perspectivas

Quarta-feira, 20 Julho 2022

A “Ciência Pós-moderna”, de tipo “Carlos Fiolhais”

Filed under: Aquecimentismo,Carlos Fiolhais,Ciência,Cientismo — O. Braga @ 9:47 am

a ciencia do carlos fiolhais web

Quinta-feira, 7 Julho 2022

O cientista que acredita que o processo de Conhecimento não existia antes de o ser humano surgir na Terra

Filed under: Ciência,Cientismo,materialismo,Rerum Natura — O. Braga @ 7:08 pm

No blogue Rerum Natura, faz-se a apologia da ciência da seguinte forma:

«O livro de Gary Ferguson, “Oito grandes lições da Natureza”, publicado recentemente, é muito bom, pelas grandes ideias que contém e pela inspiração que encerra. É que “nós somos natureza,” como o autor refere. Parece óbvio, mas nem sempre é bem entendido. Eu diria mais: o que fazemos e o que produzimos é também Natureza


Pergunto: ¿O que é “Natureza”?

¿A Natureza (segundo o autor do artigo) inclui o Cosmos? ¿Ou apenas se limita ao conjunto ordenado de seres vivos, ou seja, a “natureza das coisas”, segundo o materialista Lucrécio? ¿Será, a “Natureza”, o princípio criador do universo, segundo o ateu e monista Espinoza (Deus Sive Natura)?

Para que haja ciência é necessário postular a insignificância do universo.

O problema que se coloca é o de que, para que haja ciência é necessário postular a insignificância do universo — porque a neutralidade axiológica (que a ciência diz defender) não é uma conclusão científica, mas antes é um postulado metodológico. Por isso, há que saber o que se entende por “Natureza”.

«A primeira “lição” é o mistério. Cita Albert Schweitzer: “à medida que adquirimos mais conhecimento, as coisas não se tornam mais compreensíveis mas sim mais misteriosas”».

Muito antes de Schweitzer, Nicolau de Cusa (1401 – 1464) resumiu esta ideia mediante o conceito de “Douta Ignorância”: se a verdade é do domínio do infinito, e o conhecimento humano é do domínio do finito, por mais que o Homem se aproxime do conhecimento da Verdade por graus sucessivos de conhecimento, todo o esforço de conhecer redundará em um relativo e proporcional “quase nada”.

«Embora a Natureza seja uma fonte sempre promissora de novos medicamentos, esses 60% não são sequer inspirados pelos seres vivos ou pela Natureza “clássica.” São criações humanas usando bases de dados de moléculas, computadores, conhecimentos sobre os alvos terapêuticos, síntese química, e muito mais coisas que a química medicinal inventou. Isso não é maravilhoso? Não aumenta o encanto? Eu acho que sim.»

O autor daquele texto acredita certamente que os números primos são invenções humanas: antes de o ser humano os inventar, “os números primos não existiam”.

A ideia segundo a qual “os conhecimentos sobre os alvos terapêuticos” já existiam antes de o ser humano os descobrir, é-lhe completamente estranha. Para ele, os princípios matemáticos e os axiomas da lógica não existiam antes de o ser humano os “criar”; e o universo também não!: “Afinal, ¿o que seria do universo se não existisse o ser humano?!”

Esta deificação prometaica do ser humano é a coisa mais estúpida que se aprende hoje nas universidades; e está ligada ao completo absurdo que é o materialismo.

Domingo, 3 Julho 2022

A Inteligência Artificial, e o Valor

Filed under: Ciência,filosofia,metafísica — O. Braga @ 8:52 pm
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O Ludwig Krippahl escreve aqui (ver PDF) acerca da identificação (ou negação da identificação) entre Inteligência Artificial, por um lado, e Consciência, por outro lado; e chegou a conclusões logicamente aceitáveis embora partindo de pressupostos imprecisos ou mesmo errados.

O Ludwig Krippahl parte para uma abordagem do conceito de “consciência” sem o definir — o que é extraordinário! Imaginem que alguém escreva um livro de mil páginas em letra miúda acerca da Consciência sem nunca definir o termo…


Eu tenho uma definição para “consciência”:

A consciência é uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como em termos existenciais.

O materialismo do Ludwig Krippahl impede-o de aceitar esta definição de “consciência”; e como ele não tem outra definição para “consciência”, ele omite, no texto, qualquer noção de “consciência”, por um lado, e prefere introduzir a noção de “algoritmo” para colmatar a lacuna da não-definição de “consciência”.

O Ludwig Krippahl define assim “algoritmo”:

“Um algoritmo é uma sequência abstracta de instruções que podem ser executadas de forma automática”.

Por um lado, o Ludwig Krippahl diz que “não há nada de sobrenatural ou imaterial acerca da consciência”; por outro lado, ele atira o conceito de “algoritmo” para a metafísicaquando ele diz que “a consciência não vem do algoritmo, que é abstracto, mas depende do suporte físico em que este for materializado [o cérebro]. Um algoritmo simples materializado num cérebro humano é executado de forma consciente”.

O Ludwig Krippahl reduz a consciência ao cérebro (epifenomenalismo); mas é obrigado, por obediência a princípios lógicos (os axiomas da lógica não são físicos), a remeter os “algoritmos” para o âmbito da metafísica (alegadamente, o algoritmo “materializa-se” no cérebro humano).


Diz o Ludwig Krippahl que “o algoritmo é abstracto”. Convém saber o que significa “abstracção”.

Um jardineiro só pode cuidar de cada uma das suas rosas, que ele cultiva, porque sabe — abstractamente — o que é uma rosa.

Ou seja, a “abstracção” é uma operação mental pela qual se distinguem as qualidades do seu suporte (neste caso, as qualidades da rosa) — seja este “real” ou “imaginário”, concreto ou já abstracto. Em última análise, a abstracção “ignora” (no sentido de “se abstrair”) a própria existência do suporte, para o considerar isoladamente — a abstracção aplica-se, de modo particular, à determinação dos termos de uma definição e dos quadros de classificação dos objectos da experiência. Neste sentido, o algoritmo é uma “ferramenta mental”, separada das modalidades a que se aplica, que possibilita e/ou facilita o conhecimento.


Por definição, o algoritmo é um termo matemático derivado da aglutinação entre o grego “arithmos” (que significa “número”), e o nome do cidadão persa (islâmico)  Al-Kazremi — e que designa, desde o fim da Idade Média, todo o sistema de cálculo efectuado segundo um processo uniforme com vista à solução de um tipo igualmente uniforme de problemas.

Não podemos confundir — como o Ludwig Krippahl parece fazer — o conceito de “complexidade de um processo de Inteligência Artificial”, por um lado, com o conceito de “consciência”, por outro lado. Aliás, o inglês Turing esclareceu bem este problema já em finais da década de 1940: não há como confundir as duas coisas.

Ademais, também não podemos confundir “processo de Inteligência Artificial”, por um lado, e “Valor” por outro lado — só a consciência produz uma valorização (subjectiva) da realidade, sendo que o Valor é a noção que traduz a passagem do desejo para o conjunto doutrinário e prático que constitui uma moral: toda a moral está fundada num conjunto de valores que são também abstracções representando o que se tem por desejável. Por exemplo, o Sagrado, enquanto sentimento, é a expressão suprema do Valor.

Segunda-feira, 13 Junho 2022

Para a Raquel Varela, “a separação entre ciências sociais e ciências exactas é fictícia”

Filed under: Ciência,Ciências Sociais,Fernando Pessoa,Raquel Varela — O. Braga @ 11:55 am

Qualquer pessoa com um cursinho em filosofia sabe que as “ciências sociais” não são “ciências exactas”. Desde (pelo menos) David Hume que sabemos isso. Fernando Pessoa colocou esta questão de uma forma superior:

«Um hábito social, isto é, uma tradição, uma vez quebrado, nunca mais se reata, porque é na continuidade que está a substância da tradição. Além de que, não sabendo ninguém o que é a sociedade, nem quais são as leis naturais por que se rege, ninguém sabe se qualquer mudança não irá infringir essas leis. Em igual receio se fundamentam as superstições, que só os tolos não têm — no receio de infringir leis que desconhecemos, e que, como não as conhecemos, não sabemos se não operarão por vias aparentemente absurdas. A tradição é uma superstição. »

Mais adiante, escreveu:

«Só pode ser universalmente aplicável o que é universalmente verdadeiro, isto é, um facto científico.

Ora, em matéria social não há factos científicos. A única coisa certa em “ciência social” é que não há ciência social. Desconhecemos por completo o que seja uma sociedade; não sabemos como as sociedades se formam, nem como se mantêm nem como declinam. Não há uma única lei social até hoje descoberta; há só teorias e especulações, que, por definição, não são ciência. E onde não há ciência não há universalidade.»

→ Fernando Pessoa, “Obras em Prosa coligidas”, 1975, Tomo III, página 22 e seguintes


A Raquel Varela considera-se intelectualmente superior não só em relação a Fernando Pessoa, mas também em relação a todos os filósofos que tenham existido, quando escreveu o seguinte:

“A separação entre ciências sociais e ciências exactas é fictícia (…)”

Ora, se duas substâncias não são separáveis, infere-se que pertencem a uma mesma categoria.


O que é profundamente lamentável é que a intelectualidade portuguesa esteja basicamente entregue a gente da laia da Raquel Varela, José Pacheco Pereira e Isabel Moreira
— gente que não distingue entre “ciências sociais”, por um lado, e “ciências naturais” e/ou “ciências exactas”, por outro lado.

Segundo a Raquel Varela, as ciências sociais e as ciências exactas (ou ciências formais) pertencem a uma mesma categoria. Aqui, a “especialista” em “ciências sociais” ambiciona, antes de mais, quantificar o óbvio; e depois diz que é uma “ciência exacta”.

Alguém que tenha compreendido uma noção específica das ciências naturais (também chamadas de “ciências experimentais ou empíricas”), percebeu tudo o que havia para perceber; mas uma pessoa que compreendeu uma noção específica as ciências sociais, percebeu o que só ela pode perceber.

Nas ciências humanas e/ou sociais, a inteligência é o único método que nos protege do erro: se entregarmos a responsabilidade das ciências sociais a uma burrinha, o resultado será catastrófico.

A História (que é uma “ciência humana”) — tal como acontece com a “sociedade”, descrita por Fernando Pessoa — contém leis, mas não se rege por leis.

A ambição de transcender as representações empíricas da consciência alheia, transforma a História em uma mera projecção do historiador. A História não tem leis científicas que permitam fazer previsões — embora tenha contextos que permitem (até certo ponto) explicar, e tendências que permitem pressentir; mas o pressentimento não é falsificável.

Se existissem leis que regessem a História, a descoberta dessas leis torná-las-iam (a si próprias) nulas.

A História não tem sentido; ou melhor: o que dá sentido à aventura humana transcende a História.

A diversidade da História é o efeito de causas sempre iguais que actuam, ao longo do tempo, sobre individualidades sempre diferentes.

O que é profundamente lamentável é que a intelectualidade portuguesa esteja basicamente entregue a gente da laia da Raquel Varela, do José Pacheco Pereira ou da Isabel Moreira — gente que não distingue entre “ciências sociais”, por um lado, e “ciências naturais” e/ou “ciências exactas”, por outro lado.

Triste sina, a nossa… estamos fodidos!


Adenda: este é o meu último escrito acerca das “ideias” da Raquel Varela.

Sábado, 21 Maio 2022

Os casos de Varíola do Macaco em Madrid, a sauna gay, e a mundividência anti-científica

Em Madrid, foram confirmados 30 casos de Varíola do Macaco, sendo que 95% dos casos tiveram origem em uma sauna gay, que entretanto foi fechada.

variola dos macacos web

Porém, a Esquerda e a "Direita Liberal" ficam escandalizados se alguém diz que “a Varíola do Macaco é uma doença propalada por gays” — e a principal razão deve-se a uma limitação cognitiva do cidadão pós-moderno, que consiste em uma extrema dificuldade em categorizar a realidade e em elaborar intelectualmente em juízo universal: a esta dificuldade cognitiva pós-moderna, chamamos de “nominalismo radical” que se traduz em uma predisposição psicológica dogmática e acientífica.

O nominalismo pós-moderno é um niilismo, que é favorável ao totalitarismo porque torna a realidade objectiva inextrincável.


A ciência necessita de categorias (necessita de categorizar a realidade), e necessita de excepções que confirmem a regra imposta pelas categorias estabelecidas. Sem excepções à regra, uma proposição não pode ser considerada “científica” (ver: falsificabilidade).

Porém, o homem pós-moderno (em geral, ou seja, em juízo universal)  é intrinsecamente acientífico (para não dizer “anti-cientifico”), porque recusa categorizar a realidade para não ter que aceitar axiomas — sejam os axiomas de ordem cultural, moral, ética, etc..

O único axioma que o homem pós-moderno aceita é o de que “não há axiomas” — assim com a única verdade aceite pelo homem pós-moderno (em juízo universal) é a de que “a verdade não existe” (relativismo axiomático) .

Esta recusa de categorizar factos da realidade concreta, transporta o homem pós-moderno (em geral, ou em juízo universal) para o tempo dos sofistas da Grécia Antiga: o novo sofismo traduz-se na recusa pós-moderna de aceitar como válido qualquer tipo de juízo universal.

Sábado, 12 Março 2022

Sempre que a Liberdade fenece, a Ciência adormece

Filed under: China,Ciência,Estados Unidos,liberdade,Rússia — O. Braga @ 2:44 pm

Em um dos livros de Ortega y Gasset (não me lembro agora qual), li a seguinte frase:

“Enquanto os chineses desenvolviam a Técnica, os gregos inventavam a Ciência”.

Esta constatação de facto histórico é extremamente importante.


liberdade webNa Antiguidade Tardia, os chineses viviam “agrilhoados” (simbolicamente) pelo despotismo do seu Imperador — o que não os impediu de desenvolver a Técnica; mas, para inventar a Ciência e para a desenvolver, é necessário que exista liberdade (e a democracia grega) em circulação na sociedade.

A tradição despótica chinesa não se alterou, desde o tempo em que o Confucionismo se tornou a ideologia dos seus imperadores. Uma das razões por que o maoísmo foi tão bem aceite na China está intimamente ligada a milénios de cultura confucionista.

Ora, a Ciência necessita de criatividade e empreendimento individual para se desenvolver, e estes dependem, em muito, da liberdade política.

A recente tendência de decadência do Ocidente está relacionada com uma certa deriva para-totalitária, promovida por uma aliança contra-natura entre uma certa Esquerda Neanderthal (marxismo cultural, que o estafermo José Pacheco Pereira diz que não existe) e a plutocracia globalista.

O Poder político actual, a ocidente, é exercido por uma elite que tenta restringir claramente a liberdade política nos países ocidentais, nomeadamente através do politicamente correcto e do controlo globalista dos me®dia.

Sempre que a Liberdade fenece, a Ciência adormece.

Os Estados Unidos (e o mundo anglo-saxónico, em geral) foram o farol da Ciência no mundo — e, concomitantemente, o farol da liberdade — até há escassos 20 anos; basta vermos a lista dos prémios Nobel desde 1901.

Os russos (da União Soviética) e os chineses, com tradições milenares de tirania política, sempre foram uma espécie de “parasitas” que se aproveitavam da criatividade provida pela liberdade anglo-saxónica que naturalmente desenvolvia a Ciência, para depois aplicarem os resultados (da liberdade dos outros) no desenvolvimento das suas Técnicas nacionais.

A liberdade tradicional anglo-saxónica (que nos chegou, nomeadamente, de John Locke) foi minada por dentro nos países anglo-saxónicos (notoriamente desde o advento do pós-modernismo, mas principalmente com a eleição de Bill Clinton), por intermédio do marxismo cultural (que o burro José Pacheco Pereira diz que não existe) ou Esquerda Neanderthal, aliada à ganância descontrolada do Grupo dos Trezentos.

Esta decadência — a decadência da liberdade, e por isso, da Ciência — dos Estados Unidos tornou-se ainda mais notória e evidente com a ascensão de Barack Hussein Obama à presidência deste país.

Com a eleição de Donald Trump, parecia que os faróis da Liberdade e da Ciência voltavam a brilhar; mas foi sol de pouca dura: a aliança entre a Esquerda Neanderthal e o Grupo dos Trezentos  voltou a funcionar, pervertendo a democracia, minando profundamente o sistema político americano e a tradição anglo-saxónica de respeito pela liberdade, e cooptando ao Poder o histrião Joe Biden.

Quarta-feira, 9 Fevereiro 2022

O FaceBook fez um “fact-check” ao British Medical Journal

Filed under: Ciência,Facebook,vacinas — O. Braga @ 10:29 am
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O FaceBook censurou um artigo do British Medical Journal acerca do COVID-19.

Diz o FaceBook que se tratou de um “fact-check”, em defesa da verdade e contra as “fake-news”.

Para o FaceBook, o British Medical Journal não é credível; o FaceBook prefere acreditar no João Bidé.

Não tarda nada, iremos ver o Polígrafo afirmar que a Ordem Dos Médicos de Portugal não tem autoridade para falar de medicina — e tudo isto invocando o Grande Babush Monhé.

vamos seguir a ciencia web

Segunda-feira, 1 Novembro 2021

A ciência parece não ter mudado muito, em 100 anos

Filed under: Ciência,Cientismo,vacinas — O. Braga @ 6:10 pm
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Na pandemia da gripe espanhola de 1918, o governo da Nova Zelândia instalou espaços públicos para inalação de sulfato de zinco. Por exemplo, para se viajar de comboio, as pessoas tinham que apresentar um passaporte comprovando que tinham inalado sulfato de zinco.

A inalação do sulfato de zinco causava danos permanentes nos pulmões e na garganta, tornando as pessoas mais vulneráveis à infecção.

A ciência não mudou muito desde aquela época; pelo menos, na Nova Zelândia.

sulfato de zinco nz web

Sexta-feira, 10 Setembro 2021

“Devemos confiar SEMPRE na ciência”

Filed under: A vida custa,Ciência,Rerum Natura — O. Braga @ 3:41 pm

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Terça-feira, 27 Julho 2021

A religião da ciência, as alterações climáticas e o COVID-19

Filed under: Carlos Fiolhais,Ciência,Cientismo — O. Braga @ 6:51 pm

Hoje, há (basicamente) dois tipos de pessoas: as que fazem da ciência uma religião, e as que já não acreditam na ciência.

As primeiras, dogmatizam a ciência; não são apenas pessoas ditas “do povo”, mas também ditos “intelectuais” como (por exemplo) os escribas do blogue Rerum Natura.

dragons dogmaPara os religiosos da ciência, basta que alguém publique “um estudo científico que prova qualquer coisa”, para que essa “qualquer coisa” fique definitivamente “provada” desde que não cause uma dissonância cognitiva em função das crenças ideológicas dessa criatura — o que significa que, se “a prova científica de qualquer coisa” for contra as crenças ideológicas do religioso da ciência, essa “prova de qualquer coisa” ou é ignorada ou mesmo hostilizada pela criatura.

Os religiosos da ciência (por exemplo, Carlos Fiolhais ) desligaram as instituições científicas, por um lado, da filosofia e método científicos, por outro lado; das “alterações climáticas” ao “COVID-19”, esse desligamento entre método científico e instituições científicas é, por demais, evidente.

Quando, por exemplo, a Catarina Martins fez recentemente um discurso de cinco minutos (no parlamento) e fala apenas e só de “alterações climáticas”, alegadamente “baseada na ciência”, temos um exemplo concreto de como a ciência é manipulada pela política, por um lado, e por outro lado de como se verifica o desligamento entre as instituições e o método científicos.

A irracionalidade voltou a estar na moda.

A ciência (ou aquilo que se convencionou actualmente ser “a ciência”) é uma poderosa fonte de Poder político — como podemos ver no discurso da Catarina Martins. Porém, o conformismo científico actual (manipulação política da ciência) é a principal inimiga da ciência propriamente dita.

O silêncio do Carlos Fiolhais (entre outros) perante a escabrosa manipulação da ciência por parte da Esquerda, é um escândalo.

Existe actualmente uma tensão entre ditos “cientistas” (da estirpe do Carlos Fiolhais) que pretendem apresentar uma voz unitária e autoritária da ciência, por um lado, e por outro lado, os que defendem a ciência enquanto filosofia que se mantém aberta a alterações de paradigma.

Face aos “religiosos da ciência”, surgem os “cépticos da ciência”.

Por exemplo, se a ciência politizada faz uma previsão incorrecta acerca do COVID-19 que custa ao povo muito dinheiro e restrição da liberdade, esta “ciência” não terá uma segunda oportunidade de dar ordens (de comportamentos) ao povo.

Sábado, 12 Junho 2021

A teoria do Aquecimento Global Antropogénico e o princípio da falsificabilidade de Karl Popper

O Henrique Sousa explana aqui (e muito bem!) as razões por que a teoria do Aquecimento Global Antropogénico é uma teoria  metafísica (é uma teoria que não pode fazer parte das Ciências da Natureza), na medida em que não é falsificável.


Para que se compreenda o que se quer dizer, vejamos a seguinte proposição:

“Todos os deuses falam grego”.

¿Será que esta proposição pode ser considerada como sendo passível de investigação científica? ¿Como é que eu posso ter a certeza de que “todos os deuses falam grego”?!

Esta proposição poderia fazer parte da ciência (da investigação científica) se alguém pudesse demonstrar que existe (pelo menos) um deus que falasse latim (por exemplo) — o que faria com que a referida proposição pudesse ser falsificada, porque a ciência parte do princípio segundo o qual toda a regra ou categoria tem (implicitamente) excepções (indução).

E são as excepções (demonstráveis) à regra geral que definem a falsificabilidade de uma teoria, e por isso, são as excepções que estipulam que uma teoria pode fazer parte de uma investigação científica.

Portanto, a proposição “todos os deuses falam grego” é uma proposição metafísica; não pode fazer parte das Ciências da Natureza enquanto não for encontrada uma excepção à regra proposicional que seja demonstrável.


Vejamos outra proposição:

“Todos os cisnes são brancos”.

A partir do momento em que alguém demonstre que existe (pelo menos) um cisne preto, esta proposição é falsificada, e por isso ela pode passar a fazer parte de uma investigação científica. A partir do momento em que a proposição “todos os cisnes são brancos” é falsificada, deixa de ser uma proposição metafísica e passa a ser uma proposição científica.

(more…)

Quarta-feira, 9 Junho 2021

Não confundir “epistemologia” com “epidemiologia”

Filed under: Ciência,Ciências Sociais,Cientismo,Raquel Varela — O. Braga @ 11:35 am

Ao contrário da literatura, que apenas interessa à pessoa particularizada (interessa ao indivíduo, enquanto tal, que lê a obra literária), a ciência interessa a todos, em geral (e não só ao indivíduo isolado). Ou seja: por definição, a ciência (refiro-me concretamente às Ciências da Natureza) tem, por finalidade, o interesse do colectivo humano.

Em todas as Ciências da Natureza, a epistemologia [epistemologia = estudo filosófico da evolução histórica de uma ciência em particular] é essencial para o seu desenvolvimento; e nesse sentido, podemos dizer que a filosofia (por exemplo, a filosofia da ciência) e a História são factores epistemológicos essenciais para as Ciências da Natureza. Mas isto não significa que a filosofia e a História façam parte das Ciências da Natureza!

Já não é a primeira vez que a Raquel Varela confunde “ciências humanas e sociais” com “Ciências da Natureza”, e com “ciências exactas” — por exemplo, quando ela escreveu que “a diferença entre ciências sociais” (por exemplo, a História), por um lado, “e ciências exactas” (por exemplo, a matemática), “é fictícia”.

As “ciências humanas e/ou sociais”, não são apenas ciências inexactas; são essencialmente ciências do inexacto.

Nas Ciências da Natureza, onde impera o princípio da falsificabilidade, apenas se arquivam os erros do passado; nas ciências sociais, onde impera a moda, os acertos também são arquivados à medida em que a moda “passa de moda”.

As ciências sociais (ou humanas) cristalizam-se em um sistema simplicíssimo, e não fluem através da História (ao contrário do que acontece com as Ciências da Natureza).

Nas Ciências da Natureza, uma pessoa que compreendeu uma determinada noção, compreendeu tudo o que é possível compreender acerca dessa noção; nas ciências ditas “humanas e sociais”, uma pessoa que compreendeu uma determinada noção, apenas compreendeu o que ela pôde (pessoalmente) compreender — nas ciências sociais e humanas, a inteligência (do indivíduo) é o único método que nos protege do erro; mas o problema é que muitos “cientistas sociais” são burros que nem portas!


karl popperNo sítio americano da C.D.C, “epidemiologia” é definida assim:

“By definition, epidemiology is the study (scientific, systematic, and data-driven) of the distribution (frequency, pattern) and determinants (causes, risk factors) of health-related states and events (not just diseases) in specified populations (neighborhood, school, city, state, country, global). It is also the application of this study to the control of health problems”.

A Raquel Varela escreveu o seguinte:

“Penso que 1 ano e meio depois ainda muitos não sabem que a epidemiologia não é uma ciência médica, muito menos matemática, certamente nunca uma ciência computacional. Tanto que a Associação Portuguesa de Epidemiologia tem no seu primeiro objectivo é, cito, “Estimular a abordagem multi-sectorial e interdisciplinar dos assuntos de âmbito epidemiológico”, ou seja, vários dos seus membros são das ciências sociais.”


Quando o conceito de “epidemiologia” se afasta das Ciências da Natureza (como defende a Raquel Varela), entra pela ideologia política adentro.

Epidemiologia é uma ciência da natureza que, como todas as ciências da natureza, conta com o apoio epistemológico da filosofia e da História. A ciência natural baseia-se sempre no passado (na experimentação, que pertence obviamente ao passado, e não apenas na experiência), e, por isso, a História e a filosofia são essenciais para o seu desenvolvimento.

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