perspectivas

Sexta-feira, 3 Fevereiro 2017

Comunitarista (direita)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:24 pm
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"You’re on the right and collective quadrant of the political compass! You believe in a strong military, an efficient government to intervene when necessary, low taxes and a free market economy. You value tradition, hard-work, and you tend to respect religious authority. You’re patriotic and skeptical of people looking for a hand out. You believe in government institutions and you have a strong sense of belonging to those with the same nationality as you. You believe in individual freedoms, but you also take into account tradition and social order. Anarchy and communism are your worst nightmares! Ronald Reagan is most likely one of your personal heroes!"

–> The Definitive Political Orientation Test

 

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Sábado, 21 Janeiro 2017

O síndroma do “país inviável”: tudo como dantes, no quartel de Abrantes

 

Há uma casta de liberais em Portugal que padece do “síndroma do país inviável”; um deles é Pinto Balsemão (que também nem morre, nem a gente almoça), que afirmou um dia em um programa da SICn que “se Portugal tivesse metade da sua população, seria um país viável” — o que é contraditório, porque teria ainda um mercado meTIme Agosto 1975nor; mas é assim que os Bilderbergers liberais pensam de Portugal.

Então ¿o que diríamos da Islândia, que tem uma população de 300 mil habitantes com um PIB per capita de 50 mil US Dollars? ¿Também é um “país inviável”? Ou a Suíça, ¿também é um “país inviável”?

Em consequência do síndroma do “país inviável”, os liberais defendem a ideia segundo a qual “ou o Euro, ou o caos” — sendo que o caos é o “país inviável”. Sem o Euro, o país é inviável (esquecendo-se que a Islândia, ou a Dinamarca, ou a Suíça, por exemplo, não têm Euro).

O liberal Insurgente de serviço é tão idiota que menciona os anos de inflação alta em Portugal sem referir que ela foi devida ao PREC [Processo Revolucionário em Curso] e aos anos que se lhe seguiram. E depois, fala do Euro como se fosse a antítese da inflação e do PREC [Processo Revolucionário em Curso] que ele não mencionou. Ou seja, compara alhos com bugalhos.

A instabilidade política em um pequeno país cria instabilidade económica, e cria automaticamente uma desconfiança na moeda desse país; basta isto para criar inflação, porque a moeda vai sendo desvalorizada de modo “deslizante” em função dessa desconfiança política. Mas num país sem instabilidade política — por exemplo, a Dinamarca que também não tem Euro —, a moeda é credível e a inflação é baixa, embora o país seja pequeno.

O problema de Portugal é que tem uma esquerda marxista e radical na ordem dos 30% dos votos (contando com a ala radical do Partido Socialista), e por isso é que o país é inviável. Enquanto não limparmos o sebo à elite dessa tropa, nem sequer o Euro nos salva. E já agora: há que tratar dos patrões analfabetos funcionais que temos.

Domingo, 15 Janeiro 2017

O partido liberal português que é socialista

 

Começo a ter pouca vontade de escrever aqui no blogue. Um dia destes fecho-o sem anunciar que foi fechado — porque, por exemplo, quando leio que se pretende fundar um partido liberal que fica situado entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, não me apetece escrever sobre o assunto, e sobre nada. Apetece-me insultar os filhos da puta.

“Liberalismo” vem do latim “liberalis”, que significa “benfeitor”, “generoso”.

Em filosofia política, o liberalismo é o conceito do qual John Locke foi um dos primeiros representantes, e que faz do sujeito individual, dotado de direitos inalienáveis (direito à propriedade, à liberdade, etc.), a fonte e o centro das relações sociais.

Em economia política — que é o que nos mais interessa num partido liberal! —, o liberalismo é o princípio associado ao liberalismo político de que se falou acima, mas segundo o qual as leis do mercado devem continuar a ser livres, pois são naturais (por exemplo, a lei da oferta e da procura), e dependem delas mesmas o equilíbrio entre a produção, a distribuição e o consumo (Adam Smith).

A função do Estado liberal deve ser a de garantir os direitos individuais, e a sua autoridade apresenta, então, limites: os seus diferentes poderes (executivo, legislativo, judicial) devem ser separados. Para o liberal, a igualdade é reduzida à igualdade de direitos, e não à igualdade social. A igualdade social, própria do Partido Socialista e da Esquerda em geral, supõe que o Estado intervenha para “corrigir o livre jogo da sociedade civil”, o que é sempre interpretado pelo liberalismo como funesto para a liberdade.

Ou seja, um liberal não é um socialista.

Dizer que o novo partido liberal fica politicamente situado entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, é dizer que o liberalismo é socialismo.

Segunda-feira, 10 Outubro 2016

A indiscrição contra o Donald Trump é boa; mas a indiscrição do José António Saraiva já é má

 

“Irrita-me solenemente o discurso unanimista contra Donald Trump, mas na verdade confesso que fiquei estupefacto com o baixo nível da conversa do candidato republicano que o Washington Post trouxe à luz do dia e que para o caso julgo ser pouco relevante se era privada ou pública. Não sou melhor nem pior que ninguém mas por defeito de educação prezo uns valores mínimos de estética (que é sempre um reflexo da ética), exigíveis a qualquer pessoa, mas mais ainda na proporcionalidade da sua responsabilidade social. Dito isto estou inclinado a admitir que a indiscrição do WP neste caso está no domínio do serviço público”.

João Távora


“Da promiscuidade entre política e jornalismo (este mera câmara de ressonância daquela) que o livro dá imagem, verificamos que o principal (único?) objecto da política é, ao cabo e ao resto, a sua própria publicidade. Ora o livro demonstra essa desgraça dando de caminho a degradação de costumes, a falta de carácter, a ânsia de protagonismo, a vaidade, a ganância, a ostentação e o vício dos protagonistas retratados. Serem eles com isso tudo que os identifica a transmitir a pequena História deste tempo desgraçado e pela pena dum deles, jornalista, é irónico. Talvez daqui o maior choque e raiva que o livro causou. Essa gente menor não queria ficar assim impressa para o futuro? Mas, que dizer? Ele merecem!…
— Que a democracia lhes seja pesada! — Eis o valor do livro do arq.º Saraiva”.

Dos fracos já reza a História

Quinta-feira, 22 Setembro 2016

Manuel Maria Carrilho e a sociedade emasculada de Engels

 

O Pedro Arroja põe-se a jeito com algumas teorias abstrusas; por exemplo, a de que a sociedade portuguesa é feminina. Se “a sociedade portuguesa é feminina” (como diz o Pedro Arroja), ¿o que dizer das sociedades alemã e nórdicas, por exemplo?

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isabel-moreira-jc-webO que se está a passar na Europa é um fenómeno cultural marcadamente marxista (gramsciano) que passa pela instrumentalização dos me®dia no sentido da emasculação do homem, e a promoção de uma sociedade matriarcal (matriarcado) tal como aconselhado por Engels.

E, por outro lado, a emasculação do homem é defendida como uma solução para o Aquecimento Global, uma vez que o feminismo defende a ideia de que os flatos dos bebés causam o Aquecimento Global; ou seja: para o feminismo politicamente correcto marxista, quanto mais paneleiros, menos Aquecimento Global.

Nessa sociedade de eunucos e emasculados, por um lado, e de amazonas lésbicas, por outro lado, o homem tem um estatuto social inferior — como podemos inferir da opinião da Isabel Moreira acerca Manuel Maria Carrilho.

Na sociedade de Engels, a mulher tem sempre razão nos seus actos (mesmo quando pratica o infanticídio, por exemplo). E o modelo da sociedade de Engels voltou a estar na moda com merda de gente como o panasca Foucault ou psicopata Peter Singer que é ensinada nas nossas universidades.

Domingo, 24 Julho 2016

O problema dos meios e dos fins na política (as éticas ontológica e a teleológica)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:40 am
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“Um trabalhador pode roubar numa fábrica onde é maltrato? Eu acho que não. Um jovem desempregado pode pedir dinheiro aos pais para evitar um trabalho de 400 euros que o vai desagastar? Eu acho que não. Acho que ele deve aceitar o trabalho e organizar-se no trabalho, se necessário clandestinamente, para conseguir aumento de salários – não acho legitimo que sejam os pais reformados a pagar esse preço. Como vêem não é tão fácil como parece, esta questão de meios e fins. Não temos nenhuma unanimidade neste ponto”.

Meios e Fins (Raquel Varela)

Se utilizarmos a razão, podemos chegar a um princípio unânime (mas não unanimista) acerca dos meios e fins da política. Dou como exemplo o conceito de Notrecht de Hegel.

O conceito de Notrecht, segundo Hegel, baseia-se no Direito Natural e significa basicamente “direito de necessidade”.

O direito à propriedade privada deve ser respeitado, mas há situações de perigo extremo – por exemplo, a miséria – que comprometem princípios morais inalienáveis – como por exemplo o direito à vida – em que o sujeito viola o direito à propriedade – por exemplo, quando um pobre rouba um pão para não morrer de fome –, cometendo assim, um delito jurídico e uma falta moral.

Neste caso, impõe-se legitimamente que o direito de necessidade (Notrecht) faça valer o direito a viver em detrimento do direito de propriedade. Esse direito a viver, que decorre do direito de necessidade (Notrecht) excede as simples considerações de circunstâncias atenuantes do delito jurídico, e exige a intervenção de uma “potência ética superior que vele pela sobrevivência de cada um”.

“Com efeito, por um lado, há violação infinita da existência empírica [no caso do pobre que rouba o pão], portanto, ausência total de direito, enquanto, por outro lado, mais não há do que violação de uma existência empírica limitada e singular da liberdade”. → Hegel, “Filosofia do Direito”

Quarta-feira, 10 Fevereiro 2016

O Partido Comunista irá extinguir-se rapidamente

 

Tradicionalmente, o Partido Comunista não adoptava uma ética utilitarista. Karl Marx dizia que “o utilitarismo é uma moral de merceeiro inglês”. Álvaro Cunhal dedicou a sua tese de doutoramento em Direito à justificação da legalização do aborto: o aborto era de tal modo repugnante para ele, que ele dedicou a tese inteira do seu doutoramento para justificar a sua legalização.

Desde a morte de Álvaro Cunhal, o Partido Comunista abandonou “progressivamente” a sua tradição não-utilitarista, em parte devido à influência do fenómeno Bloco de Esquerda, e por outra parte devido ao isolamento ideológico que sofreu dentro da União Europeia do Euro.

Isto faz com que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista sejam hoje intermutáveis: tanto faz votar num como no outro. A distinção não-utilitarista do Partido Comunista desapareceu.

À partida, o problema colocar-se-ia assim: a probabilidade do Bloco de Esquerda substituir o Partido Comunista é tão grande como a do Partido Comunista substituir o Bloco de Esquerda no eleitorado. joao-semedo-autonomia-web

Mas, para além do utilitarismo adoptado pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista terá que seguir à risca o Culto da Autonomia 1 (a perversão do conceito iluminista de “autonomia” segundo Kant) que também caracteriza o Bloco de Esquerda.

O princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número”, sendo repugnante para Karl Marx, ainda tem qualquer coisa de colectivo; mas o Culto da Autonomia, que caracteriza o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e uma parte do Partido Social Democrata, destrói qualquer desígnio colectivista real, e transforma os partidos de Esquerda em meros projectos de poder apenas pelo Poder.

O Culto da Autonomia é, no seu fundamento, incompatível com qualquer partido marxista-leninista. Quando o Partido Comunista tenta ignorar esta contradição, desfigura-se e copia o original que é o Bloco de Esquerda. Entre a cópia e o original, os eleitores tendem instintivamente a seguir o original. Por isso é que o Partido Comunista tem os dias contados em Portugal.

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Nota
1. A autonomia de Kant pode definir-se 1/ como liberdade no sentido negativo, isto é, como independência em relação a qualquer coacção exterior (o cidadão), 2/ mas também no sentido positivo, como legislação da própria Razão pura prática (o legislador).

A autonomia da vontade é, segundo Kant, “o princípio supremo da moralidade” (“Fundamentação da Metafísica dos Costumes”). Segundo Kant, uma acção não pode ser verdadeiramente moral se não obedece a razões sensíveis exteriores à razão legislativa. Por exemplo, segundo Kant, se ajo por amor à Humanidade, não ajo por dever, mas por sentimento.

Ora, uma acção cuja máxima se baseia num sentimento não pode aspirar à universalidade e servir de lei a todo o ser racional. Em contrapartida, e seja qual for o meu sentimento em relação à Humanidade, “tratar a Humanidade na minha pessoa e na pessoa de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e não simplesmente como um meio”, é a máxima exigível universalmente, um dever para todos; a vontade que determina a sua acção a partir dela, é uma vontade autónoma, na medida em que se submete livremente à lei da razão pura prática.

Ou seja, para Kant, a autonomia consiste em ser simultaneamente “cidadão e legislador”: a vontade do Bem é ela própria uma criação livre.

A radicalização do princípio da autonomia de Kant, que ocorre na contemporaneidade, consiste grosso modo em adoptar a liberdade em sentido negativo (o “cidadão”) e excluir o sentido positivo da função da Razão no papel do “legislador”, transformando a autonomia em subjectivismo puro e não passível de universalidade, levando à atomização da sociedade.

Terça-feira, 19 Janeiro 2016

António Serzedelo e a censura do pensamento que pode não ter sido pensado

 

Tulip Siddiq é uma deputada muçulmana no parlamento britânico. Vemo-la, no vídeo abaixo, a defender no parlamento a ideia da proibição de entrada de Donald Trump em Inglaterra. Um deputado conservador interpela a muçulmana e diz o seguinte:

“Muitas pessoas inglesas concordam com Donald Trump. ¿Acha que devemos expulsar essas pessoas também?”

 


Esta censura do pensamento — a polícia politicamente correcta do pensamento — pode ser constatada também no discurso de António Serzedelo, o chefe português do movimento político dos invertidos.

Alegadamente (não há provas disto), o presidente do Sporting Clube de Portugal (Bruno de Carvalho) terá dito, entre amigos, o seguinte em relação ao árbitro de futebol Luís Ferreira:

“Só não lhe dei um chuto no rabo porque, olhando para a figura dele, tive medo que gostasse”.

António Serzedelo quer que Bruno de Carvalho peça desculpa por algo de que não tem a certeza de que terá dito. Para o movimento político gayzista, a mera hipótese de alguém poder ter dito eventualmente qualquer coisa que lhe desagrade, é já motivo de censura e de detracção pública.

Terça-feira, 29 Dezembro 2015

A Esquerda duplicou a população portuguesa, apesar da lei do aborto

 

“Sempre que oiço «portugueses e portuguesas» ou «todos os portugueses e todas as portuguesas», gera-se-me a ideia de que a população de Portugal duplicou. Se calhar tenho o periscópio avariado”.

Duas por todos

Sexta-feira, 15 Novembro 2013

Mas de que “direita” se está a falar?!

 

Este texto chamou-me à atenção (o que é excepcional, vindo daquele blogue).

O problema da Esquerda é um problema prático: “tirar as pedras do caminho”, por assim dizer. O problema prático caracteriza-se pela tentativa de fazer com que uma coisa que não é, passe a ser: é “tirar as pedras do caminho”. E aquilo a que o escriba chama de “teorias” e “doutrinas” da Esquerda, não são teorias ou doutrinas na verdadeira acepção dos termos: antes, são justificações (a posteriori) para a acção política que decorre do problema prático que tende a “tirar as pedras do caminho”.

As teorias e doutrinas, propriamente ditas, decorrem de problemas teóricos; e o problema teórico é absolutamente irredutível ao problema prático1. O problema teórico é aquele que pretende fazer que uma coisa que é, passe a não ser — o que, devido à natural insuficiência do intelecto humano, causa irritação. E a única forma de se harmonizar, de certa maneira, o problema teórico com o problema prático, não é através da política, mas antes é seguindo a montante da política e entrar na metafísica, primeiro, e depois e em consequência, na ética; e só depois vem e se deduz a política! E quem faz este exercício de aproximação do problema teórico ao problema prático é a Direita propriamente dita. Sublinho: propriamente dita.

O João Vilela e a Helena Matos são vergônteas da mesma cepa. São “irmãos” desavindos. São ambos produtos do movimento revolucionário e da revolução burguesa de 1789; divergiram a partir de um mesmo ponto, bem delimitado pela História. Para os dois, é o problema prático que é importante: a diferença é que o João confunde o problema prático com o problema teórico, ao passo que a Helena Matos não o faz. E a razão por que o João faz essa confusão é a de que a Esquerda julga-se intelectualmente superior à chamada “direita utilitária” (“presunção e água benta, cada um toma a que quer”).

Se fosse verdade que a Esquerda se preocupasse com o problema teórico — metafísico, e depois ético, para a seguir entroncar na política —, não teríamos tido a monstruosidade ontológica das centenas de milhões de mortos causados pelo movimento revolucionário só no século XX! E muitas dezenas de milhões desses mortos foram pessoas inocentes, velhos, mulheres e crianças. Mas quem ouvir o João discorrer sobre as “teorias” e as “doutrinas” (que nada mais são do que retórica de justificação de um determinado método de acção política e de uma visão teleológica do ser humano), até parece que o século XX nunca existiu.

Havia uma outra Direita que penso que já desapareceu da Europa: a democracia-cristã.

Essa era a Direita do problema teórico que fazia a aproximação à política através da metafísica e da ética. Hoje, temos uma outra direita que, à semelhança da Esquerda, só se preocupa em “tirar as pedras do caminho”.

1. Ortega y Gasset

Quinta-feira, 24 Outubro 2013

Portugal não tem futuro porque está a desaparecer

 

Um país desenvolvido não é aquele que aborta as suas crianças. Um país desenvolvido é aquele que consegue repor a sua população com a passagem de gerações e simultaneamente consegue manter baixas a sua taxa de mortalidade infantil e a taxa de mortalidade da maternidade.

O que está a acontecer hoje com as exigências da Troika, é o reconhecimento internacional de que Portugal não tem futuro e que a dívida portuguesa deve ser paga quanto antes e a qualquer custo nacional.

Note-se que “repor a população” não é a mesma coisa que “aumentar a população”: o ideal seria que a população aumentasse apenas e só em função do território disponível do país e da densidade populacional. Por exemplo, a Itália tem uma densidade populacional de 224 pessoas por km^2, ao passo que Portugal tem uma densidade populacional de 118 por km^2. Isto significa que a taxa de fertilidade italiana (1,41 crianças por mulher), sendo muito baixa, não é tão grave para a sustentabilidade desse país como é a taxa de fertilidade em Portugal (1,51 crianças por mulher), porque a Itália tem ainda um rácio de reserva de densidade populacional que Portugal não tem.

Outro aspecto é a mortalidade da maternidade. Os políticos da III república portuguesa, sem excepção, defenderam a tese segundo a qual o aborto diminui a mortalidade feminina porque alegadamente extingue ou diminui drasticamente o aborto clandestino. Porém, os factos contradizem os políticos da III república: por exemplo, na Irlanda o aborto não é legal, e a taxa de mortalidade feminina na maternidade deste país (6/100.000) é inferior à taxa portuguesa (8/100.000).

O caso da Irlanda é o exemplo de um país com futuro: para além de ter uma taxa de fertilidade de 2,1 por mulher — que é a taxa necessária de reposição populacional —, tem uma idade média da mulher de 35,8 anos, ao passo que Portugal, com uma taxa de fertilidade de 1,51 por mulher, tem uma idade média da mulher de 42,9 anos (já entra pela menopausa adentro).

Uma idade média da mulher de 43 anos (no caso português) torna irreversível o processo de decadência e o caminho rumo ao sub-desenvolvimento do país. O que está a acontecer hoje com as exigências da Troika, contra as quais o CDS/PP (hipocritamente) protesta, é o reconhecimento internacional de que Portugal não tem futuro e que a dívida portuguesa deve ser paga quanto antes e a qualquer custo nacional. O mote da Troika em relação a Portugal é o seguinte: “queremos o nosso dinheiro já, antes que essa merda de país impluda”.

Se eu fosse empresário investiria na Irlanda porque é, de facto, um país de futuro, e nunca investiria em Portugal.

O mote da Troika em relação a Portugal é o seguinte: “queremos o nosso dinheiro já, antes que essa merda de país impluda”.

Portanto, a III república falhou. E como falhou, terá que ser destituída, a bem ou a mal. Portugal é um país que não tem futuro, não porque exista uma fatalidade portuguesa qualquer, mas porque a ideologia predominante e comum, imposta pelas elites políticas da III república maçónica portuguesa, destruiu o país. Os fundadores dos partidos políticos, que estão na génese da nossa desgraça — gente como Freitas do Amaral, Cavaco Silva, Pinto Balsemão ou Mário Soares — são responsáveis e devem ser julgados pela História e pelo país. Precisamos de uma classe política com características diferentes (esta que temos, não nos serve e até é prejudicial ao país).

A única forma de inverter a actual tendência de desaparecimento de Portugal é acabando com a III república, utilizando a violência se necessário for.

Domingo, 13 Outubro 2013

A irracionalidade do racionalismo

 

«Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio d’asas.
Como quereis o equilíbrio?»

(David Mourão-Ferreira)

O que é a “liberdade de opção sexual”? Temos aqui um pleonasmo, porque a liberdade é sempre de opção: mesmo que não optemos, já estamos a optar. Portanto, seria melhor dizer simplesmente “liberdade sexual”. Mas o que significa “liberdade sexual”? Significa que todos os comportamentos sexuais são permitidos?; mas será isto possível?

“No domínio do Direito, nenhuma dedução científica é possível.” — dizia o nosso São Boaventura — porque o Direito pertence ao domínio da contingência onde a lei se realiza “o mais das vezes”.


Com o Renascimento, a felicidade humana deixou de depender de um fim natural (racionalidade), e passou a ser resultado de uma ordem artificial segundo a utopia da razão (racionalismo).

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