perspectivas

Sábado, 22 Agosto 2015

Um chimpanzé não é uma pessoa

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 2:49 pm
Tags: ,

 

O Ludwig Krippahl, agora que é militante notório do partido “Livre”, já se dá ao luxo de contraditar directamente professores universitários de filosofia, como por exemplo o Pedro Galvão. Com toda a sinceridade possível: eu quero lá saber se o meu interlocutor é professor ou se é varredor de ruas! O que me interessa saber é o resultado das suas ideias.

Eu critico principalmente — sublinho: principalmente — as consequências das ideias, e não os eventuais erros de construção ideológica. Por exemplo, seria estúpido que criticássemos a teoria da relatividade apenas pelos eventuais erros de Einstein durante a sua construção.

As definições são importantes, na filosofia como em tudo na vida. Sem definições não sabemos do que estamos a falar. Mas não devemos abusar das definições, porque um conceito depende doutro conceito, e este doutro, ad infinitum. Se nos enredarmos nas definições, não saímos delas. Mas isto não significa que possamos prescindir das definições — nomeadamente das definições reais. Mas é um facto que, em geral, as pessoas de Esquerda — como é o caso do Ludwig Krippahl — têm horror às definições, porque as definições limitam o poder fáctico da ideologia política.

O Ludwig Krippahl começa por dizer que, pelo facto (pelo menos aparente) de um chimpanzé se reconhecer (a si mesmo) ao espelho, tem autoconsciência. E, neste sentido, diz o Ludwig Krippahl que o chimpanzé é uma pessoa — assim como o ser humano é uma pessoa enquanto tem autoconsciência.

(more…)

Terça-feira, 18 Agosto 2015

Os modernos dizem que “a lógica evolui”

Filed under: ética — O. Braga @ 1:05 pm
Tags: , , ,

 

Temos aqui uma citação de um tal “filósofo” Richard Kearney sobre o problema do Mal. No fundo, trata-se de uma versão moderna e invertida da Teodiceia. O que faz o “filósofo”?

Primeiro cita Santo Agostinho, esquecendo-se que Santo Agostinho baseia-se em ideias de Jesus Cristo (S. Mateus 15, 18-20): é o que sai do homem que pode ser mau, e não o que entra nele. “Filósofo” moderno que se preze, não cita Jesus Cristo.

Logo a seguir o “filósofo” perverte o sentido dado por Santo Agostinho às ideias de Jesus Cristo: diz ele (implicitamente): “se o mal vem de dentro do homem, e se há muitos homens, então segue-se que não existe um Mal universal”. O raciocínio é non sequitur. E depois justifica a negação do Mal universal através de S. Tomás de Aquino:

“E existirá uma noção universal de Mal? Não, disse Kearney, mas é preciso explicar este “não”. Para São Tomás de Aquino pode dar-se o caso de as pessoas que cometem o Mal pensarem que estão a fazer Bem. Com base em Espinoza, precisou que isso não decorre da opinião, decorre sim da interpretação: o Mal humano é o que está sujeito a um conflito de interpretação”.

Há aqui uma perversão ou uma distorção das ideias de S. Tomás de Aquino que caracteriza a filosofia moderna. Vejamos o que S. Tomás de Aquino quer dizer:

Se a lei eterna se apresenta ao homem pela voz da consciência, toda a prescrição da consciência humana obriga a vontade (do homem) a conformar-se-lhe. Acontece que as consciências (humanas) não são todas idênticas. Não é, pois, o acto (do homem) em si mesmo, mas antes é a percepção (a interpretação) que a razão do homem dá, que qualifica a sua vontade: se a consciência apresenta esse acto como um mal — ainda que o acto seja um bem — a vontade adere-lhe como um mal.

Até aqui, estamos todos entendidos. Prossigamos o raciocínio de S. Tomás de Aquino que se complica um pouco mais:

Em função do papel da consciência na percepção (interpretação) da razão, diz o Santo que é mister ao homem obedecer sempre à sua consciência, mesmo que errónea (mesmo que a interpretação esteja errada): a vontade que se inclina para um objecto que ele (o homem) percebe como um mal é uma vontade má — ainda que a sua percepção / interpretação seja defeituosa e o objecto seja bom em si mesmo —, porque a vontade desvia-se da consciência: “toda a vontade que se afasta da razão, seja ela recta ou errónea, é sempre má” (Suma Teológica, I-II, 19,5).

Mas, ao contrário do que foi proposto pelo “filósofo” moderno supracitado, S. Tomás de Aquino não sacraliza o arbitrário subjectivo!

O que S. Tomás de Aquino constata é que um acto apenas é moral se se conforma com os ditâmes da consciência. O acto cometido por uma consciência errónea continua a ser mau em si mesmo, e distinto daquele que obrigaria uma consciência informada. E obedecer à consciência nada retira à falta prévia de o homem em causa não ter informado a sua consciência — se apenas podemos obedecer à nossa natureza pessoal, temos o dever de a substituir por uma melhor sempre que possível.

Em suma:

  • um acto é moral apenas e só quando o homem obedece à sua consciência;
  • é melhor obedecer à consciência, mesmo que estejamos errados, do que não lhe obedecer;
  • o facto de se obedecer à consciência não significa que o acto seja bom ou mau: a bondade ou maldade do acto depende da capacidade de informarmos a nossa consciência.

O ensino escolar deve ser um contributo para que as crianças informem as suas consciências o melhor possível.

A ideia segundo a qual “os valores foram inventados pelo homem e evoluem” é tão estúpida que pode ser até acariciada pela Helena Damião. Com jeitinho, a Helena Damião e o “filósofo” moderno dirão que “os números primos foram invenção humana” e a que “a lógica evolui”. Esta gente não tem emenda.

Domingo, 9 Agosto 2015

O ágape como referência ética

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 4:21 pm

 

Os animais ditos irracionais têm mobilidade, expressão e comunicação. E até têm simbolismos. Por exemplo, uma bactéria tem uma mobilidade que um bebé recém-nascido não tem; mas isso não faz da bactéria um animal mais valioso (valor) do que um ser humano recém-nascido.

A linguagem humana não é apenas expressão, e não é apenas comunicação — os animais também as têm. Existe mesmo um simbolismo ritualístico nos animais, embora seja um simbolismo iludente: por exemplo, as borboletas simulam simbolicamente os olhos. Mas o ser humano foi o único que “deu um passo” no sentido de verificar as suas próprias teorias através de argumentos críticos no que respeita à verdade objectiva (a função argumentativa, que os animais não têm).

No ser humano “surgem” as proposições descritivas, ou seja, a função representativa, segundo Karl Bühler: frases que descrevem um estado de coisas objectivo, que pode, ou não, corresponder aos factos; ou seja, de proposições que podem ser falsas ou verdadeiras. É aqui que reside a principal diferença, do ponto de vista formal, do ser humano em relação aos animais.


madre_teresaHá quem considere — por exemplo, Peter Singer e os seus apaniguados — que as diferenças supracitadas entre o ser humano e os animais não são importantes. Temos aqui um problema de classificação de valores.

Por exemplo, Ana Matos Pires (Jugular) e Adolfo Mesquita Nunes colocam acima da vida do feto, a putativa “liberdade” da mulher; podemos discutir se essa “liberdade” existe de facto em toda a extensão presumida, mas não cabe agora aqui fazê-lo.

Portanto, os valores da Ana Matos Pires não contemplam a potencialidade humana do feto e do recém-nascido, de que o Ludwig Krippahl fala aqui. Temos aqui uma diferença substancial.

Para a Ana Matos Pires, a liberdade é sinónimo de acto gratuito 1, próximo da “liberdade da indiferença” 2 . Falta analisar se a posição de Ana Matos Pires, por exemplo, é consentânea com a Razão (entendida como “racionalidade”). Penso que não é: a sua posição nesta matéria é irracional e até anti-científica.

Por exemplo, ¿alguém terá razões para criticar a Irmã Teresa de Calcutá por não ter tido filhos?

As nossas decisões éticas são avaliadas em função do ágape, que é o ponto de referência ético. Ou seja, o valor da aproximação existencial ao ágape é superior ao valor de ter filhos. Mas essa aproximação existencial ao ágape deve ser traduzida em actos que a justifiquem, e não apenas em intenções fátuas. E esses actos não podem partir de um princípio teleológico, isto é, do princípio de que os fins justificam todos os meios. O ágape baseia-se em uma ética ontológica, segundo a qual o ser (em geral, mas o ser humano em particular) está no centro da acção ética.


Notas
1. Acto que não é objectivamente motivado e que manifesta a existência de uma liberdade absoluta — por exemplo, um crime sem móbil é um acto gratuito. A vontade de provar a liberdade absoluta por intermédio de um acto sem móbil constitui em si mesmo um móbil.

No fundo, trata-se de um acto perpetrado em função de um capricho, embora um capricho reflectido e pensado, e representando o exercício de um arbítrio total. O objectivo do acto gratuito é o de afirmar uma liberdade total, contra toda a moral e mesmo contra a Razão. Ver o filme de Alfred Hitchcock, “A Corda”.

2. Situação de uma pessoa incapaz de escolher entre dois actos, sendo o móbil ou motivo em favor de um ou de outro, equivalentes. Em Descartes, esta liberdade da indiferença é considerada como “o grau mais limitado da liberdade”, mesmo se é testemunha, ao mesmo tempo, de um puro arbítrio que assemelha o Homem a Deus.

Sábado, 18 Julho 2015

Psicose grave!

Filed under: aborto,ética — O. Braga @ 11:49 am
Tags:

 

As lésbicas que defendem o “aborto sem rede”, deveriam dar umas cambalhotas bem dadas com um macho latino tipo Zézé Camarinha, para depois poderem abortar à fartazana e terem a experiência do que é o aborto. Essa coisa de ser lésbica (coisa horrível!, o escroto!) e defender o aborto livre e sem rede para as mulheres normais, revela doença mental.

isabel-moreira-jc-webDepois de um relambório de “faca na liga”, vem o momento pedagógico: a maioria do povo  é ignoranteporque não sabe a diferença entre “consentimento informado”, por um lado, e “aconselhamento”, por outro  lado. Alegadamente, o apoio psicológico antes do aborto não faz parte do processo de “consentimento informado”: tudo o que se possa fazer com que a grávida mude de ideias sobre o aborto é “aconselhamento”; mas não é “consentimento informado”.

Segundo aquela criatura de Deus, “consentimento informado não pressupõe conselhos”.

Ficamos sem saber como é possível alguém estar informado sem se informar; e como é possível informar alguém sem, de alguma maneira, aconselhar. “Informação”, a nível do ser humano, não é a mesma coisa que “informática” — mas, para aquela criatura, parece que é a mesma coisa: o ser humano é visto por ela como uma espécie de autómato.

“Informar alguma coisa” é fazer passar essa coisa da virtualidade (da dimensão do virtual) ao acto; ou seja, a nível humano, informar é sempre aconselhar de algum modo — o que não significa que a pessoa aconselhada seja, por isso, obrigada a mudar de ideias.

Sexta-feira, 17 Julho 2015

A objecção de consciência em relação ao aborto incomoda a Esquerda

Filed under: aborto,ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 11:19 am
Tags:

 

Se os criminosos são, por definição, pessoas que não respeitam a lei, ¿como é possível que se defenda a ideia segundo a qual “são necessárias mais leis para evitar a proliferação de criminosos”?!

Se alguém tiver a paciência necessária para ler este “poste”  (as respectivas lésbicas que me desculpem a imagem fálica), verificará o recurso — aliás, sistemático em pessoas como por exemplo a Isabel Moreira — ao Direito Positivo para regular aquilo a que no dito poste se chama de “posição subjectiva” : a objecção de consciência em relação ao aborto.

O conceito de “posição subjectiva” pretende ter um carácter pejorativo, por um lado, e por outro  lado pretende-se contrapôr o “subjectivo da objecção de consciência” ao universal de quem não tem qualquer objecção de consciência em relação ao aborto. Ou seja, invertem-se os termos da ética: segundo o esquerdalho, não ter qualquer prurido moral em relação ao aborto é característica de um juízo universal — o que é uma falácia, como é evidente. Os objectores de consciência em relação ao aborto passam a ser considerados uns indivíduos esquisitos e anormais que vão à missa todos os dias, ou seja, uma minoria irrisória e risível.

A objecção de consciência em relação ao aborto passa, assim, a ser um fenómeno subjectivo característico de uns malucos religiosos; e qualquer pessoa que não seja religiosa, aborta necessariamente todos os dias.

Kant distingue, no campo da moral prática, os princípios subjectivos — que o sujeito dispõe, em si — de princípios objectivos, isto é, princípios universais. A mim parece-me que a objecção de consciência em relação ao aborto constitui um princípio objectivo (universal) e não um princípio subjectivo. E por ser assim é que o esquerdalho anda preocupado com a objecção de consciência e pretende restringi-la, como se pode depreender do poste da criatura.

Qual é o argumento utilizado para defender a restrição da objecção de consciência em relação ao aborto?

É o seguinte: “através da objecção de consciência sistémica no Serviço Nacional de Saúde, os abortos são desviados para o privado”. Portanto, parte-se do princípio de que os objectores de consciência não o são realmente, e que apenas se servem da figura jurídica da objecção de consciência para retirar daí alguns proventos materiais.

Imagine o leitor que eu faço a seguinte asserção: “A TAP deve ser privatizada”. E a escriba do jugular, em resposta, pergunta-me: “O que é que tu ganhas (em dinheiro), com essa tua posição?”

Perante esta pergunta, qualquer discussão fica inquinada à partida e deixa de ser possível — porque qualquer asserção minha é passível de ser interpretada como uma manifestação de um qualquer  interesse próprio material, e não como uma posição de princípio, em si mesma abstracta. Portanto, não é possível qualquer diálogo com aquela gentalha.

Isabel Moreira está doente e deveria ser interditada e mesmo internada

Filed under: aborto,ética,Ciência — O. Braga @ 6:59 am
Tags:

 

« A deputada do PS Isabel Moreira defendeu hoje que a introdução de consultas obrigatórias antes e depois de uma Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) é uma medida inconstitucional e uma «imoralidade» de quem considera as mulheres «inimputáveis».

“No nosso ordenamento jurídico, nem uma pessoa que esteja a morrer é obrigada a ir a uma consulta. Como é que tencionam obrigar as mulheres? É incompreensível e completamente inconstitucional”, disse à Lusa Isabel Moreira. »

Alteração à IVG é «imoralidade» e «completamente inconstitucional», defende Isabel Moreira

A “notícia” é de ontem.


Em um estudo publicado nos Estados Unidos em 2002 (Southern Medical Journal), verificou-se que o risco de suicídio em mulheres que abortam é de 154% superior à norma; um outro estudo (University of Minnesota: Minnesota Extension Service, 1986), o aborto em adolescentes aumenta em 10 vezes as tentativas de suicídio; um outro estudo (Medical Science Monitor, 2003) verificou um aumento de 65% na probabilidade de depressão clínica de longo-termo em mulheres que abortam; um outro estudo (Canadian Medical Association Journal, 2003) constatou que as mulheres que abortam têm o dobro da possibilidade de serem hospitalizadas em psiquiatria; um outro estudo (American Journal of Drug and Alcohol Abuse, 2000), verificou que as mulheres que abortam têm uma tendência para consumo de drogas e/ou de álcool cinco vezes superior à norma.

Falamos aqui em juízo universal: há sempre excepções à regra.

Mas mesmo que não tivéssemos estes estudos, sabemos empiricamente — qualquer psiquiatra sabe, mesmo que não o diga e que o esconda ostensiva- e desonestamente — que o aborto não é, em juízo universal, psicologicamente inofensivo para a mulher.

isabel moreira-webEu considero a Isabel Moreira uma criatura do mais baixo nível intelectual e moral que podemos encontrar na sociedade portuguesa.

Ademais, Isabel Moreira irracionaliza sistematicamente os parâmetros de qualquer discussão para que o corolário seja pura irracionalidade — por exemplo, quando ela compara uma mulher em estado terminal com outra mulher que esteja grávida e pense em abortar.

Desde logo, uma mulher em estado terminal (e que não seja obrigada por lei a ir a uma consulta), já foi desenganada pela ciência médica; o determinismo (o seu destino, o seu fado) físico e psicológico da pessoa em causa, é total — o que não acontece de igual modo com uma mulher grávida.

Em segundo lugar, não só estudos científicos mas também a experiência médica revelam que o acompanhamento psicológico sistemático das mulheres que procuram o aborto (em juízo universal) é necessário; a tentativa da Isabel Moreira de vulgarizar o aborto é semelhante, por exemplo,  à tentativa de vulgarizar o assassínio, ou à tentativa de vulgarizar o consumo de drogas.

A Isabel Moreira recusa a ideia de que o aborto é considerado pelas mulheres que abortam (em juízo universal) como um “mal necessário”; Isabel Moreira  pretende que o aborto seja encarado com a mesma normalidade, por exemplo, com que uma mulher toma um antibiótico.

Em terceiro lugar, e não menos importante, a mulher em estado terminal, morre sozinha; ao passo que a mulher que aborta elimina a possibilidade de uma vida que não é a sua. Portanto, a comparação da Isabel Moreira entre uma mulher em estado terminal e uma mulher grávida é irracional — mas essa irracionalidade é propositada, o que revela uma perversidade doentia da Isabel Moreira. Isabel Moreira está mentalmente doente e deveria ser interditada e mesmo internada; aliás, estou convencido de que é uma questão de tempo para que isso aconteça.

Quinta-feira, 2 Julho 2015

As três normas da moral cristã

Filed under: ética — O. Braga @ 8:24 am
Tags: , ,

 

Um artigo assinado por José Paulo do Carmo, no semanário SOL, é crítico em relação à forma como o sexo é concebido na cultura actual — especialmente em Lisboa.

“Assim se explicam tantos divórcios, tantas separações, porque vivemos numa dicotomia de valores em que queremos ser livres mas ‘ai de que o nosso companheiro/a faça o mesmo’. Deixámos de ser apedrejados por adultério, perdeu-se o julgamento em praça pública, gradualmente tudo passou a ser normal porque o tempo encarregou-se de desresponsabilizar esse tipo de atitudes”.

As relações sexuais

A moral é hoje reduzida ao conceito de “não chatear o outro”. Hoje só existe uma única norma moral: a liberdade negativa: “cada um faz o que quer e não tens nada a ver com isso! Vive e deixa viver!”.

Esta norma moral é válida; mas não é a única. Existem, para além dela, mais duas normas morais:

  • a necessidade de uma determinada harmonia interior em cada pessoa, que tenha em conta também a liberdade positiva;
  • o problema do sentido da vida. A forma como organizamos as nossas vidas e as nossas mundividências de forma a obtermos um sentido justo e racional para as nossas vidas.

Reduzir toda a moral à liberdade negativa é característica da barbárie moderna contemporânea. E só o Cristianismo pode ajudar as pessoas a assimilar as duas outras normas que são hoje invisíveis.

Quarta-feira, 1 Julho 2015

“Discriminação” : a palavra-mestra do politicamente correcto

Filed under: ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 11:32 am
Tags:

 

A qualidade vertiginosa do actual ambiente sócio-político não pode prescindir de Kafka para o descrever: é como se acordássemos de manhãzinha, e sete em dez pessoas, conhecidas ou não, tivessem sofrido uma metamorfose, transformando-se em baratas gigantes.

“In the Journal of Medical Ethics, two influential bioethicists argue that we should allow euthanasia for patients suffering from ‘treatment-resistant’ depression. Udo Schuklenk, of Queens University in Canada, and Suzanne van de Vathorst, of the University of Amsterdam, claim it is discriminatory to allow euthanasia or assisted suicide for terminally ill patients but to deny it to those who suffer from incurable mental illness. Professor Schuklenk is co-editor of the journal Bioethics”.

Leading bioethicists back euthanasia for mentally ill

Segundo dois eminentes académicos especializados em ética, a ideia é a seguinte:

“Se uma pessoa com com cancro terminal, por exemplo, tem direito à eutanásia; segue-se que é discriminatório não conceder a eutanásia a pessoas com depressão mental resistente a tratamento”.

Ou seja, para não haver “discriminação”, tem que haver “direito”.

Levado às suas últimas consequências, este raciocínio implica que toda a gente tem direito à eutanásia, para que não seja alvo de discriminação. Por exemplo, o adolescente a quem a namorada pôs os cornos, e que está em um sofrimento psicológico atroz e insuportável, também tem direito à eutanásia; e os desempregados também (dava muito jeito às estatísticas!). Se o critério da concessão da eutanásia é a avaliação pessoal e subjectiva acerca da nossa qualidade de vida, estamos todos potencialmente fod***s!

Dizem, portanto, os académicos, que uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” não deve ser discriminada, e por isso deve ser autorizada a “decidir” morrer desde que “a decisão seja livre” (sic). Ora, há aqui uma coisa que eu não compreendo (certamente serei deficiente cognitivo): ¿uma pessoa com “depressão mental resistente a tratamento” poderá tomar “decisões livres”?

Mas a falácia da cultura da morte vai mais longe: por exemplo, na Holanda e na Bélgica, já é praticada a eutanásia a pessoas (com Alzheimer, demência, etc.), sem consentimento prévio; e o argumento é o seguinte: se essas pessoas pudessem julgar o seu próprio estado, considerariam que não vale a pena viver”.

Nestes dois países já não existem crianças com síndrome de Down, em resultado de uma política de erradicação pré-natal (aborto selectivo). Quando já não existirem pessoas deficientes (porque foram todas eutanasiadas), nem velhos dementes, nem pessoas com “depressão mental resistente a tratamento”, etc., — ¿quem será eutanasiado a seguir, para não ser “discriminado”? Os pobres? Ou talvez você.

Sábado, 27 Junho 2015

O raciocínio putéfio da deputada Isabel Moreira

 

“A deputada socialista Isabel Moreira condenou hoje a “selvajaria moral” da introdução de taxas moderadoras na Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) argumentando que é “um ato de saúde materno-infantil” e que a isenção cumpre um objectivo de sigilo”.

Isabel Moreira condena “selvajaria moral” das taxas moderadoras na Interrupção Voluntária da Gravidez

isabel-moreira-85210-webEm primeiro lugar, devo dizer que considero o estatuto ético e moral de Isabel Moreira muitíssimo abaixo dos de uma prostituta de rua: porque uma prostituta não é necessariamente uma puta, e o putedo é apenas uma condição ontológica e cultural de algumas mulheres. No caso de Isabel Moreira, não se aplica bem o qualificativo de “selvajaria moral” (porque os selvagens, em geral, também têm dignidade), mas antes o de bestialidade moral e putedo intelectual. No caso da Isabel Moreira, depois de ela ter perdido a dignidade, o resto veio por acréscimo.

Considerar-se o acto de aborto como um acto de saúde materno-infantil é absolutamente surreal: fazendo uma analogia, seria como se considerássemos a eutanásia compulsiva/obrigatória como um acto de saúde gerontológica (saúde da Terceira Idade). A morte de um ser humano, em acto ou em potência, passa a ser considerada um “acto de saúde” ou um “acto médico”. Orwell não diria melhor.  

Este enviesamento ideológico putéfio desvia o foco da humanidade da mãe e do feto em gestação, ao mesmo tempo que se refere a putativos “direitos” económicos de não pagar uma merda de uma taxa; faz lembrar a linguagem da propaganda oficial do nazismo.

Isabel Moreira é das pessoas mais intolerantes da política portuguesa. Mas assume-se como a campeã da tolerância, e ninguém se atreve a confrontá-la. A política, em Portugal, passou a ser uma excelente terapia para deficientes morais.

« A deputada socialista sublinhou ainda, relativamente ao projecto de lei de PSD e CDS-PP para introduzir taxas moderadoras na IVG, que “há um argumento muito importante, que é o argumento do sigilo“.

“Uma mulher pode não ter forma de fazer prova da sua insuficiência económica. Uma mulher que dependa do marido e não lhe queira dizer, quebraria o sigilo e estaria em causa este momento absolutamente pessoal das mulheres”, expôs. »

Vemos, por aqui, como uma putéfia lésbica concebe o casamento: o feto, que alegadamente deve ser abortado, não foi feito pela esposa e pelo marido; e cabe só à esposa decidir, à revelia do marido e sem a sua opinião e mesmo conhecimento, se deve ser abortado ou não.

Temos aqui, em todo o seu esplendor, um exemplo de raciocínio de puta: parece que — na opinião da Isabel Moreira — a infidelidade da mulher é o único laço que a liga ao marido. Para a Isabel Moreira, a maternidade é um local onde nascem bebés às senhoras, e dúvidas aos maridos. É esta gentalha que defende o “casamento” gay.

A deputada do Partido Socialista Isabel Moreira é uma pessoa doente que, infelizmente para o povo, assumiu um cargo de algum poder na política portuguesa. A idiotice é a mais estranha de todas as doenças: a doente nunca sofre, e quem aguenta a psicose e o delírio interpretativo são os outros.

Sexta-feira, 26 Junho 2015

O aborto é um acto médico

Filed under: ética — O. Braga @ 8:24 am
Tags:

 

“Do ponto de vista clínico a IVG é equiparável a “uma doença e a uma gravidez” na exacta medida em que promover uma interrupção de gravidez é um acto médico, seja essa interrupção voluntária – leia-se por opção da mulher – ou não.”

(o aborto é um acto médico)

acto_médico

Quarta-feira, 24 Junho 2015

O puritanismo e o pensamento único de Anselmo Borges

Filed under: ética — O. Braga @ 9:31 am
Tags: , ,

 

« O que desde há anos Hans Küng vem sublinhando – a necessidade do diálogo inter-religioso para ser possível a paz no mundo – é cada vez mais urgente. Entende-se mais claramente do que nunca que a obra do célebre teólogo, autor principal da “Declaração de uma Ética Mundial”, aprovada pelo Parlamento Mundial das Religiões em Chicago em 1993, se oriente pelo lema:

“Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais. Não haverá sobrevivência do nosso globo sem um ethos global, um ethos mundial” ».

Anselmo Borges, “Religião, religiões e diálogo inter-religioso” (PDF)

Anselmo Borges é um indivíduo que estudou o fenómeno da religião mas é pouco inteligente: faz lembrar aqueles colegas marrões que tiravam boas notas mas que nunca “pensavam fora da caixa”. Naturalmente que Anselmo Borges pensa de si próprio que “pensa fora da caixa”: para ele, “pensar fora da caixa” é seguir “os ares dos tempos”, é seguir a moda das ideias — o que é exactamente o contrário do que ele pensa.

Repare, caro leitor, na proposição subscrita implicitamente por Anselmo Borges:

“Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões (certo!). Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões (certo). Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais (errado). Não haverá sobrevivência do nosso globo sem um ethos global, um ethos mundial” (errado) ».

Sigamos a inferência falaciosa:

Paz → paz entre religiões → diálogo entre religiões → critérios éticos globais → ethos mundial.

O termo ethos é grego e significa “característica”, “conduta habitual”. O conceito de “ética” vem de ethos. A ética implica a existência de valores. Uma “ética mundial” significa a predominância ou mesmo a imposição de determinados valores a nível mundial através do modelo discursivo.

Desde logo, Anselmo Borges parte do princípio de que o ser humano já conhece todos os valores. Não há, para ele, a possibilidade de existirem valores que o Homem desconheça ainda. E como o Homem, segundo Anselmo Borges, conhece já todos os valores possíveis, o ethos mundial será a uniformização global da ética em função dos valores que o ser humano conhece neste momento.

Esta posição de Anselmo Borges é puritana. E perguntaria o leitor: “¿como é possível que um ex-sacerdote católico que defende o aborto possa ser puritano?!” Uma das características do puritanismo de qualquer época — defendendo o aborto, ou não — é o entendimento dos valores da ética como algo dado e acabado, que não depende do tempo e das modas de cada época. O facto de Anselmo Borges defender a legitimidade do aborto é apenas um detalhe utilitarista que marca o nosso tempo.

Por outro lado, não se segue — non sequitur — que o diálogo entre religiões implique necessariamente um ethos mundial, porque um ethos mundial — ou seja, um conformismo ético global — seria a negação a posteriori do próprio diálogo (contradição em termos). “Diálogo inter-religioso” não é a mesma coisa que discussão de opiniões diferentes sobre a equipa do Benfica ou acerca de programas eleitorais de partidos políticos.

Por exemplo, para Anselmo Borges, a prática do aborto deveria certamente fazer parte dos tais “critérios éticos globais” que determinam o tal “ethos mundial” — porque ele próprio defende a legalidade e a legitimidade do aborto. O que se pretende é que um determinado quadro ético global não religioso, e que está na moda, influencie a ética das religiões; e não o contrário disto. Ou seja, o que Anselmo Borges defende é um pensamento único.

Segunda-feira, 22 Junho 2015

Quando leio Peter Singer, fico com os cabelos em pé

Filed under: ética — O. Braga @ 5:53 am
Tags: , , ,

 

Neue Zuricher Zeitung: You do not consider an infant to be more worthy of protection than an embryo. On the other hand, you do not necessarily ascribe a higher status to humans than to animals.

Peter Singer: Belonging to the human species is not what makes it morally wrong to kill a living being. Why should all members of the species homo sapiens have a right to life, whereas other species do not? This idea is merely a remnant of our religious legacy. For centuries, we have been told that man was created in the image of God, that God granted us dominion over the animals and that we have an immortal soul.

Peter Singer ‘disinvited’ from German philosophy festival

Chegamos hoje ao absurdo de termos que nos questionar por que razão a vida de um ser humano é mais importante e valiosa do que a vida de um peixe, por exemplo. Peter Singer pergunta: “¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”. E depois atribui a maior importância dada à vida humana à “herança religiosa”.


Desde o tempo do paleolítico — ainda não existiam as religiões universais — que a vida humana, na tribo ou no clã, era mais importante do que a dos animais caçados. Portanto, a ideia de Peter Singer segundo a qual “a maior importância dada à vida humana é uma herança religiosa” é uma estupidez de todo o tamanho — a não ser que os trogloditas e os palafitas já fossem cristãos!

Fico com os cabelos em pé ao constatar que Peter Singer é hoje considerado um “grande filósofo”!

A razão por que “a vida humana é considerada mais importante e valiosa do que a dos outros animais” é, em primeiro lugar, a de que o ser humano é um animal gregário (social). Tão simples quanto isto. É uma razão biológica e natural. Só tem a ver com religião por via das diversas diferenciações culturais que desde o tempo do paleolítico foram forjando novas religiões. O “ter a ver com religião” é uma causa secunda construída a partir da natureza humana fundamental.


Desconstruído o argumento da “religião”, vamos ao argumento absurdo principal:

“¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”

Peter Singer parte do princípio da aceitação da superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais — porque só o ser humano pode fazer a pergunta supracitada —, para depois negar a superioridade ontológica (a superioridade do Ser) do ser humano. Se Peter Singer não aceitasse a priori a superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais, a pergunta não faria qualquer sentido.

A partir de uma assimetria moral (entre o ser humano e os outros animais), Peter Singer cria uma simetria ontológica (entre o ser humano e os outros animais) — porque os outros animais não são capazes de pensar o mesmo, em termos morais, em relação ao ser humano, e por isso não podemos colocar o ser humano e as outras espécies em um mesmo plano moral, ontológico e natural.

Assimetria moral → simetria ontológica = contradição em termos

Ou seja: para Peter Singer, o ser humano é moralmente superior aos outros animais, mas simultaneamente ele nega que a vida humana tenha mais valor do que a de um peixe.

Para Peter Singer, a superioridade moral do ser humano — que, no fundo, é uma forma de “domínio” — funciona como um instrumento de negação da superioridade ontológica do ser humano. Ora, se Peter Singer aceita a priori o primeiro tipo de superioridade, tem que logicamente aceitar o segundo.

Por maioria de razão, a assimetria moral permite ao ser humano proteger (ou não: trata-se do livre-arbítrio que o ser humano tem e os outros animais não têm) os animais; mas não implica, por essa razão, que o ser humano seja ontologicamente equivalente ou idêntico às outras espécies.

Por vezes, tenho a sensação de que Peter Singer tem sérias dificuldades com a Lógica.

Página seguinte »

O tema Rubric. Create a free website or blog at WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 680 outros seguidores