perspectivas

Quinta-feira, 7 Junho 2018

A Esquerda já entrou em fase de entropia política

Filed under: Igreja Católica,marxismo cultural,religião,sexo,sexualidade — O. Braga @ 6:28 pm

 

“O sexo não resolve sequer os problemas sexuais”Nicolás Gómez Dávila 


Chamaram-me à atenção de um texto publicado por um tal Afonso Anjos, texto esse que nada mais é do que a revisitação da Utopia Negativa  (marxismo cultural ) no que diz respeito à sexualidade, e que o próprio Nicola Abbagnano desqualificou e destratou na sua obra “História da Filosofia”.


« O problema não é a repressão sexual, nem a liberação sexual; mas antes é o sexo. A promiscuidade sexual é a propina com que a sociedade acalma o seus escravos. A “opressão” começa, segundo o politicamente correcto, onde se proíbe alguma imundície. »

— Nicolás Gómez Dávila


1/ Recomendo a leitura do que escrevi acerca da função da sexualidade na Utopia Negativa:

« A Freud, os marxistas culturais foram buscar o conceito de “instinto”, entendido como tendência para o regresso a uma situação anterior, primordial ou originária; o “instinto”, segundo Freud, é o retorno à origem do Homem. Depois, os marxistas culturais foram buscar o conceito freudiano de “repressão”, sendo que (segundo os marxistas culturais) esta é exercida pela civilização sobre o tal “instinto” primordial e originário – ignorando os marxistas culturais a função positiva que, segundo Freud, essa repressão exerce, através do Superego, quer na formação da civilização quer na formação da personalidade humana normal.

Em suma, os marxistas culturais pegam em Freud, adulteram as suas conclusões científicas, e depois dizem que se baseiam nele.»

Hoje, ninguém com dois dedos de testa invoca Marcuse (e muito menos Wilhelm Reich) para fundamentar uma tese qualquer sociológica — excepto o esquerdalho estúpido português. Michael Joseph Sobran - web

2/ o tal Afonso não faz uma puta de uma ideia de como era o matrimónio na Idade Média — no entanto, isso não o impede de arrotar postas de pescada acerca de um assunto que desconhece.

Desde logo, não havia (na Idade Média) cartórios notariais para registar casamentos: tal como acontecia na república de Roma, 1/ o casamento era testemunhal (eram as testemunhas da cerimónia de casamento que declaravam publicamente que os noivos estavam já casados); 2/ a cerimónia do casamento era celebrada fora da igreja (portanto, não era uma cerimónia religiosa: era uma cerimónia secular, ao contrário do que o burro Afonso parece querer dizer — e ao contrário do que acontece hoje, devido à “protestantização” modernista da Igreja Católica); e 3/ sempre houve concubinato e prostituição na Idade Média e aceites pela Igreja Católica (os célebres “Banhos de Roma” foram muito criticados por luteranos e calvinistas).

Um certo puritanismo, a que o Afonso Burro faz menção, não é nem medieval nem é católico: apareceu com a Reforma de Lutero (mas que, até certo ponto, influenciou a Contra-Reforma).


“O que aconteceu à imaginação humana, no seu todo, foi que o mundo inteiro foi pintado com paixões perigosas e efémeras; com paixões naturais que se tornaram desnaturadas.

Em consequência, o resultado de tratar o sexo somente como uma coisa inocente e natural, foi o de que todas as outras coisas naturais e inocentes ficaram saturadas e encharcadas com sexo — porque o sexo não pode ser concebido em termos de igualdade com emoções elementares ou com experiências como comer e dormir.

A partir do momento em que o sexo deixa de ser um servo, passa a ser um tirano. Existe, no lugar e na função do sexo na Natureza Humana, algo de desproporcional e perigoso, e por um motivo qualquer; e o sexo realmente necessita de dedicação e purificação especiais.

A conversa moderna sobre o sexo ser livre como qualquer outra coisa, acerca do corpo que é belo como qualquer árvore ou flor — ou é uma descrição do Jardim do Éden, ou é um discurso de péssima psicologia da qual o mundo já se tinha cansado há dois mil anos.”

→ G. K. Chesterton

3/ com excepção do Islamismo que aconselha a poliginia (mas proíbe a poliandria com pena-de-morte), todas as outras religiões universais (incluindo o Budismo) recomendam a monogamia, por um lado, e o casamento vitalício, por outro lado.

Portanto, o fenómeno social e cultural da promoção da monogamia não é exclusivamente católico — ao contrário do que o burro Afonso parece querer dizer.

O que a Esquerda actual (que inclui o burro Afonso) tem que fazer, com urgência, é proibir a prática de todas as religiões para voltarmos ao paraíso do estalinismo.

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Sábado, 10 Junho 2017

A idade de consentimento sexual em Portugal — a ambiguidade propositada da lei

Filed under: Justiça,sexo,sexualidade — O. Braga @ 2:19 pm

 

Leio aqui que a idade de consentimento sexual em Portugal é de 14 anos. Fui à Wikipédia e diz o mesmo. Mas o Código Penal português diz-nos coisa diferente.

Temos o artigo 171 do Código Penal (abuso sexual de crianças): “quem praticar acto sexual de relevo com ou em menor de 14 anos (…) é punido com pena de prisão de três a dez anos”.

Mas depois temos o artigo 173 do Código Penal (actos sexuais com adolescentes): “quem, sendo maior, praticar acto sexual de relevo com menor entre 14 e 16 anos (…) abusando da sua inexperiência (…) é punido com pena de prisão até três anos”.

Ou seja, a idade de consentimento sexual em Portugal é, de jure, de 16 anos, mas  depende de queixa ( Art. 178, nº 2) — e salvo se o juiz for de Esquerda e considerar subjectivamente que o/a adolescente tem uma grande “experiência sexual”; ou se ninguém se queixar.

Se uma avantesma serôdia qualquer  “comer” a tua filha de 14 anos e tu não te queixas à Justiça, nada acontece porque não é crime público.

Ora, esta ambiguidade (a “inexperiência” ou a “experiência”, e a necessidade de apresentação de queixa) é introduzida de propósito na lei para permitir a cada juiz o exercício prático da sua subjectividade; e como a maioria dos juízes portugueses tem tendência esquerdóide e marxista cultural (ou, pelo menos, não é católica), tende a considerar que uma/um adolescente com 14 anos, por exemplo, terá eventualmente uma “experiência sexual” medonha que salva o adulto de qualquer pena de abuso sexual.

Terça-feira, 30 Maio 2017

A parábola do Filho Pródigo não tem nada a ver com sexo

 

Há que dizer ao Olavo de Carvalho que a parábola do Filho Pródigo não envolve sexo.

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Se a tua mulher “deu para o vizinho”, das duas, uma:

  • ou assumes a mansidão de uma chavelhuda santidade, correndo o risco de a “dádiva” se tornar endémica e corniluzente;
  • ou exiges que ela assuma a sua (dela) responsabilidade perante ela própria, perante a sociedade, e perante Deus.

Não se trata de “abandonar a mulher” — no sentido bíblico, em que o “abandono” significa “renúncia caprichosa e sem qualquer justificação plausível”; neste sentido, o abandono da mulher é eticamente condenável —; trata-se, em vez disso, de conceber as relações humanas sob a égide da responsabilidade moral pelos actos de cada um de nós.

“O que aconteceu à imaginação humana, no seu todo, foi que o mundo inteiro foi pintado com paixões perigosas e efémeras; com paixões naturais que se tornaram desnaturadas.

Em consequência, o resultado de tratar o sexo somente como uma coisa inocente e natural, foi o de que todas as outras coisas naturais e inocentes ficaram saturadas e encharcadas com sexo — porque o sexo não pode ser concebido em termos de igualdade com emoções elementares ou com experiências como (por exemplo) comer e dormir.

A partir do momento em que o sexo deixa de ser um servo, passa a ser um tirano. Existe, no lugar e na função do sexo na Natureza Humana, algo de desproporcional e perigoso, e por um motivo qualquer; e o sexo realmente necessita de dedicação e purificação especiais.

A conversa moderna sobre “o sexo ser livre como qualquer outra coisa”, acerca do “corpo que é belo como qualquer árvore ou flor” — ou é uma descrição do Jardim do Éden, ou é um discurso de péssima psicologia da qual o mundo já se tinha cansado há dois mil anos”.

→ G. K. Chesterton, “Orthodoxy”, 1908

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