perspectivas

Segunda-feira, 9 Fevereiro 2015

¿O que é que tem a ver a ciência com o “marido” do Alexandre Quintanilha?!

 

 

O Carlos Fiolhais  — ¿quem poderia ser, senão ele? — publicou no blogue Rerum Natura uma entrevista com o Alexandre Quintanilhaem que ele aponta o dedo à pseudo-avaliação da FCT da ciência nacional” (sic). Algumas pérolas do Alexandre Quintanilha:

“Apesar de viverem numa sociedade católica, [as pessoas] são livres na sua forma de estar, como é o caso das vizinhas que à varanda o vêem descer a rua de braço dado com o marido e cumprimentam o casal, como qualquer morador do bairro.”

(…)

“Dou um exemplo pessoal. Casei-me com o Richard [Zimler] em Portugal. Algo impensável há dez anos. Os meus amigos lá fora ficaram espantadíssimos. Portugal evoluiu imenso. Há milhares de jovens que, por exemplo, vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais.”
(…)
“E, portanto, o investimento na educação teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir. É um certo empowerment que as pessoas adoptaram, mas que infelizmente está a enfraquecer porque muitos não sabem se vale ou valeu a pena.”

Reparem bem:

1/ Portugal evoluiu imenso porque o Alexandre Quintanilha “casou-se” com o Richard Zimmler.

2/ A “evolução” de Portugal foi tão grande que “há milhares de jovens que vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, e seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

3/ Toda essa “evolução” deveu-se ao  “investimento na educação” que “teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir”. Foi o grande “investimento na educação” (de José Sócrates)  que permitiu que o Alexandre Quintanilha andasse de mãos dadas com o “marido” e vice-versa, e que incentivou que “milhares de jovens passassem a viver com outros jovens sem se casarem, terem filhos sem se casarem, e seguirem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

4/ Portanto, educação que se preze é contra os pais. Educar as crianças ou jovens contra os pais é sinal de “evolução” da sociedade.

Por outro  lado, a promiscuidade sexual é sinal de progresso e de “evolução” — simplesmente não é possível a investigação científica sem umas orgias no laboratório da universidade. Aliás, o governo de Passos Coelho, através do FCT, deveria facultar um “subsídio de coito” para os investigadores, para além da Bolsa: investigação científica digna desse nome não passa sem um subsídio de coito.

5/ Uma sociedade sem “casamento” gay, por um lado, e sem surubas estudantis, por outro  lado, não pode progredir na ciência. O “casamento” gay está directamente ligado ao progresso da ciência.

Sexta-feira, 5 Setembro 2014

O solipsismo da esquerda e da “direita” modernas

Filed under: filosofia — O. Braga @ 8:48 am
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«As leis primam sobre a vida? Não, é a vida que modifica as leis.» (respigado aqui)

Vamos recorrer à ciência para refutar esta proposição. Quando falamos em leis, temos que distinguir entre “universais de leis”, por um lado, e “universais acidentais”, por outro lado. Vamos a exemplos: as duas seguintes proposições silogísticas:

“Todas as moedas que estão no meu bolso contêm níquel. Isto é uma moeda que se encontra no meu bolso. Logo, segue-se que esta moeda contém níquel”.

¿Podemos transformar esta proposição em lei? Não!, porque a proposição é acidental ou contingente. Não se trata de um universal de lei, mas antes trata-se de um universal acidental. O facto de todas as moedas que estão no meu bolso conterem níquel é um facto acidental, e por isso não se pode universalizar em lei.

Um “universal de lei” — ou seja, uma lei propriamente dita — apoia-se em uma condicional ou suporta uma situação contrária-ao-facto. Vejamos a seguinte situação: dois relógios de pêndulo idênticos são configurados para estarem desfasados em um ângulo de 90 graus, de forma a que os tiquetaques dos dois relógios estejam em constante conjunção sequencial (um tiquetaque compassado com outro tiquetaque que se lhe segue). Se as leis não fossem outra coisa senão declarações de conjunções constantes, então poderíamos afirmar o seguinte:

“para todo o X, se o X é um tiquetaque do relógio #1, então segue-se que X é um tiquetaque seguido de um tiquetaque do relógio #2”.

Mas se os dois pêndulos (dos dois relógios) forem parados, esta “lei” já não se apoia em uma condicional contrária-ao-facto — e, por isso, não é uma lei propriamente dita. É, em vez disso, uma situação de um “universal acidental”, e não uma situação de “universal de lei”.

Por outro lado, as leis mais importantes não se baseiam na constância dos factos (empirismo), uma vez que se referem a situações idealizadas que não existem. Por exemplo, existe uma lei que dá pelo nome de Lei do Gás Ideal, segundo a qual “existem” gases nos quais as moléculas têm uma dimensão nula e zero campos de força intermoleculares.

Agora vejamos a segunda proposição:

“Todas as chamas afectadas pelo bário são verdes. Esta chama é afectada pelo bário. Logo, segue-se que esta chama é verde”.

Aqui estamos em presença de um “universal de lei”, e não de um “universal acidental”.


Tanto na ciência, como no Direito, as leis mais importantes e propriamente ditas são contrárias-aos-factos e são “universais de lei” — e não “universais acidentais”.

Por isso (não só, mas também) é que se diz, nas faculdades de Direito, que (por uma questão de princípio) os factos (da vida) não determinam as leis (embora as leis possam determinar factos). Portanto, dizer que “a vida modifica as leis” é afirmar que o “universal acidental” pode ser uma lei propriamente dita — o que é um erro de palmatória, própria de um romantismo solipsista que é o mal da esquerda e de uma certa “direita” modernas.

Eu prefiro o realismo (metafísico).

Sexta-feira, 18 Julho 2014

A imbecilidade da sociobiologia

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:16 pm
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“Imbecis com diplomas de neuro-ciências acreditam, seriamente, que podem explicar todas as percepções pela constituição do cérebro. Isso só prova que não sabem o que é uma ‘percepção’.

Se as percepções pudessem ser explicadas pela fisiologia cerebral, não precisaria haver objectos.”

→ Olavo de Carvalho (via FaceBook)



A “percepção” não é “experiência” (no sentido empírico), nem “sensação”.

Quando eu digo: “Percebo um automóvel”, esse “perceber” não é necessária- e exactamente uma “experiência”, ou seja, não me estou a referir necessariamente a este ou aquele automóvel, nem tão pouco me refiro necessariamente a um conjunto de automóveis que passam, em um determinado momento, em uma rua da cidade. Portanto, “perceber” não é um experiência in loco; mas a “percepção” também não é uma “sensação”.

Eu percebo um automóvel de uma forma tal que eu sou capaz de o reconhecer instantaneamente, como um objecto determinado e distinto. Mas, na “percepção”, a sensação é impregnada de sentimento (emoção) que mistura o objectivo e o subjectivo, o fisiológico e o psicológico, o real e a representação do objecto — neste caso, o automóvel.

Ademais, “perceber” é “antecipar” de uma forma racional, e por isso é que só o ser humano “percebe” — porque, como dizia S. Tomás de Aquino, o ser humano é único ser sobre a Terra que consegue conceber um objecto na sua ausência, através da representação desse objecto, e em relação ao qual as sensações corporais apenas lhe dão indícios fragmentários. Perceber é interpretar, e a interpretação é uma qualidade exclusivamente humana.

A “percepção” é uma relação cognitiva (uma relação de conhecimento) do sujeito em relação ao mundo (dos objectos). “Perceber” é fazer prova (em primeiro lugar, subjectiva, e depois intersubjectiva) da exterioridade; se “perceber” não fosse fazer prova (subjectiva e intersubjectiva) da exterioridade, o cérebro funcionaria sem necessidade do mundo dos objectos — o que seria um contra-senso.

O fluxo de sinais que aflui ao cérebro (cerca de 100 milhões de células sensoriais) não é portador de qualquer indicação de quaisquer propriedades para além destas células — a não ser o facto de estas células terem sido estimuladas em determinados pontos da superfície do corpo.

Portanto, ainda é preciso acrescentar “algo” aos dados sensoriais (à sensação) na nossa cabeça para que esses dados possam dar origem a uma “realidade”. Por isso é que os imbecis com diplomas de neuro-ciências que acreditam, seriamente, que podem explicar todas as percepções pela constituição do cérebro, são idiotas.

Sexta-feira, 24 Janeiro 2014

A Ordem dos Psicólogos e a traição dos intelectuais

 

O psicólogo Abel Matos Santos escreveu um artigo no Jornal “I” que pode ser lido aqui. Em resposta, a Ordem dos Psicólogos, que apoia a adopção de crianças por pares de invertidos, reagiu e escreveu isto. Abel Matos Santos exerceu o seu direito de defesa com um texto que pode ser lido aqui em PDF.


1/ Não existe uma ciência de observação pura. Todas as ciências são teorizantes (estão imbuídas de uma qualquer teoria), incluindo as chamadas ciências sociais.

2/ Os “estudos” que a Ordem dos Psicólogos invoca em favor da adopção de crianças por pares de invertidos são basicamente assentes no behaviourismo que é uma forma de positivismo: nesses “estudos”, o sujeito (a subjectividade a criança) é sempre relegada para segundo plano ou mesmo inexistente. Trata-se de um naturalismo metodológico errado — uma forma de cientismo — que exige que as ciências sociais recorram exclusivamente às ciências da natureza e ao seu método científico (como se um ser humano não tivesse subjectividade).

Este naturalismo, que não respeita a subjectividade da criança, estabelece algumas exigências, como por exemplo, partir de observações e medições (como se o ser humano se reduzisse a um fenómeno físico) ou através de levantamentos estatísticos formais e exteriores; e depois avança indutivamente para generalizações (como se a criança fosse um animal irracional) e para a elaboração de teorias.

É este o tipo de “estudos” que a Ordem dos Psicólogos utiliza para defender a adopção de crianças por pares de invertidos.

3/ Nas ciências sociais, é muito mais difícil atingir o ideal de objectividade científica, quando comparadas com as ciências da natureza — se é que a objectividade científica é possível nas ciências sociais! —, uma vez que a objectividade implica despojamento de valores; e o cientista social só raramente consegue libertar-se das valorações da sua própria camada social, cultural, ideológica e política, por forma a adquirir a independência valorativa que a objectividade impõe.

Este naturalismo errado — que reduz a análise de uma criança ao seu comportamento exterior (behaviourismo), como se a criança fosse uma espécie de cão ou gato — assenta em um mal-entendido relativamente ao método científico, mal-entendido esse que reduz a ciência a uma narrativa dos factos (positivismo) manipulável pela ideologia política (cientismo).

4/ O testemunho do psicólogo Abel Matos Santos é relevante porque nos diz basicamente o seguinte: é preciso ter cuidado com aquilo que pensamos que sabemos acerca da adopção de crianças por pares de invertidos. Aliás, o psiquiatra Daniel Sampaio afirmou há dias, em uma entrevista na RTPn, que quaisquer estudos nesta matéria não são seguros. Ou seja, Abel Matos Santos parece ser um psicólogo honesto.

Em contraponto, a Ordem dos Psicólogos é o exemplo acabado do conceito de Julien Benda de Traição dos Intelectuais.

Quarta-feira, 13 Novembro 2013

O “progresso” do mito e da religião, segundo Cassirer

 

Passo a citar Cassirer, interpolando algumas imagens:

«Do ponto de vista do pensamento primitivo, torna-se desastrosa a mínima alteração do estável esquema das coisas. As palavras de uma fórmula mágica, de um conjunto ou exorcismo, as fases de um acto religioso, um sacrifício ou uma oração, têm de ser repetidas na mesma invariável ordem.

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Terça-feira, 5 Novembro 2013

Richard Dawkins e a estupidez humana

 

“Onde acaba a Física, não acaba o problema; o homem que existe por detrás do cientista necessita de uma verdade integral, e, queira ou não queira, e pela constituição mesma da sua vida, forma-se uma concepção inteiriça do Universo.”

— Ortega y Gasset, tradução livre, ¿Qué es Filosofía?, 3º edição, p. 64

Um artigo no Mercator acerca de Richard Dawkins que merece ser lido (em inglês).

dawkins contra deus web

Quarta-feira, 30 Outubro 2013

A alienação ou doença mental do cientismo actual

Filed under: politicamente correcto — O. Braga @ 9:33 pm
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O cientismo coetâneo (actual) tem duas características fundamentais: 1/ a desclassificação (ou “descategorização”, ou seja, a retirada de categorias e negação do conceito de juízo universal) da realidade, e 2/ a eliminação de qualquer nexo causal nos fenómenos inerentes à realidade (seja esta política, social, fenomenológica, científica, etc.) ou seja, o cientismo actual é doxa transformada em ciência.

doida eu web 300A ciência positivista (o neopositivismo do Círculo de Viena) começou por ser a recusa do subjectivismo (humano); e o cientismo actual é a recusa da ciência, seja esta positiva ou não.

E, por isso, o cientismo actual começa pela negação da lógica através da desclassificação da realidade (no sentido de “descategorização” dos fenómenos), e pela negação do conceito de juízo universal — e a ideia subjacente a esta atitude cientificista é a de dissipar qualquer diferença entre a regra e a excepção, entre a norma e o anómalo.

Depois da desclassificação (ou “descategorização”) da realidade, o cientismo actual entra na fase seguinte: a eliminação (ou relativização) de qualquer nexo causal nos fenómenos. Esta segunda fase não poderia existir — ou fazer “sentido” retórico — sem a primeira.

Depois de ter conseguido que estes dois aspectos se entranhem (como sendo “logicamente” válidos) na cultura intelectual e, por via desta, na cultura antropológica, o cientismo actual assume, em todo o seu esplendor, a função de demolição da cultura. Ou seja, o politicamente correcto já não é, hoje, apenas uma ideologia derivada do marxismo cultural, mas antes é também o cientismo, que utiliza conceitos das "ciências sociais" para destruir a própria ciência e ao serviço de uma ideologia niilista.

Dou um exemplo do que eu quero dizer:

psicose«crise das crises se não se recorta limpo o sentido do corpo em a) ou b): se nem menino nem menina, que fazer de um sujeito? a medicina treme em como forçar um nexo ao corpo, os pais vêem o futuro desfeito, a criança surge como uma coisa-problema: mais que um binário, logo, menos que humana. queremos quebrar com a falsa necessidade dessas categorizações coercivas. a nossa revolução será poder responder à pergunta "qual dos géneros?" dizendo "ambos", "nenhum", "outro" ou "todos". será reagir ao "ou… ou…?" com um simples "não!"»

psico web 290Em primeiro lugar, “descategoriza-se” a realidade, apesar das evidências (“aquilo que parece, não é!”); e depois, nega-se o juízo universal  (“não existem regras nem excepções: a lógica é uma batata!”)

Quando ouvirmos alguém colocar em causa as categorias da realidade tal qual nos aparecem, tentando desclassificar ou “descategorizar” a realidade, devemos imediatamente ficar de pé-trás: provavelmente estaremos em presença de um doente mental cientificista. E se essa pessoa avançar, depois, para a recusa do juízo universal, então poderemos estar seguros que se trata de uma psicótico em plena maquinação de um delírio interpretativo.

Hoje é um dia feliz para o curandeiro da RDP: a pedofilia passou a ser uma “orientação sexual”

 

juliomachadovazwebJúlio Machado Vaz irá certamente festejar: a pedofilia foi retirada do grupo das parafilias pela APA (Associação Americana de Psiquiatria) e considerada uma “orientação sexual”.

«In the fifth edition of the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM V), the American Psychiatric Association (APA) drew a very distinct line between pedophilia and pedophilic disorder. Pedophilia refers to a sexual orientation or profession of sexual preference devoid of consummation, whereas pedophilic disorder is defined as a compulsion and is used in reference to individuals who act on their sexuality.»

Agora, já é possível a Júlio Machado Vaz defender a pedofilia em directo nas emissoras da rádio nacional. Deixa de existir a vergonha, porque a "ciência" sanciona positivamente a falta de vergonha. Júlio Machado Vaz não irá certamente perder esta ocasião de parecer moderno, actual, retrófobo e de vistas largas, mente aberta, virado para o futuro; e de cair bem nas hostes esquerdistas, habituadas à falácia ad Novitatem.

Naturalmente que ele irá dizer, aos microfones da RDP, que existe uma diferença entre a "orientação sexual" pedófila (que, por ser uma "orientação sexual", é absolutamente normal e não é uma doença mental ou parafilia), por um lado, e, por outro lado, a compulsão do pedófilo em “comer” criancinhas. Ou seja, segundo a nova norma do politicamente correcto, um pedófilo que não “coma” criancinhas é absolutamente normal. E quem sabe, com o “progresso da opinião pública”, o Júlio Machado Vaz ainda venha a ter a alegria de ver a "ciência" verificar e confirmar o acto pedófilo como um acto absolutamente normal: é tudo uma questão de ele continuar, com afinco, as ensaboadelas culturais na RDP no sentido do "progresso da opinião pública".

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Sexta-feira, 18 Outubro 2013

O evolucionismo darwinista na corda-bamba

 

«Um crânio com 1,8 milhões de anos descoberto na Geórgia em 2005 sugere que os primeiros hominídeos que povoaram o planeta poderiam pertencer não a diferentes espécies mas a apenas uma, segundo uma investigação publicada na quinta-feira na revista Science.

Um dos investigadores analisou esse crânio durante oito anos e fez uma descoberta que, segundo defende, pode reescrever a história evolutiva dos humanos.»

Crânio com 1,8 milhões de anos põe em causa história da evolução humana

¿Por que razão, segundo esta tese, o evolucionismo darwinista fica na corda-bamba?

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Ser cristão porque se é um céptico radical

Filed under: Ut Edita — O. Braga @ 10:05 am
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Eu tive uma educação católica e tive uma experiência pessoal "perto-da-morte", e por isso seria muito difícil eu ter uma concepção materialista da vida e do mundo. Mas o que contribuiu de forma significativa para fazer de mim um cristão foi (e é) o meu cepticismo radical; e, dizendo isto, já vejo alguns "católicos fervorosos" pensar: “Esta criatura ensandeceu! ¿Como é que um céptico radical pode ser cristão?!”.

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Sábado, 12 Outubro 2013

A postura anticientífica de algumas religiões

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 9:29 am
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Há dois tipos de seres humanos que eu desconsidero: os cientistas ateístas e os religiosos anticientíficos. Sinceramente, não sei por qual dos dois tipos tenho maior desprezo.

Em finais do século XIX, a torre da igreja de S. Marcos, em Veneza, Itália, foi atingida por um raio. O clero católico local mandou reconstruir o cimo da torre, mas recusou-se a colocar lá um pára-raios, alegadamente porque “o pára-raios era coisa da ciência”.

Nos vinte anos seguintes, a torre de S. Marcos foi atingida mais três vezes por raios, destruindo-lhe por tantas vezes a cumeeira, antes que o clero local se decidisse, finalmente, a colocar lá um pára-raios, porque os prejuízos já se acumulavam de uma maneira insuportável. Isto para dizer que há católicos que pensam que a ciência se opõe à religião, e de tal forma assim pensam que recusam, ainda hoje, a simples ideia de um pára-raios.

Há gente desprezível, que se diz “católica”, que afirma peremptoriamente que "os dinossauros existiram há dez mil anos"e quem os contradiz é objecto de insulto e de ódio! É esse tipo de gentalha que insulta, nos comentários dos blogues, quem não é um "católico fervoroso" como eles se julgam a si próprios.

Segunda-feira, 23 Setembro 2013

A recusa da Teoria é uma sempre uma forma de teoria

Eu prefiro uma teoria deficiente, a nenhuma teoria. Mesmo que uma teoria tenha falhas, é preferível tê-la assim mesmo, do que negar qualquer teoria alegando as falhas que ela possa ter. É preferível uma teoria deficiente que se baseie em uma Causa do universo, do que recusar qualquer teoria sobre a origem do universo.

O cepticismo é a recusa e a negação de qualquer teoria que não se possa medir, esquecendo que a própria medição é uma teoria.

O procedimento científico está sempre imbuído de considerações teóricas, e não há factos irredutíveis isentos de qualquer teoria. O cientista interpreta as descobertas científicas sempre com o auxilio de alguma teoria. O que interessa ao cientista não é apenas o ponteiro do instrumento de medição, mas antes, a medição só tem valor se estiver em conjugação com uma interpretação do seu significado — para além do facto de o instrumento ter um erro finito experimental (que pode ser infinito, do ponto de vista da física quântica).

Não há nenhuma lei experimental exacta. Só as há aproximadas, e estão sujeitas a uma infinidade de traduções simbólicas e, entre estas traduções, o cientista tem que escolher uma delas que lhe dê uma hipótese conveniente e sem que a sua escolha tenha sido guiada de algum modo pela experiência.

O problema surge aqui quando a ciência recusa uma nova teoria que explica melhor uma determinada fracção da realidade, e fá-lo por motivos políticos e ideológicos; ou seja, a ciência agarra-se a um paradigma porque este serve uma determinada mundividência da moda, que está de acordo com uma determinada ideologia política.

Defender a casualidade do universo, do ponto de vista da ciência, é contraditório, porque a ciência baseia-se no princípio da causalidade (causa / efeito). Dizer que “o universo surgiu por acaso” não é compatível com o princípio científico segundo o qual todos os efeitos têm uma causa.

Fazer desaparecer um problema não resolve esse problema. Ignorar o problema da Causa não faz desaparecer o problema da Causa. Reduzir a análise da realidade a uma fracção da realidade pode próprio da ciências especializadas em determinadas áreas, mas não é próprio da filosofia.

Este verbete é uma resposta a este comentário.

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