perspectivas

Sexta-feira, 22 Maio 2015

¿Quanto vale uma vida humana?

Filed under: ética — O. Braga @ 7:17 am
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Peter Singer — o guru de Pedro Galvão, de Rolando Almeida e talvez de Desidério Murcho, entre outros semi-deuses — defendeu recentemente em uma entrevista a uma estação de rádio que as crianças com deficiência não deveriam ter apoio médico (as companhias de seguros deveriam recusar prémios de saúde a essas crianças).

Peter-Singer-pig-webPeter Singer já sabe quanto vale uma vida humana; é uma questão de fazer as contas. E semi-deuses como o Pedro Galvão, la crème de la crème, também já tem esse conhecimento. Só os ignaros como eu e você, caro leitor, ainda não sabemos exactamente quanto vale uma vida humana — a vida dos outros, obviamente, porque Peter Singer, Rolando Almeida e Pedro Galvão sabem bem quanto valem as suas próprias vidas…!

A diferença entre Peter Singer e um vulgar ideólogo nazi é a de que o primeiro avalia a vida humana pelo custo económico que essa vida implica para a sociedade, ao passo que o segundo avalia a vida humana por um critério de superioridade de uma raça sobre as outras. Mas o corolário das duas doutrinas é semelhante.

Peter Singer (e Pedro Galvão, Rolando Almeida, etc.) pensam que aquilo que é útil para o indivíduo ou para a sociedade deve ser designado como “bom”. E, neste sentido, o argumento de Peter Singer é o seguinte:

“Não quero que o meu prémio de seguro de saúde aumente em valor para que crianças, que tem uma qualidade de vida nula, possam ter tratamentos caros”.

Este é um argumento comum à Esquerda libertária e à Direita neoliberal. O Pedro Galvão e o Rolando Almeida, “filósofos” de tarimba, assinariam por baixo. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

Claro que eu, que não sou filósofo, e você também caro leitor, colocamos as seguintes e singelas perguntas: ¿Quem define o que é útil? E para quem há-de ser útil?

E dou comigo a pensar: se os valores morais são estabelecidos de acordo com critérios de utilidade individual ou social, Peter Singer (e os outros semi-deuses supracitados) podem sempre abandonar esta moral por motivos de uma prudência egoísta — como fez Peter Singer em relação à sua própria mãe que sofre da doença de Alzheimer: em vez de defender a eutanásia dela, arranjou e paga a enfermeiras para cuidar dela.

Ou seja, para Peter Singer, o princípio do interesse próprio também é muito útil. ¿Por que razão a utilidade para o maior número de possível de seres humanos deve estar acima da utilidade privada de Peter Singer?!!

sdQuando Peter Singer defende a opinião de que os seres humanos com deficiências não têm qualquer direito à vida, justifica a sua opinião, por um lado, com a situação real de um deficiente — diz ele que “é uma vida que não vale a pena” —, mas, por outro lado, também com a utilidade que representa para a sociedade não ter mais encargos financeiros com essas pessoas com deficiência.

Em primeiro lugar, Peter Singer comete um sofisma naturalista, visto que não se pode tirar conclusões morais de um facto — e isto é tão básico que não entendo como se pode chamar de “filósofos” a essas bestas acima mencionadas.

Em segundo lugar, Peter Singer pressupõe que existe um consenso acerca do valor e dos custos convenientes de uma vida humana, consenso esse que não existe de facto.

Em terceiro lugar, eu desconstrui a lógica da “ética” de Peter Singer (ver aqui). Em um fórum na Internet nos Estados Unidos de apaniguados de Peter Singer, expus a desconstrução lógica da ética de Peter Singer e ninguém foi capaz de me rebater ou refutar com argumentos racionais e lógicos, mas fui vastamente insultado e achincalhado pelos sequazes de Peter Singer, por exemplo, apodado de “português de merda” (“shitty Portuguese”). Quando não se tem razão, só resta o ad Hominem.

Sexta-feira, 8 Maio 2015

O aborto de um feto de cinco meses e a irracionalidade das elites

Filed under: ética,Portugal — O. Braga @ 8:40 pm
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“Na realidade, havia outras hipóteses, não tão gravosas do ponto de vista ético e igualmente exequíveis: pelo menos uma instituição de solidariedade social ofereceu-se, em tempo útil, para receber a mãe violada e o respectivo filho.”

No rescaldo da polémica (pelo Padre Gonçalo Portocarrero de Almada)

Mesmo que não se quisesse levar a gravidez até ao seu fim alegando a “saúde psíquica da mãe”, abriram cirurgicamente a mãe-criança de 12 anos para abortar o feto de 5 meses de gestação; ¿por que razão não a abriram duas semanas depois para manter o feto vivo em uma incubadora, uma vez que o feto, com 24 semanas de gestação, já tinha pelo menos 50% de possibilidade de sobrevivência? (para depois dar a criança nascida para adopção). ¿Por que é que não se fez um esforço para salvar o nascituro e simultaneamente “defender a saúde psíquica” da mãe-criança?

A resposta só pode ser uma: a urgência da afirmação política — das elites em relação à cultura antropológica — de que o mal deve prevalecer.

Aqui, neste caso, o mal deve ser entendido como a negação irracional da excepcionalidade da vida humana defendida por todas as religiões universais, a ver: Budismo, Hinduísmo, Islão, Judaísmo, Cristianismo, Siquismo, Bahá’ís.

nascituro-5mesesO acto de abortar um feto de 5 meses foi um acto gratuito perpetrado por uma elite que funciona em roda livre e sem censura legal, afirmando na sociedade uma liberdade total contra toda a moral e mesmo contra a Razão.

As elites de uma sociedade procederão melhor quando dependam de uma população virtuosa, do que de uma indiferente a considerações morais — assim como serão melhores em uma comunidade onde os seus crimes possam ser vastamente conhecidos do que em outra onde as elites controlem uma censura estrita.

Ora, vivemos em uma sociedade em que um primeiro-ministro (José Sócrates) andou anos a fio a roubar o Estado sem que o povo soubesse, e foi preciso um juiz corajoso e católico para que o caso fosse levado à justiça.

É neste país que um feto de 5 meses é morto ainda que pudesse ser colocado em uma incubadora duas semanas depois e salva a sua vida. Trata-se da afirmação positiva da banalidade do mal, em uma sociedade em que a população deixou de ser virtuosa e merece não só o José Sócrates como primeiro-ministro, como tudo o mais que vier por aí.

O mal, através das elites que temos, instalou-se na sociedade portuguesa e sente-se perfeitamente à vontade. Parece que é imparável. Parece que ninguém o detém. Parece invencível, como os dinossauros desaparecidos.

Terça-feira, 5 Maio 2015

Pedro Galvão e o aborto

Filed under: ética — O. Braga @ 12:45 pm
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O Domingos Faria coloca aqui um resumo da tese de Pedro Galvão sobre o aborto.

Antes de mais, como disse Ronald Reagan, “noto que todos os defensores do aborto já nasceram”. Perante uma visão absurda da vida e da realidade, só resta ao Pedro Galvão o seu (dele) cinismo.

Segundo a tese “ética” de Pedro Galvão, a simples abstinência sexual é equiparada ao aborto: por exemplo, um anacoreta que viva isolado na montanha é tão responsável pelo aborto (porque evita ter filhos através da abstenção sexual) quanto a abortadeira mais compulsiva.

(more…)

Sobre o livro “Ética com Razões” de Pedro Galvão

Filed under: ética — O. Braga @ 9:52 am
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O Domingos Faria coloca aqui um verbete segundo o qual é possível ao leitor do livro em epígrafe fazer perguntas ao respectivo autor.

O dito livro é de tal forma ideológica- e logicamente enviesado que para o refutar eu teria que escrever pelo menos três livros — como diz Olavo de Carvalho: “a mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação. Uma única palavra falsa requer muitas para ser desmentida.”

Portanto, se o leitor do dito livro pretende ter uma opinião sobre qualquer tema em particular que não seja a do próprio Pedro Galvão, pode entrar em contacto comigo para o email orlando_braga arroba yahoo.co.uk.

Terça-feira, 28 Abril 2015

Abortar um nascituro de cinco meses é monstruoso

Filed under: ética — O. Braga @ 6:34 pm
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Uma menina de 12 anos está grávida de 5 meses, por violação do padrasto. Este é um exemplo daqueles casos extremos que os apaniguados da extensão do prazo para abortar invocam para justificar o aborto até aos 9 meses de gravidez.

A lei deve ser revista de forma a que violadores de criança sejam afastados da sociedade durante pelo menos uma década. Um crime de violação de uma criança deve ser equiparado a um homicídio voluntário.

Mas seja qual for a decisão — abortar ou não — a criança sairá sempre traumatizada da situação. Sendo que o nascituro já tem 5 meses de gestação, o trauma do aborto afectará certamente a menina-mãe, e retirará a vida a um novo ser humano já quase formado. A não ser que a vida da menina esteja em causa (sem dúvida nenhuma, e “política à parte!”), um aborto aos 5 meses de gestação é monstruoso.

Ao nascer, a criança deve ser adoptada.

Sábado, 25 Abril 2015

Igualdade e desigualdade na economia

Filed under: ética — O. Braga @ 6:07 am
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“Um exemplo simples: numa economia com 10 pessoas, onde todas ganham 1000€, se uma ganhar o Euromilhões o coeficiente de Gini dispara a instala-se a pândega da desigualdade. Isso é mau para o crescimento económico? Não. Isso significa que todas as desigualdades são neutras em termos de crescimento económico? Não sabemos bem. O que sabemos com toda a certeza é que ninguém alguma vez escreveu que a desigualdade é boa por definição.”

Histórica económica portuguesa

Não é verdade. Platão e Aristóteles (principalmente este último), por exemplo, escreveram, preto no branco, que a desigualdade é boa por definição.

Aliás, foram ambos absolutamente consequentes e a suas éticas apresentam um todo coerente. Podemos não concordar com eles, mas não porque sejam incoerentes. A diferença entre eles e o conceito moderno de “desigualdade” estabelecido pelo marginalismo, é que este despiu a economia de qualquer tipo de ética, ou reduziu a ética ao subjectivismo — ao passo que a ética desigual de Aristóteles era racionalmente fundamentada, por mais que cause repulsa a muita gente.

O Iluminismo pode ser resumido em um conceito: retirada da ética da economia.

“A desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas com desigualdade justa” — Nicolas Gomez Dávila. Este conceito de “desigualdade justa” reflecte a reforma cristã do aristotelismo, por um lado, e por outro lado baseia-se no conceito aristotélico de “equidade” que não é a mesma coisa que “igualdade”.

Se fundamentarmos racionalmente a “desigualdade”, esta torna-se inteligível e assume uma forma lógica. O que não podemos é defender o conceito subjectivo de “desigualdade” imposto pelo marginalismo, por Hayek e pela escola de Chicago, que se aproxima do social-darwinismo.

Se a desigualdade é justa, é sempre boa para a economia; mas para ser justa, a desigualdade tem que se basear em uma ética universal (e não subjectivista), e por isso racionalmente fundamentada.

Terça-feira, 21 Abril 2015

A falsa dicotomia entre o epicurismo e o estoicismo

Filed under: ética,Igreja Católica — O. Braga @ 9:06 am
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“Admiramos um médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste, porque julgamos a doença um mal e esperamos diminuir-lhe a frequência.”

Temos aqui uma proposição consequencialista de um “filósofo” moderno 1 .


Na modernidade, a ética foi dividida artificialmente em duas facções: os epicuristas — que influenciaram Bentham e o utilitarismo —, e os estóicos — que influenciaram Kant, que diria, em oposição à proposição supracitada, o seguinte:

“Admiramos um médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste apenas e só pela sua acção e independentemente de quaisquer consequências.”

O estóico Kant não é virtuoso para proceder bem, mas antes procede bem para ser virtuoso — o que corresponde à ética luterana, em oposição à ética católica que se baseia — pelo menos até ao “papa Francisco” — nas obras e na acção do católico. Portanto, quando falamos em “Cristianismo” temos que saber de que espécie de Cristianismo estamos a falar.

Na frase em epígrafe, não passa pela cabeça do “filósofo” epicurista moderno mencionar o altruísmo do médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste: só lhe interessa a consequência da acção do médico. Porém, seja qual for a suposta motivação subjectiva do médico que arrisca a sua vida, essa motivação é sempre passível de ser objectivamente classificada de “altruísta”.

Ao estóico Kant, não lhe interessa saber quais as consequências dos actos da pessoa, porque o sábio estóico — que é o modelo a seguir — é considerado um ser perfeito.

O catolicismo propriamente dito valoriza o acto entendido em si mesmo (porque, para o catolicismo, as obras são importantes), mas essa valorização é feita no contexto da consequência desses actos.

O catolicismo tradicional não separa a causa e o efeito, exactamente porque “causa” e “efeito” são tautológicos“não há efeito sem causa”: cada um dos dois termos só se podem definir por intermédio um do outro. Não há nada que indique que os dois termos (causa e efeito) possam ser inscritos em um discurso puramente lógico (como erradamente pressupõem epicuristas e estóicos modernos).

Um católico diria assim:

“Admiramos um médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste, pelo valor ético do seu altruísmo e pela sua sensibilidade em relação ao sofrimento humano, na luta contra a doença.”


Nota
1. Não considero Bertrand Russell um filósofo, mas antes um estudioso de filosofia.

Sábado, 18 Abril 2015

A incoerência da teoria ética de Peter Singer

Filed under: ética — O. Braga @ 10:54 am
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Quando analisamos uma teoria ética, devemos ter em atenção três problemas:

1/ a consistência ou coerência interna da teoria ética;

2/ a consistência ou coerência da teoria ética em relação a outras concepções do autor da dita;

3/ a resposta da teoria ética de acordo com os nossos sentimentos éticos, ou de acordo com os sentimentos éticos do senso-comum.


Se, em relação aos pontos 1 e 2, a conclusão é negativa, a teoria ética não é válida, na medida em que existe um qualquer erro intelectual; mas se for negativa em relação ao ponto 3., não podemos dizer que o autor errou mas apenas que não estamos de acordo com a teoria.

Peter Singer baseia a sua teoria ética na oposição ao conceito de especismo.

O termo “especismo” foi cunhado pelo psicólogo inglês Richard Ryder e adoptado pelo “eticista” australiano Peter Singer.

Neste contexto, o especismo é (alegadamente) uma doutrina ética segundo a qual o ser humano, ou seja, o homo sapiens, é superior aos outros animais do ponto de vista ontológico, do ponto de vista biológico, e do ponto de vista moral.

O argumento de Peter Singer contra o especismo – a que podemos chamar “animalismo”, porque não encontramos até agora qualquer terminologia nesse sentido – , é o de que a pertença a uma determinada espécie biológica não tem qualquer importância moral, biológica e ontológica.

Contudo, a teoria ética de Peter Singer — a podemos chamar de “animalismo” — , como antítese do especismo, é incompatível com o darwinismo que considera o homo sapiens como o produto último da evolução biológica (ponto 2). Mas Peter Singer adopta também o darwinismo (ponto 1) na sua concepção ética.

Ou seja, existe uma incoerência ou uma inconsistência entre a teoria ética de Peter Singer (contra o especismo), por um lado, e por outro lado, outras concepções filosóficas dele (a favor da evolução darwinista).

Portanto, Peter Singer incorre em um erro intelectual e a sua teoria ética não é válida.

Terça-feira, 14 Abril 2015

O culto é a raiz de tudo

Filed under: ética,cultura,filosofia,Política — O. Braga @ 9:49 am
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“Ora, este é um dos pontos em que discordo da perspectiva de Rodrigo Constantino. Diz ele que devemos separar o autor, o criador, das opiniões políticas.

Que o actor pode ser um bom actor mas as suas opiniões desprezíveis. Certo, por sinal já pensei assim, hoje não. Não considero a possibilidade da separação entre as coisas, na medida em que vejo a pessoa como uma totalidade e como pertencente, para mais, a uma comunidade.

Não existe um indivíduo em parcelas, uma para a política, outra para o palco, outra para o dia-a-dia, etc. Tudo faz parte do todo. É também essa totalidade que tem de ser desmontada. E que não é, muitas vezes (para não dizer todas), pelos escritores liberais.”

Desconstruir a Esquerda caviar

Eu não sei quem é o Rodrigo Constantino (sou péssimo a fixar nomes), mas a julgar pelo trecho supracitado, também não concordo com ele.

Antes de mais temos que saber o que é um “bom actor”. Na arte (estética), como na ética, é difícil encontrar uma objectividade, e portanto um “bom actor” pode ser bom para o Constantino e não ser bom para mim.

É verdade que a neve é branca, mas já não é tanto verdade que “o actor é bom”. Temos que saber o que significa “bom”, e G E Moore ajuda-nos com a falácia naturalista.

Um indivíduo com icterícia veria a neve amarela, e para ele não faria sentido que se lhe dissesse que “a neve não é amarela” — a não ser que ele reconheça que tem icterícia. Uma pessoa pode padecer de uma “icterícia cultural” inconsciente e ver o mundo todo amarelo e convencer-se de que o vê de forma correcta. O “actor amarelo” do Constantino pode não ser o actor com cores normais.

A política expressa a cultura, e a cultura expressa o culto. O culto é a raiz de tudo. E o “actor amarelo” do Constantino — ou seja quem for — não deixa de se expressar segundo o seu culto. Ora, é o culto que pode estar objectivamente errado porque não tem em consideração o Absoluto. Um culto de uma pequena parte da realidade é um culto errado. Um culto de uma parte da realidade é doxa (opinião); um culto do Absoluto é episteme (sabedoria e conhecimento).

Uma coisa é o “actor amarelo” do Constantino que ama as coisas estéticas particulares que são belas, e por isso ele tem opinião; outra coisa, diferente, é amar a “beleza em si” que pertence ao Absoluto e que revela a objectividade da sabedoria e até do conhecimento (Platão).

É impossível separar o homem do seu culto. E é o seu culto que faz a sua cultura que, por sua vez, se reflecte nas suas opções políticas, estéticas e éticas.

Segunda-feira, 6 Abril 2015

Theodore Dalrymple fala do caso do co-piloto Lubitz da GermanWings

 

O conhecido psiquiatra Theodore Dalrymple diz, acerca do co-piloto da GermanWings que despenhou o avião matando 150 pessoas (ele incluído), que o problema deste não tinha qualquer tratamento psiquiátrico possível porque se tratava de um problema de carácter.

Theodore Dalrymple corrobora a minha opinião expressa aqui anteriormente: grande parte — senão a maioria — dos problemas ditos “psiquiátricos” que afligem a sociedade ocidental são realmente problemas sociológicos, ou dito de outra maneira, problemas culturais (doenças da cultura antropológica).

É impossível que os psiquiatras, em geral, não saibam disto. Sabem, mas escondem para alimentar o negócio e o lóbi político da psiquiatria.

“It seems to me likely (though I could not swear to it in a court of law) that Lubitz’s problem was one of character rather than of illness, and therefore unsusceptible to so-called treatment. Indeed, the very notion of such treatment might have been an obstacle to his self-amelioration, in so far as it would have given him the impression that he was ill and it was therefore up to others to cure him. When they failed to do so, which was inevitable, he felt absolved of responsibility for his own state.”

A “psiquiatrização” — o determinismo pseudo-científico psiquiátrico — da nossa sociedade faz com que psicopatas de origem congénita, hereditária ou epigenética, se sintam livres de fazer o que seja, alegando que “a ciência não os conseguiu curar”.

Psicopatas sempre os houve: a diferença é que hoje eles andam em roda livre porque não existe qualquer censura cultural (censura da cultura antropológica, estigmatização dos comportamentos, e os preconceitos necessários são diabolizados pela classe política), por um lado, e por outro lado porque o cientismo psiquiátrico tende a inibir o indivíduo de qualquer responsabilidade moral. Aliás, a moral já não existe: hoje diz-se que “cada um tem a sua moral”; ora, os valores da moral, ou são universais, ou não existem de facto.

“He was by all accounts a narcissistic type; and, as with many another, his enthusiasm for fitness wasn’t for fitness for any end other than a purely self-regarding one”.

O narcisismo sempre existiu nos seres humanos, mas a sua expressão generalizada, incontrolada, exacerbada e sem censura é um fenómeno contemporâneo. A atomização da sociedade, que as elites políticas impõem hoje, gera fenómenos de narcisismo radical. Para os narcisistas, a condição de anonimato é insuportável.

“Moreover, he is reported to have had a severe chagrin d’amour – or rather, I suspect, a crise de jalousie – not long before he crashed the aircraft. He was also said to have been a man of swiftly-changing mood, as the jealous often are: one minute domineering to the point of violence, the next apologetic and dove-like in their promises of reform. Such jealous men do not love the object of their supposed affections, but rather themselves: they need a lover as a prop to their own conception of themselves”.

Para além do problema de carácter, que é congénito ou hereditário, há um problema da formação da personalidade que é cultural. A formação da personalidade tem a ver com a educação, e mormente com a educação moral. Uma boa formação da personalidade pode mitigar traços de mau carácter.

O relativismo moral imposto pelas elites políticas à sociedade pulverizou qualquer conceito de moral — sendo que o sentido de um conceito só é definido por meio de uma experiência concreta. Os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional. O relativismo moral transformou a ética e a moral em fenómenos abstractos a que nem sequer podemos chamar de “conceitos”.

“As for cultural influences, I cannot help but think that our culture is propitious to the promotion of narcissism of the type that I suspect that Lubitz suffered from – or made others suffer from. Such narcissism is not new, for where human frailty is concerned there is nothing new under the sun: it is the frequency of the respective frailty rather than its novelty that is at issue”.

Uma boa formação — leia-se, uma boa educação que inclui a educação moral e o desenvolvimento da sensibilidade social — pode levar a uma alteração parcial das características congénitas, epigenéticas ou hereditárias do mau carácter. Antigamente tínhamos as aulas de religião e moral obrigatórias e universais: hoje temos o exemplo social da ética libertina da classe política e das elites em geral.

Sexta-feira, 3 Abril 2015

Professores universitários ingleses defendem que deveria ser legal matar uma criança nascida

 

« Parents should be allowed to have their newborn babies killed because they are “morally irrelevant” and ending their lives is no different to abortion, a group of medical ethicists linked to Oxford University has argued.

The article, published in the Journal of Medical Ethics, says newborn babies are not “actual persons” and do not have a “moral right to life”. The academics also argue that parents should be able to have their baby killed if it turns out to be disabled when it is born.

The journal’s editor, Prof Julian Savulescu, director of the Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics, said the article’s authors had received death threats since publishing the article. He said those who made abusive and threatening posts about the study were “fanatics opposed to the very values of a liberal society”. »

Killing babies no different from abortion, experts say

Eis o resultado da teoria ética darwinista, naturalista e utilitarista de Peter Singer.

baby-bornMuitos idiotas dizem que Karl Marx não foi co-responsável pelos Gulag soviéticos; ou que Nietzsche não foi co-responsável pelo nazismo, são os mesmos idiotas que dizem que o utilitarismo exacerbado de Peter Singer não é co-responsável pelo infanticídio.

Peter Singer não deveria apenas ser forçado a deixar a universidade: deveria ser preso e julgado por um novo crime a criar no ordenamento jurídico internacional: “crime contra a humanidade em potência” — porque as ideias têm consequências. Peter Singer pode ser comparado a um clérigo radical islâmico que defende o assassinato de pessoas inocentes: o lugar dele é na prisão.

Mas não só: professores de “filosofia”, como por exemplo o Rolando Almeida, que defendem publicamente as ideias de Peter Singer, deveriam ser forçados a abandonar o ensino. A tolerância tem os limites da misericórdia em relação ao ser humano: a impiedade em relação ao ser humano não pode ser, de modo nenhum, tolerada.

A liberdade de expressão tem limites. Por exemplo, não podemos tolerar  liberdade de expressão racista do Ku Klux Klan; assim como não podemos tolerar a liberdade de expressão de gente que segue a ideologia de Peter Singer. Não se trata, aqui, de um “politicamente correcto” da minha parte: trata-se da defesa da inviolabilidade da vida do ser humano, o que é uma questão metafísica que vai para além da ética exclusivamente humana e da política.

Se ter o direito de defender publicamente o assassínio de crianças nascidas faz parte do liberalismo político, então tratemos urgentemente de acabar com ele.

Sexta-feira, 27 Março 2015

O “suicídio colectivo” dos pilotos comerciais e o cientismo

Filed under: ética,cultura — O. Braga @ 6:56 am
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A Maria João Marques escreve aqui sobre os “perigos psicológicos”, sobre as “doenças psicológicas” que, entre outros casos, na última década têm levado ao “suicídio colectivo” de pilotos de aviões comerciais. Repito: na última década — porque tal nunca tinha acontecido desde o Dakota e o Super Constellation da década de 1950 até aos super jumbos de 2000.

super-constellation-tap-webMas a Maria João Marques não se questiona sobre a razão por que não existiram “suicídios colectivos” de pilotos durante 50 anos, e de repente e nos últimos 15 anos, aconteceram “uma data deles”. Prefere arrumar o problema nas gavetas da psicologia e da psiquiatria: “a ciência resolve todos os problemas da humanidade”.

Não é preciso ser psicólogo ou psiquiatra, ou licenciado em outra merda qualquer, para perceber que estamos perante um fenómeno cultural inédito. É uma coisa nova.

E devemos perguntar: se, durante 50 anos de aviação comercial, não foi precisa a psicologia e a psiquiatria para evitar “suicídios colectivos” de pilotos, então ¿por que razão presume a Maria João Marques que as ciências humanas e/ou sociais irão evitá-los no futuro?  

Se durante 50 anos nunca nenhum piloto sentiu a necessidade de se suicidar e levar consigo, para a morte, os passageiros, ¿por que razão este fenómeno passou a acontecer nos últimos 15 anos?

Esta é a pergunta que deveria ser respondida, e não tentando evitar a resposta incómoda — como faz a Maria João Marques — invocando a psicologia e a psiquiatria. Se alguma ciência humana pode ser chamada a estudar o fenómeno, é a sociologia, e não a psiquiatria ou a psicologia.

É certo que, até certo ponto, a psiquiatria pode detectar um psicopata, mas nem sempre. Estamos aqui no campo dos valores, no campo da ética que enforma uma determinada cultura antropológica, e por isso não há ciências humanas que valham para evitar mais “suicídios colectivos” de pilotos no futuro — a não ser que a liberdade do cidadão em geral vá sendo restringida em crescendo até ao advento de uma sociedade orwelliana: é assim que os liberais cientificistas se tornam totalitários (como eu compreendo o Carlos Abreu Amorim, que renegou o liberalismo!).

Por último: a Maria João Marques mistura o stress pós-traumático decorrente de uma situação de guerra de maior ou menor intensidade (soldados e polícias) com a situação do piloto comercial. Por aqui se vê a dificuldade que eu tive em analisar ideologicamente o verbete dela.

(imagem daqui).

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