perspectivas

Segunda-feira, 2 Setembro 2013

Encostados à parede, já estrebucham!

Filed under: Ut Edita — orlando braga @ 5:08 pm
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Um tal Luís Alcácer escreve aqui um relambório imenso para dizer que o princípio de complementaridade, de Niels Bohr, é falso. Diz ele, resumindo, que “os fotões são sempre partículas” – como se fotões fossem sempre corpúsculos, como se “onda” fosse a mesma coisa que “corpúsculo”, e como se “partículas elementares” fossem “coisas”…!

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Quarta-feira, 28 Agosto 2013

Não-localidade: o conceito que destrói o materialismo

Filed under: filosofia,Quântica — orlando braga @ 8:10 am
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Antes de mais, vamos ter que saber o que é “materialismo”: é uma teoria segundo a qual a matéria é a única realidade existente – sendo que matéria é tudo o que tem massa e está sujeito à acção do espaço-tempo. Para os herdeiros ideológicos de Darwin (Karl Marx, Freud, Lenine, Estaline, Richard Dawkins, Peter Singer, etc.), a matéria é a realidade fundamental a partir da qual se explica a vida espiritual.

Podemos definir “não-localidade” como a possibilidade de dois objectos – por exemplo, dois fotões, ou dois electrões – comunicarem entre si de forma instantânea (em termos de tempo universal) e independentemente da distância a que se encontrem um do outro.

A não-localidade não é ficção científica: experiências científicas realizadas desde o princípio da década de 1980 (por exemplo, por Alain Aspect) confirmaram o fenómeno. Portanto, é certo e seguro que, em determinadas condições especificas, dois objectos podem comunicar entre si, de forma simultânea – ou seja, fora do espaço-tempo – e a uma distância que pode ser, por exemplo, de várias dezenas de milhões de anos-luz. Diz-se, então, que a comunicação entre esses dois objectos é efectuada “fora do cone-de-luz”.

A maioria da literatura generalista acerca da Física não menciona a não-localidade. O assunto continua a ser tabu, apesar das verificações e confirmações. E é tabu porque a não-localidade coloca em causa o materialismo – ou seja, coloca em causa o fundamento da Idade Moderna e do Positivismo.

A não-localidade significa que a realidade não se limita ao espaço-tempo; e isto coloca em causa toda a filosofia moderna desde Kant. Por exemplo, se o nosso cérebro é composto de electrões, então o nosso cérebro está também sujeito às mesmas leis que regem a não-localidade. O materialismo está morto.

Segunda-feira, 17 Outubro 2011

O cientismo que critica o cientismo que, por sua vez, critica o cientismo

O cientismo não desarma. Face à lógica, pretende derrubá-la. O cúmulo do cientismo é aquele cientismo que critica o cientismo para se poder afirmar na opinião pública como não sendo cientismo. Este tipo de cientismo faz lembrar os novos marxistas, como por exemplo, Edgar Morin, que criticam o marxismo-leninismo dizendo que “aquilo não é marxismo”, e que o verdadeiro marxismo virá nos “amanhãs que cantam” — ao mesmo tempo que dizem que devemos desistir dos “amanhãs que cantam”. O novo cientismo é um fenómeno que se recusa a si mesmo afirmando que, afinal, é “outra coisa”: é a esquizofrenia ideológica e política em todo o seu esplendor, travestida de ciência.

Para quem acredita no mito segundo o qual a neurociência poderá substituir a filosofia, aconselho a leitura deste artigo (em inglês). Entretanto, eu vou dar aqui umas “achegas” que o artigo não incluiu.

As ciências da natureza — com excepção da física — e principalmente a biologia e a neurobiologia, quando pretendem transformar a consciência humana e, portanto, a ética e a moral, em subprodutos da química do cérebro, transformam a sua “teoria da identidade” (que é o nome desta teoria cientificista da neurociência) em um absurdo, conforme demonstrou Karl Popper que chamou a esta armadilha lógica “o pesadelo do determinismo físico”.

Se as minhas ideias são produtos da química que se processa na minha cabeça, então nem sequer vale a pena discutir qualquer teoria biológica ou neurobiológica, incluindo a própria “teoria da identidade”: estas não podem ter nenhuma pretensão à verdade, visto que as provas apresentadas por esses “cientistas” são igualmente química pura. E se eu disser que a biologia e a neurobiologia estão erradas e que os neurobiólogos são burros, então também tenho razão, dado que a minha química apenas chegou a um resultado diferente.

Por outro lado, nós não recebemos passivamente as impressões do mundo exterior, tal como se tivéssemos uma cópia do mundo na nossa cabeça (ver “teoria do balde”, de Karl Popper, de que falei em postais anteriores). Através dos nossos sentidos e da nossa percepção, o fluxo de sinais que aflui ao cérebro — aproximadamente de 100 milhões de células sensoriais mais conhecidas por neurónios — não é portador de qualquer indicação de quaisquer propriedades para além destas células, a não ser o facto de estas terem sido estimuladas em determinados pontos da superfície do corpo. Isto significa que é preciso acrescentar algo mais aos dados sensoriais na nossa cabeça, para que estes possam dar origem a uma realidade.

Ou seja: os nossos órgãos sensoriais registam “diferenças”, mas não registam “coisas” que se pudessem distinguir, como tais, de outros objectos. Isto quer dizer que a realidade é construída por nós mesmos, quando a consciência utiliza o cérebro. O cérebro é apenas e só uma ferramenta da consciência. Construímo-nos com a ajuda do cérebro, a partir de dados das nossas percepções sensoriais, tal como construímos, com a ajuda do nosso cérebro, uma história a partir dos pixeis do ecrã do nosso televisor.

Por último, e talvez o mais absurdo das ciências biológicas, é que ignoram ostensiva e irracionalmente as descobertas da física. Atrevo-me a dizer que a condição do neurocientista é a burrice e o autismo teórico. A física já demonstrou que o nosso cérebro, como qualquer outro objecto, é um conglomerado de Partículas Elementares Longevas que existem por via da força entrópica da gravidade: o cérebro humano, em si mesmo e no que respeita à sua génese (origem) física, não é diferente de um outro objecto físico qualquer. O que diferencia um cérebro humano, por exemplo, de um cérebro de uma barata, é o tipo de organização intrínseca das partículas elementares que os constituem.

Terça-feira, 4 Outubro 2011

O Tratado de Tordesilhas entre a religião e a ciência

Filed under: A vida custa,Ciência,cultura — orlando braga @ 12:11 pm
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Existe hoje uma determinada visão religiosa que mete no mesmo saco a biologia ou a sociobiologia, por um lado, e a física ou a matemática, por outro lado. Podemos constatar essa visão, aqui. Essa confusão é absurda e decorre de uma posição anti-científica primária.

Essa confusão, vinda de gente religiosa, tem como fundamento a própria confusão do cientismo em relação à noção de “prova” (evidence) — ou seja, muitas vezes, à religião interessa que os erros do cientismo sejam validados como verdade. E isto viu-se no caso recente da experiência dos neutrinos no CERN: tanto naturalistas como religiosos, por razões diferentes, tentam a todo o custo desacreditar a validação da experiência; e essa foi a razão por que eu escrevi isto.

Nem católicos nem naturalistas se lembram já das experiências feitas em Paris por Alain Aspect, em 1982, em que se constatou, sem margem para dúvidas, que dois fotões comunicam entre si a velocidades muito superiores à velocidade da luz. Portanto, a barreira da velocidade da luz no universo já foi oficialmente quebrada em 1982, e não agora com esta experiência dos neutrinos.


Tratado de Tordesilhas

Um determinado tipo de católico e o cientista naturalista fizeram um acordo: cada um deles toma conta de uma parte da realidade. O católico diz que se ocupa exclusivamente da fé, e o cientista diz que se ocupa exclusivamente das provas; ambos celebraram uma espécie de Tratado de Tordesilhas acerca da realidade. O interesse de ambos é mundano, utilitarista e materialista.

Mas a verdade é que as provas do naturalista partem de um pressuposto de fé nas ditas provas, ou seja, o naturalista tem fé (ou tem a certeza) dos seguintes pressupostos, anteriores à própria prova:

1) as leis da natureza (ou as leis da física) são imutáveis e a natureza é uniforme; 2) existe um mundo material exterior que se relaciona com a nossa percepção sensorial; 3) a forma como a nossa percepção sensorial interpreta o mundo “é aquilo que é” na realidade (WYSIWYG — What You See Is What You Get); 4) a lógica e a matemática aplicam-se ao mundo da nossa percepção sensorial.

Nenhum dos 4 pontos são factos (no sentido de “evidence”), mas apenas crenças ou fé acerca da realidade.

Portanto, a esse católico em particular, e ao cientista naturalista, interessa que a fé do cientista seja escamoteada e obnubilada, porque só assim o Tratado de Tordesilhas acerca da realidade pode ser aplicável no mundo dos homens. E é assim que se cria a ilusão de que a ciência e a religião se antagonizam, por um lado, e se cria, por outro lado, a ideia de que é legítimo, e até normal, ao religioso assumir uma posição anti-científica (e vice-versa).

A ler, acerca deste assunto:

Sábado, 6 Agosto 2011

O neopositivimo morreu: viva o niilismo científico!


«Stephen Hawking says that the universe contains as much negative energy as positive energy, and thus, it adds up to nothing, so the mass or energy didn’t need to come from somewhere else. »

Traduzindo, Stephen Hawking diz que o universo contém tanta energia negativa como energia positiva, e por isso, a soma dos factores anula-se, e assim a massa e/ou a energia não necessitam de ter vindo de algum outro lugar. Portanto, segundo Stephen Hawking, o NULO é exactamente a mesma coisa que o NADA. Por muito que nos possa parecer estranho, é este tipo de raciocínio de merceeiro que alimenta os professores das nossas universidades.

Desde logo, a ideia segundo a qual o universo contém tanta (ou a mesma quantidade) de energia negativa como de energia positiva, é pura especulação. Poderá acontecer que um dia isso venha a ser demonstrado de forma objectiva (ou não), mas até agora o que Stephen Hawking faz é especular.

Porém — e mesmo partindo do princípio segundo o qual “o universo contém tanta energia negativa como energia positiva” —, a mais extraordinária característica de uma determinada “ciência” contemporânea, é uma certa tendência para a negação das evidências. É evidente que o nulo, ou zero, é uma realidade quantificável, e portanto, objectiva. O nulo não é o Nada. Acho extraordinário como um físico eminente como é Stephen Hawking não percebe isto..!

Esta ideia de Stephen Hawking esconde ou revela o novo dogmatismo da ciência — que se segue ao decaído dogmatismo do positivismo e do neopositivimo, que claramente caíram em desgraça com as descobertas da física quântica; derrotados pela lógica, houve a necessidade de se criar um novo cientismo que se fecha, agora, em novos dogmas.

Este novo dogmatismo cientificista pretende convencer as pessoas da seguinte ideia :


(-1)+1=0
→ 0 = NADA

sendo que o NADA, segundo Stephen Hawking, é o Não-Ser, embora o Não-Ser não seja entendido por ele como uma forma de Ser.

Nem Heidegger, com o seu “Da-sein”, conseguiu a proeza de ser tão absurdo quanto Stephen Hawking; o filósofo alemão deve estar a revolver-se no seu túmulo, de tanta inveja em relação ao físico inglês.

Terça-feira, 2 Agosto 2011

O universo não cabe num laboratório

Este postal é interessante e vou interligá-lo com estoutro.

1.
Hans Albert colocou o problema desta maneira: “Não é possível garantir absolutamente a verdade de qualquer afirmação, nem sequer a verdade desta afirmação.”

O conceito de “hipótese” (ou “teoria”) só tem sentido racional e lógico se existe uma realidade que comprova a hipótese como sendo correcta ou falsa. Por isso, se nada no mundo é absolutamente certo — ou se não existe uma certeza absoluta acerca do que seja — pelo menos a Totalidade (ou o Englobante), da qual a minha vida e o meu mundo fazem parte, tem que ser real. A realidade da Totalidade garante a realidade da parte [e a Totalidade não é idêntica a uma parte de si própria], por um lado, e a realidade só pode ser deduzida da Totalidade [que não pode ser sujeito nem objecto, mas aquilo que engloba ambos], por outro lado.

Em consequência, a realidade da Totalidade é o pressuposto fundamental de uma visão realista do mundo: temos, pelo menos, uma certeza absoluta (passo a redundância enfatizante): a de que a Totalidade existe e não é só uma hipótese.
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Quarta-feira, 10 Novembro 2010

Isto é ciência ou um Abutriu ?

O Carlos Fiolhais adopta a “técnica do malandro”: cita Stephen Hawking, mas não comenta. E não comenta porque sabe que não poderia fazer a apologia do último livro de Stephen Hawking sem correr o risco de se lhe perguntar se ele tinha alguma noção do que é a Lógica.
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Sexta-feira, 27 Agosto 2010

A liberdade, hoje

Filed under: filosofia,Quântica — orlando braga @ 11:01 am
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Quando falamos, hoje, de liberdade, não podemos ater-nos a ideias do século XIX; não podemos, por exemplo, ignorar as descobertas da micro-física.
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Sexta-feira, 2 Julho 2010

Sobre o Ser e o Não-ser

« O Panteísmo imanentista é uma filosofia interessante e sedutora na medida em que defende que Deus gerou o Universo a partir da sua própria substância e, deste modo, não o criou a partir do Nada. O Universo é gerado e não criado. Assim, parece ficar resolvido e ultrapassado o problema do Nada.

É que do Nada não pode surgir alguma coisa a não ser que o Nada seja tratado como sendo alguma coisa. A criação a partir do Nada, quer seja por Deus quer seja pelo Acaso dos ateus materialistas, levanta uma contradição lógica, pois o Nada para “ser” Nada não pode ser “alguma coisa” e do verdadeiro Nada nada sai ou se produz ou se cria. O Nada é a ausência e a impossibilidade da Existência. Deste modo, é filosoficamente sedutor ver o Mundo como derivado da substância do próprio Deus, conquanto ele não seja Deus. »

Sérgio Sodré

Para resolver este problema, temos que invocar Parménides e Platão. Para o primeiro (no poema “Da Natureza”), “O Ser é, e o Não-ser não é”. Isto parece tautológico, mas não é. Se o Ser é a única coisa que pode ser pensada e dita, ele (o Ser) existe em contraposição ao Não-ser. O mesmo salienta Platão (no “Sofista”): é preciso que exista o Não-ser se quisermos conceber a existência do Ser — isto é, se quisermos pensar, falar, etc.. Para Platão, dizer o que é uma coisa, é dizer o que ela não é.
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Sábado, 24 Abril 2010

O modus operandi da religião é semelhante ao da ciência física

Filed under: filosofia — orlando braga @ 12:35 am
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« A teoria quântica é um exemplo maravilhoso de que podemos ter entendido os factos com toda a clareza e, apesar disso, ao mesmo tempo, sabemos que só podemos falar sobre eles através de imagens e metáforas.

Sabemos que, na religião, se trata necessariamente de uma linguagem em imagens e metáforas que podem representar precisamente aquilo que se pretende dizer. E, neste ponto, o meu conceito de verdade tem ligação com aquilo que as religiões pretendem dizer. Penso que é possível pensar muito melhor todos estes nexos desde que se entendeu a teoria quântica. »

— Werner Heisenberg, físico quântico que descobriu o “Princípio da Incerteza”, in “Der Teil und das Ganze” (A Parte e a Totalidade)

Na religião, o mundo é transformado em uma fórmula. Para o homem religioso, a “realidade” é como um conceito indefinido e nebuloso que no fundo ninguém entende muito bem o que é. Em lugar de construções matemáticas, a religião coloca imagens, símbolos e mitos, obtendo assim um conjunto de instrumentos para a compreensão das noções de um mundo que excede a razão, e para os aplicar na prática da vida.

Estas imagens correspondem à necessidade que o ser humano tem de símbolos e surgem das experiências espirituais de uma cultura — representam a memória profunda da humanidade que permite a comunicação intersubjectiva sobre aquilo que — como dizia Wittgenstein — está acima de tudo o que é possível dizer.

De modo algo semelhante, só é possível traduzir, para a linguagem humana comum, os conceitos matemáticos formais da física quântica através de imagens e metáforas. Finalmente e depois de séculos de embotamento positivista, a ciência percebeu e assimilou o método da religião.

Domingo, 28 Junho 2009

O materialismo ou o ‘disparate do século XX’

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Sábado, 25 Outubro 2008

Thomas Huxley estava errado (11)

Filed under: Quântica,Religare — orlando braga @ 11:40 am
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Pessoa amiga fez-me chegar este vídeo, em que tudo aquilo a que fiz referência neste blogue sobre a ideia de que “Thomas Huxley estava errado”, acaba por ser reconhecido publicamente por um grande agente dos me®dia a nível global, como é a BBC. É um sentimento de “vitória” fantástico! O problema é que o Imperialismo da Física não quer dar o braço a torcer: a ciência continua a dizer que embora Thomas Huxley não tivesse razão, contudo, convém à ciência, por uma questão prática, que Huxley e o seu epifenomenalismo, tenham razão.
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