perspectivas

Sexta-feira, 24 Outubro 2014

O Frei Bento Domingues e o fim dos tabus

 

“Será que ainda existem católicos que acham que Deus se enganou ao dizer que o ser humano é homem e mulher?”Frei Bento Domingues

1/ Frei Bento Domingues cometeu propositadamente um erro lógico: de facto, Deus não se enganou ao dizer que o ser humano é homem ou mulher. É “ou”, e não “e”. O erro lógico do Frei Bento Domingues só pode ser propositado. Se perguntarem a um lógico “se é homem ou mulher”, ele responderá que “sim”. Mas parece que para o Frei Bento Domingues, a lógica é uma batata.

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Quinta-feira, 16 Outubro 2014

O “filósofo” Domingos Faria incorre no erro da Vulgata externalista

Filed under: ética,Igreja Católica — O. Braga @ 8:20 am
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O primeiro erro de Domingos Faria é o de afirmar que, segundo a Igreja Católica, o acto sexual serve para procriar — quando a Igreja Católica diz que a procriação é o “fim último” do acto sexual, e não o “fim único”. E isto é tão verdade que a Igreja Católica aceita — sempre aceitou, desde o tempo de S. Paulo! — perfeitamente a contracepção através de métodos naturais.

Portanto, o primeiro sofisma do “filósofo” Domingos Faria está desmontado.

Um segundo erro de Domingos Faria é o de referir-se à filosofia natural de S. Tomás de Aquino (e da Igreja Católica) à luz de conceitos da actual sociobiologia. S. Tomás de Aquino fez a distinção clara entre o Homem e os outros animais. Domingos Faria reinterpreta S. Tomás de Aquino à luz da sociobiologia.

Portanto, Domingos Faria parte de pressupostos errados, e por isso todo o seu desenvolvimento ideológico está inquinado. Mesmo assim, vamos ver os seguintes argumentos dele.

A posição de Domingos Faria é externalista: diz ele — quando fala do “ser” e do “dever ser” — que pelo facto de uma pessoa ter uma obrigação moral para realizar um acto, essa obrigação não consiste, em si mesma, uma razão para realizar esse acto. Domingos Faria considera que as razões para considerar uma coisa como boa não são razões para escolher essa coisa.

Ora, não é porque uma coisa é desejada e/ou desejável que ela é boa! Podemos desejar uma coisa má. O desejo em si mesmo não define a bondade da coisa, mas antes é a bondade da coisa que pode determinar o desejo (em uma mente bem formada) que, no limite, se orienta para um “fim último” (e não um “fim único”, como pretende dizer Domingos Faria).

Portanto, Domingos Faria está errado: quando decidimos sobre o que queremos fazer, a nossa vontade (desejo) discricionária e arbitrária não faz parte das razões para agir. Foi isto que S. Tomás de Aquino quis dizer — antes que Domingos Faria metesse conceitos científicos modernos de permeio com a ética.

zoofiliaPor fim, em uma contradição inaceitável em um “filósofo” (porque ele valorizou a força do desejo anteriormente), Domingos Faria passa a desvalorizar o desejo (que é uma componente psicológica do ser humano) quando compara (ou coloca em um mesmo plano de análise) o uso do pénis, por exemplo, com o uso dos pés para chutar uma bola.

Segundo o “raciocínio” do “filósofo” Domingos Faria, o sexo com animais, por exemplo, pode ser legítima-, ética- e racionalmente defensável — porque o factor psicológico do desejo é por ele (por Domingos Faria) desvalorizado, e o uso dos órgãos sexuais é reduzido a uma qualquer função mecânica de um outro órgão qualquer do corpo, como por exemplo um pé que chuta uma bola.

Nós desejamos jogar futebol; o chuto na bola não é uma causa, mas antes é um efeito do desejo de jogar futebol.

Portanto, é a bondade do desejo que devemos analisar, e as consequências do desejo podem ser melhores ou piores, mais ou menos positivas — porque desde Sócrates que sabemos que ninguém faz o mal pelo mal: as pessoas querem sempre um qualquer bem, nem que seja o seu bem exclusivo e egoísta, que não deixa de ser um bem, embora um bem menor que não tem em conta o “fim último” defendido pela Igreja Católica.

Quarta-feira, 15 Outubro 2014

Teresa Leal Coelho e o Direito casuístico

 

“Teresa Leal Coelho, que esteve esta terça-feira numa conferência sobre direito da família e dos menores na Universidade Lusíada de Lisboa, explicou que, quando tiverem de decidir sobre casos concretos, mesmo com a lei actual, os juízes podem sempre alegar que a proibição de co-adopção pelos casais do mesmo sexo viola a Constituição.”

Teresa Leal Coelho desafia juízes a permitirem co-adopção

Uma coisa é a opinião pessoal que Teresa Leal Coelho tenha da Constituição; outra coisa é a defesa da aplicação casuística do Direito.

A casuística actual é um retorno ao pior da Idade Média. Por exemplo, S. Bernardo de Claraval defendeu a ideia segundo a qual seria legítimo que um homem se deitasse com a mulher de outro, “se assim fosse o desígnio de Deus”. Ou seja, cornear o parceiro não seria eticamente reprovável se correspondesse aos “desígnios de Deus”. O problema é o de saber se, neste caso, os desígnios de Deus são verdadeiros e, por isso, se são legítimos.

A casuística é isto: cada um pode invocar um qualquer “deus” para justificar subjectivamente uma excepção à regra normativa. No caso da casuística de Teresa Leal Coelho, os deuses são os juízes.

Eu não sei se a Teresa Leal Coelho é burra ou se é uma espécie de peça de decoração de um lupanar de banlieue.

Domingo, 12 Outubro 2014

A Esquerda caviar, a Direita salmão, e adopção de crianças por pares de invertidos

 

Para além da Esquerda caviar, existe em Portugal uma Direita salmão-rosa que defende o casamento anfíbio: a reprodução anfíbia é externa e a desova é feita em ambiente adequado e politicamente correcto para que a “prole” se mantenha viva.

“Temos uma dinâmica familiar em que ambos assumimos o papel de pais, a lei só me reconhece a mim, mas o nosso filho não tem dúvidas”, revela Diogo Infante.

Há uma dúvida que o filho adoptivo dele não tem: é a de que não tem mãe conhecida.

foi cesarianaNão ter mãe ou pai conhecidos, é uma infelicidade. Mas uma coisa é admitirmos que existem casos de crianças que, por infelicidade, não têm mãe conhecida; e outra coisa é apoiar um movimento político homossexualista que fomente a proliferação e vulgarização de mães desconhecidas. Uma coisa é constatar que as desgraças existem; outra coisa é tentar promover e normalizar a desgraça das crianças em nome de putativos “direitos” de adultos.

Ademais, há aqui um detalhe que não é despiciendo: o facto de a lei permitir, por hipótese e por exemplo, que um homem se “case” com o seu cão, não se depreende dessa permissão legal que exista de facto um “casamento”. A lei pode ser o que qualquer doente mental quiser; o casamento, não.

Esta gente mete nojo! — não porque sejam homossexuais (cada um come do que gosta), mas porque apresentam sintomas claros de psicopatia: não conseguem colocar-se no lugar de uma criança a quem é apagado, do registo civil, o nome da mãe e de todo o ramo familiar materno.

E, não contentes com isso, pretendem levar a sociopatia mais longe através das “barriga de aluguer” que será a próxima guerra destas bestas com forma humana.

Quinta-feira, 9 Outubro 2014

A Direita da Esquerda

Filed under: aborto,ética,Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 12:36 pm

 

“Os “partidos moderados e conservadores” acabem por se constituir como os nossos principais e mais perigosos “inimigos”. Nessa medida, qualquer estratégia (como a que temos visto ser seguida pela FPPV, culminando com esta “iniciativa legislativa”) que passe por alguma forma de enfeudamento da Causa da Vida a partidos como o PSD ou o CDS, acaba por representar um grande perigo para o futuro e acutilância do movimento pro-Vida.”

Assino por baixo. Com as duas mãos.

Quanto mais a Esquerda radicaliza, mais o centro político se distorce em direcção à esquerda, e mais os partidos “conservadores” e “moderados” se aproximam desse centro político distorcido e esquerdizado. E quanto mais esta estratégia esquerdista dá resultados práticos, mais a Esquerda radicaliza. Segue-se uma dinâmica de esquerdização da “direita”, na sua ânsia de se aproximar do “centro” político moldado pela moda do Zeitgeist pautado pela agenda política de Esquerda.

Caricaturando: se a Esquerda radicalizar e defender o aborto aos nove meses de gravidez, segue-se que a “direita”, na sua ânsia de se aproximar do “centro”, compromete-se a anuir com o aborto aos cinco meses de gravidez.

Por outro lado, vivemos em um tempo em que a lei esquerdista promulgada assume uma condição de dogma: qualquer lei de esquerda é considerada, mesmo pela “direita”, como sendo irrevogável. É neste sentido que Juan Manuel de Prada diz que “os partidos conservadores conservam as leis da Esquerda”.

Portanto, deveria ser a ética a condicionar a política — e não a política a definir a ética, como defendem todos os partidos políticos portugueses. Submeter a ética à política é recusar o facto de os valores da ética existirem em si mesmos e independentemente de qualquer utilidade prática. Esta é uma das razões por que o actual sistema político, que transformou a liberdade em uma espécie de escravatura, irá provavelmente desabar mais cedo que tarde.

Terça-feira, 7 Outubro 2014

Imaginem que um meu filho fazia parte de uma quadrilha de ladrões…

Filed under: ética,Igreja Católica — O. Braga @ 8:27 am
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… e ele queria passar o Natal na companhia do pai, mas queria também trazer os membros da quadrilha para a nossa ceia de Natal. ¿Deveria eu, em nome da “compaixão e da misericórdia” condescender e aceitar os amigos larápios do meu filho na minha noite de Natal?

O Fratres in Unum parece pensar que eu deveria ter “compaixão e misericórdia” e conviver com ladrões na noite de Natal, e só porque um filho meu é também “amigo do alheio”. É isso que está em causa no sínodo promovido pelo Papa apóstata: transformar a tolerância em permissividade.

Domingo, 5 Outubro 2014

Nova Ordem Mundial (1)

Filed under: ética,cultura — O. Braga @ 11:16 am

 

Terça-feira, 30 Setembro 2014

A pseudo-ciência aplicada à ética

Filed under: ética,Ciência — O. Braga @ 1:23 pm
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A pseudo-ciência é um fenómeno cultural oriundo da Esquerda; tem a sua raiz no cientismo jacobino de Augusto Comte, evoluiu através do socialismo maçónico francês do século XIX, depois através de Karl Marx, e finalmente através do Existencialismo materialista (por exemplo, Jean-Paul Sartre).

O David Marçal conta aqui um caso típico de pseudo-ciência na cultura antropológica, em que mulheres andaram de mamas ao léu no Algarve. Na pseudo-ciência, a ciência assume uma dimensão de possibilidade de mudança da natureza fundamental da realidade (fé metastática). Daqui não viria grande mal ao mundo se a pseudo-ciência não passasse a influenciar a ética.

Uma característica da Esquerda é o determinismo ético — a negação do livre-arbítrio humano — que deriva da implantação da pseudo-ciência no imaginário cultural esquerdista. Por exemplo, o caso que a Helena Matos revela aqui: segundo os me®dia, a crise na economia conduz inevitavelmente a uma decadência moral; trata-se da criação de um nexo causal (pseudo-científico) que não existe de facto.

Esta é uma das razões por que a Esquerda judicializa a ética; ou seja, substitui a ética e a moral pelo Direito Positivo. A própria lei passa a substituir a norma moral que por sua natureza não é escrita, o que significa que os juízes, por um lado, e os especialistas técnicos (médicos, por exemplo), por outro lado, passam a ter o poder político quase plenipotenciário que era próprio dos padres e bispos católicos da Idade Média. Vivemos hoje em uma “Idade Média contemporânea”.

A aliança entre a pseudo-ciência e o Direito Positivo é uma nova forma de opressão esquerdista e um instrumento político de restrição da liberdade do cidadão.


O determinismo moral pode ser caricaturado da seguinte forma: um assassino em série declara, perante o juiz:

— Senhor doutor juiz: a culpa dos homicídios não é minha!: em vez disso, é dos meus genes!

Depois, caberá ao juiz e de uma forma quase arbitrária, decidir se a culpa é dos genes ou do meio-ambiente em que o assassino foi criado. Esta é uma das razões por que a Esquerda pretende atenuar e diminuir as penas de prisão: porque nega a existência do livre-arbítrio no ser humano.

Sábado, 20 Setembro 2014

“O Relojoeiro Cego” de Richard Dawkins

Filed under: ética,Ciência,filosofia,Quântica — O. Braga @ 2:07 am
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“É imoral permitir o nascimento de crianças com síndroma de Down.”Richard Dawkins, no Twitter

“Na minha vida particular, estou pronto a exaltar-me com pessoas que cozem as lagostas vivas” — Richard Dawkins, “O Relojoeiro Cego”, 1986


“A biologia é o estudo de coisas complicadas, que aparentam terem sido concebidas com uma finalidade. A física é o estudo de coisas simples, que não nos tentam a invocar a concepção”. — Richard Dawkins, ibidem

“A física parece ser um tema complicado, porque nos é difícil entender as ideias da física.

(…)

O comportamento dos objectos físicos, não biológicos, é tão simples que é viável utilizar uma linguagem matemática conhecida para o descrever, razão por que os livros de física estão cheios de matemática.

Os livros de física podem ser complicados, mas os livros de física, tal como os automóveis e os computadores, são produto de um objecto biológico — a inteligência humana. Os objectos e os fenómenos que um livro de física descreve são mais simples do que uma única célula do corpo do seu autor”. Richard Dawkins, ibidem


Eu já pensei em criar um blogue com o título “O Relojoeiro Cego”, para ir refutando sistematicamente o livro. Mas depois pensei que seria uma tarefa inglória, porque seria lutar contra o paradigma científico de Richard Dawkins que marca, por exemplo, o blogue Rerum Natura. Talvez seja mais eficaz o que Passos Coelho está a fazer: corta-se neste tipo de “ciência”, e pronto!

Eu acho inacreditável como um professor universitário de Oxford tenha escrito dislates deste calibre. Mas isto é só uma pequena amostra (se calha, escrevo mesmo o blogue!). Por exemplo, sem a força entrópica da gravidade — que a física estuda — não seria possível que da realidade das partículas elementares pudessem surgir os aminoácidos que, através daquilo a que Richard Dawkins chama de “acaso cumulativo”, “aparecem espontaneamente” na natureza de sequência correcta para formar uma proteína.

Ou seja, a “inteligência humana”, a se refere Richard Dawkins, só se tornou possível porque existe uma área da Realidade primordial e muito complexa que a física estuda; e a biologia vem depois.

Afirmar que a interligação entre a força quântica, por um lado, e a força entrópica da gravidade, por outro lado, — interligação essa que está na base da teoria atómica e da física molecular que, por sua vez, estão na base do “surgimento” das moléculas, ácidos nucleicos, enzimas, etc.) — são “fenómenos simples de descrever”, é absolutamente inacreditável vindo de um professor universitário da área das ciências.

O sofisma de Richard Dawkins, tal como o dos darwinistas primevos (que diziam que “a célula viva surge espontaneamente da lama”), corresponde a uma certa ideia errada de Hegel, por um lado, e de Spencer, por outro lado, segundo a qual “o progresso é uma lei da natureza” e que “a evolução se processa necessariamente do mais simples em direcção ao mais complexo”. Como não se conhece empiricamente aquilo a que se chama de “simples”, então diz-se que “não é complexo”.

Como é evidente que Richard Dawkins tem uma enorme dificuldade de abstracção, afirma ele que “os livros de física estão cheios de matemática”, como se a matemática fosse a tal coisa “simples” que — na opinião dele — não se compara com a “complexidade da biologia”.

Eu não acho que cozer uma lagosta viva seja um acto de bom gosto; mas também não acho que seja imoral deixar nascer uma criança com síndroma de Down.

O que é anormal no tipo de “ciência” e de “cientistas” que temos hoje, é que se defenda a pertinência da primeira posição e a impertinencia da segunda posição. Mas é este tipo de “ciência” que é defendido, por exemplo, no blogue Rerum Natura. É este tipo de gente que tem que ser combatido sem quartel. Bem haja Passos Coelho, neste particular.

Quinta-feira, 21 Agosto 2014

Os “humanistas” são desumanos

Filed under: ética — O. Braga @ 8:30 am
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Duas notícias em dois dias: Peter Singer defende a ideia segundo a qual os condenados a prisão perpétua deveriam ter direito a escolher a eutanásia; Richard Dawkins defende a ideia de que “quem não aborta uma criança com síndroma de Down é imoral”.

O leitor poderá questionar-se: “¿e que importância tem isso? Ninguém lhes dá atenção!”. Porém, é bom recordar que dois malucos do século XIX tiveram ideias esquisitas e que aparentemente ninguém lhes deu atenção, mas que foram responsáveis morais pela morte de muitas dezenas de milhões de seres humanos: Karl Marx e Nietzsche.

lifeDizer a um condenado a prisão perpétua que ele tem a opção da eutanásia, e dada a situação em que ele se encontra, não é só sugerir-lhe a eutanásia: é induzi-la psicologicamente. Um condenado a prisão perpétua nunca está em uma situação de autêntica liberdade para escolher a eutanásia. Por isso, a sugestão da eutanásia a um condenado a prisão perpétua é uma indução psicológica directa para que ele escolha morrer. No fundo, Peter Singer sugere uma pena-de-morte “à la carte”, que tornaria possível que o sistema jurídico e prisional reintroduzisse a pena-de-morte pela porta do cavalo.

Por outro lado, muitos condenados a prisão perpétua — por exemplo, nos Estados Unidos — saem da prisão após umas dezenas de anos, ou por motivos de saúde, ou por bom comportamento, ou porque estão já muito velhos. Portanto, não é liquido que uma pessoa condenada a prisão perpétua ficará necessariamente toda a vida na prisão.

Na linha de Peter Singer, Richard Dawkins inverte os princípios e os valores da ética: diz ele que quem não aborta uma criança com síndroma de Down, é imoral. Ou seja: quem mata é moral, quem não mata é imoral.

Assim como não se pode provar que Karl Marx e/ou Nietzsche desejaram a morte de dezenas de milhões de pessoas no século XX, também não poderemos provar que Richard Dawkins desejou que o princípio que ele defende hoje seja o esteio de uma futura política eugenista agressiva, que abranja não só as crianças com síndroma de Down, mas que também pretenda eliminar qualquer outra característica humana segundo a moda da época.

“Se a vida não é um continuum, da concepção à morte natural, então segue-se que todos nós somos vítimas potenciais se cairmos na desgraça de não agradarmos à elite que nos controla”John Calvin Thomas

Sexta-feira, 15 Agosto 2014

O cientista entendido como super-homem, e a ciência como sobrenatural

Filed under: ética,Ciência — O. Braga @ 11:56 am
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Como é sabido, a ciência parte do princípio de que se corrige a si mesma. Mas, paradoxalmente, este princípio de auto-correcção da ciência conduziu hoje à ideia de que a ciência não erra — porque se ela se auto-corrige, os erros são apenas incidentes menores no percurso que legitima a ideia imanente de “perfeição da ciência”.

O cientista é hoje concebido como uma espécie de super-homem cujos “super-erros” apenas legitimam a sua supra-naturalidade — porque os erros do “cientista super-homem” têm uma importância menor, assim como erros do deus grego Zeus não lhe retiravam a divindade mas antes catapultavam o estatuto do erro divino para uma dimensão sobrenatural. Hoje, a ciência é um mito e os cientistas fazem parte de um panteão.


madre-teresa-de-calcutaLemos aqui uma história verdadeira de uma mulher italiana que desejava engravidar por intermédio de inseminação artificial (vulgarmente chamada de “IVF”). Porém, aconteceu um erro humano: houve uma troca de embriões na clínica de fertilização, e foram-lhe implantados os embriões de um outro casal que também estava à procura de uma gravidez.

Naturalmente que a referida mulher, grávida de gémeos, diz que os filhos são seus porque é ela que está grávida e é ela que vai parir as crianças. Já o casal “proprietário” dos embriões diz que os filhos são seus, porque os genes das crianças estão relacionados com o casal.

Gerou-se uma guerra jurídica entre a mulher e o casal, mas ninguém colocou em causa a possibilidade de erro científico e/ou técnico. Ninguém critica o procedimento da IVF. A ciência tornou-se sobrenatural e, por isso, isenta de erros. Os erros da ciência transformaram-se em uma espécie de “necessidade” isenta de qualquer contingência — e, como tal, não são considerados erros humanos propriamente ditos.

Espantosa foi a solução para o problema apresentada pela bio-ética italiana: a mulher e o casal, em conjunto, devem participar na criação e educação das crianças!

Em vez de tentar remediar um erro humano, a bio-ética justifica o erro técnico-científico “sobrenatural” criando um problema maior. Em nenhum momento a IVF é colocada em causa: em vez disso, “empurra-se o problema com a barriga” e complica-se ainda mais aquilo que seria relativamente simples de resolver: se não podem ter filhos, adoptem crianças!

Sábado, 9 Agosto 2014

O raciocínio do ateu Ludwig Krippahl acerca da família e da adopção de crianças por pares de invertidos

 

Já algum tempo que não ia ao Icerocket e hoje vi isto. O ateu Ludwig Krippahl, mais uma vez e conforme a tradição dos ateus (porque os ateus também têm tradição!, como toda a gente), pede para “ser debatido”. Vamos lá fazer-lhe a vontade… porque isto até me dá um certo gozo.

“Seguindo a ordem do Orlando, começo por Paulo Otero, professor catedrático de direito constitucional. Alegou ser uma questão importante a de se o legislador deve favorecer a reprodução medicamente assistida ou a adopção. Não vejo o que o legislador tenha que ver com isso. Umas pessoas preferirão uma, outras a outra, e o papel do legislador será apenas respeitar a escolha.”

Respeitar a escolha”. Aqui, faz-se o apelo ao livre arbítrio (já lá iremos).

A lei é vista (pelo Ludwig Krippahl) de tal forma que o Código Civil poderia ocupar uma biblioteca inteira, se cada “escolha” de cada cidadão passasse a ser “respeitada” por lei. Segundo o ateu Ludwig Krippahl, a lei não é geral: pelo contrário, cada facto pode determinar uma lei que serve para “acomodá-lo”. Ora, todas as escolas filosóficas — sérias, porque o ateísmo não é nem sério nem filosófico porque qualquer negação de uma metafísica volta a ser, ela própria, uma metafísica — estão de acordo com a ideia segundo a qual os factos não criam normas, embora as normas possam criar factos. Mas o Ludwig Krippahl pensa ao contrário: segundo ele, os factos criam normas.

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