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Quinta-feira, 28 Setembro 2017

A medição transforma a onda quântica em partícula elementar

Filed under: espírito,Paranormal,Quântica — O. Braga @ 11:07 am

 

A medição através de um dispositivo — neste caso, uma câmara de vídeo como dispositivo de medição — pode transformar a onda quântica em partícula elementar que, por sua vez, pode agir facilmente sobre a matéria.

 

 

A medição através de um dispositivo electrónico não é exactamente a mesma coisa que a normal observação a olho nu — porque o dispositivo de medição produz radiação electrónica que interfere com o sistema quântico em presença. É essa interferência ou medição do dispositivo electrónico que torna possível que uma força espiritual (sem massa) possa facilmente actuar na realidade física.

Este tipo de fenómenos ocorre com mais frequência e facilidade em ambientes com pouca luz (escassez de fotões) e com câmaras de vídeo de medição em infravermelhos; mas também podem ocorrer em ambientes específicos que tenham sido sujeitos, no passado, a fortes traumas emocionais — como por exemplo, casas, quartos de hotéis, templos, cemitérios, etc..

Em casos extremos, a manifestação espiritual é tão traumática e elementar (emocionalmente básica) que pode ocorrer em qualquer situação que não podemos controlar, e pode colocar em sério risco a integridade física de pessoas.

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Segunda-feira, 29 Fevereiro 2016

O Homem foi criado à imagem de Deus

Filed under: Quântica — O. Braga @ 12:10 pm
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"O acaso é a vontade de Deus".Pedro Arroja


A “vontade de Deus” pode ser directa ou indirecta. Quando é directa, estamos em presença do milagre. E quando é indirecta, a vontade de Deus é a causa de tudo quanto existe (e não só do “acaso”), o que engloba o determinismo das leis da natureza, mas também o livre-arbítrio (a liberdade) da consciência. Nem sempre “o acaso é a vontade (directa) de Deus”.

Ou seja: “vontade de Deus”, em termos gerais, é tudo o que existe; mas nem tudo é vontade directa de Deus. Deus dá um espaço para a causalidade das leis da natureza macroscópica e para a liberdade da consciência.

Aristóteles define o “acaso” como “uma causa acidental de efeitos acessórios revestindo a aparência de finalidade”; isto é, uma caricatura do determinismo, análogo ao fatalismo popular (“aconteceu porque tinha que acontecer”).

No século XIX, Cournot (salvo seja) formalizou a teoria das séries paralelas (independentes na ordem da causalidade) cujo encontro produz o “acaso”, ou o “azar”: um homem passa por uma ponte e esta desmorona-se: há o encontro entre uma causalidade (a intenção do homem) e outra causalidade (a degradação material da ponte).

Porém, a realidade é mais complexa. Do ponto vista da física, a realidade é muito resistente à análise.

Einstein passou a vida adulta a insurgir-se contra a ideia segundo a qual pudesse existir na Natureza algo que acontecesse sem causa (por acaso). “Deus não lança os dados”, dizia ele. A ideia de uma probabilidade de processo puramente estatística era-lhe completamente estranha. Segundo Einstein, deveria haver uma causa para o comportamento de cada átomo. Einstein estava errado. A verdade é que, por exemplo, é possível prever que uma metade de uma grama de urânio se decompõe em 4,5 milhões de anos, mas não é possível dizer quando é que um átomo concreto de urânio se decompõe: pode decompor-se imediatamente ou apenas daqui a muitos milhões de anos.

A opinião quase unânime (com excepção, por exemplo, de David Bohm) dos físicos modernos e contemporâneos é a de que “Deus lança mesmo os dados”. Fazem a distinção entre causalidade, casualidade e a-causalidade. A casualidade e a a-causalidade não são expressão dos nossos conhecimentos limitados, mas antes são constitutivas do domínio da realidade. Ou seja, existe uma probabilidade objectiva, em contraponto a uma probabilidade subjectiva que se baseie apenas em uma falta de conhecimento das razões causais. Heisenberg escreveu: “A física quântica forneceu a refutação definitiva do princípio de causalidade”.

Mas não podemos atribuir o “acaso” exclusivamente à vontade directa de Deus, porque isso seria desvalorizar a consciência (criada). Não podemos separar a matéria, por um lado, da pessoa (da consciência) ou do modo (livre) como a pessoa observa, por outro lado. Temos aqui, portanto, a matéria enquanto sujeita às leis da natureza macroscópica (sujeita à entropia da gravidade), por um lado, e por outro lado a consciência que observa livre e subjectivamente a matéria, influenciando também as “relações de possibilidades de acontecimentos” sem uma causa definível pela física clássica. É neste sentido que podemos dizer que “o Homem foi criado à imagem de Deus”.

Sábado, 14 Novembro 2015

Os dados da experiência vão além da “utilidade prática”

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 6:36 pm
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O Domingos Faria conclui aqui que é possível que se obtenha conhecimento a partir de falsidades; e deu como exemplo as horas de um relógio, que é um instrumento de medição (neste caso, medição do tempo).

1/ É claro que podemos obter conhecimento a partir de “falsidades”, mas apenas se entendermos “falsidade” como sinónimo de “verdade parcial”. Uma verdade parcial não é a verdade absoluta mas também não é erro absoluto. Por exemplo, a dinâmica de Newton era em grande parte falsa, o que não significa que fosse totalmente falsa. Ou seja, a ciência adquiriu conhecimento a partir da teoria (parcialmente) falsa de Newton.

2/ Uma teoria que consideremos falsa pode ser verdadeira; e uma outra que consideremos verdadeira pode ser falsa.

3/ Mas, do conhecimento a partir de uma falsidade a que se refere o Domingos Faria no caso do relógio, resulta uma “verdade” que só é aplicável no sentido prático, ou seja, no sentido de uma utilidade prática (aplicável à nossa realidade macroscópica). Todos os instrumentos de medição — incluindo o relógio do Domingos Faria — são falíveis (dão-nos sempre apenas uma aproximação à verdade) fora da utilidade prática que caracteriza a chamada “física clássica”.

4/ Nada, na realidade do infinitamente pequeno, obedece às leis ordinárias da física clássica — incluindo as leis que medem o tempo e o relógio do Domingos Faria. A medição define literalmente o sistema medido.

Não podemos afirmar que uma partícula elementar já tinha uma determinada característica, antes e/ou independentemente da observação ou medição da dita através de um instrumento. Se utilizarmos um instrumento para medir um sistema microscópico, por exemplo, uma medição da sua energia, produz-se uma redução brutal do seu vector de estado: apenas um dos termos da soma do “vector de estado” subsiste: aquele que corresponde ao valor da energia que foi efectivamente medida.

5/ E se o relógio do Domingos Faria fosse colocado na estratosfera, “andaria” mais depressa, e provavelmente induziria em erro o seu proprietário: poderia ele julgar que já estaria atrasado para a conferência das 17 horas quando, na “verdade horária” da crusta terrestre, ainda eram 16:59 horas. Os próprios relógios andam mais depressa ou mais lentamente dependendo do local terrestre em que se encontrem.

6/ A física mais actual demonstrou que o ser humano está confrontado com uma eterna (“eterno” no sentido do “tempo”, que é finito) “aproximação à verdade”, porque os seus instrumentos de medição da realidade são falíveis e têm apenas uma utilidade prática.

Domingo, 8 Novembro 2015

Anselmo Borges está errado acerca do dualismo aplicado ao ser humano (1)

Filed under: Igreja Católica,Quântica — O. Braga @ 10:59 am
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Hoje já não é possível falar de conceitos filosóficos de forma totalmente abstracta, ou seja, sem meter alguma da mais actualizada filosofia da ciência no “barulho” da discussão. O Anselmo Borges escreve aqui:

Podemos afirmar que Anselmo Borges é “um ateu que ainda não saiu do armário”.

« Já não é sustentável uma concepção dualista do ser humano, à maneira de Platão ou Descartes: composto de alma e corpo, matéria e espírito. O homem é uma realidade unitária, para lá do dualismo e do materialismo.

O jesuíta J. Mahoney, que já foi membro da Comissão Teológica Internacional, escreveu de modo feliz: “Não se deve considerar a alma humana, constitutiva da pessoa, como se fosse um espírito puro infundido a partir de fora num receptáculo biológico no instante da concepção, mas referir-se a ela mais apropriadamente entendendo-a como um brotar ou emergir a partir do interior do próprio material biológico dado pelos progenitores, genuínos originantes pela sua parte, sem necessidade de ter de recorrer a uma intervenção divina quase milagrosa, para a produção de uma nova realidade.

Portanto, a afinidade que existe entre matéria e espírito permite-nos, e inclusivamente exige-nos, considerar o emergir da nova pessoa humana como um processo que leva tempo e requer um certo período de existência pré-pessoal como o umbral através do qual se dá a passagem a uma existência animada no sentido pleno da palavra.” »


O Anselmo Borges traduz a mundividência imanente generalizada dos “progressistas” (positivistas e utilitaristas) que actuam dentro da Igreja Católica e que toleram o aborto.

Vamos definir “dualismo”: em metafísica, é a teoria segundo a qual a realidade é formada de duas substâncias independentes uma da outra e de natureza absolutamente diferente: por exemplo, o espírito e a matéria, ou, como em Descartes, a alma e o corpo.

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Sexta-feira, 30 Outubro 2015

Complementando Feynman

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 7:14 am
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«O que não está rodeado de incerteza não pode ser verdade.»Feynman.

Mas isso não significa que a verdade se identifique (seja idêntica à) com a incerteza: significa apenas que há uma verdade na incerteza que o ser humano não controlará jamais.

Domingo, 4 Outubro 2015

A ciência demonstrou e verificou a necessidade da identidade

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 12:41 pm
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“Uma afirmação de identidade é qualquer afirmação segundo a qual um objecto A é numericamente idêntico a um objecto B. Por exemplo, a afirmação de que Bernardo Soares é idêntico a Fernando Pessoa é uma afirmação de identidade deste género, tal como sucede com Túlio e Cícero, Véspero e Fósforo, Miguel Torga e Adolfo Correia da Rocha, ou água e H2O, etc.”

Domingos Faria

Bernardo Soares não é idêntico a Fernando Pessoa, como é evidente; embora H2O seja idêntico à água, assim como o vitríolo é idêntico ao ácido sulfúrico concentrado. Para serem idênticas, duas coisas devem ser indiscerníveis. Não devemos confundir identidade, por um lado, e semelhança, por outro lado; nem devemos confundir identidade e igualdade: o facto de um conjunto de pessoas ser tratado da mesma maneira não significa que essas pessoas sejam idênticas.

A identidade é o carácter do que é completamente semelhante a qualquer coisa, ou do que permanece o mesmo através do tempo.

Na física quântica, uma partícula elementar é idêntica a outra partícula elementar. Por exemplo, um electrão é (rigorosamente) idêntico a outro electrão. De certa forma, Leibniz tinha razão quando se referiu à “identidade dos indiscerníveis”. A identidade tem maior dificuldade em se manifestar, aos nossos olhos, na realidade macroscópica em que existe o ser humano, mas isso não significa que o conceito de identidade seja uma abstracção.

Não é necessário recorrer à lógica de Kripke para justificar a tese da necessidade da identidade: basta falar com o Carlos Fiolhais . Ele explicaria, melhor do que eu (obviamente), que a identidade entre partículas elementares é um facto necessário. E sem partículas elementares não há força entrópica da gravidade, nem o universo conforme se nos apresenta aos sentidos.

Domingo, 5 Julho 2015

A primeira lei da termodinâmica e o dualismo metafísico

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 7:22 am
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Em metafísica, “dualismo metafísico” é a teoria segundo a qual a realidade é formada de (pelo menos) duas substâncias independentes uma da outra e de natureza absolutamente diferente: o espírito e a matéria, ou, como em Descartes, a alma e o corpo.

Não confundir com “dualismo ontológico” de diferentes sistemas religiosos que admitem, para o universo, não apenas um, mas dois princípios de explicação ou de origem (por exemplo, o maniqueísmo , ou a gnose).

“Dualismo” é, neste verbete, entendido como “dualismo metafísico”.


A grande dificuldade da afirmação do dualismo é a primeira lei da termodinâmica:

Primeiro princípio ou axioma da termodinâmica: princípio da equivalência (ou conservação de energia): a energia não pode ser nem criada nem destruída, mas apenas transformada. Num sistema fechado, a sua energia total permanece constante e representa o “equivalente mecânico” do calor.

A primeira lei da termodinâmica é equivalente, por assim dizer, à lei de Lavoisier: na Natureza, nada se cria, nada se perde, e tudo se transforma.

Portanto, o actual raciocínio científico “politicamente correcto” (paradigma) é o seguinte:

  • se o universo é um sistema fechado e é constituído por matéria (seja o que for o que se entenda por “matéria”), então não pode haver lugar para o espírito, nem pode haver qualquer influência do espírito sobre a matéria (o cérebro). Se o espírito quiser actuar sobre a matéria do cérebro a partir do exterior, tem que desrespeitar a primeira lei da termodinâmica — ou seja, seria necessária uma energia material exterior ao sistema físico para influenciar a matéria.

Em última análise, para que a primeira lei da termodinâmica fosse respeitada (porque a energia no universo tem de permanecer constante, segundo a primeira lei da termodinâmica), o espírito também seria uma qualquer forma de matéria, e, neste caso, deixaria de fazer sentido o conceito de “dualismo”.

Portanto, a ciência clássica parte do princípio de que o universo é um sistema fechado, e só em um sistema fechado a primeira lei da termodinâmica faz sentido e pode ser aplicável.

E se a primeira lei da termodinâmica é válida, então segue-se que não pode existir espírito e/ou alma, e as ideias e os pensamentos não passam de epifenómenos da actividade química do cérebro1 . Paul Churchland, por exemplo, supõe que é possível substituir a frase: “O senhor Manuel pensa que…”, pela afirmação: “No cérebro do senhor Manuel disparam no momento T1 os neurónios N1 a N12 do núcleo X, desta e daquela maneira”.

Portanto, ser cientista, segundo o paradigma clássico, significa não só a negação do espírito ou/e alma, mas também significa literalmente ser ateu. Surge então a Teoria da Identidade. 2


 
A física quântica veio alterar este paradigma científico, colocando em causa a concepção do universo como sistema fechado.

human-spiritA “amplitude de probabilidade de função de onda” (ou “função de onda quântica”, ou ainda, na terminologia mais recente, “vector de estado“), por exemplo, de uma partícula atómica, não constitui um campo material (ou não tem massa ou tem uma massa mínima), mas actua sobre a matéria ao causar a probabilidade de um processo de partículas elementares.

Estamos a falar de um facto científico baseado na experimentação, e não apenas de uma teoria. Este facto científico abriu as possibilidades de estados finais diferentes resultantes de processos dinâmicos idênticos, e sem que tivessem sido alteradas as condições iniciais (como, por exemplo, o abastecimento de energia).

Ou seja, segundo a ciência mais recente, o universo como sistema fechado e a primeira lei da termodinâmica estão colocados em causa. A primeira lei da termodinâmica pode ainda ser utilizada em ciência da mesma forma que o conceito de “absoluto” foi utilizado por Newton para elaborar a sua Dinâmica (o conceito de “absoluto”, em Newton, era uma espécie de muleta).

Resulta disto que a alma ou/e espírito não são produto da evolução (“evolução” entendida no sentido naturalista e darwinista), e que o dualismo metafísico passa a fazer sentido mesmo à luz da ciência. Hoje já não faz sentido que um cientista seja necessariamente ateu, ou que defenda uma mundividência naturalista do ser humano.


Notas
1. por exemplo, segundo Susan Blackmore, Rodolfo Llinas, Paul e Patrícia Churchland.

2. Para a “teoria da identidade”, as ideias não possuem qualquer realidade própria, sendo apenas um produto da actividade neuronal. Aquilo que é primário [aquilo que está em primeiro lugar] são os processos químicos e físicos nos neurónios, que decidem o que eu penso, o que faço e o que sou.

Karl Popper demoliu a “teoria da identidade” quando demonstrou que esta teoria não pode ter qualquer sentido se obedecer aos seus próprios pressupostos: se as minhas ideias não podem existir sem suporte físico, ou seja, se as minhas ideias são produtos e portanto, efeitos, da química que se processa no meu cérebro, então nem sequer é possível discutir a “teoria da identidade”. Esta teoria (da Identidade) não pode ter qualquer pretensão de verdade, visto que, por exemplo, as provas dela decorrentes são igualmente química pura. Se alguém defende uma teoria contrária, também tem razão, dado que a sua química chegou a um resultado diferente. Karl Popper chama a esta armadilha lógica de “pesadelo do determinismo físico”.

Quarta-feira, 10 Dezembro 2014

¿A lógica é uma batata?

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 9:34 am
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A lógica formal trata das formas dos raciocínios, independentemente do seu conteúdo ou dos objectos aos quais se referem. Por exemplo, a seguinte proposição ou silogismo:

1/ Todos os tubarões são pássaros;
2/ o meu peixe vermelho é um tubarão;
3/ então, segue-se o meu peixe vermelho é um pássaro.

Nenhuma das duas premissas é verdadeira “materialmente”, ou seja, nenhuma delas corresponde à realidade. Mas o encadeamento que as une umas às outras é válido na sua forma: a conclusão do silogismo é a consequência formal necessária das duas premissas. Por isso é que se diz que “a lógica é uma batata”.

É assim que o Domingos Faria coloca o problema da possibilidade lógica dos zômbis contra o materialismo. Se a premissa 1 é, de facto, verdadeira, a premissa 2 é verdadeira se considerarmos que existe consciência humana em todo o universo com milhões de galáxias. E aqui colocam-se quatro hipóteses:

a/ não é possível que exista outra consciência que não a humana em todo o universo;
b/ é possível que exista outra consciência que não a humana em todo o universo;
c/ é verosímil que exista outra consciência que não a humana em todo o universo;
d/ é provável que exista outra consciência que não a humana em todo o universo.

Eu diria que é, pelo menos, verosímil que exista outra consciência que não a humana em todo o universo. Mas podemos acreditar naquilo que quisermos.

Naturalmente que podemos dizer que “não há provas de que exista consciência no universo que não seja a humana”, mas também podemos dizer que “não há provas de que existam zômbis”. Podemos afirmar com certeza que uma coisa existe, mas já não podemos ter a certeza de que uma coisa não existe. Porém, podemos ter uma certeza: os axiomas da lógica não são físicos.

Porém, se o David Chalmers se interessasse pela ciência, e para além da Lógica, poderia ter em consideração a Interpretação de Copenhaga da Teoria Quântica: a observação da função de onda quântica (“não-matéria”, porque não tem massa) causa o seu colapso e transforma-a em partícula elementar (matéria, porque tem massa).

O físico francês Bernard D’Espagnat chegou mesmo a escrever:

«A doutrina segundo a qual o mundo é formado por objectos cuja existência é independente da Consciência revela estar em desacordo com a mecânica quântica e com os factos estabelecidos através da experiência.»

Mesmo que a observação da função de onda quântica — que provoca o seu colapso — seja feita através de um dispositivo construído pelo Homem, esse dispositivo foi construído por um ser com consciência (o Homem). Por isso, não podemos separar o colapso da função de onda quântica, por um lado, da consciência que observa, por outro  lado. Poderíamos ir mais longe neste raciocínio, e colocar na equação a consciência de Deus.

A Física moderna e teoria quântica destruíram brutalmente o materialismo.

Terça-feira, 21 Outubro 2014

As três dimensões da Realidade

Filed under: Ciência,filosofia,Quântica — O. Braga @ 9:36 am
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“A distinção entre matéria e espaço vazio teve que ser finalmente abandonada, quando se tornou evidente que as partículas virtuais podem ser criadas espontaneamente, a partir do vazio, e nele desaparecem novamente, sem que esteja presente algum nucleão ou qualquer outra partícula que interactue fortemente.

As partículas formam-se a partir do nada e desaparecem novamente no vácuo. De acordo com a “teoria de campo”, acontecimentos deste tipo estão constantemente a acontecer. O vácuo está longe de se encontrar vazio. Pelo contrário, contém um ilimitado número de partículas que surgem infinitamente.”

→ Fritjof Capra, “O Tau da Física”, página 184

Temos que compreender alguns conceitos exarados no texto supracitado, como por exemplo, os conceitos de “nada”, “vazio”, “partícula virtual”. E temos também que perceber a linguagem metafórica e anti-positivista não só de Fritjof Fritjof Capra, mas também a da maior parte dos físicos actuais.


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Sexta-feira, 26 Setembro 2014

O “Tao da Física”, de Fritjof Capra

Filed under: Ciência,Quântica — O. Braga @ 8:01 am
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“Quando a natureza essencial das coisas é analisada pelo intelecto tem que parecer absurda ou paradoxal” — Fritjof Capra, “O Tao da Física”, página 47, 1989 (Editorial Presença, Lisboa)

Fritjof Capra referia-se à dualidade da natureza das partículas elementares subatómicas. As partículas elementares manifestam-se, ora em forma de partículas, ora em forma de ondas. E conclui ele que, à luz do nosso intelecto, essa dualidade tem que parecer absurda e paradoxal.

Só uma pessoa formatada por uma cultura cientificista poderia pensar desta maneira. Ou seja, só um homem moderno pensaria assim. O homem moderno pensa que “a lógica evolui”: não lhe passa pela cabeça que o Homem descobriu apenas uma parte da lógica e que continua a descobri-la. Há mesmo quem diga que os números primos, por exemplo, foram inventados pelo ser humano, e que a própria lógica é uma invenção humana. Assim não admira que “quando a natureza essencial das coisas é analisada pelo intelecto tem que parecer absurda ou paradoxal”.

Nós passamos de um intuicionismo primordial e medieval para um racionalismo moderno e actual. Não encontramos um meio-termo. Não encontramos uma justa medida. Ainda não aprendemos a diferença entre “racionalismo”, por um lado, e “racionalidade”, por outro lado — e ainda não aprendemos que a intuição propriamente dita é racional. (more…)

Sábado, 20 Setembro 2014

“O Relojoeiro Cego” de Richard Dawkins

Filed under: ética,Ciência,filosofia,Quântica — O. Braga @ 2:07 am
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“É imoral permitir o nascimento de crianças com síndroma de Down.”Richard Dawkins, no Twitter

“Na minha vida particular, estou pronto a exaltar-me com pessoas que cozem as lagostas vivas” — Richard Dawkins, “O Relojoeiro Cego”, 1986


“A biologia é o estudo de coisas complicadas, que aparentam terem sido concebidas com uma finalidade. A física é o estudo de coisas simples, que não nos tentam a invocar a concepção”. — Richard Dawkins, ibidem

“A física parece ser um tema complicado, porque nos é difícil entender as ideias da física.

(…)

O comportamento dos objectos físicos, não biológicos, é tão simples que é viável utilizar uma linguagem matemática conhecida para o descrever, razão por que os livros de física estão cheios de matemática.

Os livros de física podem ser complicados, mas os livros de física, tal como os automóveis e os computadores, são produto de um objecto biológico — a inteligência humana. Os objectos e os fenómenos que um livro de física descreve são mais simples do que uma única célula do corpo do seu autor”. Richard Dawkins, ibidem


Eu já pensei em criar um blogue com o título “O Relojoeiro Cego”, para ir refutando sistematicamente o livro. Mas depois pensei que seria uma tarefa inglória, porque seria lutar contra o paradigma científico de Richard Dawkins que marca, por exemplo, o blogue Rerum Natura. Talvez seja mais eficaz o que Passos Coelho está a fazer: corta-se neste tipo de “ciência”, e pronto!

Eu acho inacreditável como um professor universitário de Oxford tenha escrito dislates deste calibre. Mas isto é só uma pequena amostra (se calha, escrevo mesmo o blogue!). Por exemplo, sem a força entrópica da gravidade — que a física estuda — não seria possível que da realidade das partículas elementares pudessem surgir os aminoácidos que, através daquilo a que Richard Dawkins chama de “acaso cumulativo”, “aparecem espontaneamente” na natureza de sequência correcta para formar uma proteína.

Ou seja, a “inteligência humana”, a se refere Richard Dawkins, só se tornou possível porque existe uma área da Realidade primordial e muito complexa que a física estuda; e a biologia vem depois.

Afirmar que a interligação entre a força quântica, por um lado, e a força entrópica da gravidade, por outro lado, — interligação essa que está na base da teoria atómica e da física molecular que, por sua vez, estão na base do “surgimento” das moléculas, ácidos nucleicos, enzimas, etc.) — são “fenómenos simples de descrever”, é absolutamente inacreditável vindo de um professor universitário da área das ciências.

O sofisma de Richard Dawkins, tal como o dos darwinistas primevos (que diziam que “a célula viva surge espontaneamente da lama”), corresponde a uma certa ideia errada de Hegel, por um lado, e de Spencer, por outro lado, segundo a qual “o progresso é uma lei da natureza” e que “a evolução se processa necessariamente do mais simples em direcção ao mais complexo”. Como não se conhece empiricamente aquilo a que se chama de “simples”, então diz-se que “não é complexo”.

Como é evidente que Richard Dawkins tem uma enorme dificuldade de abstracção, afirma ele que “os livros de física estão cheios de matemática”, como se a matemática fosse a tal coisa “simples” que — na opinião dele — não se compara com a “complexidade da biologia”.

Eu não acho que cozer uma lagosta viva seja um acto de bom gosto; mas também não acho que seja imoral deixar nascer uma criança com síndroma de Down.

O que é anormal no tipo de “ciência” e de “cientistas” que temos hoje, é que se defenda a pertinência da primeira posição e a impertinencia da segunda posição. Mas é este tipo de “ciência” que é defendido, por exemplo, no blogue Rerum Natura. É este tipo de gente que tem que ser combatido sem quartel. Bem haja Passos Coelho, neste particular.

Sexta-feira, 8 Agosto 2014

O homem moderno chama “Acaso” a Deus

Filed under: Ciência,filosofia,Quântica — O. Braga @ 9:58 pm
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“A investigação da Física provou claramente que, pelo menos para a esmagadora maioria do desenrolar dos fenómenos cuja regularidade e constância levaram à formulação do postulado da causalidade universal, a raiz comum da rigorosa regularidade observada é o acaso.”

→ Erwin Schrödingen, Nobel da Física, durante uma lição inaugural na Universidade de Zurique em 1922 1

Ou seja, segundo Schrödinger, os processos que são orientados por leis da natureza surgem de estados que, anteriormente, não estavam sujeitos a regras e eram aleatórios. No referido livro 1 de Manfred Eigen e Ruthild Winkler podemos ler na página 35:

“Designamos como microcosmos o mundo das partículas elementares, dos átomos e das moléculas. Os processos físicos elementares ocorrem todos neste mundo 2. O Acaso tem a sua origem na indeterminação destas ocorrências elementares.”

A regularidade das leis da natureza não é desrespeitada quando Deus intervém no macrocosmos ou no mundo humano/universo. Quando Deus quer intervir num processo natural, fá-lo através do microcosmos e sem perturbar as expectativas de regularidade das leis da natureza. E a própria intervenção de Deus no nosso mundo através do microcosmos surge-nos conforme o princípio da causalidade.

Notas
1. citado por Manfred Eigen e Ruthild Winkler no livro “The Laws of the Game: How The Principles of Nature Govern Chance”, 1987, p. 15
2. mundo do microcosmos

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