perspectivas

Sexta-feira, 6 Fevereiro 2015

O FaceBook e o tempo

 

cientismo2Só falta comparar a invenção do FaceBook à  descoberta da penicilina. Os ditos “progressistas” são tão estúpidos que tolhem qualquer tentativa de inteligibilidade. São contra a globalização, mas não toda: só apoiam um certo tipo de globalização internacionalista e marxizante, a que chamam de “comunidade” não obstante a realidade do Número de Dunbar. Gostam do FaceBook apenas pela possibilidade de propaganda política e ideológica: utilizam os instrumentos da globalização americana para poderem lutar contra ela.

O problema não é a existência do Facebook; eu próprio utilizo o Facebook, e portanto não tenho nada contra o Facebook. O problema é o carpe Diem:

“O tempo em que vivemos, todos nós, é o tempo. Com tudo o que advém do tempo. Não é “o meu tempo” ou o “teu tempo”. É o tempo. Ainda que outros tivessem vivido, tivessem tido carne e ossos a compor a sua condição humana noutros anos, noutras épocas, em outras eternidades.”

Este parágrafo é patético. Só uma pessoa estúpida o escreveria, e outro estúpido o publicaria. Quando os estúpidos começam a filosofar só sai estupidez: para estes, o tempo não tem passado; o tempo reduz-se ao presente.

Aqui a estupidez é elevada ao quadrado, porque há uma intencionalidade na defesa de uma posição estúpida: é como aquela pessoa que defende a estupidez porque acredita que pode retirar vantagem dela. É uma estupidez consciente, e por isso é elevada ao quadrado.

Nem a ciência vive sem tradição (o passado). Mas quando se trata de política, o Carlos Fiolhais faz do passado tábua-rasa. Ca’ganda cientista!

Sábado, 19 Janeiro 2013

Quando o politicamente incorrecto é, de facto, politicamente correcto

As teses raciais supremacistas são irracionais, porque partem do princípio segundo o qual o genoma humano varia de país para país.

Ele há sítios na Internet que dizem combater o politicamente correcto mas são, de facto, o mais politicamente correctos possível. É o caso deste verbete que aborda a problemática da inteligência no ser humano.

O autor do texto, Thilo Sarrazin, é um economista, e portanto não tem formação específica na área que escreve. E por isso, Sarrazin baseia-se na teoria de Elsbeth Stern (uma psicóloga) e na tese do psicólogo americano James R. Flynn conhecida por “Efeito Flynn”.

Portanto, Sarrazin aceita a priori duas coisas: 1/ que a inteligência é hereditária (inteligência genotípica) e 2/ que é ambiental (fenotípica), ou seja, depende do meio ambiente em que a criança cresce e é educada. Porém, o articulista confunde “inteligência”, por um lado, com “intelectualidade”, por outro lado, e depois estende este duplo conceito de inteligência às etnias e às raças. E, mais adiante, mistura o conceito de “conhecimento” com o conceito “inteligência individual”.
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Quarta-feira, 18 Janeiro 2012

A maior ameaça ao sistema político decadente actual, é o conservadorismo

Quando o governo da direita medíocre de Passos Coelho e de Paulo Portas acaba com o feriado de 1 de Dezembro e ressuscita o feriado de 5 de Outubro, revela o maior inimigo do sistema político vigente: o conservadorismo português, ou melhor, o “nacionalismo integral” segundo o conceito de Fernando Pessoa — em contraponto ao “nacionalismo tradicionalista” de uma certa “direita” extrema, e em oposição ao “nacionalismo sintético” [segundo Fernando Pessoa] do CDS/PP de Paulo Portas, por um lado, e ao internacionalismo europeísta do Partido Social Democrata e do Partido Socialista, por outro lado.

O nacionalismo integral é — não só, mas também — representado pelos adeptos da restauração da monarquia e, por isso, pelos adeptos da defesa da originalidade e dos valores da singularidade cultural portuguesa. Por isso é que o 1º de Dezembro de 1143, dia da independência nacional, foi eliminado da lista dos feriados nacionais, por um lado, e, por outro lado, mantido o feriado do 5 de Outubro de 1910, dia do golpe-de-estado maçónico que assassinou o rei D. Carlos I. O que se pretende é erradicar da memória dos portugueses a noção da sua independência e da sua História.

Esta gentalha vai ter, um dia destes, que ser julgada; e se for caso disso, em praça pública.

Sábado, 21 Maio 2011

O novo tipo de analfabeto funcional

Acontece hoje um fenómeno novo de pessoas consideradas “cultas” já não terem acesso aos processos de pensamento fundamentais da nossa história de pensamento. E se alguém escapa à norma e tem uma mínima noção desses processos de pensamento através do estudo da história das ideias, corre sério risco de se tornar ininteligível e mesmo de ser ostracizado.

Porém, o pior acontece com aquelas raríssimas pessoas que se especializaram na história do pensamento europeu: a maioria delas raramente dá opinião pública, porque uma opinião avalizada pode significar até, para este tipo de pessoas, colocar a sua vida profissional — e mesmo a integridade física — em risco.

Hoje, vivemos na era dos chamados “técnicos”, que estudaram — por vezes de uma forma incipiente — uma ínfima parte da realidade empírica e convenceram-se, por doutrinação ideológica proveniente do nosso sistema de ensino, que a sua visão do mundo é a única legítima. Porém, como se sabe, o empirismo apenas fornece explicações empíricas. Na esmagadora maior parte dos casos, este tipo de gente tem uma enorme dificuldade de raciocínio lógico para além da área estrita que foi objecto dos seus estudos.

O novo tipo de analfabeto funcional é doutor e engenheiro; tem um alvará de inteligência lavrado pelo sistema de ensino politicamente correcto que pretende abolir tudo aquilo que diga respeito ao passado — incluindo a língua portuguesa e a história das ideias.

Quinta-feira, 28 Abril 2011

Um exemplo do dilema entre a razão e a emoção da novidade

A mim parece-me que a Isabel Stilwell, à semelhança da maior parte das mulheres actuais, é uma pessoa que se debate entre a emoção da novidade, por um lado, e a Razão, por outro lado (“Razão” entendida no sentido filosófico); e sendo mulher, essa ambivalência entre a emoção da novidade, e a razão, assume uma proporção maior do que nos homens (em termos de juízo universal, bem entendido), porque essa ambivalência feminina é, regra geral, genuína — ao contrário dos homens actuais, em que este tipo de ambivalência coeva é, de modo geral, fabricada e interesseira (eu costumo dizer que um homem que apoia a sub-cultura feminista é o mais machista que existe).

Este artigo da Isabel Stilwell (ler em PDF) reflecte bem essa característica.
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Quarta-feira, 6 Abril 2011

Um exemplo da sociedade monstruosa que estamos a construir

O exemplo do que se quer dizer aqui, ilustra-se através do caso de Nan Maitland, uma senhora de 84 anos que foi “assassinada legalmente” porque sofria de artrite; aparentemente, a senhora não tinha outro problema de saúde que não fosse a artrite própria da sua idade.

Paulo Portas anunciou ontem no FaceBook que estaria hoje em Azeitão, numa campanha a favor dos cuidados paliativos. E este blogue apoia, neste particular, a acção de Paulo Portas.

A defesa da legalização da eutanásia não é só uma bandeira da Esquerda, embora seja predominantemente de Esquerda: é também característica de uma certa Direita liberal que, como escreveu Olavo de Carvalho, com “a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários” (…), “acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de Direito.”

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Terça-feira, 15 Março 2011

O passado do presente

No século XIX, o passado era um mundo fechado, objecto de contemplação. No século XX, era um mundo contraditório, objecto de desconstrução. No século XXI, o passado não existe.

Quinta-feira, 30 Dezembro 2010

O perigo do presentismo na Europa

Filed under: gnosticismo,Política,religiões políticas — O. Braga @ 11:04 pm
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O presentismo da nossa sociedade não é bom sinal. Se repararmos no que aconteceu durante o século XX, todas as ideologias totalitárias prepararam a instauração do seu poder por via do presentismo cultural das massas, por um lado, e pela criação de uma elite de iniciados que “explicaram” às massas “o verdadeiro significado da História”. O presentismo é a condição necessária para a aceitação de uma qualquer interpretação histórica, enviesada e tendente à instalação de um regime totalitário gnóstico moderno.

Antes do Iluminismo e da revolução francesa, e embora as “massas” fossem, na sua maioria, iletradas, a preponderância da religião na cultura concedeu grande valor aos mitos de origem e, portanto, à valorização do passado, seja este mítico ou histórico.
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Segunda-feira, 4 Outubro 2010

A construção socialista de um totalitarismo futuro

Uma vez que a esquerda radical marxista, através de José Sócrates, se apoderou do processo legislativo, é nossa obrigação julgá-los literalmente na praça pública.

José Sócrates vai ficar para a História de Portugal pelo seu feroz ataque à família natural e, portanto, pelo mais soez ataque à cultura de liberdade de que há memória no nosso país. José Sócrates conseguiu a proeza de ir mais além do que o radicalismo da I república, e de condicionar a liberdade futura como Salazar nunca tinha pensado algum dia fazer.

José Sócrates é e foi o governante mais pernicioso que Portugal teve desde que o nosso país se tornou independente em 5 de Outubro de 1143.
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Quinta-feira, 16 Setembro 2010

A insustentável e insuportável leveza dos erros repetidos pela demência de esquerda

« Simone Beauvoir disse que foi na China que a alienação da mulher desapareceu. A vida privada deixou de ser problema. O amor deixou de ser problema. Não há divergências, não há conflitos, excepto o conflito entre o velho e o novo, violentamente superado pelo novo triunfante, sem oposição, sem hipocrisia. A ordem é liberdade. O futuro é harmonia. »

Edgar Morin, “Do Mito Chinês”, 1961


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Domingo, 21 Março 2010

Entre Gandhi e Husserl

Estive ontem a rever (em DVD) o filme “Gandhi” que na minha opinião é um dos melhores filmes de sempre. Dei comigo a pensar que Einstein não esteve certo quando disse que “nas próximas gerações as pessoas se interrogarão sobre o facto de como foi possível que uma pessoa com as características dele (de Gandhi) tenha andado sobre esta terra”. Perguntem hoje a alguém na Europa com menos de 30 anos quem foi Gandhi e estou convencido de que a maioria tem uma ideia desfocada da personagem e o resto simplesmente não sabe; dêem mais duas gerações à Europa e Gandhi mergulhará no esquecimento total. E isto porque o aparecimento na Europa da idade moderna de um fenómeno minimamente semelhante ao de Gandhi ― por mais remota que seja essa semelhança ― seria praticamente impossível; alguém com uma mundividência semelhante à de Gandhi seria ― na Europa do filisteu actual ― considerado um maluco risível e “a quem se deve dar um desconto”.
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Quinta-feira, 18 Março 2010

A construção apocalíptica das religiões políticas

Eric Voegelin é, na minha opinião e não só, um dos maiores pensadores do século XX porque conseguiu pensar a História ― e consequentemente, a Humanidade ― fora de um determinado tempo, isto é, preocupando-se em não estar agarrado aos conceitos e preconceitos da época em que viveu (século XX). Neste sentido, podemos dizer que Eric Voegelin teve uma visão holística da História, da filosofia e da política ― a visão de quem analisa os fenómenos humanos a partir de um ponto de observação externo que não é nem a perspectiva do tempo histórico observado nem o tempo histórico na perspectiva do observador. Isto não significa que ele tenha pretendido formatar a História atribuindo-lhe um sentido formal (eidos da História); pelo contrário, a sua posição de observador externo permitiu-lhe perceber que a História não tinha acabado ― ao contrário do que defenderam as religiões políticas surgidas do Iluminismo, como o marxismo, o comteanismo, o hegelianismo, o nazismo, ou o neoliberalismo hayekiano de Francis Fukuyama.
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