perspectivas

Segunda-feira, 28 Fevereiro 2022

Olavo de Carvalho começa já a fazer muita falta ao Brasil

Nós não devemos criticar os Estados Unidos quando invadem outros países (por exemplo, GWB invadiu o Iraque, ou Obama que invadiu a Líbia), e simultaneamente apoiar a Rússia quando esta invade, por exemplo, a Ucrânia. Porém, é isto que uma certa Direita faz, nomeadamente uma certa Direita “bolsonarista” no Brasil.

bolsonaro russia web

Quando ouvimos os comentários de Bolsonaro em relação à invasão da Ucrânia por parte da Rússia, percebemos que ele não “se põe de fora” do apoio a Putin:

«In a news conference on Sunday, Brazil’s president Jair Bolsonaro mocked Ukrainian President Volodymyr Zelensky – saying his counterpart’s people had placed their hopes in the hands of a comedian.
Bolsonaro has refused to condemn Russia’s invasion and on Sunday said Brazil would stay "neutral" in the conflict, adding that Brazil and Russia are "practically brother nations”.
"We will not take sides, we will continue being neutral, and help with whatever is possible," Bolsonaro said. "A big part of Ukraine’s population speaks Russian."
He claimed he also held a two hour discussion with Putin on Sunday, but the country’s foreign ministry later clarified that he was referring to his visit to Moscow earlier this month.»

Por um lado, Bolsonaro diz que defende a neutralidade política em relação à invasão da Rússia; mas, por outro lado, Bolsonaro diz que “uma grande parte da população da Ucrânia fala russo” — o que é falso, porque 17% da população de etnia russa na Ucrânia não é “uma grande parte”: é uma minoria.

Na Ucrânia, é certo que cerca de 30% da população fala russo, mas destes 30%, apenas 56% têm o russo como língua nativa (são biologicamente russos) — o que reduz a etnia (biológica) russa da Ucrânia para 17% do total da população.

O argumento de Bolsonaro é (metaforicamente) o seguinte: “mais de 50% da população portuguesa fala inglês, e por isso é, no mínimo, defensável que os ingleses reclamem a posse do território português”.

Sem mais comentários acerca do argumentário de Bolsonaro!


Vejamos agora este comentário:

“A Pax Americana terminou efectivamente com a invasão da Ucrânia. Essa a enorme surpresa. Que o tenha surpreendido a si, a mim e a muitos mais é normal.

Certamente Putin meditou no assunto e nas sanções, nas que já sofre e nas que vai sofrer. Mas o mais importante é estarmos a assistir a uma nova relação de forças no mundo. A invasão da Ucrânia é apenas o princípio. Agora é estar atento ao que se vai seguir.”

Olavo de Carvalho falou-nos amiúde do conceito de Fé Metastática, de Eric Voegelin, que é característica do movimento revolucionário. A Fé Metastática é a crença de que é possível mudar a natureza fundamental da realidade, o que, segundo Eric Voegelin (in “Ordem e História”), não é possível.

Resumindo o conceito de Fé Metastática em uma noção que os portugueses entendem:

A Fé Metastática é sinónimo dos “amanhãs que cantam”.

“Os “amanhãs que cantam” (ou fé metastática) fazem transfigurar a percepção que os revolucionários (de Esquerda, e agora também de Direita) têm da estrutura da realidade, e produzem a crença em uma subsequente emergência de uma ordem superior à actual (ou mesmo uma ordem paradisíaca).

Ora, existe uma “Direita revolucionária” que apoia — claramente ou de forma ambígua — a instauração de um regime totalitário (ou, no mínimo, autoritarista) para “combater os males do mundo”; e Putin assume o papel messiânico de trazer ao mundo essa nova ordem mundial dos “amanhãs que cantam” — desta vez são os “amanhãs que cantam” da nova “Direita”, e não já da Esquerda marxista.

Naturalmente que uma “Direita revolucionária” não é Direita; é uma caricatura da Esquerda (por exemplo, o regime nazi).

Para Bolsonaro (e para esta Direita revolucionária que também temos em Portugal), a invasão de Putin à Ucrânia é o prenúncio dos “amanhãs que cantam” (a Fé Metastática) que vai retirar o Brasil, de uma forma automática e sem qualquer esforço, da situação de deficiência económica endémica em que vive: para Bolsonaro, a culpa da situação do Brasil não é interna!: pelo contrário, a culpa é dos outros países do mundo ocidental, e Putin é o símbolo revolucionário que irá contribuir para resgatar o Brasil e conduzir este país para uma transfiguração radical (automática) da sua realidade, seguindo os “amanhãs que cantam” da nova Direita.

Quinta-feira, 3 Fevereiro 2022

Morreu o homem, e aparecem os cobardes como o João Almeida Moreira (grande burro!)

Filed under: Olavo de Carvalho — O. Braga @ 6:23 pm

Morreu Olavo de Carvalho, e a crítica medíocre apareceu — sabendo-se que o homem já não se pode defender. É a técnica dos cobardes: morreu o homem e toca a desancar ad Hominem. No Brasil, o “espectáculo” é desolador.

Em Portugal, uma besta que dá pelo nome de João Almeida Moreira, escreveu no Diário de Notícias um textículo (ver ficheiro PDF, para memória futura) com o título “O filósofo dos imbecis”:

“Visto como um colunista interessante e polemista inovador até ao fim do século passado, decidiu mudar-se para os Estados Unidos em 2003 e tornar-se membro destacado da tal legião de imbecis a que as redes sociais dão voz.

Primeiro passo: intitular-se filósofo, embora não tivesse formação na área.”


Ou seja, para o burro em epígrafe, um filósofo tem que ser necessariamente licenciado em filosofia — o que retira, da categoria de “filósofo” e mutatis mutandis, 99% de todos os pensadores de todos os tempos.

¿Já viu, caro leitor, como é burro, aquele asno?!

Não faço aqui um ataque ad Hominem àquele burro, porque, em primeiro lugar, eu demonstro por que razão o asno é burro. Um ataque ad Hominem é aquele que parte para o insulto sem demonstrar previamente qualquer razão plausível para tal.

Vou dar alguns exemplos que a Esquerda gosta: Karl Marx não era licenciado em filosofia; Engels também não; ¿Nietzsche? Não!; Hegel, também não; Gadamer, nicht, e por aí fora. E até Jesus Cristo não seria considerado “filósofo” por aquele asno,  porque não sabia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca…”

Portanto, para ser filósofo não é necessário ter um cursito mal-amanhado de filosofia de trazer-por-casa (como é o caso do José Pacheco Pereira); para se ser filósofo, o dito terá que criar (pelo menos) uma doutrina original ou, (idealmente) um sistema  doutrinário (por exemplo, o sistema de Hegel).

Olavo filosofo web

Podemos não simpatizar com a doutrina ou com o sistema de um  determinado filósofo, mas a nossa antipatia não lhe retira o mérito da criação.

E a doutrina do filósofo em causa até pode estar mal construída (como está, por exemplo, mal construída a doutrina de Engels sobre a família, que é notoriamente cheia de “buracos” históricos), mas Engels não deixa, por isso, de ser filósofo. O mais que pode ser é um filósofo medíocre.


Todo o resto do texto do burro em epígrafe é um chorrilho de asneiras e de ataques pessoais; e conclui, a avantesma, escrevendo que a causa da morte de Olavo de Carvalho foi o COVID-19:

"O medo de um suposto vírus mortífero não passa de historinha de terror para acovardar a população e fazê-la aceitar a escravidão", escreveu em Maio de 2020 sobre aquela que viria a ser a causa da sua morte 20 meses depois.”


Porém, o médico que tratou de Olavo de Carvalho, o dr. Ahmed Youssif El Tassa, esclareceu que o filósofo morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda causada por quadro de enfisema pulmonar associado a insuficiência cardíaca congestiva, a uma pneumonia bacteriana e a uma infecção generalizada. O grande burro não sabe que Olavo de Carvalho tinha estado, em 2021, várias vezes internado em hospitais (nos Estados Unidos e no Brasil), com problemas cardíacos muito graves.

Não sei quem é o Almeida, nem me interessa saber; mas que é (ontologicamente) um asno chapado, disso não tenho dúvida.

É  este tipo de merda que escreve nos jornais portugueses.

Terça-feira, 25 Janeiro 2022

Olavo de Carvalho faleceu

Filed under: Olavo de Carvalho — O. Braga @ 9:22 am

Olavo de Carvalho faleceu na noite de ontem (24 de Janeiro), aos 74 anos de idade, no Estado da Virgínia, Estados Unidos.

olavo de carvalho web

Quinta-feira, 28 Outubro 2021

O governo do estado de São Paulo parou, para investigar o internamento de Olavo de Carvalho

O internamento de Olavo de Carvalho em um hospital público, na cidade de São Paulo, passou a ser a prioridade maior do governo do estado Paulista — parece que a esquerda brasileira não tem mais nada do que fazer, senão investigar se Olavo de Carvalho “furou a fila” do hospital.

internamento olavo web


“A internação de Olavo de Carvalho, o guru de Bolsonaro, no InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas) segue sendo investigada pela Assembleia Legislativa de São Paulo por causa da suspeita de que ele tenha furado a fila para entrar na instituição, em Agosto.

Na terça (26), o superintendente do complexo do Hospital das Clínicas, António José Rodrigues Pereira, participou de uma audiência para responder oficialmente sobre o assunto pela primeira vez. E negou que tenha havido fraude à fila.

Segundo Pereira, Olavo de Carvalho chegou à instituição de ambulância e, como qualquer outro paciente do SUS (Sistema Único de Saúde), foi internado no InCor. »


O que se está a passar no Brasil, actualmente, é muito triste. Trata-se de uma guerra das elites (judiciárias, políticas e “intelectuais” esquerdistas) contra o povo brasileiro.

Sábado, 16 Outubro 2021

Karl Popper não tinha razão, em relação ao bi-partidarismo

Karl Popper defendeu acerrimamente o sistema bi-partidário na democracia representativa — como acontece, por exemplo, em Inglaterra, nos Estados Unidos e na Austrália. O argumento de Karl Popper era o de que o sistema de apenas dois partidos (que se alternam no Poder) dá maior estabilidade política e governabilidade — aliás, este foi um dos temas de uma conferência realizada em Lisboa por Karl Popper, a convite do então P.M. Mário Soares (não me lembro agora da data, mas foi na década de 1980).

imperio mundial do dinheiro webPorém, o sistema bi-partidário (definido pelo sistema de votação) fazia muito sentido na década de 1980, mas já não faz tanto sentido hoje, como podemos ver no que se está a passar em países como a Austrália, a Nova Zelândia, Reino Unido e mesmo nos Estados Unidos, quando os dois partidos do regime estão de acordo em relação à construção de um regime político repressivo, em que grande parte dos anseios da maioria da população são ignorados.

A aproximação do PSD de Rui Rio (e de Pacheco Pereira) ao Partido Socialista do monhé Costa está, em tudo, relacionada com uma tentativa de “australização” do regime político português; mas essa “australização” saiu “furada” com o aparecimento do partido CHEGA.
Resta agora ao Rui Rio e ao monhé alterar o sistema de votação português.

Nos países chamados de “anglo-saxónicos” (Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Canadá Nova Zelândia), caracterizados por sistemas de votação que favorecem o bi-partidarismo (de alternância no Poder), os dois partidos de Poder estão totalmente controlados pelos agentes do globalismo plutocrata — ou, como diz Olavo de Carvalho, pelos agentes do “império mundial do dinheiro”.

Neste sentido, Donald Trump foi considerado persona non grata pelo próprio partido republicano americano; Donald Trump ganhou as eleições com o voto do povo, mas não com o apoio das elites do seu próprio partido.
De facto, nos Estados Unidos, o partido republicano, por um lado, e o partido democrata, por outro lado, estão de acordo em quase tudo — incluindo na política de ausência de fronteiras e imigração massiva e sem qualquer controle fronteiriço.

Na Austrália, os dois partidos de alternância no Poder chegaram a um acordo, que consiste em instituir um regime orwelliano e submetido caninamente ao “império mundial do dinheiro”, em substituição da democracia representativa propriamente dita. O mesmo se passa (em graus diferentes) na Nova Zelândia, e mesmo no Reino Unido.

Depois da ditadura sanitária — ou seja, depois da ditadura do controlo sanitário covideiro —, virá o controle monetário que gerará a rarefacção ou mesmo desaparecimento do dinheiro vivo em circulação; depois virá o controlo de acesso à Internet por intermédio da identificação numérica individual. No fim da linha repressiva, só restará ao povo o recurso à violência contra a classe política, para defender a liberdade.

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Em Portugal, o fenómeno do “encolhimento” eleitoral do Bloco de Esquerda (e previsível “encolhimento” da facção da Isabel Moreira no Partido Socialista de Sócrates, da Fernanda Câncio, do Ascenso Simões e do monhé Costa) tem a ver com a tentativa de afastamento do Cristianismo da praça pública, para se instituir “um regime que se lambuza gostosamente na merda e no mijo” da ética e da moralidade. É a isto que chamamos (também) de “marxismo cultural”.

O método de Hondt português permite o fácil aparecimento de novos partidos que contrariem o monopólio bi-partidário do Poder , como é o caso do partido CHEGA.

Quinta-feira, 11 Junho 2020

Caetano Veloso: ¿como é que se chama a um homem de 40 anos que “come” uma menina de 13 anos?

Caetano Veloso “comeu” uma menina de treze anos. ¿Será ele pedófilo? “Claro que não!”, segundo os tribunais esquerdistas brasileiros que consideram que um adulto que “come” uma menina de 13 anos não é pedófilo (ou coisa que o valha).

No contexto jurídico português, o Caetano Veloso teria apanhado alguns anos de cadeia; mas na república das bananas do Brasil, quem denuncia um caso gritante de pederastia é condenado pela “Justiça”.

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Sábado, 2 Maio 2020

Aspecto da carta astral de Olavo de Carvalho

Filed under: Olavo de Carvalho — O. Braga @ 9:45 am

 

Olavo de Carvalho fez 73 anos no passado dia 29 de Abril.

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Dados mais relevantes (para além do signo e do ascendente):

  • Sol e Mercúrio na Casa III
  • Marte Regente na Casa II
  • Quadratura Lua – Júpiter
  • Júpiter na Casa X
  • Plutão em Exaltação na Casa VI
  • 6 Elementos de Fogo

Terça-feira, 10 Março 2020

O Lumpemproletariado é o estrato social revolucionário do Bloco de Esquerda

Filed under: Bloco de Esquerda,marxismo cultural,Olavo de Carvalho — O. Braga @ 9:11 pm

Antes de mais nada, há que ver este vídeo de Olavo de Carvalho, e também este texto dele — para que se compreenda o raciocínio que se segue.

«Karl Marx descrevia assim o Lumpemproletariado:

“Libertinos, arruinados, com duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex-presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos, delinquentes, batedores de carteira e pequenos ladrões, jogadores, alcaguetes, donos de bordéis, carregadores, escrevinhadores, tocadores de realejo, trapeiros, afiadores, caldeireiros, mendigos.” »

Lumpemproletariado


A Cristina Miranda escreve o seguinte:

“… como se pode ver pelas notícias que nos chegam todos os dias, hoje aplaude-se os criminosos mais depressa do que se enaltece um agente [da polícia] que arrisca a vida todos os dias pela nossa segurança.

(…)

Como se explica que, depois de tanta luta por uma polícia que fosse respeitada e impusesse a ordem necessária ao bom desenvolvimento de uma sociedade, se chegasse a este retrocesso, com os políticos e a comunicação social sempre mais do lado dos agressores e esquecendo o total apoio aos policiais?”

A quem interessa a degradação da PSP e GNR?

Uma das distinções ideológicas importantes entre o Partido Comunista, por um lado, e a restante Esquerda contemporânea, por outro lado, é a posição em relação ao Lumpemproletariado.

Por exemplo, li há tempos um texto da Raquel Varela em que se verificava (nela) a posição ideológica marxista clássica em relação ao Lumpemproletariado. A posição da Raquel Varela, em relação ao Lumpemproletariado, é a posição marxista clássica; mas não é a posição normalizada pela Esquerda actual, em geral.

O Lumpemproletariado foi “recuperado”, por assim dizer, pelo marxismo cultural (Escola de Frankfurt), e é considerado — por esta corrente ideológica — o estrato populacional revolucionário por excelência.

É neste contexto que podemos compreender a “política identitária” e a chamada “interseccionalidade” da actual Esquerda marxista cultural oriunda dos Estados Unidos (Herbert Marcuse viveu e morreu nos Estados Unidos).

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Para o Bloco de Esquerda, o partido dito “Livre”, o Partido Socialista de António Costa, etc., a classe operária já não é a classe revolucionária: foi substituída pelo Lumpemproletariado.

O estrato social revolucionário, segundo o Bloco de Esquerda, é constituído por libertinos, arruinados, com duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex-presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos, delinquentes, batedores de carteira e pequenos ladrões, jogadores, alcaguetes, donos de bordéis, carregadores, escrevinhadores, tocadores de realejo, trapeiros, afiadores, caldeireiros, e mendigos.

Quem manda hoje em Portugal é o Bloco de Esquerda que controla o Partido Socialista através de António Costa.

Terça-feira, 26 Março 2019

No Brasil, os extremos tocam-se: a Esquerda alia-se aos generais

Filed under: A vida custa,Bolsonaro,Brasil,Olavo de Carvalho — O. Braga @ 5:01 pm

 

santos-cruz-webNo Brasil assistimos a uma transfiguração da Esquerda (do P.T.): esta alia-se agora aos militares ideologicamente mais retrógrados (como, por exemplo, o ministro general Santos Cruz), membros do governo de Bolsonaro, contra uma alegada influência de Olavo de Carvalho na esfera política brasileira.

Quando eu digo “ideologicamente mais retrógrados”, isto significa que é tropa que tem a cabeça cheia de vácuo (para não dizer outra coisa).

O que surpreende é a necessidade que um membro militar do governo de Bolsonaro tem de fazer ataques ad Hominem a Olavo de Carvalho — se, por um lado, esse tipo de ataques ad Hominem pretende desvalorizar a importância de Olavo de Carvalho na política brasileira, por outro lado acaba por se revelar (no público) exactamente o efeito contrário.

Sábado, 10 Fevereiro 2018

A mecânica quântica defende a incognoscibilidade da "coisa-em-si-mesma" de Kant

Filed under: Kant,metafísica,Olavo de Carvalho,Quântica — O. Braga @ 7:18 pm

 

1/ Segundo Kant, a "coisa-em-si", — ou seja, “a realidade tal como é”, é incognoscível, por oposição ao “fenómeno” — se não pode ser concebida, pode ser no entanto ser pensada.

Olavo de Carvalho (tal qual Hegel) diz que a "coisa-em-si" (ou o númeno) e o fenómeno não se opõem : “mostrar-se como ‘fenómeno’ é uma característica das coisas em si mesmas” e “não uma limitação do nosso aparato cognitivo, como ele pretendia” (sic).

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2/ convém dizer que o conceito de "coisa-em-si" de Kant pode ter várias interpretações, e ele próprio utiliza o conceito de "coisa-em-si" ou “númeno” em situações diferentes e mesmo aparentemente contraditórias. Os idealistas (Hegel, por aí fora, até Heidegger) negaram o conceito de númeno ("coisa-em-si") pelas mesmas razões invocadas por Olavo de Carvalho: segundo os idealistas, a presença da "coisa-em-si" em um pensamento que não a pode conhecer, é um paradoxo, o que levou a Hegel a negar a especificidade da "coisa-em-si".

3/ temos que saber se o conceito de "coisa-em-si-mesma" tem alguma pertinência segundo os conhecimentos científicos actuais.

O que Kant quis dizer com "coisa-em-si" — ou "coisa-em-si-mesma" — é o seguinte: o ser humano não será nunca capaz de conhecer a verdadeira natureza da matéria.

Por isso é que a "coisa-em-si-mesma" (ou seja, a verdadeira natureza da matéria) é (segundo Kant) incognoscível, por oposição (segundo Kant) ao “fenómeno” que é aquilo que aparece à nossa percepção proveniente das manifestações “individuais” da matéria.

Este problema da "coisa-em-si-mesma" de Kant (assim como o problema de “mónada”, de Leibniz) é hoje reflectido de forma similar pela física quântica: por exemplo, não se pode atribuir directamente qualquer propriedade (característica) a um vector de estado (estado físico) representado por um feixe de fotões em um Espaço de Hilbert.

Baseando-nos nos conhecimentos da ciência física, Kant tinha razão: a "coisa-em-si-mesma" continua a ser incognoscível (obviamente devido à “limitação do aparato cognitivo” humano); e provavelmente não existe nenhuma substância a que possamos chamar de “espaço-tempo”.

Convém dizer o seguinte: para Kant, a Física (o estudo da matéria) tem que ser puramente fenomenológica (tal como é ainda hoje a Física Clássica).

4/ DxDp≥ћ=h/2π

Esta é a conhecida fórmula de Heisenberg (ou princípio da incerteza de Heisenberg), escrita em 1925, em que Dx é a incerteza da posição de um electrão em determinado momento, e em que Dp é a incerteza do próprio momento. A constante h é a “constante de Max Planck”, e ћ é a “constante reduzida” de Planck. Naturalmente que π=3,141618….

Esta fórmula escandalizou a comunidade científica da altura, porque simplesmente defendia a ideia de que a “causalidade não era possível de uma forma consistente”, isto é, a causalidade rigorosa não existe. Como resultado prático da fórmula de Heisenberg, é teoricamente impossível fazer a observação de um electrão (ou outra partícula elementar) e simultaneamente definir a sua posição; ou se faz a sua observação (tempo), ou se define a sua posição (espaço) ― isto é, numa observação de um electrão, ou se define o tempo, ou o espaço que ele ocupa, e não as duas coisas simultaneamente (princípio da incerteza de Heisenberg).

5/ nós não observamos as trajectórias das partículas elementares (também chamadas de “acontecimentos”); podemos definir a posição de uma partícula no espaço, ou a sua velocidade no tempo, mas não podemos observar / verificar a trajectória dessa partícula (ou das partículas elementares em geral).

Isto significa que nós identificamos os corpos físicos como “aparências” interpretadas pelo “software” do nosso cérebro, e não como um conjunto de vectores de estado de partículas elementares.

O vector de estadoou “amplitude de probabilidade de função de onda”, ou "função de onda quântica" — é a "coisa-em-si-mesma" de Kant.

O nosso conhecimento físico fenomenológico (em relação à matéria) não é objectivo senão no sentido em que é intersubjectivo: é (apenas e só) porque é intersubjectivo, que o nosso conhecimento fenomenológico é objectivo. É no sentido em que o nosso conhecimento subjectivo das aparências é válido do ponto de vista intersubjectivo que podemos afirmar a objectividade desse conhecimento.

Isto não significa que as coisas não existam senão dentro dos parâmetros da nossa interpretação subjectivista. Kant não é idealista nem solipsista.

Dando o exemplo de uma rã. Ela não vê nada senão aquilo que se mexe. O seu olho é constituído de tal modo que tudo o que é imóvel lhe está inacessível. A rã vê a borboleta que voa, mas não vê a flor onde esta pousa. De modo semelhante, os seres humanos reconhecem aquilo que constitui para nós objecto do nosso pensamento ou da nossa percepção — até a nós próprios só nos conhecemos na medida em que nos podemos “objectivar de forma intersubjectiva”.

6/ A velocidade máxima no universo deixou de ser aquela que Einstein especificou na sua teoria. O conceito de “não-localidade” rebentou com a Relatividade de Einstein.

O espaço e o tempo são formas ou produtos da nossa intuição (humana) — ou aquilo a que Kant também chamou de “númeno em sentido positivo”, na medida em que se tratam de “conceitos” de “intuição não-sensível” (intelectual, espiritual) → em contraposição ao “númeno em sentido negativo”, que é algo que não é objecto da nossa “intuição sensível” e que depende da abstracção para a possibilidade de intuição.

Quarta-feira, 10 Janeiro 2018

A minha posição acerca dos judeus

Filed under: Israel,judeus,Olavo de Carvalho — O. Braga @ 10:28 am

 

Eu não sou anti-judaico 1 ; mas também não me considero estúpido e acrítico.

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Não só não sou anti-judaico, como defendo a existência do Estado de Israel; e mais: defendo que a capital histórica de Israel é Jerusalém.

Porém, a minha defesa da existência do Estado de Israel tem a ver com a justiça e verdade históricas. E não tem a ver com qualquer ideologia política.

A invasão islâmica e árabe da Palestina no século VII lançou a esmagadora maioria dos judeus — que viviam naquele território — na Diáspora. Esta é a verdade histórica que a Esquerda pretende ocultar.

Portanto, a defesa da existência do Estado de Israel é uma questão de justiça.

Porém, uma coisa é a defesa da existência do Estado de Israel e do povo de Israel; outra coisa, bem diferente, é a defesa acrítica da acção política dos imigrantes judeus, em geral, na Europa e ao longo dos últimos séculos — que é o que implicitamente faz Olavo de Carvalho; pelo menos é assim que eu interpreto esse textículo dele.

Fernando Pessoa, que era ele próprio descendente directo de judeus por parte do pai, escreveu o seguinte:

"Tem-se suposto que esta força (Judaísmo) que opera através da Maçonaria e se manifesta sempre judia, é consubstanciada com o povo de Israel. É um erro e é fácil de ver onde está o erro.

O povo (de) Israel, como qualquer outro povo, pode colaborar na civilização europeia, porém há que organizar-se aristocraticamente, como essa civilização. Ora o que há presentemente adentro dos judeus, em todo o mundo, é o predomínio do baixo sobre o alto judaísmo.

O materialismo ateu da época moderna tomou o íntimo da alma do baixo judeu, porque, de todas as populações da Europa, era essa gente a mais naturalmente propícia a aceitar como teoria o ateísmo irracionalista, que é o que distingue a nossa época".

Como vemos, o descendente de judeus Fernando Pessoa faz a distinção entre o povo de Israel, por um lado, e, por outro lado, o chamado “baixo judeu” que controla a Europa e os Estados Unidos. E quem não faz essa diferença age por mera influência de uma ideologia política, e não porque procura a verdade e a justiça.


Nota
1. “anti-semita” é outra coisa, porque o judeu não é o único povo semita.

Terça-feira, 30 Maio 2017

A parábola do Filho Pródigo não tem nada a ver com sexo

 

Há que dizer ao Olavo de Carvalho que a parábola do Filho Pródigo não envolve sexo.

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Se a tua mulher “deu para o vizinho”, das duas, uma:

  • ou assumes a mansidão de uma chavelhuda santidade, correndo o risco de a “dádiva” se tornar endémica e corniluzente;
  • ou exiges que ela assuma a sua (dela) responsabilidade perante ela própria, perante a sociedade, e perante Deus.

Não se trata de “abandonar a mulher” — no sentido bíblico, em que o “abandono” significa “renúncia caprichosa e sem qualquer justificação plausível”; neste sentido, o abandono da mulher é eticamente condenável —; trata-se, em vez disso, de conceber as relações humanas sob a égide da responsabilidade moral pelos actos de cada um de nós.

“O que aconteceu à imaginação humana, no seu todo, foi que o mundo inteiro foi pintado com paixões perigosas e efémeras; com paixões naturais que se tornaram desnaturadas.

Em consequência, o resultado de tratar o sexo somente como uma coisa inocente e natural, foi o de que todas as outras coisas naturais e inocentes ficaram saturadas e encharcadas com sexo — porque o sexo não pode ser concebido em termos de igualdade com emoções elementares ou com experiências como (por exemplo) comer e dormir.

A partir do momento em que o sexo deixa de ser um servo, passa a ser um tirano. Existe, no lugar e na função do sexo na Natureza Humana, algo de desproporcional e perigoso, e por um motivo qualquer; e o sexo realmente necessita de dedicação e purificação especiais.

A conversa moderna sobre “o sexo ser livre como qualquer outra coisa”, acerca do “corpo que é belo como qualquer árvore ou flor” — ou é uma descrição do Jardim do Éden, ou é um discurso de péssima psicologia da qual o mundo já se tinha cansado há dois mil anos”.

→ G. K. Chesterton, “Orthodoxy”, 1908

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