perspectivas

Quarta-feira, 5 Julho 2017

O grau zero da ética

Filed under: ética,Desidério Murcho,filosofia,Peter Singer,Rolando Almeida — O. Braga @ 7:00 pm

 

Quando nós temos gente miserável, do ponto de vista ético, a dar aulas de filosofia aos nossos filhos ou netos, deparamo-nos com artigos destes ilustrados com imagens como esta aqui em baixo:

peter-singer-obesidade-custos

O problema ético da obesidade, segundo o Rolando Almeida (que segue o guru Peter Singer), são os “custos extras”.


Bobbi-Jo-Westley-webPodemos inferir do “raciocínio” do Peter Singer (que o Rolando Almeida venera) que “se a obesidade não tivesse custos extras” — por exemplo, se existisse a eutanásia compulsiva para os obesos — “não haveria qualquer problema ético com a obesidade”. E nada vale ao Rolando Almeida meter o Desidério Murcho na “cumbersa” — porque se o Desidério Murcho pensa da mesma maneira que o Rolando Almeida, é tão sabujo quanto ele.

Vemos, por exemplo, aqui ao lado a foto de uma mulher que pesa 250 kg e diz que se sente orgulhosa em ter as ancas mais largas do mundo com 2,41 metros.

Basta olharmos para ela para percebermos intuitivamente que o problema dela não são os “custos extras”; qualquer pessoa mentalmente saudável — que não seja o Rolando Almeida ou o Desidério Murcho — percebe intuitivamente que o problema dela é o da sua própria saúde, e que o valor da saúde dela está antes (vale mais do que) de qualquer custo material que possa existir em relação à sua condição existencial.

Por outras palavras: não existe qualquer consenso sobre quanto vale uma vida humana — mas o Peter Singer, o Rolando Almeida e o Desidério Murcho, entre outros, já fizeram as contas e já sabem quais são os “custos extras” de uma qualquer vida humana.

O problema acontece quando nos calha a nós próprios. O Peter Singer andou décadas a dizer que a vida dos doentes de Alzheimer não valia a pena ser vivida, mas quando a mãe dele contraiu a doença de Alzheimer, Peter Singer contratou as melhores enfermeiras para estarem com ela 24 horas por dia. E é este filho-de-puta incoerente que é adorado por “professores de filosofia” que escrevem livros, mas que têm um défice cognitivo evidente.

Reduzir os valores da ética aos “custos”, é de um cinismo inqualificável; ou é próprio de um mentecapto.


O verbete do Rolando Almeida em ficheiro PDF

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Segunda-feira, 12 Junho 2017

¿O que é a “felicidade”?

Filed under: ética,Kant,metafísica,Santo Agostinho — O. Braga @ 8:32 pm

 

“Penso que o ser humano é um eterno insatisfeito. Isto porque é habitual ele ambicionar tudo o que possa dar-lhe algum prazer na vida; só que depois de ter conseguindo adquirir o que no seu querer estava traçado, decorrido algum tempo inventa ou cria uma nova necessidade que o vai levar a um novo objectivo, que no fim também o não irá satisfazer cabalmente; então, prosseguirá nesta condição sedenta até que a senilidade, a loucura ou a morte, lhe batam à porta”.

UMA BOA QUESTÃO…


Se perguntarmos a uma pessoa (qualquer que seja) ¿o que é a felicidade?, ela não saberá dizer o que é. A felicidade não tem uma definição: nem colectiva, nem individual (assim como não podemos definir “realidade”).

O “direito à felicidade”, como justificação para as engenharias sociais (que o papa Chico aprova) que têm a ilusória pretensão de alterar a natureza humana, é uma das maiores fraudes éticas, ideológicas e políticas da modernidade.

Toda a ética que inclui na sua teoria o “direito à felicidade” (seja a felicidade individual, seja colectiva), é uma ética falsa e absurda. E toda lei positiva que preveja o “direito à felicidade” como seu fundamento, é um contra-senso que tem a sua origem em um sistema ético absurdo.

Santo Agostinho observou (e bem!) que todos os homens desejam ser felizes, e a felicidade define-se (no sentido comum) pela obtenção do maior prazer. Porém, a diversidade de objectos que os homens têm em vista no sentido de atingirem a mais elevada satisfação, revela bem que este desejo existe sem que o seu verdadeiro objecto, útil, utilitarista e prático [de felicidade], lhe seja claramente dado: “Todos querem ser felizes, mas nem todos procuram viver do único modo que permite viver feliz” através do amor a Deus: “quem sabe amar-se, ama a Deus”.

Kant pegou nesta ideia de Santo Agostinho e desenvolveu-a com requinte.

1. O desejo humano em relação aos objectos do mundo (o tal “direito à felicidade” que implica uma conduta interessada) não é compatível com a ética e com a moral, a não ser por puro acidente — se for uma motivação sensível (o desejo) a comandar o estabelecimento de uma norma (lei positiva ou regra moral), então qualquer mudança no objecto de desejo e de satisfação implica ipso facto uma reviravolta da conduta.

2. O “direito à felicidade” não se pode traduzir em uma lei prática ou regra moral. A ideia que cada ser humano tem de “felicidade” é uma ideia absoluta — que satisfaz em sumo grau o máximo de inclinações no decurso de uma duração indeterminada.

Porém, o que acontece na realidade concreta, é que a experiência humana da satisfação das inclinações individuais, é fragmentária, contingente e parcial. Logo, existe uma contradição entre a exigência de felicidade, por um lado, e a experiência humana concreta relativamente ao conhecimento dos elementos que a produzem, por outro lado.

Ou seja: para que o homem pudesse ser feliz, teria que ter ao seu dispor exactamente o oposto do conhecimento empírico e contingente dos meios para satisfazer a exigência de felicidade: o ser humano teria, neste caso, que ser Deus — o que é uma impossibilidade objectiva.

Os homens querem ser felizes, mas não sabem exactamente o que querem para ser felizes — Kant corrobora Santo Agostinho —, exigência que apenas a religião, mesmo nos limites da razão, pode satisfazer.

Uma vez que a ética deve ser universal (a ética é para todos), e que o Direito não deve reduzir a norma ao facto, o “direito subjectivo à felicidade” de cada ser humano não pode fundamentar uma regra ética (ou parte dela) nem uma lei positiva.

O “direito subjectivo à felicidade” é um ideal de imaginação (de cada indivíduo), e não um ideal da razão.

O “direito à felicidade da sociedade” é uma ficção. Uma regra moral é apenas objectivamente válida na ordem prática, da mesma forma que uma lei positiva é válida na ordem teórica — na medida em que uma regra moral se impõe sem condições contingentes e subjectivas (ou seja, uma regra moral, sendo universal, não pode depender da experiência isolada, das ficções e dos ideias de imaginação dos indivíduos).


O que está a acontecer na sociedade europeia (e não só) é uma tentativa de destruição do Estado de Direito através da pulverização das normas legais, reduzindo-as aos factos. E é sobretudo uma tentativa de destruição da ética através de uma atomização da sociedade, traduzida na recusa da universalidade da ética sob pretexto de que “cada indivíduo tem o direito” de ver o seu “direito à felicidade” traduzido nas regras morais, transformando a ética exactamente no seu contrário. E quem está por detrás desta tentativa da destruição do direito e da ética, são os promotores dos novos totalitarismos que se anunciam.


“No entanto, a insatisfação do ser humano é a força motriz que o impulsiona para os complicados meandros da ciência, com vista a reduzir o seu esforço físico e intelectual e encarrilar pelo itinerário materialista com vista à supremacia; no fundo, a sua verdadeira paixão.

A insatisfação obriga à invenção, seja do que for. Esse descontentamento é, indubitavelmente, a alma da criatividade e do talento que constituem o cadinho de onde é derramado todo o progresso até hoje conhecido.”

ibidem

É um erro pensar que por detrás das descobertas da ciência está “o desejo de felicidade”.

Quem estudou alguma coisa da filosofia da ciência (epistemologia) sabe que o avanço da ciência se deve à imaginação como faculdade do espírito (e que é independente do “desejo de felicidade”) — a imaginação não é simples imitação do real por imagens: consiste em produzir representações e, por isso, pressupõe uma actividade do espírito. Esta actividade não consiste apenas no facto de se representar objectos ou seres ausentes: consiste também na possibilidade de combinar as ideias ou de antecipar acontecimentos, e mesmo na faculdade de nos fazermos representar no que não existe (ou ainda não existe), ou seja, na imaginação criadora.

Podemos dizer, contudo, que a imaginação não cria verdadeiramente, mas antes que ela inventa combinações novas com elementos dados. No entanto, é necessário que as combinações sejam completamente livres. A imaginação criadora manifesta a liberdade do espírito que se confunde com a faculdade humana que “ir para lá” do dado, de pensar o ausente, o passado, o futuro e o possível — independentemente do desejo de felicidade.

O Anselmo Borges tem a mente cristalizada no sistema triclínico-positivista

 

"Pensa-se , de facto, de modo geral, que as religiões caem do céu, havendo até quem julgue que Deus revelou directamente verdades , nas quais é preciso acreditar sem razões…

A fé, no seu nível próprio, tem razões, de tal modo que está sujeita a verificações.

Há Teologia, precisamente porque a fé exige debate público."

Anselmo Borges

( "Francisco – Desafios à Igreja e ao Mundo ")

Não sei se esta citação é do Anselmo Borges ou se é do Chico. Parece ser do Anselmo Borges acerca do Chico. Seja como for, esta citação vem de uma mente relativamente estúpida, na medida em que se pretende “intelectualizada”.


É claro, para mim, que “Deus revelou directamente verdades”, para quem as consegue vislumbrar.

Por exemplo, o teorema de Pitágoras (h^2=a^2 + b^2) é verdadeiro se aplicado a um triângulo recto; podemos dizer que o teorema de Pitágoras é uma “verdade revelada directamente por Deus”. Ou os números primos, por exemplo: quem os descobriu não os inventou, porque os números primos são axiomáticos e são revelados directamente por Deus aos homens com um QI superior ao do Chico.

Ou: “Nenhum facto pode ser verdadeiro ou real, ou nenhum juízo pode ser correcto, sem uma razão suficiente.” (Leibniz).

O resultado do teorema de Pitágoras é um facto provido de uma razão suficiente, razão essa que é axiomática, e que por isso acreditamos nela sem razões que a fundamentem do ponto de vista da causalidade científica. E aquilo que é axiomático não pode ser debatido publicamente: não cabe na cabeça de um qualquer careca (nem na do Anselmo Borges) que se discuta publicamente se o teorema de Pitágoras é verdadeiro ou falso.


Portanto, a ideia do Anselmo Borges — ou do Chico — segundo a qual “Deus não nos revelou directamente verdades”, só pode vir de um mentecapto, de alguém que tem uma mente cristalizada no sistema ortorrômbico, ou no sistema triclínico-positivista.

Nós partimos da fé para a razão (como diz o S. Anselmo de Aosta), e não da razão para a fé (como diz o Anselmo “Bosta” Borges ). O que é fundamentado racionalmente (as tais “verificações” de que fala o Anselmo “Bosta” Borges) são os valores da ética, e não a fé. A fé é confiança em Deus, e esta não depende de qualquer fundamentação racional; e por isso não depende de qualquer debate público.

O Anselmo Borges faz uma confusão diabólica entre “valores da ética”, por um lado, e “fé”, por outro lado.

Por exemplo, o que eu critico no Islamismo é a ética muçulmana (baseada na Sharia) que é demoníaca — e não a fé do muçulmano. Há que distinguir entre a fé do muçulmano e os valores da ética exarados na Sharia.

O que está sujeito a verificação são os valores da ética, e não a fé propriamente dita. E o que exige debate público é a ética subjacente a uma determinada religião, e não propriamente a fé. Vê se aprendes, Anselmo Borges, seu burrinho!.


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Quarta-feira, 5 Abril 2017

Peter Singer diz que é eticamente correcto violar sexualmente deficientes mentais e crianças

Filed under: ética,Peter Singer,utilitarismo — O. Braga @ 11:48 am

 

Gostaria de saber como o Rolando Almeida (grande admirador de Peter Singer) e o guru Desidério Murcho irão descalçar esta bota.

No seu livro, “Pratical Ethics”, Peter Singer defende a ideia segundo a qual as crianças nascidas com deficiências devem ser assassinadas (voltamos ao tempo de Aristóteles); e vai mais longe: no caso de crianças nascidas com spina bifida, é moralmente errado e grave não as assassinar.

No caso de crianças nascidas com deficiências menos graves como, por exemplo, a hemofilia, Singer diz que a vida dessas crianças depende da opinião dos pais: se os pais se sentem felizes com um filho com hemofilia, então essa criança não é assassinada. Se o assassínio de uma criança hemofílica não tem consequências adversas em relação a outras pessoas — argumenta Singer —, então será eticamente correcto assassiná-la.

É este filho-de-puta que é professor de bioética da universidade de Princeton. E há outros filhos-de-puta parecidos com ele que controlam as decisões éticas universais em Portugal. É tempo de mudar, e radicalmente; este tipo de gente deve estar na prisão, e não nas universidades.


Mas o filho de um cabrão vai mais longe; em um artigo publicado no NYT, Peter Singer defende a ideia segundo a qual não é moralmente errado violar (sexualmente) pessoas deficientes cognitivas. [já estou a ver o Manuel Pureza e o Bloco de Esquerda a ficarem excitados com esta ideia]

Diz ele (Peter Singer), resumindo:

Se assumirmos que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não percebe o significado das relações sexuais, e/ou não percebe o significado da violação sexual, então essa pessoa é incapaz de dar um consentimento informado para relações sexuais; aliás, essa pessoa não tem sequer a noção do que é o “consentimento sexual”. Porém, parece ser razoável deduzir que a experiência da violação sexual seja prazenteira para essa pessoa deficiente — porque mesmo que tenha uma deficiência cognitiva, essa pessoa poderia oferecer resistência à violação sexual.

¿O que é que o cabrão do Peter Singer quer dizer com isto? Notem bem.

Peter Singer assume que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não tem a noção de “consentimento sexual”. E porque não tem a noção de “consentimento sexual”, não pode assumir esse consentimento sexual. E porque essa pessoa não resiste à violência sexual, é razoável assumir que o deficiente cognitivo “estava numa boa” enquanto estava a ser violado — o que significa que (segundo Peter Singer) é irracional que alguém pense que causaria qualquer dano o exercício de um acto sexual não-consensual com essa pessoa deficiente cognitiva.

Ou seja: se uma pessoa é “suficientemente” deficiente mental, então é correcto violá-la sexualmente, desde que essa pessoa deficiente não ofereça resistência. O argumento é exactamente o mesmo defendido por Singer a favor da bestialidade (o sexo com animais): Peter Singer coloca os animais, em geral, no mesmo plano ontológico de um ser humano deficiente cognitivo. E como as crianças também não têm a noção de “consentimento sexual”, Peter Singer defende a pedofilia, desde que as crianças não resistam à violação sexual do adulto.

Da próxima vez que o Rolando Almeida vier defender as teses de Peter Singer, vou ter que o insultar aqui.

O que é espantoso no argumento de Peter Singer é o seguinte: se uma pessoa não tem a noção de “consentimento sexual”, então não existe “violação sexual”. Seria, mais ou menos, como dizer que uma boneca insuflável não pode dar o consentimento sexual nem alegar violação sexual. Portanto, violar pessoas com deficiência cognitiva profunda é eticamente aceitável.

Sábado, 1 Abril 2017

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, a estupidez de Rui Rio, a ciência, o aborto e a eutanásia

 

A eutanásia — assim como o aborto — é uma questão de ética, e não propriamente de ciência.

Naturalmente que a ciência pode dar opinião, mas não adianta de nada, como podemos ver na questão do aborto: hoje a ciência diz que o ADN único e irrepetível do ser humano tem o seu início no momento da concepção, mas nem por isso a opinião da ciência é ouvida pela classe política.

Eu diria mesmo que chegamos a um ponto da nossa sociedade em que a opinião da ciência se tornou irrelevante, na medida em que a ciência é amiúde adulterada no sentido de justificar determinadas religiões políticas.

eutanasia-cadeiras


Na medida em que 1) o cientista deve procurar a objectividade; 2) em que a objectividade requer um despojamento de valores; 3) e em que o cientista é um sujeito [um ser humano] e a comunidade científica é composta por seres humanos [sujeitos] — a ciência [e sobretudo as ciências sociais] só muito raramente consegue libertar-se das valorações [éticas] da sua própria camada social, de modo a poder estabelecer uma independência valorativa e objectiva.

Em consequência, surgiu no século XX um fenómeno massivo de “liquidação do sujeito”, imposto por uma elite cientificista, e que se traduziu na emergência das religiões políticas totalitárias [por exemplo, o eugenismo característico dos “progressistas”, evolucionistas e socialistas; o nazismo e o comunismo]. Este processo cientificista de “liquidação do sujeito” levou a uma dissociação mental extrema entre a comunidade científica, e a uma inversão da moral.

O marxismo é um exemplo dessa dissociação mental extrema e da inversão da moral: por um lado, o marxismo liquida a ética e a moral [e também toda a filosofia], classificando-a de “subjectiva” e idealista, ao mesmo tempo que denuncia os tabus tradicionais e históricos (por exemplo, os tabus da cultura antropológica europeia do aborto e da eutanásia); e por outro lado, entrega-se a um excesso ético, que denuncia toda a oposição e crítica ao marxismo como um embuste, e estabelecendo simultaneamente novos tabus (Aquecimento Global, animalismo, etc.) contrapostos aos tabus tradicionais.

O marxismo — que se diz, dele próprio, científico — faz a crítica da nossa moral tradicional, mas de uma forma extremamente moralizante, e moralmente invertida e contra-natura. [ver mente revolucionária]

A ideia segundo a qual “o aborto e a eutanásia não são defendidas exclusivamente pela Esquerda, mas que, em vez disso, atravessam toda a sociedade”, é um embuste — a não ser que se reduza a Esquerda e a Direita à economia. O que se passa é que algumas pessoas que se dizem de Direita — como por exemplo, o economista Rui Rio — reduzem a realidade inteira à economia, e depois consideram-se mais inteligentes do que um qualquer analfabeto carrejão do Douro.

É evidente que o Rui Rio é um idiota útil.


eutanasia-velhariasEscreve o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada que “os médicos portugueses são, na sua grande maioria, contra a eutanásia”; mas são contra a eutanásia enquanto seres humanos dotados de sensibilidade, inteligência e intuição (que é uma forma de inteligência), e não enquanto médicos. Por exemplo, o João Semedo, do Bloco de Esquerda, é médico e é a favor da eutanásia. O problema é ético, e não científico.

A ética e a moral não podem ser definidas ou determinadas pela ciência.

A ideia de responsabilidade moral reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica.

A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas” — estas aqui entendidas no sentido naturalista [naturalismo ≡ cientificismo metodológico].

A Esquerda marxista (Partido Comunista, Bloco de Esquerda, José Pacheco Pereira e Partido Socialista) pretende destruir a sociedade em que vivemos, para por cima dos seus escombros construir uma sociedade totalitária (no caso de José Pacheco Pereira, uma espécie de República de Platão em que impere o rei-filósofo, ou seja, ele próprio) .

Portanto, a posição da Esquerda é perfeitamente compreensível. O que é mais difícil de compreender são os individualistas ditos “de Direita” — como Rui Rio: colocam o seu individualismo e libertarianismo ao serviço de uma agenda política colectivista e totalitária.

Quinta-feira, 14 Abril 2016

¿Você sabia? Eu não sabia!

 

“Sabia o leitor que as barrigas de aluguer vão hoje a votos no parlamento? Pois é, não sabia. Só sabemos e só discutimos aquilo que o BE e a ala jacobina do PS colocam na agenda dos noticiários.”

Ainda vamos a tempo

A democracia de Esquerda é assim: sub-informação e pseudo-informação.

Terça-feira, 15 Dezembro 2015

Mary Wagner foi presa outra vez

 

“People have often asked me if I could not simply stay outside the area I am forbidden to enter, and in that way, avoid arrest.”

“But this question forgets something: the children scheduled to be killed will have no one to stand up for them. We will stop being present to them and to their mothers out of obedience to an immorally imposed restriction by those entrusted with authority.”

(Mary Wagner)

Pro-life prisoner of conscience Mary Wagner arrested on Feast of Our Lady of Guadalupe

Já ouviram o papa-açorda Francisco referir-se ao nome de Mary Wagner? Jamais!

maryw-webMary Wagner foi presa pelo menos 6 vezes por entrar em clínicas de aborto e oferecer panfletos e flores às mães que pretendem abortar; e passou quatro anos na prisão por tentar dissuadir as mães a não abortar.

“As crianças condenadas à morte não têm ninguém que as defenda. Só desobedecendo a uma restrição imoral imposta pela autoridade podemos estar juntos das crianças e das mães”.

Esta frase de Mary Wagner segue a linha ideológica de S. Tomás de Aquino. Para S. Tomás de Aquino, a lei exprime a justiça na dimensão do espaço-tempo (no finito): se a lei não é justa, então nem sequer merece esse nome. Uma lei injusta não é lei. Perante uma lei injusta, não a cumprir não é desobedecer, mas simplesmente reconhecer que essa lei simplesmente não existe.

Mary Wagner é um daqueles seres humanos excepcionais que nascem de vez em quando. São pessoas raras. São pessoas que têm consciência de que têm uma missão a cumprir, e que o desígnio dessa missão as transcende.

Sexta-feira, 20 Novembro 2015

A Esquerda é mais inteligente do que a Direita

 

No discurso ético, político e jurídico, não devemos apresentar a nossa oposição a uma determinada ideia “útil” apresentando uma alternativa “útil”.

Ou, por outras palavras: não devemos apresentar uma alternativa utilitarista a uma ideia utilitarista — como se faz aqui. Não devemos apagar o fogo com gasolina. Vejamos este panfleto:

adohomo-utilitarista-web

Esta forma utilitarista de apresentar alternativas a ideias utilitaristas pode ser ilustrada da seguinte forma:

“Em Portugal não se justifica o aborto, porque existe uma distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.

A verdade é que o aborto não se justifica por si mesmo, independentemente da “distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.


Não podemos criar uma relação de nexo causal utilitarista entre o aborto, por um lado, e os preservativos e contraceptivos, por outro lado — até porque esse nexo não existe de facto. Estamos a falar de coisas diferentes; o aborto não é a mesma coisa que o onanismo sexual, por exemplo. E não podemos dizer que “o aborto não se justifica porque existe a possibilidade do onanismo sexual” — porque estaríamos a justificar a negação de uma acção utilitarista através de uma outra acção utilitarista.

A Direita que temos está embrutecida, porque se deixou vencer pelo utilitarismo, que é a expressão do positivismo na ética. Nem tudo o que é útil é bom; e quem não sabe ver a diferença entre aquilo que é útil, por um lado, e aquilo que é bom e/ou belo, por outro lado, é um utilitarista.

Pelo seu lado, a Esquerda é utilitarista quando lhe convém, porque tira partido da contradição endógena do utilitarismo entre uma proposição positiva (que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista), por um lado, e por outro lado, uma proposição normativa (que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”).

Por exemplo, a Esquerda é utilitarista nas matérias de costumes, porque lhe interessa destruir a tradição e a cultura antropológica. Mas já não é utilitarista, por exemplo, em matéria de economia: a posição da Esquerda em relação à privatização da TAP, por exemplo, é uma posição não-utilitarista.

A oposição à adopção de crianças por pares de invertidos deve ser justificada em si mesma, e não recorrendo a paliativos utilitaristas alternativos.

A Direita deve ter valores que não se submetam ao “útil”.

Terça-feira, 17 Novembro 2015

Pílula da morte, grátis, na Holanda

Filed under: ética — O. Braga @ 8:19 am
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Na Holanda prepara-se a legalização de distribuição gratuita da pílula da morte para pessoas com 70 ou mais anos. Qualquer pessoa com 70 ou mais anos, mesmo que não esteja doente, poderá dirigir-se a uma farmácia e requisitar grátis e livremente a pílula da morte, e suicidar-se.

pilula-da-morte

Domingo, 15 Novembro 2015

O Anselmo Borges e os escândalos do Vaticano

 

O Anselmo Borges fala aqui nos escândalos do Vaticano que se relacionam — segundo as palavras dele — com a ganância do dinheiro e do Poder. Mas o que ele não se refere — porque é tabu e mesmo uma heresia católica contemporânea — é à máfia alfazema 1 .

anselmo-borgesPara o Anselmo Borges, parece que os escândalos no Vaticano estão circunscritos ao dinheiro — o que é uma característica geral dos hodiernos, em geral.

Que se façam orgias gay no Vaticano, para o Anselmo Borges é apenas a manifestação de uma “orientação sexual”: o que é escandaloso, para o Anselmo Borges, é que os clérigos católicos gay não se possam casar uns com os outros, quiçá em “casamentos” múltiplos.

Ao contrário do que o Anselmo Borges diz, a principal razão por que o Papa Bento XVI resignou foi devido à influência da máfia alfazema no Vaticano, como se pode verificar com os dois sínodos realizados pelo papa-açorda Francisco, e nos quais alguns prelados afectos à máfia alfazema defenderam o reconhecimento da Igreja Católica do “casamento” gay. Há mesmo hoje um “teólogo” católico que diz que S. Tomás de Aquino era a favor do “casamento” gay.

A estratégia do Anselmo Borges não é nova, nem é dele: concentrando o conceito de “escândalo” na ganância do dinheiro, liberta a máfia alfazema da noção de “escândalo” aos olhos do povo católico. Para o Anselmo Borges, a luxúria e a imoralidade é reduzida ao desfrute do dinheiro.


Monsenhor Battista Ricca, braço-direito do “papa Francisco”

ricca-pope-francis[4]

Nota
1. lóbi gay dentro do Vaticano

Sexta-feira, 13 Novembro 2015

O politicamente correcto vê violência sexual em tudo o que mexe

Filed under: ética,Justiça,politicamente correcto — O. Braga @ 7:36 pm

 

Vemos aqui um caso em Inglaterra em que uma mulher lésbica utilizou uma prótese de um pénis para convencer uma outra mulher — esta última, heterossexual ou mulher propriamente dita — a ir com ela para a cama, pensando que a lésbica era um homem. Há que realçar os seguintes factos:

1/ não há qualquer indício de ausência de consentimento por parte da mulher propriamente dita; portanto, não se tratou de uma violação sexual, ou de utilização de violência para acto sexual;

2/ a mulher propriamente dita aceitou (livremente) usar uma venda nos olhos durante os contactos sexuais que se repetiram em dez ocasiões diferentes no tempo.

3/ a lésbica apanhou oito anos de cadeia.

O artigo defende a ideia de que a pena aplicada foi exagerada. E tem razão. Este caso deveria ser equiparado ao de uma fraude sexual (Artº 167 do Código Penal) ou em analogia com o crime de bigamia (Artº 247 do Código Penal), com pena máxima, em ambos os casos, de 2 anos de cadeia.

Terça-feira, 10 Novembro 2015

Os crimes-de-ódio e a liberdade de expressão

Filed under: ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:21 am
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Ursula-PresgraveEste texto traduz um dos maiores problemas da nossa sociedade actual: os chamados “crimes de ódio”. Uma galdéria inglesa que participa em “Reality Shows” (ver imagem de Ursula Presgrave) escreveu no FaceBook que “as crianças com Trissomia 21 deveriam ser abatidas”; foi levada a tribunal e condenada a 6 meses de prisão remíveis com 5 mil libras de multa.

O articulista, que é um libertário (provavelmente de direita), diz que a Justiça inglesa não tem nada a ver com aquilo que as pessoas dizem, alegadamente porque as pessoas são livres de dizer o que quiserem e “lhes der na real gana”, em nome da “liberdade de expressão”; e até invoca Stuart Mill para sustentar a “liberdade de expressão”.

O problema ético (com consequências jurídicas) é o seguinte: ¿há limites para a liberdade de expressão? ¿E havendo, quais são esses limites?

Hoje há uma grande confusão acerca do conceito de “crimes-de-ódio”, e a Esquerda é a responsável por essa confusão.

Por exemplo, se um padeiro cristão afirma que se recusa a fazer um bolo para um “casamento” gay, é acusado e julgado em tribunal por “crime-de-ódio” contra os homossexuais; mas se alguém disser que “os gays devem ser abatidos”, é igualmente acusado e julgado em tribunal por “crime-de-ódio”. Deixou de existir um critério racional seguro acerca do que é a “liberdade de expressão”, devido ao politicamente correcto e/ou marxismo cultural.

O senso-comum deixou de ter bom-senso.

Esta confusão propositada da Esquerda conduz à confusão dos libertários de Direita que, em função do radicalismo politicamente correcto que pretende controlar o pensamento do cidadão, tendem a tornar absoluto o conceito de “liberdade de expressão”. Uns dizem que o discurso deve ser censurado, e os outros dizem que não deve haver qualquer censura no discurso.

Desde logo existe o critério do “alarme social”.

Não é a mesma coisa que um “blogueiro” obscuro escreva que “os gays devem ser abatidos”, ou que alguém que apareça na televisão diga a mesma coisa. Quem aparece nos me®dia tem um alcance sócio-cultural muito maior.

Depois existe o critério do “atentado à integridade física da pessoa”.

Alguém que escreva, por exemplo, que “os gays devem ser abatidos”, revela uma intencionalidade objectiva de que se atente contra a integridade física dos homossexuais em geral, e enquanto pessoas.


Portanto, o limite absoluto da liberdade expressão é, em primeiro lugar, o discurso de atentado à integridade física da pessoa, e depois o alarme social que esse discurso pode causar. Estes critérios devem ser universais (aplicável à Esquerda e à Direita), criando um senso-comum baseado no bom-senso.

Depois temos as alegadas “injúrias”, as “difamações”, etc., que podem ser ou não, dependendo das decisões dos tribunais, e que fazem parte da liberdade de expressão. Mas atentar de forma verbal, pública e com alarme social contra a integridade física de uma pessoa (nascida ou nascitura) não pode deixar de ser crime.

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