perspectivas

Sexta-feira, 24 Janeiro 2014

A Ordem dos Psicólogos e a traição dos intelectuais

 

O psicólogo Abel Matos Santos escreveu um artigo no Jornal “I” que pode ser lido aqui. Em resposta, a Ordem dos Psicólogos, que apoia a adopção de crianças por pares de invertidos, reagiu e escreveu isto. Abel Matos Santos exerceu o seu direito de defesa com um texto que pode ser lido aqui em PDF.


1/ Não existe uma ciência de observação pura. Todas as ciências são teorizantes (estão imbuídas de uma qualquer teoria), incluindo as chamadas ciências sociais.

2/ Os “estudos” que a Ordem dos Psicólogos invoca em favor da adopção de crianças por pares de invertidos são basicamente assentes no behaviourismo que é uma forma de positivismo: nesses “estudos”, o sujeito (a subjectividade a criança) é sempre relegada para segundo plano ou mesmo inexistente. Trata-se de um naturalismo metodológico errado — uma forma de cientismo — que exige que as ciências sociais recorram exclusivamente às ciências da natureza e ao seu método científico (como se um ser humano não tivesse subjectividade).

Este naturalismo, que não respeita a subjectividade da criança, estabelece algumas exigências, como por exemplo, partir de observações e medições (como se o ser humano se reduzisse a um fenómeno físico) ou através de levantamentos estatísticos formais e exteriores; e depois avança indutivamente para generalizações (como se a criança fosse um animal irracional) e para a elaboração de teorias.

É este o tipo de “estudos” que a Ordem dos Psicólogos utiliza para defender a adopção de crianças por pares de invertidos.

3/ Nas ciências sociais, é muito mais difícil atingir o ideal de objectividade científica, quando comparadas com as ciências da natureza — se é que a objectividade científica é possível nas ciências sociais! —, uma vez que a objectividade implica despojamento de valores; e o cientista social só raramente consegue libertar-se das valorações da sua própria camada social, cultural, ideológica e política, por forma a adquirir a independência valorativa que a objectividade impõe.

Este naturalismo errado — que reduz a análise de uma criança ao seu comportamento exterior (behaviourismo), como se a criança fosse uma espécie de cão ou gato — assenta em um mal-entendido relativamente ao método científico, mal-entendido esse que reduz a ciência a uma narrativa dos factos (positivismo) manipulável pela ideologia política (cientismo).

4/ O testemunho do psicólogo Abel Matos Santos é relevante porque nos diz basicamente o seguinte: é preciso ter cuidado com aquilo que pensamos que sabemos acerca da adopção de crianças por pares de invertidos. Aliás, o psiquiatra Daniel Sampaio afirmou há dias, em uma entrevista na RTPn, que quaisquer estudos nesta matéria não são seguros. Ou seja, Abel Matos Santos parece ser um psicólogo honesto.

Em contraponto, a Ordem dos Psicólogos é o exemplo acabado do conceito de Julien Benda de Traição dos Intelectuais.

Quarta-feira, 13 Novembro 2013

O “progresso” do mito e da religião, segundo Cassirer

 

Passo a citar Cassirer, interpolando algumas imagens:

«Do ponto de vista do pensamento primitivo, torna-se desastrosa a mínima alteração do estável esquema das coisas. As palavras de uma fórmula mágica, de um conjunto ou exorcismo, as fases de um acto religioso, um sacrifício ou uma oração, têm de ser repetidas na mesma invariável ordem.

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Terça-feira, 5 Novembro 2013

Richard Dawkins e a estupidez humana

 

“Onde acaba a Física, não acaba o problema; o homem que existe por detrás do cientista necessita de uma verdade integral, e, queira ou não queira, e pela constituição mesma da sua vida, forma-se uma concepção inteiriça do Universo.”

— Ortega y Gasset, tradução livre, ¿Qué es Filosofía?, 3º edição, p. 64

Um artigo no Mercator acerca de Richard Dawkins que merece ser lido (em inglês).

dawkins contra deus web

Quarta-feira, 30 Outubro 2013

A alienação ou doença mental do cientismo actual

Filed under: politicamente correcto — orlando braga @ 9:33 pm
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O cientismo coetâneo (actual) tem duas características fundamentais: 1/ a desclassificação (ou “descategorização”, ou seja, a retirada de categorias e negação do conceito de juízo universal) da realidade, e 2/ a eliminação de qualquer nexo causal nos fenómenos inerentes à realidade (seja esta política, social, fenomenológica, científica, etc.) ou seja, o cientismo actual é doxa transformada em ciência.

doida eu web 300A ciência positivista (o neopositivismo do Círculo de Viena) começou por ser a recusa do subjectivismo (humano); e o cientismo actual é a recusa da ciência, seja esta positiva ou não.

E, por isso, o cientismo actual começa pela negação da lógica através da desclassificação da realidade (no sentido de “descategorização” dos fenómenos), e pela negação do conceito de juízo universal — e a ideia subjacente a esta atitude cientificista é a de dissipar qualquer diferença entre a regra e a excepção, entre a norma e o anómalo.

Depois da desclassificação (ou “descategorização”) da realidade, o cientismo actual entra na fase seguinte: a eliminação (ou relativização) de qualquer nexo causal nos fenómenos. Esta segunda fase não poderia existir — ou fazer “sentido” retórico — sem a primeira.

Depois de ter conseguido que estes dois aspectos se entranhem (como sendo “logicamente” válidos) na cultura intelectual e, por via desta, na cultura antropológica, o cientismo actual assume, em todo o seu esplendor, a função de demolição da cultura. Ou seja, o politicamente correcto já não é, hoje, apenas uma ideologia derivada do marxismo cultural, mas antes é também o cientismo, que utiliza conceitos das "ciências sociais" para destruir a própria ciência e ao serviço de uma ideologia niilista.

Dou um exemplo do que eu quero dizer:

psicose«crise das crises se não se recorta limpo o sentido do corpo em a) ou b): se nem menino nem menina, que fazer de um sujeito? a medicina treme em como forçar um nexo ao corpo, os pais vêem o futuro desfeito, a criança surge como uma coisa-problema: mais que um binário, logo, menos que humana. queremos quebrar com a falsa necessidade dessas categorizações coercivas. a nossa revolução será poder responder à pergunta "qual dos géneros?" dizendo "ambos", "nenhum", "outro" ou "todos". será reagir ao "ou… ou…?" com um simples "não!"»

psico web 290Em primeiro lugar, “descategoriza-se” a realidade, apesar das evidências (“aquilo que parece, não é!”); e depois, nega-se o juízo universal  (“não existem regras nem excepções: a lógica é uma batata!”)

Quando ouvirmos alguém colocar em causa as categorias da realidade tal qual nos aparecem, tentando desclassificar ou “descategorizar” a realidade, devemos imediatamente ficar de pé-trás: provavelmente estaremos em presença de um doente mental cientificista. E se essa pessoa avançar, depois, para a recusa do juízo universal, então poderemos estar seguros que se trata de uma psicótico em plena maquinação de um delírio interpretativo.

Hoje é um dia feliz para o curandeiro da RDP: a pedofilia passou a ser uma “orientação sexual”

 

juliomachadovazwebJúlio Machado Vaz irá certamente festejar: a pedofilia foi retirada do grupo das parafilias pela APA (Associação Americana de Psiquiatria) e considerada uma “orientação sexual”.

«In the fifth edition of the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM V), the American Psychiatric Association (APA) drew a very distinct line between pedophilia and pedophilic disorder. Pedophilia refers to a sexual orientation or profession of sexual preference devoid of consummation, whereas pedophilic disorder is defined as a compulsion and is used in reference to individuals who act on their sexuality.»

Agora, já é possível a Júlio Machado Vaz defender a pedofilia em directo nas emissoras da rádio nacional. Deixa de existir a vergonha, porque a "ciência" sanciona positivamente a falta de vergonha. Júlio Machado Vaz não irá certamente perder esta ocasião de parecer moderno, actual, retrófobo e de vistas largas, mente aberta, virado para o futuro; e de cair bem nas hostes esquerdistas, habituadas à falácia ad Novitatem.

Naturalmente que ele irá dizer, aos microfones da RDP, que existe uma diferença entre a "orientação sexual" pedófila (que, por ser uma "orientação sexual", é absolutamente normal e não é uma doença mental ou parafilia), por um lado, e, por outro lado, a compulsão do pedófilo em “comer” criancinhas. Ou seja, segundo a nova norma do politicamente correcto, um pedófilo que não “coma” criancinhas é absolutamente normal. E quem sabe, com o “progresso da opinião pública”, o Júlio Machado Vaz ainda venha a ter a alegria de ver a "ciência" verificar e confirmar o acto pedófilo como um acto absolutamente normal: é tudo uma questão de ele continuar, com afinco, as ensaboadelas culturais na RDP no sentido do "progresso da opinião pública".

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Sexta-feira, 18 Outubro 2013

O evolucionismo darwinista na corda-bamba

 

«Um crânio com 1,8 milhões de anos descoberto na Geórgia em 2005 sugere que os primeiros hominídeos que povoaram o planeta poderiam pertencer não a diferentes espécies mas a apenas uma, segundo uma investigação publicada na quinta-feira na revista Science.

Um dos investigadores analisou esse crânio durante oito anos e fez uma descoberta que, segundo defende, pode reescrever a história evolutiva dos humanos.»

Crânio com 1,8 milhões de anos põe em causa história da evolução humana

¿Por que razão, segundo esta tese, o evolucionismo darwinista fica na corda-bamba?

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Ser cristão porque se é um céptico radical

Filed under: Ut Edita — orlando braga @ 10:05 am
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Eu tive uma educação católica e tive uma experiência pessoal "perto-da-morte", e por isso seria muito difícil eu ter uma concepção materialista da vida e do mundo. Mas o que contribuiu de forma significativa para fazer de mim um cristão foi (e é) o meu cepticismo radical; e, dizendo isto, já vejo alguns "católicos fervorosos" pensar: “Esta criatura ensandeceu! ¿Como é que um céptico radical pode ser cristão?!”.

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Sábado, 12 Outubro 2013

A postura anticientífica de algumas religiões

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 9:29 am
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Há dois tipos de seres humanos que eu desconsidero: os cientistas ateístas e os religiosos anticientíficos. Sinceramente, não sei por qual dos dois tipos tenho maior desprezo.

Em finais do século XIX, a torre da igreja de S. Marcos, em Veneza, Itália, foi atingida por um raio. O clero católico local mandou reconstruir o cimo da torre, mas recusou-se a colocar lá um pára-raios, alegadamente porque “o pára-raios era coisa da ciência”.

Nos vinte anos seguintes, a torre de S. Marcos foi atingida mais três vezes por raios, destruindo-lhe por tantas vezes a cumeeira, antes que o clero local se decidisse, finalmente, a colocar lá um pára-raios, porque os prejuízos já se acumulavam de uma maneira insuportável. Isto para dizer que há católicos que pensam que a ciência se opõe à religião, e de tal forma assim pensam que recusam, ainda hoje, a simples ideia de um pára-raios.

Há gente desprezível, que se diz “católica”, que afirma peremptoriamente que "os dinossauros existiram há dez mil anos"e quem os contradiz é objecto de insulto e de ódio! É esse tipo de gentalha que insulta, nos comentários dos blogues, quem não é um "católico fervoroso" como eles se julgam a si próprios.

Segunda-feira, 23 Setembro 2013

A recusa da Teoria é uma sempre uma forma de teoria

Eu prefiro uma teoria deficiente, a nenhuma teoria. Mesmo que uma teoria tenha falhas, é preferível tê-la assim mesmo, do que negar qualquer teoria alegando as falhas que ela possa ter. É preferível uma teoria deficiente que se baseie em uma Causa do universo, do que recusar qualquer teoria sobre a origem do universo.

O cepticismo é a recusa e a negação de qualquer teoria que não se possa medir, esquecendo que a própria medição é uma teoria.

O procedimento científico está sempre imbuído de considerações teóricas, e não há factos irredutíveis isentos de qualquer teoria. O cientista interpreta as descobertas científicas sempre com o auxilio de alguma teoria. O que interessa ao cientista não é apenas o ponteiro do instrumento de medição, mas antes, a medição só tem valor se estiver em conjugação com uma interpretação do seu significado — para além do facto de o instrumento ter um erro finito experimental (que pode ser infinito, do ponto de vista da física quântica).

Não há nenhuma lei experimental exacta. Só as há aproximadas, e estão sujeitas a uma infinidade de traduções simbólicas e, entre estas traduções, o cientista tem que escolher uma delas que lhe dê uma hipótese conveniente e sem que a sua escolha tenha sido guiada de algum modo pela experiência.

O problema surge aqui quando a ciência recusa uma nova teoria que explica melhor uma determinada fracção da realidade, e fá-lo por motivos políticos e ideológicos; ou seja, a ciência agarra-se a um paradigma porque este serve uma determinada mundividência da moda, que está de acordo com uma determinada ideologia política.

Defender a casualidade do universo, do ponto de vista da ciência, é contraditório, porque a ciência baseia-se no princípio da causalidade (causa / efeito). Dizer que “o universo surgiu por acaso” não é compatível com o princípio científico segundo o qual todos os efeitos têm uma causa.

Fazer desaparecer um problema não resolve esse problema. Ignorar o problema da Causa não faz desaparecer o problema da Causa. Reduzir a análise da realidade a uma fracção da realidade pode próprio da ciências especializadas em determinadas áreas, mas não é próprio da filosofia.

Este verbete é uma resposta a este comentário.

Quarta-feira, 11 Setembro 2013

Segundo a “ciência”, as virtudes de um pai de família residem nos colhões

No século XIX esteve em voga uma disciplina “científica” que deu pelo nome de frenologia, que se baseava numa teoria segundo a qual as funções intelectuais do homem, o seu carácter e instintos estariam alojados em determinada região do cérebro, e que, alegadamente, poderiam ser determinadas pelo estudo das bossas ou das depressões cranianas. A frenologia assegurava que era possível determinar se um indivíduo era psicopata apenas pela observação das bossas e depressões cranianas. É óbvio que a frenologia passou de moda e hoje já ninguém a leva a sério.

Contudo, a tendência da “ciência” para julgar a personalidade e o carácter de um ser humano segundo a sua aparência física não esmoreceu. Se não, vejamos esta “notícia” do pasquim Púbico:

«A aptidão de um pai para cuidar de filhos pequenos está associada ao tamanho dos testículos, sugere um estudo publicado segunda-feira na edição online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os investigadores concluíram que indivíduos com testículos menores tendem a colaborar mais em tarefas como a troca das fraldas, a alimentação ou o banho.»

O estudo “científico” baseia-se em perguntas feitas aos pais. Ou seja, a veracidade das respostas dos pais não foi verificada; partiu-se do princípio de que os pais diziam a verdade. Em suma, o estudo “científico” escora-se numa fé.

Depois, o estudo “científico” baseia-se num postulado segundo o qual os testículos maiores produzem mais esperma do que os testículos mais pequenos. Segundo este postulado, com o avançar da idade no homem, os testículos vão-se tornando maiores e descaídos, o que não significa que os testículos enormes e pré-históricos de um homem de 90 anos produza mais esperma do que os mais pequenos de um outro homem de 20 anos.

Posso até estar de acordo com a ideia de que as virtudes de um pai residem nos colhões; mas apenas em sentido figurado. Isto é: ou é da minha vista, ou hoje já não há muitos homens com os “colhões no sítio”.

[ficheiro PDF da notícia do pasquim Púbico]

Quarta-feira, 4 Setembro 2013

O fim do discurso

O discurso é o raciocínio, ou a sequência de raciocínios, presentes mediante uma ordem metódica. Embora seja impossível que um discurso seja totalmente coerente, o discurso tem que partir de uma base lógica e seguir a lógica formal. O estruturalismo, o desconstrutivismo, e agora o construtivismo, destruíram o discurso e em nome da ciência, chegando ao ponto de hoje já não se saber bem o que é ciência e o que não é.

O “fim do discurso” está bem patente na crítica que o blogue Rerum Natura faz a este artigo no pasquim Público . Em vez de “fim do discurso”, a Helena Damião chama-lhe “Tudo se mistura e se confunde “. Ora, quando tudo se mistura e se confunde, então já não há discurso: em vez disso, há uma algaraviada de ideias desconexas.

A ciência é vista de duas formas: ou as ciências ditas “exactas” (física, química, etc.) – de que não faz parte a matemática que se baseia em juízos sintéticos a priori e, por isso, é mais uma “arte fundamental” do que uma ciência; o matemático é mais um artista e um esteta (no bom sentido) do que um cientista -; ou um método ou “forma de pensar”. E aqui é que está o problema: na “ciência” concebida como uma “forma de pensar”: a ciência concebida como “forma de pensar” é filosofia.

Com todo o respeito por quem não concorda com esta ideia, as “ciências sociais ou humanas” não são ciências no sentido exacto, porque dependem, a cada momento, da interpretação das intenções humanas (Wilhelm Dilthey). Nem sequer se podem chamar de “ciências moles”: uma “ciência subjectivista” não é ciência. Nas “ciências sociais e humanas”, as previsões falham invariavelmente: basta verificar o que se passa com a Economia.

A partir desta concepção de “ciência” como “forma de pensar”, tudo é permitido (“Vale Tudo”, ordena Feyerabend). Por exemplo, vale afirmar, como fez o cientista Stephen Hawking no seu último livro, que “o universo surgiu do nada”, eliminado qualquer nexo causal no fundamento do universo; e, como sabemos, sem nexo causal não há ciência.

O triunfo do dogmatismo não faz parte do desenvolvimento da ciência propriamente dita, porque na ciência vista desta forma não existe qualquer indicador infalível para a verdade baseada em factos – independentemente da validade filosófica do conceito de “facto”: mesmo que a realidade (propriamente dita) exceda infinitamente a ciência, existe um ponto de contacto entre realidade e ciência; neste sentido, e apesar do “facto” entendido como problema filosófico, a ciência é um instrumento da nossa vontade de sobreviver no mundo: o controverso “facto” é, apesar de tudo, o ponto de partida da investigação científica.

A ciência não pode ser vista como uma substituta da filosofia e/ou da religião. A ciência teve tanto êxito precisamente porque não coloca, de forma consciente, determinadas questões filosóficas – o que não significa que estas questões não devam ser colocadas. Mas a colocação dessas questões é filosofia, e não ciência. E o que o artigo do pasquim Público faz é confundir ciência com filosofia.

Segunda-feira, 2 Setembro 2013

Encostados à parede, já estrebucham!

Filed under: Ut Edita — orlando braga @ 5:08 pm
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Um tal Luís Alcácer escreve aqui um relambório imenso para dizer que o princípio de complementaridade, de Niels Bohr, é falso. Diz ele, resumindo, que “os fotões são sempre partículas” – como se fotões fossem sempre corpúsculos, como se “onda” fosse a mesma coisa que “corpúsculo”, e como se “partículas elementares” fossem “coisas”…!

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