perspectivas

Sexta-feira, 10 Novembro 2017

A ambiguidade ambivalente do Anselmo Borges

 

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin


O Anselmo Borges resolveu fazer uma análise política da situação portuguesa. Escreve ele :

« Diz-se frequentemente: "Já não há valores." Não penso isso. O que se passa é que se inverteu a pirâmide dos valores e corre-se o risco de o valor dinheiro se tornar o valor e a medida de todos os valores. Onde está a honra, a dignidade, o valor da palavra dada, a solidariedade, a família como esteio que segura os valores, a escola que forma pessoas íntegras e, assim, bons profissionais, alguns princípios orientadores de humanidade e para a humanidade? »

A SIDA espiritual


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Para alguém que defendeu a legalização do aborto (como é o caso do Anselmo Borges: ver ficheiro PDF do jornal Púbico de Dezembro de 2003), por um lado, e por outro lado para quem defendeu que os abortos deveriam ser grátis e pagos por todos os portugueses — segue-se, então, que a tese do “valor do dinheiro” do Anselmo Borges perde força moral: é que não podemos “dar uma no cravo e outra na ferradura”, e depois assumir que o povão é burro.

A legalização do aborto, que o Anselmo Borges defendeu, é a maior manifestação possível de uma cultura do “valor dinheiro” que o Anselmo Borges agora recrimina. Como escreveu o poeta:

“O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo… Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito” (Mário Quintana).

Tal como acontece com o chefe dele (o Chico Burrico), o Anselmo Borges joga sistematicamente, no seu discurso, com a indução de ambivalências (Estimulação Contraditória) através de uma ambiguidade deliberada, pensada e propositada. O Anselmo Borges é muito perigoso. No passado recente defendeu a “promiscuidade espiritual” (defendeu uma cultura de materialismo abortista), e agora critica a “SIDA espiritual”.

Por fim: ao contrário do que escreve o Anselmo Borges (“considero a actividade política uma actividade nobre, das mais nobres”), a política é tudo menos uma actividade nobre — dada a natureza antipolítica da Verdade. Infelizmente, Hannah Arendt tem razão. Uma actividade que é intrinsecamente contra a verdade não pode ser “nobre” senão na mente esclerosada do Anselmo Borges.

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Quarta-feira, 1 Novembro 2017

As elites actuais negam que a Natureza Humana seja universal e imutável

O sistema político coloca jovenzinhos a defender o indefensável; são os novos jornaleiros dos me®dia, totalmente manipulados pela ilusão da falácia ad Novitatem segundo a qual “tudo o que é novo é melhor do que é velho”. O jornalismo actual vive da ignorância, como é o caso, por exemplo, desta Marta F. Reis; e quanto mais ignorante e estúpido, melhor é o jornaleiro de serviço.

E depois temos gente radicalmente venenosa, como é o caso do João Semedo (Bloco de Esquerda); e tecnocratas ignorantes que assaltam o Poder, como é o caso de Rui Rio (Partido Social Democrata). Gentalha desta espécie representa o Poder globalista que determina os rabiscos do jornalismo ignorante da laia da Marta F. Reis(more…)

Segunda-feira, 23 Outubro 2017

O tabu totalitário da proibição de tabus

 

“O impacto da ciência sobre a religião aconteceu no século XIX. O que acontece actualmente é o impacto da Técnica sobre a imaginação dos imbecis.” → Nicolás Gómez Dávila

O estado de degradação cognitiva das elites (a chamada “ruling class”), a que se chegou na nossa sociedade, é directamente proporcional ao aperfeiçoamento da Técnica. Verificamos hoje que, há mais de dois mil anos, Platão tinha razão quando opôs a Ciência à Técnica; a mentalidade moderna não é inventora da Técnica, mas antes é inventora dos fins que a pervertem. Para não pensar o mundo que a Ciência descreve, o Homem embebeda-se com a Técnica.

“A Técnica não cumpre os velhos sonhos do Homem, mas antes substitui-os manhosamente”.
→ Nicolás Gómez Dávila


Desde a entrada em vigor da legislação sobre gestação de substituição, a 1 de Agosto deste ano, há um pedido de celebração de contrato. Trata-se do caso em que uma mãe, de 49 anos, se propôs ser gestante do neto, uma vez que a filha não tem útero. Depois de uma deliberação favorável do CNPMA, o processo aguarda o parecer da Ordem dos Médicos”.

Debate clínico, jurídico e ético


“Os três inimigos do Homem são: o Diabo, o Estado e a Técnica.” → Nicolás Gómez Dávila

Fez-se uma lei que viola as leis da Natureza em nome da Técnica e de um putativo “progresso”, para servir um punhado de casos (ou melhor: 1 caso só, até hoje): o tabu da cultura que as elites nos impõem hoje é o da proibição de tabus (e uma cultura sem tabus é um círculo quadrado), o que conduz a sociedade a um totalitarismo — porque os tabus são formas que a cultura antropológica encontra de reconciliação do ser humano com a Natureza, por um lado, e com sobrenatural, por outro lado; e sem o conceito de “sobrenatural” não é possível criticar cabalmente o Poder político e/ou o Estado.

“O técnico acredita que é um ser superior, porque sabe o que — por definição — qualquer um pode aprender.”
→ Nicolás Gómez Dávila


“Helena Pereira de Melo, professora de Direito da Saúde e Bioética na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, defende que “não existem leis nem boas nem más” e que tudo depende da ‘forma como forem aplicadas’”.

A degradação cognitiva das elites produz pérolas deste calibre: “não existem leis nem boas nem más” e que tudo depende da ‘forma como forem aplicadas’”.

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Só uma besta com duas pernas poderia defender a ideia segundo a qual “não existem leis nem boas nem más”. Razão tinha o Olavo de Carvalho quando inventou o conceito de Imbecil Colectivo. Uma lei é uma norma, ou seja, é o critério ou princípio que rege a conduta ou o comportamento, ou ao qual nos referimos para fazer um juízo de valor; e é "normativo" qualquer juízo ou discurso que enuncie tais princípios.

A ideia segundo a qual “não existem normas boas ou más” é de um relativismo moral absoluto. E são idiotas desta espécie que estão à frente do nosso destino enquanto sociedade.

“A Natureza, para não perecer nas mãos da Técnica, refugia-se na imaginação de alguns homens.” → Nicolás Gómez Dávila

A lei da "barriga de aluguer" institui um direito negativo — ou seja, institui o direito que a Mulher passa a ter e que consiste em não recorrer à "barriga de aluguer".

Esse direito negativo — entre muitos outros, como por exemplo o "casamento" gay — serve para destruir o edifício do Direito Positivo escorado no Direito Natural, não só porque (o direito negativo) adequa a norma ao facto (e o facto não produz Direito, embora o Direito possa produzir factos), mas também porque transforma o Direito em um conjunto de normas que traduzem a arbitrariedade caprichosa das novas elites gnósticas que nos governam, fazendo com a que a aplicação da lei, muitas vezes, se transforme em um acto gratuito.

Sábado, 21 Outubro 2017

As contradições do David Benatar e do anti-natalismo

Filed under: Anti-natalismo,ética,David Benatar,niilismo,utilitarismo — O. Braga @ 8:19 pm

 

As pessoas que abraçam ou adoptam o Utilitarismo são as mais patéticas que poderiam existir.

manguito-webPorém, o mais estranho é que se considere o Utilitarismo uma filosofia, no sentido em que os seus especuladores sejam considerados “filósofos” — como é o caso de Peter Singer, e no caso vertente, de um idiota que dá pelo nome de David Benatar e que (desgraçadamente) é professor de filosofia em uma universidade da África do Sul.

Benatar vai mais longe do que Peter Singer, na medida em que o primeiro defende a ideia de que “todas as pessoas não deviam ter nascido” — mas ele ainda não se suicidou, para mal dos nossos pecados. Ou, pelo menos, ele pensa que as pessoas não devem ter filhos; e chama a essa teoria “anti-natalismo”. Peter Singer não foi tão longe.

Uma das características (tanto de Peter Singer como de Benatar e de todos os utilitaristas) do Utilitarismo é a capacidade que os utilitaristas têm de saber quanto vale uma vida humana (em geral); eles conseguem fazer o cálculo do valor da vida humana — quando, em geral, não existe um consenso sobre quanto vale uma vida humana.

Benatar baseia a sua teoria, literalmente, em Bentham e no cálculo de prazeres e dores (epicurismo). Um utilitarista é, desde logo e na melhor das hipóteses, um epicurista moderno.

Este texto de Benatar (que dizem ser um ensaio) está repleto de contradições — a começar pela estória de um indivíduo que lhe escreveu uma carta em que se queixa de que é muito feio e que, por isso, é desprezado pela comunidade; e, para além disso, tem uma doença cardíaca congénita e tem um enorme medo de morrer a qualquer momento. Ou seja: por um lado, esse indivíduo acha que não deveria ter nascido; mas, por outro lado, tem medo de morrer.

Outra contradição fundamental e primária é a de Benatar pensar a sua (dele) própria não-existência.

Kant defendeu a ideia segundo a qual um ser humano é, em geral, mais ou menos (dependendo dos indivíduos), responsável no sentido moral; e para que um ser humano tenha a possibilidade de ser responsável moralmente, tem que ter uma autoconsciência contínua — o que não significa que necessite dessa autoconsciência para ser considerado “pessoa”.

Em função dessa autoconsciência contínua, o desempenho mais importante é, sem dúvida, a formação de juízos: sem pensamento não existe qualquer filosofia e/ou qualquer ciência. A autoconsciência contínua é a condição lógica da nossa percepção do mundo, porque sem os seus juízos não saberíamos se, e como existe o mundo, incluindo o ser humano.

A reflexão de um ser humano acerca de si próprio leva-o ao reconhecimento da existência de um mistério insondável no qual se baseia o Mundo, e também o Eu do ser humano: o Eu (do ser humano) transcende infinitamente o pensamento, e é uma forma de manifestação daquilo que engloba o sujeito e o objecto. Por isso é que se revela necessário um enorme número de conceitos para descrever a Realidade, à qual, em última análise, só tem acesso cada ser humano individual (enquanto indivíduo).

A ciência descreve as coisas a partir da perspectiva da terceira pessoa; mas a autoconsciência contínua do ser humano só pode ser descrita adequadamente a partir da perspectiva da primeira pessoa (subjectividade). Esta é uma das razões por que é estúpido pretendermos saber ou afirmar o valor da vida dos outros.


Schelling chamou à atenção para o facto de não ser possível pensar a subjectividade sem contradições — porque a subjectividade é “circular” (do sentido de “redundante”), em si mesma (auto-referencialidade, ou referência circular). Por exemplo, a seguinte frase:

“Houve um tempo em que eu não vivia, e haverá um tempo em que não viverei”.

Tentando imaginar a minha própria não-existência, tenho que produzir uma imagem de mim próprio, como se eu fosse outra pessoa. No entanto, é óbvio que não podemos saltar para fora de nós próprios, de forma a pensarmo-nos a partir do exterior. Se me penso a partir do exterior, não me penso a mim; e se me penso a partir do meu interior não posso pensar como seria não existir.

É esta contradição que deita por terra toda a teoria da apologia da não-existência do burro Benatar que, por acaso, é professor universitário de filosofia.

Sábado, 30 Setembro 2017

Deduzo que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada pensa que S. Roberto Belarmino não tinha razão

 

“Tanto quanto está autorizado a resistir a um Papa que comete uma agressão física, do mesmo modo que é permitido resistir-lhe se faz mal às almas ou perturba a sociedade e, com mais forte razão, se procurasse destruir a Igreja — é permitido, digo, opôr-se a ele não cumprindo as suas ordens e impedindo que a sua vontade seja realizada.

Não é lícito, contudo, julgá-lo em tribunal, impor-lhe punição, nem o depor, pois estes são actos próprios a um superior”.

→ São Roberto Belarmino, “De Romano Pontifice”, Livro II, Capítulo 29.


O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada pensa que não se deve resistir ao papa “se este faz mal às almas ou perturba a sociedade e, com mais forte razão, se procurasse destruir a Igreja”.

Um grupo de católicos, seguindo a opinião de S. Roberto Belarmino, não cumpre as ordens do papa Chico e impede que a sua (dele) vontade seja realizada no que diz respeito a uma determinada encíclica que é clara- e evidentemente permissiva em relação ao adultério.

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada esconde-se por detrás da definição nominal canónica de “heresia”, esquecendo-se de que, sob o ponto de vista figurativo e simbólico, “heresia” significa também “acção ou palavra ímpia, sacrílega, disparate, absurdo”. Por exemplo, quando o Chico diz que “é mais importante o acolhimento de imigrantes do que a segurança das populações autóctones”, estamos perante um disparate que até um burro pode verificar — mas o Padre recusa-se a ver. Pior que um burro, é o “cego” que não quer ver.


A condenação do adultério faz parte dos Mandamentos não só do Judaísmo, mas também do Cristianismo, para além de outras religiões que também o condenam, como por exemplo, o Budismo. Neste sentido, podemos dizer que a condenação do adultério é dogmática — no sentido em que não se discute teologicamente, por ser teológica- e racionalmente consensual. Colocar em causa a condenação (ética e teológica) do adultério é, por analogia, como colocar em causa os Primeiros Princípios: as evidências não se questionam. Neste sentido, colocar em causa, explicita- ou implicitamente, o dogmatismo da condenação católica do adultério é uma forma de heresia.

Santo Agostinho distingue a “lei eterna” (pensada de acordo com o modelo dos estóicos), por um lado, da “lei natural”, por outro lado.

A lei eterna (a lei de Deus) desmultiplica-se e permanece idêntica a si mesma (apesar da passagem do tempo), inscrevendo-se como lei natural em cada consciência humana à maneira de um anel de cera (De Trinitate, XIV, xv, 21). Santo Agostinho assume assim a identidade entre a Lei Natural e a Lei de Moisés (os Mandamentos), e procede a uma nova divisão do Decálogo que foi aceite pela teologia romana, e depois pela luterana, estruturando as Sumas dos confessores da Idade Média. O número 6 do Decálogo de Santo Agostinho é a proibição do adultério.

Ora, o papa Chico mandou Santo Agostinho às malvas. E o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, de uma forma corporativista e desafiando a opinião de S. Roberto Belarmino (sim!, porque o Padre é muito mais importante que o Santo!), ataca quem critica o Chico. Ora, nem o papa está acima de críticas.

Quarta-feira, 5 Julho 2017

O grau zero da ética

Filed under: ética,Desidério Murcho,filosofia,Peter Singer,Rolando Almeida — O. Braga @ 7:00 pm

 

Quando nós temos gente miserável, do ponto de vista ético, a dar aulas de filosofia aos nossos filhos ou netos, deparamo-nos com artigos destes ilustrados com imagens como esta aqui em baixo:

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O problema ético da obesidade, segundo o Rolando Almeida (que segue o guru Peter Singer), são os “custos extras”.


Bobbi-Jo-Westley-webPodemos inferir do “raciocínio” do Peter Singer (que o Rolando Almeida venera) que “se a obesidade não tivesse custos extras” — por exemplo, se existisse a eutanásia compulsiva para os obesos — “não haveria qualquer problema ético com a obesidade”. E nada vale ao Rolando Almeida meter o Desidério Murcho na “cumbersa” — porque se o Desidério Murcho pensa da mesma maneira que o Rolando Almeida, é tão sabujo quanto ele.

Vemos, por exemplo, aqui ao lado a foto de uma mulher que pesa 250 kg e diz que se sente orgulhosa em ter as ancas mais largas do mundo com 2,41 metros.

Basta olharmos para ela para percebermos intuitivamente que o problema dela não são os “custos extras”; qualquer pessoa mentalmente saudável — que não seja o Rolando Almeida ou o Desidério Murcho — percebe intuitivamente que o problema dela é o da sua própria saúde, e que o valor da saúde dela está antes (vale mais do que) de qualquer custo material que possa existir em relação à sua condição existencial.

Por outras palavras: não existe qualquer consenso sobre quanto vale uma vida humana — mas o Peter Singer, o Rolando Almeida e o Desidério Murcho, entre outros, já fizeram as contas e já sabem quais são os “custos extras” de uma qualquer vida humana.

O problema acontece quando nos calha a nós próprios. O Peter Singer andou décadas a dizer que a vida dos doentes de Alzheimer não valia a pena ser vivida, mas quando a mãe dele contraiu a doença de Alzheimer, Peter Singer contratou as melhores enfermeiras para estarem com ela 24 horas por dia. E é este filho-de-puta incoerente que é adorado por “professores de filosofia” que escrevem livros, mas que têm um défice cognitivo evidente.

Reduzir os valores da ética aos “custos”, é de um cinismo inqualificável; ou é próprio de um mentecapto.


O verbete do Rolando Almeida em ficheiro PDF

Segunda-feira, 12 Junho 2017

¿O que é a “felicidade”?

Filed under: ética,Kant,metafísica,Santo Agostinho — O. Braga @ 8:32 pm

 

“Penso que o ser humano é um eterno insatisfeito. Isto porque é habitual ele ambicionar tudo o que possa dar-lhe algum prazer na vida; só que depois de ter conseguindo adquirir o que no seu querer estava traçado, decorrido algum tempo inventa ou cria uma nova necessidade que o vai levar a um novo objectivo, que no fim também o não irá satisfazer cabalmente; então, prosseguirá nesta condição sedenta até que a senilidade, a loucura ou a morte, lhe batam à porta”.

UMA BOA QUESTÃO…


Se perguntarmos a uma pessoa (qualquer que seja) ¿o que é a felicidade?, ela não saberá dizer o que é. A felicidade não tem uma definição: nem colectiva, nem individual (assim como não podemos definir “realidade”).

O “direito à felicidade”, como justificação para as engenharias sociais (que o papa Chico aprova) que têm a ilusória pretensão de alterar a natureza humana, é uma das maiores fraudes éticas, ideológicas e políticas da modernidade.

Toda a ética que inclui na sua teoria o “direito à felicidade” (seja a felicidade individual, seja colectiva), é uma ética falsa e absurda. E toda lei positiva que preveja o “direito à felicidade” como seu fundamento, é um contra-senso que tem a sua origem em um sistema ético absurdo.

Santo Agostinho observou (e bem!) que todos os homens desejam ser felizes, e a felicidade define-se (no sentido comum) pela obtenção do maior prazer. Porém, a diversidade de objectos que os homens têm em vista no sentido de atingirem a mais elevada satisfação, revela bem que este desejo existe sem que o seu verdadeiro objecto, útil, utilitarista e prático [de felicidade], lhe seja claramente dado: “Todos querem ser felizes, mas nem todos procuram viver do único modo que permite viver feliz” através do amor a Deus: “quem sabe amar-se, ama a Deus”.

Kant pegou nesta ideia de Santo Agostinho e desenvolveu-a com requinte.

1. O desejo humano em relação aos objectos do mundo (o tal “direito à felicidade” que implica uma conduta interessada) não é compatível com a ética e com a moral, a não ser por puro acidente — se for uma motivação sensível (o desejo) a comandar o estabelecimento de uma norma (lei positiva ou regra moral), então qualquer mudança no objecto de desejo e de satisfação implica ipso facto uma reviravolta da conduta.

2. O “direito à felicidade” não se pode traduzir em uma lei prática ou regra moral. A ideia que cada ser humano tem de “felicidade” é uma ideia absoluta — que satisfaz em sumo grau o máximo de inclinações no decurso de uma duração indeterminada.

Porém, o que acontece na realidade concreta, é que a experiência humana da satisfação das inclinações individuais, é fragmentária, contingente e parcial. Logo, existe uma contradição entre a exigência de felicidade, por um lado, e a experiência humana concreta relativamente ao conhecimento dos elementos que a produzem, por outro lado.

Ou seja: para que o homem pudesse ser feliz, teria que ter ao seu dispor exactamente o oposto do conhecimento empírico e contingente dos meios para satisfazer a exigência de felicidade: o ser humano teria, neste caso, que ser Deus — o que é uma impossibilidade objectiva.

Os homens querem ser felizes, mas não sabem exactamente o que querem para ser felizes — Kant corrobora Santo Agostinho —, exigência que apenas a religião, mesmo nos limites da razão, pode satisfazer.

Uma vez que a ética deve ser universal (a ética é para todos), e que o Direito não deve reduzir a norma ao facto, o “direito subjectivo à felicidade” de cada ser humano não pode fundamentar uma regra ética (ou parte dela) nem uma lei positiva.

O “direito subjectivo à felicidade” é um ideal de imaginação (de cada indivíduo), e não um ideal da razão.

O “direito à felicidade da sociedade” é uma ficção. Uma regra moral é apenas objectivamente válida na ordem prática, da mesma forma que uma lei positiva é válida na ordem teórica — na medida em que uma regra moral se impõe sem condições contingentes e subjectivas (ou seja, uma regra moral, sendo universal, não pode depender da experiência isolada, das ficções e dos ideias de imaginação dos indivíduos).


O que está a acontecer na sociedade europeia (e não só) é uma tentativa de destruição do Estado de Direito através da pulverização das normas legais, reduzindo-as aos factos. E é sobretudo uma tentativa de destruição da ética através de uma atomização da sociedade, traduzida na recusa da universalidade da ética sob pretexto de que “cada indivíduo tem o direito” de ver o seu “direito à felicidade” traduzido nas regras morais, transformando a ética exactamente no seu contrário. E quem está por detrás desta tentativa da destruição do direito e da ética, são os promotores dos novos totalitarismos que se anunciam.


“No entanto, a insatisfação do ser humano é a força motriz que o impulsiona para os complicados meandros da ciência, com vista a reduzir o seu esforço físico e intelectual e encarrilar pelo itinerário materialista com vista à supremacia; no fundo, a sua verdadeira paixão.

A insatisfação obriga à invenção, seja do que for. Esse descontentamento é, indubitavelmente, a alma da criatividade e do talento que constituem o cadinho de onde é derramado todo o progresso até hoje conhecido.”

ibidem

É um erro pensar que por detrás das descobertas da ciência está “o desejo de felicidade”.

Quem estudou alguma coisa da filosofia da ciência (epistemologia) sabe que o avanço da ciência se deve à imaginação como faculdade do espírito (e que é independente do “desejo de felicidade”) — a imaginação não é simples imitação do real por imagens: consiste em produzir representações e, por isso, pressupõe uma actividade do espírito. Esta actividade não consiste apenas no facto de se representar objectos ou seres ausentes: consiste também na possibilidade de combinar as ideias ou de antecipar acontecimentos, e mesmo na faculdade de nos fazermos representar no que não existe (ou ainda não existe), ou seja, na imaginação criadora.

Podemos dizer, contudo, que a imaginação não cria verdadeiramente, mas antes que ela inventa combinações novas com elementos dados. No entanto, é necessário que as combinações sejam completamente livres. A imaginação criadora manifesta a liberdade do espírito que se confunde com a faculdade humana que “ir para lá” do dado, de pensar o ausente, o passado, o futuro e o possível — independentemente do desejo de felicidade.

O Anselmo Borges tem a mente cristalizada no sistema triclínico-positivista

 

"Pensa-se , de facto, de modo geral, que as religiões caem do céu, havendo até quem julgue que Deus revelou directamente verdades , nas quais é preciso acreditar sem razões…

A fé, no seu nível próprio, tem razões, de tal modo que está sujeita a verificações.

Há Teologia, precisamente porque a fé exige debate público."

Anselmo Borges

( "Francisco – Desafios à Igreja e ao Mundo ")

Não sei se esta citação é do Anselmo Borges ou se é do Chico. Parece ser do Anselmo Borges acerca do Chico. Seja como for, esta citação vem de uma mente relativamente estúpida, na medida em que se pretende “intelectualizada”.


É claro, para mim, que “Deus revelou directamente verdades”, para quem as consegue vislumbrar.

Por exemplo, o teorema de Pitágoras (h^2=a^2 + b^2) é verdadeiro se aplicado a um triângulo recto; podemos dizer que o teorema de Pitágoras é uma “verdade revelada directamente por Deus”. Ou os números primos, por exemplo: quem os descobriu não os inventou, porque os números primos são axiomáticos e são revelados directamente por Deus aos homens com um QI superior ao do Chico.

Ou: “Nenhum facto pode ser verdadeiro ou real, ou nenhum juízo pode ser correcto, sem uma razão suficiente.” (Leibniz).

O resultado do teorema de Pitágoras é um facto provido de uma razão suficiente, razão essa que é axiomática, e que por isso acreditamos nela sem razões que a fundamentem do ponto de vista da causalidade científica. E aquilo que é axiomático não pode ser debatido publicamente: não cabe na cabeça de um qualquer careca (nem na do Anselmo Borges) que se discuta publicamente se o teorema de Pitágoras é verdadeiro ou falso.


Portanto, a ideia do Anselmo Borges — ou do Chico — segundo a qual “Deus não nos revelou directamente verdades”, só pode vir de um mentecapto, de alguém que tem uma mente cristalizada no sistema ortorrômbico, ou no sistema triclínico-positivista.

Nós partimos da fé para a razão (como diz o S. Anselmo de Aosta), e não da razão para a fé (como diz o Anselmo “Bosta” Borges ). O que é fundamentado racionalmente (as tais “verificações” de que fala o Anselmo “Bosta” Borges) são os valores da ética, e não a fé. A fé é confiança em Deus, e esta não depende de qualquer fundamentação racional; e por isso não depende de qualquer debate público.

O Anselmo Borges faz uma confusão diabólica entre “valores da ética”, por um lado, e “fé”, por outro lado.

Por exemplo, o que eu critico no Islamismo é a ética muçulmana (baseada na Sharia) que é demoníaca — e não a fé do muçulmano. Há que distinguir entre a fé do muçulmano e os valores da ética exarados na Sharia.

O que está sujeito a verificação são os valores da ética, e não a fé propriamente dita. E o que exige debate público é a ética subjacente a uma determinada religião, e não propriamente a fé. Vê se aprendes, Anselmo Borges, seu burrinho!.


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Quarta-feira, 5 Abril 2017

Peter Singer diz que é eticamente correcto violar sexualmente deficientes mentais e crianças

Filed under: ética,Peter Singer,utilitarismo — O. Braga @ 11:48 am

 

Gostaria de saber como o Rolando Almeida (grande admirador de Peter Singer) e o guru Desidério Murcho irão descalçar esta bota.

No seu livro, “Pratical Ethics”, Peter Singer defende a ideia segundo a qual as crianças nascidas com deficiências devem ser assassinadas (voltamos ao tempo de Aristóteles); e vai mais longe: no caso de crianças nascidas com spina bifida, é moralmente errado e grave não as assassinar.

No caso de crianças nascidas com deficiências menos graves como, por exemplo, a hemofilia, Singer diz que a vida dessas crianças depende da opinião dos pais: se os pais se sentem felizes com um filho com hemofilia, então essa criança não é assassinada. Se o assassínio de uma criança hemofílica não tem consequências adversas em relação a outras pessoas — argumenta Singer —, então será eticamente correcto assassiná-la.

É este filho-de-puta que é professor de bioética da universidade de Princeton. E há outros filhos-de-puta parecidos com ele que controlam as decisões éticas universais em Portugal. É tempo de mudar, e radicalmente; este tipo de gente deve estar na prisão, e não nas universidades.


Mas o filho de um cabrão vai mais longe; em um artigo publicado no NYT, Peter Singer defende a ideia segundo a qual não é moralmente errado violar (sexualmente) pessoas deficientes cognitivas. [já estou a ver o Manuel Pureza e o Bloco de Esquerda a ficarem excitados com esta ideia]

Diz ele (Peter Singer), resumindo:

Se assumirmos que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não percebe o significado das relações sexuais, e/ou não percebe o significado da violação sexual, então essa pessoa é incapaz de dar um consentimento informado para relações sexuais; aliás, essa pessoa não tem sequer a noção do que é o “consentimento sexual”. Porém, parece ser razoável deduzir que a experiência da violação sexual seja prazenteira para essa pessoa deficiente — porque mesmo que tenha uma deficiência cognitiva, essa pessoa poderia oferecer resistência à violação sexual.

¿O que é que o cabrão do Peter Singer quer dizer com isto? Notem bem.

Peter Singer assume que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não tem a noção de “consentimento sexual”. E porque não tem a noção de “consentimento sexual”, não pode assumir esse consentimento sexual. E porque essa pessoa não resiste à violência sexual, é razoável assumir que o deficiente cognitivo “estava numa boa” enquanto estava a ser violado — o que significa que (segundo Peter Singer) é irracional que alguém pense que causaria qualquer dano o exercício de um acto sexual não-consensual com essa pessoa deficiente cognitiva.

Ou seja: se uma pessoa é “suficientemente” deficiente mental, então é correcto violá-la sexualmente, desde que essa pessoa deficiente não ofereça resistência. O argumento é exactamente o mesmo defendido por Singer a favor da bestialidade (o sexo com animais): Peter Singer coloca os animais, em geral, no mesmo plano ontológico de um ser humano deficiente cognitivo. E como as crianças também não têm a noção de “consentimento sexual”, Peter Singer defende a pedofilia, desde que as crianças não resistam à violação sexual do adulto.

Da próxima vez que o Rolando Almeida vier defender as teses de Peter Singer, vou ter que o insultar aqui.

O que é espantoso no argumento de Peter Singer é o seguinte: se uma pessoa não tem a noção de “consentimento sexual”, então não existe “violação sexual”. Seria, mais ou menos, como dizer que uma boneca insuflável não pode dar o consentimento sexual nem alegar violação sexual. Portanto, violar pessoas com deficiência cognitiva profunda é eticamente aceitável.

Sábado, 1 Abril 2017

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, a estupidez de Rui Rio, a ciência, o aborto e a eutanásia

 

A eutanásia — assim como o aborto — é uma questão de ética, e não propriamente de ciência.

Naturalmente que a ciência pode dar opinião, mas não adianta de nada, como podemos ver na questão do aborto: hoje a ciência diz que o ADN único e irrepetível do ser humano tem o seu início no momento da concepção, mas nem por isso a opinião da ciência é ouvida pela classe política.

Eu diria mesmo que chegamos a um ponto da nossa sociedade em que a opinião da ciência se tornou irrelevante, na medida em que a ciência é amiúde adulterada no sentido de justificar determinadas religiões políticas.

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Na medida em que 1) o cientista deve procurar a objectividade; 2) em que a objectividade requer um despojamento de valores; 3) e em que o cientista é um sujeito [um ser humano] e a comunidade científica é composta por seres humanos [sujeitos] — a ciência [e sobretudo as ciências sociais] só muito raramente consegue libertar-se das valorações [éticas] da sua própria camada social, de modo a poder estabelecer uma independência valorativa e objectiva.

Em consequência, surgiu no século XX um fenómeno massivo de “liquidação do sujeito”, imposto por uma elite cientificista, e que se traduziu na emergência das religiões políticas totalitárias [por exemplo, o eugenismo característico dos “progressistas”, evolucionistas e socialistas; o nazismo e o comunismo]. Este processo cientificista de “liquidação do sujeito” levou a uma dissociação mental extrema entre a comunidade científica, e a uma inversão da moral.

O marxismo é um exemplo dessa dissociação mental extrema e da inversão da moral: por um lado, o marxismo liquida a ética e a moral [e também toda a filosofia], classificando-a de “subjectiva” e idealista, ao mesmo tempo que denuncia os tabus tradicionais e históricos (por exemplo, os tabus da cultura antropológica europeia do aborto e da eutanásia); e por outro lado, entrega-se a um excesso ético, que denuncia toda a oposição e crítica ao marxismo como um embuste, e estabelecendo simultaneamente novos tabus (Aquecimento Global, animalismo, etc.) contrapostos aos tabus tradicionais.

O marxismo — que se diz, dele próprio, científico — faz a crítica da nossa moral tradicional, mas de uma forma extremamente moralizante, e moralmente invertida e contra-natura. [ver mente revolucionária]

A ideia segundo a qual “o aborto e a eutanásia não são defendidas exclusivamente pela Esquerda, mas que, em vez disso, atravessam toda a sociedade”, é um embuste — a não ser que se reduza a Esquerda e a Direita à economia. O que se passa é que algumas pessoas que se dizem de Direita — como por exemplo, o economista Rui Rio — reduzem a realidade inteira à economia, e depois consideram-se mais inteligentes do que um qualquer analfabeto carrejão do Douro.

É evidente que o Rui Rio é um idiota útil.


eutanasia-velhariasEscreve o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada que “os médicos portugueses são, na sua grande maioria, contra a eutanásia”; mas são contra a eutanásia enquanto seres humanos dotados de sensibilidade, inteligência e intuição (que é uma forma de inteligência), e não enquanto médicos. Por exemplo, o João Semedo, do Bloco de Esquerda, é médico e é a favor da eutanásia. O problema é ético, e não científico.

A ética e a moral não podem ser definidas ou determinadas pela ciência.

A ideia de responsabilidade moral reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica.

A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas” — estas aqui entendidas no sentido naturalista [naturalismo ≡ cientificismo metodológico].

A Esquerda marxista (Partido Comunista, Bloco de Esquerda, José Pacheco Pereira e Partido Socialista) pretende destruir a sociedade em que vivemos, para por cima dos seus escombros construir uma sociedade totalitária (no caso de José Pacheco Pereira, uma espécie de República de Platão em que impere o rei-filósofo, ou seja, ele próprio) .

Portanto, a posição da Esquerda é perfeitamente compreensível. O que é mais difícil de compreender são os individualistas ditos “de Direita” — como Rui Rio: colocam o seu individualismo e libertarianismo ao serviço de uma agenda política colectivista e totalitária.

Quinta-feira, 14 Abril 2016

¿Você sabia? Eu não sabia!

 

“Sabia o leitor que as barrigas de aluguer vão hoje a votos no parlamento? Pois é, não sabia. Só sabemos e só discutimos aquilo que o BE e a ala jacobina do PS colocam na agenda dos noticiários.”

Ainda vamos a tempo

A democracia de Esquerda é assim: sub-informação e pseudo-informação.

Terça-feira, 15 Dezembro 2015

Mary Wagner foi presa outra vez

 

“People have often asked me if I could not simply stay outside the area I am forbidden to enter, and in that way, avoid arrest.”

“But this question forgets something: the children scheduled to be killed will have no one to stand up for them. We will stop being present to them and to their mothers out of obedience to an immorally imposed restriction by those entrusted with authority.”

(Mary Wagner)

Pro-life prisoner of conscience Mary Wagner arrested on Feast of Our Lady of Guadalupe

Já ouviram o papa-açorda Francisco referir-se ao nome de Mary Wagner? Jamais!

maryw-webMary Wagner foi presa pelo menos 6 vezes por entrar em clínicas de aborto e oferecer panfletos e flores às mães que pretendem abortar; e passou quatro anos na prisão por tentar dissuadir as mães a não abortar.

“As crianças condenadas à morte não têm ninguém que as defenda. Só desobedecendo a uma restrição imoral imposta pela autoridade podemos estar juntos das crianças e das mães”.

Esta frase de Mary Wagner segue a linha ideológica de S. Tomás de Aquino. Para S. Tomás de Aquino, a lei exprime a justiça na dimensão do espaço-tempo (no finito): se a lei não é justa, então nem sequer merece esse nome. Uma lei injusta não é lei. Perante uma lei injusta, não a cumprir não é desobedecer, mas simplesmente reconhecer que essa lei simplesmente não existe.

Mary Wagner é um daqueles seres humanos excepcionais que nascem de vez em quando. São pessoas raras. São pessoas que têm consciência de que têm uma missão a cumprir, e que o desígnio dessa missão as transcende.

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