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Sexta-feira, 28 Abril 2017

Fátima, e o Santo Anselmo Borges (1)

Filed under: Anselmo Borges,Fátima,Igreja Católica,Padre Pio de Pietrelcina — O. Braga @ 11:44 am

 

Num momento em que os dois pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta, vão ser canonizados, o Anselmo Borges diz que “Fátima não é dogma de fé”.

Porém, a canonização, entendida exclusivamente em si mesma, é dogma de fé.

Portanto, podemos dizer que Fátima é dogma de fé por via indirecta — ou seja, por via da canonização dos pastorinhos que estão directamente ligados à causa do fenómeno de Fátima.

“Deve ficar claro, desde o princípio, que Fátima não é dogma de fé. Que é que isto significa? Que se pode ser bom católico e não acreditar em Fátima. Fátima não faz parte do Credo”.

O que eu penso sobre Fátima (1)

O Santo Padre Pio Vimos como se destrói o argumento do Anselmo Borges em duas penadas: de duas, uma: ou o Anselmo Borges não consente e não aceita a canonização dos pastorinhos, e então, segundo este raciocínio, “não é preciso acreditar em Fátima para ser católico”; ou o Anselmo Borges consente e aceita a canonização de Francisco e Jacinta, e então, Fátima passa a fazer parte do dogma de fé subjacente à própria canonização (entendida em si mesma) dos dois pastorinhos.

Ou ainda: para ser coerente, o Anselmo Borges deveria estar contra a canonização dos pastorinhos, e expressar essa sua opinião abertamente em público. Mas isso ele não faz, porque “não fica bem”.


“Fátima não ocupa nem pode ocupar o centro do cristianismo, o centro é Jesus de Nazaré, confessado como o Cristo, portanto, Jesus Cristo, e o Deus de Jesus e as pessoas, todas”.

ibidem

O S. Padre Pio de Pietrelcina dizia o seguinte:

« Quando vires uma imagem de Maria, diz-lhe: “Maria, saúdo-te! E dá os meus cumprimentos ao Teu filho, Jesus!” »


Naturalmente que sabemos que o S. Padre Pio de Pietrelcina, quando comparado com o Santo Anselmo Borges, é uma merda.

O Santo Anselmo Borges representa o progresso do Concílio do Vaticano II, a Nova Teologia (é nova! Por isso, é melhor!) que pretende substituir a doutrina católica tradicional, e a aproximação revolucionária da Igreja Católica ao luteranismo; é neste sentido que dizemos que o S. Padre Pio de Pietrelcina é uma merda quando comparado com o Santo Anselmo Borges.


Há fenómenos que não fazem parte do Credo e são dogmas de fé, directa- ou indirectamente.

Terça-feira, 25 Abril 2017

“É preciso uma esquerda católica” — disse o Emplastro de Lisboa

 

Marcelo Rebelo de Sousa pode ser especialista em Direito, mas é um aldrabão; ele não resistiria a um confronto ideológico comigo (e olhem que eu não sou grande coisa); e o problema da política portuguesa é a direitinha educadinha que não entra em confronto com os deuses instalados nas suas torres de marfim. Mas lá chegará o dia…

Não é possível ser de Esquerda sem ser marxista (marxista clássico, ou marxista cultural, ou as duas coisas). Aliás, essa foi uma das conclusões de Karl Marx ao criticar o socialismo utópico da França do século XIX.

Só um burro do calibre de Marcelo Rebelo de Sousa — grande asno! — pode dizer que “é preciso uma Esquerda católica”, o que é uma contradição em termos: um católico não pode ser marxista, e portanto, não pode ser de Esquerda. A ideia segundo a qual Jesus Cristo era marxista só pode vir de um animal como Marcelo Rebelo de Sousa.

emplastro de lisboa web

Sexta-feira, 21 Abril 2017

O Bispo D. Carlos Azevedo gosta mais de “aparições” concretas do que de “visões” platónicas

Filed under: Igreja Católica,Anselmo Borges,Fátima — O. Braga @ 2:07 pm

 

O D. Carlos Azevedo gosta mais de “aparições” do que de “visões”. Ele é mais para o concreto, e menos para o platónico. Que ganhe juízo, que já tem idade para isso.

hmossecualidadeeraconhecida

Quer o Bispo dizer: uma pessoa vê (tem visões); mas aquilo que a pessoa vê, não aparece (não é aparição). Por exemplo, eu vejo o Manel, mas o Manel não é uma aparição: é apenas uma visão. Eu penso que vi o Manel, mas não o vi — porque não convém ao Bispo que eu tenha visto o Manel.

E o bispo, à laia do Groucho Marx, pergunta-me:

“ ¿Acreditas no que os teus olhos mentirosos vêem, ou naquilo que eu te digo?”

E como ele é Bispo e tem uma autoridade de direito concedida pela Igreja Católica do Vaticano II, eu começo a duvidar daquilo que vi; se calhar, o Bispo tem razão: o que eu vi não era o Manel! Era apenas uma visão do Manel que não existe de facto.

Talvez o Manel não exista senão na minha tola. Talvez não seja má ideia que eu dê entrada num manicómio; e com jeitinho, arrebanha-se, em campos de concentração para insanos, aquela gentalha toda católica que se reúne em Fátima, e que não gosta de gente com « passiones ignominiae », « usum contra naturam » e « turpitudinem operantes » (Romanos 1, 26-27).

É um Bispo intelectual. É tão intelectual que entra pela metafísica da linguagem adentro:

"Basta pensar que Maria, Mãe de Jesus, não aprendeu português para dialogar com Lúcia, para nos interrogarmos sobre como acontece o processo comunicativo do que se entende por visão".

Fátima: "Não foram aparições, foram visões"

Numa altura em que nas universidades americanas se estuda a transmissão de pensamento independentemente do idioma utilizado, o Bispo vem dizer que “Maria não aprendeu português para dialogar com Lúcia”. E isto para não falar na telepatia que é estudada há décadas pela psicologia.

É curioso que o Anselmo Borges também pensa da mesma forma que o Bispo: temos o Anselmo Borges, que defende a legalidade do aborto, e o Bispo gay, os dois a ler pela mesma cartilha da Nova Teologia e da Teologia da Libertação. Les bons esprits se rencontrent…

No mínimo, são « turpitudinem operantes », aqueles dois manguelas. Aliás, acerca deste assunto da “visão” e da “aparição” em Fátima, já escrevi aqui, ou seja, já reduzi esse argumento — do Padre abortista e do Bispo gay — ao absurdo.

Quarta-feira, 19 Abril 2017

O casamento é a instituição da aliança entre a mulher e o homem com a sucessão das gerações

Filed under: Igreja Católica,casamento — O. Braga @ 7:19 pm

 

“O artigo que Maria Filomena Mónica escreveu em resposta ao Padre Gonçalo Portocarrero, a propósito de um texto por este publicado, no qual o autor tecia uma série de considerações acerca do matrimónio e da diferença entre pôr termo a um casamento ou pedir a declaração de nulidade do mesmo, merece alguma reflexão da nossa parte”.

Mafalda Miranda Barbosa

Eu não li nem o texto do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, e muito menos o da Maria Filomena Mónica. Mas, através do texto de Mafalda Miranda Barbosa, podemos fazer inferências.

Podemos inferir — sem ter lido os dois textos referidos — que a Mafalda Miranda Barbosa (e o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, também) aborda o casamento na sua vertente contratual → o casamento enquanto contrato (no sentido jurídico); mas o casamento é mais do que um simples contrato: o casamento é uma instituição que se caracteriza pela aliança entre a mulher e o homem — aliança entre os dois sexos —, com a sucessão das gerações.

Portanto, o casamento é uma instituição privada entre duas pessoas de sexos diferentes que não depende necessariamente de um contrato escrito.


casamento-romano-webNa Itália romana do século I, haveria cerca de seis milhões de homens e mulheres livres (cidadãos) e cerca de dois milhões de escravos, domésticos ou trabalhadores agrícolas. Para estes últimos, a instituição privada do casamento era-lhes proibida (até ao século III), e toda essa gente vivia em estado de promiscuidade sexual.

Em contraponto, os cidadãos (livres) podiam recorrer à instituição cívica do casamento: o casamento romano é um acto privado, um facto que nenhum poder público tem que sancionar, é um acto não escrito (não existe contrato de casamento, mas apenas contrato de dote) e mesmo informal. O casamento era um acontecimento privado, como entre nós é a cerimónia do noivado. Em caso de litígio por causa de divórcio ou de heranças, o juiz decidia a partir de indícios — como fazem hoje os tribunais para estabelecer um facto. Indícios, por exemplo, de actos não equívocos como a constituição de um dote, ou ainda gestos que provavam a intenção de se ser esposo: o presumível marido tinha sempre qualificado de “esposa” a mulher que vivia com ele; ou ainda testemunhas podiam atestar que tinham assistido a uma pequena cerimónia de carácter nupcial. Em última instância, apenas os dois cônjuges poderiam saber, em consciência, se eram casados.

Ainda assim, o casamento romano era uma situação de facto, e por isso não deixava de ter efeitos no Direito: as crianças nascidas dessas núpcias são legítimas, e herdam por direito (se o pai não as deserdou), e havia o problema jurídico do divórcio: bastava que o marido ou a mulher se separassem com a intenção de se divorciarem — e os juristas romanos, por vezes, questionavam-se: ¿será um divórcio ou uma zanga? O divórcio, na Roma antiga, era “unilateral e na hora”, tal como acontece hoje em Portugal por iniciativa da Esquerda e de José Sócrates. Não era necessário prevenir o ex-cônjuge, e em Roma havia divorciados por única e unilateral iniciativa da esposa sem que eles soubessem que estavam divorciados.


Com o advento do Cristianismo, o casamento mudou um pouco com a introdução do casamento católico — que continuou a ser (na Alta Idade Média) uma instituição privada não dependente de um contrato escrito, mas agora sancionado por um sacerdote da Igreja Católica e, normalmente, com a presença de testemunhas da sociedade local.

Porém, na Alta Idade Média, era relativamente normal que um Padre católico casasse um casal com “idade própria” (14 anos, para ela) em segredo em relação aos pais (ou dela ou dele, ou de ambos), e bastava a palavra do Padre para que os nubentes fossem considerados “casados”. Mas, com o Cristianismo e com a Igreja Católica, a instituição privada do casamento passou a ser vitalícia (“que o Homem não separe o que Deus uniu”, Marcos 10:9).

Para evitar os “casamentos privados” dos nubentes amorosos e em tenra idade e sem autorização dos pais, e por causa das heranças e dos casamentos arranjados para enriquecimento das famílias, surgiram os impedimentos jurídicos à acção da Igreja Católica: primeiro, com os assentamentos paroquiais (registo paroquial de casamento, lavrado com testemunhas, exigido pelo poder político), e mais tarde (com a Reforma protestante), o registo civil independentemente do casamento religioso (para os cristãos protestantes, o casamento não é um sacramento, ao contrário do que acontece ainda hoje na Igreja Católica onde o casamento é um sacramento).

O casamento católico, para além de ser uma instituição privada, é um sacramento que só é anulável em determinadas situações.

Por exemplo, S. Paulo defendeu a ideia segundo a qual é perfeitamente aceitável que uma mulher cristã se divorcie de um homem pagão ou ateu (ou vice-versa), mas já é impossível (segundo S. Paulo) o divórcio em um casamento de uma mulher e um homem cristãos — salvo nos casos de não-consumação do casamento. A concepção católica do casamento não mudou muito desde S. Paulo; acontece, porém, que o papa Chiquinho pretende colocar S. Paulo na prateleira, neste e noutros aspectos da doutrina da Igreja Católica.

Segunda-feira, 17 Abril 2017

A irracionalidade do Anselmo Borges

Filed under: filosofia,Igreja Católica,Anselmo Borges,Fátima,metafísica — O. Braga @ 1:57 pm

 

¿Como é que eu posso afirmar que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”?

“É preciso também distinguir aparições de visões. É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. Uma aparição é algo objectivo. Uma experiência religiosa interior é outra realidade, é uma visão, o que não significa necessariamente um delírio, mas é subjectivo.”

Anselmo Borges


Quando alguém diz que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”, pretende demolir um dogma católico por intermédio de um pensamento dogmático — porque de facto não é evidente, por exemplo, que não existem extraterrestres. Uma pessoa que diga que “é evidente que não existem extraterrestres”, é estúpida e possui um pensamento dogmático. O mais que eu posso racionalmente dizer é que não é provável que existam extraterrestres; mesmo assim, a minha afirmação é controversa.

Ora, a pior coisa em religião e em teologia é a existência de um pensamento dogmático que critica os dogmas vigentes e ancestrais (novos dogmas que tentam demolir a tradição).

Se há coisa evidente nos acontecimentos de Fátima de 1917, é que nada é evidente (ver o que significa “evidência”). Exactamente porque nada é evidente em Fátima de 1917, é que o Anselmo Borges é burrinho; ele pode receber todos os salamaleques do mundo, mas o rei vai nu.

O Anselmo Borges gosta de ser do contra; ser do contra enche-lhe o ego, à laia do reviralho revolucionário. Ora, devemos ser do contra sempre que seja provável que o contra tem razão — e não, como acontece com o Anselmo Borges: ser do contra para ganhar notoriedade académica e pública, e vender livros, e independentemente da razão.


Do ponto de vista da filosofia, o Anselmo Borges está ultrapassado; ele já não tem autoridade de facto para dar aulas de filosofia. Pode ser teólogo, mas hoje qualquer merda é teólogo. Hoje, um professor universitário de filosofia tem que ter bases suficientes (não precisa ser especialista)  em matemática (e não só em lógica) e em Física (incluindo a física quântica).

O Anselmo Borges diz que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”, porque, alegadamente, “uma aparição é algo objectivo”.

¿O que significa “objectivo”?

É sinónimo de “intersubjectivo” (definição nominal). Quando três crianças (e não só uma) vêem a mesma coisa, trata-se de um fenómeno intersubjectivo, ou seja, objectivo. O problema é o de saber se a coisa vista pelas três crianças (e não só por uma) é o que elas julgam que viram — mas seria estúpido e dogmático dizer-se que “é evidente que não foi aquilo ou não foi aqueloutro”.

Em toda a minha vida, eu passei talvez meia-dúzia de vezes pelo santuário de Fátima e nunca lá estive por ocasião do 13 de Maio. Estou à vontade para falar porque não sou, por assim dizer, um “fanático de Fátima”. Mas hei-de lá ir em um 13 de Maio futuro, se Deus quiser.

Seguindo o raciocínio do Anselmo Borges, poderia dizer-se: “é evidente que Jesus Cristo não ressuscitou”, porque “uma aparição de Jesus depois de morto seria algo objectivo, o que não foi o caso”. O chip que regula o software do pensamento do Anselmo Borges é positivista — nem sequer é o mais moderno, em termos científicos: Anselmo Borges vive no século XIX.

Aqui, o problema do Anselmo Borges é o conceito de “objectivo”.

Em ciência (positivista), é objectivo um fenómeno que se mede estatisticamente mediante repetição verificada (verificação) de forma intersubjectiva (objectiva), ou através da indução que, em epistemologia, é uma inferência conjectural e não-demonstrativa que obtém leis gerais por intermédio de casos particulares.

É certo que o Anselmo Borges não compreendeu Karl Popper (o que não é invulgar); e muito menos compreendeu Niels Bohr, Heisenberg, Wolfgang Pauli, David Bohm, John Wheeler, etc.. o Anselmo Borges precisa de se actualizar; mas duvido que burro velho retome andadura.


Não podemos separar a matéria, por um lado, da pessoa, ou do modo como a pessoa observa, por outro lado.

A única realidade que existe são as respostas às nossas perguntas, e a única coisa que conhecemos do mundo são os resultados das nossas experiências. Isto significa que os elementos básicos do mundo têm uma origem imaterial que, aliás, define a “consciência”: a consciência é uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

Uma imagem que vemos (“nós vemos”, intersubjectivamente, ou objectivamente, o que é o mesmo) não é menos o resultado das nossas acções do que, por exemplo, uma imagem que pintamos, ou de uma casa que construímos.

A realidade do nosso mundo é um facto (do latim facere = fazer); portanto, algo feito por nós; algo feito pelo Anselmo Borges, por exemplo, ou feito pelos três pastorinhos e pelas milhares de pessoas que testemunharam a dança do Sol em 1917, em Fátima. Não há razão nenhuma objectiva (ou seja, intersubjectiva) para que possamos supôr que “os factos do Anselmo Borges” tenham uma valia superior à dos “factos de milhares de pessoas” que assistiram (objectivamente, ou seja, intersubjectivamente) aos fenómenos de Fátima em 1917.

O nosso comportamento, perante a realidade, não é passivo: pelo contrário, nós participamos activamente na construção da realidade — sem que, contudo, criemos a “realidade em si mesma”, porque, em regra, não inventamos os dados a partir dos quais o nosso cérebro constrói as coisas; mas somos criadores da “realidade para nós”, o nosso cérebro monta precisamente aquelas coisas que estamos (todos nós, ou todos os milhares de pessoas em Fátima em 1917, de forma intersubjectiva, ou seja, objectiva) a ver a partir dos dados da “realidade em si”. Isto justifica aquilo que se disse em S. Mateus 13,58:

“E Ele não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente”. [O Anselmo Borges também estava lá, no meio daquela gente].

Não podemos separar a realidade, por um lado, da pessoa, ou do modo como a pessoa observa, por outro lado. Só podemos limitar-nos a esperar que a “realidade para nós”, por um lado, e a “realidade em si”, por outro lado, sejam tão semelhantes quanto possível — o que levou à definição de “verdade” por parte de S. Tomás de Aquino:

«A verdade é a adequação entre a inteligência que concebe (a “realidade para nós”), e a realidade (“a realidade em si”)».


Não temos qualquer acesso ao mundo independentemente da interpretação — nem no conhecimento, nem na acção, nem em qualquer outro lugar.

Ora, não há nenhuma razão objectiva para supormos que a interpretação do Anselmo Borges é superior ou mais válida do que a interpretação intersubjectiva dos três pastorinhos, ou do que a interpretação objectiva (intersubjectiva) de milhares de testemunhas em Fátima de 1917.

O Anselmo Borges acredita que ele sabe como está estruturada a “realidade em si”, para além da interpretação humana.

Trata-se de um pensamento dogmático do Anselmo Borges — porque o pensamento humano não é capaz, por princípio, de dizer como se estrutura a “realidade em si”. Portanto, o que está por detrás das nossas construções intersubjectivas da realidade é um mistério — e foi o que se passou em Fátima de 1917: um mistério —, mistério esse que nos fornece os dados para a interpretação, mas que permanece eternamente incognoscível.

A única coisa que podemos dizer, com certeza, sobre a "a realidade em si", independente de nós, é como ela não é (conceito negativo), porque quando as nossas construções fracassam (como fracassou o positivismo do Anselmo Borges, ou o romantismo dele), deparamo-nos com a realidade “por detrás” da nossa construção da realidade. Porém, dado que só podemos descrever e explicar sempre o nosso fracasso através dos conceitos que utilizámos para a construção das estruturas falhadas, isso nunca nos pode proporcionar uma imagem do mundo que pudéssemos responsabilizar pelo fracasso.

É o que acontece com o Anselmo Borges: ele explica o fracasso da teologia cristã através de conceitos que ele próprio utiliza para a construção das suas estruturas pessoais falhadas, e por isso, ele nunca terá uma imagem do mundo que possa responsabilizar-se pelo seu próprio fracasso interpretativo.

Eu nunca vi o Anselmo Borges — nem na televisão, nem pessoalmente. Apenas vi fotografias dele nos jornais; mas uma fotografia não tem vida própria.

Contudo, seria estúpido da minha parte se dissesse que “é evidente que o Anselmo Borges não existe”, apenas e só porque nunca o vi pessoalmente. Chegam-me testemunhos de milhares de pessoas que dizem que o Anselmo Borges existe, ou seja, a figura viva do Anselmo Borges é intersubjectiva (ou objectiva). Se nós só acreditarmos naquilo que virmos, seríamos da espécie do “Anselmo Borges”.

Terça-feira, 14 Março 2017

O papa Chico é um Joaquim de Fiore actual

Filed under: Anselmo Borges,cardeal Bergoglio,Igreja Católica,papa Chico — O. Braga @ 11:29 am
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Temos aqui mais um texto panegírico do Anselmo Borges dedicado ao papa Chiquitito. Digo o seguinte: desprezo este papa como sendo ele um agente da força do Mal. Existe um livrinho de Eric Voegelin com o título “Religiões Políticas” que toda a gente deveria ler — quanto mais não seja para compreender por que razão o papa Chiquinho é, também ele, um agente da força do Mal.

Todos os seres humanos (uns mais do que outros) têm defeitos. Nenhum ser humano é perfeito, e nenhum papa jamais foi perfeito. Mas este papa quer ser visto (pelas pessoas, em geral) como “sendo perfeito quando afirma publicamente a sua imperfeição” — o que, podemos dizer, é o cúmulo da hipocrisia; e, para isso, utiliza amiúde a utopia.

“A cidade imaginada pelo utopista é sempre de mau gosto, a começar pela do Livro do Apocalipse.”
→ Nicolás Gómez Dávila

O papa Chico é uma espécie de Joaquim de Fiore actual, ideologicamente explorado pelos seus correligionários gnósticos modernos, como é o caso do Anselmo Borges. O seu mundo é imanente, e quando ele fala em “transcendência” é para enganar o povo católico.

O Anselmo Borges pode escrever uma biblioteca inteira com a apologética do papa Chiquinho, que não é por isso que a realidade se transforma através de uma fé metastática, e o papa-açorda passa a ser santo.

Terça-feira, 7 Março 2017

Maria da Luz Rodrigues: “mantra” é a puta que te pariu!

 

“A terapeuta de reiki, Maria da Luz Rodrigues, compara a (oração católica) Avé Maria com o ‘Om Mani Padme Hum’, um mantra relacionado com uma “mãe divina budista”, Kuan Yin, adorada na China, Japão, Coreia e Vietname, e que simboliza a compaixão e o amor”.

¿Pode uma Avé Maria ser um mantra?


Maria, mãe de Jesus, foi uma personagem histórica concreta; Maria existiu mesmo, em carne e osso: não é um mito ou uma invenção. Comparar uma pessoa que existiu e teve a sua própria vida, por um lado, com um mito budista, por outro lado, é estupidez.

Uma Avé Maria é uma oração transcendental, e não um mantra.

Um mantra é imanente; a oração católica, em geral, (como, por exemplo, o Credo) apela ao transcendente. Quando a Maria da Luz Rodrigues não sabe a diferença entre o transcendente  e o imanente , é caso para dizer que “mantra é a puta-que-pariu”.

Quarta-feira, 1 Março 2017

O Frei Bento Domingues é um modernista do passado

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 1:36 pm
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1/ Como sempre tem acontecido, não concordo com o Frei Bento Domingues: eu penso que O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, em vez de desassossegar, sossega a crença religiosa racional — aquela crença racional que Santo Anselmo descreveu no Prolosgian. E O Livro do Desassossego não “abala certezas”, como diz positivamente o Frei Bento Domingues: pode abalar “verdades”, mas não devemos confundir as certezas e as verdades. Por exemplo, eu tenho a certeza de que o universo tem uma causa (que, por ser causa, não se confunde com o seu efeito): é uma certeza racional equiparável às certezas do formalismo matemática. E, baseando-se nessa certeza, o ser humano constrói várias “verdades”, incluindo a “verdade científica” segundo a qual uma baleia evoluiu a partir de uma espécie de ameba.

2/ O Frei Bento Domingues acredita, genericamente, na versão histórica progressista e de esquerda acerca dos acontecimentos principais desde o 25 de Abril de 1974 até hoje. Mas o Frei Bento Domingues diz que “nenhum católico está obrigado a acreditar no carácter sobrenatural” das aparições de Fátima.

Um dos problemas do Frei Bento Domingues é o de que ele não pode ser filósofo — embora ele o queira ser —, porque o filósofo questiona racionalmente as suas crenças; o Frei Bento Domingues tem a crença segundo a qual ele questiona as suas (dele) crenças. ¿O Frei Bento Domingues poderia ser teólogo? Também não, porque um teólogo tem que ser, hoje, também um cientista. O Frei Bento Domingues é um ideólogo, e nada mais do que isso. Trabalha em ideologia.

3/ o Frei Bento Domingues confunde um mito (como o de Santiago de Compostela) com um evento testemunhado por milhares de pessoas no século XX. O problema do Frei Bento Domingues é o de que ele não estava lá para testemunhar. Ver para crer, como o Tomé. E mesmo que o Frei Bento Domingues estivesse lá, naquele dia 13 de Outubro de 1917 em que “o Sol dançou” (segundo dezenas de milhar de testemunhas), ele chegaria ao fim do “espectáculo” e diria que tudo aquilo teria sido efeito da aguardente que teria bebido no fim do almoço.

4/ a mentalidade ou o arquétipo mental do Frei Bento Domingues é a de um modernista; ele pensa da mesma forma que o meu merceeiro aqui do bairro; ou pensa como o cauteleiro da baixa da cidade que me oferece a hipótese de enriquecer. Mas gente como o Frei Bento Domingues pensa que toda a gente hodierna é modernista como ele; mas há hoje muitos cientistas que não pensam como o Frei Bento Domingues, ou seja, são modernos mas não são modernistas.

Segundo a física quântica, a probabilidade de uma pessoa, ou de um grupo de pessoas, ver, por exemplo, uma pedra desaparecer de um sítio e aparecer noutro, não é nula (não é igual a zero).

A esse fenómeno de desaparecimento e reaparecimento da pedra, chama-se “salto quântico” ou “efeito de túnel”, e tem a característica de não ter uma garantia de repetição exacta. A razão por que um “salto quântico” pode ocorrer é desconhecida pela ciência (mas essa razão é objectiva, ou seja, não depende do nosso desconhecimento circunstancial sobre o fenómeno em causa).

E dado que não existe uma garantia de que o fenómeno do desaparecimento da pedra e o seu reaparecimento seja repetível, não existe uma possibilidade de estudo científico (ou histórico) desse fenómeno, uma vez que a ciência baseia-se na análise dos fenómenos que se repetem regularmente na natureza (sem estatística não há ciência propriamente dita).

Essa pessoa ou grupo de pessoas que observaram a pedra desaparecer de um sítio e reaparecer noutro, provavelmente correm o risco de ser apodadas de malucos, se revelarem o fenómeno observado.

Aqui entramos na área do “milagre”. Por exemplo, ainda hoje os ateus e materialistas dizem que os milhares de pessoas que observaram o fenómeno das aparições de Fátima, no início do século XX, foram vítimas de alucinações. Tal como o exemplo supracitado da pedra, o fenómeno de Fátima não é repetível de forma regular de modo a ser objecto da ciência (e das ciências sociais); a razão por que esse fenómeno ocorre é desconhecida da ciência. E, por isso, os ateus dizem que aqueles milhares de pessoas em Fátima eram malucas ou estavam bêbedas. É assim que pensa o Frade modernista.

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Terça-feira, 2 Fevereiro 2016

O papa-açorda Francisco e a capitulação ética da Igreja Católica

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 2:40 pm
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“Everyone is aware of how sensitive the Church is to ethical issues but perhaps it is not clear to everyone that the Church does not lay claim to a privileged voice in this field…,”

Pope: Church does not claim privileged voice in bioethics field

papa-burro-webO papa-açorda Francisco defende a ideia segundo a qual a Igreja Católica deve abdicar de juízos de valor em matéria de ética; ou, pelo menos, defende a ideia de que os juízos de valor éticos da Igreja Católica não são importantes. Estamos em presença de uma capitulação civilizacional.

É muito difícil caracterizar este papa, porque estamos em presença de um burro que diz, em uma mesma circunstância, uma coisa e o seu contrário. Cheguei à conclusão de que não se trata apenas de ambiguidade: ele é mesmo burro, tem limitações intelectuais graves.

Se o burro papa-açorda Francisco retirasse conclusões daquilo que afirmou, verificaria que a opinião dele (acerca da não-importância da Igreja Católica em questões éticas) não tem importância nenhuma — e por isso mais valeria que ele estivesse calado.

Sábado, 9 Janeiro 2016

Os sofismas do Anselmo Borges acerca do “futuro de Deus”

 

“Nos últimos séculos, a fé cristã teve falta de inteligência, e a inteligência cristã teve falta de fé”. (Nicolás Gómez Dávila)


Sofisma nº 1

“há o perigo de esquecer que, contra o que frequentemente se pensa, antes do século XIV, a Europa, segundo, G. Duby, não apresentava senão "as aparências de uma cristandade. O cristianismo não era plenamente vivido senão por raras elites”. ( Anselmo Borges)

Em primeiro lugar, passa a ideia segundo a qual, depois do século XIV, o Cristianismo passou a ser melhor vivido do que era antes; em segundo lugar, passa a ideia segundo a qual terá havido na História períodos em que o Cristianismo foi vivido plenamente não só por raras elites.

O que o Anselmo Borges escamoteia é a cultura de raiz cristã, que é marca de uma civilização, e que está para além da forma subjectiva de “como” o Cristianismo foi ou é vivido. Por exemplo, antes do século XIV, S. Bernardo, que era presumivelmente parte dessa rara elite, defendia a casuística que é uma forma pouco cristã e mais judaica de conceber Deus.

Dizer que “o cristianismo não era plenamente vivido senão por raras elites” requer que se defina, em primeiro lugar, o que é “viver plenamente o Cristianismo”, e para além da sua influência na cultura antropológica.


“A evolução do dogma cristão é menos evidente que a evolução da teologia cristã. Nós, católicos, com muito pouca teologia acreditamos hoje na mesma coisa que converteu o primeiro escravo em Éfeso ou em Corinto”. (Nicolás Gómez Dávila)


Sofisma nº 2

“Lutero também escreveu: "Temo que haja mais idolatria agora do que em qualquer outra época." Daí que Delumeau acentue a importância da actualização, também para se não cair em idealizações e dogmatismos. Por vezes, é preciso "desaprender", não idealizar o passado”. ( Anselmo Borges)

Quando o Anselmo Borges confunde dogma, por um lado, e teologia, por outro lado, incorre num sofisma. Através da evolução da teologia, Anselmo Borges defende a “desaprendizagem” do dogma por intermédio daquilo a que ele chama de “actualização”. Assim como os modernos dizem que “a lógica evolui”, assim o Anselmo Borges diz que o dogma evolui.

Sofisma nº 3

Qual é o grande mal do cristianismo? A sua ligação ao poder. "Pelas suas consequências, uma das mais trágicas falsas vias para as Igrejas cristãs foi, depois do fim das perseguições, a ligação entre o poder imperial romano e a hierarquia eclesiástica, simbolizada e fortificada pela coroação de Carlos Magno pelo Papa." (idem)

É impossível que uma religião — qualquer que seja — não tenha uma ligação ao Poder. Negar que o Cristianismo possa ter uma ligação ao Poder é negar a própria Natureza Humana. O que é importante é racionalizar a ligação da religião ao Poder, como aconteceu na Europa ocidental em que a Igreja Católica e o Poder se separaram, e ao contrário do que aconteceu na Igreja Ortodoxa e com o luteranismo.

Sofisma nº 4

Dever-se-á perguntar: como foi possível o movimento iniciado por Jesus ter hoje um Vaticano?! Seja como for, digo eu, a história é o que é e o que se impõe é uma revolução, para modos democráticos de governo eclesial, para a simplicidade, a transparência, o serviço. Cardeais e bispos não são "príncipes" nem podem viver como "faraós", diz Francisco. E as nunciaturas só poderão justificar-se enquanto serviços humildes de pontes para o diálogo e a paz mundiais. (ibidem)

Exactamente porque a Igreja Católica se separou do Poder, serviu durante séculos, de contra-poder. É exactamente este papel de contra-poder que é exercido pelo papa-açorda Francisco, mas que ele critica. Ou seja, ele exerce esse contra-poder e, simultaneamente, critica esse contra-poder — o que nos dá um vislumbre da irracionalidade do papa-açorda.

Quando Jesus Cristo disse “tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha igreja” (Mateus, 16, 18), Jesus quis dizer que a Igreja Católica teria uma hierarquia — porque qualquer edificação tem uma estrutura, e dentro da estrutura, as partes não são todas iguais. Ademais, o Anselmo Borges generaliza (falácia da generalização): a maioria dos cardeais e bispos não vivem como faraós: quando toma uma pequena parte pelo todo, o Anselmo Borges (assim como o papa-açorda Francisco) pretende condenar o todo.

Ao querer tornar a Igreja Católica inumana (no sentido de eliminar dela a Natureza Humana), o papa-açorda Francisco e os seus apaniguados (como o Anselmo Borges) pretendem destruir a Igreja Católica. É isso que essa gente pretende, em nome da criação de uma Igreja Católica perfeita, feita por homens perfeitos e por santos que ainda não morreram mas que (alegadamente) já fazem milagres.

Quarta-feira, 30 Dezembro 2015

O Cristianismo não é a “religião do livro”

 

O Frei Bento Domingues faz aqui uma confusão (propositada), como se todos os livros do Antigo Testamento tivessem sido escritos pela mesma pessoa e na mesma época. Ele vê no Antigo Testamento uma lógica sequencial histórica — o que é próprio do Historicismo. Mas a verdade é que, por exemplo, o livro do Génesis não tem nada a ver com o do Deuteronómio, ou seja, não existe uma relação lógica directa entre os dois livros.

Naturalmente que esta confusão é propositada. A prova disso foi o aproveitamento (ignorante) de Francisco Louçã do texto de Frei Bento Domingues. Les bons esprits se rencontrent…

Francisco Louçã, tirando partido da confusão propositada de Frei Bento Domingues, parte da premissa segundo a qual o Antigo Testamento é o livro fundamental dos cristãos. Frei Bento Domingues sabe que não é, e por isso é que ele fala em Iaveísmo, e não em Cristianismo.

Estas “confusões” fazem parte da estratégia ideológica que tem como objectivo nivelar todas as religiões, medindo-as pela mesma bitola. A pergunta que Francisco Louçã e Frei Bento Domingues implicitamente fazem é a seguinte:

“Se o Antigo Testamento também apela ao assassínio, ¿como é que os católicos se distinguem dos muçulmanos?”

A pergunta invoca uma falácia do espantalho.

É que há aqui um detalhe que ambos escamoteiam (um de propósito, e outro por ignorância) : o Antigo Testamento não é o livro fundamental do Cristianismo. Aliás, o Cristianismo não é a “religião do livro”: é a “religião da palavra”.

A “religião do livro” é o Islamismo (Alcorão). E o Judaísmo é a “religião da lei” (Deuteronómio). O Cristianismo é a “religião da palavra” (“No Princípio, era o Verbo” — Evangelho de S. João, 1).

Sábado, 26 Dezembro 2015

O Anselmo Borges e a reconstrução da História da Igreja Católica

 

“Para tornar inevitável uma catástrofe, nada mais eficaz do que convocar uma assembleia que proponha reformas que a evitem.” — Nicolás Gómez Dávila

As considerações que o Anselmo Borges faz da Igreja Católica antes do Concílio Vaticano II são genericamente falsas; por exemplo, nunca a Igreja Católica antes do Vaticano II “condenou os direitos humanos”, como Anselmo Borges afirma. Estamos perante uma reconstrução da História, e os mais novos são vítimas de gente como o Anselmo Borges.

Ao contrário do que o Anselmo Borges afirma, nunca a Igreja Católica foi “sempre a mesma, imutável”; Anselmo Borges é desonesto, porque tem que obrigação de conhecer a história da Igreja Católica.

Anselmo Borges joga com conceito de “mudança”: para ele, a mudança é a transformação de uma coisa em outra coisa totalmente diferente; mas, ao longo da História, a mudança na Igreja Católica foi sempre a modificação interna da Igreja Católica (modificação do sujeito), embora mantendo a sua essência.

O que Anselmo Borges defende é a modificação da essência da Igreja Católica. E o Concílio Vaticano II não fez coisa senão contribuir activamente para a alteração da essência da Igreja Católica. O Concílio do Vaticano II foi uma assembleia que propôs reformas para se evitar uma alegada catástrofe, o que tornou inevitável essa catástrofe.

“As piruetas dos teólogos modernos não ganharam uma conversão a mais nem uma apostasia a menos” — Nicolás Gómez Dávila

Em uma instituição — que é por definição, humana — sempre haverá quem queira fazer dela a “sua quinta particular”; através da alteração da essência da Igreja Católica, Anselmo Borges pretende que os “donos da quinta” sejam outros: os seus compagnons de route ideológicos.

Do que se trata, na narrativa do Anselmo Borges, é a luta pelo Poder terreno na Igreja Católica em função de uma mundividência marcada por uma ideologia política materialista que Anselmo Borges deseja que seja prevalecente no seio da Igreja Católica. Para disfarçar esse materialismo, Anselmo Borges apela à utopia — como faz, aliás, a Esquerda. Através da proclamação da utopia, os novos “donos da quinta” justificam quaisquer desmandos e excessos, e até a alteração da essência da Igreja Católica que sempre foi a mesma apesar das mudanças internas seculares.

“Quem derrota uma causa nobre é alguém que já foi derrotado” — Nicolás Gómez Dávila

Manter a essência da Igreja Católica, apesar da mudança, é uma causa nobre — assim como é uma causa nobre, por exemplo, a crítica ao aborto, cuja lei infame o Anselmo Borges apoiou publicamente. Por isso, não obstante as aparentes vitórias do papa-açorda Francisco e dos seus apaniguados, eles já perderam.

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