perspectivas

Domingo, 25 Junho 2017

O Júlio Machado Vaz e as “humanidades”

Filed under: Ciência,Ciências Sociais,Humanidades,Júlio Machado Vaz — O. Braga @ 10:47 am

 

julio machado vaz webVinha, há pouco tempo, no carro e ouvi na rádio o Júlio Machado Vaz confundir “ciências sociais”, por um lado, e “humanidades”, por outro lado. Para o Júlio Machado Vaz, “humanidades” é sinónimo de “ciências sociais” — quando ele se referiu à sociologia como sendo um ramo das “humanidades”.

Ciências Sociais é um ramo das ciências, distinto das humanidades, que estuda os aspectos sociais do mundo humano, ou seja, a vida social de indivíduos e grupos humanos. Isso inclui antropologia, estudos da comunicação, marketing, administração, arqueologia, geografia humana, história, ciência política, ciência da religião, contabilidade, estatística, economia, direito, psicologia social, filosofia social, sociologia, e serviço social”.

Wikipédia

A sociologia faz parte das ciências sociais. Aconselho o Júlio Machado Vaz a ler a Wikipédia antes de ir dar lições para a Antena 1 da rádio pública.

Das “humanidades” ou “ciências humanas” fazem parte, por exemplo, a filologia ou o estudo de línguas vivas ou mortas (por exemplo, o latim ou o grego antigo), a filosofia, teoria da arte, cinema, administração, dança, teoria musical, design, literatura, etc..

Sexta-feira, 23 Junho 2017

A lógica é imanente, e Causa Primeira é transcendente

Filed under: Ciência,Domingos Faria,filosofia,lógica,metafísica — O. Braga @ 7:58 pm

 

O Domingos Faria invoca um burro com um alvará de inteligente que escreveu um livro, para citar um argumento que coloca em causa o princípio da razão suficiente de Leibniz (e não de Espinoza, como escreveu o Domingos Faria) que reza assim:

“Nenhum facto pode ser verdadeiro ou real, ou nenhum juízo pode ser correcto, sem uma razão suficiente.”


Há vários erros no raciocínio do burro letrado, mas talvez o principal seja o exarado no ponto 5:

“Se S é necessária, então P é necessária. [de PRS e necessidade da implicação]”

Acontece que se uma Causa Primeira é necessária, não se segue que um determinado efeito (dessa causa) seja necessário— desde logo porque a Causa não se confunde (como seria lógico) com um qualquer seu efeito.

A proposição supra só teria alguma legitimidade “lógica” se a Causa Primeira fosse imanente, ou seja, se ela pertencesse à mesma Realidade dos seus possíveis efeitos (possibilidade ou probabilidade) segundo o princípio da causalidade — mas então teríamos que explicar, por exemplo, por que razão as partículas elementares (que são efeitos de uma Causa, ou seja, existem por uma qualquer razão suficiente) aparecem e desaparecem do universo como que por magia, vindas do Nada e para o Nada.

¿De onde vêm, e para onde vão, essas partículas elementares que aparecem e desaparecem continuamente no universo?

Para qualquer pessoa “inteligente” é difícil aceitar que no centro da Física, que pretende ser a ciência dos fundamentos de todo o universo, as leis da nossa razão deveriam ser anuladas.

E isto porque, ao contrário do que defendeu Einstein, “Deus lança mesmo os dados” — no sentido em que os efeitos enquanto factos têm uma probabilidade objectiva (e não uma probabilidade subjectiva humana, devida à falta de conhecimento científico): a “casualidade” (os acontecimentos “por acaso”) e a “a-causalidade” (aquilo que parece não ter causa) não são expressão dos nossos conhecimentos limitados, mas sim são constitutivas da própria Realidade.

É neste sentido que se fala em probabilidade objectiva, por contraposição a uma probabilidade meramente subjectiva, baseada apenas numa falta de conhecimento das razões causais.

Ou seja, o princípio da causalidade (que é exclusivamente imanente) foi refutado pela própria ciência atómica.

Mas essa refutação não significa que, 1/ não exista uma Causa primeira que determina a existência de uma probabilidade objectiva que pode ser contingente na sua condição de causa segunda, e por isso, 2/ não significa que essa probabilidade objectiva, enquanto efeito, seja necessária. Aqui, David Hume tem razão.

Ademais, o raciocínio do lógico em causa é uma tautologia— a inferência pretende ser sempre verdadeira quaisquer que sejam os valores de verdade atribuídos a priori às proposições.

A lógica não se pode fechar em si mesma e fazer de conta que a ciência não existe. Quando isso acontece, aparecem lógicos burros que escrevem livros. Hoje, vivemos em um mundo em que é legítimo dar a uma pessoa estúpida uma resposta estúpida em relação a uma pergunta estúpida — porque o pensamento e as crenças não coincidem.

Domingo, 30 Abril 2017

As vacinas, e a indução na ciência

Filed under: Ciência,Cientismo,David Hume,indução,Karl Popper,utilitarismo,vacinas — O. Braga @ 11:41 am

 

Quando eu era menino, tive o sarampo, e o povo dizia: “Sarampo sarampelo, sete vezes no pêlo!”. Também apanhei a varicela, mas era só uma vez; e a papeira, que é aquela maleita que incha o pescoço. E como eu, a maioria das crianças teve sarampo, varicela e papeira; e, que eu saiba, ninguém da minha infância morreu por isso.

Quando eu era bebé, as vacinas eram: a BCG (tuberculose), a poliomielite, e a varíola. Ponto final. E a vacina não era tríplice: eram tomadas uma de cada vez, em separado e em tempos diferentes. Naquela época não havia vacina contra o “sarampo sarampelo, sete vezes no pêlo”.

Noutro dia fui ao Centro de Saúde aqui da zona, e o enfermeiro queria dar-me uma vacina contra o tétano; mandei-o dar uma volta ao bilhar grande.

Pode dar-nos a ideia de que determinadas pessoas, colocadas em altas posições sociais, estão convencidas de que as vacinas substituem o sistema imunitário, ou que impedem definitivamente o desenvolvimento de doenças — como é o caso da vacina contra o HPV (Human Papiloma virus) nas adolescentes, vacina essa que não impede a manifestação dessa doença. Mas segundo um vídeo que me enviaram, essa ideia pode estar errada: o que se passa é que há interesses financeiros por detrás da obrigatoriedade da toma de determinadas vacinas.

 


francisco-george-webMas vamos partir do princípio de que o senhor Francisco George, Director Geral de Saúde, é uma pessoa impoluta e que não cede aos interesses das multinacionais do medicamento. É apenas uma pessoa bem intencionada que acredita piamente na ciência.

Em ciência (ou em epistemologia), a indução é uma inferência  conjectural ou não-demonstrativa; ou seja, é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos particulares.

Ao contrário do que acontece na dedução — na indução, as conclusões de um raciocínio não são logicamente necessárias. Na sequência de David Hume, filósofos como por exemplo Karl Popper insistiram no “círculo vicioso” da indução evocando, por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais, que é em si mesmo um princípio geral que, portanto, não pode ter sido estabelecido indutivamente. Karl Popper tira daqui o argumento para recusar à ciência fundar-se na indução.

David Hume rejeitou o princípio da indução, que, aplicado à questão causal, diz que

  • se A foi frequentemente acompanhado ou seguido de B, e se não se conhece nenhum caso em que A não seja acompanhado ou seguido de B, então é provável que na próxima ocasião em que A seja observado, seja acompanhado ou seguido por B.

Se o princípio é adequado, um número suficiente de exemplos dá uma probabilidade vizinha da certeza, e as inferências causais rejeitadas por Hume são válidas, não decerto para nos dar certeza, mas probabilidade praticamente suficiente.

Mas, se não é verdadeiro, todo o esforço de obter leis científicas a partir de observações particulares é falaz, e o cepticismo de Hume é irrefutável para um empirista. O princípio não pode inferir-se sem circularidade (como Karl Popper também afirmou) de umas uniformidades observadas, desde que por ele se justificam essas inferências. Deve, portanto, ser — ou ser deduzido de um princípio independente e não baseado na experiência. Nesta extensão, Hume provou que o empirismo puro não é base suficiente da ciência.

Para contrariar Hume, podemos nós dizer que a indução é princípio lógico independente, impossível de inferir da experiência ou de outros princípios lógicos, e que, sem esse princípio, a ciência é impossível.

O que eu pretendo dizer — com este relambório acerca da indução e da ciência — ao senhor Francisco George é o seguinte: as vacinas podem resultar bem, provavelmente em 99% dos casos, porque o critério da utilização da vacina segue o princípio da indução. Mas, provavelmente, existe 1% dos casos (por exemplo, mas podem ser mais) em que determinada vacina pode causar mais danos do que benefícios.

O problema do senhor Francisco George é o utilitarismo que predomina na nossa sociedade: “a maior felicidade para o maior número possível de pessoas”; e a quem não pertence ao “maior número”, diz o senhor Francisco George: “fodei-vos!”.

Sábado, 1 Abril 2017

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, a estupidez de Rui Rio, a ciência, o aborto e a eutanásia

 

A eutanásia — assim como o aborto — é uma questão de ética, e não propriamente de ciência.

Naturalmente que a ciência pode dar opinião, mas não adianta de nada, como podemos ver na questão do aborto: hoje a ciência diz que o ADN único e irrepetível do ser humano tem o seu início no momento da concepção, mas nem por isso a opinião da ciência é ouvida pela classe política.

Eu diria mesmo que chegamos a um ponto da nossa sociedade em que a opinião da ciência se tornou irrelevante, na medida em que a ciência é amiúde adulterada no sentido de justificar determinadas religiões políticas.

eutanasia-cadeiras


Na medida em que 1) o cientista deve procurar a objectividade; 2) em que a objectividade requer um despojamento de valores; 3) e em que o cientista é um sujeito [um ser humano] e a comunidade científica é composta por seres humanos [sujeitos] — a ciência [e sobretudo as ciências sociais] só muito raramente consegue libertar-se das valorações [éticas] da sua própria camada social, de modo a poder estabelecer uma independência valorativa e objectiva.

Em consequência, surgiu no século XX um fenómeno massivo de “liquidação do sujeito”, imposto por uma elite cientificista, e que se traduziu na emergência das religiões políticas totalitárias [por exemplo, o eugenismo característico dos “progressistas”, evolucionistas e socialistas; o nazismo e o comunismo]. Este processo cientificista de “liquidação do sujeito” levou a uma dissociação mental extrema entre a comunidade científica, e a uma inversão da moral.

O marxismo é um exemplo dessa dissociação mental extrema e da inversão da moral: por um lado, o marxismo liquida a ética e a moral [e também toda a filosofia], classificando-a de “subjectiva” e idealista, ao mesmo tempo que denuncia os tabus tradicionais e históricos (por exemplo, os tabus da cultura antropológica europeia do aborto e da eutanásia); e por outro lado, entrega-se a um excesso ético, que denuncia toda a oposição e crítica ao marxismo como um embuste, e estabelecendo simultaneamente novos tabus (Aquecimento Global, animalismo, etc.) contrapostos aos tabus tradicionais.

O marxismo — que se diz, dele próprio, científico — faz a crítica da nossa moral tradicional, mas de uma forma extremamente moralizante, e moralmente invertida e contra-natura. [ver mente revolucionária]

A ideia segundo a qual “o aborto e a eutanásia não são defendidas exclusivamente pela Esquerda, mas que, em vez disso, atravessam toda a sociedade”, é um embuste — a não ser que se reduza a Esquerda e a Direita à economia. O que se passa é que algumas pessoas que se dizem de Direita — como por exemplo, o economista Rui Rio — reduzem a realidade inteira à economia, e depois consideram-se mais inteligentes do que um qualquer analfabeto carrejão do Douro.

É evidente que o Rui Rio é um idiota útil.


eutanasia-velhariasEscreve o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada que “os médicos portugueses são, na sua grande maioria, contra a eutanásia”; mas são contra a eutanásia enquanto seres humanos dotados de sensibilidade, inteligência e intuição (que é uma forma de inteligência), e não enquanto médicos. Por exemplo, o João Semedo, do Bloco de Esquerda, é médico e é a favor da eutanásia. O problema é ético, e não científico.

A ética e a moral não podem ser definidas ou determinadas pela ciência.

A ideia de responsabilidade moral reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica.

A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas” — estas aqui entendidas no sentido naturalista [naturalismo ≡ cientificismo metodológico].

A Esquerda marxista (Partido Comunista, Bloco de Esquerda, José Pacheco Pereira e Partido Socialista) pretende destruir a sociedade em que vivemos, para por cima dos seus escombros construir uma sociedade totalitária (no caso de José Pacheco Pereira, uma espécie de República de Platão em que impere o rei-filósofo, ou seja, ele próprio) .

Portanto, a posição da Esquerda é perfeitamente compreensível. O que é mais difícil de compreender são os individualistas ditos “de Direita” — como Rui Rio: colocam o seu individualismo e libertarianismo ao serviço de uma agenda política colectivista e totalitária.

Terça-feira, 17 Maio 2016

O David Marçal, a mecânica de Newton e a astrologia (parte II)

Filed under: Ciência — O. Braga @ 8:50 am
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(em continuação do verbete anterior)

Pessoas como o David Marçal ganharam notoriedade pública devido ao politicamente correcto, e por isso têm acesso livre aos me®dia. O politicamente correcto é o “bom gosto” actual; e aquilo a que (sempre) se considerou de “bom gosto”, ao longo da História moderna da Europa, fez mais vítimas inocentes, só nos últimos 200 anos, do que a Igreja Católica desde a Antiguidade Tardia (incluindo as cruzadas, a Inquisição, as guerras religiosas na Europa, a colonização, etc.).

No verbete anterior abordamos o anacronismo da lei gravitacional de Newton na medida em que serve de fundamento à principal crítica dita “científica” do David Marçal em relação à astrologia. Hoje temos a Teoria da Relatividade e a física quântica (embora não compatíveis entre si), que fazem com que a mecânica de Newton se remeta à utilidade do ensino secundário. O David Marçal parece ter parado no tempo; não há Zodíaco que o valha.


É conhecida a teoria das marés de Galileu, que se demonstrou errada porque ele baseou a sua teoria apenas no movimento de rotação da Terra, e propositadamente não tomou em consideração a influência da Lua no movimento das marés. Galileu não colocou a hipótese da influência lunar no movimento das marés porque tinha um preconceito negativo — normal entre os naturalistas daquela época — em relação à astrologia.

Recorde-se o principal argumento do David Marçal contra a astrologia:

“De todas as implausibilidades, a menos implausível é a gravidade. Mas a força gravítica é proporcional à massa dos corpos (o Sol é gigante e determina o movimento dos planetas no sistema solar) mas diminui com o quadrado da distância. Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra). Como afirmou o astrónomo e divulgador de ciência Carl Sagan: «Marte tem muito mais massa, mas o obstetra está muito mais próximo.» E mesmo que houvesse uma qualquer influência da posição dos astros durante o nascimento, ficaria por demonstrar que isso seria determinante para o resto da vida”.

Tal como Galileu, o David Marçal faz de conta que a Lua não existe.

“Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra)”.

Só a Terra existe — tal como raciocinou Galileu na sua teoria das marés; para o David Marçal, a Lua não existe. E ele chama à sua tese de “científica”; ele fala em nome da ciência, e até invoca o argumento de autoridade de Carl Sagan. Basta só o facto de o David Marçal se ter esquecido da Lua, para que o seu principal argumento contra a astrologia ir pela pia abaixo.

Quando, em um manicómio, existirem perturbações comportamentais entre os doentes mentais durante a Lua Cheia, o David Marçal irá chamar uma catrafada de obstetras para acudir à crise.


O segundo argumento do David Marçal contra a astrologia é o seguinte:

“Por causa do movimento de precessão do eixo da Terra, as zonas do céu em que vemos as constelações ao longo do ano não são as mesmas de quando a astrologia foi inventada.”

Em primeiro lugar, parece que o David Marçal acredita que qualquer tipo de experiência indutiva (ciência de qualquer espécie) é uma invenção humana — o que é típico do positivismo. A experiência humana face aos factos e aos fenómenos é considerada uma “invenção humana”. Os números primos, por exemplo, também são considerados como uma “invenção humana”, por um lado; e por outro lado, “a lógica evolui”.

Perante o arquétipo mental do David Marçal, só nos resta sorrir…

Em segundo lugar, a tese do “movimento de precessão do eixo da Terra” confunde “signos do Zodíaco”, por um lado, com “constelações do Zodíaco”, por outro lado. Ou seja, o David Marçal confunde a “estrada da Beira” com a “beira da estrada”.

A astrologia ocidental — dita “Tropical” — é baseada na posição dos planetas calculada em função do “trânsito” do Sol conforme visto da Terra, em vez dos padrões aparentes das estrelas mais distantes — como invoca o David Marçal.

Ptolomeu instituiu um sistema em função da chamada “Precessão dos Equinócios” (detectado pelo grego Hiparco), fazendo com que o Zodíaco se iniciasse em Carneiro com a posição do Sol no equinócio da Primavera. Ou seja, o Zodíaco (tropical) é estático e não é afectado pelas mudanças do eixo da Terra. No entanto, Ptolomeu manteve os nomes antigos dos signos no seu sistema actualizado, nomes esses que eram os mesmos das constelações artificiais antigas desde o tempo da Babilónia e da Mesopotâmia — e foi isso que causou a confusão do David Marçal.

Ou seja, o Zodíaco (Tropical) mantém-se inalterado desde há cerca de 2.200 anos.

Mesmo os astrónomos modernos utilizam ainda o sistema do Zodíaco de Ptolomeu naquilo a que chamam de Sistema de Coordenadas Eclípticas, que corresponde exactamente aos signos do Zodíaco Tropical.

Com Ptolomeu, a astrologia ocidental (Tropical) passou a reger-se pelo Tempo, e não pelo espaço exterior ao sistema solar.

Domingo, 15 Maio 2016

Um eucariote sem mitocôndria !?

Filed under: Ciência — O. Braga @ 7:23 pm
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Foi descoberto um organismo celular sem mitocôndria!

Até agora, os biólogos acreditavam que a mitocôndria era essencial para o fornecimento de energia da célula através da síntese de moléculas ATP. Mas, recentemente, descobriu-se que um organismo celular de tipo eucariote (com núcleo separado por uma membrana) não possui mitocôndria — os nutrientes exteriores são transformados em energia directamente no citosol da célula, num dispositivo biológico baseado em enxofre.

“Rather than evolving without mitochondria, biologists believe the cells lost these power organs at some point in their evolutionary past.

Instead, it is thought the cells swapped traded DNA with bacteria – in a process known as gene transfer – in order to inherit a sulphur transfer process which produces energy”.

Os cientistas acreditam que esse organismo não “evoluiu” sem mitocôndria! Claro que acreditam, porque não podem provar isso ou o contrário.

Quarta-feira, 30 Março 2016

Os unicórnios existem

Filed under: Ciência — O. Braga @ 3:59 pm
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Em muitas discussões metafísicas, era normal que os ateístas invocassem o argumento do “mito de Deus”, afirmando que “os unicórnios não existem”; e eu respondia que é impossível à ciência afirmar que os unicórnios não existem — porque a ciência não pode provar que uma determinada coisa não existe.

Pois bem: os unicórnios existem. Ou já existiram. Mais um argumento ateísta e cientificista que vai pela pia abaixo.

 

unicornio

Sexta-feira, 25 Dezembro 2015

O biólogo Denis Noble mete Richard Dawkins no lixo

Filed under: Ciência — O. Braga @ 8:35 am
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Terça-feira, 1 Dezembro 2015

Quando a ciência é vista como a negação da razão

Filed under: A vida custa,Ciência — O. Braga @ 10:15 am
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“Uma das primeiras grandes verdades que eu aprendi nos EUA foi que não é possível argumentar com o sucesso.

Quando analisamos um caso clínico, por exemplo, que teve um desfecho positivo, apesar dos erros crassos que foram cometidos durante o tratamento, é inútil apontar esses erros porque, em última análise, alguém vai sempre invocar o sucesso do resultado para demonstrar que não houve qualquer erro”.

Não é possível argumentar com o sucesso

Temos aqui um juízo que ignora o conceito de juízo universal — o que é característica do politicamente correcto. Dou um exemplo.

Um tio meu fumava dois maços de cigarros por dia e morreu aos noventa e tal anos. Consideramos que a longevidade dele foi um “desfecho positivo”, apesar de ser um fumador inveterado. Portanto, é inútil apontar comportamentos menos correctos (EM GERAL) às pessoas porque, em última análise, alguém vai sempre invocar a longevidade de uma pessoa para demonstrar que não houve qualquer erro de comportamento.

Esta confusão do politicamente correcto da negação do juízo universal em questões de facto começou com Montaigne e atingiu o seu refinamento com o cepticismo de David Hume.

Segundo Hume, negar uma afirmação de origem empírica não é uma auto-contradição, alegadamente porque o estádio dos assuntos descritos poderia ter sido outro.

Por outras palavras: “se a minha avó tivesse rodas era um avião; portanto, a minha avó só não é um avião porque não tem rodas. E se ela tivesse fogo no cu era um foguetão”.

Mas a verdade é que a ciência (empírica) é feita com estatísticas (ver indução). E as estatísticas implicam necessariamente um juízo universal em que há regras, e admite-se por princípio que possam haver excepções às regras.

Quando se invoca o sucesso de um resultado para obliterar ou escamotear os erros do método seguido — então segue-se que ou o método normalmente seguido está errado e necessita de ser reanalisado, ou estamos perante um resultado que é uma excepção indutiva à regra do método.

Afirmar que, em ciência, não é possível argumentar com sucesso, é um absurdo. Completo absurdo.

Sexta-feira, 9 Outubro 2015

David Marçal tem razão

Filed under: Ciência — O. Braga @ 7:17 am
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Segundo o director-geral da Saúde, Francisco George, “muito mais de 20% dos cidadãos procuram terapias não-convencionais”; 1 e por isso,

« A Lei de 2003 “pretendeu acabar com a má prática da medicina não-convencional”, bem como “disciplinar o sector”, afirmou. Do mesmo modo, a regulamentação dessas terapias, em 2014, surgiu com o objectivo de “reduzir os efeitos negativos das más práticas, em nome dos interesses da saúde”.»

Pseudo-ciência usa linguagem científica para confundir as pessoas

Ou seja: segundo o raciocínio de Francisco George, se 20% da população acreditasse em bruxas, os hospitais públicos deveriam ter de plantão uma bruxa a tempo inteiro. O argumento é ridículo: havendo 20% da população que acredite em bruxas, há que regulamentar por lei o “estatuto curativo” da bruxaria.

O problema da democracia é este: se é o povo que mais ordena, então é o povo que define — por exemplo — o que é ciência. Um dia destes ainda vamos ver o professor Karamba a dar aulas na faculdade de medicina de Lisboa.

Prof Karamba

Nota
1. Argumentum ad Numerum

Terça-feira, 8 Setembro 2015

A ciência descreve, mas não explica

Filed under: Ciência — O. Braga @ 4:21 pm
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O Ludwig Krippahl escreve um texto longo sobre três textos longos meus. Como cantou José Afonso, “já nos cansa esta lonjura…por aqueles olivais perdidos, foi-se embora o vento norte”. Portanto, vou-me concentrar apenas na primeira parte do texto do Ludwig Krippahl, no qual ele afirma que “explicar” é o mesmo que “descrever”:

“No primeiro post, Braga afirma que «a ciência não explica: em vez disso, descreve» (1). É uma afirmação curiosa porque uma explicação também descreve e o que a ciência faz é precisamente procurar as melhores explicações que, por o serem, são também a melhor forma de descrever a realidade”.

Ludwig Krippahl

Quando consultamos um dicionário, vemos que “explicar”, no sentido lato, significa esclarecer, tornar compreensível, tornar inteligível — por exemplo, explicar um texto, ou explicar um símbolo, ou explicar um enigma. Ou seja, no dicionário encontramos definições nominais que assentam em uma convenção prévia.

Por exemplo, se a sociedade convencionar que o casamento inclui a ligação afectiva e sexual entre os seres humanos e os canídeos, a definição nominal de “casamento” — a que consta dos dicionários — passa a incluir essa ligação. Teríamos, então, que o casamento incluiria (segundo os dicionários) a ligação afectiva e sexual entre um homem e uma cadela.

Porém, e para além das definições nominais (a tais que constam dos dicionários), existem as definições reais que são as que resultam das características invariavelmente observadas a partir dos dados da experiência. Os dados da experiência indicam que a ligação afectiva e sexual entre um homem e uma cadela é uma parafilia a que se convencionou chamar de “zoofilia” — e não propriamente “casamento”. Portanto, por muito que a política pretenda alterar a noção de “casamento” incluindo nela a zoofilia, por exemplo, a definição real de “casamento” não se deixa alterar pelo desejo ou capricho humanos.


Na definição nominal, “explicar” é clarificar, tornar inteligível o que surge, à primeira vista, obscuro e enigmático. Quando se refere a um produto cultural, a explicação actualiza a estrutura subjacente, esclarece o que está implícito e os pressupostos daquilo que investiga — por exemplo, um texto, uma obra, um mito, etc. — visando encontrar o seu significado: o objectivo da explicação é, neste caso, a compreensão do objecto estudado.

O mesmo não se passa no domínio dos fenómenos naturais.

No domínio dos fenómenos naturais, a explicação dissocia-se da compreensão. Em boa verdade (que não é a do Ludwig Krippahl), o cientista não investiga o significado de um fenómeno (o fenómeno da atracção, por exemplo) quando tenta “explicá-lo”. Em vez disso, enuncia uma lei — ou seja, uma correlação constante entre um certo número de parâmetros — que deverá permitir que dele se aperceba.

O cientista não procura razões; antes, procura causas: apenas trata de estabelecer relações constantes entre dados observáveis e responder à pergunta: “¿Como?” — não procurando compreender a natureza íntima dos fenómenos (por exemplo: “¿porque se atraem os corpos?”).

Deste modo, por exemplo, “explicar” a origem do universo através do Big Bang não é compreender a sua razão de ser. Por isso é que eu digo que “a ciência descreve, mas não explica”.

Terça-feira, 1 Setembro 2015

Cientismo, sociobiologia, e o altruísmo

Filed under: A vida custa,Ciência,Esta gente vota — O. Braga @ 11:06 am
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Assim como a URSS era o Sol do Mundo para o Partido Comunista, assim os países nórdicos da Europa são hoje o Sol do Mundo para a actual Esquerda socialista. E uma das características culturais que marca o norte da Europa é o cientismo; senão, vejamos este artigo:

ltruismo genetico

Segundo a “ciência” nórdica, já se descobriu a razão para o altruísmo humano: está nos genes.

(more…)

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