perspectivas

Terça-feira, 15 Abril 2014

O cientismo é dogmático

Filed under: Ciência,cultura — orlando braga @ 8:18 am
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Um cego pode dizer que “não pode ouvir as cores”, e que, por isso, as cores não existem objectivamente.

De um modo semelhante, o cientismo diz que os valores da ética não existem objectivamente (e que só existem subjectivamente) porque são estranhos às ciências da natureza.

O problema é que os intérpretes do cientismo são supostos “cientistas” ou “homens da ciência”; e em vez de termos as sotainas da Idade Média, temos as batas brancas dos ratos de laboratório da contemporaneidade.

Domingo, 13 Abril 2014

Quando os patrões faziam milagres

Filed under: cultura — orlando braga @ 5:04 pm
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Um patrão para quem trabalhei em meados da década de 1980 era dos antigos, tinha uma gestão empresarial militarista — a gestão de tipo “cogumelo” 1 — e uma certa forma “patriarcal” de lidar com os trabalhadores — era como uma espécie de “grande pai de família” cujos “filhos” era os mais de 700 empregados da empresa. Isto já não existe: o mofo deu-lhe!

Uma vez por ano, perto do Natal, o patrão organizava uma festa com comida e bebida grátis para os trabalhadores, e realizava uma tômbola gigante, através da qual todos os trabalhadores (incluindo eu) se habilitavam ao sorteio de Mil Contos (cerca de 5 mil Euros).

Mas a tômbola estava viciada, embora só meia dúzia de pessoas (eu incluso) sabia da marosca: uns dias antes da festa, o patrão perguntava a essa meia dúzia de pessoas: “¿Quem anda aflito com a vida?”. A resposta vinha célere: “Fulano tem uma filha muito doente que precisa de uma operação muito urgente aos rins!”. “Pois bem”, dizia patrão patriarca, “vamos viciar a tômbola e atribuir o prémio dos Mil Contos ao número da tômbola do Fulano”. E assim era! Depois de saído o prémio, o povo trabalhador presente na festa comentava, atónito: “¿E não é que saiu o prémio mesmo a quem precisava?!! Parece que foi o Nosso Senhor que operou um milagre!”

E eram mesmo “milagres” que os patrões de antanho faziam, e que hoje já não existem: os trabalhadores deixaram de ser vistos, pelos actuais patrões, como ser humanos. Apesar da “gestão de cogumelo”, houve um tempo em que trabalhar em uma empresa fazia parte da nossa cultura e de um projecto de vida a prazo definido.

Nota
1. Gestão de tipo cogumelo: há um maioral, e o resto é tudo composto por cogumelos. De vez em quando o maioral defeca para cima dos cogumelos, esperando que eles cresçam!

Quinta-feira, 10 Abril 2014

Quem consentiu o "casamento" gay que agora limpe as mãos à parede

 

Quando o Direito se funda no facto — ou seja, quando o Direito Positivo é fundado por tudo aquilo que existe na sociedade, e as leis são feitas para acomodar, no ordenamento jurídico, todos os fenómenos sociais que existam ou venham a existir —, então acontece que todas as aberrações culturais, estéticas, éticas e comportamentais tendem a ser normalizadas por intermédio das normas legais (passo a redundância intencional). E é assim que a existência de qualquer facto social passa a ser o fundamento de um qualquer novo “direito”.

Faço aqui referência a este texto do jornalista Henrique Monteiro, a que respondeu uma tal Inês Rolo (à procura de protagonismo social) aqui.

politicamente-correcto-grc3a1fico-webDesde já convém dizer que o Henrique Monteiro deveria ter sublinhado, no seu texto, que se o comportamento tradicional é (segundo o radicalismo progressivista actual) uma “construção social artificial”, então também o comportamento não-tradicional é uma “construção social artificial”. A lógica subjacente ao agir humano não difere em função de ser “tradicional”, ou não.

O que difere a Inês Rolo, por um lado, do Henrique Monteiro, por outro lado, é o conceito de “civilização”, ou seja, a importância do superego em controlar a miscelânea caótica do ID (segundo a linguagem de Freud) no sentido de formatar socialmente o ego individual que lhe permita integrar numa cultura e numa sociedade. Para a Inês Rolo, a civilização é a ausência de civilização; é a liberdade irracional do ID manifestando-se no comportamento social, e tentando impôr a toda a sociedade essa irracionalidade da liberdade do ID sem freio — porque a normalização de um comportamento é sempre uma forma de tentar estender esse comportamento a toda a sociedade: não se trata (da parte da Inês Rolo e quejandas) de uma afirmação de uma opção de um estilo de vida, mas antes de uma tentativa de universalização desse estilo de vida, dessa cultura e dessa mundividência.

Basear as normas éticas e/ou jurídicas nos factos, é uma falácia de apelo à natureza. Por exemplo, não é pelo facto de a esmagadora maioria dos homens ter barba que eles devem deixar crescer barba. Os homens podem deixar crescer a barba, se quiserem, desde que isso não interfira com a sua higiene pessoal e com a vida prática. De modo análogo, a promiscuidade sexual pode ser um factor de perigo grave de saúde pública — como já está basta- e cientificamente documentado. A normalização da promiscuidade sexual não é defensável, nem ética- nem juridicamente: não é porque existem pessoas sexualmente promíscuas que o Direito Positivo se deve ocupar de normalizar a promiscuidade sexual. Se (nos casos que se justifiquem em função do bem-comum) os factos podem eventualmente influenciar o Direito, o Direito não se funda em factos.

O facto de existirem prostitutas não significa que a prostituição seja transformada, através da sua normalização pelo Direito Positivo, em uma profissão como qualquer outra, com contrato de trabalho, pagamento de IVA e facturas e recibos, e dedução no IRS. E, no entanto, a prostituição é conhecida pela “profissão mais antiga do mundo”. Portanto, fica claro que o facto não funda o Direito.

Por fim, o problema da nossa sociedade é que se perdeu a noção de juízo universal.  

O facto de uma mulher (neste caso concreto, a Inês Rolo) não querer ser como as “outras” — em um assomo assoberbado de um narcisismo que, sendo normal nas mulheres, assume neste caso as raias de uma psicose —, não significa que as “outras” não sejam normais. Pelo contrário, a julgar pela racionalidade da curva de Gauss na análise comportamental das mulheres, a normalidade não está com a Inês Rolo. Portanto, a Inês Rolo que extravase o seu narcisismo mórbido nos intervalos das cambalhotas poliamóricas, entre a confusão de narizes, com aqueles e elas que, como ela, colocam o instinto acima da racionalidade.

Quinta-feira, 3 Abril 2014

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada sobre a co-adopção

 

Quarta-feira, 2 Abril 2014

Palestra do Professor Doutor Menezes Cordeiro sobre a co-adopção de crianças por pares de invertidos

 

Terça-feira, 1 Abril 2014

Os portugueses em abstracto

Filed under: cultura,Portugal — orlando braga @ 3:01 pm
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“Os portugueses sempre adoraram o concreto: entendem o abstracto, mas procuram traduzi-lo imediatamente em concreto.” — Agostinho da Silva


“Uma lista dos defeitos dos portugueses devia levar o político inteligente a elaborar um projecto de sociedade em que eles passassem apenas a ser características, ou quem sabe se qualidades.” — Agostinho da Silva

Domingo, 30 Março 2014

O Professor Doutor Paulo Otero sobre a co-adopção de crianças por pares de invertidos

 

Sábado, 29 Março 2014

João Galamba vs. João Miguel Tavares

Filed under: cultura,Política,Portugal — orlando braga @ 2:48 pm

 

Eu não simpatizo com o João Galamba; mas devo reconhecer que ele é coerente em relação a ideias com as quais eu não concordo. É coerente do princípio ao fim, e essa coerência pode até incomodar certas pessoas — como, por exemplo, parece incomodar o João Miguel Tavares que, de coerente, tem quase nada.

A mim não me incomoda — “absolutamente” nada! — a coerência do João Galamba: como sabemos, uma doutrina ou/e um sistema de ideias têm muitas vezes uma coerência interna que aparentemente a legitima. Por exemplo, o sistema hegeliano tem uma coerência lógica interna que desafia a crítica do espírito mais agudo. Mas a dialéctica de Hegel, quando aplicada à Realidade, não resiste à crítica racional — ainda mais quando já se sabe hoje muita coisa acerca da realidade quântica!

No caso do João Miguel Tavares, e em função das suas (dele) mais incoerentes tomadas de posição públicas — por exemplo, ¿como é possível conciliar o capitalismo propriamente dito, por um lado, com a destruição (na cultura antropológica) da família natural, por outro lado? ¿Como é possível ser-se simultaneamente apaniguado dos “pequenos passos” hegelianos da revolução na cultura antropológica, segundo a doutrina do marxista Gramsci, e simultaneamente defender o capitalismo que se fundou na família natural calvinista, segundo Max Weber? —, ainda me é mais repelente, porque ele orienta-se exclusivamente segundo a moda do Zeitgeist.

No João Galamba não há (apenas) moda: antes, há sobretudo a “lógica de uma ideia” (segundo o conceito de Hannah Arendt em relação às ideologias). Em contraponto, no João Miguel Tavares há a necessidade de “parecer bem”, nem que se tenha de defender simultaneamente uma coisa e o seu contrário. Ou seja: respeito muito mais o João Galamba.

A estupidificação da Europa

 

Na Bélgica, quem não é, hoje, favor da eutanásia livre e “à vontade do freguês”, é considerado retrógrado, da direita, e/ou conservador — epítetos que são considerados sinónimos. Por este andar e por absurdo que seja, se se defender na Europa, um dia destes, a existência de campos de exterminação em massa para velhos e deficientes, quem for contra eles é democraticamente reaccionário, retrógrado e conservador. A História repete-se.

À medida que a esquerda radicaliza, o centro vai virando à esquerda que há vinte anos não era tão radical como é hoje.

Na Europa, quem for defensor da vida humana intra-uterina é hoje considerado um troglodita pelas elites políticas (nacionais e internacionais) do leviatão europeu (leia-se, União Europeia), e a tal ponto que o “papa ambíguo” toma posições relutantes e ambivalentes acerca do aborto.

“Troglodita” é hoje o superlativo absoluto simples de “conservador”: é uma criatura que ainda habita na caverna de Platão — porque o europeu moderno, democrático, progressista e de vistas largas há muito tempo que viu a luz.

Até em Portugal, o “cota” socialista Manuel Alegre referiu-se a quem não concorda com o “casamento” gay e com a adopção de crianças por pares de invertidos como sendo um “conservador” no sentido de troglodita.

Depois, esta gente estranha que surjam fenómenos políticos como o da Front Nationale de Marine Le Pen.

É que o radicalismo de esquerda foi já tão longe na Europa que quem defenda hoje o aborto apenas e só até às 10 semanas de gravidez é considerado um “cota” moderado, um indivíduo do “centro político”. À medida que a esquerda radicaliza, o centro vai virando à esquerda que há vinte anos não era tão radical como é hoje. Hoje, um indivíduo que se diga “do centro” político aproxima-se das posições políticas (na cultura) do Bloco de Esquerda do tempo da sua fundação.

Depois, esta gente vem dizer que a Front Nationale de Marine Le Pen é de “extrema-direita”. Pudera! As pessoas não se dão conta de que o epíteto de “extrema-direita” surge em função do actual fenómeno de radicalização extrema à esquerda que aconteceu progressivamente na Europa nos últimos 15 anos.

Um dia destes, e por este “andar hegeliano”, um indivíduo que defenda a vida humana intra-uterina será metido na prisão por ser de “extrema-direita”. Em alguns países da Europa, pelo simples facto de se defender publicamente o casamento natural (entre um homem e uma mulher), já se pode ser levado a tribunal e condenado por “crime de ódio”.

Em suma, a Front Nationale de Marine Le Pen é o que a elite política desta Europa merece. Não merecem outra coisa. Para radical, radical e meio.

Sexta-feira, 28 Março 2014

A Esquerda e o problema demográfico português

 

O que me espanta é que seja a Esquerda (incluindo o Partido Social Democrata de outros tempos, com alguma cumplicidade do CDS/PP de Paulo Portas) que venha agora falar de “problema demográfico endémico” — quando foi a Esquerda que legalizou o aborto “a pedido arbitrário da cliente”, defendeu já a legalização da eutanásia no parlamento (Bloco de Esquerda), legalizou o “divórcio unilateral e instantâneo”, instituiu o “casamento” gay, e quer agora legalizar a adopção de crianças por pares de invertidos e o tráfico de crianças.

A Esquerda destruiu os valores da família na cultura antropológica portuguesa, e agora queixa-se do “problema demográfico português”.

Quinta-feira, 27 Março 2014

A Arte Moderna

Filed under: cultura,Decadência do Ocidente — orlando braga @ 12:54 pm
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«Millie Brown está nas bocas do mundo depois de ter vomitado em cima de Lady Gaga, durante um espectáculo da cantora. Acidente? Não. A artista transformou o vómito numa arte, ao beber copos de leite com corantes de várias cores, e regurgitando-os para cima de uma tela.

A primeira vez que o fez foi num palco em Berlim e tinha apenas 17 anos: “Queria usar o meu corpo para criar arte.”, recorda a londrina de 27 anos, numa entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Queria mesmo que viesse ‘de dentro’, queria criar algo bonito que fosse puro e incontrolável”.»

Vomitar pode ser arte?


arte moderna web

Respigado aqui.

Segunda-feira, 24 Março 2014

A fenomenologia da asneira

Filed under: cultura — orlando braga @ 11:35 am
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«A grande asneira tem ainda a característica intrínseca de ser, muito provavelmente, da autoria de grandes pessoas / instituições. Para que se transforme num standard, a grande asneira precisa de autoridade e poder.

Não raras vezes vem acompanhada de apoiantes de grande relevância social e do apoio de comentadores de jornal que ajudam à consolidação da coisa nas mentes menos preparadas. Aos poucos, a asneira no seu caminho para standard, vai conquistando o pensamento dos que não questionam a autoridade até, finalmente, se impor para todos. Ou porque “toda a gente sabe que é assim” ou porque “está escrito na lei”.»

Este trecho deste texto no blogue Rerum Natura, corresponde a factos, passados e/ou presentes; ou seja, “apreende” em si mesmo, uma verdade. Já lá iremos. O “problema” é o que se segue a este trecho verdadeiro.

«Agora, vamos imaginar que sou um banco, além do Zé, tenho o Manuel, o Joaquim, a Maria…

Tenho aquilo a que se chama uma carteira de crédito. Vou à minha carteira e sei, pelas realizações, que a probabilidade de um destes devedores incumprir é x. Como? Não tenho outra hipótese senão ver quantos incumpriram no histórico da minha carteira. Pego nesse valor e deduzo o valor esperado de perdas na carteira e considero essa diferença um custo. Certo?

Até agora parece bem, mas agora imaginemos que estou numa crise, como a que passamos. Neste caso, naturalmente, as imparidades sobem porque há mais gente a incumprir.

Como sobem os custos, vou ter que subir o preço que peço pelo crédito (o spread) de forma a compensar. Como resultado vou dar menos crédito. Os créditos cumpridores vão terminando e não são substituídos por novos. A probabilidade tal como a estou a medir, que era x, vai passar a ser x+dx, subindo os custos. Como os custos vão subir, vou subir o spread reduzindo ainda mais o número de créditos que dou. Resultado, sobe a probabilidade medida de incumprimento e por aí em diante até ao colapso completo da carteira e, consequentemente, do banco.»

Este outro trecho, do mesmo verbete, reflecte uma visão academista da economia, por um lado, e, por outro lado, de um tipo de visão da economia específica em relação a um mercado português. ¿Onde está, no trecho, o “problema” daquele raciocínio?

Em primeiro lugar, quando os custos da Banca aumentam (por exemplo, em tempos de crise), a Banca deveria começar por cortar nos seus próprios custos fixos, em vez de preferir aumentar spreads aos seus clientes. Mas a tradição da Banca portuguesa não é esta: qualquer sinal de crise, mesmo que não exista de facto e seja um fogo fátuo, serve e serviu sempre para aumentar spreads.

Em segundo lugar, os clientes não são todos iguais, ou, pelo menos, nem todos “incumprem” da mesma maneira; por exemplo, alguns oferecem garantias e outros nem tanto. Portanto, o aumento de spreads, entendido em si mesmo como política de gestão de crédito — em tempo de crise, ou não —, não faz sentido (a não ser na tradição bancária portuguesa que, sempre alcantilada no Estado e sob a protecção do Estado, transforma sistematicamente o spread bancário em um fim em si mesmo, e não em um meio de desenvolver o negócio).

Em terceiro lugar, em tempo de crise, quando toda a gente ganha menos, a Banca não pode aspirar a ganhar o mesmo que ganhava antes da crise. Isto é uma evidência: tão evidente quanto é evidentemente estúpido alguém defender que se deve matar a galinha dos ovos de ouro. O problema é de racionalidade na gestão de crédito, e esta racionalidade depende das pessoas que gerem a Banca portuguesa que, na maior parte das vezes, não têm uma noção da economia real (estão fechadas em gabinetes).


Em relação ao primeiro trecho (com o qual concordo, no geral):

1/ a ideia segundo a qual, “ao longo da História, o povo engana-se menos vezes do que as elites”, corresponde a uma verdade (de La Palisse). E a razão da maior asneira por parte das elites está na tentativa, da parte destas, de “transcender o fenómeno” (na linguagem de Husserl). Normalmente, o chamado “povo inculto” olha para um fenómeno de forma a constatar a sua evidência imanente (a noção de “imanência inclusa”, de Husserl): a “coisa” (o fenómeno) apresenta-se-lhe ao conhecimento de forma evidente e, por isso, de forma imanente — o que se traduz na ideia popular segundo a qual “as coisas são o que são”.

Em contraponto, as elites, já imbuídas de um tipo de conhecimento naturalista que lhes envenena o espírito, procuram no fenómeno aquilo que (aparentemente) o transcende (aquilo que está para além do fenómeno, ou que está “oculto” no fenómeno), o que faz com que a asneira seja mais provável de acontecer no juízo das elites.

2/ as elites utilizam sistematicamente a seu favor o conceito de “autoridade de direito”, em oposição à “autoridade de facto”. E, através da “autoridade de direito”, as elites impõem a asneira a toda a sociedade através de um mecanismo cultural que Georg Simmel chamou de “Trickle-down Effect”, por um lado, e, por outro lado, através da estimulação contraditória que conduz a uma dissonância cognitiva transversal a toda a sociedade.

A nossa esperança é que o povo não deixe de ver no fenómeno a sua evidência imanente.

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