perspectivas

Segunda-feira, 14 Julho 2014

Um livro que deveria ser editado em português: “As Minhas Origens: Um Assunto de Estado”

Filed under: ética — orlando braga @ 11:53 am
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“Mettre un visage sur son géniteur. Audrey Kermalvezen devait déjà le désirer très fort lorsqu’elle s’est, “par hasard”, orientée vers le droit de la bioéthique. À cette époque, la jeune femme ignorait encore qu’elle avait été conçue par insémination avec donneur de sperme anonyme. Depuis qu’elle a appris la “vérité” sur son mode de conception, il y a un peu plus de quatre ans, Audrey bouillonne, décortique les textes, multiplie les recours judiciaires et les actions militantes en faveur d’une réforme législative. Connaître son origine est devenu pour elle une “affaire d’État”, titre de son livre publié le 7 mai*.”

Accès aux origines : “Ce n’est pas un chromosome qui fait le père”

Audrey Kermalvezen

Os da “Direita liberal” são os “idiotas úteis” da Esquerda

 

A convergência de posições da Esquerda e da chamada “Direita liberal”, no que diz respeito à legalização das “barriga de aluguer” (por exemplo, e entre outras posições), decorre da adopção de uma ética utilitarista (utilitarismo), ou daquilo a que Karl Marx chamava de “moral de merceeiro inglês”. E até o actual Partido Comunista já adopta a “moral de merceeiro inglês”!.

O utilitarismo, à Direita, é o de Stuart Mill: incoerente e contraditório; à Esquerda, é o utilitarismo de Bentham: um instrumento de minagem de uma ordem cultural.

O utilitarismo é sempre, nos dois casos, baseado no darwinismo: não é por acaso que Peter Singer tenha proposto que a Esquerda abandonasse provisoriamente o marxismo (“metesse o marxismo na gaveta”) e adoptasse Darwin. Portanto, tanto na Esquerda como na dita “Direita liberal”, o utilitarismo manifesta-se através de uma qualquer forma de darwinismo social. E a “barriga de aluguer” é uma forma de darwinismo social.

Afirmar que a “barriga de aluguer” será gratuita (não será um negócio), é uma falácia que nos insulta a inteligência. Por exemplo, primeiro começaram com as uniões civis gays; depois exigiram o “casamento” gay sem a adopção de crianças; depois disseram-nos que o casamento, segundo a Constituição, implica necessariamente a adopção de crianças; e agora dizem-mos que as “barriga de aluguer” não podem ser um negócio até que “a realidade exija que o negócio seja regularizado”.

Se compreendermos isto, não acharemos nada de estranho no que se relata neste texto.

Sábado, 12 Julho 2014

O professor Rolando Almeida anda a enganar os seus alunos

Filed under: aborto,ética,educação — orlando braga @ 7:17 pm
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O professor de filosofia do Ensino Secundário, Rolando Almeida, tem um Manual de Filosofia publicado com o título “Como pensar tudo isto? Filosofia 11ºano”. No referido manual, Rolando Almeida aborda a problemática ética do aborto, e na página 239 (ver aqui em ficheiro PDF), serve-se do argumento falacioso da americana Judith Jarvis Thompson que compara a situação do feto humano ao de um parasita. Cito:

«Vou pedir ao leitor que imagine o seguinte. De manhã acorda e descobre que está numa cama adjacente à de um violinista inconsciente — um violinista inconsciente famoso. Descobriu-se que ele sofre de uma doença renal fatal. A Sociedade dos Melómanos investigou todos os registos médicos disponíveis e descobriu que só o leitor possui o tipo apropriado para ajudar. Por esta razão, os melómanos raptaram-no, e na noite passada o sistema circulatório do violinista foi ligado ao seu, de maneira a que os seus rins possam ser usados para purificar o sangue de ambos. O director do hospital diz-lhe agora: “Olhe, lamento que a Sociedade dos Melómanos lhe tenha feito isto — nunca o teríamos permitido se estivéssemos a par do caso. Mas eles puseram-no nesta situação e o violinista está ligado a si”.»


É desta a forma que o professor de filosofia Rolando Almeida apresenta, aos seus alunos, a posição a favor do aborto: desligar o violinista do corpo do leitor (utilizo aqui o termo “pessoa”) é justificável moralmente mesmo que ele morra, porque manter a ligação ao violinista é apenas um acto voluntário e não necessário do ponto de vista moral. Seguindo esta analogia, o professor Rolando Almeida pretende assim apresentar aos seus alunos a posição abortista segundo a qual a decisão de manter a gravidez é apenas um acto voluntário e não necessário moralmente. (more…)

Sexta-feira, 11 Julho 2014

A eutanásia transforma o médico em um carrasco

Filed under: ética — orlando braga @ 12:59 pm
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eutanasia medico web

Quinta-feira, 10 Julho 2014

A trapalhada argumentativa do Rolando Almeida

 

Vindo de um professor “encartado” de filosofia, este verbete consegue surpreender-me; e quanto mais leio textos de professores “encartados” de filosofia, mais valor dou ao senso-comum.

Quando se diz (no referido verbete), por exemplo, que existiu uma intencionalidade, da minha parte, em ganhar “share no Google” ao escrever este meu verbete, essa opinião é inqualificável senão à luz de um cinismo de um interlocutor que me pergunta:

“¿O que é que tu pretendes ganhar com a tua posição ideológica?”

— como se toda a opinião tivesse uma motivação utilitarista. Como escreveu o poeta Óscar Wilde, ele há gente que conhece o preço de tudo e desconhece o valor do que quer que seja.

Este blogue não precisa do Rolando Almeida para ter tido cerca 2.400.000 visitas em sete anos.


(more…)

Resposta a um comentário do professor de filosofia Rolando Almeida

 

No seguimento deste meu verbete, o professor de filosofia Rolando Almeida escreveu um comentário que pode ser lido aqui, ou aqui em PDF depois de corrigido para português correcto. Segue-se a minha resposta ao comentário de Rolando Almeida.

1/ O facto de a Direcção da Escola atribuir as turmas a um professor, não significa que os critérios de ensino sejam de tal forma subjectivos que o professor possa afirmar literalmente que “os alunos são meus”.

2/ Em relação a Peter Singer: ou o Rolando Almeida desconhece os escritos do professor australiano que ensina na Universidade de Princeton (quando não deveria ensinar), ou está de má-fé. Sendo o Rolando Almeida um professor de filosofia reconhecido pelo sistema de ensino, tenho que concluir que, neste caso, ele age de má-fé.

Para que o leitor possa ter uma ideia daquilo que Peter Singer pensa e ensina, pode consultar até a Wikipédia em inglês — porque a Wikipédia brazuca nem vale a pena ler!

3/ Escreve o Rolando Almeida:

“Mas vamos supor que Singer até defendia, como alguns filósofos o fazem, que não existe qualquer problema moral no infanticídio em determinadas circunstâncias? Segue-se daí que não devam ser abordados tais argumentos quando se pensa filosoficamente sobre o assunto, mesmo em aulas do secundário? Com que seriedade se eliminam uns autores e se aceitam outros? Foi capaz de pensar nisto antes de escrever a parvoíce que escreveu?”

Para o Rolando Almeida, e por exemplo, o livro “Mein Kampf” de Adolfo Hitler poderia ser disponibilizado para leitura dos seus (dele) alunos sem uma interpretação em contexto. Eu penso que o “Mein Kampf” de Hitler não deveria ser sequer matéria de discussão em uma aula de filosofia; mas seguindo o critério do Rolando Almeida — segundo o qual “não é sério eliminar uns autores e aceitar outros” — não seria lógico que dissociássemos o autor Adolfo Hitler, por um lado, da sua obra filosófica, por outro lado (porque o “Mein Kampf” contém, em si mesmo, uma determinada mundividência e, por isso, uma filosofia).

O que me surpreende é que o “parvo” seja eu. O recurso ao ataque ad Hominem é uma falácia lógica que qualquer professor de filosofia deveria evitar.

Se se quiser ensinar Peter Singer em aulas de filosofia para adolescentes, as ideias do autor australiano não devem ser parcialmente “branqueadas” — ou seja, não se deve esconder o facto, por exemplo, de Peter Singer comparar um feto humano com um peixe.

4/ Eu não tenho nada pessoalmente contra o Rolando Almeida — que eu nem sequer conheço. O meu ataque e ideológico, e não é ad Hominem.

5/ Em filosofia, a mundividência do autor deve ser o ponto de referência do ensino da sua obra. Por exemplo, não é aconselhável ensinar Hegel senão a partir da sua (dele) mundividência que consiste na unidade dialéctica e a identidade do finito e do infinito. Só a partir deste ponto cardeal da sua (dele) mundividência se desenvolvem as teorias e o sistema hegeliano. Por isso, não é admissível que um professor de filosofia diga aos seus alunos que Peter Singer é um “altruísta” — mesmo que ele defenda um altruísmo utilitarista — quando o australiano defende (por exemplo) a ideia segundo a qual o feto humano tem o estatuto ontológico de um peixe.

6/ Os tempos estão a mudar. O relativismo do Rolando Almeida em relação à vida humana (por exemplo, explicitamente em relação ao aborto), em um tempo de depressão demográfica, coloca a mundividência do Rolando Almeida fora de moda. E é talvez isso que o preocupa e deve preocupar.


Resposta ao verbete de Rolando Almeida com o título “Contestar não é o mesmo que criticar – Resposta aos posts do Orlando”, pode ser lida aqui.

Terça-feira, 1 Julho 2014

Excelente texto

Filed under: ética — orlando braga @ 4:19 pm

 

“Até há pouco tempo o casamento era concebido universalmente como sendo constituído de três características essenciais: conjugalidade, permanência e exclusividade. As leis em vigor reflectiam, no geral, este conceito.

É também por isto que é errado dizer-se que todas estas outras formas de relacionamento são indistinguíveis daqueles actos conjugais que, devido a doença ou idade, não podem gerar filhos.

Estes actos, embora estéreis, não deixam de ser actos conjugais, da mesma maneira que um homem não deixa de ser um animal racional só porque se encontra em coma e deixou de poder exercer as suas faculdades racionais.”

Ler o resto → Amor mais fraco que o comércio

Trata-se, no fundo, de uma crítica pertinente e racional à ética do “método discursivo”, do marxista cultural Habermas. Como escrevi aqui:

“Os filósofos marxistas culturais J. Habermas e K O Apel apresentaram uma proposta de solução para o problema da fundamentação das normas morais: o “Modelo Discursivo”. Este consiste na ideia de um discurso infinito, se possível de todos os seres humanos, no âmbito de uma comunidade ideal de comunicação que permita a “fundamentação colectiva” das normas. Se as normas devem ser fundamentadas, todos aqueles a quem estas dizem respeito devem ter a possibilidade de participar na discussão sobre elas.

Se alguém afirma que o car-jacking é moralmente condenável em todas as circunstâncias, tem que afirmar o seguinte perante todas as pessoas: “Afirmo perante todos que o “car-jacking” representa uma acção moralmente proibida, declarando-me disposto a defender a minha afirmação perante qualquer pessoa”. Surge então a procura de um consenso, através de um discurso no qual podem participar em pé-de-igualdade todos aqueles que são de qualquer modo afectados. No fundo, o Modelo Discursivo é uma segunda edição da ética de Russell: se conseguirmos convencer a sociedade de que o “car-jacking” é moralmente condenável, então a sociedade convencida passa a adoptar essa norma.

Existem aqui dois problemas: o primeiro é saber se Adolfo Hitler não conseguiu convencer a maioria dos alemães que os judeus eram seres inferiores (Untermenschen) ; o segundo é saber em que é que ― no caso concreto do exemplo do “car-jacking” ― a conclusão decidida acerca da norma per se detém o indivíduo que pratica o “car-jacking”.

Por outro lado, para as pessoas que não participam na discussão ― porque não puderam fazê-lo por motivos práticos ou porque são crianças, doentes, ou porque ainda não nasceram ― não existe consenso possível. Por exemplo, se no caso do “casamento” gay ou no aborto livre existissem normas conseguidas através do Modelo Discursivo, existiria muita gente que não participou na discussão e entre elas as crianças que ainda não nasceram. Em vez de ter uma validade intemporal, a moral passa a ser uma “negociação provisória permanente” e sujeita à maior capacidade de retórica — a cada momento histórico — de quem propõe as suas normas: essa negociação nunca pode ser concluída e exclui as pessoas não nascidas. A verdade é que eu não devo ― nem ninguém deve ― subordinar os meus interesses a uma “moral de negociação provisória”.

Ademais, terá sempre que existir uma decisão moral prévia a qualquer discurso, isto é, não será nunca o consenso por si só que vai obrigar o prevaricador a agir no sentido do consenso, porque o cálculo só bate certo se todos os envolvidos abandonarem previamente o princípio do interesse próprio. Por último, não está assegurado que um discurso, por muito inteligente que seja, garanta uma certeza ― nem mesmo nas ciências da natureza.

As únicas qualidades objectivas do Modelo Discursivo são as de que este parte do pressuposto de igualdade e dignidade da pessoa humana; existem, portanto, dois valores intemporais e categóricos. Porém, em tudo o resto as objecções são evidentes.”

Domingo, 22 Junho 2014

O Puro Mal

Filed under: ética — orlando braga @ 7:43 pm

 

O Puro Mal não significa “erro”: antes, é a inversão da moral, em que um qualquer acto benigno é concebido como um pecadilho, ou um capricho que contraria a norma. O Puro Mal celebra a inversão da moral e o pecado como sendo grotescas virtudes, sem qualquer sombra de arrependimento; o caminho da iniquidade é sentido com orgulho. O Puro Mal não se limita a ferir quem o escolhe: arrasta consigo uma multidão de pessoas que ele encontra no seu percurso.

O indivíduo que escolheu o Puro Mal não é o arquétipo do ser errático e moralmente confuso: pelo contrário, é inteligente, “razoável”, escolheu conscientemente uma moral invertida que leva ao suicídio da alma, sem qualquer possibilidade de redenção. O Puro Mal causa calafrios, porque chega ao ponto de inverter a própria Razão.

puro mal

Sexta-feira, 20 Junho 2014

Avó e neto apaixonados vão ter um filho de "barriga de aluguer"

 

O Partido Socialista, o Partido Social Democrata de Passos Coelho e o CDS/PP de Paulo Portas, coordenados pela maçonaria, deveriam realizar um workshop acerca deste case study, tendo em vista o progresso da humanidade, a evolução dos direitos dos indivíduos, e o respeito pelos sentimentos e pelo amor.

Grandmother and grandson to have child together: a 72-year-old grandmother is to have a child with her grandson.

avo e neto barriga de aluguerIsto é o progresso que orgulha a esquerda: a “barriga de aluguer” ao serviço do incesto. Já estou a ver a deputeda socialista Isabel Moreira dizer que “Portugal é um país subdesenvolvido”; o socialista António Costa dizer que “a direita é conservadora”. Provavelmente vai ser criada uma comissão parlamentar para estudar o direito à “barriga de aluguer” entre pais e filhos.

Repete-se a história de Lot, do Génesis: as duas filhas embebedaram o pai e deitaram-se com ele, garantindo as suas proles. Só que desta vez ninguém precisa de estar bêbedo: é tudo feito com orgulho e em “livre consentimento entre adultos responsáveis”.

Trabalha-se afincadamente para a eliminação do último tabu: o incesto. Depois da sociedade pós-moderna, teremos a sociedade pós-incesto, e então talvez voltemos aos tempos bíblicos em que as mulheres eram raptadas e violadas para se justificar o casamento.

Tudo isto é progresso, e só os reaccionários conservadores católicos não conseguem perceber a beleza do amor.

Quinta-feira, 5 Junho 2014

“De boas intenções está o inferno cheio”

Filed under: ética,Igreja Católica — orlando braga @ 7:03 pm
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O que distingue (entre outras coisas) o catolicismo, por um lado, do luteranismo e de muitas outras religiões, como por exemplo o Budismo, por outro lado, é a máxima católica assimilada pelo povo: “de boas intenções está o inferno cheio”.

A ética católica é consequencialista — não no sentido do consequencialismo do utilitarismo, mas no sentido em que é assumido o princípio racional de que “as acções têm consequências”. Ou seja, a ética católica nega o princípio kantiano segundo o qual “a acção positiva, entendida em si mesma, é independente de qualquer consequência dessa acção” (mesmo que a consequência da acção seja negativa para os outros): pode ser, ou não!, dependendo exactamente das consequências dos nossos actos.

Por vezes pensamos estar a fazer bem aos outros e estamos a fazer mal; e só nos damos conta do mal que fizemos quando verificamos os estragos que surtiram da nossa acção, apesar da nossa boa vontade. Isto significa que os valores da ética são objectivos (existem por si mesmos e independentemente de qualquer utilidade), e não são meramente subjectivos; e que a moral prática depende, em muito, da experiência de vida — e por isso é que a nossa cultura tem defendido o respeito pelos mais velhos. A ética não se reduz a uma fórmula mágica (que resolva automaticamente todos os problemas éticos) de tipo kantiano.

O Padre Nuno Serras Pereira escreveu este artigo que vale a pena ler.

O que nós temos é um papa luterano — porque ele coloca a subjectividade acima dos valores objectivos da ética. É a primeira vez que o luteranismo de um papa se revela tão clara e evidentemente. É uma evidência que este “papa Francisco” não é católico, porque a ética e a metafísica estão intimamente ligadas, e porque uma ética subjectivista implica uma metafísica relativista (como é relativista a metafísica luterana).

Quarta-feira, 4 Junho 2014

O suicídio como acto gratuito

Filed under: ética — orlando braga @ 10:12 am
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Ninguém pode dizer que “desta água não beberei”; a realidade está sempre a colocar-nos à prova. Mas, em ética, podemos defender teses. Não é um julgamento, o que eu estou fazer aqui. Refiro-me ao suicídio do ex-autarca socialista de Torre de Moncorvo e da sua ex-mulher.

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Sábado, 31 Maio 2014

O neoliberalismo diz que “matar uma pessoa é melhor do que matar três pessoas”

Filed under: ética — orlando braga @ 12:11 pm
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No Brasil, devido à grande influência do partido marxista de Dilma Roussef, está na moda defender a ideia segundo a qual “a ética marginalista é melhor do que a ética marxista”. É falacioso que se utilize as ideias de Karl Marx para justificar as ideias de Carl Menger ou de Hayek — como se faz aqui.

Seria como se eu dissesse que “matar uma pessoa é melhor do que matar três pessoas”: o foco do argumento desloca-se para a quantidade de pessoas assassinadas e, assim, desvia-se do acto assassino. Trata-se de uma falácia da mediocridade (para além de ser uma falácia de double blind): nivela-se por baixo (com a bitola do marxismo) para se justificar a ética marginalista na economia.

Não é possível separar a ética, por um lado, da economia, por outro lado. Aliás, não é possível separar a ética de qualquer actividade humana, incluindo a política. E por isso não é possível separar a ética do marginalismo, por um lado, da economia e da política, por outro lado.

O “paradoxo do valor”, defendido pelo marginalismo, é evidentemente um paradoxo. Em lógica, um paradoxo é um raciocínio que conduz a consequências contraditórias ou impossíveis, mesmo quando não lhe conseguimos encontrar o defeito.

A utilidade do paradoxo é muitas vezes articulada a uma concepção negativa da opinião (por exemplo, nos diálogos de Platão), concebida como obstáculo à busca da verdade: ou seja, o paradoxo pode transformar-se em um instrumento de dogmatização de uma ideia ou de um conceito. O paradoxo do valor é utilizado como forma de dogmatizar a ética marginalista.

Existe uma ligação directa e íntima entre a ética de David Hume (relativismo moral), a ética do marginalismo (Carl Menger e Walras e Stanley Jevons), a ética utilitarista (de John Stuart Mill, Ayn Rand), e o neoliberalismo  (de Hayek, escola de Chicago).

É evidente que a concepção anti-utilitarista de Karl Marx (como a de Nietzsche) não faz sentido, porque as coisas têm uma utilidade objectiva. Mas o que o marginalismo fez foi perverter e adulterar a noção de “utilidade” — e essa perversão não pode ser justificação para a crítica a Karl Marx. Matar uma pessoa não é melhor do que matar três.

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