perspectivas

Quarta-feira, 19 Julho 2017

A formidável inimiga da Esquerda, e a única capaz de a derrotar, é a chamada Direita Alternativa

 

Quando emitimos uma opinião, sobre qualquer assunto, é porque queremos que toda a gente concorde connosco.

Mesmo que digamos que não pretendemos obrigar alguém a seguir a nossa opinião, esta nossa pretensão negativa pretende vincular todas as pessoas que nos ouvem: queremos convencer os outros de que “não queremos convencer os outros”. Ou seja, uma opinião é sempre uma forma de coerção através da persuasão.


Este texto da Maria João Marques começa com uma contradição, que consiste em apenas aceitar a liberdade negativa e negar a liberdade positiva, por um lado, e por outro lado, ela nega (pelo menos implicitamente) que a opinião dela pretenda vincular ou persuadir quem a lê — o que é uma contradição em termos.

O problema do libertarianismo, e dos seus promotores com cabeça de alho chocho, é o de que desprezam a liberdade positiva; e depois invocam o Iluminismo para justificar esse desprezo — quando o maior filósofo do Iluminismo, Immanuel Kant, não concebeu a liberdade negativa  sem a liberdade positiva 

É claro que o libertarianismo não tem argumentos para combater a Esquerda, porque a Esquerda actual adoptou uma dialéctica utilitarista (“joga em dois carrinhos, ou em dois tabuleiros”): por um lado, é normativa quando faz uso da liberdade positiva que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número"; e simultaneamente defende a liberdade negativa (no Direito Positivo) que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista.

Os libertários só defendem a liberdade negativa — ou seja, “cada um é como é, desde que não me chateiem”.

Em suma, quando defendemos a liberdade negativa do indivíduo, temos que ter em conta a liberdade positiva do “cidadão-legislador” — e não fazer de conta que se ignora a liberdade positiva. Ou seja: “o outro é livre, mas eu tenho uma opinião acerca do tipo de liberdade desse outro, e segundo a qual eu quero que se transforme em lei”; e é assim que a Esquerda raciocina. E através da dialéctica utilitarista entre a liberdade negativa e positiva, a Esquerda vai restringindo as liberdades individuais (da maioria) em nome das “liberdades individuais” (de uma pequeníssima minoria).

Por tudo isto é que o tipo de “Direita” a que pertence a Maria João Marques já perdeu a batalha com o marxismo cultural. Ela apenas vive em estado de negação. Como escreveu o poeta, essa Direita “jaz morta e arrefece”. A “Direita” que apoiou (explicita- ou implicitamente) o "casamento" gay e a adopção de crianças por pares de invertidos, não tem autoridade de direito — nem autoridade de facto — para se bater contra a ideologia de género, que é a ideologia contra a qual se revolta a Maria João Marques.


Em Portugal, 1 em cada 4.500 crianças nascidas é hermafrodita. Ou seja: 0,02% das crianças nascidas é hermafrodita porque têm os dois sexos. ¿O faz a Esquerda (marxismo cultural)? “Agarra-se” a esses 0,02% e, em nome dos seus alegados “direitos”, impõe uma ditadura da minoria aos restantes 99,98% de pessoas que não são hermafroditas e que têm o sexo biologicamente definido.

Mas a Esquerda (marxismo cultural) vai mais longe: se uma pessoas com cromossomas XY se identifica subjectivamente como sendo mulher, então, segundo a Esquerda, ele deve ser tratado e identificado como mulher. É neste sentido que surgiu a polémica nos Estados Unidos em volta do processo judicial de Yvette Cormier contra o Estado do Michigan, em que ela foi expulsa de um ginásio porque apresentou uma reclamação contra a presença de um homem (que se dizia “transgénero”) no balneário feminino.

 

Ou seja, o transgenderismo é visto pela Esquerda (absurdamente) como uma forma de identidade — ao contrário do que escreveu a Maria João Marques. Seria absurdo, por exemplo, que eu me identificasse subjectivamente como negro, embora eu fosse branco; mas, para a Esquerda, já não é absurdo que alguém com cromossomas XY se identifique subjectivamente como sendo alguém com cromossomas XX (ou vice-versa).


O que está em causa é o ataque do marxismo contra a  família natural; a chamada “super-estrutura”, segundo referido por Karl Marx no seu livro “Das Kapital”, nada mais é do que a moral cristã.

A moral cristã é a “super-estrutura”, segundo o marxismo; a família natural, que é a base da moral cristã (a base da “super-estrutura”) é a inimiga a abater pelo marxismo, mas também pelo libertarismo de Ayn Rand — e por isso é que gente da laia da Maria João Marques já perdeu a guerra: resta-lhes esbracejar antes de se afogarem na corrente de lodo moral que elas próprias ajudaram a fazer correr.

A formidável inimiga da Esquerda, e a única capaz de a derrotar, é a chamada Direita Alternativa.

Segunda-feira, 15 Maio 2017

Ela deve estar c’o penso

 

Ela pensa que pensa, quando deve estar com o penso.


Pelo menos desde 1891, com a encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII, que a Igreja Católica faz uma crítica àquilo que se convencionou chamar de “capitalismo selvagem”, que se reduz ao darwinismo social que é aliás, a substância ideológica de um certo tipo de “libertarismo” que caracteriza, por exemplo, Nozick ou Ayn Rand.

Mas recuemos à Idade Média.

A Igreja Católica, ou instituições ligadas à Igreja Católica, fundaram em Itália de fins do século XV, a rede de Bancos Monti Di Pietá (que deu origem ao nosso Banco Montepio) para combater a especulação financeira dos judeus que emprestavam dinheiro a juros altíssimos. Reparem bem: os primeiros Bancos do mundo foram fundados pela Igreja Católica do século XV! E já não falamos na actividade bancária dos Templários no século XIII, e dos franciscanos menores do século XII que inventaram o Prémio de Seguro de Risco.

Portanto, a Igreja Católica nunca foi contra o capitalismo; a Igreja Católica era contra o abuso de posição privilegiada de um certo tipo de capitalismo que o católico G. K. Chesterton resumiu assim:

« Quando eu uso o termo capitalismo, eu quero significar o seguinte: “A condição económica na qual existe uma classe de capitalistas, mais ou menos reconhecível e relativamente pequena, em cuja posse está concentrada a maioria do capital e de tal forma que uma larga maioria dos cidadãos servem esses capitalistas em troca de um salário”.

Este estado de coisas, em particular, pode existir e existe mesmo, e devemos ter uma qualquer designação para ele e uma qualquer forma de o discutir. Mas essa palavra (capitalismo) é, sem dúvida, uma má palavra, porque é utilizada no sentido de significar outras realidades diferentes.

Algumas pessoas identificam “capitalismo”, por um lado, com “propriedade privada”, por outro lado. Outras supõem que “capitalismo” significa qualquer coisa que envolva o uso de capital. Mas se este tipo de uso da palavra “capitalismo” é literal, também é demasiado alargado e abrangente. Se o uso do capital é “capitalismo”, então tudo é capitalismo. O bolchevismo é capitalismo e o comunismo anarquista é capitalismo: e todos os esquemas revolucionários, selvagens que sejam, continuam a ser capitalismo. »

→ G.K. Chesterton: "The Outline of Sanity."

ou ainda:

“Too much capitalism does not mean too many capitalists, but too few capitalists.”

→ G. K. Chesterton : ‘The Uses of Diversity.’

(Demasiado capitalismo não significa a existência de demasiados capitalistas, mas antes significa a existência de muito poucos capitalistas).


O “capitalismo selvagem”, de que nos falou o Papa João Paulo II e o Papa Bento XVI, é o tipo de capitalismo que tem muito poucos capitalistas — que é o capitalismo defendido pelo Nozick e pelos pseudo-libertários que falam em nome de Von Mises.

O que nós precisamos — e é o que a Igreja Católica sempre defendeu — é um capitalismo com muitos capitalistas, e se possível, um capitalismo que promova, em cada cidadão, um capitalista. Ora, é este tipo de capitalismo do “cidadão capitalista” que os Rothschild, os Rockefeller, e outros globalistas, não querem ver no mundo (por várias razões que não cabem agora aqui).

o-papa-nao-e-comunista-web

O que se passa com o papa Chico é coisa diferente. João Paulo II visitou Cuba para atenuar a perseguição aos católicos por parte do regime comunista, em troca de uma visibilidade internacional de pseudo-tolerância religiosa cubana.

Em contraponto, o Chico tem uma predilecção especial por todos os ditadores de Esquerda da América Latina, por um lado, e, por outro lado, o Chico é contra o capitalismo privado mas é a favor do capitalismo de Estado. Ou seja, o Chico é, no mínimo, socialista (para não dizer comunista).

Chama-se “capitalismo de Estado” ao sistema no qual o Estado é proprietário dos meios de produção. Ora, nunca foi este o tipo de capitalismo (de Estado) defendido pelos Papas João Paulo II e Bento XVI; jamais!

Quando a Maria João Marques está com o penso, pensa que pensa.

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