perspectivas

Terça-feira, 29 Março 2016

O Carlos Fiolhais confunde “técnicos” e “cientistas”

 

“O autor é claro: "De psicologia, de gostos, de tendências e sentimentos quase iguais aos seus, a mulher do sábio deve ser dotada de um grande espírito de sacrifício." Imagine-se agora se o autor pudesse vir cá hoje e verificar que a maior parte dos cientistas são mulheres!

Carlos Fiolhais


Em ciência, existem os trabalhadores e os pensadores. Para os trabalhadores (os técnicos) existem “livros de receitas”: até mesmo um físico medíocre, por exemplo, pode fazer um trabalho de primeira qualidade no laboratório, aplicando fórmulas sem ter em consideração toda a problemática científica e filosófica do seu campo de trabalho.

No manual de metodologia das ciências da natureza de Herbert Pietschmann, distingue-se entre o físico trabalhador, por um lado, e o físico pensador, por outro lado:

“Os físicos trabalhadores que aplicam os métodos da física não têm quaisquer dificuldades em mecânica quântica. Porém, acontece frequentemente que nem sequer têm consciência das suas consequências de longo alcance para a questão da reprodução de uma ‘realidade’. Os conflitos só surgem na tentativa de interpretação da forma como o método utilizado, sem qualquer problema na prática, descreve uma ‘realidade’.”

Gribbin escreveu [John Gribbin (1984) In Search of Schrödinger’s Cat: Quantum Physics And Reality]:

“É precisamente por causa do grande êxito da equação de Schrödinger, como instrumento prático, que muitas pessoas foram impedidas de reflectir profundamente sobre a forma e a razão do funcionamento desde instrumento”.

É politicamente correcto que o Carlos Fiolhais afirme que “a maior parte dos cientistas são mulheres”. Para o Carlos Fiolhais, uma pessoa sentada num laboratório é tomaticamente “cientista”. O politicamente correcto de Carlos Fiolhais causa náuseas.

Domingo, 6 Março 2016

O discurso sinuoso da Helena Damião

Filed under: filosofia — O. Braga @ 1:35 pm
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“Vejo a ciência e a ética do mesmo lado, em última instância a mesma coisa. Isto se entendermos que toda e qualquer acção científica tem subjacente a noção de verdade, mas também a de responsabilidade.”

Helena Damião.

Presumo que o conceito de “ciência”, utilizado pela Helena Damião neste caso, se refere às ciências da natureza. Neste sentido, a ciência é o conhecimento científico positivo que se apoia nos critérios precisos da verificação, permitindo uma objectividade dos resultados.

A ciência não determina a ética; mas a ética não pode ignorar a ciência.

A ideia de “responsabilidade moral” reside na experiência subjectiva e intersubjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas por leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica. A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas”.

A Helena Damião faz uma confusão entre a acção do cientista, enquanto ser humano, por um lado, e a “acção científica” enquanto trabalho da ciência, por outro lado. A acção do cientista pode ser mais ou menos ética; a acção científica — no sentido do método das ciências da natureza — é eticamente neutra.

Sábado, 20 Fevereiro 2016

O positivismo contribuiu decisivamente para a decadência da civilização europeia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:01 pm
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Este texto do Ludwig Krippahl é patético. Ou melhor, é digno de um analfabeto funcional; e o problema é o de que ele o entende como parte de uma “filosofia”. O Ludwig Krippahl pretende “filosofar”, o que é normal; toda a gente “filosofa”, de uma maneira ou doutra, mas nem toda a gente o faz com método. O texto do Ludwig Krippahl é uma logomaquia.

Ao longo da História, o Absoluto foi interpretado como espírito (Platão), como vontade (Schopenhauer), como alma (Giordano Bruno), como Eu (Fichte) como matéria (Helvécio) ou como História (Karl Marx) — para referir apenas alguns filósofos. Sempre se declarou apenas um aspecto do nosso mundo como fundamento da Totalidade. E na medida em que a Totalidade não é idêntica a uma parte de si própria, surgiram sempre dificuldades com as várias tentativas de solução do problema do Absoluto. Ou seja, tornou-se evidente que a Totalidade é mais do que a soma das suas partes, ou que não era possível incluir um importante aspecto parcial do mundo na respectiva definição da Totalidade.

Ora, o Ludwig Krippahl — seguindo a linha ideológica do Positivismo — transforma a ciência empirista em mais um conceito de Absoluto. Pergunta-me o leitor: ¿será que ele percebe isto? Penso que não percebe, porque ele teria que ter uma ideia aprofundada dos vários conceitos de Absoluto ao longo da História; e a julgar pelo texto dele, ele não conhece Platão e os outros referidos, senão de nome. Ou seja, parece-me que o Ludwig Krippahl não tem autoridade de facto para discutir filosofia com o Domingos Faria.


Temos o caso do pensador alemão Hans Blumenberg que, quando morreu em 1966, revelou ao mundo, em um trabalho hercúleo, que todas as “narrativas” perderam o seu valor, que não existe nenhuma verdade filosófica ou religiosa para os seres humanos, e que o ser humano tem que aprender a morrer resignado. O niilismo e o desespero como último conhecimento — esta é maneira de pensar que está hoje muito difundida.

Para não caírem no absurdo total, os positivistas — como por exemplo Carnap, a quem o Ludwig Krippahl obedece —, em vez de reconhecerem que o mundo teve a sua origem no Absoluto (a que se convencionou chamar “Deus”), declararam que a questão do Absoluto é apenas “aparente”. Segundo o positivismo, seria melhor nem sequer nos ocuparmos com questões desse tipo: pelo contrário, a filosofia deveria limitar-se àquilo que se pode perceber através dos sentidos, pois (alegadamente) só isso é seguro, mensurável e objectivo (só o que se pode medir é seguro).

Ou seja, segundo o Ludwig Krippahl, a leitura de um ponteiro em um instrumento de medição representa o único método defensável para responder às questões filosóficas.

Poincaré defendeu a seguinte tese: imaginemos que, na noite passada, enquanto todos (incluindo o Ludwig Krippahl) dormíamos, tudo no universo aumentou para o dobro do seu tamanho. Obviamente que a placa de platina e de irídio de Paris também aumentou para o dobro; 1 metro passou a ser 2; as trajectórias dos electrões aumentaram, assim como a órbita da Lua. Resultado: o Ludwig Krippahl não registaria qualquer aumento das dimensões; mas Carnap e o Ludwig Krippahl continuariam a afirmar que as suas medições descrevem e sondam a realidade de maneira suficiente.

Mas a verdade é que as medições, por si sós, não constituem a chave suficiente para a realidade. Por muito que a posição do Ludwig Krippahl seja “esclarecida”, ele tem que se confrontar com outro problema difícil que resulta da sua (dele) forma de pensar: ele próprio, como um ser consciente de si mesmo, como um Eu muito particular, nem sequer pode aparecer no mundo que ele próprio definiu — porque o Ludwig Krippahl não pode ser medido.

Santo Agostinho (¿será que o Ludwig Krippahl já leu alguma coisa de Santo Agostinho? Duvido!, porque se trata de um santo da Igreja Católica) dizia que eu sou sempre eu a pensar alguma coisa acerca de mim mesmo. Por isso, sou logicamente sempre mais do que aquilo que penso de mim mesmo, uma vez que me dividi. Por um lado, sou aquilo que penso sobre mim, ou seja, sou o conteúdo do meu pensamento. Mas, por outro lado, sou aquele que pensa este conteúdo. O conteúdo do pensamento é uma coisa; mas o pensamento activo desse conteúdo não é uma coisa. Por um lado, sou objecto sobre o qual penso, mas por outro lado sou sujeito que pensa sobre si próprio. O conteúdo do pensamento que penso sobre mim é incompleto e, por isso, não me abrange suficientemente — sou sempre mais do que aquilo que penso sobre mim. E dado que o mesmo se passa com Carnap e com o Ludwig Krippahl, também eles não se podem medir a si próprios de forma exaustiva.

A comparação entre a forma de pensar de Carnap e de Santo Agostinho revela como a civilização europeia entrou em decadência com a modernidade, com a elevação da ciência empirista a uma metafísica que nega a Metafísica. E o Ludwig Krippahl (entre muitos outros) personifica essa decadência intelectual.

Quinta-feira, 18 Fevereiro 2016

A “causa” científica, e a interpretação do nosso cérebro

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:08 am
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Quando uma pedra está ao sol, aquece. ¿Será o Sol a “causa” do calor na pedra? A “causa” é uma ideia que existe apenas na nossa cabeça.

Não é possível ver a causa em lugar algum. Ela só existe no nosso pensamento.

Portanto, o facto da pedra aquecida pelo Sol é um produto da percepção sensorial e do esforço interpretativo do nosso cérebro.

Transportamos connosco — no cérebro — um conjunto de interpretações e aplicamo-las ao caos das percepções sensoriais, de modo a que possa nascer daí um mundo ordenado. É como se andássemos sempre com uns óculos com determinadas características, e só reconhecemos a estrutura do mundo através das suas lentes estruturadas.

Terça-feira, 9 Fevereiro 2016

O politicamente correcto diz que “as ciências são todas iguais”

 

“Centenas de pseudo-cientistas andam por esse mundo fora citando-se uns aos outros e baseando as suas “descobertas” nas “descobertas” dos seus prestigiados colegas cujo prestígio saiu do facto de terem escrito alguma coisa a que dão muita importância, mas cuja fundamentação científica nunca existiu. É todo um edifício de “conhecimento” que se sustenta em pilares de igual valia científica e que se reclama de modernidade e originalidade ao ponto de designarem a ciência clássica como “mainstream” ou “ortodoxa” (acreditem, já ouvi…). Usam o termo “ciências sociais” para poderem usufruir de regras paralelas à ciência e não, como seria de esperar, ciência dedicada a fenómenos sociais.”

O Rerum Natura, por exemplo, nunca subscreveria este artigo. A única coisa que os preocupa é a homeopatia. Tal como a Raquel Varela, o Rerum Natura diz que “todas as ciências são exactas”, ou seja, que “não há umas ciências mais exactas do que outras”: o radicalismo igualitarista exige que todas as ciências sejam iguais. Raquel Varela escreveu o seguinte:

“A separação entre ciência fundamental e aplicada, ou entre ciências sociais e exactas é fictícia, e do ponto de vista produtivo, regressiva.”

É este o novo paradigma: todas as ciências são iguais; já estamos longe do “everything goes” de Feyerabend: passamos já à Era do “everything is the same” da pseudo-ciência que o Rerum Natura não reconhece como tal.

Aquilo que a chamamos hoje “pseudo-ciência” é mais cientismo do que outra coisa: o controlo da ciência pela ideologia política. A ciência está sitiada; e o Rerum Natura está calado, como seria de esperar. E este novo cientismo tem origem no romantismo contemporâneo de que falei aqui.

Domingo, 31 Janeiro 2016

Os globalistas criaram o mosquito transgénico do vírus Zika

Filed under: cultura — O. Braga @ 12:48 pm
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bill-gatesVemos neste vídeo em baixo o que significa a palavra “prometaico”, que deriva da figura mitológica grega que deu pelo nome de Prometeu, e que estava convencido de que o conhecimento (a ciência) traria a solução para todos os problemas da humanidade. Quando Prometeu desobedeceu a Zeus, este criou Pandora, uma mulher lindíssima, e deu-lhe uma caixa em que estavam encerrados todos os males possíveis e imaginários. Ainda hoje se utiliza a expressão “caixa de Pandora” para designar o castigo de Zeus a Prometeu que é o símbolo do homem revolucionário.

O vídeo demonstra como Bill Gates financiou a criação do mosquito transgénico que inocula o vírus Zika nas Américas. Não podemos afirmar que Bill Gates agiu propositadamente, mas podemos certamente dizer a figura prometaica que é Bill Gates abriu uma caixa de Pandora cujas consequências são imprevisíveis.

O homem moderno está convencido de que a ciência controla a Realidade. Trata-se de uma espécie de fé religiosa em relação à ciência, uma fé no poder absoluto do ser humano sobre a Realidade. A ciência está convencida de que, através da verificação estatística, pode prever o futuro; mas a verdade é que a estatística baseia-se no passado, e não há nenhuma garantia de que o futuro se possa basear absolutamente no passado.

 

Terça-feira, 5 Janeiro 2016

A epigenética e a adopção de crianças por pares de invertidos

Filed under: Política — O. Braga @ 12:07 pm
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Se adopção de crianças é hoje concebida em termos exclusivamente utilitaristas e behaviouristas — o que é verdade! —, então segue-se que a epigenética (a ciência) irá certamente aconselhar que não seja permitida a adopção por pares de homossexuais.

“Um dos primeiros cientistas a sugerir que os hábitos de vida e o ambiente social em que uma pessoa está inserida poderiam modular o funcionamento de seus genes foi Moshe Szyf, professor de Farmacologia e Terapêutica da Universidade McGill, no Canadá.

Szyf também foi pioneiro ao afirmar que essa programação do genoma – que ocorre por meio de processos bioquímicos baptizados de mecanismos epigenéticos – seria um processo fisiológico, uma espécie de resposta adaptativa ao ambiente que começa ainda na vida uterina”.

Pioneiro da epigenética fala sobre relação entre ambiente e genoma

Obviamente que a ciência não determina a ética; mas não pode deixar de ser tida em consideração pelos eticistas. Ignorar a ciência é loucura.

Domingo, 27 Dezembro 2015

A estupidez do Carlos Fiolhais

 

Não está escrito em lugar nenhum na Bíblia que é o Sol que se move em torno da Terra — ao contrário do que o estúpido Carlos Fiolhais afirma aqui; eis um exemplo da degradação da cultura intelectual da nossa sociedade. Já não há paciência para tanta estupidez das “elites” coimbrinhas.

O que se passou com Galileu foi explicado aqui: havia um paradigma válido que era o sistema de Ptolomeu, que podia explicar melhor muitos fenómenos celestes. Isto não tem nada a ver com a Bíblia — ao contrário do que o estúpido afirma —, mas antes tem a ver com o exercício da autoridade; e o exercício da autoridade baseado em paradigmas ainda existe hoje, e o estúpido Carlos Fiolhais tem sido um dos representantes dogmáticos de alguns paradigmas autoritários, por exemplo, a síntese moderna do darwinismo.

Mas quando o Carlos Fiolhais diz que a ciência é a condição da democracia, já não é estupidez: é ignorância!

A democracia moderna surgiu em Inglaterra por causa da guerra civil inglesa do século XVII (Cromwell), e não por causa de qualquer desenvolvimento científico.

E quanto à alegação do Carlos Fiolhais segundo a qual “a ciência floresce melhor em democracias”, não explica por que razão o regime de Hitler, isolado contra todo o mundo anglófono (e não só), esteve muito próximo da bomba atómica, e foi o precursor da propulsão dos foguetões que os Estados Unidos aproveitaram através de Von Braun.

Domingo, 5 Julho 2015

A primeira lei da termodinâmica e o dualismo metafísico

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 7:22 am
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Em metafísica, “dualismo metafísico” é a teoria segundo a qual a realidade é formada de (pelo menos) duas substâncias independentes uma da outra e de natureza absolutamente diferente: o espírito e a matéria, ou, como em Descartes, a alma e o corpo.

Não confundir com “dualismo ontológico” de diferentes sistemas religiosos que admitem, para o universo, não apenas um, mas dois princípios de explicação ou de origem (por exemplo, o maniqueísmo , ou a gnose).

“Dualismo” é, neste verbete, entendido como “dualismo metafísico”.


A grande dificuldade da afirmação do dualismo é a primeira lei da termodinâmica:

Primeiro princípio ou axioma da termodinâmica: princípio da equivalência (ou conservação de energia): a energia não pode ser nem criada nem destruída, mas apenas transformada. Num sistema fechado, a sua energia total permanece constante e representa o “equivalente mecânico” do calor.

A primeira lei da termodinâmica é equivalente, por assim dizer, à lei de Lavoisier: na Natureza, nada se cria, nada se perde, e tudo se transforma.

Portanto, o actual raciocínio científico “politicamente correcto” (paradigma) é o seguinte:

  • se o universo é um sistema fechado e é constituído por matéria (seja o que for o que se entenda por “matéria”), então não pode haver lugar para o espírito, nem pode haver qualquer influência do espírito sobre a matéria (o cérebro). Se o espírito quiser actuar sobre a matéria do cérebro a partir do exterior, tem que desrespeitar a primeira lei da termodinâmica — ou seja, seria necessária uma energia material exterior ao sistema físico para influenciar a matéria.

Em última análise, para que a primeira lei da termodinâmica fosse respeitada (porque a energia no universo tem de permanecer constante, segundo a primeira lei da termodinâmica), o espírito também seria uma qualquer forma de matéria, e, neste caso, deixaria de fazer sentido o conceito de “dualismo”.

Portanto, a ciência clássica parte do princípio de que o universo é um sistema fechado, e só em um sistema fechado a primeira lei da termodinâmica faz sentido e pode ser aplicável.

E se a primeira lei da termodinâmica é válida, então segue-se que não pode existir espírito e/ou alma, e as ideias e os pensamentos não passam de epifenómenos da actividade química do cérebro1 . Paul Churchland, por exemplo, supõe que é possível substituir a frase: “O senhor Manuel pensa que…”, pela afirmação: “No cérebro do senhor Manuel disparam no momento T1 os neurónios N1 a N12 do núcleo X, desta e daquela maneira”.

Portanto, ser cientista, segundo o paradigma clássico, significa não só a negação do espírito ou/e alma, mas também significa literalmente ser ateu. Surge então a Teoria da Identidade. 2


 
A física quântica veio alterar este paradigma científico, colocando em causa a concepção do universo como sistema fechado.

human-spiritA “amplitude de probabilidade de função de onda” (ou “função de onda quântica”, ou ainda, na terminologia mais recente, “vector de estado“), por exemplo, de uma partícula atómica, não constitui um campo material (ou não tem massa ou tem uma massa mínima), mas actua sobre a matéria ao causar a probabilidade de um processo de partículas elementares.

Estamos a falar de um facto científico baseado na experimentação, e não apenas de uma teoria. Este facto científico abriu as possibilidades de estados finais diferentes resultantes de processos dinâmicos idênticos, e sem que tivessem sido alteradas as condições iniciais (como, por exemplo, o abastecimento de energia).

Ou seja, segundo a ciência mais recente, o universo como sistema fechado e a primeira lei da termodinâmica estão colocados em causa. A primeira lei da termodinâmica pode ainda ser utilizada em ciência da mesma forma que o conceito de “absoluto” foi utilizado por Newton para elaborar a sua Dinâmica (o conceito de “absoluto”, em Newton, era uma espécie de muleta).

Resulta disto que a alma ou/e espírito não são produto da evolução (“evolução” entendida no sentido naturalista e darwinista), e que o dualismo metafísico passa a fazer sentido mesmo à luz da ciência. Hoje já não faz sentido que um cientista seja necessariamente ateu, ou que defenda uma mundividência naturalista do ser humano.


Notas
1. por exemplo, segundo Susan Blackmore, Rodolfo Llinas, Paul e Patrícia Churchland.

2. Para a “teoria da identidade”, as ideias não possuem qualquer realidade própria, sendo apenas um produto da actividade neuronal. Aquilo que é primário [aquilo que está em primeiro lugar] são os processos químicos e físicos nos neurónios, que decidem o que eu penso, o que faço e o que sou.

Karl Popper demoliu a “teoria da identidade” quando demonstrou que esta teoria não pode ter qualquer sentido se obedecer aos seus próprios pressupostos: se as minhas ideias não podem existir sem suporte físico, ou seja, se as minhas ideias são produtos e portanto, efeitos, da química que se processa no meu cérebro, então nem sequer é possível discutir a “teoria da identidade”. Esta teoria (da Identidade) não pode ter qualquer pretensão de verdade, visto que, por exemplo, as provas dela decorrentes são igualmente química pura. Se alguém defende uma teoria contrária, também tem razão, dado que a sua química chegou a um resultado diferente. Karl Popper chama a esta armadilha lógica de “pesadelo do determinismo físico”.

Domingo, 10 Maio 2015

A verdade científica é uma crença, embora de grau superior

Filed under: filosofia — O. Braga @ 11:46 am
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“Crença” remete para o grau mais fraco do assentimento, ou da opinião — por exemplo, “creio que a verdade está na ciência” —, ou para um conhecimento propriamente dito, de origem externa e transformado em hábito — por exemplo, toda a gente “acredita” que a Terra é redonda. Ou seja, a crença pode portanto referir-se a uma “verdade” científica adquirida e que não é colocada em questão.

Não é por que a ciência defende uma determinada posição como sendo “verdadeira” que essa posição deixa de ser uma crença. Quando eu vejo gente como a Helena Damião ou os outros do Rerum Natura escrever coisas destas, fico com os cabelos em pé:

“As crenças são ideias a que nos afeiçoamos e que tomamos por verdades, ainda que não tenham suporte científico ou, mesmo, lógico. Fazem parte de nós, precisamos delas; sem crenças a nossa vida seria pouco interessante… Mas elas têm um lugar, e é nesse lugar que as devemos manter. Se queremos estudar física, antropologia, filosofia ou pedagogia é preciso estarmos muito atentos ao que pensamos e perguntarmos com frequência: será uma crença ou será um dado objectivo?

Em todas as áreas do saber que exigem objectividade, mesmo aquelas que se afirmam robustas, as crenças rodam e, sempre que podem, insinuam-se como certezas (é esta a sua tendência), há que ter uma permanente atenção a isso mesmo.”

A crença da Helena Damião, expressa na citação supracitada, não passa disso mesmo: uma crença. A crença pode referir-se a uma “verdade objectiva” — sendo que “verdade objectiva” é sinónimo de “verdade intersubjectiva”, porque não existe objectividade sem ser corroborada.

As “verdades” constatadas pela ciência são crenças de grau superior, mas não deixam de ser crenças; e são crenças de grau superior apenas na medida em que se baseiem no experimentalismo. Mas mesmo a verdade no experimentalismo — por exemplo, com Roger Bacon — é sustentada pela indução por enumeração simples. Stuart Mill formulou quatro regras de método indutivo, mas essas regras só são úteis se aceitarmos a lei da causalidade 1 ; mas esta lei tem como base a indução por enumeração simples 2 : ou seja, Stuart Mill pouco adiantou em relação ao método indutivo de Bacon.

Filósofos como por exemplo Karl Popper insistiram no “círculo vicioso” da indução evocando, por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais, que é em si mesmo um princípio geral que, portanto, não pode ter sido estabelecido indutivamente. Karl Popper tira daqui o argumento para recusar à ciência fundar-se na indução.

Portanto, o experimentalismo, por si só, não é suficiente para determinar qualquer “verdade objectiva”, embora a “verdade científica” seja uma crença de grau superior.


Notas
1. “Todo o fenómeno tem uma causa”.

2. Por exemplo, um antropólogo vai a uma aldeia portuguesa verificar quantas mulheres têm “Maria” no seu nome. Maria Isabel, Ana Maria, Maria Antónia, Maria Inês, Paula Maria, Maria Josefina, etc., e ao fim de 100 Marias, o antropólogo, assumindo o método de indução por enumeração simples, resolve encerrar a investigação, embora ainda faltassem investigar cinco mulheres; e uma das cinco que faltavam na investigação chamava-se Ambrósia Joaquina.

Quinta-feira, 2 Abril 2015

O disparate do materialismo ateísta

Filed under: filosofia — O. Braga @ 11:31 am
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Os ateus são pessoas que se reúnem — na Internet, em fóruns, em blogues, em colóquios, em conferências, etc. — para protestar contra Aquele (Deus) que eles dizem que não existe.

 

olavo-de-carvalho-ateismo-web

O Ludwig Krippahl escolhe bem as suas “vítimas”. Tentou “discutir” comigo acerca de religião, e cedo se deu conta de que mais valia procurar “vítimas” mais fáceis de “caçar”. A estratégia retórica do Ludwig Krippahl é a amálgama: mistura, em um mesmo texto, alhos com bugalhos, na esperança de que, através da ciência, se opere um milagre e os alhos se transformem em bugalhos (ou vice-versa). Olhem para este texto verifiquem a amálgama. Olavo de Carvalho tinha razão quando escreveu o seguinte:

“A mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação. Uma única palavra falsa requer muitas para ser desmentida.”

Refutar aquele texto do Ludwig Krippahl daria um ensaio de muitas páginas. A única forma de denunciar a erística dos argumentos-cacete do Ludwig Krippahl sem escrever um ensaio, é focalizando a nossa atenção em alguns argumentos-chave do referido texto: por exemplo, “verificação”, “crença”, “verdade”, “autoridade”, e obviamente “ciência” que, alegadamente, se opõe à  religião.


Comecemos pela alegada oposição entre ciência e religião. “Oposição”, aqui, deve ser entendida no sentido dialéctico: “Não nos devemos cansar de estudar os extremos opostos das coisas. O mais importante não é encontrar o ponto comum, mas deduzi-lo dos contrários; é este o segredo e o triunfo da arte” (Giordano Bruno). Invoco aqui Bruno para que não se diga que estou a utilizar uma autoridade eclesiástica católica qualquer.

Mesmo que a religião e a ciência estivessem em oposição, não nos deveríamos cansar de estudá-las — embora o mais importante não seja encontrar o ponto comum, mas antes deduzir esse ponto comum dos dois contrários. Desprezar os contrários ou um dos contrários, significa estupidez.

Mas a verdade é que a ciência e a religião não se encontram em oposição.

Perante as descobertas científicas da física quântica, o materialismo ateísta é a maior estupidez que pode existir no século XXI. Ser materialista, no sentido ateísta, é a negação da ciência. O antagonismo clássico “ciência contra a religião” já não existe actualmente: foi a própria ciência que o eliminou, ao alterar a sua auto-concepção e a sua exigência de validade. Não é de admirar que, no fim da investigação das partículas elementares (física quântica), surja nos ateus materialistas um grande silêncio: pelo menos, o disparate do século XX seria perfeito.

Nas ciências empíricas, é discutível falar de “verificação”. Karl Popper demonstrou que se pode estabelecer experimentalmente a falsidade de uma hipótese, embora não seja possível estabelecer a sua verdade (falsificabilidade). A “verificação” do Ludwig Krippahl é isto: pode-se dizer que uma coisa é falsa, mas não se pode dizer que outra coisa é verdadeira. E ele sente-se superior às pessoas religiosas apenas e só por isto…!

Dizer que “apenas a religião se baseia em crenças”, é ser intelectualmente míope. Duma maneira geral, a crença é adesão a uma ideia, um pensamento, uma afirmação, uma teoria, um dogma… Nesse sentido, a ingenuidade, o preconceito, o erro, a fé, a opinião, assim como o saber científico, são diferentes formas de crença.

Por último, afirmar que “na ciência não há autoridade de direito”, é tentar enganar os pacóvios. Basta que na ciência existam paradigmas para que prevaleça sempre a autoridade dos que seguem o paradigma vigente.

Segunda-feira, 9 Fevereiro 2015

¿O que é que tem a ver a ciência com o “marido” do Alexandre Quintanilha?!

 

 

O Carlos Fiolhais  — ¿quem poderia ser, senão ele? — publicou no blogue Rerum Natura uma entrevista com o Alexandre Quintanilhaem que ele aponta o dedo à pseudo-avaliação da FCT da ciência nacional” (sic). Algumas pérolas do Alexandre Quintanilha:

“Apesar de viverem numa sociedade católica, [as pessoas] são livres na sua forma de estar, como é o caso das vizinhas que à varanda o vêem descer a rua de braço dado com o marido e cumprimentam o casal, como qualquer morador do bairro.”

(…)

“Dou um exemplo pessoal. Casei-me com o Richard [Zimler] em Portugal. Algo impensável há dez anos. Os meus amigos lá fora ficaram espantadíssimos. Portugal evoluiu imenso. Há milhares de jovens que, por exemplo, vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais.”
(…)
“E, portanto, o investimento na educação teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir. É um certo empowerment que as pessoas adoptaram, mas que infelizmente está a enfraquecer porque muitos não sabem se vale ou valeu a pena.”

Reparem bem:

1/ Portugal evoluiu imenso porque o Alexandre Quintanilha “casou-se” com o Richard Zimmler.

2/ A “evolução” de Portugal foi tão grande que “há milhares de jovens que vivem com outros jovens sem se casarem, têm filhos sem se casarem, e seguem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

3/ Toda essa “evolução” deveu-se ao  “investimento na educação” que “teve um impacto enormíssimo mesmo que por vezes seja difícil de medir”. Foi o grande “investimento na educação” (de José Sócrates)  que permitiu que o Alexandre Quintanilha andasse de mãos dadas com o “marido” e vice-versa, e que incentivou que “milhares de jovens passassem a viver com outros jovens sem se casarem, terem filhos sem se casarem, e seguirem os seus sonhos contra a vontade dos pais”.

4/ Portanto, educação que se preze é contra os pais. Educar as crianças ou jovens contra os pais é sinal de “evolução” da sociedade.

Por outro  lado, a promiscuidade sexual é sinal de progresso e de “evolução” — simplesmente não é possível a investigação científica sem umas orgias no laboratório da universidade. Aliás, o governo de Passos Coelho, através do FCT, deveria facultar um “subsídio de coito” para os investigadores, para além da Bolsa: investigação científica digna desse nome não passa sem um subsídio de coito.

5/ Uma sociedade sem “casamento” gay, por um lado, e sem surubas estudantis, por outro  lado, não pode progredir na ciência. O “casamento” gay está directamente ligado ao progresso da ciência.

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