perspectivas

Sexta-feira, 31 Julho 2020

A diferença ética e ontológica entre o Bloco de Esquerda e o IL (Iniciativa Liberal)

Filed under: animalismo,ética,marxismo,marxismo cultural,Peter Singer — O. Braga @ 6:28 pm
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Nicolás Gómez Dávila escreveu o seguinte, acerca do regime de democracia representativa:

“Hay que repetirlo y repetirlo: la esencia de la democracia es la creencia en la soberanía de la voluntad humana.”

Desta vez não concordo com ele. A democracia americana, tal como estipulada originalmente pela Constituição dos Estados Unidos, não prescinde de Deus: a vontade humana, neste caso, só existe com o beneplácito da vontade de Deus.

Se a vontade humana for uma consequência da vontade de Deus, então a vontade humana torna-se dependente de um primeiro princípio, ou de um axioma — ou de um “dogma” como se escreve aqui. E, sendo dependente, a vontade humana não é soberana, mesmo que o ser humano viva em democracia.

O facto de se viver em democracia não significa necessariamente que se imponha, na cultura antropológica  a crença  na soberania da vontade humana.


O que está a acontecer é uma revolução cultural e uma mudança de paradigma. Há cada vez mais pessoas que salvariam o seu cão em vez de um vizinho (des)conhecido de se afogar. O Humanismo está em falência não por ser errado, mas porque não tem sabido reconhecer no Animalismo um inimigo fatal.”

Em defesa dos direitos humanos ou introdução ao artigo de Joaquim Grave


Existe uma diferença de propósitos entre o liberalismo (utilitarismo) de Stuart Mill, por um lado, e o marxismo cultural, por outro lado.

O liberalismo utilitarista de Stuart Mill [representado actualmente em Portugal pelo IL (Iniciativa Liberal) e pelo PSD de Rui Rio] tinha (em finais do século XIX) como preocupação a organização da sociedade em benefício de seres humanos considerados “extraordinários” e extravagantes (os novos “super-homens” da nova aristocracia burguesa), e por isso obrigando toda a gente a “libertar-se” das restrições das tradições e dos costumes.

O marxismo cultural (representado em Portugal pelo Bloco de Esquerda, partido Livre, e uma parte do Partido Socialista, PAN) pretende o fim das restrições dos costumes como uma forma de minar a sociedade por dentro, tendo em vista um fim oposto ao do liberalismo: a instauração de um totalitarismo que imporá um “paraíso na Terra”, e que (alegadamente) surgirá espontaneamente na sequência de uma espécie de “apocalipse” (Fé Metastática).

O liberalismo utilitarista conduz a um social-darwinismo (uma sociedade organizada em benefício dos mais fortes). O marxismo cultural conduz a um totalitarismo distópico de tipo previsto no romance “1984” de George Orwell.

Ou seja, os meios são semelhantes entre uma e outra ideologia; mas os fins (os propósitos) são diferentes.

A preocupação do liberalismo utilitarista de Stuart Mill é com as “normas sociais opressivas” (a “libertação” em relação à opinião pública); em contraponto, os marxistas culturais servem-se da guerra contra as “normas sociais opressivas” para uma “destruição criativa”, radical e utópica da sociedade, tendo em vista um “paraíso” totalitário.


Uma sociedade sem tabus é um “círculo quadrado”.

especismo-2-webQuando se diz (na citação) que “o que está a acontecer é uma revolução cultural e uma mudança de paradigma”, o que se pode dizer é que o que está em causa é uma tentativa (por parte dos marxistas culturais) de mudar os tabus que regem a nossa sociedade — porque eles sabem muito bem que uma sociedade sem tabus é um “círculo quadrado”.

O aborto, o eugenismo, a eutanásia e o infanticídio são cada vez mais defendidos abertamente pelo movimento ecologista; os direitos dos animais em geral são equiparados aos direitos humanos.

Para que o aborto, o eugenismo, a eutanásia e o infanticídio deixem de ser tabus culturais, a Esquerda tem que encontrar (e impôr) novos tabus culturais — por exemplo, a censura da linguagem em nome de uma total discricionariedade subjectivista, a negação da existência dos dois sexos em nome da “igualdade”, a deslocalização do conceito de “opressão” da economia (marxismo clássico) para a psicologia — tornando a liberdade de expressão o grande problema da sociedade, e não a solução preconizada pelo Iluminismo; e o maniqueísmo de Marcuse traduz-se no conceito de tolerância repressiva: o marxismo cultural entende a liberdade de expressão como um mal que tem que ser erradicado.


end-espexcismo-webO movimento ecologista e animalista internacional trabalha arduamente para conduzir a humanidade à barbárie eugenista e anti-humanista a que já assistimos no princípio do século XX, nomeadamente com a ligação íntima entre os “Green Wing” alemães (Wandervögel) e o movimento nazi.

Hitler e Himmler eram vegetarianos e consideravam os direitos dos animais a par e equivalentes aos direitos humanos (Hitler gostava mais de cães do que de pessoas) ; a política nazi do “Blut und Boden” (Sangue e Chão) é indissociável da sua componente ideológica ecologista, que se desenvolveu a partir dos filósofos românticos como Nietzsche e do mito dogmático darwinista.

Mais tarde no século XX, alguns “filósofos” seguiram a tradição “revolucionária” de menorização da importância do ser humano no contexto da Natureza, nomeadamente Marcuse e/ou Heidegger; mas também, por exemplo, pelo Padre jesuíta (e, por isso, panteísta) Pierre Teilhard Chardin que muitos "católicos fervorosos" prezam.

Porém, o verdadeiro guru do animalismo ecologista actual é Peter Singer.

Para que se tenha uma ideia do enorme problema que os portugueses têm entre mãos, grande parte dos professores de filosofia em Portugal doutrinam as nossas crianças com a teoria do “especismo”, da autoria de Peter Singer (a ler: A incoerência da teoria ética de Peter Singer).

Em Portugal, um dos exímios intérpretes de Peter Singer é Pedro Galvão, que os “professores de filosofia” que estão na moda tanto respeitam.

Quarta-feira, 13 Maio 2020

A escola pública ensina e aconselha aos adolescentes as “virtudes do infanticídio”

Filed under: ética,educação,Ensino,Esquerda,esquerdopatia,Peter Singer — O. Braga @ 5:08 pm

Peter Singer é um professor de filosofia (o que não significa que ele seja necessariamente um filósofo) nos Estados Unidos.

Faz parte da filosofia moral de Peter Singer a defesa da legalização do infanticídio; e é esta “filosofia moral” que é ensinada a adolescentes do 10º ano de escolaridade, no “telensino” do Rolando Almeida.

telensino-singer-web

E depois temos gente a pedir prisão perpétua para os infanticidas — fazendo de conta que não sabem que é o próprio sistema de ensino e a cultura adquirida que estimulam a prática de infanticídio.

Segunda-feira, 2 Março 2020

A vida humana, enquanto fenómeno biológico, não pode estar sujeita a interpretações filosóficas por parte dos médicos

Filed under: eutanásia,Peter Singer,utilitarismo — O. Braga @ 4:31 pm

Temos aqui um texto no Observador assinado por uma menina de seu nome Mar Mateus da Costa — se ela fosse estrábica, seria Marissol: teria um olho no Mar e o outro no Sol; mas o estrabismo da Mar é ideológico: através da ambiguidade e da ambivalência no que diz respeito à eutanásia, a Mar acaba por ceder à permissividade em relação ao irracional. Ela não é Marissol de nome, mas é uma Marissol mental.

Tem-se feito tudo para se justificar a irracionalidade da eutanásia patrocinada e perpetrada pelo Estado, ao mesmo tempo que se iliba o Estado de responsabilidades nos cuidados paliativos.

Há um trecho do texto da Marissol que salta à vista:

«A Constituição atesta a inviolabilidade da vida humana, pelo que a Assembleia da República, ao aprovar os projectos-de-lei dos demais partidos, separou claramente o conceito de vida humana do conceito de meramente estar vivo. Se aceitarmos esta separação, somos também forçados a aceitá-la na formulação de Genebra. Quer então isto dizer, por hipótese, que se um médico não se declarar objector de consciência, não estará a violar o juramento que fez no início de carreira. Naturalmente, caso se declare o problema não se aplica.»

(more…)

Quarta-feira, 5 Julho 2017

O grau zero da ética

Filed under: ética,Desidério Murcho,filosofia,Peter Singer,Rolando Almeida — O. Braga @ 7:00 pm

 

Quando nós temos gente miserável, do ponto de vista ético, a dar aulas de filosofia aos nossos filhos ou netos, deparamo-nos com artigos destes ilustrados com imagens como esta aqui em baixo:

peter-singer-obesidade-custos

O problema ético da obesidade, segundo o Rolando Almeida (que segue o guru Peter Singer), são os “custos extras”.


Bobbi-Jo-Westley-webPodemos inferir do “raciocínio” do Peter Singer (que o Rolando Almeida venera) que “se a obesidade não tivesse custos extras” — por exemplo, se existisse a eutanásia compulsiva para os obesos — “não haveria qualquer problema ético com a obesidade”. E nada vale ao Rolando Almeida meter o Desidério Murcho na “cumbersa” — porque se o Desidério Murcho pensa da mesma maneira que o Rolando Almeida, é tão sabujo quanto ele.

Vemos, por exemplo, aqui ao lado a foto de uma mulher que pesa 250 kg e diz que se sente orgulhosa em ter as ancas mais largas do mundo com 2,41 metros.

Basta olharmos para ela para percebermos intuitivamente que o problema dela não são os “custos extras”; qualquer pessoa mentalmente saudável — que não seja o Rolando Almeida ou o Desidério Murcho — percebe intuitivamente que o problema dela é o da sua própria saúde, e que o valor da saúde dela está antes (vale mais do que) de qualquer custo material que possa existir em relação à sua condição existencial.

Por outras palavras: não existe qualquer consenso sobre quanto vale uma vida humana — mas o Peter Singer, o Rolando Almeida e o Desidério Murcho, entre outros, já fizeram as contas e já sabem quais são os “custos extras” de uma qualquer vida humana.

O problema acontece quando nos calha a nós próprios. O Peter Singer andou décadas a dizer que a vida dos doentes de Alzheimer não valia a pena ser vivida, mas quando a mãe dele contraiu a doença de Alzheimer, Peter Singer contratou as melhores enfermeiras para estarem com ela 24 horas por dia. E é este filho-de-puta incoerente que é adorado por “professores de filosofia” que escrevem livros, mas que têm um défice cognitivo evidente.

Reduzir os valores da ética aos “custos”, é de um cinismo inqualificável; ou é próprio de um mentecapto.


O verbete do Rolando Almeida em ficheiro PDF

Quarta-feira, 5 Abril 2017

Peter Singer diz que é eticamente correcto violar sexualmente deficientes mentais e crianças

Filed under: ética,Peter Singer,utilitarismo — O. Braga @ 11:48 am

 

Gostaria de saber como o Rolando Almeida (grande admirador de Peter Singer) e o guru Desidério Murcho irão descalçar esta bota.

No seu livro, “Pratical Ethics”, Peter Singer defende a ideia segundo a qual as crianças nascidas com deficiências devem ser assassinadas (voltamos ao tempo de Aristóteles); e vai mais longe: no caso de crianças nascidas com spina bifida, é moralmente errado e grave não as assassinar.

No caso de crianças nascidas com deficiências menos graves como, por exemplo, a hemofilia, Singer diz que a vida dessas crianças depende da opinião dos pais: se os pais se sentem felizes com um filho com hemofilia, então essa criança não é assassinada. Se o assassínio de uma criança hemofílica não tem consequências adversas em relação a outras pessoas — argumenta Singer —, então será eticamente correcto assassiná-la.

É este filho-de-puta que é professor de bioética da universidade de Princeton. E há outros filhos-de-puta parecidos com ele que controlam as decisões éticas universais em Portugal. É tempo de mudar, e radicalmente; este tipo de gente deve estar na prisão, e não nas universidades.


Mas o filho de um cabrão vai mais longe; em um artigo publicado no NYT, Peter Singer defende a ideia segundo a qual não é moralmente errado violar (sexualmente) pessoas deficientes cognitivas. [já estou a ver o Manuel Pureza e o Bloco de Esquerda a ficarem excitados com esta ideia]

Diz ele (Peter Singer), resumindo:

Se assumirmos que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não percebe o significado das relações sexuais, e/ou não percebe o significado da violação sexual, então essa pessoa é incapaz de dar um consentimento informado para relações sexuais; aliás, essa pessoa não tem sequer a noção do que é o “consentimento sexual”. Porém, parece ser razoável deduzir que a experiência da violação sexual seja prazenteira para essa pessoa deficiente — porque mesmo que tenha uma deficiência cognitiva, essa pessoa poderia oferecer resistência à violação sexual.

¿O que é que o cabrão do Peter Singer quer dizer com isto? Notem bem.

Peter Singer assume que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não tem a noção de “consentimento sexual”. E porque não tem a noção de “consentimento sexual”, não pode assumir esse consentimento sexual. E porque essa pessoa não resiste à violência sexual, é razoável assumir que o deficiente cognitivo “estava numa boa” enquanto estava a ser violado — o que significa que (segundo Peter Singer) é irracional que alguém pense que causaria qualquer dano o exercício de um acto sexual não-consensual com essa pessoa deficiente cognitiva.

Ou seja: se uma pessoa é “suficientemente” deficiente mental, então é correcto violá-la sexualmente, desde que essa pessoa deficiente não ofereça resistência. O argumento é exactamente o mesmo defendido por Singer a favor da bestialidade (o sexo com animais): Peter Singer coloca os animais, em geral, no mesmo plano ontológico de um ser humano deficiente cognitivo. E como as crianças também não têm a noção de “consentimento sexual”, Peter Singer defende a pedofilia, desde que as crianças não resistam à violação sexual do adulto.

Da próxima vez que o Rolando Almeida vier defender as teses de Peter Singer, vou ter que o insultar aqui.

O que é espantoso no argumento de Peter Singer é o seguinte: se uma pessoa não tem a noção de “consentimento sexual”, então não existe “violação sexual”. Seria, mais ou menos, como dizer que uma boneca insuflável não pode dar o consentimento sexual nem alegar violação sexual. Portanto, violar pessoas com deficiência cognitiva profunda é eticamente aceitável.

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