perspectivas

Segunda-feira, 4 Junho 2018

O Rui Rio aliou-se à Esquerda na defesa do aborto, e agora diz que defende a natalidade

Filed under: aborto,ética,eutanásia,PSD,Rui Rio — O. Braga @ 9:45 pm
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Se há político desprezível, é Rui Rio. Mete nojo aos cães. Consegue ser pior do que o monhé.

Depois de se ter aliado ao Bloco de Esquerda na defesa do aborto, e depois de tornar vender a alma ao diabo na tentativa de legalização da eutanásia, o cabrão vem agora tentar limpar a sua (dele) imagem pública pútrida com uma pseudo campanha de defesa da natalidade.

O cabrão defende o aborto livre (pago com o dinheiro de todos os contribuintes), e depois diz que é preciso mais crianças.

Bardamerda para a avantesma. Puta-que-pariu!

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Segunda-feira, 21 Maio 2018

A eutanásia da apedeuta Maria Filomena Mónica

 

“Em política, o que parece, é”; e parece-me que a Maria Filomena Mónica é ignorante. Escreve ela:

« A relutância em se aceitar a eutanásia ou o suicídio assistido provém, em muitos casos, de os objectores estarem a viver num tempo que já não existe: quando avós, pais e filhos viviam debaixo do mesmo tecto, quando não havia ressonâncias magnéticas, quando os doentes jamais eram ouvidos pelos médicos. Agradável ou desagradável, esse mundo acabou. »

Quem ler o que ela escreveu, ficará provavelmente com a ideia de que “a eutanásia é uma coisa do tempo actual” — quando a eutanásia era culturalmente aceite e praticada entre os gregos e os romanos antigos em que “avós, pais e filhos viviam debaixo do mesmo tecto”. O próprio Aristóteles defendeu a legitimidade da prática da eutanásia de crianças nascidas com deficiências físicas. E Sócrates (o grego) teve uma espécie de “suicídio assistido” ajudado pelos seus discípulos — para além de centenas de relatos documentados da aceitação social e cultural da eutanásia na Antiguidade, sendo que o Cristianismo veio introduzir na cultura antropológica europeia uma diferenciação fundamental nesta e noutras práticas culturais (por exemplo, no sacrifício pagão de crianças, e seres humanos em geral).

Ora, o problema de gente da laia da Maria Filomena Mónica é o Cristianismo, que, na opinião dessa gentalha, deve ser estripado da cultura antropológica.

Neste sentido, podemos dizer que a legalização da eutanásia é um retrocesso civilizacional (a não ser que se considere que o Cristianismo foi ele próprio um retrocesso civilizacional, como defenderam Engels e Nietzsche).

Maria Filomena Mónica é um erro de “casting” na cultura portuguesa. Uma pessoa que tenha um mínimo conhecimento de História não deveria invocar a eutanásia para lhe aplicar o argumento ad Novitatem.

Ademais, há que saber o que é uma “vida digna”; estamos aqui a lidar com a subjectividade de uma apedeuta que é detentora de um alvará de inteligência (o rei vai nu!) — em primeiro lugar, porque se existe ontologicamente uma “vida digna” é porque certamente existe (ontologicamente também) uma “vida indigna”, e aqui entramos em uma forma de “fascismo niilista” que está na moda mas que também não é coisa de hoje.

Não existe um consenso sobre a “dignidade” ou “indignidade” da vida humana.

Quando a burrinha invoca o relativismo ético do utilitarismo de Stuart Mill, nega a própria noção de “ética” — porque os valores fundamentais da ética não podem (necessariamente) depender da moda de cada tempo; e as questões relacionadas com a vida e com a morte fazem parte do rol dos valores fundamentais da ética.

Quarta-feira, 16 Maio 2018

A lei esquerdista da eutanásia tem pouco a ver com a liberdade individual (que é instrumental)

Filed under: ética,Esquerda,esquerdalho,eutanásia,Moral — O. Braga @ 3:46 pm

 

Para Raymond Aron, a única liberdade fundamental é a “de não ser impedido de” (fazer alguma coisa); trata-se da liberdade negativa.

As outras liberdades são de facto “direitos-capacidades” ou “direitos-crenças” (o direito a um emprego, ou o direito ao ensino oficial do Estado, por exemplo) que podemos ou devemos exigir, mas que devemos esperar que o Estado nos dê (“Ensaio Sobre a Liberdade”).

O facto de alguém não querer ser impedido de exigir que alguém o mate (eutanásia), pode colidir com a vontade de um médico que não quer matar ninguém e que apenas o faria para poder manter o seu meio de subsistência (o seu emprego). Portanto, a liberdade negativa, se apenas entendida em si mesma, não pode justificar todos os desejos, e tão pouco justifica a legalização da eutanásia.

Quando a Esquerda pretende legalizar a eutanásia, não pretende dar mais liberdade ao indivíduo: pelo contrário!, a Esquerda pretende dar mais poder ao Estado — o que significa que a liberdade individual sairá (paradoxalmente) de facto diminuída de todo este processo. Por exemplo, quando os profissionais de saúde são obrigados a matar para cumprir o desejo de uma putativa liberdade negativa de um doente, quem sai vencedor, aqui, é o Estado que obriga (coerção social).

A liberdade negativa do doente que exige a eutanásia é apenas um instrumento de reforço do poder do Estado através da lei.

Para a Esquerda, a liberdade consiste no Poder de legislar, ou seja, no Poder de controlar o Estado.

Esta é a “liberdade” segundo a Esquerda. E este desejo esquerdista de controlo do Estado é mais forte do que todas as liberdades juntas de todos os outros indivíduos que compõem a sociedade. Para a Esquerda, o controlo e reforço do Poder do Estado é uma questão de vida ou de morte: o que está em causa é a própria identidade da Esquerda que apenas se revê no reforço sistemático do Poder do Estado. E o corolário desse processo político de constante reforço do Poder do Estado é a realização do Estado Totalitário.


eutanasia-velhariasO Adolfo Mesquita Nunes escreve aqui um artigo que, de certo modo, corrobora a ideia segundo a qual a legalização da eutanásia em Portugal não tem nada a ver com o libertarismo (ou “liberalismo”), mas antes tem a ver com o reforço — quase discricionário, no futuro que se prevê — do poder do Estado.

Quando se escreve que “mesmo os mais fervorosos adeptos públicos da eutanásia consideram que ela tem de ser limitada”, do que se trata (com essa “fervorosa” Esquerda) é a defesa da reserva do direito progressivo do Estado à definição das condições de vida e/ou de morte.

(Era agora o que faltava que cada um tivesse total liberdade para se suicidar com assistência médica! Se assim acontecesse, o Estado ficaria mais fraco, como é evidente. O político moderno restringe o acesso ao suicídio muito menos por razões morais ou religiosas, como acontecia na Idade Média, e muito mais por “razões de Estado”).

Segundo Durkheim (“Regras do Método Sociológico”), o critério primordial de definição de “facto social” é a coerção que é sinal de uma força transcendente relativamente aos indivíduos, que se lhes impõe e determina as suas maneiras de ser. Quanto mais uma determinada prática se mostra regular, mais razoável será supôr que a coerção social donde procede (essa prática) é forte (a do Estado, neste caso).

“É a constituição moral da sociedade que fixa, em cada momento, o contingente dos mortos voluntários” (Durkheim, “O Suicídio”); ou seja, aquilo que é considerado patológico (o suicídio) do ponto de vista individual, deixa de o ser logo que adopta o ponto de vista de grupo (colectivo).

Os gurus da Esquerda conhecem bem a visão de Durkheim: mas viraram-na de pernas para o ar: por exemplo, sabendo que (segundo Durkheim) a “solidariedade social” é um fenómeno inteiramente moral, que não se presta à observação exacta nem à medição — a Esquerda transforma o Estado no Ente que define a moral que, por sua vez delimita o conceito de “solidariedade social” através das leis que ela própria promulga.

Assim, o conceito de “solidariedade social” (a ser constantemente redefinido pela Esquerda, ao sabor do reforço crescente do poder de coerção social exercida pelo Estado) pode ser algo completamente diferente do que é hoje, e em um futuro muito próximo — uma vez que é o próprio Estado (controlado pelas luminárias da Esquerda) que define a moral (através do Direito Positivo) por que se pauta o conceito de “solidariedade social”. E o actual e radical divórcio entre o Direito Positivo, por um lado, e o Direito Natural, por outro lado, apenas reforça o poder discricionário da elite de gnósticos esquerdistas que controla o Estado.

“Um acto é criminoso quando ofende estados fortes e definidos da consciência colectiva (Durkheim). Ou seja, se o colectivo for anestesiado e deixar de considerar o suicídio como um crime, ou mesmo como um defeito moral — caberá então ao Estado definir os “critérios da liberdade do indivíduo” de se suicidar, e em função de interesses de conjuntura definidos pela elite gnóstica esquerdista.

Quinta-feira, 5 Abril 2018

Progresso

Filed under: ética,filosofia,metafísica — O. Braga @ 12:30 pm

 

“O optimismo inteligente nunca é fé no progresso, mas esperança num milagre.”Nicolás Gómez Dávila 


“Progresso” pode ser sinónimo de “desenvolvimento”; por exemplo, o desenvolvimento de uma doença: neste caso, “progresso” é sinónimo de “transformação de estados” ou “mudança de estados”.

Porém, a noção comummente aceite de “progresso” é a de um movimento de um estado alegadamente “inferior” para um outro estado entendido como “superior”. Obviamente que a aceitação desta noção é eminentemente cultural, porque basta uma geração de bárbaros para deitar qualquer “progresso” (social ou mesmo científico) pela pia abaixo.

Por exemplo, eu não considero que a legalização e a banalização cultural do aborto ou/e da eutanásia seja um sinal de “progresso”; em vez disso, penso que se trata de mais um contributo para o triunfo da barbárie na nossa sociedade. Uma geração de bárbaros (ou desequilibrados mentais) tomou conta da nossa política.

A única área da actividade humana em que podemos falar — sem quaisquer reservas — de “progresso” objectivo, é na ciência; em todas as outras áreas da actividade humana, o conceito de “progresso” deve ser abordado com muitas reservas. Mas mesmo na ciência, o progresso é estabelecido em função de determinados pontos de referência assinalados epistemologicamente a posteriori.

A ideia romântica e/ou positivista (Hegel, Comte) segundo a qual “o progresso é uma lei da Natureza”, é um completo absurdo, como nos parece evidente.

Há quem defenda a ideia segundo a qual, “atrelados ao progresso da ciência, vieram os progressos sociais”: por exemplo, baixou a mortalidade infantil, aumentou a esperança de vida, baixou a mortalidade por doenças infecciosas, aumentou a disponibilidade de alimentos, etc.


“A estatística é a ferramenta de quem renuncia a compreender para poder manipular.”Nicolás Gómez Dávila 


Para um inveterado e fanático militante do partido nazi alemão, o Holocausto foi uma manifestação de “progresso”; para um utilitarista exacerbado actual (por exemplo, um militante do Bloco de Esquerda ou o Rui Rio), o aborto em massa e a eutanásia “à la carte” são formas de “progresso”.

Por outro lado, há hoje quem questione se a introdução do Cristianismo na cultura antropológica europeia tenha sido um progresso; muita gente pensa hoje que o Cristianismo foi uma forma de retrocesso civilizacional que deu origem a uma “Idade das Trevas” que, alegadamente, foi a Idade Média.

Portanto, há que ter muito cuidado quando falamos de “progresso” para além da epistemologia.

Por exemplo, há quem diga que o trabalho de operário fabril é menos exigente, do ponto de vista físico, do que o trabalho sol-a-sol do camponês medieval; mas esta avaliação é subjectiva; conheci pessoalmente camponeses que não trocavam a sua vida laboral no campo por um trabalho dentro de uma fábrica.

Porém, ao contrário do que acontecia na famigerada Idade Média, hoje — por exemplo — temos a pornografia infantil que decorre da tolerância elitista em relação à pedofilia, a bestialidade sexual consentida pela cultura das elites, vídeos públicos com decapitações do Estado Islâmico, o aborto em massa e a eutanásia entendidos absurdamente como “actos médicos”: o juramento de Hipócrates tornou-se obsoleto em uma cultura que transformou a “economia de mercado” em uma “sociedade de mercado”. E a longevidade, trazida pela ciência não é, em si mesma, um bem absoluto; de pouco vale um eunuco espiritual com 150 anos de idade.

A ideia de História Linear (a linearidade do tempo) surgiu com o Judaísmo da Era após o Êxodo para a Babilónia (com o surgimento dos profetas judeus que alegadamente conheciam o futuro radioso de “uma terra de riquezas e de abundância material, o paraíso na terra de Israel”); e, a partir do Judaísmo, o conceito de História Linear passou ao Cristianismo; e a ideia de “progresso” decorre logicamente do conceito de linearidade do tempo e da História — o que não acontece em muitas outras culturas, onde o tempo é cíclico. Aliás, misticismo cristão (como podemos ver por exemplo em Santo Agostinho) tem uma concepção cíclica do tempo e da História.

Sábado, 17 Março 2018

Os valores [morais] são objectivos e existem independentemente do ser humano

Filed under: ética,filosofia,metafísica — O. Braga @ 1:48 pm

 

O Domingos Faria escreve aqui um texto acerca dos “dilemas morais”, criando uma série de argumentação “lógica” que alegadamente nega a existência de tais dilemas. Porém, ao entrincheirar-se na lógica, o Domingos Faria escamoteou (esqueceu-se de mencionar) a noção de “valor”.

Um dos maiores filósofos do “valor” é Louis Lavelle, mas infelizmente não existem livros dele (traduzidos para o português) actualmente disponíveis nas livrarias. Um dos livros dele (senão o mais conhecido) é o “Traité des Valeurs” (se souberem ler em francês).

Se juntarmos Louis Lavelle ao realista Nicolai Hartmann, temos a resposta para as indagações do Domingos Faria acerca da existência (ou não) dos dilemas morais (ou seja, não necessitamos do formalismo lógico para demonstrações sobre a ética).

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Sábado, 10 Março 2018

O preconceito do senhor Silva (II)

Filed under: ética,metafísica,politicamente correcto — O. Braga @ 4:46 am

 

“O pensamento que se quer sempre justo, paralisa-se. O pensamento progride quando caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados”.Nicolás Gómez Dávila


O senhor Silva “voltou à carga” escrevendo acerca do “preconceito” (ver verbete anterior sobre este assunto).

“Ainda há dias o meu filho me acusou de preconceito, e com razão. Deu a notícia de que 2 enfermeiros e um polícia tinham sido agredidos no H S João por 4 acompanhantes de 1 doente. E saiu-me: são ciganos de certeza. E levei um sermão. A verdade é que veio a saber-se que eram. A minha associação foi por experiência (infelizmente muita) das urgências dos hospitais”.


Aquilo a que o senhor Silva chama de “associação por experiência”, chama-se “indução” e é a base da ciência. E, se seguirmos à risca o fio de raciocínio do senhor Silva, concluímos que a ciência é feita de preconceitos — o que é verdade; mas são preconceitos baseados em factos objectivos.

O senhor Silva não assistiu (pessoalmente) ao referido desacato do hospital de S. João; mas concluiu por inferência baseada na indução.

Chama-se “indução” ao argumento em que, se as premissas forem verdadeiras, isto é, tiverem valor lógico de verdade, a conclusão não é necessariamente verdadeira, mas apenas provavelmente verdadeira — é a inferência conjectural ou não-demonstrativa; é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos particulares. As conclusões de um raciocínio indutivo não são logicamente necessárias: a indução opõe-se, neste aspecto, à dedução.

Portanto, quando o senhor Silva diz que “o preconceito é um sentimento nocivo”, ele está errado — porque 1/ o preconceito pode não ser um “sentimento”, mas antes o resultado de uma constatação racional de um facto; e 2/ também porque o preconceito pode não ser nocivo se ajudar o ser humano (ou a sociedade) a sobreviver.


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Por outro lado, o senhor Silva parece seguir os conselhos do papa Chiquinho que diz que não devemos julgar ninguém (“¿Quem sou eu para julgar?!” — perguntou, certa vez, o Chico).

“É nesta duplicidade que consiste a realidade do preconceito que, por muito que o deseje, jamais o ser Humano se conseguirá libertar, e continuará eternamente, sob sujeição da inconsciência, “o rôto a julgar o esfarrapado”; não porque não lhe assista a razão no instante, mas porque não pausou para olhar o seu interior; quando não, não ajuizaria.”

Mas (por exemplo) quando Jesus Cristo chamou à atenção do óbulo da viúva, criticou os poderosos que não davam aos pobres relativamente tanto quanto ela deu (Marcos 12:41-44); ou seja, Jesus Cristo fez um juízo-de-valor quando comparou a pobre dádiva da viúva com a ganância dos poderosos. Jesus Cristo julgou. E Ele julgou também quando protegeu a adúltera da lapidação: julgou a impiedade dos que se preparavam para a apedrejar.

Há outros exemplos de juízos-de-valor feitos por Jesus Cristo, como o da crítica aos fariseus (Mateus 23:27-32). Portanto, não é verdade que seja correcto abstermo-nos de quaisquer juízos-de-valor; o papa Chico e o senhor Silva estão, por isso, errados.

O que temos que fazer é basear os nossos juízos-de-valor (os nossos preconceitos) em factos objectivos — e não em meros sentimentos, como acontece actualmente: a irracionalidade voltou a estar na moda.

Sexta-feira, 16 Fevereiro 2018

O Domingos Faria sabe mais de ética católica do que o S. Tomás de Aquino

 

Aristóteles dizia que quando partimos de um princípio errado, todo o nosso raciocínio consequente (por mais “lógico” que seja) está errado. É o caso do Domingos Faria: parte de um princípio errado e por isso incorre (através da lógica mesma) em uma interpretação delirante dos factos.

O primeiro princípio errado é o seguinte: não são os “católicos mais conservadores” ou “mais tradicionalistas” que defendem a ideia segundo a qual o adultério é um pecado mortal: é o próprio Chico a quem chamam de "papa" que defende essa ideia — a não ser que o Domingos Faria venha agora com a ideia peregrina segundo a qual o Chico é um “radical ortodoxo”…!

O adultério é um pecado grave ou mortal na exacta medida em que viola o 9º Mandamento.

O segundo princípio errado do Domingos Faria é o seguinte: ele parte do princípio de que a moral católica se aplica, hoje e necessariamente, a toda a sociedade — o que é falso. A moral católica, hoje como era no tempo de Santo Agostinho, aplica-se aos católicos. Não se deve exigir coercivamente de um pagão moderno que siga a moral católica.

Ademais, o Domingos Faria abusa do conceito de “intenção” (de boas intenções está o inferno cheio) ou de “intencionalidade”. Uma boa intenção pode atenuar um erro, mas não o elimina (S. Tomás de Aquino): o Domingos Faria pensa como um luterano, com a teoria da justificação, em que a moral não é objectiva.

O protestantismo transformou a interiorização do Cristianismo em simples idiossincrasia que permite que perguntemos ao indivíduo pela sua religião, depois de lhe termos perguntado qual a sua côr preferida e qual o seu clube de futebol.


O Domingos Faria deveria saber que a ética católica se distingue, em muito, da ética de Kant, e muito mais da ética intencionalista de Abelardo.

Para o católico, a boa intenção (ou a falta de consciência) é apenas e só uma atenuante — assim como Jesus Cristo disse à mulher adúltera: Vai à tua vida, mas não voltes a pecar!, ou seja, tens atenuantes mas não repitas a receita. Existe em Jesus Cristo uma reprimenda implícita em relação ao comportamento da mulher adúltera. Podemos constatar isto mesmo na ética de S. Tomás de Aquino:

1/ o ser humano tende necessariamente para o seu fim; como todos os seres vivos, tem um arbítrio: move-se por si mesmo e escolhe certos actos entre outros; mas, diferentemente dos outros seres vivos, o Homem é capaz de se representar o objecto do seu desejo na ausência deste, porque pode tornar, ou não, presente um objecto como desejável — e por isso, o arbítrio do Homem é livre (Suma Teológica, I, 59,3);

2/ no Homem, a vontade é um desejo informado pelo intelecto (idem);

3/ a contingência da escolha releva dos juízos racionais que propõem a alternativa dos actos possíveis. Mas, a partir do momento em que o Bem se apresenta ao intelecto, este deseja-o naturalmente — mesmo se mantém a capacidade de se abster! A falta consiste em querer um bem particular que não é o bem devido, e explica-se pela mediação do intelecto: este pode apresentar ao desejo um objecto menos perfeito do que o Bem, e arrastar então o homem para uma escolha desviante (para uma falta). A raiz do pecado reside no intelecto e a liberdade humana consiste em querer o que é racional (o que corresponde a uma ordem cósmica!) — quando o intelecto apresenta ao apetite o Bem verdadeiro e não um bem aparente;

4/ a lei (ética) é uma “ordenação da razão” que tem “em vista o bem comum” para “aquele que tem o encargo de velar pela comunidade”, e “exige promulgação” (Suma Teológica, I,II,90,4). De Deus ao mais humilde homem, passando pelo príncipe, escalona-se toda uma hierarquia de legisladores: cada homem é livre, dotado de uma razão autónoma e legisladora, mas submetida à razão do Legislador Supremo — uma vez que toda a lei exprime a razão divina!;

5/ a lei manifesta-se em três graus: a lei divina, que é sabedoria eterna de Deus; a lei natural, que é a tradução da lei divina na ordem natural; e a lei humana, que é a sua formulação positiva e particular. Neste edifício insere-se a doutrina da virtude: um acto é moralmente bom quando é virtuoso: o vício é contra a natureza. Ora, como o ser humano é racional, o bem moral é aquilo que está de acordo com a razão (Ibidem, I,II,71,2): como em Aristóteles, S. Tomás de Aquino demonstra que a virtude consiste em ordenar as nossas paixões segundo a razão e não em suprimi-las (como defendeu o estoicismo).

6/ cada ser humano está condicionado pelo seu próprio intelecto. Neste contexto, um acto apenas é moral se se conforma com o ditame da consciência. O acto cometido por uma consciência errónea continua a ser mau em si mesmo e distinto daquele que obrigaria uma consciência bem informada. E obedecer à sua consciência errada nada retira à falta prévia de não ter informado a sua consciência: se apenas podemos obedecer à nossa má natureza, temos o dever de a substituir por uma melhor sempre que pudermos.


O exemplo da “provável viúva”, dado pelo Domingos Faria, não “cola”. A lei do Direito Positivo dos “cinco anos de espera da viúva” (ou viúvo) tem origem na tradição católica que seguiu a tradição do Direito romano do tempo de espera do cônjuge provavelmente morto na guerra. Portanto, não se coloca o problema da “presumível viúva que comete adultério”. Na lei católica medieval, um cruzado desaparecido em combate, por exemplo, obrigava a sua esposa a uma espera de cinco anos — salvo se houvesse testemunho fidedigno de que o marido se encontrava cativo dos mouros; de outro modo, ao fim do tempo de espera, a viúva estava livre para casar novamente porque o marido era suposto morto pela própria comunidade.


Quem estudou filosofia, sabe que a tese do Domingos Faria é idiota. Ele pode até perceber muito de lógica, mas contradiz-se quando nega a lógica através de uma defesa da casuística.

O problema da Igreja Católica actual é que gente como o Domingos Faria ou o Anselmo Borges pretende saber mais de ética católica do que S. Tomás de Aquino, por exemplo.


Finalmente: Santo Agostinho não era contra o divórcio e/ou contra o segundo casamento.

Segundo Santo Agostinho:

1/ o divórcio de mulher e homem cristãos (católicos) não é tolerável nem permitido pela Igreja Católica. Mas se um dos cônjuges não for católico e pretender o divórcio do outro cônjuge que é católico (ou vice-versa), a Igreja Católica deve aceitar esse divórcio, por um lado, e permitir que o cônjuge católico divorciado volte a casar, desta vez pela Igreja Católica, com um novo cônjuge católico.

2/ a união sexual do homem e da mulher é natural e é boa. O bem do casamento não é somente a procriação (procriação = colaboração com a obra do Criador), mas é também a união indissolúvel (figura simbólica da união de Jesus Cristo com a Igreja).

3/ a virgindade antes do casamento não é um bem absoluto, mas é “a melhor das coisas boas”: a virgindade é preferível, mas não condição necessária do casamento. O que é um bem em si é o casamento.

Sábado, 3 Fevereiro 2018

O José Manuel Pureza e a nova versão do PREC [Processo Revolucionário em Curso]

Filed under: ética,Bloco de Esquerda,Esquerda,esquerdalho,eutanásia,utilitarismo — O. Braga @ 10:27 pm

“Nem a eloquência revolucionária, nem as cartas de amor, podem ser lidas por terceiros sem hilaridade.”

— Nicolás Gómez Dávila


Se lermos este texto do José Manuel Pureza, o conteúdo ideológico parece-nos uma espécie de “amanhãs que cantam” aplicados à ética e à cultura. A argumentação do Pureza sobre a legalização da eutanásia é histriónica; e por isso não é a argumentação que interessa analisar agora, mas antes interessa especificar a atitude do Pureza face à Realidade.

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Segunda-feira, 8 Janeiro 2018

A Rute à procura de Agulhas no palheiro

Filed under: ética,Moral,parafilias,Pedofilia — O. Braga @ 7:15 pm

 

Uma gaja que dá pelo nome de Rute Agulhas escreveu isto (via) — ver ficheiro PDF — acerca da hebefilia. Diz ela que um abusador sexual “pode aprender a mudar” “se for devidamente ajudado”. Mas não diz como se ajuda um abusador sexual a deixar de o ser. Diz ela que “a prisão não resolve. Pune e adia comportamentos, mas não os elimina”.

Há, no texto da gaja, um cheirinho a Foucault. E, portanto, um forte odor a marxismo cultural.

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Sexta-feira, 24 Novembro 2017

O consentimento, no processo de eutanásia

Filed under: ética,eutanásia — O. Braga @ 10:34 am

 

O “consentimento” é uma função do Poder.

Só existe verdadeiro consentimento se a relação de Poder (entre duas ou mais pessoas) não é assimétrica ou muito diferenciada entre si.

Esta noção de “consentimento” aplica-se, por exemplo, ao assédio sexual — mas também se aplica à eutanásia.

O dito “consentimento do suicida” é condicionado pelas relações de Poder assimétricas — pela desmoralização da pessoa em causa, pela influência de familiares que pretendem ficar com heranças, pela sensação de que se é um fardo para a sociedade, pela não existência de cuidados paliativos, pelo isolamento social do idoso ou doente, pela psicopatia de quem cuida da pessoa, e por outro tipo de pressões.

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Sexta-feira, 10 Novembro 2017

A ambiguidade ambivalente do Anselmo Borges

 

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin


O Anselmo Borges resolveu fazer uma análise política da situação portuguesa. Escreve ele :

« Diz-se frequentemente: "Já não há valores." Não penso isso. O que se passa é que se inverteu a pirâmide dos valores e corre-se o risco de o valor dinheiro se tornar o valor e a medida de todos os valores. Onde está a honra, a dignidade, o valor da palavra dada, a solidariedade, a família como esteio que segura os valores, a escola que forma pessoas íntegras e, assim, bons profissionais, alguns princípios orientadores de humanidade e para a humanidade? »

A SIDA espiritual


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Para alguém que defendeu a legalização do aborto (como é o caso do Anselmo Borges: ver ficheiro PDF do jornal Púbico de Dezembro de 2003), por um lado, e por outro lado para quem defendeu que os abortos deveriam ser grátis e pagos por todos os portugueses — segue-se, então, que a tese do “valor do dinheiro” do Anselmo Borges perde força moral: é que não podemos “dar uma no cravo e outra na ferradura”, e depois assumir que o povão é burro.

A legalização do aborto, que o Anselmo Borges defendeu, é a maior manifestação possível de uma cultura do “valor dinheiro” que o Anselmo Borges agora recrimina. Como escreveu o poeta:

“O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo… Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito” (Mário Quintana).

Tal como acontece com o chefe dele (o Chico Burrico), o Anselmo Borges joga sistematicamente, no seu discurso, com a indução de ambivalências (Estimulação Contraditória) através de uma ambiguidade deliberada, pensada e propositada. O Anselmo Borges é muito perigoso. No passado recente defendeu a “promiscuidade espiritual” (defendeu uma cultura de materialismo abortista), e agora critica a “SIDA espiritual”.

Por fim: ao contrário do que escreve o Anselmo Borges (“considero a actividade política uma actividade nobre, das mais nobres”), a política é tudo menos uma actividade nobre — dada a natureza antipolítica da Verdade. Infelizmente, Hannah Arendt tem razão. Uma actividade que é intrinsecamente contra a verdade não pode ser “nobre” senão na mente esclerosada do Anselmo Borges.

Quarta-feira, 1 Novembro 2017

As elites actuais negam que a Natureza Humana seja universal e imutável

O sistema político coloca jovenzinhos a defender o indefensável; são os novos jornaleiros dos me®dia, totalmente manipulados pela ilusão da falácia ad Novitatem segundo a qual “tudo o que é novo é melhor do que é velho”. O jornalismo actual vive da ignorância, como é o caso, por exemplo, desta Marta F. Reis; e quanto mais ignorante e estúpido, melhor é o jornaleiro de serviço.

E depois temos gente radicalmente venenosa, como é o caso do João Semedo (Bloco de Esquerda); e tecnocratas ignorantes que assaltam o Poder, como é o caso de Rui Rio (Partido Social Democrata). Gentalha desta espécie representa o Poder globalista que determina os rabiscos do jornalismo ignorante da laia da Marta F. Reis(more…)

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