perspectivas

Domingo, 6 Setembro 2020

É preciso retirar o Bloco de Esquerda do círculo do Poder, nem que seja à custa de violência extrema

“A criança é o corolário significativo do pai e da mãe, e o facto de se tratar de uma criança humana traduz o significado ancestral dos laços humanos que ligam o pai e a mãe. Quanto mais humana, e por isso menos bestial, for a criança, mais esses laços ancestrais são duradouros e adequados à ordem da natureza.

Por isso, não é um progresso na cultura e na ciência a tendência para enfraquecer esse vínculo primordial, mas antes o progresso deve ir logicamente no sentido de fortalecê-lo… Este triângulo de truísmos constituído pelo pai, pela mãe e pela criança, não pode ser destruído; só podem ser destruídas aquelas civilizações que não o respeitam.

→ G. K. Chesterton


Não há argumentação racional que possa ser utilizada contra a “irracionalidade” do Bloco de Esquerda, que controla o governo de António Costa — como é óbvio: o problema do “irracional” é o de que não é racional. Por exemplo, a argumentação racional de Tiago Abreu contra a eliminação, por parte do Estado bloquista, do estatuto cultural de “pai” e de “mãe”:

« Em vez de “pai”, o Estado Português decidiu por bem chamar-me “Primeiro Progenitor”. À mãe, já devem ter adivinhado, chamaram-lhe “Segundo Progenitor”. Mas ¿como pode uma criança nascer de dois progenitores em que um deles não seja o pai e outro a mãe? Se a ideia era a não discriminação de filhos adoptados, ou não gerados pelos pais, ¿não seria então muito mais sensato dar-se o nome de “pai” e “mãe”, seguindo o adágio popular de “pai é quem cria”?

Porque “progenitor” é precisamente aquele que gera, que procria e nos casos em que tal assim não foi, a neutralidade do nome “pais” seria muito mais adequada (e historicamente mais correcta).

Além disso, ¿a quem cabe por direito o lugar de “Primeiro Progenitor”? ¿Como se define a ordem hierárquica? Com “mãe” e “pai”, problemas desta natureza jamais se poriam. Não sei se a vontade dos pais entra na equação – suspeito que não –, mas se me perguntassem, eu gostava mesmo de ser pai. Primeiro ou Segundo (ou que número seja) Progenitor é muito deprimente.»

jf-revel-web


O Tiago Abreu demonstrou, no trecho, a irracionalidade e a auto-contradição da eliminação, por parte do Estado, do estatutos naturais de “pai” e de “mãe”.

Porém, a brutalidade do marxismo cultural (que o patético José Pacheco Pereira diz que “não existe”), protagonizada pelo Bloco de Esquerda, não ficará certamente por aqui: há que destruir qualquer tipo de ligação entre o ser humano e a Natureza — porque a coerência ontológica entre o Homem e a Natureza é, em primeiro lugar, uma salvaguarda contra a discricionariedade tirânica e absoluta dos novos gnósticos (os novos puritanos); e, por outro lado, a ligação entre o Homem e a Natureza é um Ersatz (um substitutivo simbólico) da ligação entre o ser humano e Deus — o que, para os novos gnósticos, é uma nova heresia.

Como escreveu a Isabel Moreira (um submarino do Bloco de Esquerda no interior do Partido Socialista) : “Antinatural, felizmente !”. O mesmo soe dizer-se: “Anti-Deus, felizmente!”. Os novos gnósticos / puritanos negam a existência de qualquer entidade superior a eles, seja essa entidade a Natureza ou Deus — porque os novos gnósticos / puritanos assumem-se a si próprios como uma espécie de deuses (os modernos Pneumáticos) que vêem na própria Natureza um desafio ao seu Poder absoluto.

Talvez não fosse má ideia a reedição do livro “A Tentação Totalitária”, de Jean-François Revel. Chegamos a um ponto em que as “elites” confundem propositadamente “libertarismo” (à moda de Stuart Mill), por um lado, com “totalitarismo” (à moda de Lenine).


“O bolchevismo e o grande capital são parecidos; ambos são sustentados pela ideia segundo a qual tudo se torna mais fácil e simples depois que se elimina a liberdade; e o inimigo irreconciliável de ambos é aquilo a que se convencionou chamar de ‘pequenas e médias empresas’ [no original: ‘Small Business’]”.

→ G. K. Chesterton

O argumento, estúpido (digno de um José Pacheco Pereira, entre outras abéculas da nossa praça providas de um alvará de inteligência), segundo o qual “o que se está a passar não tem nada a ver com marxismo cultural, mas antes é o desenvolvimento actualizado do pensamento (ideológico) libertário de Stuart Mill”, é fácil de desmontar:

quando, por exemplo, jovens estudantes universitários actuais confessam (à boca pequena) que têm medo de opinar — não porque temam pelas suas vidas, mas porque temem pelas suas carreiras profissionais —, estamos muito longe do libertarismo de Mill: esta realidade da espiral do silêncio atemorizadora, imposta pelos agentes políticos do marxismo cultural, está muito longe do pensamento libertário de Stuart Mill.

A “irracionalidade” bloquista, referida acima e denunciada pelo Tiago Abreu, é uma marca do novo totalitarismo sancionado pelos novos gnósticos (ou os “novos filhos-de-puta”): somos todos obrigados, mediante a força bruta do Estado, a subscrever uma doutrina e uma realidade política que sabemos, à partida, serem absurdas: ao aceitar (implicitamente) a mentira imposta pela ideologia, a probidade do cidadão é automaticamente destruída.

A eliminação do estatuto cultural de “mãe” e de “pai”, por parte do Bloco de Esquerda, tem menos a ver com os interesses da minoria guei, do que com a intenção de destruir a honestidade intrínseca do cidadão comum: um cidadão desonesto, desprovido de princípios morais, é mais fácil de controlar por um Estado manobrado pelos novos filhos-de-puta.

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