perspectivas

Sexta-feira, 15 Abril 2016

Prémio Unicórnio Natural para o António Piedade

 

Para António Gomes da Costa, presidente da SciCom Pt – Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia, “a COMCEPT desenvolve um trabalho essencial: exigir que as afirmações, julgamentos e decisões que fazemos requeiram sempre uma grande e salutar dose de lógica e de razão e, sobretudo, que se baseiem em factos concretos e bem demonstrados. Tudo o que assim não for não passa de uma opinião ou de uma crença e deve ser encarado com todas as reservas.”

António Piedade

unicornio-natural

1/ ¿O que é um “facto”? É algo que adquiriu uma estrutura na nossa consciência.

2/ Em ciência, os factos são intersubjectivos (ou seja, objectivos), por um lado, e sujeitos a verificação estatística, por outro lado.

3/ ¿O que é “verificação”? É o processo que permite estabelecer a verdade de uma proposição.

4/ ¿O que é “consciência”? É uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

5/ As estatísticas pertencem sempre ao passado (não existe tal coisa como “estatísticas feitas no futuro”); e não há qualquer garantia absoluta de que os fenómenos estatísticos, demonstrados por indução, se repitam exactamente no futuro.

6/ ¿O que é “indução”? Chama-se indução ao argumento em que, se as premissas forem verdadeiras, isto é, tiverem valor lógico de verdade, a conclusão não é necessariamente verdadeira, mas apenas provavelmente verdadeira. Em epistemologia, a indução é a inferência conjectural ou não-demonstrativa; é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos particulares.

7/ A indução, a verificação, e os “factos” a que se refere o António Piedade, pertencem à realidade macroscópica determinada pela força entrópica da gravidade. Ou seja, na realidade quântica não existe lógica (tal qual a concebemos na realidade macroscópica), não existem “factos” mas apenas relações; e a verificação, na realidade quântica, só pode ser feita por aproximação grosseira. E apesar disso, a física quântica também pertence à ciência.

8/ O António Piedade parece dizer que a física quântica não pertence à ciência; e as ciências formais (que não necessitam de verificação empírica) também não: para o António Piedade, a ciência é confinada às ciências experimentais ou empíricas.

Ou seja, para o António Piedade “o critério da verdade científica é a verificação empírica”; mas esta proposição não é, ela mesma, verificável.

Quarta-feira, 10 Setembro 2014

O António Piedade Procrustes, e os cérebros da mulher e do homem

 

“É um assunto muito vulgar atribuir ao cérebro capacidades diferentes consoante o sexo. Contudo, e apesar das diferenças anatómicas e hormonais que distinguem o homem da mulher, não se encontrou até hoje nenhuma diferença distintiva na fisiologia e metabolismo do cérebro nos dois sexos. Há uma ligeira diferença de tamanhos mas, como já se disse, o tamanho não implica imediatamente uma função diferente.”

António Piedade Procrustes

O António Piedade nega a realidade. Para ele, “diferença” é sinónimo de “hierarquia”, e por isso — segundo o arquétipo mental do bicho — é necessário que tudo seja igual para que não haja hierarquia.

Para que não hajam diferenças, o António Piedade olha para a realidade e nega-a, mediante um delírio interpretativo. Aquele cérebro nefelibático não consegue perceber que a diferença não é sinónimo de inferioridade ou de superioridade; e aqui é que se constata a incoerência do negaceiro endémico: para ele, tem que ser tudo igual porque, se assim não for, há gente inferior e outra superior. A própria negação das diferenças é uma forma de discriminação ontológica do ser humano.

Estudos científicos recentes revelam que os cérebros de mulheres e de homens são diferentes:

“Scientists now know that sex hormones begin to exert their influence during development of the fetus. A recent study by Israeli researchers that examined male and female brains found distinct differences in the developing fetus at just 26 weeks of pregnancy. The disparities could be seen when using an ultrasound scanner. The corpus callosum — the bridge of nerve tissue that connects the right and left sides of the brain — had a thicker measurement in female fetuses than in male fetuses.

Observations of adult brains show that this area may remain stronger in females. “Females seem to have language functioning in both sides of the brain,” says Martha Bridge Denckla, PhD, a research scientist at Kennedy Krieger Institute.”

How Male and Female Brains Differ


O António Piedade faz lembrar a história de Procrustes:

procrustes07Juntaram-se os cidadãos e instituíram a democracia, e o areópago encarregou um membro da academia, Piedade Procrustes, da investigação empírica da desigualdade entre os cidadãos, com recurso a processos de aferição alegadamente baseados na ciência.

O Piedade Procrustes não se fez rogado e construiu, como instrumento de medição, a sua própria cama.

Depois de ter, com recurso a ela [à cama], esticado e decepado todos os voluntários que se apresentaram para os testes sobre a igualdade da cidadania, de forma a que já todos cabiam nela exactamente, o Piedade Procrustes informou a academia, baseado nos testes realizados, que todos os cidadãos da democracia tinham o mesmo tamanho ― o que significa que, entre outras coisas, as mulheres eram iguais aos homens.

Pensava o Piedade Procrustes que a igualdade perante a lei e a igualdade dos direitos políticos e civis tivessem por base a igualdade dos próprios seres humanos ― e como era um democrata fervoroso, eliminou todas as diferenças.

No entanto, a democracia não supõe igualdade dos homens e mulheres, mas antes ignora a sua desigualdade. A democracia não escamoteia a existência de diferenças de sexo, de origem, de cor, de religião, e de capacidade intelectual ou outras, mas torna as pessoas indiferentes face a elas ― o que faz com que se desligue, a natureza humana, por um lado, e a sociedade, por outro lado.

Precisamente porque a política despreza todas as diferenças naturais, estas podem ser aproveitadas noutras áreas: assim, a família fundamenta-se na diferença entre o homem e a mulher ― e daí o facto das mulheres preferirem contrair matrimónios com homens não constituir qualquer acto de discriminação.

Quinta-feira, 4 Setembro 2014

O flatus vocis do António Piedade

 

Quando o António Piedade fala de alimentação e de Aquecimento Global, a voz dele torna-se flatulenta.

Lund University

“A new study from Lund University in Sweden has, for the first time, reconstructed solar activity during the last ice age. The study shows that the regional climate is influenced by the sun and offers opportunities to better predict future climate conditions in certain regions.

For the first time, a research team has been able to reconstruct the solar activity at the end of the last ice age, around 20 000–10 000 years ago, by analysing trace elements in ice cores in Greenland and cave formations from China.

During the last glacial maximum, Sweden was covered in a thick ice sheet that stretched all the way down to northern Germany and sea levels were more than 100 metres lower than they are today, because the water was frozen in the extensive ice caps. The new study shows that the sun’s variation influences the climate in a similar way regardless of whether the climate is extreme, as during the Ice Age, or as it is today.”

SUN’S ACTIVITY INFLUENCES NATURAL CLIMATE CHANGE

Qualquer pessoa com bom-senso é de opinião que se deve ter uma alimentação saudável que não dispense, por exemplo, alguma proteína animal. Repito: alguma. Mas quando o António Piedade escreve isto, não se trata de lapsus calami: em vez disso, é flatus vocis.

O que é espantoso é que, depois do escândalo do FCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), em que “cientistas” ingleses inventaram dados e adulteraram outros para “provar” que existe um Aquecimento Global antropogénico, ainda existam idiotas como o António Piedade que seguem a cartilha de Malthus que se demonstrou não ter fundamento científico sólido.

Terça-feira, 13 Maio 2014

É bom voltar a Aristóteles, face a idiotas que escrevem sobre a ciência

Filed under: A vida custa,Ciência,Esta gente vota — O. Braga @ 12:48 pm
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O António Piedade, do blogue Rerum Natura, escreve o seguinte:

“Assim como há 400 anos o telescópio desvendou um universo novo e quebrou mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas, também estas novas tecnologias de visualização cerebral abrem miríades de horizontes sobre a mente humana, e estendem as possibilidades da sua interacção com a Natureza.”

O que o António Piedade pretende dizer é que o telescópio e toda a parafernália tecnológica ao dispôr do Homem, “depois de ter quebrado mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas”, revelaram a verdade acerca do universo. Hoje, a julgar pelo pensamento do António Piedade, já não há mitos nem lendas. Assim como Karl Marx engendrou o fim da História, o António Piedade chegou ao fim da ciência.

“O que, em princípio, moveu os homens a proceder as primeiras indagações filosóficas foi, e como é hoje, a admiração. Entre os objectos que admiravam e que não podiam dar-se razão, aplicaram-se primeiro aos que estavam ao seu alcance; depois, avançando passo a passo, quiseram explicar os fenómenos mais relevantes; por exemplo, as diversas fases da Lua, o curso do Sol e dos astros e, por último, a formação do universo. Ir em busca de uma explicação e admirar-se é reconhecer que se ignora. E assim, pode dizer-se que o amigo da ciência também é, de certa maneira, amigo dos mitos, porque o assunto dos mitos é o maravilhoso.”

Aristóteles, “Metafísica”, II

Para o António Piedade, o amigo da ciência não é amigo dos mitos; para ele, a ciência não tem mitos, já que as crenças dele são certezas coimbrinhas.

Segunda-feira, 31 Março 2014

A crença fundamentalista do cientismo do António Piedade contra a RTP

 

O António Piedade, que escreve no blogue Rerum Natura, faz lembrar um fundamentalista islâmico wahabita da Arábia Saudita que não admite mais nenhuma crença que não a dele. Só lhe falta erguer autos-de-fé ou apedrejar os hereges em nome do cientismo.

A redução de toda a realidade à ciência e à técnica só pode vir de um burro com alvará de inteligência coimbrinha:

“Vivemos numa sociedade científica e tecnológica. Por isso, o conhecimento científico deve estar acessível a todos para garantir uma melhor cidadania em democracia.” — diz ele.

antonio piedade cientismo profeticoA ideia segundo a qual “o convívio com o pensamento científico desenvolve uma atitude crítica, uma opinião própria mais esclarecida e fundada na verdade dos factos” não é necessariamente verdadeira, ou seja, não corresponde necessariamente à verdade. Só um burro que não conheça a história do neo-empirismo dos princípios do século XX, e o Pragmatismo americano do mesmo período, pode afirmar, com toda a certeza, uma bestialidade dessas.

A ideia segundo a qual “a ciência não é uma crença” só pode vir de uma mente cristalizada em um sistema ortorrômbico, ou triclínico. Por vezes pergunto-me para que serve um curso superior, se depois de alguns anos a queimar pestanas, em vez de se aprender ainda se desaprende.

“A ciência, matemática, natural e humana é, em graus diversos, determinada pela experiência. As margens do sistema devem concordar com a experiência; o resto, como em todas as elaborações míticas ou fictícias, tem como único objectivo simplificar as leis (da ciência) — Williard Van Orman Quine.

Do empirismo, só retiramos conclusões e soluções empíricas. “A maior fé que existe é a do cientista, porque é inconfessável” (Roland Omnès).

Não me incomoda a crítica do António Piedade a uma determinada crença: o que me incomoda é a estupidez da tentativa de validar exclusivamente uma determinada crença. Ele poderia criticar, por exemplo, o Vodu, entendido em si mesmo; mas sem puxar dos galões tentando afirmar que “a ciência não é uma crença”, por um lado, e, por outro lado, que a ciência pretende resolver todos os problemas da humanidade.

É impressionante como, vivendo nós no século XXI, ainda há gente, nas universidades, que pensa como se pensava no século XIX. Pior do que as crenças populares é esta crença universitária, elitista e estúpida que se coloca acima de toda a Realidade.

Domingo, 26 Janeiro 2014

A revolução coperniana da ciência, segundo o António Piedade

 

“Longe vão os tempos em que o avistamento de um cometa, um acontecimento astronómico, era associado, pelos homens na Terra, a mensagens dos deuses, a nascimentos de reis e salvadores, ou à queda de impérios e a catástrofes naturais. O desconhecimento e o medo obscureciam o brilho dos cometas que traçavam no céu um temor cósmico.

Hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol com períodos translacionais de dezenas ou centenas de anos. Constituídos por núcleos rochosos e gelados, podendo ter até vários quilómetros de largura, são blocos da construção primeva do Sistema Solar.”

Mas o que é que tem a ver o cu com as calças?! Temos aqui um exemplo da falácia Ignoratio Elenchi.

O que é que tem a ver o facto de hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol, por um lado, com a associação de um astro com as mensagens dos deuses, por outro lado? Será que porque hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol, segue-se que os deuses deixam automaticamente de existir? O que é que tem uma coisa a ver com a outra?

Eu pensava que a ciência não podia demonstrar que uma coisa não existe — incluídos os deuses. Mas o António Piedade operou uma revolução coperniana na ciência: a partir de agora, a ciência passa a determinar que uma coisa não existe, mesmo que não tenha a mínima ideia do que é essa coisa.

Quarta-feira, 31 Julho 2013

O António Piedade não passará nunca do essencial e do básico

Escreve o António Piedade o seguinte :

« Coisa interessante é que Luís Portela consegue escrever um livro que aparenta ser a favor do conhecimento científico e da importância que a ciência tem no desenvolvimento de uma humanidade mais livre. O problema é que o leitor menos atento pode iludir-se com a tentativa consciente de Luís Portela em afirmar que algumas teorias, utopias e imaginações são passíveis de serem verificadas e validadas através do método científico. Mas ao mesmo tempo Luís Portela afirma que “embora não demonstradas cientificamente, estas conjecturas [vidas passadas e futuras, por exemplo] fazem sentido”. O problema é que o “sentido” e as realidades mentais em que Luís Portela é livre de acreditar não são passíveis de serem verificadas, ou sequer experimentadas, pela ciência moderna. A ciência moderna tem como objecto de estudo o que é e não o que nós queremos, acreditamos ou desejamos que deva ser! »

Saiba o(a) leitor(a) que o critério que norteia a ciência é o de que ” só tem significado aquilo que é verificado – ou seja, segundo a ciência, tudo aquilo que não é passível de ser verificado não tem significado senão, em alguns casos, como uma mera hipótese.

Porém, esta proposição (“o critério da significação é a verificação”) não é, ela própria, verificável!

Isto significa que a ciência parte de uma espécie de dogma que separa o seu fundamento da própria metafísica, e em relação à qual a ciência está intrinsecamente ligada, – embora a ciência negue o valor da metafísica.

Porém, os neurónios do António Piedade não abarcam factos tão simples e evidentes como o de que a própria ciência se fundamenta na metafísica. O António Piedade é incapaz de pensar senão pelos miolos dos outros.

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