aprovada em um qualquer parlamento circunstancial, passa a ter força de princípio ético legítimo e validado. Isto é absolutamente surpreendente, e faz recordar a seguinte máxima de Nicolás Gómez Dávila:

“O sufrágio popular é hoje menos absurdo do que ontem: não porque as maiorias sejam mais cultas, mas porque as minorias são menos.”

A solução possível para o problema da prostituição passa, por um lado, pela educação das nossas crianças em uma ética cristã e não-utilitarista; e por outro lado, fazer o que Salazar fez: circunscrever as prostitutas que ainda existam a áreas bem definidas, com lupanares autorizados pelo Estado, e com as prostitutas sujeitas a constante vigilância médica obrigatória.

Quarta-feira, 13 Novembro 2013

Fidelidade e sentimento

Filed under: Ut Edita — orlando braga @ 8:30 am
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Encontrei no FaceBook:

"A fidelidade não é um compromisso com o outro, mas sim, com o nosso sentimento… Se não fores fiel ao que sentes, ¿que importa o resto?”


A fidelidade é uma forma de lealdade, e por isso não pode depender apenas do sentimento — porque a lealdade é objectiva, e não apenas subjectiva. A lealdade é fundada na razão, e não na emoção.

Somos leais com alguém porque racionalizamos a nossa atitude em relação a esse alguém. E a lealdade não é uma coisa que exista hoje e desapareça amanhã ao sabor da emoção de um sentimento — porque se assim fosse, não seria lealdade propriamente dita.

Sem o respeito pelo outro (se o outro merece ser respeitado!) que a lealdade implica, o nosso sentimento em relação ao outro vale apenas só para nós. E quando uma coisa vale apenas só para nós, não tem um valor objectivo, porque não existe mais ninguém que nos possa ajudar a avaliar ou corroborar objectivamente o valor dessa coisa.

Quinta-feira, 7 Novembro 2013

O absurdo tomou conta da nossa cultura

 

«SYDNEY, November 6, 2013 (LifeSiteNews.com)Women should be forced to abort their children for the next 30 years as a part of global population control, homosexual activist Dan Savage told Australian television on Monday.»

bebeNos tempos que correm, torna-se muito penoso abordar qualquer tema relacionado com a ética ou com a moral, porque o absurdo e o auto-contraditório tomou conta da cultura.

Por exemplo a partir do momento em que membros do activismo guei assumem importância desmedida na cultura e nas decisões acerca do nosso futuro como sociedade, entramos no absurdo. Neste caso, um conhecido activista político gayzista defende a ideia segundo a qual, num horizonte temporal de trinta anos, as mulheres deverão ser obrigadas a abortar.

Ora, um indivíduo que, por sua própria opção, se abstém de procriar, e que por natureza não pode ter filhos pelo cu, não tem o direito de tentar impor a sua visão da maternidade à sociedade. Mas a verdade é que, hoje, quem manda na nossa sociedade são os fanchonos organizados politicamente.

Sexta-feira, 1 Novembro 2013

O problema do homem moderno é o problema da culpa

 

O principal problema da modernidade — desde a Reforma (ou a revolta) de Lutero — é a tentativa de eliminar a culpa da condição humana; e para se conseguir eliminar a culpa, a modernidade tentou eliminar a consciência. Todo o "problema" da modernidade pode ser resumido nisto.

culpaO problema das elites modernas é a culpa. A culpa é um sentimento que se enraíza na consciência; e para se poder desenraizar a culpa da natureza humana, há que pensar a consciência como um epifenómeno do corpo, tentando explicá-la como uma excrescência do cérebro tal qual a urina é uma excrescência dos rins.

Reza a história que num simpósio de investigadores da natureza realizado em Göttingen, Alemanha, em 1854, um fisiólogo presente, de seu nome Jacob Moleschott, declarou que, “tal como a urina é uma secreção dos rins, assim as nossas ideias são apenas secreções do cérebro”. Perante isto, o conhecido filósofo Hermann Lotze levantou-se, e disse que “ao ouvir tais ideias do distinto colega conferencista, quase acreditei que ele tinha razão…”

Para tentar erradicar a culpa da natureza humana, a elite moderna tenta reduzir a consciência a uma excreção corporal. Ora, isto é absolutamente diabólico!

E mais diabólico é quando se verifica na prática, que essa tentativa de eliminar a culpa se tem revelado inoperante: por exemplo, não obstante o facto de as cirurgias de mudança de sexo — em Inglaterra — terem aumentado anualmente a uma média de 50%, o suicídio de transgéneros (pessoas que já efectuaram a cirurgia) aumentou em 31%.

Contudo, perante a impossibilidade de erradicação da culpa e da consciência, o homem pós-moderno tenta resolver o problema de uma outra maneira: projectando a sua culpa nos outros e/ou na sociedade. Essa transferência da culpa passou a ser um modus vivendi da pós-modernidade. Mas não é pelo facto de negarmos a culpa — e a consciência entendida em si mesma — que a culpa desaparece como que por magia; nem é pelo facto de transferirmos a nossa culpa para os outros que nos livramos dela.

Quinta-feira, 26 Setembro 2013

Nietzsche foi um positivista

Filed under: ética,cultura — orlando braga @ 6:34 am
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Normalmente as pessoas lêem Nietzsche como se lessem um romance ou um manifesto político; e quando alguém faz uma análise crítica e racional dos textos de Nietzsche, os seus apaniguados fanáticos reagem como se estivessem perante uma heresia. Portanto, este texto não foge à regra: vai certamente ser objecto de negação de factos e até de insultos.

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Quarta-feira, 18 Setembro 2013

A degradação acelerada dos costumes na União Europeia

Era eu um jovem homem e entrei num comboio de longo curso na Alemanha, e procurei um compartimento colectivo — daqueles onde cabem seis pessoas, três de cada lado — para me instalar. Abro a porta de um compartimento e dou com uma velha alemã, sozinha no compartimento, a masturbar-se. Pedi desculpa pelo incómodo, saí e fechei a porta do compartimento, deixando a velha entregue à sua masturbação em local público.

Não me ocorreu chamar a polícia ou qualquer autoridade, quanto mais não seja porque eu tinha sido a única testemunha ocular do facto. Nunca eu poderia fazer prova de que aquela velha se masturbava num compartimento colectivo e público de um comboio alemão.

Mas a situação na União Europeia parece estar a evoluir, rumo ao progresso.

Um sueco de 65 anos masturbava-se numa praia e várias testemunhas chamaram a polícia, mas o tribunal decidiu a inimputabilidade do homem, alegadamente porque ele não se masturbava em função de uma determinada pessoa. Ou seja, segundo o tribunal sueco, só é proibido alguém masturbar-se em local público quando se dirige a outra pessoa e a olha nos olhos.

Portanto, caro leitor, você já sabe que pode baixar as calças no Rossio e “tocar o sino” em honra de D. Pedro IV! É o progresso, porra!

«The incident occurred on June 6th at the Drevviken beach when the man removed his shorts and began masturbating close to the water. He was subsequently charged with sexual assault.

The Södertörn District Court has now acquitted the 65-year old in a judgement which stated that it "may be proven that the man exposed himself and masturbated on this occasion".

However, the court added that no offence had been committed as the masturbating man was not pleasuring himself towards a specific person.»

Public masturbation not a crime: Swedish court

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