perspectivas

Sábado, 5 Novembro 2016

A burrice da ciência, ou a ciência da burrice

 

Não é preciso ser cientista para desconfiar da homeopatia; mas é preciso ser cientificamente burro para mencionar Santo Agostinho acerca da astrologia sem se dar conta de que o Santo criticou o alegado desígnio divinatório da astrologia: quando se acredita que a astrologia prevê o futuro, também devemos desconfiar dela, como fez Santo Agostinho. Mas a astrologia não é a adivinhação do futuro; ou não devia ser assim interpretada.

É um erro argumentar contra a homeopatia utilizando a lógica (como faz o homúnculo); assim como é um erro, por exemplo, utilizar a lógica formal para tentar justificar o princípio da complementaridade (onda/partícula). O único argumento válido contra a homeopatia é o da verificação, ou falta dela (as estatísticas, a indução) — assim como um argumento válido contra a astrologia (enquanto entendido como um instrumento de previsão do futuro) é a verificação, uma vez que qualquer ciência positivista se baseia nos factos do passado.

Se a validação de um facto científico positivista dependesse apenas da lógica, não faria falta a verificação. E, neste contexto, comparar a homeopatia com a astrologia (ou meter as duas coisas no mesmo saco) só pode vir de uma mente obtusa.

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Terça-feira, 17 Maio 2016

O David Marçal, a mecânica de Newton e a astrologia (parte II)

Filed under: Ciência — O. Braga @ 8:50 am
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(em continuação do verbete anterior)

Pessoas como o David Marçal ganharam notoriedade pública devido ao politicamente correcto, e por isso têm acesso livre aos me®dia. O politicamente correcto é o “bom gosto” actual; e aquilo a que (sempre) se considerou de “bom gosto”, ao longo da História moderna da Europa, fez mais vítimas inocentes, só nos últimos 200 anos, do que a Igreja Católica desde a Antiguidade Tardia (incluindo as cruzadas, a Inquisição, as guerras religiosas na Europa, a colonização, etc.).

No verbete anterior abordamos o anacronismo da lei gravitacional de Newton na medida em que serve de fundamento à principal crítica dita “científica” do David Marçal em relação à astrologia. Hoje temos a Teoria da Relatividade e a física quântica (embora não compatíveis entre si), que fazem com que a mecânica de Newton se remeta à utilidade do ensino secundário. O David Marçal parece ter parado no tempo; não há Zodíaco que o valha.


É conhecida a teoria das marés de Galileu, que se demonstrou errada porque ele baseou a sua teoria apenas no movimento de rotação da Terra, e propositadamente não tomou em consideração a influência da Lua no movimento das marés. Galileu não colocou a hipótese da influência lunar no movimento das marés porque tinha um preconceito negativo — normal entre os naturalistas daquela época — em relação à astrologia.

Recorde-se o principal argumento do David Marçal contra a astrologia:

“De todas as implausibilidades, a menos implausível é a gravidade. Mas a força gravítica é proporcional à massa dos corpos (o Sol é gigante e determina o movimento dos planetas no sistema solar) mas diminui com o quadrado da distância. Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra). Como afirmou o astrónomo e divulgador de ciência Carl Sagan: «Marte tem muito mais massa, mas o obstetra está muito mais próximo.» E mesmo que houvesse uma qualquer influência da posição dos astros durante o nascimento, ficaria por demonstrar que isso seria determinante para o resto da vida”.

Tal como Galileu, o David Marçal faz de conta que a Lua não existe.

“Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra)”.

Só a Terra existe — tal como raciocinou Galileu na sua teoria das marés; para o David Marçal, a Lua não existe. E ele chama à sua tese de “científica”; ele fala em nome da ciência, e até invoca o argumento de autoridade de Carl Sagan. Basta só o facto de o David Marçal se ter esquecido da Lua, para que o seu principal argumento contra a astrologia ir pela pia abaixo.

Quando, em um manicómio, existirem perturbações comportamentais entre os doentes mentais durante a Lua Cheia, o David Marçal irá chamar uma catrafada de obstetras para acudir à crise.


O segundo argumento do David Marçal contra a astrologia é o seguinte:

“Por causa do movimento de precessão do eixo da Terra, as zonas do céu em que vemos as constelações ao longo do ano não são as mesmas de quando a astrologia foi inventada.”

Em primeiro lugar, parece que o David Marçal acredita que qualquer tipo de experiência indutiva (ciência de qualquer espécie) é uma invenção humana — o que é típico do positivismo. A experiência humana face aos factos e aos fenómenos é considerada uma “invenção humana”. Os números primos, por exemplo, também são considerados como uma “invenção humana”, por um lado; e por outro lado, “a lógica evolui”.

Perante o arquétipo mental do David Marçal, só nos resta sorrir…

Em segundo lugar, a tese do “movimento de precessão do eixo da Terra” confunde “signos do Zodíaco”, por um lado, com “constelações do Zodíaco”, por outro lado. Ou seja, o David Marçal confunde a “estrada da Beira” com a “beira da estrada”.

A astrologia ocidental — dita “Tropical” — é baseada na posição dos planetas calculada em função do “trânsito” do Sol conforme visto da Terra, em vez dos padrões aparentes das estrelas mais distantes — como invoca o David Marçal.

Ptolomeu instituiu um sistema em função da chamada “Precessão dos Equinócios” (detectado pelo grego Hiparco), fazendo com que o Zodíaco se iniciasse em Carneiro com a posição do Sol no equinócio da Primavera. Ou seja, o Zodíaco (tropical) é estático e não é afectado pelas mudanças do eixo da Terra. No entanto, Ptolomeu manteve os nomes antigos dos signos no seu sistema actualizado, nomes esses que eram os mesmos das constelações artificiais antigas desde o tempo da Babilónia e da Mesopotâmia — e foi isso que causou a confusão do David Marçal.

Ou seja, o Zodíaco (Tropical) mantém-se inalterado desde há cerca de 2.200 anos.

Mesmo os astrónomos modernos utilizam ainda o sistema do Zodíaco de Ptolomeu naquilo a que chamam de Sistema de Coordenadas Eclípticas, que corresponde exactamente aos signos do Zodíaco Tropical.

Com Ptolomeu, a astrologia ocidental (Tropical) passou a reger-se pelo Tempo, e não pelo espaço exterior ao sistema solar.

Segunda-feira, 16 Maio 2016

O David Marçal, a mecânica de Newton e a astrologia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:05 am
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O David Marçal utiliza aqui a lei gravitacional de Newton para refutar a publicação astrológica nos jornais. Eu estou de acordo com ele no sentido em que a “astrologia das massas”, publicada nos jornais, não faz qualquer sentido — embora exista um denominador comum mínimo inerente a cada nativo de um determinado signo astrológico. Mas quando o David Marçal utiliza o argumento da lei gravitacional de Newton contra a astrologia em geral, faz tábua rasa dos conceitos mais actuais da física.

“De todas as implausibilidades, a menos implausível é a gravidade. Mas a força gravítica é proporcional à massa dos corpos (o Sol é gigante e determina o movimento dos planetas no sistema solar) mas diminui com o quadrado da distância. Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra). Como afirmou o astrónomo e divulgador de ciência Carl Sagan: «Marte tem muito mais massa, mas o obstetra está muito mais próximo.» E mesmo que houvesse uma qualquer influência da posição dos astros durante o nascimento, ficaria por demonstrar que isso seria determinante para o resto da vida”.

A lei gravitacional de Newton ainda é utilizada em termos práticos; mas em Newton ainda não existia a noção de “campo”. Einstein demonstrou que os campos electromagnéticos são entidades físicas por si próprias, que podem viajar pelo “espaço vazio” e que não podem ser explicadas mecanicamente.

Tudo começou em Maxwell e Faraday. Em vez de interpretar a interacção entre carga positiva e carga negativa, dizendo simplesmente que as duas cargas se atraem como duas massas na mecânica newtoniana, Maxwell e Faraday acharam mais apropriado dizer que cada carga cria uma “perturbação”, ou uma “condição” no espaço em redor, de modo que a outra carga, quando está presente, sinta compulsão. Esta condição no espaço, que tem a potencialidade de produzir uma compulsão, foi por eles chamada de “campo”: é criado por uma única carga, e existe independentemente da outra carga estar presente para sentir o seu efeito.

Na perspectiva newtoniana (que o David Marçal adopta para criticar a astrologia entendida em si mesma, e não só a astrologia das massas publicada pelos me®dia), as “forças” estavam rigidamente ligadas aos corpos em que actuavam. Com o conceito de “campo”, o conceito de “força” foi substituído pelo conceito mais subtil de um “campo” que tinha a sua realidade própria, e podia ser estudado sem qualquer referência aos corpos materiais.

Hoje sabemos que a massa de corpo nada mais é do que uma forma de energia (teoria restrita de Einstein). Mesmo um corpo em descanso tem energia armazenada na sua massa, e a relação entre as duas é dada pela equação E=mc^2. A força da gravidade (teoria geral de Einstein) tem o efeito de curvar o espaço e o tempo; isto significa que a geometria euclidiana comum deixa de ser válida num espaço curvo. O espaço tridimensional é realmente curvo, e a curvatura é causada pelo campo gravitacional dos corpos maciços. Onde quer que haja um objecto maciço, por exemplo, uma estrela ou um planeta, o espaço que os rodeia é curvo, e o grau de curvatura depende da massa do objecto. E como o espaço nunca pode ser separado do tempo, também o tempo é afectado pela presença da matéria, fluindo diversamente por partes diferentes do universo. É de notar que a noção de “espaço vazio” é hoje obsoleta.

Ora, há que convir que a curvatura do espaço-tempo causada pela massa do médico obstetra não é da mesma grandeza da que é causada pela massa do Sol. Ou seja: a distância entre corpos é importante para a astrologia e para a Física, mas não é o mais importante.

Referi-me aqui apenas à relatividade de Einstein, ou seja, não entrei na quântica — porque, do ponto de vista da física quântica, o argumento do David Marçal é ainda mais absurdo. O David Marçal tem que escolher entre a filosofia da ciência ou a bioquímica: se optar pela primeira, não pode utilizar argumentos desse calibre. E se optar pela bioquímica estará no seu ambiente mais cómodo, evitando escrever asneiras.

Note-se que este verbete ataca o argumento do David Marçal (Reductio ad absurdum), mas não defende a astrologia como ciência positivista. Mas repare-se neste trecho do David Marçal:

“E mesmo que houvesse uma qualquer influência da posição dos astros durante o nascimento, ficaria por demonstrar que isso seria determinante para o resto da vida”.

O David Marçal pensa que a astrologia defende que a “influência da posição dos astros no momento do nascimento”, segundo astrologia, é determinante para o resto da vida”. Mas nenhum astrólogo sério e reputado defende esta noção expressa pelo David Marçal: a única astrologia que o David Marçal conhece é a que vem publicada nos me®dia; e, no entanto, o David Marçal não se coíbe de ter opinião sobre aquilo que não sabe.

Domingo, 5 Abril 2015

São Pio de Pietrelcina e os astros

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 9:06 am
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São Pio de Pietrelcina nasceu (alegadamente) às 16:10 horas do dia 25 de Maio de 1887, na aldeia de Pietrelcina, em Itália, com as seguintes coordenadas: 41° 11′ 51” Norte, 14° 50′ 53” Este.

São Pio de PietrelcinaEm uma carta astral, uma diferença de alguns minutos em relação à hora real de nascimento, pode fazer toda a diferença. Por isso, quando alguém não nos sabe dizer a hora e minutos de nascimento com uma tolerância máxima de 5 minutos, mais vale não fazer a carta astral dessa pessoa.

No caso de São Pio de Pietrelcina, por exemplo, bastam 3 a 5 minutos de diferença para alterar substancialmente a carta astral.

Temos aqui a informação de que São Pio de Pietrelcina nasceu às 16 horas e 10 minutos e que o Ascendente está em Escorpião. Esta informação está errada, porque teremos que acrescentar 50 minutos devido ao ajustamento horário (zona horária na data de nascimento).

Temos aqui, por outro  lado, uma Carta correcta: Ascendente em Balança (verifiquem, no sítio, o “Time Zone”).

Também são estas pequenas incongruências (entre outras) que contribuem para o descrédito da astrologia. Não confiem nas cartas astrológicas “online”.

Segunda-feira, 23 Março 2015

O Carlos Fiolhais anda enganado por pseudo astrólogos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:41 pm
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Quando a Lua cheia recente causou a maior maré do século, é natural que o Carlos Fiolhais ande aluado, e pior fica quando não tem consciência disso. Quando temos consciência de que a Lua influencia a nossa psique e, em consequência, o nosso comportamento, sabemos lidar melhor com os nossos possíveis desvarios. Mas o Carlos Fiolhais, na sua auto-intitulada qualidade de cientista, nega que a Lua tenha qualquer influência na sua (dele) psique e comportamento. E por isso, quando está aluarado, só diz disparates.

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Vamos ver se ele aprende — embora burro velho não tome andadura.

A astrologia não prediz acontecimentos: indica apenas fases de mutações — como, por exemplo, as mutações das fases da Lua — e de transformações do indivíduo (e não propriamente de uma comunidade ou de uma sociedade inteira). Quando o Carlos Fiolhais (ou outra pessoa qualquer) vir um “astrólogo” prever acontecimentos, terá então razões objectivas e sem aluamentos para o considerar um charlatão.

Sexta-feira, 26 Setembro 2014

O Miguel Esteves Cardoso anda aluado

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:27 am
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Todos sabemos (ou devíamos saber) que a Lua influencia o movimento das marés; e que mentes mais sensíveis andam aluadas em períodos de Lua Cheia e/ou em Quarto Crescente. Mas o Miguel Esteves Cardoso diz que não. Aliás, esse foi o erro de Galileu, quando publicou a sua teoria das marés: tinha um preconceito negativo tão grande em relação à astrologia que se recusou a integrá-la na sua teoria. E obviamente que a teoria saiu errada.

Para o Miguel Esteves Cardoso, um qualquer electricista é perito em astrologia e tem uma autoridade de direito (e de facto) para abordar qualquer tema astrológico. Fernando Pessoa passou grande parte da sua vida a estudar astrologia, mas o Miguel Esteves Cardoso pensa que ele perdeu tempo: qualquer trolha pode ser perito em astrologia e arrotar pedaços de planetas.

Ou seja, segundo o Miguel Esteves Cardoso, Fernando Pessoa era estúpido e ignorante:

“A astrologia é ideal para pessoas estúpidas e ignorantes que querem passar por sábias. Aprende-se uma dúzia de estereótipos e fica-se equipado para a vida.”

Razão tem Olavo de Carvalho quando criou o conceito de “imbecil colectivo”: existe em Portugal uma elite composta por indivíduos que se dedicam a imbecilizar-se uns aos outros e, por tabela, imbecilizam a sociedade em geral.

Agora falemos a sério, porque o Miguel Esteves Cardoso é estúpido e ignorante.

1/ A astrologia não serve para fazer adivinhações e bruxarias. Só burros como o Miguel Esteves Cardoso e o electricista do bairro dele pensariam desta forma.

2/ A astrologia não prevê o futuro de uma pessoa. Isso só passaria pelas cabeças de um trolha e da do Miguel Esteves Cardoso.

3/ Para se fazer uma Casta Astral de Nascimento de uma criança, ela tem que ter já nascido. Só um marçano de aldeia e o Miguel Esteves Cardoso pensariam que seria possível fazer uma Carta Astral de uma criança antes de ela ter nascido.

4/ Uma Carta Astral de Nascimento de uma criança não define nem determina o futuro dessa criança. Só um Miguel Esteves Cardoso aluado poderia conceber essa ideia, na medida em que a nega.


A propósito: não se esqueçam que haverá um eclipse total da Lua a 8 de Outubro próximo às 11 horas e 54 minutos — o Miguel Esteves Cardoso não deve sair à rua nesse dia: um eclipse total da Lua poderá retirar-lhe qualquer capacidade de comunicação, dada a sensibilidade dele ao movimento das marés.

E haverá também um eclipse parcial do Sol no dia 23 de Outubro pelas 22:44 horas; mas como será de noite, só o electricista do Miguel Esteves Cardoso poderá vê-lo.

Quinta-feira, 17 Outubro 2013

Eclipses do Sol e da Lua no norte de Portugal

Filed under: curiosidades — O. Braga @ 7:41 pm
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Hoje (aqui, no Porto) está Lua cheia e houve às 13:13 horas um eclipse lunar parcial (não foi visto pelas pessoas porque era dia). Mas a 19 de Outubro (Sábado), pelas 00:50 horas, se não estiver nublado, será visível aqui na zona norte de Portugal um eclipse penumbral da Lua (fenómeno raro). E dia 3 de Novembro de 2013 (Domingo) será visível um eclipse anelar do Sol às 13:46 horas.

Quarta-feira, 9 Outubro 2013

O grande burro!

Uma avantesma com duas pernas é um burro bípede. Note bem, seu burro: (more…)

Quarta-feira, 7 Agosto 2013

O blogue Rerum Natura e a astrologia

O escriba do Rerum Natura deve ter escrito isto numa noite de lua cheia. ¿Já viram alguém aluado reconhecer a influência da Lua nos seus neurónios? Nunca vi…

A crítica do aluado escriba em relação à astrologia anda em torno do conceito de “ciência”. Diz o aluado que a astrologia não é ciência. Vamos saber o que é “ciência”.


Ciência vem do latim scientia, derivado de scire, “saber”.

  • Em sentido lato, ciência significa “saber” em geral, e mesmo a habilidade técnica ou artística.
  • Entre os gregos, a ciência é o episteme: conhecimento simultaneamente eminente (um saber superior), universal (opõe-se à doxa ou opiniões particulares) e teórico (difere das aptidões práticas).
  • Entre os modernos, a ciência é o conhecimento científico positivo – positivismo – que se apoia nos critérios precisos da verificação, permitindo uma possível objectividade dos resultados.

Portanto, quando falamos de “ciência”, devemos especificar o conceito de ciência, que pode ser a ciência no sentido lato do termo, pode ser ciência no sentido de episteme, e pode ser ciência no sentido do positivismo. Não há um único conceito de “ciência”!

Naturalmente que não se pode pedir aos aluados do blogue Rerum Natura que saibam disto – com excepção de Desidério Murcho que se cala convenientemente. E é óbvio que a astrologia não é uma ciência no sentido positivista. O aluado escriba do Rerum Natura não se dá conta de que, por exemplo, a Lua influencia os movimentos das marés: é um pouco como os burros: andam aluados mas não se dão conta disso.

E a propósito da Lua e das marés, é conhecida a teoria das marés de Galileu que se demonstrou errada porque ele baseou a teoria apenas no movimento de rotação da Terra, e propositadamente não tomou em consideração a influência da Lua no movimento das marés. Galileu não colocou a hipótese da influência lunar no movimento das marés porque tinha um preconceito negativo em relação à astrologia.

Quarta-feira, 24 Outubro 2007

Zeitgeist

O caro amigo “Matrix”, visita deste meu humilde tugúrio, chamou-me à atenção do Zeitgeist, um documentário anti-religioso. Devo dizer que não vi o documentário todo – nem metade; deixei de ver quando quiseram atribuir a origem das religiões modernas à adoração do homem primitivo ao Sol. Já não tenho pachorra para argumentos falaciosos repetidos Ad Eternum (ver este post sobre o Politicamente Correcto).

Daquilo que eu vi, e do que adivinhei no restante, o filme é muito básico nos seus argumentos, e não constitui nada de novo desde o tempo de Nietzsche.
Na série de posts que escrevi sobre a “Fé Racional”, chamei à atenção para a necessidade de reformularmos a nossa postura perante a religião, de maneira retirarmos determinado tipo de argumentos a essa gentalha.

Vamos começar pelo título do filme: Zeitgeist. Não vejo conexão entre o conteúdo do filme e o seu título. Zeitgeist é uma palavra alemã composta: Zeit + Geist, que significa “tempo” e “espírito”. Traduzindo, seria “o espírito do tempo”. Dá a sensação que o título foi escolhido para criar impacto, e sem conexão necessária com o conteúdo. Mas como eu não vi a maior parte do filme, não posso ter a certeza de que não exista uma coerência entre o título e o filme. Parece-me, contudo, que o título tanto poderia ser Zeitgeist, como Opel Astra, Coca-cola, ou Adidas.

Impõem-se, desde já, duas perguntas:
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Quinta-feira, 27 Setembro 2007

Astrologicamente falando

Filed under: Religare — O. Braga @ 5:48 pm
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Se as fases da Lua tem influência sobre as marés, sobre a menarquia (não confundir com “monarquia”) e sobre o nosso comportamento individual e colectivo (visitem um hospital psiquiátrico em Lua Cheia), como podemos dizer que não sofremos a influência dos astros?
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