perspectivas

Terça-feira, 21 Janeiro 2014

O conceito de “sociobiologia”, segundo Karl Popper

 

«A ideologia darwinista contém uma tese muito importante: a de que a adaptação da vida ao meio ambiente (…), que a vida vai fazendo ao longo de biliões de anos (…), não constituem quaisquer invenções, mas são o resultado de mero acaso. Dir-se-á que a vida não fez qualquer invenção, que tudo é mecanismo de mutações puramente fortuitas e da selecção natural; que a pressão interior da vida mais não é do que um processo de reprodução. Tudo o resto resulta de um combate que travamos uns com os outros e com a Natureza, na realidade um combate às cegas 1. E o resultado do acaso seriam coisas (no mesmo entender, coisas grandiosas) como seja a utilização da luz solar como alimento.

Eu afirmo que isto é uma vez mais uma ideologia: na realidade, uma parte da antiga ideologia darwinista, a que aliás pertence também o mito do gene egoísta 1 (os genes só podem actuar e sobreviver através da cooperação) e o social-darwinismo ressurgido que se apresenta agora, renovada e ingénuo-deterministicamente, como “sociobiologia”.»2

Notas
1. referência a Richard Dawkins
2. trecho extraído do texto da conferência proferida por Karl Popper em Alpbach, em Agosto de 1982

Quinta-feira, 7 Novembro 2013

Um artigo para os ateus e naturalistas lerem

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 7:11 am
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«Overall, what the field of protein evolution needs are some plausible, solid hypotheses to explain how random sequences of amino acids turned into the sophisticated entities that we recognize today as proteins. Until that happens, the phenomenon of the rise of proteins will remain, as Tawfik says, “something like close to a miracle

“Close to a miracle”

E depois de lerem, suicidem-se, mas sem chatear ninguém.

Quarta-feira, 6 Novembro 2013

As profecias cibernéticas dissimuladas

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 5:47 pm
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O blogue Rerum Natura publica aqui um texto acerca de uma "nova geração de máquinas inteligentes", em que implicitamente se faz uma comparação, embora esconsa, entre as máquinas inteligentes e o cérebro humano. É nossa obrigação “cortar as vazas curtas” (como diz o povo).

Há bastante tempo que se fazem profecias futuristas acerca da equiparação do homem com uma máquina ou um computador. Não vou entrar em filosofias profundas, mas apenas referir o óbvio:

  • O teorema de Gödel exclui qualquer possibilidade de se construir um máquina que resolva todo e qualquer problema.
  • Uma máquina ou um computador, e ao contrário do cérebro humano, não se transcende — ou seja, um computador não é, nem nunca será, melhor do que o seu programa.

Bastam estes dois tópicos — e já não falando do conceito de “X”, de Kant — para cortar as vazas curtas às profecias cibernéticas dos naturalistas da nossa praça.

Sexta-feira, 18 Outubro 2013

O evolucionismo darwinista na corda-bamba

 

«Um crânio com 1,8 milhões de anos descoberto na Geórgia em 2005 sugere que os primeiros hominídeos que povoaram o planeta poderiam pertencer não a diferentes espécies mas a apenas uma, segundo uma investigação publicada na quinta-feira na revista Science.

Um dos investigadores analisou esse crânio durante oito anos e fez uma descoberta que, segundo defende, pode reescrever a história evolutiva dos humanos.»

Crânio com 1,8 milhões de anos põe em causa história da evolução humana

¿Por que razão, segundo esta tese, o evolucionismo darwinista fica na corda-bamba?

(more…)

Sábado, 28 Setembro 2013

Um artigo para o Carlos Fiolhais (e o blogue Rerum Natura) ler

Filed under: A vida custa,Darwinismo — orlando braga @ 7:52 pm
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«A closer look at the literature shows that hominin fossils generally fall into one of two categories—ape-like species or human-like species (of the genus Homo) — and that there is a large, unbridged gap between them. Despite the claims of many evolutionary paleoanthropologists, the fragmented hominin fossil record does not document the evolution of humans from ape-like precursors. In fact, scientists are quite sharply divided over who or what our human ancestors even were. Newly discovered fossils are often initially presented to the public with great enthusiasm and fanfare, but once cooler heads prevail, their status as human evolutionary ancestors is invariably called into question.»

Has Science Shown That We Evolved from Ape-like Creatures?

Sexta-feira, 23 Agosto 2013

É ciência, estúpido!

« “Demos tantos saltos na década de 1960. Havia uma certa audácia e confi ança, e tivemos entretanto uma falta de confi ança”, afirmou Ann Druyan na convenção Comic-Con Internacional, que teve lugar em Julho, em San Diego, nos Estados Unidos. “Parte dessa falta traduzse num retrocesso em direcção ao medo, à ignorância, à superstição, ao pensamento mágico. A nível cultural existem ciclos, onde as pessoas estão prontas para se abrirem [ao conhecimento] e andarem para a frente, e ciclos em que regridem. Acho que estamos prontos para voltar ao caminho, essa é a mensagem de Cosmos.”

(…)

Sabe-se pouco sobre a nova série. O trailer, de três minutos e 24 segundos, mostra Neil deGrasse Tyson numa nave espacial que, de acordo com o astrofísico, pode viajar para o passado e para o futuro consoante o seu pensamento. A nave é a nova versão do veículo onde Sagan se movia na série original. Vêem-se ainda planetas, estrelas, uma descida a Marte, mas também o oceano terrestre, uma seara e uma árvore. Há imagens que parecem mostrar a fisiologia humana e os microrganismos.»

Colocar um ser humano em uma nave espacial a “viajar para o passado e para o futuro consoante o seu pensamento” não é pensamento mágico nem superstição. É ciência, estúpido!

Domingo, 12 Maio 2013

A psicologia científica de urinol

Um bêbedo entra num urinol, saca um testículo para fora da braguilha, faz força, urina no interior das calças, e depois desata a berrar que tem “os testículos rotos!”…

A ciência está igual ao bêbado: descobre uma determinada partícula a que chamou de “bosão de Higgs”, identificou essa partícula com o Graviton (*), e porque essa partícula — que a ciência diz (alegadamente) ser o Graviton — tem um campo baixo de energia, conclui a ciência que o Big Bang não existiu, que o universo surgiu do nada e é eterno (não sei como é possível uma coisa “surgir do nada” e ser simultaneamente “eterno”: mas isso sou eu, que sou estúpido).

C’a Gand’a ciência!

O problema da ciência com o Big Bang, é ideológico, e por isso não é científico. Ou seja: o problema da ciência é que a merda da teoria do Big Bang, e das estúpidas inferências de facto que levaram a ela, é coincidente com a porcaria da metáfora do Génesis bíblico!

Mas C’a Gand’a Treta do Big Bang!

Para a ciência, em vez da teoria do Big Bang inferida da estupidez factual da radiação de base e da maldição obscurantista do efeito de Doppler (Hubble) — é preferível uma teoria que recuse o princípio de causalidade e que defenda a ideia segundo a qual “o universo surgiu do nada”.

C’a Gand’a metafísica! Quanto mais esta ciência “avança”, mais o bêbedo tem razão!

(*) o Graviton é o “missing link” da Física: é a partícula charneira entre a força quântica e a força entrópica da gravidade.

Sexta-feira, 3 Maio 2013

E ainda há estúpidos que dizem que o Homem surgiu por acaso

“O cérebro humano consta aproximadamente de 12 biliões de neurónios e o número de interconexões entre eles é superior ao das partículas atómicas que constituem o universo inteiro”

Richard Thompson, ”Introduccion à la psicologia fisiológica”, Harla, México, 1975

Se tivermos em atenção que o número de partículas elementares longevas existentes no universo está calculado pela astrofísica em 10^80 (1 seguido de 80 zeros), a realidade do cérebro humano seria, por assim dizer, assustadora. Mas a informação que eu tenho é um pouco diferente. Parece-me que em 1975 Richard Thompson ainda não tinham a informação que existe hoje disponível.


As informações provenientes dos órgãos dos sentidos são transmitidas ao cérebro humano onde se encontram cerca de 15 mil milhões de células nervosas: os neurónios.

Os neurónios de um só ser humano médio estão ligados entre si através de cerca de 10^15 (1 seguido de 15 zeros) pontos de transmissão, a que chamamos de “sinapses”. Seriam precisos mais de 30 milhões de anos, se quiséssemos registá-las à velocidade de uma sinapse por segundo.

Se quiséssemos testar os estados possíveis de apenas 130 neurónios de um ser humano, necessitaríamos de um computador gigante que, para tal efeito, precisaria de 20 mil milhões de anos!!! E se quiséssemos testar todos os neurónios do cérebro humano, o número de operações necessário perder-se-ia no infinito (que não existe na condição finita do nosso universo), ou seja, ultrapassaria o limite da constante cosmológica da natureza que é de 10^120 (1 seguido de 120 zeros, segundo a Teoria Finística do Conhecimento do biofísico Alfred Gierer).

E depois disto, ainda há estúpidos doutorados e munidos de um alvará de inteligência que dizem que “o ser humano surgiu por acaso, através de uma selecção natural que funciona mediante mutações aleatórias e por intermédio de pequenos passos“!

Sexta-feira, 19 Abril 2013

Um exemplo de como o Positivismo pode ser anti-científico

Existe gente aparentemente inteligente que sabe juntar duas ou três palavras, mas que é intrinseca e naturalmente estúpida.
Vejamos esta tese:

“Where we really disagree, though, is about how to conceive of the relation between norm-governed practices and principles. On your view, I take it, the principles have some sort of priority, and the practices are justified (or not) in light of those principles.

On my view, the principles are just explications of what is already implicitly at work within the epistemic and moral practices themselves.

So we can appeal to various principles as tools for articulating what it is that we are committed to, and hence they are valuable tools for critically reflecting on and revising those practices, but they cannot endow our practices with any more authority than those practices already and implicitly have, nor can the principles explain just why it is that the practices have any implicit authority.”


O que ressalta da tese é a seguinte proposição:

“Os princípios são apenas explicações daquilo que está já em funcionamento dentro da prática epistemológica e moral”.

Por exemplo, e segundo a proposição, poderámos concluir o seguinte: “uma bola rola. Logo, o princípio, que está implícito no facto de a bola rolar, existe porque a bola rola; e esse princípio decorre do próprio facto do rolamento da bola. É o facto de a bola rolar que explica o princípio. Se os seres humanos desconhecem o facto de uma bola rolar, esse princípio subjacente ao rolamento da bola também não existiria”.

(more…)

Quarta-feira, 17 Abril 2013

O fantástico no imaginário naturalista

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 7:08 pm
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Quem ler esta estória naturalista no blogue Rerum Natura (como não poderia deixar de ser) acerca da visão humana (o olho), poderá compará-la, por exemplo, com as estórias maravilhosas e fantásticas do neoplatónico e gnóstico Porfírio acerca das alegadas emanações de Deus que criaram o mundo, ou com as estórias místicas, panteístas e cabalísticas dos 32 caminhos entre os sefirotes. A narrativa naturalista aponta para uma mística religiosa, mas trata-se de uma religião que nega qualquer fundamento causal, ou seja, é uma religião que se transforma ela própria no seu próprio fundamento. A causa — ou a razão de ser — da religião naturalista é a própria religião naturalista (“é p’ra zerar o QI”).

O que a estória naturalista esconde propositadamente dos seus leitores é a complexidade irredutível do olho humano (e não só humano). O naturalismo darwinista conta estórias fantásticas, grande parte delas em estado de delírio lírico do poeta, em que a realidade é moldada de forma a que se cheguem às conclusões que previamente tinham sido estabelecidas como corolário — e chama de “ciência” a esse enviesamento.

Razão tem Peter Singer quando aconselha os velhos marxistas a substituir o marxismo pelo darwinismo. O Rerum Natura segue esse conselho à risca.

Domingo, 14 Abril 2013

Dois mitos em oposição

1/ “I would point out that if you’re a believer in the Bible, one would have to say the Great Flood is an example of climate change and that certainly wasn’t because mankind had overdeveloped hydrocarbon energy.” (via)

2/ In fact, natural climate change in the distant past offers the most precise evidence there is for man-made climate change today. That’s why climate scientists spend so much time and effort trying to extract ancient gasses trapped in Arctic ice bubbles or in the calcium carbonate shells of fossilized amoebas on the ocean floor, so that they can better understand the relationship between the composition of the atmosphere and the temperature of the globe. (via)


Os “aquecimentistas” usam o mito bíblico da Arca de Noé transcrito à letra (no primeiro caso) para fazer propaganda de um segundo mito: o do aquecimento global antropogénico. Ambos os mitos são instrumentalizados pela política, mas o Desidério Murcho parece que só vem um deles (só vê para um lado, o que é próprio dos vesgos ideológicos).

Mas o mito bíblico (o primeiro), neste contexto, tem mais razão de ser (pertinência) do que o mito aquecimentista, por uma razão: não cabe a ciência perguntar porquê; cabe à ciência saber se o aquecimento global se verifica, ou não. O porquê já não é ciência; pode ser parte da politica (como é o caso), ou noutros casos da metafísica. A ciência não tem que fazer política, nem tem que se imiscuir na ética. E até agora a ciência não conseguiu confirmar a existência de um aquecimento global, e muito menos antropogénico.

Quem fez, em primeiro lugar, a analogia negativa entre o mito do dilúvio bíblico e a teoria do aquecimento global, incorre em falácia; e quem denuncia essa analogia tentando impor outro mito, incorre em sofisma. Só que o último mito é ainda mais perigoso do que o primeiro, porque defende através dele as engenharias sociais, a inversão da ética e da moral, e a alteração (impossível) dos fundamentos da natureza humana.

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin

Sábado, 13 Abril 2013

Fernando Pessoa e o bárbaro moderno

«Outro elemento da notoriedade chamada fama é ser-se bárbaro. Por ser bárbaro, quero dizer, chegar à civilização vindo de fora dela; pertence-lhe pelo número da porta mas sem alma para compreender porque se fizeram as ruas e se puseram números na antiga tradição das portas separadas.

(…)

fernando pessoa corpo inteiro webA característica moral definida dos segundos [os bárbaros] é a sua amoralidade; tanto Shakespeare como Whitman eram indiferentes aos valores morais, excepto na medida em que estes eram susceptíveis de serem convertidos pela emoção temporária em valores estéticos. Diga-se de passagem que ambos eram pederastas…

O facto essencial do bárbaro é que é completamente moderno; é do seu tempo porque a raça, a que pertence, não tem tempos civilizacionais anteriores.

Não tem antepassados fora da biologia. O traço comum de Lenine e Shaw é o de quando apelam para algo fora deles próprios, apelam a coisas como a humanidade, que é a expressão comum para a espécie animal que tem a forma humana, e inexistente fora da zoologia ou da ciência, e que não tem nada a ver com o espírito humano excepto ser por ele produzida, mas não para ele.

O negro usa sempre a última moda. O canibal, se aqui estivesse, mandaria vir sempre os pratos mais modernos. Ambos, por motivos óbvios, se sentem, por vezes, pessimistas.»

— Fernando Pessoa, “Erostratus”

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