perspectivas

Sábado, 18 Julho 2015

Psicose grave!

Filed under: aborto,ética — O. Braga @ 11:49 am
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As lésbicas que defendem o “aborto sem rede”, deveriam dar umas cambalhotas bem dadas com um macho latino tipo Zézé Camarinha, para depois poderem abortar à fartazana e terem a experiência do que é o aborto. Essa coisa de ser lésbica (coisa horrível!, o escroto!) e defender o aborto livre e sem rede para as mulheres normais, revela doença mental.

isabel-moreira-jc-webDepois de um relambório de “faca na liga”, vem o momento pedagógico: a maioria do povo  é ignoranteporque não sabe a diferença entre “consentimento informado”, por um lado, e “aconselhamento”, por outro  lado. Alegadamente, o apoio psicológico antes do aborto não faz parte do processo de “consentimento informado”: tudo o que se possa fazer com que a grávida mude de ideias sobre o aborto é “aconselhamento”; mas não é “consentimento informado”.

Segundo aquela criatura de Deus, “consentimento informado não pressupõe conselhos”.

Ficamos sem saber como é possível alguém estar informado sem se informar; e como é possível informar alguém sem, de alguma maneira, aconselhar. “Informação”, a nível do ser humano, não é a mesma coisa que “informática” — mas, para aquela criatura, parece que é a mesma coisa: o ser humano é visto por ela como uma espécie de autómato.

“Informar alguma coisa” é fazer passar essa coisa da virtualidade (da dimensão do virtual) ao acto; ou seja, a nível humano, informar é sempre aconselhar de algum modo — o que não significa que a pessoa aconselhada seja, por isso, obrigada a mudar de ideias.

Sexta-feira, 17 Julho 2015

A objecção de consciência em relação ao aborto incomoda a Esquerda

Filed under: aborto,ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 11:19 am
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Se os criminosos são, por definição, pessoas que não respeitam a lei, ¿como é possível que se defenda a ideia segundo a qual “são necessárias mais leis para evitar a proliferação de criminosos”?!

Se alguém tiver a paciência necessária para ler este “poste”  (as respectivas lésbicas que me desculpem a imagem fálica), verificará o recurso — aliás, sistemático em pessoas como por exemplo a Isabel Moreira — ao Direito Positivo para regular aquilo a que no dito poste se chama de “posição subjectiva” : a objecção de consciência em relação ao aborto.

O conceito de “posição subjectiva” pretende ter um carácter pejorativo, por um lado, e por outro  lado pretende-se contrapôr o “subjectivo da objecção de consciência” ao universal de quem não tem qualquer objecção de consciência em relação ao aborto. Ou seja, invertem-se os termos da ética: segundo o esquerdalho, não ter qualquer prurido moral em relação ao aborto é característica de um juízo universal — o que é uma falácia, como é evidente. Os objectores de consciência em relação ao aborto passam a ser considerados uns indivíduos esquisitos e anormais que vão à missa todos os dias, ou seja, uma minoria irrisória e risível.

A objecção de consciência em relação ao aborto passa, assim, a ser um fenómeno subjectivo característico de uns malucos religiosos; e qualquer pessoa que não seja religiosa, aborta necessariamente todos os dias.

Kant distingue, no campo da moral prática, os princípios subjectivos — que o sujeito dispõe, em si — de princípios objectivos, isto é, princípios universais. A mim parece-me que a objecção de consciência em relação ao aborto constitui um princípio objectivo (universal) e não um princípio subjectivo. E por ser assim é que o esquerdalho anda preocupado com a objecção de consciência e pretende restringi-la, como se pode depreender do poste da criatura.

Qual é o argumento utilizado para defender a restrição da objecção de consciência em relação ao aborto?

É o seguinte: “através da objecção de consciência sistémica no Serviço Nacional de Saúde, os abortos são desviados para o privado”. Portanto, parte-se do princípio de que os objectores de consciência não o são realmente, e que apenas se servem da figura jurídica da objecção de consciência para retirar daí alguns proventos materiais.

Imagine o leitor que eu faço a seguinte asserção: “A TAP deve ser privatizada”. E a escriba do jugular, em resposta, pergunta-me: “O que é que tu ganhas (em dinheiro), com essa tua posição?”

Perante esta pergunta, qualquer discussão fica inquinada à partida e deixa de ser possível — porque qualquer asserção minha é passível de ser interpretada como uma manifestação de um qualquer  interesse próprio material, e não como uma posição de princípio, em si mesma abstracta. Portanto, não é possível qualquer diálogo com aquela gentalha.

Isabel Moreira está doente e deveria ser interditada e mesmo internada

Filed under: aborto,ética,Ciência — O. Braga @ 6:59 am
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« A deputada do PS Isabel Moreira defendeu hoje que a introdução de consultas obrigatórias antes e depois de uma Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) é uma medida inconstitucional e uma «imoralidade» de quem considera as mulheres «inimputáveis».

“No nosso ordenamento jurídico, nem uma pessoa que esteja a morrer é obrigada a ir a uma consulta. Como é que tencionam obrigar as mulheres? É incompreensível e completamente inconstitucional”, disse à Lusa Isabel Moreira. »

Alteração à IVG é «imoralidade» e «completamente inconstitucional», defende Isabel Moreira

A “notícia” é de ontem.


Em um estudo publicado nos Estados Unidos em 2002 (Southern Medical Journal), verificou-se que o risco de suicídio em mulheres que abortam é de 154% superior à norma; um outro estudo (University of Minnesota: Minnesota Extension Service, 1986), o aborto em adolescentes aumenta em 10 vezes as tentativas de suicídio; um outro estudo (Medical Science Monitor, 2003) verificou um aumento de 65% na probabilidade de depressão clínica de longo-termo em mulheres que abortam; um outro estudo (Canadian Medical Association Journal, 2003) constatou que as mulheres que abortam têm o dobro da possibilidade de serem hospitalizadas em psiquiatria; um outro estudo (American Journal of Drug and Alcohol Abuse, 2000), verificou que as mulheres que abortam têm uma tendência para consumo de drogas e/ou de álcool cinco vezes superior à norma.

Falamos aqui em juízo universal: há sempre excepções à regra.

Mas mesmo que não tivéssemos estes estudos, sabemos empiricamente — qualquer psiquiatra sabe, mesmo que não o diga e que o esconda ostensiva- e desonestamente — que o aborto não é, em juízo universal, psicologicamente inofensivo para a mulher.

isabel moreira-webEu considero a Isabel Moreira uma criatura do mais baixo nível intelectual e moral que podemos encontrar na sociedade portuguesa.

Ademais, Isabel Moreira irracionaliza sistematicamente os parâmetros de qualquer discussão para que o corolário seja pura irracionalidade — por exemplo, quando ela compara uma mulher em estado terminal com outra mulher que esteja grávida e pense em abortar.

Desde logo, uma mulher em estado terminal (e que não seja obrigada por lei a ir a uma consulta), já foi desenganada pela ciência médica; o determinismo (o seu destino, o seu fado) físico e psicológico da pessoa em causa, é total — o que não acontece de igual modo com uma mulher grávida.

Em segundo lugar, não só estudos científicos mas também a experiência médica revelam que o acompanhamento psicológico sistemático das mulheres que procuram o aborto (em juízo universal) é necessário; a tentativa da Isabel Moreira de vulgarizar o aborto é semelhante, por exemplo,  à tentativa de vulgarizar o assassínio, ou à tentativa de vulgarizar o consumo de drogas.

A Isabel Moreira recusa a ideia de que o aborto é considerado pelas mulheres que abortam (em juízo universal) como um “mal necessário”; Isabel Moreira  pretende que o aborto seja encarado com a mesma normalidade, por exemplo, com que uma mulher toma um antibiótico.

Em terceiro lugar, e não menos importante, a mulher em estado terminal, morre sozinha; ao passo que a mulher que aborta elimina a possibilidade de uma vida que não é a sua. Portanto, a comparação da Isabel Moreira entre uma mulher em estado terminal e uma mulher grávida é irracional — mas essa irracionalidade é propositada, o que revela uma perversidade doentia da Isabel Moreira. Isabel Moreira está mentalmente doente e deveria ser interditada e mesmo internada; aliás, estou convencido de que é uma questão de tempo para que isso aconteça.

Quinta-feira, 2 Julho 2015

As três normas da moral cristã

Filed under: ética — O. Braga @ 8:24 am
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Um artigo assinado por José Paulo do Carmo, no semanário SOL, é crítico em relação à forma como o sexo é concebido na cultura actual — especialmente em Lisboa.

“Assim se explicam tantos divórcios, tantas separações, porque vivemos numa dicotomia de valores em que queremos ser livres mas ‘ai de que o nosso companheiro/a faça o mesmo’. Deixámos de ser apedrejados por adultério, perdeu-se o julgamento em praça pública, gradualmente tudo passou a ser normal porque o tempo encarregou-se de desresponsabilizar esse tipo de atitudes”.

As relações sexuais

A moral é hoje reduzida ao conceito de “não chatear o outro”. Hoje só existe uma única norma moral: a liberdade negativa: “cada um faz o que quer e não tens nada a ver com isso! Vive e deixa viver!”.

Esta norma moral é válida; mas não é a única. Existem, para além dela, mais duas normas morais:

  • a necessidade de uma determinada harmonia interior em cada pessoa, que tenha em conta também a liberdade positiva;
  • o problema do sentido da vida. A forma como organizamos as nossas vidas e as nossas mundividências de forma a obtermos um sentido justo e racional para as nossas vidas.

Reduzir toda a moral à liberdade negativa é característica da barbárie moderna contemporânea. E só o Cristianismo pode ajudar as pessoas a assimilar as duas outras normas que são hoje invisíveis.

Quarta-feira, 1 Julho 2015

“Discriminação” : a palavra-mestra do politicamente correcto

Filed under: ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 11:32 am
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A qualidade vertiginosa do actual ambiente sócio-político não pode prescindir de Kafka para o descrever: é como se acordássemos de manhãzinha, e sete em dez pessoas, conhecidas ou não, tivessem sofrido uma metamorfose, transformando-se em baratas gigantes.

“In the Journal of Medical Ethics, two influential bioethicists argue that we should allow euthanasia for patients suffering from ‘treatment-resistant’ depression. Udo Schuklenk, of Queens University in Canada, and Suzanne van de Vathorst, of the University of Amsterdam, claim it is discriminatory to allow euthanasia or assisted suicide for terminally ill patients but to deny it to those who suffer from incurable mental illness. Professor Schuklenk is co-editor of the journal Bioethics”.

Leading bioethicists back euthanasia for mentally ill

Segundo dois eminentes académicos especializados em ética, a ideia é a seguinte:

“Se uma pessoa com com cancro terminal, por exemplo, tem direito à eutanásia; segue-se que é discriminatório não conceder a eutanásia a pessoas com depressão mental resistente a tratamento”.

Ou seja, para não haver “discriminação”, tem que haver “direito”.

Levado às suas últimas consequências, este raciocínio implica que toda a gente tem direito à eutanásia, para que não seja alvo de discriminação. Por exemplo, o adolescente a quem a namorada pôs os cornos, e que está em um sofrimento psicológico atroz e insuportável, também tem direito à eutanásia; e os desempregados também (dava muito jeito às estatísticas!). Se o critério da concessão da eutanásia é a avaliação pessoal e subjectiva acerca da nossa qualidade de vida, estamos todos potencialmente fod***s!

Dizem, portanto, os académicos, que uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” não deve ser discriminada, e por isso deve ser autorizada a “decidir” morrer desde que “a decisão seja livre” (sic). Ora, há aqui uma coisa que eu não compreendo (certamente serei deficiente cognitivo): ¿uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” poderá tomar “decisões livres”?

Mas a falácia da cultura da morte vai mais longe: por exemplo, na Holanda e na Bélgica, já é praticada a eutanásia a pessoas (com Alzheimer, demência, etc.), sem consentimento prévio; e o argumento é o seguinte: se essas pessoas pudessem julgar o seu próprio estado, considerariam que não vale a pena viver”.

Nestes dois países já não existem crianças com síndrome de Down, em resultado de uma política de erradicação pré-natal (aborto selectivo). Quando já não existirem pessoas deficientes (porque foram todas eutanasiadas), nem velhos dementes, nem pessoas com “depressão mental resistente a tratamento”, etc., — ¿quem será eutanasiado a seguir, para não ser “discriminado”? Os pobres? Ou talvez você.

Sábado, 27 Junho 2015

O raciocínio putéfio da deputada Isabel Moreira

 

“A deputada socialista Isabel Moreira condenou hoje a “selvajaria moral” da introdução de taxas moderadoras na Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) argumentando que é “um ato de saúde materno-infantil” e que a isenção cumpre um objectivo de sigilo”.

Isabel Moreira condena “selvajaria moral” das taxas moderadoras na Interrupção Voluntária da Gravidez

isabel-moreira-85210-webEm primeiro lugar, devo dizer que considero o estatuto ético e moral de Isabel Moreira muitíssimo abaixo dos de uma prostituta de rua: porque uma prostituta não é necessariamente uma puta, e o putedo é apenas uma condição ontológica e cultural de algumas mulheres. No caso de Isabel Moreira, não se aplica bem o qualificativo de “selvajaria moral” (porque os selvagens, em geral, também têm dignidade), mas antes o de bestialidade moral e putedo intelectual. No caso da Isabel Moreira, depois de ela ter perdido a dignidade, o resto veio por acréscimo.

Considerar-se o acto de aborto como um acto de saúde materno-infantil é absolutamente surreal: fazendo uma analogia, seria como se considerássemos a eutanásia compulsiva/obrigatória como um acto de saúde gerontológica (saúde da Terceira Idade). A morte de um ser humano, em acto ou em potência, passa a ser considerada um “acto de saúde” ou um “acto médico”. Orwell não diria melhor.  

Este enviesamento ideológico putéfio desvia o foco da humanidade da mãe e do feto em gestação, ao mesmo tempo que se refere a putativos “direitos” económicos de não pagar uma merda de uma taxa; faz lembrar a linguagem da propaganda oficial do nazismo.

Isabel Moreira é das pessoas mais intolerantes da política portuguesa. Mas assume-se como a campeã da tolerância, e ninguém se atreve a confrontá-la. A política, em Portugal, passou a ser uma excelente terapia para deficientes morais.

« A deputada socialista sublinhou ainda, relativamente ao projecto de lei de PSD e CDS-PP para introduzir taxas moderadoras na IVG, que “há um argumento muito importante, que é o argumento do sigilo“.

“Uma mulher pode não ter forma de fazer prova da sua insuficiência económica. Uma mulher que dependa do marido e não lhe queira dizer, quebraria o sigilo e estaria em causa este momento absolutamente pessoal das mulheres”, expôs. »

Vemos, por aqui, como uma putéfia lésbica concebe o casamento: o feto, que alegadamente deve ser abortado, não foi feito pela esposa e pelo marido; e cabe só à esposa decidir, à revelia do marido e sem a sua opinião e mesmo conhecimento, se deve ser abortado ou não.

Temos aqui, em todo o seu esplendor, um exemplo de raciocínio de puta: parece que — na opinião da Isabel Moreira — a infidelidade da mulher é o único laço que a liga ao marido. Para a Isabel Moreira, a maternidade é um local onde nascem bebés às senhoras, e dúvidas aos maridos. É esta gentalha que defende o “casamento” gay.

A deputada do Partido Socialista Isabel Moreira é uma pessoa doente que, infelizmente para o povo, assumiu um cargo de algum poder na política portuguesa. A idiotice é a mais estranha de todas as doenças: a doente nunca sofre, e quem aguenta a psicose e o delírio interpretativo são os outros.

Sexta-feira, 26 Junho 2015

O aborto é um acto médico

Filed under: ética — O. Braga @ 8:24 am
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“Do ponto de vista clínico a IVG é equiparável a “uma doença e a uma gravidez” na exacta medida em que promover uma interrupção de gravidez é um acto médico, seja essa interrupção voluntária – leia-se por opção da mulher – ou não.”

(o aborto é um acto médico)

acto_médico

Quarta-feira, 24 Junho 2015

O puritanismo e o pensamento único de Anselmo Borges

Filed under: ética — O. Braga @ 9:31 am
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« O que desde há anos Hans Küng vem sublinhando – a necessidade do diálogo inter-religioso para ser possível a paz no mundo – é cada vez mais urgente. Entende-se mais claramente do que nunca que a obra do célebre teólogo, autor principal da “Declaração de uma Ética Mundial”, aprovada pelo Parlamento Mundial das Religiões em Chicago em 1993, se oriente pelo lema:

“Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais. Não haverá sobrevivência do nosso globo sem um ethos global, um ethos mundial” ».

Anselmo Borges, “Religião, religiões e diálogo inter-religioso” (PDF)

Anselmo Borges é um indivíduo que estudou o fenómeno da religião mas é pouco inteligente: faz lembrar aqueles colegas marrões que tiravam boas notas mas que nunca “pensavam fora da caixa”. Naturalmente que Anselmo Borges pensa de si próprio que “pensa fora da caixa”: para ele, “pensar fora da caixa” é seguir “os ares dos tempos”, é seguir a moda das ideias — o que é exactamente o contrário do que ele pensa.

Repare, caro leitor, na proposição subscrita implicitamente por Anselmo Borges:

“Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões (certo!). Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões (certo). Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais (errado). Não haverá sobrevivência do nosso globo sem um ethos global, um ethos mundial” (errado) ».

Sigamos a inferência falaciosa:

Paz → paz entre religiões → diálogo entre religiões → critérios éticos globais → ethos mundial.

O termo ethos é grego e significa “característica”, “conduta habitual”. O conceito de “ética” vem de ethos. A ética implica a existência de valores. Uma “ética mundial” significa a predominância ou mesmo a imposição de determinados valores a nível mundial através do modelo discursivo.

Desde logo, Anselmo Borges parte do princípio de que o ser humano já conhece todos os valores. Não há, para ele, a possibilidade de existirem valores que o Homem desconheça ainda. E como o Homem, segundo Anselmo Borges, conhece já todos os valores possíveis, o ethos mundial será a uniformização global da ética em função dos valores que o ser humano conhece neste momento.

Esta posição de Anselmo Borges é puritana. E perguntaria o leitor: “¿como é possível que um ex-sacerdote católico que defende o aborto possa ser puritano?!” Uma das características do puritanismo de qualquer época — defendendo o aborto, ou não — é o entendimento dos valores da ética como algo dado e acabado, que não depende do tempo e das modas de cada época. O facto de Anselmo Borges defender a legitimidade do aborto é apenas um detalhe utilitarista que marca o nosso tempo.

Por outro lado, não se segue — non sequitur — que o diálogo entre religiões implique necessariamente um ethos mundial, porque um ethos mundial — ou seja, um conformismo ético global — seria a negação a posteriori do próprio diálogo (contradição em termos). “Diálogo inter-religioso” não é a mesma coisa que discussão de opiniões diferentes sobre a equipa do Benfica ou acerca de programas eleitorais de partidos políticos.

Por exemplo, para Anselmo Borges, a prática do aborto deveria certamente fazer parte dos tais “critérios éticos globais” que determinam o tal “ethos mundial” — porque ele próprio defende a legalidade e a legitimidade do aborto. O que se pretende é que um determinado quadro ético global não religioso, e que está na moda, influencie a ética das religiões; e não o contrário disto. Ou seja, o que Anselmo Borges defende é um pensamento único.

Segunda-feira, 22 Junho 2015

Quando leio Peter Singer, fico com os cabelos em pé

Filed under: ética — O. Braga @ 5:53 am
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Neue Zuricher Zeitung: You do not consider an infant to be more worthy of protection than an embryo. On the other hand, you do not necessarily ascribe a higher status to humans than to animals.

Peter Singer: Belonging to the human species is not what makes it morally wrong to kill a living being. Why should all members of the species homo sapiens have a right to life, whereas other species do not? This idea is merely a remnant of our religious legacy. For centuries, we have been told that man was created in the image of God, that God granted us dominion over the animals and that we have an immortal soul.

Peter Singer ‘disinvited’ from German philosophy festival

Chegamos hoje ao absurdo de termos que nos questionar por que razão a vida de um ser humano é mais importante e valiosa do que a vida de um peixe, por exemplo. Peter Singer pergunta: “¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”. E depois atribui a maior importância dada à vida humana à “herança religiosa”.


Desde o tempo do paleolítico — ainda não existiam as religiões universais — que a vida humana, na tribo ou no clã, era mais importante do que a dos animais caçados. Portanto, a ideia de Peter Singer segundo a qual “a maior importância dada à vida humana é uma herança religiosa” é uma estupidez de todo o tamanho — a não ser que os trogloditas e os palafitas já fossem cristãos!

Fico com os cabelos em pé ao constatar que Peter Singer é hoje considerado um “grande filósofo”!

A razão por que “a vida humana é considerada mais importante e valiosa do que a dos outros animais” é, em primeiro lugar, a de que o ser humano é um animal gregário (social). Tão simples quanto isto. É uma razão biológica e natural. Só tem a ver com religião por via das diversas diferenciações culturais que desde o tempo do paleolítico foram forjando novas religiões. O “ter a ver com religião” é uma causa secunda construída a partir da natureza humana fundamental.


Desconstruído o argumento da “religião”, vamos ao argumento absurdo principal:

“¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”

Peter Singer parte do princípio da aceitação da superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais — porque só o ser humano pode fazer a pergunta supracitada —, para depois negar a superioridade ontológica (a superioridade do Ser) do ser humano. Se Peter Singer não aceitasse a priori a superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais, a pergunta não faria qualquer sentido.

A partir de uma assimetria moral (entre o ser humano e os outros animais), Peter Singer cria uma simetria ontológica (entre o ser humano e os outros animais) — porque os outros animais não são capazes de pensar o mesmo, em termos morais, em relação ao ser humano, e por isso não podemos colocar o ser humano e as outras espécies em um mesmo plano moral, ontológico e natural.

Assimetria moral → simetria ontológica = contradição em termos

Ou seja: para Peter Singer, o ser humano é moralmente superior aos outros animais, mas simultaneamente ele nega que a vida humana tenha mais valor do que a de um peixe.

Para Peter Singer, a superioridade moral do ser humano — que, no fundo, é uma forma de “domínio” — funciona como um instrumento de negação da superioridade ontológica do ser humano. Ora, se Peter Singer aceita a priori o primeiro tipo de superioridade, tem que logicamente aceitar o segundo.

Por maioria de razão, a assimetria moral permite ao ser humano proteger (ou não: trata-se do livre-arbítrio que o ser humano tem e os outros animais não têm) os animais; mas não implica, por essa razão, que o ser humano seja ontologicamente equivalente ou idêntico às outras espécies.

Por vezes, tenho a sensação de que Peter Singer tem sérias dificuldades com a Lógica.

Domingo, 14 Junho 2015

É tudo uma questão de sexo sem responsabilidades

 

“Não pode haver trabalhadores à margem da protecção social. Eu conheço pessoas para quem o sexo é trabalho e, sendo trabalho, tem de haver direitos sociais.” É com estas palavras que o líder da Juventude Socialista, João Torres, defende a necessidade de legalizar a prostituição, questão levantada depois de o Bloco de Esquerda ter anunciado ao i, esta semana, que iria avançar com uma proposta nesse sentido já no programa eleitoral do partido. A JSD, ainda que com algumas reticências, também defende a legalização dos trabalhadores do sexo.

Na bancada socialista, Isabel Moreira concorda com a ideia dos jotas. A socialista tem vindo a criticar a falta de regulamentação numa actividade que apelida de “zona de ninguém”. “Não seria mais coerente os trabalhadores do sexo terem um contrato de trabalho comum, com descontos e impostos? Não seria melhor minorar as agressões por que esta gente passa numa zona em que o direito vira as costas e deixa andar?”, interroga-se a deputada.

JS, JSD e Isabel Moreira defendem a legalização da prostituição

Já imaginaram a esquerda a legalizar o trabalho doméstico da mulher/mãe de uma família com muitos filhos? Nunca!, porque uma mãe com muitos filhos dá a imagem “retrógrada” e “retrófoba” do sexo procriativo. Mas já o “casamento” gay, ou a prostituição, que são actividades sexuais niilistas, tem direito a todos os direitos e mais alguns.

Toda a actividade sexual sem qualquer assunção de responsabilidades tem o apoio da esquerda. Existe na esquerda uma obsessão contra qualquer código ético que implique o conceito de “transgressão moral”: tudo o que seja considerado imoral deve ser legalizado e objecto de direitos.

Um outro argumento clássico da esquerda é o de que “as prostitutas existem”. E se elas existem, então a actividade delas tem que ser legalizada. O mesmo se aplica, por exemplo, aos traficantes de drogas: se eles existem, o tráfico de drogas tem que ser legalizado.

Ou seja, se uma coisa existe, não compete à sociedade fazer juízos de valor sobre essa coisa. Em última análise e por absurdo, existem gatunos; e se existem gatunos, a gatunagem deve ser legalizada e pagar IVA e IRS.

Quando a agenda política da esquerda chegar ao fim, Portugal estará completamente destruído.

Segunda-feira, 1 Junho 2015

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, e Pedro Galvão

Filed under: ética — O. Braga @ 8:34 am
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Se pudesse haver um diálogo entre Buda e Nietzsche, as formas como cada um dos dois concebia o mundo e a sociedade seriam totalmente diferentes; e embora eu estivesse mais de acordo com a mundividência de Buda, nem eu nem ninguém conseguiria provar que Buda teria razão por intermédio de argumentos do tipo usados em questões matemáticas ou científicas.

De modo semelhante, não podemos provar, por artes da matemática ou da ciência, que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada (ou quem se lhe opõe) tem razão. Podemos concordar com Buda ou com Nietzsche, mas não simultaneamente com os dois, através da nossa sensibilidade, intuição, inteligência e capacidade de raciocínio (lógica).

Pedro Galvão começou por dizer (minuto 39) que “não é relativista”. ¿O significa “relativismo”?

O termo relativismo pode ter pelo menos três acepções:

1/ a do sofismo grego ou cepticismo, segundo a qual a verdade é relativa aos indivíduos; neste sentido, podemos aceitar que Pedro Galvão não seja relativista na medida em que ele próprio diz que procura uma verdade objectiva;

2/ relativismo etnológico e sociólogo: doutrina que, distinguindo as diferenças culturais e éticas entre as diversas sociedades, recusa-se a julgar as sociedades em função de um qualquer paradigma ético e cultural. Penso que esta acepção de relativismo também não se aplica a Pedro Galvão;

3/ o relativismo como afirmação da impossibilidade de um conhecimento absoluto dos princípios e das causas primeiras, ou seja, alegadamente é a “ciência verdadeira” que se satisfaz com o relativo e que estabelece, por observação (empirismo, pragmatismo, positivismo ), as relações entre os fenómenos. O positivismo e o utilitarismo têm origem comum.

É no sentido 3/ que Pedro Galvão é objectivamente relativista; e por isso o Padre tem razão quanto implicitamente lhe chamou de “relativista”. E assim como não podemos fazer prova, através de equações matemáticas e/ou através de teorias científicas, que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada tem razão — também o relativismo cientificista do Pedro Galvão não pode ser usado legitimamente para defender uma teoria ética.

A premissa relativista de Pedro Galvão consiste na negação do absoluto (ou pelo menos a omissão dele, o que vai dar no mesmo): “se não é possível conhecer o absoluto”, pensará Pedro Galvão, “não vale a pena falar dele nem considerá-lo na teoria ética”. Isto é positivismo aplicado à ética.

Embora não possamos conhecer o conteúdo do absoluto, podemos, através da inteligência, da intuição e da lógica, detectar-lhe a forma — assim como, se olharmos para a linha do horizonte, podemos intuitivamente saber que existe “algo” para além dela. Se não existe nenhuma possibilidade de enraizar a ética no absoluto, todas as reflexões são inúteis e a lógica não existe.

A partir do momento em que Pedro Galvão nega o absoluto, navega em águas turvas, porque não há possibilidade do relativo sem uma relação lógica com um absoluto, mesmo que hipotético. E por isso é a ética de Pedro Galvão é inconsistente, relativista, ziguezagueante e sem razões.

(vídeo via).

Sexta-feira, 22 Maio 2015

¿Quanto vale uma vida humana?

Filed under: ética — O. Braga @ 7:17 am
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Peter Singer — o guru de Pedro Galvão, de Rolando Almeida e talvez de Desidério Murcho, entre outros semi-deuses — defendeu recentemente em uma entrevista a uma estação de rádio que as crianças com deficiência não deveriam ter apoio médico (as companhias de seguros deveriam recusar prémios de saúde a essas crianças).

Peter-Singer-pig-webPeter Singer já sabe quanto vale uma vida humana; é uma questão de fazer as contas. E semi-deuses como o Pedro Galvão, la crème de la crème, também já tem esse conhecimento. Só os ignaros como eu e você, caro leitor, ainda não sabemos exactamente quanto vale uma vida humana — a vida dos outros, obviamente, porque Peter Singer, Rolando Almeida e Pedro Galvão sabem bem quanto valem as suas próprias vidas…!

A diferença entre Peter Singer e um vulgar ideólogo nazi é a de que o primeiro avalia a vida humana pelo custo económico que essa vida implica para a sociedade, ao passo que o segundo avalia a vida humana por um critério de superioridade de uma raça sobre as outras. Mas o corolário das duas doutrinas é semelhante.

Peter Singer (e Pedro Galvão, Rolando Almeida, etc.) pensam que aquilo que é útil para o indivíduo ou para a sociedade deve ser designado como “bom”. E, neste sentido, o argumento de Peter Singer é o seguinte:

“Não quero que o meu prémio de seguro de saúde aumente em valor para que crianças, que tem uma qualidade de vida nula, possam ter tratamentos caros”.

Este é um argumento comum à Esquerda libertária e à Direita neoliberal. O Pedro Galvão e o Rolando Almeida, “filósofos” de tarimba, assinariam por baixo. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

Claro que eu, que não sou filósofo, e você também caro leitor, colocamos as seguintes e singelas perguntas: ¿Quem define o que é útil? E para quem há-de ser útil?

E dou comigo a pensar: se os valores morais são estabelecidos de acordo com critérios de utilidade individual ou social, Peter Singer (e os outros semi-deuses supracitados) podem sempre abandonar esta moral por motivos de uma prudência egoísta — como fez Peter Singer em relação à sua própria mãe que sofre da doença de Alzheimer: em vez de defender a eutanásia dela, arranjou e paga a enfermeiras para cuidar dela.

Ou seja, para Peter Singer, o princípio do interesse próprio também é muito útil. ¿Por que razão a utilidade para o maior número de possível de seres humanos deve estar acima da utilidade privada de Peter Singer?!!

sdQuando Peter Singer defende a opinião de que os seres humanos com deficiências não têm qualquer direito à vida, justifica a sua opinião, por um lado, com a situação real de um deficiente — diz ele que “é uma vida que não vale a pena” —, mas, por outro lado, também com a utilidade que representa para a sociedade não ter mais encargos financeiros com essas pessoas com deficiência.

Em primeiro lugar, Peter Singer comete um sofisma naturalista, visto que não se pode tirar conclusões morais de um facto — e isto é tão básico que não entendo como se pode chamar de “filósofos” a essas bestas acima mencionadas.

Em segundo lugar, Peter Singer pressupõe que existe um consenso acerca do valor e dos custos convenientes de uma vida humana, consenso esse que não existe de facto.

Em terceiro lugar, eu desconstrui a lógica da “ética” de Peter Singer (ver aqui). Em um fórum na Internet nos Estados Unidos de apaniguados de Peter Singer, expus a desconstrução lógica da ética de Peter Singer e ninguém foi capaz de me rebater ou refutar com argumentos racionais e lógicos, mas fui vastamente insultado e achincalhado pelos sequazes de Peter Singer, por exemplo, apodado de “português de merda” (“shitty Portuguese”). Quando não se tem razão, só resta o ad Hominem.

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