perspectivas

Domingo, 22 Maio 2016

A Santíssima Trindade e a dificuldade da Lógica

 

A Lógica macroscópica, tal como a conhecemos depois de Aristóteles, aplica-se (obviamente) na realidade macroscópica; ou então (em alternativa), teremos que basear a Lógica na unidade do Todo (existe uma Lógica mais abrangente, que não renega a de Aristóteles, mas que a inclui) — Santo Agostinho dizia que “quando começamos a contar, começamos a errar”; um dias destes, a Física ainda vai chegar à conclusão de que Santo Agostinho tinha razão.

O Domingos Faria escreve aqui acerca do “problema lógico” do dogma da Trindade na Igreja Católica. Em analogia, vou falar aqui do problema lógico das partículas elementares e das ondas subatómicas, segundo a Física mais actual. Ou seja, se existe um problema lógico no conceito de Santíssima Trindade, também existe um problema lógico na ciência actual.


1/ As partículas elementares a que hoje chamamos de “fotões” são partículas sem massa e que viajam no espaço sempre à velocidade da luz.

2/ Na medida em que toda a matéria tem massa — ou, utilizando a terminologia de Kant: na medida em que a massa é a condição da matéria —, os fotões (a luz) não são matéria. Ou seja, existe uma realidade “material”, e uma outra “não material”.

3/ Mas os fotões (luz), e as ondas de probabilidade, são simultaneamente partículas elementares subatómicas e ondas de probabilidade (sem massa). À luz da Lógica macroscópica, esta contradição é insanável, porque atenta contra os princípios lógicos do pensamento. O estudante de Física que diga que percebeu a quântica, não percebeu nada — a não ser que dispa a Lógica macroscópica e vista uma outra Lógica, mais abrangente.

4/ As partículas elementares (que têm massa) podem ser ondas (que não têm massa) ao mesmo tempo. Se o leitor ou o Domingos Faria têm dúvidas acerca do que afirmo, perguntem ao Carlos Fiolhais, por exemplo. As “ondas”, a que me referi, e segundo a física quântica, não são, porém, autênticas ondas tridimensionais, como são as ondas do som ou da água.

5/ Perante a dificuldade lógica de definir o conceito daquilo que não é matéria (a onda de probabilidade quântica), a física quântica recorre à noção de “abstracto”: segundo a física quântica, as ondas de probabilidade quânticas são “quantidades matemáticas abstractas” com todas as propriedades características das ondas,  que estão relacionadas com as probabilidades de encontrar as partículas elementares em pontos particulares do espaço e em um tempo determinados.

6/ A noção de “quantidades matemáticas abstractas” é uma forma que a ciência, escorada na Lógica, encontrou para conceber aquilo que não é lógico (que é contraditório) do ponto de vista macroscópico. Ou seja, a matemática, não só penetrou na imanência, mas também dá-nos um vislumbre da transcendência através do conceito de “infinito” onde todas as leis da Física se anulam (por exemplo, na noção de “singularidade”). Para o cidadão comum, a noção quântica de “quantidades matemáticas abstractas” pode ser considerada um dogma ou uma “invenção humana”.

7/ A noção de “Santíssima Trindade” é uma noção constante da noção de “Deus para mim”, ou seja, das propriedades que Deus possui no “encontro comigo” e às quais me revela.

Por outro lado, a interpretação (humana) do Todo não é um trabalho conceptual (elaboração de conceitos) que um ser humano tenha que levar a cabo, mas também não é um trabalho em relação ao qual tenha que desistir (como defende o Positivismo). A interpretação do Todo (da Realidade) há muito que faz parte da existência humana, antes de serem colocadas questões filosóficas e metafisicas.

Mas, sendo que a razão se baseia na construção de conceitos, se a interpretação significasse apenas algo como uma dedução conceptual de novos conceitos a partir de conceitos anteriores (modus ponens), então qualquer tentativa de interpretar o Todo seria inútil. A física quântica, através do conceito de “quantidades matemáticas abstractas” e da complementaridade  onda/partícula, (por exemplo), colocou em causa a Lógica clássica e desvendou uma Nova Lógica que abrange a Lógica aristotélica.

8/ Nas “Confissões”, Santo Agostinho utiliza símbolos — tal como a física quântica utiliza símbolos para exprimir a contradição lógica do subatómico — para exprimir a significação do conceito de Santíssima Trindade: a realidade do ser humano também deve ser encarada como uma realidade trinitária; nós somos (Deus Pai), nós amamos (o Filho ou Logos), e nós conhecemos (Espírito Santo); nós experimentamo-nos a nós próprios e ao mundo da perspectiva da primeira pessoa (eu sou), na perspectiva da segunda pessoa (eu amo um tu), e da perspectiva da terceira pessoa (eu conheço um ele, uma ela ou uma coisa).

Pode-se dizer que, para nós, a Realidade é uma espécie de tripé. O nosso mundo constrói-se a partir do eu (a consciência), do tu, e das coisas. Estas três categorias são como uns “óculos” que eu coloco para poder “ver” a Realidade; e sem esses “óculos”, não vejo nada; e a Realidade aparece-me nesta trindade: é sempre o mesmo mundo, que é único, mas eu tenho uma tríplice relação com ele.

Sexta-feira, 15 Abril 2016

Prémio Unicórnio Natural para o António Piedade

 

Para António Gomes da Costa, presidente da SciCom Pt – Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia, “a COMCEPT desenvolve um trabalho essencial: exigir que as afirmações, julgamentos e decisões que fazemos requeiram sempre uma grande e salutar dose de lógica e de razão e, sobretudo, que se baseiem em factos concretos e bem demonstrados. Tudo o que assim não for não passa de uma opinião ou de uma crença e deve ser encarado com todas as reservas.”

António Piedade

unicornio-natural

1/ ¿O que é um “facto”? É algo que adquiriu uma estrutura na nossa consciência.

2/ Em ciência, os factos são intersubjectivos (ou seja, objectivos), por um lado, e sujeitos a verificação estatística, por outro lado.

3/ ¿O que é “verificação”? É o processo que permite estabelecer a verdade de uma proposição.

4/ ¿O que é “consciência”? É uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

5/ As estatísticas pertencem sempre ao passado (não existe tal coisa como “estatísticas feitas no futuro”); e não há qualquer garantia absoluta de que os fenómenos estatísticos, demonstrados por indução, se repitam exactamente no futuro.

6/ ¿O que é “indução”? Chama-se indução ao argumento em que, se as premissas forem verdadeiras, isto é, tiverem valor lógico de verdade, a conclusão não é necessariamente verdadeira, mas apenas provavelmente verdadeira. Em epistemologia, a indução é a inferência conjectural ou não-demonstrativa; é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos particulares.

7/ A indução, a verificação, e os “factos” a que se refere o António Piedade, pertencem à realidade macroscópica determinada pela força entrópica da gravidade. Ou seja, na realidade quântica não existe lógica (tal qual a concebemos na realidade macroscópica), não existem “factos” mas apenas relações; e a verificação, na realidade quântica, só pode ser feita por aproximação grosseira. E apesar disso, a física quântica também pertence à ciência.

8/ O António Piedade parece dizer que a física quântica não pertence à ciência; e as ciências formais (que não necessitam de verificação empírica) também não: para o António Piedade, a ciência é confinada às ciências experimentais ou empíricas.

Ou seja, para o António Piedade “o critério da verdade científica é a verificação empírica”; mas esta proposição não é, ela mesma, verificável.

Sábado, 23 Janeiro 2016

O Anselmo Borges e Bertrand Russell

 

Eu gostaria de ter estudado fundamente teologia. Aliás, a teologia faz parte da Física, ou vice-versa; isto significa que, à medida que a Física progride (o único progresso real que existe está na ciência; o resto é “conversa para boi dormir”), a teologia progride com ela. Por isso é que eu já aconselhei o Anselmo Borges a conversar mais vezes com o Carlos Fiolhais, porque me parece que a teologia do Anselmo Borges ainda é newtoniana.

O Anselmo Borges faz referência aqui a um conto de Bertrand Russell segundo o qual o ser humano é reduzido a uma insignificância no contexto do universo julgado (por Bertrand Russell) infinito.

Bertrand Russell é um exemplo daquelas inteligências raras mal-aproveitadas, porque o seu cepticismo era de tal forma agudo que ele suspeitava da existência da sua própria sombra. Existem outros casos, como por exemplo Laplace ou Ernst Haeckel que diziam que a célula viva surgia espontaneamente da lama depois de uma chuvada. Hoje sabemos o suficiente da complexidade da célula para nos rirmos de Haeckel.

De modo semelhante, hoje sabemos um pouco mais acerca do universo e o suficiente para nos rirmos do conto de Bertrand Russell que o Anselmo Borges levou a sério.


1/ Hoje sabemos, por inferência, que o universo é finito (teve um princípio, e por isso é finito, mesmo que não tenha um fim); o Big Bang decorre da observação empírica de dois fenómenos: o primeiro, a descoberta do movimento de expansão das galáxias por intermédio do telescópio Hubble; e o segundo, mediante a constatação empírica da existência da radiação isotrópica que sugere (por inferência) uma espécie de resíduo fóssil proveniente de uma explosão inicial. Portanto, a tese do Big Bang é bastante sólida. O universo é finito, ao contrário do que Bertrand Russell pensava quando escreveu o seu conto.

2/ O biofísico Alfred Gierer chamou à atenção para o facto de a densidade média da matéria no universo ser calculada com base em medições astrofísicas, e aquela é da ordem de uma partícula elementar longeva [protão, neutrão, electrão, etc.] por metro cúbico; considerando a dimensão do universo, resulta daí um número total de cerca de 10^80 (1 seguido de oitenta zeros) de partículas elementares no universo.

Se multiplicarmos este número pela idade do universo: 20 mil milhões de anos-luz = 10^40 (1 seguido de 40 zeros) períodos elementares [período mínimo de estabilidade de partículas elementares], obtém-se o número 10^120 (1 seguido de 120 zeros) que corresponde à constante cosmológica da natureza (que se designa pelo símbolo Λ).

Este número Λ representa o limite superior lógico para o trabalho de cálculo de um computador cuja dimensão e idade seriam iguais a todo o universo, que efectuasse cálculos ininterruptamente desde o início da sua existência, e cujos elementos constitutivos fossem partículas elementares longevas individuais.

Portanto, podemos dizer que Λ é o "máximo excogitável" do universo (Nicolau de Cusa tinha razão!), como é também o máximo da realidade da existência do universo ― nada é possível, em termos do espaço-tempo, acima de Λ.

Assim, a teoria do conhecimento finística de Gierer refere que, do número máximo de operações realizáveis no cosmo (porque o cosmo ou universo, é finito), resulta como consequência para a teoria do conhecimento o facto de o número de passos na análise de problemas também ser, por princípio, limitado — sejam eles passos mentais ou passos de processamento de informações através de um super-computador. Sobretudo é limitado, por princípio, o número das possibilidades que podem ser verificadas sucessivamente, uma a uma, para comprovar ou refutar a validade universal de uma afirmação. Gierer refere-se aqui estritamente ao Homem inserido no universo ou mundo do senso-comum, como é óbvio. Gierer estabelece o limite máximo do conhecimento possível no mundo macroscópico na constante cosmológica do universo: 10^120.

3/ Por puro acidente, dizem, (terá sido?!), descobriu-se na década de 1960 o princípio da não-localidade (que Bertrand Russell desconhecia) que, grosso modo, significa que uma partícula elementar ou mesmo um átomo pode estar aqui neste momento, e no momento cósmico seguinte pode estar a 10 mil milhões de anos-luz de distância — ou seja, a distância do universo já não se mede em termos da Física newtoniana e nem mesmo segundo os paradigmas de Einstein.


Em suma, à luz da física e da teologia actuais — ambas fazem parte da mesma disciplina —, seria impossível que, no Céu do conto de Bertrand Russell, não se soubesse que o ser humano existe.

Sábado, 25 Abril 2015

A fotografia mais inteligente alguma vez tirada

Filed under: Ciência — O. Braga @ 4:14 pm
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the solvay conference 1927 web

Conferência de Solvay, Bélgica, sobre Mecânica Quântica, 1927


Na primeira fila, em baixo, da esquerda para a direita (como convém):

Irving Langmuir, Max Planck, Marie Curie, Hendrik Lorentz, Albert Einstein, Paul Langevin, Charles-Eugène Guye, C.T.R Wilson, Owen Richardson.

Na segunda fila, no meio:

Peter Debye, Martin Knudsen, William Lawrence Bragg, Hendrik Anthony Kramers, Paul Dirac, Arthur Compton, Louis de Broglie, Max Born, Niels Bohr.

Na terceira fila, em cima:

Auguste Piccard, Émile Henriot, Paul Ehrenfest, Édouard Herzen, Théophile de Donder, Erwin Schrödinger, JE Verschaffelt, Wolfgang Pauli, Werner Heisenberg, Ralph Fowler, Léon Brillouin.

(fonte)

Sexta-feira, 20 Março 2015

A negação da a-causalidade objectiva da realidade quântica

Filed under: filosofia — O. Braga @ 3:13 pm
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Para se compreender este verbete, convém ver este vídeo.

Vamos passar adiante pelos modos efeminados do filósofo; parece que está na moda a ideia segundo a qual  o efeminado convence melhor.

Em resumo, temos aqui o problema da reversibilidade do tempo a nível quântico (aquilo a que se chama “simetria temporal” — e a irreversibilidade do tempo a nível macroscópico (“assimetria temporal”).

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Sexta-feira, 18 Outubro 2013

Ser cristão porque se é um céptico radical

Filed under: Ut Edita — O. Braga @ 10:05 am
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Eu tive uma educação católica e tive uma experiência pessoal "perto-da-morte", e por isso seria muito difícil eu ter uma concepção materialista da vida e do mundo. Mas o que contribuiu de forma significativa para fazer de mim um cristão foi (e é) o meu cepticismo radical; e, dizendo isto, já vejo alguns "católicos fervorosos" pensar: “Esta criatura ensandeceu! ¿Como é que um céptico radical pode ser cristão?!”.

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Segunda-feira, 9 Setembro 2013

O homem moderno anda enganado pelo mito cientificista

“Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos (Oráculo do Senhor)” – Isaías 2, 55,8

Aquilo que é, mas que não é como queremos que seja

De acordo com a Física, é possível afirmar, com grande certeza de probabilidade, que meio grama de urânio se decompõe após 4,5 milhões de anos. Mas o que a Física não pode prever, nunca, é exactamente quando um átomo de urânio se decompõe: a Física já sabe um átomo de urânio pode decompor-se imediatamente ou daqui a muitos milhões de anos. Mas nem por este último facto a Física reconhece que existem milagres, porque a ciência só vale para o nosso mundo quotidiano.

O milagre

Não podemos separar a matéria da pessoa que observa.

A Física ensina-nos que não existem milagres porque a ciência não consegue ver, na existência do universo, um milagre; e se o universo inteiro não é um milagre – segundo a Física -, as partes do universo não são excepção. A verdade é que não podemos separar a matéria, por um lado, da pessoa que observa, por outro lado. Se a pessoa que observa é doutrinada e lobotomizada pelo mito cientificista segundo o qual “o milagre não existe”, essa pessoa não vê o milagre em lugar nenhum, e nem mesmo no facto da sua própria existência. E, como se diz no Novo Testamento, numa terra onde ninguém concebe o milagre, este não pode acontecer – porque o milagre já lá está presente mas ninguém o vê.

A circularidade do conceito de matéria

“Quem não desespera com a teoria quântica, não a entendeu.” – “Atomic Physics and Human Knowledge”, Niels Bohr , 1958, p. 40

A lobotomia do cientismo levou a maioria das pessoas, que observam, a conceber apenas objectos localizáveis no espaço e no tempo – ou como escreveu alguém no Rerum Natura : “tudo são partículas, e as ondas quânticas são apenas ilusão” ( ver verbete meu sobre o assunto ).

Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

Essas pessoas, lobotomizadas pelo cientismo , não se dão conta de que incorrem em um pensamento circular; trata-se de uma opinião ingénua que a teoria quântica já refutou, porque já não faz sentido ver os objectos claramente identificáveis. Quando os instrumentos de investigação científica são também compostos de partículas, então qualquer análise das partículas tem sempre que pressupor ( a priori ) o conceito de “partículas”. Por isso, a determinação da constituição das partículas é, por princípio, circular, e também por isso não se pode atribuir às partículas nenhuma objectividade definitiva.

O que nos resta é o formalismo de uma estrutura matemática que, como Platão defendeu, deve ter uma natureza espiritual, tal como descrito pelo físico David Bohm (citado em “The Turning Point”, 1982, p.83, de Fritjof Capra ) : “O universo começa a parecer-se mais como uma grande ideia do que com uma grande máquina”.

A casualidade que fundamenta a causalidade

“A física quântica forneceu a refutação definitiva do princípio de causalidade”Werner Heisenberg (citado em “Physics and Transcendence“, 1996, p. 18, de Hans-Peter Dürr ).

A casualidade (não confundir com “causalidade”) e a a-causalidade da realidade física fundamental não se devem aos nossos conhecimentos limitados, ou seja, não se devem à nossa ignorância – mas antes são constitutivas da própria realidade fundamental. Não existe uma probabilidade subjectiva, mas o que existe é uma probabilidade objectiva. Aquilo que nos aparece como causa e efeito tem, na sua base, uma a-causalidade e uma casualidade, como se a causalidade fosse desenhada para que pudéssemos viver num universo minimamente previsível e sujeito a leis e sem as quais a nossa existência não seria possível. Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

Segunda-feira, 2 Setembro 2013

Encostados à parede, já estrebucham!

Filed under: Ut Edita — O. Braga @ 5:08 pm
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Um tal Luís Alcácer escreve aqui um relambório imenso para dizer que o princípio de complementaridade, de Niels Bohr, é falso. Diz ele, resumindo, que “os fotões são sempre partículas” – como se fotões fossem sempre corpúsculos, como se “onda” fosse a mesma coisa que “corpúsculo”, e como se “partículas elementares” fossem “coisas”…!

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Quarta-feira, 28 Agosto 2013

Não-localidade: o conceito que destrói o materialismo

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 8:10 am
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Antes de mais, vamos ter que saber o que é “materialismo”: é uma teoria segundo a qual a matéria é a única realidade existente – sendo que matéria é tudo o que tem massa e está sujeito à acção do espaço-tempo. Para os herdeiros ideológicos de Darwin (Karl Marx, Freud, Lenine, Estaline, Richard Dawkins, Peter Singer, etc.), a matéria é a realidade fundamental a partir da qual se explica a vida espiritual.

Podemos definir “não-localidade” como a possibilidade de dois objectos – por exemplo, dois fotões, ou dois electrões – comunicarem entre si de forma instantânea (em termos de tempo universal) e independentemente da distância a que se encontrem um do outro.

A não-localidade não é ficção científica: experiências científicas realizadas desde o princípio da década de 1980 (por exemplo, por Alain Aspect) confirmaram o fenómeno. Portanto, é certo e seguro que, em determinadas condições especificas, dois objectos podem comunicar entre si, de forma simultânea – ou seja, fora do espaço-tempo – e a uma distância que pode ser, por exemplo, de várias dezenas de milhões de anos-luz. Diz-se, então, que a comunicação entre esses dois objectos é efectuada “fora do cone-de-luz”.

A maioria da literatura generalista acerca da Física não menciona a não-localidade. O assunto continua a ser tabu, apesar das verificações e confirmações. E é tabu porque a não-localidade coloca em causa o materialismo – ou seja, coloca em causa o fundamento da Idade Moderna e do Positivismo.

A não-localidade significa que a realidade não se limita ao espaço-tempo; e isto coloca em causa toda a filosofia moderna desde Kant. Por exemplo, se o nosso cérebro é composto de electrões, então o nosso cérebro está também sujeito às mesmas leis que regem a não-localidade. O materialismo está morto.

Segunda-feira, 29 Julho 2013

O último livro de Luís Portela, capítulo III

Filed under: filosofia,Livros — O. Braga @ 3:30 pm
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(A série de verbetes acerca do livro de Luís Portela com o título “Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência” pode ser lida na categoria (tag) “Luís Portela”.)

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Sexta-feira, 28 Junho 2013

Deus pode inverter a direcção do tempo?

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 4:34 pm
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Católicos – em geral – e os cientistas estão de acordo: segundo uns e outros, Deus não pode inverter a direcção do tempo, ou, segundo os cientistas agnósticos ou ateus, é impossível reverter a direcção do tempo.

Temos que partir de um primeiro princípio:

1/ Deus não depende das leis da física, sejam estas leis as da física clássica, sejam as leis da física quântica (que são o fundamento propriamente dito das leis da física).

Depois, temos um segundo princípio:

2/ Deus é a Causa Primeira, ou seja, é Causa de tudo o que existe no universo. E sendo a Causa Primeira, estando fora do espaço-tempo, Deus pode intervir e intervém de facto (veremos mais adiante) na realidade do espaço-tempo.

E ainda um terceiro e quarto princípios:

3/ Deus intervém na realidade do espaço-tempo através da realidade quântica ou do mundo quântico (conforme lhe queiram chamar).

4/ No mundo subatómico, ou no mundo quântico, ou na realidade quântica – a inversão da direcção do tempo é possível.

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Domingo, 23 Junho 2013

A ligação entre a física quântica e a biologia

Filed under: Ciência — O. Braga @ 4:50 pm
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“These results show that coherence, a genuine quantum effect of superposition of states, is responsible for maintaining high levels of transport efficiency in biological systems, even while they adapt their energy transport pathways due to environmental influences”.

Uncovering Quantum Secret in Photosynthesis

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