perspectivas

Quarta-feira, 5 Abril 2017

Peter Singer diz que é eticamente correcto violar sexualmente deficientes mentais e crianças

Filed under: ética,Peter Singer,utilitarismo — O. Braga @ 11:48 am

 

Gostaria de saber como o Rolando Almeida (grande admirador de Peter Singer) e o guru Desidério Murcho irão descalçar esta bota.

No seu livro, “Pratical Ethics”, Peter Singer defende a ideia segundo a qual as crianças nascidas com deficiências devem ser assassinadas (voltamos ao tempo de Aristóteles); e vai mais longe: no caso de crianças nascidas com spina bifida, é moralmente errado e grave não as assassinar.

No caso de crianças nascidas com deficiências menos graves como, por exemplo, a hemofilia, Singer diz que a vida dessas crianças depende da opinião dos pais: se os pais se sentem felizes com um filho com hemofilia, então essa criança não é assassinada. Se o assassínio de uma criança hemofílica não tem consequências adversas em relação a outras pessoas — argumenta Singer —, então será eticamente correcto assassiná-la.

É este filho-de-puta que é professor de bioética da universidade de Princeton. E há outros filhos-de-puta parecidos com ele que controlam as decisões éticas universais em Portugal. É tempo de mudar, e radicalmente; este tipo de gente deve estar na prisão, e não nas universidades.


Mas o filho de um cabrão vai mais longe; em um artigo publicado no NYT, Peter Singer defende a ideia segundo a qual não é moralmente errado violar (sexualmente) pessoas deficientes cognitivas. [já estou a ver o Manuel Pureza e o Bloco de Esquerda a ficarem excitados com esta ideia]

Diz ele (Peter Singer), resumindo:

Se assumirmos que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não percebe o significado das relações sexuais, e/ou não percebe o significado da violação sexual, então essa pessoa é incapaz de dar um consentimento informado para relações sexuais; aliás, essa pessoa não tem sequer a noção do que é o “consentimento sexual”. Porém, parece ser razoável deduzir que a experiência da violação sexual seja prazenteira para essa pessoa deficiente — porque mesmo que tenha uma deficiência cognitiva, essa pessoa poderia oferecer resistência à violação sexual.

¿O que é que o cabrão do Peter Singer quer dizer com isto? Notem bem.

Peter Singer assume que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não tem a noção de “consentimento sexual”. E porque não tem a noção de “consentimento sexual”, não pode assumir esse consentimento sexual. E porque essa pessoa não resiste à violência sexual, é razoável assumir que o deficiente cognitivo “estava numa boa” enquanto estava a ser violado — o que significa que (segundo Peter Singer) é irracional que alguém pense que causaria qualquer dano o exercício de um acto sexual não-consensual com essa pessoa deficiente cognitiva.

Ou seja: se uma pessoa é “suficientemente” deficiente mental, então é correcto violá-la sexualmente, desde que essa pessoa deficiente não ofereça resistência. O argumento é exactamente o mesmo defendido por Singer a favor da bestialidade (o sexo com animais): Peter Singer coloca os animais, em geral, no mesmo plano ontológico de um ser humano deficiente cognitivo. E como as crianças também não têm a noção de “consentimento sexual”, Peter Singer defende a pedofilia, desde que as crianças não resistam à violação sexual do adulto.

Da próxima vez que o Rolando Almeida vier defender as teses de Peter Singer, vou ter que o insultar aqui.

O que é espantoso no argumento de Peter Singer é o seguinte: se uma pessoa não tem a noção de “consentimento sexual”, então não existe “violação sexual”. Seria, mais ou menos, como dizer que uma boneca insuflável não pode dar o consentimento sexual nem alegar violação sexual. Portanto, violar pessoas com deficiência cognitiva profunda é eticamente aceitável.

Sábado, 1 Abril 2017

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, a estupidez de Rui Rio, a ciência, o aborto e a eutanásia

 

A eutanásia — assim como o aborto — é uma questão de ética, e não propriamente de ciência.

Naturalmente que a ciência pode dar opinião, mas não adianta de nada, como podemos ver na questão do aborto: hoje a ciência diz que o ADN único e irrepetível do ser humano tem o seu início no momento da concepção, mas nem por isso a opinião da ciência é ouvida pela classe política.

Eu diria mesmo que chegamos a um ponto da nossa sociedade em que a opinião da ciência se tornou irrelevante, na medida em que a ciência é amiúde adulterada no sentido de justificar determinadas religiões políticas.

eutanasia-cadeiras


Na medida em que 1) o cientista deve procurar a objectividade; 2) em que a objectividade requer um despojamento de valores; 3) e em que o cientista é um sujeito [um ser humano] e a comunidade científica é composta por seres humanos [sujeitos] — a ciência [e sobretudo as ciências sociais] só muito raramente consegue libertar-se das valorações [éticas] da sua própria camada social, de modo a poder estabelecer uma independência valorativa e objectiva.

Em consequência, surgiu no século XX um fenómeno massivo de “liquidação do sujeito”, imposto por uma elite cientificista, e que se traduziu na emergência das religiões políticas totalitárias [por exemplo, o eugenismo característico dos “progressistas”, evolucionistas e socialistas; o nazismo e o comunismo]. Este processo cientificista de “liquidação do sujeito” levou a uma dissociação mental extrema entre a comunidade científica, e a uma inversão da moral.

O marxismo é um exemplo dessa dissociação mental extrema e da inversão da moral: por um lado, o marxismo liquida a ética e a moral [e também toda a filosofia], classificando-a de “subjectiva” e idealista, ao mesmo tempo que denuncia os tabus tradicionais e históricos (por exemplo, os tabus da cultura antropológica europeia do aborto e da eutanásia); e por outro lado, entrega-se a um excesso ético, que denuncia toda a oposição e crítica ao marxismo como um embuste, e estabelecendo simultaneamente novos tabus (Aquecimento Global, animalismo, etc.) contrapostos aos tabus tradicionais.

O marxismo — que se diz, dele próprio, científico — faz a crítica da nossa moral tradicional, mas de uma forma extremamente moralizante, e moralmente invertida e contra-natura. [ver mente revolucionária]

A ideia segundo a qual “o aborto e a eutanásia não são defendidas exclusivamente pela Esquerda, mas que, em vez disso, atravessam toda a sociedade”, é um embuste — a não ser que se reduza a Esquerda e a Direita à economia. O que se passa é que algumas pessoas que se dizem de Direita — como por exemplo, o economista Rui Rio — reduzem a realidade inteira à economia, e depois consideram-se mais inteligentes do que um qualquer analfabeto carrejão do Douro.

É evidente que o Rui Rio é um idiota útil.


eutanasia-velhariasEscreve o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada que “os médicos portugueses são, na sua grande maioria, contra a eutanásia”; mas são contra a eutanásia enquanto seres humanos dotados de sensibilidade, inteligência e intuição (que é uma forma de inteligência), e não enquanto médicos. Por exemplo, o João Semedo, do Bloco de Esquerda, é médico e é a favor da eutanásia. O problema é ético, e não científico.

A ética e a moral não podem ser definidas ou determinadas pela ciência.

A ideia de responsabilidade moral reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica.

A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas” — estas aqui entendidas no sentido naturalista [naturalismo ≡ cientificismo metodológico].

A Esquerda marxista (Partido Comunista, Bloco de Esquerda, José Pacheco Pereira e Partido Socialista) pretende destruir a sociedade em que vivemos, para por cima dos seus escombros construir uma sociedade totalitária (no caso de José Pacheco Pereira, uma espécie de República de Platão em que impere o rei-filósofo, ou seja, ele próprio) .

Portanto, a posição da Esquerda é perfeitamente compreensível. O que é mais difícil de compreender são os individualistas ditos “de Direita” — como Rui Rio: colocam o seu individualismo e libertarianismo ao serviço de uma agenda política colectivista e totalitária.

Quinta-feira, 14 Abril 2016

¿Você sabia? Eu não sabia!

 

“Sabia o leitor que as barrigas de aluguer vão hoje a votos no parlamento? Pois é, não sabia. Só sabemos e só discutimos aquilo que o BE e a ala jacobina do PS colocam na agenda dos noticiários.”

Ainda vamos a tempo

A democracia de Esquerda é assim: sub-informação e pseudo-informação.

Terça-feira, 15 Dezembro 2015

Mary Wagner foi presa outra vez

 

“People have often asked me if I could not simply stay outside the area I am forbidden to enter, and in that way, avoid arrest.”

“But this question forgets something: the children scheduled to be killed will have no one to stand up for them. We will stop being present to them and to their mothers out of obedience to an immorally imposed restriction by those entrusted with authority.”

(Mary Wagner)

Pro-life prisoner of conscience Mary Wagner arrested on Feast of Our Lady of Guadalupe

Já ouviram o papa-açorda Francisco referir-se ao nome de Mary Wagner? Jamais!

maryw-webMary Wagner foi presa pelo menos 6 vezes por entrar em clínicas de aborto e oferecer panfletos e flores às mães que pretendem abortar; e passou quatro anos na prisão por tentar dissuadir as mães a não abortar.

“As crianças condenadas à morte não têm ninguém que as defenda. Só desobedecendo a uma restrição imoral imposta pela autoridade podemos estar juntos das crianças e das mães”.

Esta frase de Mary Wagner segue a linha ideológica de S. Tomás de Aquino. Para S. Tomás de Aquino, a lei exprime a justiça na dimensão do espaço-tempo (no finito): se a lei não é justa, então nem sequer merece esse nome. Uma lei injusta não é lei. Perante uma lei injusta, não a cumprir não é desobedecer, mas simplesmente reconhecer que essa lei simplesmente não existe.

Mary Wagner é um daqueles seres humanos excepcionais que nascem de vez em quando. São pessoas raras. São pessoas que têm consciência de que têm uma missão a cumprir, e que o desígnio dessa missão as transcende.

Sexta-feira, 20 Novembro 2015

A Esquerda é mais inteligente do que a Direita

 

No discurso ético, político e jurídico, não devemos apresentar a nossa oposição a uma determinada ideia “útil” apresentando uma alternativa “útil”.

Ou, por outras palavras: não devemos apresentar uma alternativa utilitarista a uma ideia utilitarista — como se faz aqui. Não devemos apagar o fogo com gasolina. Vejamos este panfleto:

adohomo-utilitarista-web

Esta forma utilitarista de apresentar alternativas a ideias utilitaristas pode ser ilustrada da seguinte forma:

“Em Portugal não se justifica o aborto, porque existe uma distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.

A verdade é que o aborto não se justifica por si mesmo, independentemente da “distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.


Não podemos criar uma relação de nexo causal utilitarista entre o aborto, por um lado, e os preservativos e contraceptivos, por outro lado — até porque esse nexo não existe de facto. Estamos a falar de coisas diferentes; o aborto não é a mesma coisa que o onanismo sexual, por exemplo. E não podemos dizer que “o aborto não se justifica porque existe a possibilidade do onanismo sexual” — porque estaríamos a justificar a negação de uma acção utilitarista através de uma outra acção utilitarista.

A Direita que temos está embrutecida, porque se deixou vencer pelo utilitarismo, que é a expressão do positivismo na ética. Nem tudo o que é útil é bom; e quem não sabe ver a diferença entre aquilo que é útil, por um lado, e aquilo que é bom e/ou belo, por outro lado, é um utilitarista.

Pelo seu lado, a Esquerda é utilitarista quando lhe convém, porque tira partido da contradição endógena do utilitarismo entre uma proposição positiva (que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista), por um lado, e por outro lado, uma proposição normativa (que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”).

Por exemplo, a Esquerda é utilitarista nas matérias de costumes, porque lhe interessa destruir a tradição e a cultura antropológica. Mas já não é utilitarista, por exemplo, em matéria de economia: a posição da Esquerda em relação à privatização da TAP, por exemplo, é uma posição não-utilitarista.

A oposição à adopção de crianças por pares de invertidos deve ser justificada em si mesma, e não recorrendo a paliativos utilitaristas alternativos.

A Direita deve ter valores que não se submetam ao “útil”.

Terça-feira, 17 Novembro 2015

Pílula da morte, grátis, na Holanda

Filed under: ética — O. Braga @ 8:19 am
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Na Holanda prepara-se a legalização de distribuição gratuita da pílula da morte para pessoas com 70 ou mais anos. Qualquer pessoa com 70 ou mais anos, mesmo que não esteja doente, poderá dirigir-se a uma farmácia e requisitar grátis e livremente a pílula da morte, e suicidar-se.

pilula-da-morte

Domingo, 15 Novembro 2015

O Anselmo Borges e os escândalos do Vaticano

 

O Anselmo Borges fala aqui nos escândalos do Vaticano que se relacionam — segundo as palavras dele — com a ganância do dinheiro e do Poder. Mas o que ele não se refere — porque é tabu e mesmo uma heresia católica contemporânea — é à máfia alfazema 1 .

anselmo-borgesPara o Anselmo Borges, parece que os escândalos no Vaticano estão circunscritos ao dinheiro — o que é uma característica geral dos hodiernos, em geral.

Que se façam orgias gay no Vaticano, para o Anselmo Borges é apenas a manifestação de uma “orientação sexual”: o que é escandaloso, para o Anselmo Borges, é que os clérigos católicos gay não se possam casar uns com os outros, quiçá em “casamentos” múltiplos.

Ao contrário do que o Anselmo Borges diz, a principal razão por que o Papa Bento XVI resignou foi devido à influência da máfia alfazema no Vaticano, como se pode verificar com os dois sínodos realizados pelo papa-açorda Francisco, e nos quais alguns prelados afectos à máfia alfazema defenderam o reconhecimento da Igreja Católica do “casamento” gay. Há mesmo hoje um “teólogo” católico que diz que S. Tomás de Aquino era a favor do “casamento” gay.

A estratégia do Anselmo Borges não é nova, nem é dele: concentrando o conceito de “escândalo” na ganância do dinheiro, liberta a máfia alfazema da noção de “escândalo” aos olhos do povo católico. Para o Anselmo Borges, a luxúria e a imoralidade é reduzida ao desfrute do dinheiro.


Monsenhor Battista Ricca, braço-direito do “papa Francisco”

ricca-pope-francis[4]

Nota
1. lóbi gay dentro do Vaticano

Sexta-feira, 13 Novembro 2015

O politicamente correcto vê violência sexual em tudo o que mexe

Filed under: ética,Justiça,politicamente correcto — O. Braga @ 7:36 pm

 

Vemos aqui um caso em Inglaterra em que uma mulher lésbica utilizou uma prótese de um pénis para convencer uma outra mulher — esta última, heterossexual ou mulher propriamente dita — a ir com ela para a cama, pensando que a lésbica era um homem. Há que realçar os seguintes factos:

1/ não há qualquer indício de ausência de consentimento por parte da mulher propriamente dita; portanto, não se tratou de uma violação sexual, ou de utilização de violência para acto sexual;

2/ a mulher propriamente dita aceitou (livremente) usar uma venda nos olhos durante os contactos sexuais que se repetiram em dez ocasiões diferentes no tempo.

3/ a lésbica apanhou oito anos de cadeia.

O artigo defende a ideia de que a pena aplicada foi exagerada. E tem razão. Este caso deveria ser equiparado ao de uma fraude sexual (Artº 167 do Código Penal) ou em analogia com o crime de bigamia (Artº 247 do Código Penal), com pena máxima, em ambos os casos, de 2 anos de cadeia.

Terça-feira, 10 Novembro 2015

Os crimes-de-ódio e a liberdade de expressão

Filed under: ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:21 am
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Ursula-PresgraveEste texto traduz um dos maiores problemas da nossa sociedade actual: os chamados “crimes de ódio”. Uma galdéria inglesa que participa em “Reality Shows” (ver imagem de Ursula Presgrave) escreveu no FaceBook que “as crianças com Trissomia 21 deveriam ser abatidas”; foi levada a tribunal e condenada a 6 meses de prisão remíveis com 5 mil libras de multa.

O articulista, que é um libertário (provavelmente de direita), diz que a Justiça inglesa não tem nada a ver com aquilo que as pessoas dizem, alegadamente porque as pessoas são livres de dizer o que quiserem e “lhes der na real gana”, em nome da “liberdade de expressão”; e até invoca Stuart Mill para sustentar a “liberdade de expressão”.

O problema ético (com consequências jurídicas) é o seguinte: ¿há limites para a liberdade de expressão? ¿E havendo, quais são esses limites?

Hoje há uma grande confusão acerca do conceito de “crimes-de-ódio”, e a Esquerda é a responsável por essa confusão.

Por exemplo, se um padeiro cristão afirma que se recusa a fazer um bolo para um “casamento” gay, é acusado e julgado em tribunal por “crime-de-ódio” contra os homossexuais; mas se alguém disser que “os gays devem ser abatidos”, é igualmente acusado e julgado em tribunal por “crime-de-ódio”. Deixou de existir um critério racional seguro acerca do que é a “liberdade de expressão”, devido ao politicamente correcto e/ou marxismo cultural.

O senso-comum deixou de ter bom-senso.

Esta confusão propositada da Esquerda conduz à confusão dos libertários de Direita que, em função do radicalismo politicamente correcto que pretende controlar o pensamento do cidadão, tendem a tornar absoluto o conceito de “liberdade de expressão”. Uns dizem que o discurso deve ser censurado, e os outros dizem que não deve haver qualquer censura no discurso.

Desde logo existe o critério do “alarme social”.

Não é a mesma coisa que um “blogueiro” obscuro escreva que “os gays devem ser abatidos”, ou que alguém que apareça na televisão diga a mesma coisa. Quem aparece nos me®dia tem um alcance sócio-cultural muito maior.

Depois existe o critério do “atentado à integridade física da pessoa”.

Alguém que escreva, por exemplo, que “os gays devem ser abatidos”, revela uma intencionalidade objectiva de que se atente contra a integridade física dos homossexuais em geral, e enquanto pessoas.


Portanto, o limite absoluto da liberdade expressão é, em primeiro lugar, o discurso de atentado à integridade física da pessoa, e depois o alarme social que esse discurso pode causar. Estes critérios devem ser universais (aplicável à Esquerda e à Direita), criando um senso-comum baseado no bom-senso.

Depois temos as alegadas “injúrias”, as “difamações”, etc., que podem ser ou não, dependendo das decisões dos tribunais, e que fazem parte da liberdade de expressão. Mas atentar de forma verbal, pública e com alarme social contra a integridade física de uma pessoa (nascida ou nascitura) não pode deixar de ser crime.

Domingo, 1 Novembro 2015

A falácia naturalista de Epicuro

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 6:24 am
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« Epicuro, na Carta a Meneceu, defende que estar morto nunca é um mal para quem morre. Por isso, não nos devemos incomodar ou ter medo da nossa futura condição de estar morto. Epicuro justifica que estar morto não é um mal para quem morre argumentando que “todo o mal e todo o bem assentam na sensação e a sensação acaba com a morte”. »

Será mau estar morto? Um argumento de Epicuro


Podemos comparar a tese de Epicuro com a tese de Peter Singer segundo a qual os seres humanos com deficiências graves não têm qualquer direito à vida porque, diz este, a situação real de um deficiente grave é “uma vida que não vale a pena”.

Tal como Peter Singer, Epicuro incorre em uma sofisma naturalista, visto não se poder tirar conclusões morais de um facto — por exemplo, o facto de os homens, em geral, terem barba não significa que todos devam deixar crescer a barba; não se retira (de forma automática e necessária) do facto de os homens terem barba uma obrigação de deixar crescer a barba.

Epicuro não pode dizer se “a morte é boa ou má para quem morre”, porque não pode tirar conclusões morais de um facto; e porque ele teria que pré-definir o “bom” e o “mau”. Ora, “bom” é uma proposição sintética; não podemos identificar o “bom” ou o “mau” com a sensação, com o prazer ou com o desejo: o conteúdo do conceito de “bondade” (ou “maldade”) é indefinível, inefável e intuitivo.


Ademais, Epicuro “aplaina” o subjectivo, ou seja, ignora o conceito de “auto-referencialidade”. Vejamos a seguinte frase:

“Houve um tempo em que eu não vivia, e chegará um tempo em que não viverei”.

Na tentativa de pensar a minha não-existência (por exemplo, a minha morte), tenho que inventar uma imagem de mim próprio como se fosse outra pessoa. Porém, é um facto que nunca poderei sair de mim próprio de modo a pensar-me a partir do exterior. Se me penso a partir do exterior, não me penso a mim; se me penso a partir do meu interior, então não posso pensar como seria não-existir.

Em suma: quando Epicuro afirma que “chegará um tempo em que estarei morto, e isso não será mau”, tenta pensar a sua não-existência — porém, o Eu não pode compreender-se a si próprio e (simultaneamente) para si próprio —, por um lado, e incorre em uma falácia naturalista, por outro lado.


Finalmente, a primeira premissa de Epicuro está errada. A premissa é a seguinte: “Não somos afectados por um evento ou estado de coisas antes de acontecer”.

Esta premissa é falsa. Por exemplo, se a NASA anunciar que um meteoro com 2 quilómetros de diâmetro terá uma probabilidade de embater na Terra dentro de 30 anos, esse evento provável, embora não ocorrido, vai afectar-nos a nível psico-somático. Mesmo que tentemos ignorar a morte eminente e imanente, ela não desaparece das nossas vidas (a não ser que sejamos loucos).

Terça-feira, 20 Outubro 2015

O determinismo dá muito jeito quando aplicado aos outros

Filed under: ética — O. Braga @ 10:50 am
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Até hoje ainda ninguém me conseguiu explicar como se pode acreditar no determinismo aplicado ao ser humano sem exista uma possibilidade de escolher acreditar no determinismo aplicado ao ser humano.

Domingo, 18 Outubro 2015

A confusão ontológica do Rolando Almeida entre um bebé e um touro

Filed under: ética — O. Braga @ 11:42 am
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Escreve o Rolando Almeida:

Assistimos hoje em dia a inúmeras discussões sobre a moralidade das touradas. Ocorre ocasionalmente o seguinte argumento:

“Os animais não humanos não têm quaisquer direitos morais, pois também não têm deveres. E só tem direitos quem tem deveres. Como os animais não têm deveres, logo, não têm direitos”

Podemos recorrer a um argumento válido, sólido e cogente para refutar este argumento:

(P1) Se só possuísse direitos morais quem tem deveres morais, então os bebés não teriam direitos, pois não têm quaisquer deveres.

(P2) Ora, os bebés possuem direitos, mas não têm deveres morais

(c) Logo, é falso que só possui direitos quem tem deveres.


Premissa 1: O genoma de um bebé é diferente do de um touro;
Premissa 2: um bebé é um ser humano adulto em potência, porque tem um genoma idêntico ao de um ser humano adulto;
Conclusão: Logo, é um sofisma atribuir a um touro os direitos idênticos aos de um bebé, ou fazer uma comparação entre direitos de um touro e os de um bebé.

Explicando o raciocínio:

1/ O genoma de um ser humano determina a noção de “direito”, na medida em que só os seres humanos têm direitos propriamente ditos.

2/ Um touro não tem direitos, na medida em que não os pode atribuir a si mesmo; quem atribui direitos ao touro é o ser humano, por extensão dos que este já tem por natureza, ou por mimetismo cultural: é o ser humano que dá direitos ao touro (seja o touro adulto, ou não), e não é o touro que atribui direitos a si mesmo.

3/ O ser humano tem direitos per se que decorrem da sua racionalidade que é ontologicamente exclusivista.

4/ Dado que os genomas de um ser humano adulto e o de um bebé são idênticos, segue-se que um bebé é um adulto em potência — ao passo que um touro nunca é nem será um ser humano em potência.

5/ Portanto, um touro e um bebé, ou um touro e um ser humano em coma, por exemplo, não podem ter os mesmos direitos (ou direitos idênticos, ou direitos semelhantes) porque são ontologicamente diferentes.

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