perspectivas

Terça-feira, 30 Agosto 2016

O salafismo positivista do David Marçal

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:00 am
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O David Marçal escreveu o seguinte:

“Significa isto que [as medicinas alternativas] não conseguem provar a sua eficácia e segurança através dos métodos exigidos à medicina convencional. Têm na sua essência conceitos pré-científicos, como o vitalismo, a ideia de que há uma dimensão não material do corpo humano, com a qual se consegue interagir, de forma a curar as doenças. Como as pessoas têm a ciência em boa conta (e por bons motivos) o misticismo é embrulhado com um jargão científico da moda”.


cientismoA ideia de um conhecimento seguro do mundo, mesmo que se trate apenas das noções fundamentais mais genéricas, é hoje considerada como fracassada. Por isso é que o David Marçal, o Carlos Fiolhais etc., esperneiam sistematicamente em nome da “ciência”.

A ciência é um instrumento da nossa vontade de sobreviver neste mundo, mas não pode substituir outras áreas da realidade humana, como pretende o David Marçal e os camaradas do Rerum Natura.

A medicina não cura doenças — no sentido em que as doenças não desaparecem. As doenças podem sempre voltar a qualquer momento, seja no indivíduo, seja no colectivo. A medicina trata as doenças.

O David Marçal fala em “dimensão não material do corpo humano”; mas a ciência não sabe o que é “matéria” — excepto o David Marçal, que parece que sabe mais do que os cientistas sérios de todo o mundo. É este tipo de posições que faz com que o David Marçal perca alguma razão que possa ter. O David Marçal fala em “matéria” como eu poderia falar em “gambozinos” ou em “unicórnio voador”: entidades abstractas que não têm definição operacional. ¿O que é a matéria?

A ideia segundo a qual “a medicina convencional consegue provar a sua eficácia e segurança através do método indutivo” (indução ), é uma verdade adquirida, ou seja, uma crença do David Marçal. E, desde logo, os instrumentos a prova também devem estar sujeitos ao escrutínio da prova.

“A tentativa e erro não são indução, mas precisamente presunção e selecção” (Karl Popper). “Os indutivistas interpretaram mal a forma lógica interna da tentativa e erro. Não viram que a tentativa é sempre uma presunção e o erro é sempre uma selecção”.

Ou, como escreveu Thomas Kuhn: “Os teóricos das ciências mostraram repetidamente que a um conjunto de dados pode sempre corresponder a mais do que apenas uma construção teórica”.

É um absurdo que se diga que os factos (“facto” entendido como “verificação intersubjectiva de um evento”) podem ser pressupostos indiscutivelmente como pontos de partida da ciência — porque qualquer percepção ou observação já está (previamente) impregnada de teoria através das categorias presentes no nosso cérebro, ou da nossa linguagem, visto que estas também estruturam as nossas actividades intelectuais.

É evidente (ou seja, é verificável intersubjectivamente) que a descoberta da penicilina, por exemplo, foi importante para combater determinadas doenças; mas isso não significa que a penicilina seja necessariamente a única forma de as combater. É certo que devemos ser cépticos em relação a determinado tipo de crenças miraculosas, mas o radicalismo do David Marçal transforma-se em uma crença em relação à qual devemos ser cépticos também.

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Terça-feira, 17 Maio 2016

O David Marçal, a mecânica de Newton e a astrologia (parte II)

Filed under: Ciência — O. Braga @ 8:50 am
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(em continuação do verbete anterior)

Pessoas como o David Marçal ganharam notoriedade pública devido ao politicamente correcto, e por isso têm acesso livre aos me®dia. O politicamente correcto é o “bom gosto” actual; e aquilo a que (sempre) se considerou de “bom gosto”, ao longo da História moderna da Europa, fez mais vítimas inocentes, só nos últimos 200 anos, do que a Igreja Católica desde a Antiguidade Tardia (incluindo as cruzadas, a Inquisição, as guerras religiosas na Europa, a colonização, etc.).

No verbete anterior abordamos o anacronismo da lei gravitacional de Newton na medida em que serve de fundamento à principal crítica dita “científica” do David Marçal em relação à astrologia. Hoje temos a Teoria da Relatividade e a física quântica (embora não compatíveis entre si), que fazem com que a mecânica de Newton se remeta à utilidade do ensino secundário. O David Marçal parece ter parado no tempo; não há Zodíaco que o valha.


É conhecida a teoria das marés de Galileu, que se demonstrou errada porque ele baseou a sua teoria apenas no movimento de rotação da Terra, e propositadamente não tomou em consideração a influência da Lua no movimento das marés. Galileu não colocou a hipótese da influência lunar no movimento das marés porque tinha um preconceito negativo — normal entre os naturalistas daquela época — em relação à astrologia.

Recorde-se o principal argumento do David Marçal contra a astrologia:

“De todas as implausibilidades, a menos implausível é a gravidade. Mas a força gravítica é proporcional à massa dos corpos (o Sol é gigante e determina o movimento dos planetas no sistema solar) mas diminui com o quadrado da distância. Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra). Como afirmou o astrónomo e divulgador de ciência Carl Sagan: «Marte tem muito mais massa, mas o obstetra está muito mais próximo.» E mesmo que houvesse uma qualquer influência da posição dos astros durante o nascimento, ficaria por demonstrar que isso seria determinante para o resto da vida”.

Tal como Galileu, o David Marçal faz de conta que a Lua não existe.

“Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra)”.

Só a Terra existe — tal como raciocinou Galileu na sua teoria das marés; para o David Marçal, a Lua não existe. E ele chama à sua tese de “científica”; ele fala em nome da ciência, e até invoca o argumento de autoridade de Carl Sagan. Basta só o facto de o David Marçal se ter esquecido da Lua, para que o seu principal argumento contra a astrologia ir pela pia abaixo.

Quando, em um manicómio, existirem perturbações comportamentais entre os doentes mentais durante a Lua Cheia, o David Marçal irá chamar uma catrafada de obstetras para acudir à crise.


O segundo argumento do David Marçal contra a astrologia é o seguinte:

“Por causa do movimento de precessão do eixo da Terra, as zonas do céu em que vemos as constelações ao longo do ano não são as mesmas de quando a astrologia foi inventada.”

Em primeiro lugar, parece que o David Marçal acredita que qualquer tipo de experiência indutiva (ciência de qualquer espécie) é uma invenção humana — o que é típico do positivismo. A experiência humana face aos factos e aos fenómenos é considerada uma “invenção humana”. Os números primos, por exemplo, também são considerados como uma “invenção humana”, por um lado; e por outro lado, “a lógica evolui”.

Perante o arquétipo mental do David Marçal, só nos resta sorrir…

Em segundo lugar, a tese do “movimento de precessão do eixo da Terra” confunde “signos do Zodíaco”, por um lado, com “constelações do Zodíaco”, por outro lado. Ou seja, o David Marçal confunde a “estrada da Beira” com a “beira da estrada”.

A astrologia ocidental — dita “Tropical” — é baseada na posição dos planetas calculada em função do “trânsito” do Sol conforme visto da Terra, em vez dos padrões aparentes das estrelas mais distantes — como invoca o David Marçal.

Ptolomeu instituiu um sistema em função da chamada “Precessão dos Equinócios” (detectado pelo grego Hiparco), fazendo com que o Zodíaco se iniciasse em Carneiro com a posição do Sol no equinócio da Primavera. Ou seja, o Zodíaco (tropical) é estático e não é afectado pelas mudanças do eixo da Terra. No entanto, Ptolomeu manteve os nomes antigos dos signos no seu sistema actualizado, nomes esses que eram os mesmos das constelações artificiais antigas desde o tempo da Babilónia e da Mesopotâmia — e foi isso que causou a confusão do David Marçal.

Ou seja, o Zodíaco (Tropical) mantém-se inalterado desde há cerca de 2.200 anos.

Mesmo os astrónomos modernos utilizam ainda o sistema do Zodíaco de Ptolomeu naquilo a que chamam de Sistema de Coordenadas Eclípticas, que corresponde exactamente aos signos do Zodíaco Tropical.

Com Ptolomeu, a astrologia ocidental (Tropical) passou a reger-se pelo Tempo, e não pelo espaço exterior ao sistema solar.

Segunda-feira, 16 Maio 2016

O David Marçal, a mecânica de Newton e a astrologia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:05 am
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O David Marçal utiliza aqui a lei gravitacional de Newton para refutar a publicação astrológica nos jornais. Eu estou de acordo com ele no sentido em que a “astrologia das massas”, publicada nos jornais, não faz qualquer sentido — embora exista um denominador comum mínimo inerente a cada nativo de um determinado signo astrológico. Mas quando o David Marçal utiliza o argumento da lei gravitacional de Newton contra a astrologia em geral, faz tábua rasa dos conceitos mais actuais da física.

“De todas as implausibilidades, a menos implausível é a gravidade. Mas a força gravítica é proporcional à massa dos corpos (o Sol é gigante e determina o movimento dos planetas no sistema solar) mas diminui com o quadrado da distância. Assim, a força gravítica que o corpo do obstetra exerce sobre o bebé no momento do nascimento é mais forte do que a exercida por Marte ou por qualquer outro planeta (à excepção da Terra). Como afirmou o astrónomo e divulgador de ciência Carl Sagan: «Marte tem muito mais massa, mas o obstetra está muito mais próximo.» E mesmo que houvesse uma qualquer influência da posição dos astros durante o nascimento, ficaria por demonstrar que isso seria determinante para o resto da vida”.

A lei gravitacional de Newton ainda é utilizada em termos práticos; mas em Newton ainda não existia a noção de “campo”. Einstein demonstrou que os campos electromagnéticos são entidades físicas por si próprias, que podem viajar pelo “espaço vazio” e que não podem ser explicadas mecanicamente.

Tudo começou em Maxwell e Faraday. Em vez de interpretar a interacção entre carga positiva e carga negativa, dizendo simplesmente que as duas cargas se atraem como duas massas na mecânica newtoniana, Maxwell e Faraday acharam mais apropriado dizer que cada carga cria uma “perturbação”, ou uma “condição” no espaço em redor, de modo que a outra carga, quando está presente, sinta compulsão. Esta condição no espaço, que tem a potencialidade de produzir uma compulsão, foi por eles chamada de “campo”: é criado por uma única carga, e existe independentemente da outra carga estar presente para sentir o seu efeito.

Na perspectiva newtoniana (que o David Marçal adopta para criticar a astrologia entendida em si mesma, e não só a astrologia das massas publicada pelos me®dia), as “forças” estavam rigidamente ligadas aos corpos em que actuavam. Com o conceito de “campo”, o conceito de “força” foi substituído pelo conceito mais subtil de um “campo” que tinha a sua realidade própria, e podia ser estudado sem qualquer referência aos corpos materiais.

Hoje sabemos que a massa de corpo nada mais é do que uma forma de energia (teoria restrita de Einstein). Mesmo um corpo em descanso tem energia armazenada na sua massa, e a relação entre as duas é dada pela equação E=mc^2. A força da gravidade (teoria geral de Einstein) tem o efeito de curvar o espaço e o tempo; isto significa que a geometria euclidiana comum deixa de ser válida num espaço curvo. O espaço tridimensional é realmente curvo, e a curvatura é causada pelo campo gravitacional dos corpos maciços. Onde quer que haja um objecto maciço, por exemplo, uma estrela ou um planeta, o espaço que os rodeia é curvo, e o grau de curvatura depende da massa do objecto. E como o espaço nunca pode ser separado do tempo, também o tempo é afectado pela presença da matéria, fluindo diversamente por partes diferentes do universo. É de notar que a noção de “espaço vazio” é hoje obsoleta.

Ora, há que convir que a curvatura do espaço-tempo causada pela massa do médico obstetra não é da mesma grandeza da que é causada pela massa do Sol. Ou seja: a distância entre corpos é importante para a astrologia e para a Física, mas não é o mais importante.

Referi-me aqui apenas à relatividade de Einstein, ou seja, não entrei na quântica — porque, do ponto de vista da física quântica, o argumento do David Marçal é ainda mais absurdo. O David Marçal tem que escolher entre a filosofia da ciência ou a bioquímica: se optar pela primeira, não pode utilizar argumentos desse calibre. E se optar pela bioquímica estará no seu ambiente mais cómodo, evitando escrever asneiras.

Note-se que este verbete ataca o argumento do David Marçal (Reductio ad absurdum), mas não defende a astrologia como ciência positivista. Mas repare-se neste trecho do David Marçal:

“E mesmo que houvesse uma qualquer influência da posição dos astros durante o nascimento, ficaria por demonstrar que isso seria determinante para o resto da vida”.

O David Marçal pensa que a astrologia defende que a “influência da posição dos astros no momento do nascimento”, segundo astrologia, é determinante para o resto da vida”. Mas nenhum astrólogo sério e reputado defende esta noção expressa pelo David Marçal: a única astrologia que o David Marçal conhece é a que vem publicada nos me®dia; e, no entanto, o David Marçal não se coíbe de ter opinião sobre aquilo que não sabe.

Quinta-feira, 31 Março 2016

Prémio Unicórnio Natural para o David Marçal

 

O blogue Rerum Natura tem feito alarde do prémio unicórnio voador. Uma vez que o unicórnio existe, de facto — e por isso não é um mito cientificista e positivista —, decidimos criar o Prémio Unicórnio Natural, dedicado a personalidades cépticas que não acreditam na existência da sua própria sombra mas que acreditam que a ciência nunca erra.

unicornio-natural

No caso vertente, citamos o David Marçal, eminente objecto do Prémio Unicórnio Natural:

“Vacinar [os seus filhos] não é uma decisão sua”.

Em vez de a ciência ser concebida em um contexto de persuasão do cidadão, é entendida pelo David Marçal em forma de dogma: tudo o que é endossado pela ciência oficial do Zeitgeist é dogmático e inquisitorial.

É falso que o Dr. Andrew Wakefield tenha assumido uma posição anti-vacinas — como afirma, dogmática- e religiosamente, o David Marçal. O Dr. Andrew Wakefield foi contra a vacina tríplice (contra o sarampo, a rubéola e a papeira), mas era de opinião que se deviam tomar essas vacinas separadamente. Mas o dogmatismo cientificista transformou a ciência em uma certeza absoluta; e qualquer pessoa que coloque em causa essa certeza absoluta é sacrificado em auto-de-fé na nova Inquisição positivista.

Nas ciências empíricas, é discutível falar de "verificação". Karl Popper demonstrou que se pode estabelecer experimentalmente a falsidade de uma hipótese, embora não seja possível estabelecer a sua verdade (falsificabilidade). Por isso é que não pode existir uma verdade absoluta em ciência.

Sexta-feira, 9 Outubro 2015

David Marçal tem razão

Filed under: Ciência — O. Braga @ 7:17 am
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Segundo o director-geral da Saúde, Francisco George, “muito mais de 20% dos cidadãos procuram terapias não-convencionais”; 1 e por isso,

« A Lei de 2003 “pretendeu acabar com a má prática da medicina não-convencional”, bem como “disciplinar o sector”, afirmou. Do mesmo modo, a regulamentação dessas terapias, em 2014, surgiu com o objectivo de “reduzir os efeitos negativos das más práticas, em nome dos interesses da saúde”.»

Pseudo-ciência usa linguagem científica para confundir as pessoas

Ou seja: segundo o raciocínio de Francisco George, se 20% da população acreditasse em bruxas, os hospitais públicos deveriam ter de plantão uma bruxa a tempo inteiro. O argumento é ridículo: havendo 20% da população que acredite em bruxas, há que regulamentar por lei o “estatuto curativo” da bruxaria.

O problema da democracia é este: se é o povo que mais ordena, então é o povo que define — por exemplo — o que é ciência. Um dia destes ainda vamos ver o professor Karamba a dar aulas na faculdade de medicina de Lisboa.

Prof Karamba

Nota
1. Argumentum ad Numerum

Domingo, 7 Junho 2015

O pragmatismo da homeopatia

Filed under: Ciência — O. Braga @ 5:26 pm
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A homeopatia, entendida segundo o conceito “efeito rebound”, é a negação da ciência na medida em que o que é considerado importante não é a medicina (a ciência) em si mesma, mas aquilo que se acredite (crença) que é a ciência.

Neste sentido, a homeopatia segue os princípios da filosofia pragmatista de Williams James (Pragmatismo): toda a crença, se considerada boa e útil para a sociedade e/ou para o indivíduo, é considerada verdadeira. Não é a verdade da crença, considerada em si mesma, que é importante: em vez disso, é a putativa bondade e utilidade da crença que faz com que ela seja verdadeira.

A ciência — neste caso, a medicina — é concebida pela homeopatia como um fenómeno humano, com fraco interesse pelos objectos que a ciência contempla. Deseja-se a felicidade do Homem, e se uma determinada crença promove essa felicidade, então essa crença, para além de boa e útil, é necessariamente verdadeira. Neste sentido do “efeito rebound”, a homeopatia é uma tentativa de construir uma superstrutura da crença em alicerces de cepticismo (neste caso, em relação à ciência), e depende de falácias na medida em que ignora todos os factos extra-humanos.

Terça-feira, 2 Junho 2015

A dissonância cognitiva do David Marçal: igualdade + darwinismo

Filed under: A vida custa,Política — O. Braga @ 6:09 am
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Quando o David Marçal defende a igualdade e, simultaneamente, mantém a crença do darwinismo, entra em dissonância cognitiva — porque é uma contradição em termos a crença na igualdade e no darwinismo. Aliás, este é uma contradição geral do cientismo que está muito na moda.

Se fizermos uma resenha dos laureados com Nobel na área de ciências da natureza, praticamente nenhum dos laureados foi filho de pai rico — no entanto, o David Marçal faz depender a inteligência e capacidade de trabalho de uma pessoa da riqueza do paizinho; confunde “herança material” que uma pessoa recebe dos progenitores, por um lado, com as características inatas de inteligência e de vontade, por outro lado, exactamente porque — na linha dos ideólogos da Revolução Francesa, Helvetius, Condorcet, Voltaire, etc. — o ser humano é concebido quase totalmente em função da educação que teve.

Albert Einstein “passou as passas do Algarve” enquanto criança; foi praticamente abandonado pelos pais (praticamente não viveu no seio da família, enquanto criança), internado em instituições de quase beneficência onde foi educado; não chegou a ter uma formatura universitária propriamente dita; e no entanto, surpreendeu o mundo com uma teoria matemática importante. Mais: se Albert Einstein tivesse nascido hoje nos países mais desenvolvidos do mundo, teria sido provavelmente abortado porque uma ecografia apresentaria uma malformação no lóbulo cerebral esquerdo…!

A ideia segundo a qual os filhos dos pais ricos têm mais sucesso e são mais inteligentes do que os filhos de crianças mais pobres (não falamos aqui de miséria!), só existe na cabeça de gente como o David Marçal, talvez fruto da tal dissonância cognitiva referida; talvez seja uma espécie de sentimento de culpa que compensa a crença na evolução darwinista.

Conheci muito filho de pai rico mentecapto, embora vivendo bem à custa da herança do paizinho; e conheci gente que veio da merda mas com muita inteligência e com grande capacidade de trabalho. O argumento do David Marçal é falacioso: o cu não tem necessariamente a ver com as calças.

Quarta-feira, 4 Fevereiro 2015

David Marçal, Carlos Fiolhais, e a homeopatia

Filed under: Ciência — O. Braga @ 2:47 pm
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Em relação a este artigo publicado no Rerum Natura por David Marçal e Carlos Fiolhais, digo o seguinte:

1/ tenho muitas reservas acerca da visão científica desses dois senhores: servem-se do método científico para defender um pensamento dogmático baseado em paradigmas imobilistas que pretendem petrificar a ciência em conformidade com as suas crenças pessoais, políticas e subjectivas. Fazendo uma analogia: esses senhores desempenham hoje o papel da Igreja Católica da Idade Média em relação a Galileu: defendem dogmaticamente um paradigma.

2/ pelo exemplo daqueles dois senhores, devemos duvidar — no sentido da “dúvida metódica”, e não no sentido da “dúvida céptica” — da ciência: eles representam a normalidade científica actual que se confunde com o cientismo.

Quando vemos que a ciência se fecha em si mesma e se dogmatiza, mas ainda assim defende o método científico para “salvar as aparências”, e pior, serve de arma de arremesso político e ideológico — temos a obrigação de duvidar dela.

3/ parece-me claro que a homeopatia não obedece a critérios objectivos de verificação. A homeopatia não é falsificável. Portanto, não podemos dizer que a homeopatia faz parte da ciência.

Mas isso não significa necessariamente que todos os aspectos da homeopatia não mereçam investigação científica. E é esta negação dogmática, radical e irracional em relação a todas as áreas da homeopatia que caracteriza o David Marçal e o Carlos Fiolhais. Por exemplo, em relação a Jacques Benveniste, existem alguns desenvolvimentos: o que está em causa é não considerar a ciência como uma área fechada em função de crenças ideológicas, políticas, ou outras.

Sábado, 31 Janeiro 2015

A “não-fundamentação científica da homeopatia”, segundo o David Marçal

Filed under: Ciência — O. Braga @ 4:01 am
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Um estudo científico realizado nos Estados Unidos revelou que o “efeito placebo” — ou seja, a homeopatia — resulta melhor ou mais quando os medicamentos químicos da medicina convencional são mais caros.

Los medicamentos crean expectativas de curación en los pacientes. En numerosas ocasiones, estas esperanzas producen una mejoría similar o mayor a la que producen los fármacos, lo que se conoce como efecto placebo.

Un nuevo estudio, llevado a cabo por investigadores de la Academia Estadounidense de Neurología en enfermos con Parkinson, indica que este efecto es mayor cuando el precio de los remedios es elevado. El artículo ha sido publicado en la revista de la academia, American Academy of Neurology.”

El efecto placebo funciona mejor si el fármaco es caro

Entretanto, o David Marçal diz que “a homeopatia não tem qualquer fundamentação científica”: depende do que se entende por “ciência”.

O facto de os medicamentos criarem expectativas de cura é um facto fundamentado pela ciência ; que o efeito placebo é real, é um facto fundamentado pela ciência. Ou seja, o efeito placebo cura: o resultado da homeopatia nos doentes é um facto fundamentado pela ciência — ao contrário do que defende David Marçal.

Domingo, 14 Dezembro 2014

O progresso, o Aquecimento Global e a pseudo-ciência do David Marçal

 

O Desidério Murcho deveria organizar umas aulas de filosofia (principalmente de lógica) para os editores do blogue Rerum Natura.

(more…)

Terça-feira, 2 Dezembro 2014

A pseudo-ciência do David Marçal

 

O David Marçal, que escreve no blogue rerum natura,  escreveu um livro sobre “pseudo-ciência”; mas o livro aplica-se a ele próprio.

No domínio do chamado “aquecimento global” — que agora mudou, em certos círculos, para “alterações climáticas” — tudo o que não corresponda a uma norma idealizada por uma certa comunidade “científica” comandada e controlada pela plutocracia internacional, é sinal de “culpa do ser humano”.

O David Marçal deu uma entrevista à Antena 1 1em que falou do Aquecimento Global Antropogénico (Aquecimento Global por culpa do ser humano). Para poupar ao leitor a audição da entrevista toda, oiça aqui em baixo a parte que interessa ao caso.

 

lund universityDesde logo, David Marçal é bioquímico; não tem qualquer autoridade, nem de direito, nem de facto, para falar em Aquecimento Global, e muito menos antropogénico. Estamos já no domínio do dogma, e não da ciência.

David Marçal acusa os cépticos do Aquecimento Global de serem pagos para serem cépticos. E quem paga a David Marçal para defender um dogma em nome da ciência? Pois bem: quem lhe paga, directa ou indirectamente, são os poderosos do mundo, os plutocratas como por exemplo Rockefeller, os Rothschild, Bill Gates ou George Soros, que são os que promovem, nos me®dia, a ideologia do Aquecimento Global Antropogénico no sentido da limitação da presença de seres humanos na Terra através do aborto e da eutanásia mais ou menos compulsivos.

David Marçal é um mercenário cientificista: faz política em nome da ciência. E a Rádio Renascença dá-lhe cobertura política! Não se deixe enganar, caro leitor: mantenha um espírito crítico que é próprio da verdadeira ciência!

Nota
1. Por lapso, tinha referido a Rádio Renascença em vez da Antena 1.

Domingo, 9 Novembro 2014

O Carlos Fiolhais e a homeopatia

 

O Carlos Fiolhais e o David Marçal por um lado, e o Paulo Varela Gomes, por outro lado, andam de candeias às avessas por causa da homeopatia. Eu penso que todos radicalizam as suas posições.

cientismoDo ponto de vista da ciência positivista, e nomeadamente da bioquímica, a homeopatia não é credível. E aqui o Carlos Fiolhais e o David Marçal, têm razão. Se existe uma lógica na homeopatia, essa lógica não obedece aos princípios de nexo causal estritos e deterministas da ciência positivista. Ou seja, a homeopatia não permite que se façam estatísticas em relação a experiências do passado que permitam prever o futuro com uma grande percentagem de fiabilidade — que é o que a ciência positivista faz.

Mas, por outro lado, não podemos reduzir a realidade inteira à ciência positivista: quem faz isso é adepto do cientismo. Por exemplo, quando o David Marçal mete no mesmo saco a acupunctura e a homeopatia, revela um pensamento dogmático que valida absolutamente a ciência positivista.

Claramente, na homeopatia existe um factor de acção subjectiva da consciência da pessoa sobre a sua doença; e é isto que o positivismo não entende nem nunca entenderá. Assim como a maior fé que existe é a do cientista positivista porque é uma fé inconfessável, assim o doente que recorre à homeopatia fá-lo em um contexto de uma fé quasi-religiosa. São fés diferentes, mas não deixam por isso de ser fés.

Faz falta ao Carlos Fiolhais e ao David Marçal ler alguma coisa de Willard Van Orman Quine.

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