perspectivas

Sexta-feira, 19 Abril 2013

Um exemplo de como o Positivismo pode ser anti-científico

Existe gente aparentemente inteligente que sabe juntar duas ou três palavras, mas que é intrinseca e naturalmente estúpida.
Vejamos esta tese:

“Where we really disagree, though, is about how to conceive of the relation between norm-governed practices and principles. On your view, I take it, the principles have some sort of priority, and the practices are justified (or not) in light of those principles.

On my view, the principles are just explications of what is already implicitly at work within the epistemic and moral practices themselves.

So we can appeal to various principles as tools for articulating what it is that we are committed to, and hence they are valuable tools for critically reflecting on and revising those practices, but they cannot endow our practices with any more authority than those practices already and implicitly have, nor can the principles explain just why it is that the practices have any implicit authority.”


O que ressalta da tese é a seguinte proposição:

“Os princípios são apenas explicações daquilo que está já em funcionamento dentro da prática epistemológica e moral”.

Por exemplo, e segundo a proposição, poderámos concluir o seguinte: “uma bola rola. Logo, o princípio, que está implícito no facto de a bola rolar, existe porque a bola rola; e esse princípio decorre do próprio facto do rolamento da bola. É o facto de a bola rolar que explica o princípio. Se os seres humanos desconhecem o facto de uma bola rolar, esse princípio subjacente ao rolamento da bola também não existiria”.

E=mc²

Qualquer verdade está suspensa enquanto não estiver ligada a um princípio que a garanta ou a baseie — trata-se de um movimento regressivo na direcção do incondicionado (o princípio ou, se quiserem, o axioma que garante a verdade de uma lei, de uma norma, ou da própria verificação científica).

Vamos seguir o raciocínio de quem escreveu aquilo. Suponhamos a fórmula de Einstein citada aqui atrás. Vemos ali os símbolos E (energia), M (massa) e C (velocidade da luz). Esses símbolos traduzem conceitos, respectivamente o conceito de energia, de massa e de velocidade. Os conceitos não podem existir sem princípios (por exemplo, o princípio de Arquimedes).

Imaginemos que é a fórmula E=mc2 explica os símbolos da equação, e não são os símbolos da equação que explicam a fórmula. Neste caso, a verdade da equação deixaria de ser verdade, porque qualquer pessoa poderia afirmar que E=mc3, por exemplo. Se não há princípios que fundamentem os conceitos científicos, a verdade científica não existe.

frontal lobotomy png webPerguntará o leitor: ¿o que é que o Positivismo tem a ver com isto? Tem a ver com isto porque o positivismo parte dos fenómenos para os princípios quando separa a lógica, por um lado, dos fenómenos em si mesmos, por outro lado. Para um positivista, a lógica é uma “coisa à parte”, quase estranha à realidade; a lógica é tratada como uma “realidade imanente” que tem pouco a ver com a realidade em si mesma tal qual concebida empiricamente pelo positivismo.

O Direito Positivo transferiu esta secundarização positivista da noção de “princípio” para o Direito, fazendo com que os princípios do Direito sejam dedutíveis da prática e dos costumes, e não o contrário disto (deduzir a partir da lei natural!) — o que é absolutamente irracional e mesmo anti-científico.

Seria como se alguém dissesse que o princípio subjacente ao conceito de “energia” existe apenas e só porque verificamos que a energia existe…! ou que alguém olhe para uma bola e diga que “a bola rola porque sabemos que a bola existe”. Neste sentido, o positivismo pode ser uma espécie de idealismo; por exemplo, o idealismo de Berkeley (o “imaterialismo” que recusa a existência da matéria) é uma forma de positivismo.

A própria mentalidade pós-moderna resulta de uma transformação ideológica radical a partir do positivismo e desta inversão da relação entre os princípios e a verificação. Ao verificar empiricamente (através da estatística e da repetição dos fenómenos), a ciência positivista deduz princípios, e depois diz que esses princípios existem exclusivamente “porque se verificou”.

Ou seja, para o Positivismo, esses princípios não existiam antes da verificação do fenómeno — o que é próprio de gente com um coeficiente de inteligência ao nível do australopitecos pitecantropos, que não consegue perceber que qualquer verdade está suspensa enquanto não estiver ligada a um princípio que a garanta ou a baseie — trata-se de um movimento regressivo na direcção do incondicionado (ou princípio ou, se quiserem, o axioma que garante a verdade de uma lei, de uma norma moral ou ética, ou da própria verificação científica).

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