perspectivas

Quarta-feira, 6 Março 2019

O Ludwig Krippahl, o alegado “espírito científico” e a negação das categorias

Filed under: Esquerda,esquerdopatia — O. Braga @ 5:19 pm
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O esquerdista que se preze é anticientífico (ou acientífico) — mesmo quando se diz “cientista” (ou “professor em ciências”, o que vai dar no mesmo), como se pode ver neste trecho:

“Joana Bento Rodrigues publicou uma opinião polémica, especialmente vinda de uma mulher. Segundo ela, «as características mais belas da mulher» e o «potencial feminino» são que «Gosta de se arranjar e de se sentir bonita. Gosta de ter a casa arrumada e [ …] das tarefas domésticas». Há dois erros fundamentais nisto. O mais óbvio é que, se bem que sejam opções de vida legítimas, as mulheres não são todas iguais. São pessoas e, como tal, há-as de muitos feitios e gostos”.

A categoria “mulher” tem determinadas características endógenas (biológicas, psicológicas, etc.) que são maioritária- e estatisticamente confirmadas pela experiência; mas o esquerdista típico nega essas características gerais e generalizantes em nome da eventual existência de excepções (nominalismo radical) — seria como se um médico negasse categoricamente a eficácia de um determinado antibiótico por causa das excepções em relação à posologia do mesmo.

O esquerdista, em geral (juízo universal), é anticientífico (ou acientífico) mas, alegadamente, sempre em nome da “ciência” (cientismo).

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Domingo, 24 Junho 2018

O nominalismo radical e anticientífico do Telmo Três Nomes

Filed under: David Hume,utilitarismo — O. Braga @ 12:44 pm
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Outra das características comuns entre o Telmo Três Nomes (e os seus correligionários), por um lado, e a Catarina Martins e o Bloco de Esquerda, por outro lado, é um nominalismo radical.

Esse nominalismo radical é herança de David Hume que influenciou decisivamente Adam Smith, em primeiro lugar, e influenciou também (mais tarde) os utilitaristas todos até John Stuart Mill, que foi um “utilitarista anti-utilitarista”. O próprio Hayek baseia o fundamento da sua mundividência em David Hume, embora entrando em contradição quando adopta o optimismo de Kant.

A redução da realidade social ao indivíduo (enquanto tal, isolado da sociedade) é um fenómeno paranóico, e um exercício de egologia que se traduz bem na ideia de David Hume segundo a qual “não seria irracional que um homem preferisse a destruição do mundo, a sofrer uma esfoladela no seu dedo” (sic).

É esta irracionalidade “passional” de David Hume, travestida na maior “racionalidade possível”, que nos chega hoje através de dois movimentos ideológicos (que, de certa forma, negam a ciência ou o Iluminismo): por um lado, o marxismo cultural de Herbert Marcuse, Adorno, e Habermas até John Rawls (que tem, em Portugal, protagonistas como Catarina Martins e um certo Bloco de Esquerda); e por outro lado um certo PSD com os actuais seguidores de Ayn Rand e os posteriores libertários até Nozick — toda essa gente foi buscar a David Hume o nominalismo radical.


O Nominalismo é a teoria segundo a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”.

O Nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies que, alegadamente, não existiriam senão em nome: os nomes apenas são etiquetas, graças às quais podemos representar as classes de indivíduos; as ideias gerais não têm um objecto geral: são abstracções obtidas por intermédio da linguagem.

Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve.

O nominalismo radical é o fundamento do individualismo exacerbado — na “Não-Esquerda” do PSD , e da política identitária marxista cultural (que se baseia na hierarquização social de grupos de indivíduos consoante o conceito arbitrário de “dominação”) — no Bloco de Esquerda.


nominalismo-webÉ evidente que quem exporta (mercadorias) são indivíduos e empresas; mas não podemos retirar os indivíduos e as empresas do contexto social, cultural, demográfico, político, etc., em que vivem. E se são os indivíduos e as empresas que exportam, é também uma sociedade inteira — com todas as suas idiossincrasias culturais e políticas — que exporta.

Os indivíduos e as empresas não podem fugir às limitações e aos condicionalismos impostos pela sociedade em que estão inseridos, ou seja, impostos pela nação.

O tipo de raciocínio nominalista radical — (sublinho: RADICAL, porque uma pequena e razoável dose de nominalismo é sempre saudável porque é realista), que caracteriza um certo Bloco de Esquerda e uma parte do Partido Socialista, por um lado, e por outro lado (de um modo diferente) um certo PSD dito “libertário” — é anticientífico, porque a ciência não faz outra coisa senão criar leis universais a partir de factos individuais e experimentais.

Em termos de ciências sociais, por exemplo, não é possível separar uma empresa, por um lado, do contexto político em que ela está inserida; ou não é possível separar o indivíduo do contexto cultural e social em que coexiste.

Sábado, 16 Julho 2016

O nominalismo do Anselmo Borges, e o da Igreja Católica do papa Chico

 

O Anselmo Borges escreveu o seguinte acerca do Papa Bento XVI:

“Em 1972, [Bento XVI] ainda professor, escreveu um ensaio académico, manifestando abertura à admissão à Eucaristia dos divorciados recasados, no caso de a nova união ser sólida, haver obrigações morais para com os filhos, não subsistindo obrigações do mesmo tipo em relação ao primeiro casamento, "quando, portanto, por razões de natureza moral é inadmissível renunciar ao segundo casamento".

Ora, este ensaio foi retirado das "Obras Completas" de Ratzinger, cuja edição está a cargo do cardeal G. Müller, um dos opositores a Francisco, concretamente nesta questão”.

Não sabemos se o papa Bento XVI escreveu de facto aquilo; e, se escreveu, não sabemos em que contexto o fez. Mas demos de barato a veracidade do facto.


Eu estou disposto a mudar de opinião acerca do “recasamento católico” se me responderem racionalmente à seguinte pergunta:

¿Quem emite o juízo de valor acerca da nova união sólida, de haver obrigações morais para com os filhos, etc.? ¿É o Padre? ¿É a comunidade? ¿São os próprios recasados que julgam em causa própria?

  • Se for o Padre a emitir o juízo de valor (a julgar a consentaneidade do casal recasado com os requisitos da Eucaristia), estamos a admitir a ideia de que o Padre não pode errar, ou que o Padre não pode assumir atitudes de nepotismo.
  • Se forem os próprios recasados a julgarem-se a si mesmos, é dúbio que existam refractários: todos ou praticamente todos os casais recasados que frequentam a missa acharão que reúnem as condições necessárias para a comunhão eucarística.
  • Se for a comunidade a emitir um juízo de valor acerca do casal recasado, ficamos sem saber quem representa comunidade — porque haverá sempre, dentro da comunidade, quem não concorde com a maioria.

Podemos concluir o seguinte: ou a Igreja Católica admite a comunhão eucarística a toda a gente, independentemente de ser casados, recasados, e re-recasados, re-re-recasados, re-re-re-recasados, e de comportamentos e de acções privadas; ou se mantém a tradição do casamento católico. O papa Chico tem que escolher. “Ou há moralidade, ou comem todos”. Pois então, sigamos a opinião do Anselmo Borges e ponhamos toda a gente a “comer”.


Os julgamentos puramente subjectivos acerca do comportamento dos outros, são falaciosos. Para emitirmos juízos de valor, temos que nos basear em factos; ou então, ignoremos quaisquer factos e não julguemos ninguém. Parece ser esta última hipótese a defendida pelo Anselmo Borges e pelo papa Chiquito.

O nominalismo é uma deficiência psicológica que decorre de um subjectivismo radical; é uma doença existencial. Quando nos detemos no particular, de tal forma, que não conseguimos ver o universal, somos como um surdo que não consegue apreciar uma boa peça musical: temos uma deficiência cognitiva.

É verdade que a moral pertence à realidade subjectiva, mas os valores que regem a moral (os valores da ética) devem ser universais e racionalmente fundamentados. Se concebemos os valores éticos como sendo apenas válidos para cada indivíduo (nominalismo ético) e desprovidos de universalidade, a moral não pode existir.

Quarta-feira, 27 Abril 2016

O nominalismo da Esquerda

 

“O BE, especializado nestas temáticas, lembrou-se agora de propor que o ‘cartão de cidadão’ passe a chamar-se ‘cartão de cidadania’. E porquê? Porque o BE acha que “não existe qualquer razão que legitime o uso de linguagem sexista num documento de identificação obrigatório para todos os cidadãos e cidadãs nacionais”. Linguagem sexista? Mas quando se fala em ‘cidadão’ está-se porventura a pensar apenas nos homens? Só uma mente doentia podia ver nisso uma discriminação das mulheres. ‘Cidadão’ é um conceito, uma abstracção. Até por isso o cartão é ‘de’ cidadão e não ‘do’ cidadão”.

E as crianças senhor?


O José António Saraiva constata o óbvio: a incapacidade do Bloco de Esquerda na abstracção, o que caracteriza o nominalismo. O nominalista é essencialmente uma pessoa com défice cognitivo.

O nominalismo é a teoria segundo a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”. O Nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies — nega a classificação abstracta da realidade — que, alegadamente, não existiriam senão em nome.

Alguns filósofos (realistas) sustentam um “realismo de significação”, dizendo: se a beleza é um nome que tem um significado geral, então, qualquer coisa como a “beleza em si” ou a “essência da beleza” existe na realidade. Mas o nominalismo dá a resposta inversa: os nomes apenas são etiquetas, graças às quais podemos representar concretamente as classes de indivíduos; as ideias gerais não têm um objecto geral: são abstracções (sem importância) obtidas por intermédio da linguagem.

Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve.

Um dirigente do Bloco de Esquerda (em juízo universal), por exemplo, não consegue entender o conceito de “cidadão” como uma ideia geral (uma abstracção): a sua mente é anti-científica — porque só através da abstracção em relação a casos concretos é possível a elaboração das leis da ciência (por exemplo, as leis da gravidade são abstraídas do concreto e, em princípio, aplicáveis em qualquer ponto do universo. Sem abstracção não há ciência).

Em linguagem popular, diríamos que os dirigentes do Bloco de Esquerda, em geral, são burros.

Um dirigente do Bloco de Esquerda tem imensa dificuldade na categorização da realidade; e de tal forma que reduz a realidade social ao indivíduo. É certo que cada pessoa é única e irrepetível (como defende o Cristianismo), mas este facto não significa a negação das categorias a tal ponto que se oblitere o conceito de “juízo universal” — que é o que faz o Bloco de Esquerda.

Domingo, 22 Novembro 2015

O nominalismo do Quim

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:15 am
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“Em 1987, num discurso proferido num congresso do Partido Conservador, Margaret Thatcher afirmou que ‹‹A sociedade não existe, o que existe são indivíduos e famílias››.

No mesmo sentido e com o mesmo espírito de Margaret Thatcher, posso afirmar que o Islão não existe. E não lhe podemos, portanto, atribuir quaisquer glórias ou crimes. Este é o pensamento do conservadorismo clássico e, penso eu, do libertarianismo.

O que há são islamitas, muitos dos quais, infelizmente, são terroristas. A responsabilidade pelos seus actos é exclusivamente deles, não é da sociedade (ou do Islão), como pensa a esquerdalhada”.

o Islão não existe


A confusão é enorme. Atribuir ao “conservadorismo clássico” (o que quer que isto signifique) a adopção do nominalismo como mundividência, é o contrário da realidade.

Desde a antiguidade grega que os Cínicos (a “esquerda” daquele tempo) criticavam Platão e a sua teoria das Ideias: “Eu vejo um cavalo, mas não vejo a cavalaridade” (Antístenes).

Se o nominalismo fosse universalmente válido, a ciência não seria possível, porque se reduz a realidade à negação das categorias; “cada coisa é uma coisa, e não há relação empírica entre as coisas”, na senda de David Hume.

A frase de Margaret Thatcher pode ser comparada a uma outra de Fernando Pessoa: “Não existe humanidade; existe apenas o indivíduo e a nação”. Mas tanto em uma como na outra frase não há propriamente nominalismo: há apenas concepções diferentes da categorização da realidade humana.

Mas quando o Quim diz que apenas há indivíduos islamitas”, reduzindo a realidade do Islão ao indivíduo muçulmano, segue o critério de Antístenes, que dizia que só via um cavalo à frente dele, e por isso não existe a cavalaridade.

Quarta-feira, 28 Janeiro 2015

O papa Bergoglio considera-se acima de Jesus Cristo

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 1:36 pm
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Jesus Cristo disse à mulher adúltera: “vai em paz e não voltes a pecar”. E disse à  samaritana, no encontro na fonte (ou poço): “tiveste quatro maridos e agora queixas-te porque não tens nenhum”. Há, em Jesus Cristo, e em relação às duas mulheres, simultaneamente uma compreensão e uma censura moral.

O papa Bergoglio defende a ideia segundo a qual Deus aceita a mulher adúltera e a samaritana tal qual elas eram; ou seja, o papa Bergoglio considera-se superior a Jesus Cristo:

El Papa, a un transexual español: “Dios te quiere y te acepta como eres”

Nunca Jesus Cristo alguma vez disse que “Deus nos aceita tal e qual somos”. O que Jesus Cristo disse é que sendo o ser humano uma criação de Deus, Ele aceita o ser humano enquanto ser humano.

¿Deus aceita-me (a mim), tal e qual eu sou?

Em primeiro lugar, eu não tenho a capacidade de falar sobre aquilo que Deus aceita ou deixa de aceitar em relação a mim senão em função daquilo que Jesus Cristo disse. Mas parece que o papa Bergoglio e Deus são tão íntimos que Deus lhe fala ao ouvido; digamos que o papa Bergoglio considera-se uma espécie de Jesus Cristo que voltou à  terra (“presunção e água benta, cada um toma a que quiser”) — só não tenho a certeza se ele é o anticristo ou um emissário deste.

Depois, e segundo Jesus Cristo, Deus aceita-me como ser humano, e não “como eu sou”. Porque se Deus aceitasse, por exemplo, um assassino conforme ele é, então não haveria qualquer distinção entre Deus e Lúcifer. Aceitar o ser humano enquanto tal significa aceitar a categoria universal de ser humano — o que não significa que se tenha que ceder ao nominalismo que o papa Bergoglio adopta em nome de Deus.

Se, porventura, existe a possibilidade de Deus me aceitar (a mim) conforme eu sou, é um problema entre mim (a minha consciência) e Deus, e ninguém mais tem o direito de dizer uma palavra sobre o assunto. Nem sequer o papa. O que o papa pode falar é em termos universais, conforme falou Jesus Cristo: Deus aceita o ser humano (em geral) enquanto ser humano.

Se é verdade que eu — ou qualquer pessoa — estou mais próximo de Deus do que estou do papa Bergoglio, então segue-se que o papa Bergoglio, enquanto ser humano e não passa disso mesmo, não tem o direito de afirmar uma putativa intencionalidade de Deus a meu respeito (nem a respeito de ninguém!).

Quarta-feira, 21 Janeiro 2015

O nominalismo e o delírio

Filed under: ética,filosofia,Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 4:33 pm
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nominalismo

O nominalismo é uma teoria segunda a qual “nada há de universal no mundo para além das denominações, porque as coisas nomeadas são todas individuais e singulares”. O nominalismo nega a existência dos géneros e das espécies que, alegadamente, não existiriam senão em nome.

Ou seja, o nominalismo defende a ideia segundo a qual as coisas ou objectos da experiência não têm realidade intrínseca fora da linguagem que as descreve. Se eu quiser afirmar que “uma baleia é um cão”, esta minha afirmação é legítima — segundo o nominalismo — porque os dois objectos (a baleia e o cão) não têm realidade intrínseca fora da linguagem que utilizemos. Por isso, para o nominalismo, uma baleia pode perfeitamente ser um cão.

O nominalismo está mais próximo do idealismo moderno (Fichte, Hegel, etc.) do que do racionalismo kantiano, e opõe-se totalmente ao platonismo. Outra característica do nominalismo é a de que tem uma grande dificuldade em reconhecer a noção de juízo universal — o que é uma das características do politicamente correcto.

O politicamente correcto é a expressão máxima possível do nominalismo: a verdade, entendida em si mesma, não existe: a verdade é criada pelo ser humano ao sabor das modas de cada tempo. Para o nominalismo só existem “situações particulares”, e por isso não existe nem bem nem mal, não existe ordem, não existe civilização, não existe natureza humana, nem verdade universal: apenas existe a “necessidade” de alguma coisa.

A realidade concreta não só não existe, como é produto de pura convenção. A realidade inteira é reduzida a uma “construção” arbitrária humana; as ideias não têm qualquer carácter durável e universal: o nominalismo recusa aceitar a intersubjectividade que subjaz ao universal, e reduz todo e qualquer aspecto da realidade a um qualquer signo convencionado (a um nome) que pode ter outro nome diferente já amanhã.

A realidade é vista de uma forma fragmentada, mas essa fragmentação da realidade é intencional — não decorre da natural dificuldade da definição de “realidade”. Aliás, o nominalismo detesta definições; a pior coisa que se pode fazer em relação ao nominalismo é definir o que quer que seja. Não existe “natureza humana” enquanto tal; não existem instituições sociais; não existe ordem política no sentido intersubjectivo e universal; a política está atomizada: o ser humano é um átomo. Não existe verdade política, mas apenas uma corrente da História que não é outra coisa senão “a modificação constante da natureza humana”.

Quando vemos aquela notícia em epígrafe, temos um resumo do nominalismo. Uma imagem vale mais do que mil palavras.

Terça-feira, 18 Maio 2010

O nominalismo e os universais

A Querela dos Universais, que se arrastou desde a antiga Grécia até ao modernismo, está essencialmente ligada à ausência de uma noção de “consciência” na História da Filosofia até depois de Descartes. Na proposição de Sócrates “conhece-te a ti mesmo” podemos notar uma alusão à consciência, mas de uma forma que não é suficientemente clara e inequívoca. Santo Agostinho teve também alguns conceitos de que podemos extrapolar a noção de consciência, mas só depois de Descartes esta foi plenamente desenvolvida.
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Quinta-feira, 29 Abril 2010

O canivete de Ockham ou o corta-unhas de Occam

William Ockham, ou Guilherme de Occam, é daquelas personagens históricas — à semelhança do que aconteceu com a saga de Galileu contada e adulterada a cada recontagem — utilizadas por uma certa cultura que se diz “científica” para a sua auto-legitimação lógica. Existem outras personagens heróicas e mitológicas do Positivismo, por exemplo a de Giordano Bruno: são as que o naturalismo ateu, que evoluiu essencialmente do gnosticismo cristão, considera ser os seus heróis e/ou mártires históricos.
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Quinta-feira, 22 Maio 2008

Os antolhos de Popper

Filed under: Religare — O. Braga @ 4:21 pm
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Lendo este texto rosacruciano, deparo-me com uma referência à “teoria da falsibilidade”, de Karl Popper. Segundo a teoria de Popper, para que uma proposição seja considerada como passível de análise “científica”, deve ser teoricamente possível fazer uma observação ou indução que prove que essa proposição é falsa. Dou o exemplo célebre dos cisnes:

“Todos os cisnes são brancos”.

Será esta proposição verdadeira, sob o ponto de vista “científico” (segundo Karl Popper)?
Segundo Popper, basta alguém provar — por observação — que existe um cisne negro, para que esta proposição possa ser considerada “falsificável”, e portanto, esta proposição merece a atenção da ciência. Assim, qualquer proposição que não possa fazer prova da sua possível “falsibilidade”, não pode fazer parte da ciência. Para Popper, não é a verdade — ou a inverdade — da proposição deduzida que conta para merecer a atenção da ciência (dedução), mas somente se a verdade ou a inverdade podem ou não ser determinadas pela observação (indução).
Os ateus adoram esta teoria devido à dificuldade em aplicar a teoria da “falsibilidade” em relação a Deus, concluindo daí que a religião não pode ser abrangida pela ciência.

Este conceito de definição de ciência é um colete-de-forças; é como que um par de antolhos que os neopositivistas colocaram nos cientistas. A ideia da ciência aberta a todas as possibilidades reduz-se a uma hipótese de prova da falsibilidade.
Por outro lado, segundo o postulado de Popper, se partirmos do princípio de que o estudo da linguagem divina não é matéria científica, enquanto que o estudo das cores dos cisnes já o é, como podemos classificar a seguinte frase?

“Todos os deuses falam árabe”

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