perspectivas

Quarta-feira, 15 Outubro 2014

Teresa Leal Coelho e o Direito casuístico

 

“Teresa Leal Coelho, que esteve esta terça-feira numa conferência sobre direito da família e dos menores na Universidade Lusíada de Lisboa, explicou que, quando tiverem de decidir sobre casos concretos, mesmo com a lei actual, os juízes podem sempre alegar que a proibição de co-adopção pelos casais do mesmo sexo viola a Constituição.”

Teresa Leal Coelho desafia juízes a permitirem co-adopção

Uma coisa é a opinião pessoal que Teresa Leal Coelho tenha da Constituição; outra coisa é a defesa da aplicação casuística do Direito.

A casuística actual é um retorno ao pior da Idade Média. Por exemplo, S. Bernardo de Claraval defendeu a ideia segundo a qual seria legítimo que um homem se deitasse com a mulher de outro, “se assim fosse o desígnio de Deus”. Ou seja, cornear o parceiro não seria eticamente reprovável se correspondesse aos “desígnios de Deus”. O problema é o de saber se, neste caso, os desígnios de Deus são verdadeiros e, por isso, se são legítimos.

A casuística é isto: cada um pode invocar um qualquer “deus” para justificar subjectivamente uma excepção à regra normativa. No caso da casuística de Teresa Leal Coelho, os deuses são os juízes.

Eu não sei se a Teresa Leal Coelho é burra ou se é uma espécie de peça de decoração de um lupanar de banlieue.

Segunda-feira, 13 Outubro 2014

José Pacheco Pereira e a pedofilia

 

“Escrevi pedofilia entre aspas porque a palavra é das mais ambíguas que por aí correm, mais sujeita a simplificações, deturpações e ignorâncias. Estamos perante realidades muito diferentes entre si, umas de claro carácter patológico, outras da ordem das perversões sexuais, outras criminosas, e outras dependentes de factores sociais e culturais. Outras ainda, indevidamente classificadas na pedofilia, que na percepção popular inclui o abuso de menores, como se fosse a mesma coisa.

José Pacheco Pereira

Uma coisa que eu desprezo no José Pacheco Pereira é uma certa tendência para um gongorismo intelectual — não o tradicional gongorismo da escrita académica, mas uma tendência para complicar o que, muitas vezes, é simples. O discurso do José Pacheco Pereira é anticientífico: o princípio da navalha de Ockham não se lhe aplica.

¿As “perversões sexuais” não são de “carácter patológico”?! Mas do que é que José Pacheco Pereira está a falar?!

Ou seja, segundo o José Pacheco Pereira, há “perversões sexuais” que não têm “carácter patológico”. Desde logo teríamos que ter a noção de “perversão sexual”; mas, pelo visto, para o José Pacheco Pereira há pedófilos que não são “sexualmente pervertidos”, ou não têm qualquer “patologia”.

Fico pior que estragado com este tipo de raciocínio!


Eu também sou contra a lei da base de dados dos pedófilos da ministra Paula Teixeira da Cruz.

Por dois motivos: em primeiro lugar, não gosto dela (da ministra); olhar para ela, na televisão, causa-me imediatamente um transtorno emocional negativo. Tresanda a feminista burra (tal como a Teresa Leal Coelho).

É claro que isto não é um argumento objectivo, mas também tenho direito à minha subjectividade (tal como o José Pacheco Pereira acha subjectivamente que uma perversão sexual não é necessariamente uma patologia).

Em segundo lugar, a lei é perigosa, porque quebra princípios fundamentais que orientam o estatuto ontológico da pessoa — e não só do cidadão. Hoje, a classe política tem imensa dificuldade em distinguir a pessoa, do cidadão. Por exemplo, vemos como David Cameron prepara uma lei que restringe a liberdade de expressão em nome do combate ao terrorismo: o princípio é o mesmo: o de uma classe política constituída por “gente menor” (como dizia o saudoso José Hermano Saraiva).

Sábado, 11 Outubro 2014

O ónus da lei do aborto discricionário é sobretudo do Estado controlado pelas elites

 

“A verdade é que o ónus não está só no Estado, ele continua nas pessoas”.Inês Teotónio Pereira

gandhi abortoO referendo de 2007 sobre a lei do aborto não foi vinculativo: votaram menos de 50% dos portugueses. A maioria dos portugueses já tinha expressa a sua posição negativa em um referendo anterior — que este sim!, foi vinculativo! Portanto, o ónus da lei do aborto discricionário é sobretudo do Estado e da ruling class que o controla.

Num dos seus livros, Karl Popper explicou o conceito de “evolução da opinião pública”: quando as elites (a ruling class) pretendem introduzir uma lei injusta e até absurda, conseguem passar essa legislação apostando na “evolução da opinião pública” através da sonegação de informação (sub-informação), da propaganda carregada de emoção (pseudo-informação), e através da injecção de doses massivas de informação que causem uma dissonância cognitiva generalizada na população, dando origem a uma espiral do silêncio.

Hoje, quem é contra o aborto e não se expressa publicamente, é vítima de uma espiral do silêncio. Essas pessoas são a maioria dos católicos.

Foi o que aconteceu em Portugal nomeadamente com a lei do aborto: apesar de o referendo não ter sido juridicamente válido (porque votaram menos de 50% dos portugueses), as elites (a ruling class) decidiu que o referendo foi válido.

Por tudo isto, não concordo com a Inês Teotónio Pereira.

O ónus — no sentido de “culpa” ou de “obrigação de redenção” — não está nas pessoas, porque foram enganadas. As elites deste regime, a que chamam de “democracia”, venderam gato por lebre. E as elites ganharam-lhe o gosto, porque a estratégia da “evolução da opinião pública” continua em outras áreas, como por exemplo no “casamento” gay e na normalização legal e cultural do acto homossexual, na adopção de crianças por pares de invertidos, no tráfico de crianças mediante a “barriga de aluguer”, na sonegação do direito dos pais a educarem os seus filhos, na destruição da família natural, e até na defesa do fim da Pátria portuguesa.

Quinta-feira, 9 Outubro 2014

A Direita da Esquerda

Filed under: aborto,ética,Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 12:36 pm

 

“Os “partidos moderados e conservadores” acabem por se constituir como os nossos principais e mais perigosos “inimigos”. Nessa medida, qualquer estratégia (como a que temos visto ser seguida pela FPPV, culminando com esta “iniciativa legislativa”) que passe por alguma forma de enfeudamento da Causa da Vida a partidos como o PSD ou o CDS, acaba por representar um grande perigo para o futuro e acutilância do movimento pro-Vida.”

Assino por baixo. Com as duas mãos.

Quanto mais a Esquerda radicaliza, mais o centro político se distorce em direcção à esquerda, e mais os partidos “conservadores” e “moderados” se aproximam desse centro político distorcido e esquerdizado. E quanto mais esta estratégia esquerdista dá resultados práticos, mais a Esquerda radicaliza. Segue-se uma dinâmica de esquerdização da “direita”, na sua ânsia de se aproximar do “centro” político moldado pela moda do Zeitgeist pautado pela agenda política de Esquerda.

Caricaturando: se a Esquerda radicalizar e defender o aborto aos nove meses de gravidez, segue-se que a “direita”, na sua ânsia de se aproximar do “centro”, compromete-se a anuir com o aborto aos cinco meses de gravidez.

Por outro lado, vivemos em um tempo em que a lei esquerdista promulgada assume uma condição de dogma: qualquer lei de esquerda é considerada, mesmo pela “direita”, como sendo irrevogável. É neste sentido que Juan Manuel de Prada diz que “os partidos conservadores conservam as leis da Esquerda”.

Portanto, deveria ser a ética a condicionar a política — e não a política a definir a ética, como defendem todos os partidos políticos portugueses. Submeter a ética à política é recusar o facto de os valores da ética existirem em si mesmos e independentemente de qualquer utilidade prática. Esta é uma das razões por que o actual sistema político, que transformou a liberdade em uma espécie de escravatura, irá provavelmente desabar mais cedo que tarde.

Quarta-feira, 8 Outubro 2014

O Rui Tavares quer os feriados de 5 de Outubro e de 1 de Dezembro sem simbolismo histórico

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 7:51 am
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Talvez a maior obsessão da Esquerda é apagar a História; ou, pelo menos, a História que não lhes interessa. Naturalmente que um povo sem passado não tem futuro; e o Rui Tavares sabe disso: o que se pretende é um povo sem futuro, para que uma cáfila de auto-iluminados possa impôr a sua agenda política em nome da “democracia” — ou de um conceito de democracia estafado de Habermas.

O problema é que, na democracia do modelo discursivo de Habermas adoptado por Rui Tavares, os doentes e os mais idosos não falam, e os nascituros também não. E os mortos e a sua história já não têm nenhuma relevância para a cultura: o que tem importância é o narcisismo de uma plêiade de neognósticos com ares de intelectuais de urinol.

Talvez a razão mais importante para combater e derrotar António Costa nas próximas eleições é o conluio que ele tem com esta comandita radical que pretende transformar a sociedade em um eterno presente. Depois da “esquerda caviar”, temos agora a “esquerda Carpe Diem”.

Segunda-feira, 29 Setembro 2014

Adensam-se as nuvens negras

 

Costa e SócratesPassos Coelho é má-onda. António Costa é um tsunami. António Costa vai acabar o trabalho desastroso que José Sócrates não teve tempo de concluir.

António Costa tem uma visão jacobina da política. O povo português ainda não o conhece bem e parece estar a dar um salto no escuro. A estratégia de António Costa será a de não alterar essencialmente a política económica de Passos Coelho, por um lado, mas por outro lado vai continuar a revolução cultural que José Sócrates não acabou.

Com António Costa, a esquerda radical terá acesso ao Poder pela porta do cavalo. Mesmo que o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda e o Livre não estejam fisicamente representados em um governo de António Costa, terão nele uma representação espiritual. E essa representação espiritual radical actuará menos na economia do que na cultura.

António Costa faz lembrar um personagem político saído da I república; e se ele for eleito primeiro-ministro, revelar-se-á o jacobino em todo o seu esplendor! Os portugueses ainda vão ter saudades do Partido Socialista de António Guterres.

Quarta-feira, 10 Setembro 2014

A Inês Pedrosa e os comités de bairro à moda da URSS

 

“Não sei por que razão não se incluem automaticamente todos os registos de nascimento no sistema de protecção de crianças. Parece-me evidente que todas as casas com crianças pequenas – independentemente do seu estatuto sócio-económico — deveriam ser visitadas pela Segurança Social.”

Inês Pedrosa


Cada vez me interessa menos saber quem são as pessoas que escrevem nos me®dia, e que são os arautos da construção paulatina de um totalitarismo suave. Em bom rigor, para mim, a tal Inês Pedrosa não se distingue de uma sopeira da freguesia de Miragaia. Mas a verdade é que ela escreve “coisas”.

Esta gente deveria ser censurada. Com gente deste tipo, deveria haver “lápis azul” — porque não se trata de simples opinião: quando esta gente fala ou escreve, trata-se de um prenúncio de acção política.

Acontecem oito desgraças (8 crianças assassinadas) no país em dois anos; ¿e o que é que aquela cavalgadura sugere para acabar com essas desgraças? O policiamento estatal de todas as famílias portuguesas!, sem excepção.

Os polícias da SS (Segurança Social) — segundo aquela alimária — passariam a entrar pelas casas dos portugueses adentro, seja no seguimento de uma qualquer delação, ou por simples militantismo ideológico à moda dos comités de bairro da antiga URSS. Passaria a existir uma cultura do delator: se alguém não gosta do vizinho, liga para o 112 para denunciar aquilo que provavelmente não existe; e, acto contínuo, teríamos as SS (Segurança Social) a patrulhar a zona sob o comando da Inês Pedrosa.

Depois, a ornejadora bípede continua:

“Sim, caríssimos: os nossos filhos não são propriedade nossa. Não são os pais quem tem direito aos filhos; os filhos é que têm direito a ter pais – ou seja: pessoas responsáveis que saibam cuidar deles.”

Quer ela dizer, azurrando: “os nossos filhos não são propriedade nossa, mas são propriedade do Estado!”.

Esta gente é perigosa e deveria ser proibida de escrever nos me®dia. É gente psicótica, desfasada da realidade — porque uma coisa é as SS (Segurança Social) seguirem casos pontuais de famílias devidamente identificadas (sejam ricas ou pobres), e outra coisa é o Estado passar a patrulhar a propriedade privada e a intimidade dos lares de todos os portugueses.

Terça-feira, 26 Agosto 2014

O problema de fundo do actual capitalismo

 

Leio este artigo no blogue Blasfémias:

“Com este governo, esta maioria e, sobretudo, estas pessoas, não vamos lá: o défice voltou a entrar em descontrolo e adivinha-se novo aumento de impostos.

Por razões próprias e alheias, este governo não fez as reformas que tinha que fazer para domar a despesa pública, isto é, para atacar as causas profundas do défice. Pelo contrário, convenceu-se o governo de que o nível da despesa pública até poderia ser mantido ou baixar pouco («vamos manter o estado social», não cansaram de proclamar os seus dirigentes), caso os impostos aumentassem e as exportações também, fórmula mágica que dificilmente se consegue manter por muito tempo, porque explica o bom senso que nenhuma economia se desenvolve se não conseguir aforrar e investir. Um erro de amadores, portanto.”

E leio estoutro:

“As a result of Obamacare Medicaid expansion coupled with means-tested Obamacare assistance, I estimate welfare rolls expanded from 35.4% of the population in 2012 to about 40% in 2014.”

Almost Half of America on Welfare

Cerca de metade da população americana já vive do Estado Social. Portanto, o problema não existe só em Portugal. E isto leva-me a um texto de Kant, escrito poucos anos antes de ele morrer [“Teoria e Prática”, 1793]:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

Aquilo que o blogue Blasfémias talvez não tenha compreendido é o facto de ser a própria plutocracia — ou seja, o capitalismo actual — que apoia e incentiva o Estado Social: basta verificarmos as posições políticas da maioria dos 50 mais ricos do mundo, incluindo Bill Gates, Rockefeller ou Rothschild. A ideia da actual plutocracia é a criação do “maior despotismo que se pode conceber”. É a isto que Adriano Moreira chama de “neoliberalismo repressivo”, em que a solidariedade cristã do capitalismo primordial é substituída por um capitalismo instrumental e utilitarista que, em troca do Estado Social, restringe a liberdade da pessoa.

(more…)

Domingo, 24 Agosto 2014

Quem tem uma vagina, tem uma mina

 

Fernanda cancio webHá um ditado popular português que reza assim (devidamente adaptado): “Quem tem uma vagina, tem uma mina; quem tem um pénis, tem um pau”.

Indo ao encontro do ditado popular, só uma mulher poderia dar-se ao luxo de escrever isto em um jornal português e sair impune.

Se um grupo de 500 jovens “cabeças rapadas”, conotado com o PNR, tivesse invadido um centro comercial e sido expulso pela polícia; e, depois da expulsão, dois ou três “cabeças rapadas” quisessem reentrar no mesmo centro comercial e a polícia não deixasse — provavelmente a Fernanda Câncio ficaria calada.

Mas quando um grupo de 500 jovens pretos invade um centro comercial e foi expulso pela polícia; e, depois da expulsão, dois ou três pretos quiseram reentrar no mesmo centro comercial e a polícia não deixou – a Fernanda Câncio diz que “a polícia é racista”.

Segundo a Fernanda Câncio, a polícia não seria “racista” se fossem brancos prevaricadores a ser impedidos, pela polícia, de reentrar no referido centro comercial; a polícia só é “racista” quando se trata de pretos prevaricadores.

No entanto, ela escreve aquilo em um jornal de referência português; ou seja: “quem tem uma vagina, tem uma mina”…

Domingo, 17 Agosto 2014

Carl Schmitt, o liberalismo político e o Estado-providência

 

Eu não posso concordar, de modo nenhum, com o postulado decisionista de Carl Schmitt segundo o qual a ordem jurídica assenta em uma decisão primeira, juridicamente independente, deduzida de coisa nenhuma. Carl Schmitt faz a crítica ao positivismo jurídico para depois partir de um postulado exclusivamente humano para fundamentar a sua concepção do Direito; ou seja, Carl Schmitt comete basicamente o mesmo erro de Kelsen (o do Direito Positivo) no que diz respeito à fundamentação do Direito.

Se o Direito Positivo pode ser arbitrário, o decisionismo de Carl Schmitt também o é. Carl Schmitt foi aluno de Max Weber, e é neste último que se encontra a verdadeira crítica ao Direito Positivo. Carl Schmitt apenas se serviu das ideias de Max Weber para tentar fundamentar o decisionismo cujo corolário entra em contradição com a crítica de Max Weber ao Direito Positivo.


Mas há alguns aspectos das ideias de Carl Schmitt que merecem atenção; por exemplo, quando ele demonstrou que o Estado-providência é um produto inexorável e necessário da evolução liberalismo político. O liberalismo político não poderia levar a outro lado senão ao Estado-providência (como se verá adiante). Quando os liberais do blogue Blasfémias, por exemplo, vociferam contra o Estado-providência, não se apercebem de que as suas ideias estão na génese do próprio Estado-providência.

Os primeiros liberais, os da escola escocesa por exemplo, começaram por adoptar o jusnaturalismo (Direito Natural) como fundamento da construção do Direito Positivo. Para os primeiros liberais, o primado da lei exprime — contra o arbítrio e contra o despotismo — o valor supremo do bem comum, o único a poder garantir um acto jurídico dotado de algumas características essenciais, como por exemplo a impessoalidade, a generalidade, a equidade, etc.. A noção de “bem comum” é uma das principais características do Direito Natural.

Mas a influência do Direito Natural no Direito Positivo foi sendo afastada ao longo do tempo através do reforço da convergência entre o positivismo jurídico, por um lado, e o utilitarismo, por outro lado. E com esta convergência entre utilitarismo e o direito, o Direito Natural foi sendo afastado da construção jurídica e com o decorrer do tempo. Segundo Carl Schmitt, e com verdade, o liberalismo político assenta em dois princípios: a lei baseada na existência do “legislador impecável”, e na vontade geral baseada na “discussão pública”.

Ora, acontece que a figura do “legislador impecável” é praticamente uma utopia, simplesmente não existe senão com venerandas excepções; e a “discussão pública”, levada ao seu limite existencial, conduz ao afastamento do Direito Positivo em relação ao Direito Natural na medida em que a construção do Direito passa a ser baseada nas opiniões (doxa) e em postulados desfasados dos elementos metajurídicos (episteme) próprios do jusnaturalismo (Direito Natural). Portanto, nem o legislador é impecável, nem a vontade geral é sinónimo de justiça propriamente dita.

A partir do momento em que o povo verifique que “o rei vai nu” — como acontece hoje em Portugal, por exemplo —, a figura do “legislador impecável” desvanece-se, o que leva a colocar em causa a democracia e a classe política que a sustenta. Desde que se perca o ideal racional da lei, a democracia fica ameaçada pela decadência do sistema, por um lado, e por outro lado, o racionalismo característico do Direito Positivo — destituído dos factores metajurídicos do jusnaturalismo — volta-se contra o próprio sistema democrático.

Por outro lado, o Direito Positivo arroga uma neutralidade axiológica (neutralidade em relação a quaisquer valores metajurídicos) que não existe de facto, porque o positivismo é o utilitarismo, e nada mais do que isso. Sem o apoio do jusnaturalismo, o Direito fica totalmente entregue a uma ética utilitarista, e neste sentido é absurdo que se diga que o Direito Positivo é “axiologicamente neutro”.

Quando o Positivismo “toma conta” do Direito, e afasta qualquer sequela do jusnaturalismo, estamos em presença da primazia do “legal” sobre o “legítimo” (a legalidade substitui a legitimidade) que nada mais é do que a expressão do relativismo político que se caracteriza por uma completa indiferença em relação a todos os valores que não sejam materialmente “úteis”, pelo desprezo pela verdade, e por uma metafísica da indecisão — por exemplo, é essa “metafísica da indecisão” que permite hoje a paulatina desnacionalização de Portugal.

Quando o Direito Positivo afasta o jusnaturalismo, e ao tornar possível ao Direito adoptar qualquer conteúdo baseado em postulados e alguns deles irracionais — por exemplo, o postulado irracional da “igualdade no casamento” que subjaz à legalização do “casamento” gay —, favorece-se o interesse do cálculo e da utilidade; e a partir do momento em que o Estado e a sociedade se misturam e se confundem (por intermédio da própria essência do Direito Positivo desprovido de qualquer referência metajurídica jusnaturalista), acontece então que todos os problemas económicos e sociais se tornam “problemas do Estado” — o que significa que o liberalismo político aliado ao “Direito Positivo dos postulados exclusivamente humanos” está na base do Estado-providência que os liberais tanto criticam.

Segue-se que a Fátima Bonifácio, por exemplo, ou é estúpida ou é ignorante; ou as duas coisas juntas. E que o blogue Blasfémias está em sistemática contradição quando critica o Estado-providência.

Sábado, 16 Agosto 2014

O Brasil prepara-se para impôr um novo Acordo Ortográfico

 

“A Comissão de Educação (CE) do Senado debate uma nova reforma ortográfica propondo uma maior “simplificação” da Língua Portuguesa. De acordo com nota divulgada no site do presidente da comissão, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), a ideia é excluir o “h” inicial de palavras como “homem e “hoje”, abolir o “ch” substituído pelo “x”, como em “flecha” e, ainda, substituir “x” e “s” por “z” nas palavras com esse som, como “exemplo” e “analisar”. O “ç” seria outra norma da língua com os dias contados, com a “educação” passando a ser escrita como “educasão”.”

Comissão de “Educasão” do Senado estuda abolir “h” e “ç” do Português

No Brasil, a língua portuguesa não faz parte da cultura. Por isso é que o Brasil é um anão literário — não produz literatura na proporção da sua população, quando comparado com Portugal, por exemplo — já nem falando nos Estados Unidos.

O problema é que Portugal está a adoptar o princípio do divórcio brasileiro entre a cultura e a língua. Se, por exemplo, o Brasil adoptar o Tupi como língua oficial, os políticos portugueses secundariam imediatamente essa adopção.

Nós não temos políticos: temos invertebrados1, gente sem planta nenhuma, “gente menor” como dizia o professor José Hermano Saraiva; gente moralmente miserável que vende a História e a Cultura do seu país por um prato de lentilhas. Nós não temos políticos: temos um conjunto de “Josés de Vasconcelos”.

“Omem”, “qeijo” | Novo acordo ortográfico propõe suprimir letras de palavras

Onra aos omens onestos

Nota
1. O Pedro Santana Lopes bem pode limpar as mãos à parede!

“Pelo cu; políticas anais” em nome do progresso

 

Existe um partido político espanhol semelhante ao Bloco de Esquerda que dá pelo nome de “Podemos”. Uma das activistas mais notórias do referido partido, Beatriz Gimeno, escreve o seguinte no seu blogue:

“Me gustaría contribuir a problematizar la siguiente cuestión: dado el profundo simbolismo asociado al poder y a la masculinidad que tiene en la cultura patriarcal la penetración (a las mujeres), ¿qué podría cambiar, que importancia cultural tendría una redistribución igualitaria de todas las prácticas, de todos los placeres, de todos los roles sexuales, incluida la penetración anal de mujeres a hombres?”

Ela está a falar a sério! Isto não é para rir!

“Me interesa mucho el culo masculino como lugar de la vergüenza y como espacio altamente simbólico donde se concentra la pasividad entendida como feminización (degradante) y como lugar de placer inasumible para los hombres heterosexuales.

La penetración anal o vaginal tiene importantes significados simbólicos en torno a los cuales se concentra una parte importantísima del discurso sexual patriarcal especialmente en lo que hace referencia a la feminidad/pasividad (impotencia) y masculinidad/actividad (agencia, potencia) Y, sin embargo, el ano es una de las principales zonas erógenas para hombres y mujeres, pero especialmente para los hombres.

Estoy convencida, cada vez más, que para que se produzca un verdadero cambio cultural tienen que cambiar también las prácticas sexuales hegemónicas y heteronormativas y que sin ese cambio, que afecta a lo simbólico y a la construcción de las subjetividades, no se producirá un verdadero cambio social que iguale a hombres y mujeres.”

Ou seja, para as feministas e para os progressistas, a sexualidade feminina é equivalente ao sexo gay. E por isso, tomar no cu deve tornar-se obrigatório, para que os homens e mulheres sejam iguais.

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