perspectivas

Sexta-feira, 3 Julho 2009

A verdade existe?

Arquivar em: filosofia — O. Braga @ 6:46 am

Não podemos confundir “cepticismo” com “dúvida”. A dúvida sobre a “certeza” é racional, e portanto, saudável. O cepticismo é a “certeza da dúvida”, e é portanto, um fideísmo negativo.

Quando se pergunta: “a verdade existe?”, quem faz a pergunta admite, à partida, a possibilidade de uma resposta ― porque caso contrário a pergunta seria absurda ― e portanto já pressente, ou sabe intuitivamente, que a verdade existe. O que a pessoa que pergunta não sabe, é quais são as respostas correcta e erradas à pergunta, o que significa que o facto de a verdade existir é independente do critério racional seguro que a distinga. Quem pergunta, sabe que a verdade existe; o que não tem a certeza é se aquilo que dizem — ou o que pensa — ser a verdade, é.
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Sábado, 4 Julho 2009

Coitadinho do crocodilo!

Arquivar em: politicamente correcto — O. Braga @ 1:09 pm

Sobre o caso “Daniel Luís”, escrevi aqui um comentário, como segue:

Eu estava convencido de que a UM era uma instituição de direito privado. Contudo, acho que se está a confundir “política” com coisas que não têm a ver com política.

Uma coisa é liberdade de expressão, outra coisa é liberdade para poder insultar à vontade a sensibilidade de milhões de pessoas religiosas; isto já não é política. E mais grave é vindo de alguém que deveria ter alguma responsabilidade objectiva pelos seus actos.

Existem artigos do Daniel Luís que roçam a ilegalidade conforme prevista no CP e mesmo na Constituição relativamente ao respeito devido aos sentimentos religiosos do cidadão. Isso não é política porque se atacam pessoas indiscriminadamente, e não uma política ou um determinado programa político em concreto.

Portanto, o que está em causa não é a liberdade de expressão. Quando se considera a religião como parte integrante da política, alguma coisa de profundamente errado existe da parte de quem assim pensa.

Para termos uma ideia das “crónicas” do Daniel Luís, eis um pequeno excerto:

Mais uma semana da Quaresma se passou e mais uma Playboy se publicou. Penso que, ao permitir que a Playboy saísse neste período de jejum e de abstinência, Deus quis pôr à prova as hormonas dos machos católicos. Tipo… “vejam lá se conseguem resistir a estas deliciosas amêndoas que derretem na boca e não nas mãos”. Vá lá… não esteja já a destilar ódio contra mim, querido leitor, porque eu gosto muito de si… gosto de si daqui até à Lua… (sabia que, na antiguidade, a data da Páscoa era determinada pela Lua?). Pense bem: faz ou não sentido que uma revista com coelhinhas seja lançada antes da Páscoa? Claro que faz! E digo mais: se em vez de coelhinhos achocolatados, as lojas vendessem antes coelhinhas de chocolate, em lingerie de doce de ovos, até os papás das crianças se lambuzavam todos…
Não esqueçamos que a figura do coelho está associada à festa religiosa da Páscoa, por se tratar de um animal de grande capacidade reprodutora, simbolizando a fertilidade e o desejo de renovação e de esperança numa vida nova. E a avaliar pelos seus atributos físicos, também as coelhinhas da Páscoa transpiram uma energia reprodutora por todos os seus poros. Num período tão bonito como é a Páscoa, uma coelhinha da Playboy simboliza isso mesmo: o desejo de reprodução que existe em cada um de nós. É que, com uma Playboy à frente dos nossos olhos, não é só Jesus Cristo que ressuscita…

Eu, que não conheço o Daniel Luís nem disso faço questão, que não milito nem militei nunca num partido político, sou um dos milhões de portugueses que não têm culpa que um Daniel Luís de sirva da notoriedade que uma função de docência universitária lhe dá…para nos insultar. E depois, alega-se a liberdade de expressão quando existe um artigo no Código Penal que reza assim:

Artigo 252º
Impedimento, perturbação ou ultraje a acto de culto

Quem:

b) Publicamente vilipendiar acto de culto de religião ou dele escarnecer;

é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.


É a puta da liberdade, porque é de todos, e a torto e direito, sem olhar a meios para se atingirem os fins.

Os Illuminati

Arquivar em: Maçonaria — O. Braga @ 9:39 am
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Recebi um email que pode ser lido aqui (PDF) do leitor Tom Silva. Aproveito o ensejo para informar que os comentários neste blogue estão abertos desde que os comentadores façam o respectivo registo no WordPress através do link que existe para o efeito.

Falar da maçonaria e da sua história é coisa complexa, como é complexo falar da evolução de um qualquer pensamento ou teoria. A verdade é que os Illuminati, como a Carbonária e outras organizações, não nasceram a partir da maçonaria mas integraram-se na maçonaria ― mas isso não aconteceu assim em toda a Europa: a Carbonária em Itália nasceu em função da luta pela unificação do país por Garibaldi, embora aquela fosse independente do movimento político deste, e mais tarde integrou-se na maçonaria italiana. Em Portugal, a maçonaria portuguesa “produziu” a Carbonária com o intuito de assassinar o rei D. Carlos I, e depois do rei morto, a própria maçonaria “dissolveu” a Carbonária.
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Sexta-feira, 3 Julho 2009

Perguntas à futura primeira-ministra de Portugal

Arquivar em: Perguntas a MFL — O. Braga @ 6:40 am
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Quinta-Feira, 2 Julho 2009

Façamos de conta que o rei não vai nu

o-absurdo-com-pernasPara além da confusão (propositada) dos argumentos a favor de um “casamento” gay, há uma pergunta a que sistematicamente se foge: deverá ser também alterado o Código Civil para acomodar os “casamentos” entre irmãos e/ou o “casamento” entre um pai e uma filha (por exemplo)?

Reparem neste texto:

«Eu posso não querer casar. Mas a minha vontade é uma coisa, e o direito dos outros outra coisa. O facto de eu (que vivo em união de facto há 36 anos), por hipótese, não querer casar, não pode inibir ninguém de o poder fazer. Portanto, é preciso aprovar legislação que o permita. Isto é assim tão complicado de entender?»

Para mim é fácil de entender: o facto de uma irmã e um irmão (adultos e idóneos) não quererem casar não inibiria o “direito” de o fazer ― na mesma lógica do “casamento” gay. O problema é que o argumento invocado ignora ostensivamente todos os “direitos” que possam existir, mas que não estão consagrados na lei, em favor da celebração do “direito” dos gays. De igual modo, e segundo o raciocínio e lógica invocados, um pai e uma filha (adultos e idóneos) teriam o “direito” ao casamento.

Portanto, o problema que se coloca não é o do laicismo contra a religião (ou vice-versa): é simplesmente o de encontrar uma lógica para o argumento do “direito” do “casamento” gay. A tentativa de fazer de conta que não existe uma contradição intrínseca ao próprio argumento, e que tudo se resume a uma guerra entre laicos e religiosos, retira a credibilidade a quem o defende.

A questão pode ser resumida assim: “ou há moralidade ou comem todos”. E havendo moralidade, há que constatar o facto de o casamento ser anterior ao próprio Estado e ao direito positivo; é essa a principal razão porque o casamento é heterossexual e baseado no “tabu” cultural. Podemos, depois, discutir a monogamia, a poligamia, a poliandria, o matriarcado e o patriarcado, etc., mas sempre partindo do princípio do casamento como sendo heterossexual, segundo a lei natural.

Adenda: “A cultura consiste num cânone de tabus ou, dito de outra maneira, uma cultura sem tabus é um círculo quadrado.”
Leszek Kolakowski

O estado da Nação

Arquivar em: Política — O. Braga @ 6:46 pm
O Estado a que isto chegou...

O Estado a que isto chegou...

Manuel Pinho faz chifres para bancada do PCP

É o caso do debate do estado da Nação de hoje. Tudo porque o ministro da Economia, Manuel Pinho, fez um gesto, colocando os dedos indicadores na testa, a imitar chifres, dirigindo-se a Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. Neste momento, Manuel Pinho está reunido com os ministros Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira numa das salas do Governo.

A estratégia do mentiroso inveterado

Arquivar em: Política, josé sócrates — O. Braga @ 8:26 am
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Socialistas centram estratégia na destruição do “falar verdade” de Manuela Ferreira Leite

O PS definiu a sua estratégia de ataque ao PSD e a Manuela Ferreira Leite: destruir a mensagem da palavra-chave da sua presidência social-democrata “Falar verdade” e a credibilidade da líder social-democrata. Se dúvidas houvesse elas ficaram absolutamente desfeitas na polémica com o caso da compra pela PT de parte Média Capital (TVI).

groucho-marx-socratinoA primeira coisa que preocupa o aldrabão é tentar não se sentir só. A solidão na mentira aflige-o. Por isso, o vigarista tenta fazer crer que toda a gente é como ele, tentando assim que as suas vigarices sejam consideradas pelo povo como “normais”. O aldrabão inveterado nunca se arrepende dos seus actos e de ter sistematicamente mentido ao povo: tende antes a espalhar a notícia de que toda a gente é igual a ele. O mentiroso nivela por baixo, ou seja, nivela toda a gente pela sua bitola.

Ainda vamos ver ao Sr. Sócrates dizer que a Prof. Drª. Manuela Ferreira Leite fez o seu exame de curso a um domingo com a ajuda de “cunhas”. Ainda vamos ver dizer que ela não tem habilitações para dar aulas numa universidade. Ainda vamos ouvir dizer que ela também é uma “engenheira sanitária”. Ainda vamos ouvir dizer que ela também teve um “guarda-costas” turco. E por aí fora.

O vigarista considera sempre que é preciso fazer passar a mensagem de que “todos são iguais a ele”, e que tanto faz votar num criminoso com um cadastro volumoso como no mais virtuoso cidadão. Para o aldrabão, a única virtude é a constatação de que não existem virtudes.

O partido socialista ― na minha opinião ― deveria preparar desde já o seu congresso para substituir José Sócrates como secretário-geral, em vez de adoptar uma estratégia de “socratização” da política portuguesa.

Quarta-feira, 1 Julho 2009

O estado da ética (3)

Arquivar em: cultura, educação, feminismo, filosofia, ética — O. Braga @ 9:42 pm
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A ideia do “sentimento” como chave da fundamentação da ética

O movimento feminista ― por exemplo na voz de Germaine Greer ou da filósofa Herlinde Pauer-Studer ― defendem a posição segundo a qual a fundamentação da ética tem sido, ao longo da História, demasiado racional. Segundo essas feministas desconstrutivistas (ver), a ética tem sido unilateralmente analisada, e essa unilateralidade teria surgido devido à exclusão da experiência feminina. Elas defendem a ideia da inclusão das virtudes características da mulher na análise da ética, como a intuição, a compaixão, do cuidado ou do sentimental.

Schopenhauer foi da mesma opinião das feministas: ele via na compaixão a raíz da moral ― e talvez por isso é que esse filósofo será um dos preferidos da mulher em geral.
O filósofo judeu francês Emmanuel Levinas, que passou anos da sua vida num campo de concentração nazi, vê o mistério do absoluto no rosto de outro ser humano; afirma ser impossível matar outro ser humano se se olhar para ele nos olhos. “A partir do momento em que o outro olha para mim, torno-me responsável”, escreveu Levinas (in “O Mundo na Cabeça”). O filósofo francês criticou o debate sobre a ética apodando-o de “egologia” absoluta. Em oposição a este debate, Levinas propõe a ética do altruísmo absoluto através de uma existência incondicional para os outros.

Em suma, as feministas desconstrutivistas, Schopenhauer e Levinas (entre outros) renunciam a uma fundamentação racional da ética. Para elas e eles, os valores surgem espontaneamente da profundidade dos sentimentos e da empatia funcional.
O problema que se põe nesta concepção “sentimental” da ética é que ela é permeável à total arbitrariedade porque os seres humanos não têm todos os mesmos sentimentos. Existem criaturas humanas que nem sequer são capazes de sentimentos empáticos, e contudo, a ética terá que existir para eles também. Portanto, o problema da hierarquia de valores éticos permanece intacto.
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O estado da ética (2)

Arquivar em: cultura, educação, filosofia, ética — O. Braga @ 4:33 pm
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A descoberta dos valores

Cada cultura procede de uma selecção entre os valores que lhe são conhecidos. Se os valores existem predeterminados objectivamente, então reúnem-se as condições da ética: os valores possuem uma validade universal, são intemporais e são identificáveis nas suas características principais.

Assim como o artista e o cientista, o filósofo não inventa nem cria nada; apenas descobre a realidade. A teoria da relatividade já existia na natureza antes de Einstein a ter descoberto; todas as obras de arte de todos os artistas, existiam como possibilidades dentro da “constante cosmológica da natureza” ― 10120 ― de que falei aqui. Dentro desta constante cosmológica ― e mesmo para além dela ―, muitíssimas mais teorias científicas e filosóficas há para descobrir, e muitas obras de arte possíveis se mantêm no anonimato à espera dos artistas que nelas se inspirem. Os poemas têm a sua potencialidade no número 1 seguido de 120 zeros, o que significa que a produção poética desde o princípio da humanidade é irrisória. De igual modo, os valores morais existem objectivamente e o ser humano apenas os vai descobrindo à medida que vai evoluindo. Assim como existe uma verdade objectiva no domínio da natureza que o Homem vai descobrindo, também existem valores morais objectivos no domínio do espírito que o ser humano vai constatando. Por vezes, dá-nos a sensação de que o Homem involui em vez de evoluir; é difícil dizer quando uma crise significa uma decadência civilizacional porque o futuro é difícil de prever e uma crise pode ser sinal de desenvolvimento. Se “o futuro do Homem é o Homem” ― como escreveu o prof. Joel Serrão ― , está nas mãos do ser humano traçar esse futuro que não existe previamente definido, embora os valores para o construir já existam determinados.
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O estado da ética

Arquivar em: Sociedade, cultura, educação, filosofia, ética — O. Braga @ 7:15 am
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Temos ouvido sistematicamente gente inteligente ― como o professor Adriano Moreira ― falar insistentemente na necessidade dos “valores”. O que são os “valores”?

Com a actual crise financeira, tem-se falado muito de necessidade de ética. A crise do capitalismo está estritamente ligada à perda de normas vinculativas que faz regredir os seres humanos cada vez mais ao princípio do egoísmo através de um círculo vicioso: a perda de valores causa o recrudescimento da mentalidade individualista que causa mais perda de valores, rumo à irracionalidade e à decadência. Perante este fenómeno, alguns (a esquerda) defendem uma maior intervenção do Estado na sociedade, o que daria azo a que os cidadãos deixassem de ser controlados pela sua consciência e passassem a ser sujeitos a uma repressão através da acção policial estendida não só ao comportamento individual como em relação ao seu próprio pensamento. Uma maior intervenção do Estado na sociedade, no seguimento desta crise de valores, significaria o reconhecimento da impossibilidade de ver o ser humano senão como um animal irracional. Portanto, a solução para o problema está antes numa cultura moral razoável e segura e de responsabilização dos cidadãos.

valoresAs estruturas tradicionais da sociedade civil entraram em colapso, e entre elas a mais importante: a família. A religião começa a ser perseguida pelo Estado, nuns países mais do que noutros: a nossa sociedade ultrapassou já o limiar da pobreza em termos religiosos e ideológicos. Pela primeira vez desde que a História é escrita ― e mesmo na pré-história ― os jovens são educados e socializados sem uma cosmovisão.

Temos ouvido sistematicamente gente inteligente ― como o professor Adriano Moreira ― falar insistentemente na necessidade dos “valores”. O que são os “valores”? Eles referem-se à ética ― que é a disciplina filosófica que fundamenta as normas. Porém, se os valores não estão enraizados na tradição de uma sociedade, terão que ser fundamentados. E aqui começa o problema.

Desde logo, os valores morais devem ter uma validade universal, o que parece ser impossível numa sociedade pluralista, em que cada um reclama para si próprio o direito à “sua ética”. Para que os valores tenham uma validade universal ― numa sociedade pluralista ― terão que ser fundamentados racionalmente, na medida em que os valores morais não podem ser rejeitados por qualquer pessoa, porque se assim fosse não seriam universais. Para que não seja possível relativizar os valores morais, eles têm que possuir uma validade intemporal, o que significa que eles seriam comparáveis às leis da natureza. As leis da natureza existem independentemente do ser humano, são sempre válidas e quem as desrespeitar causa a si próprio um problema grave, mesmo que não seja controlado por alguém.

Em resumo: os valores morais devem ser universais, fundamentados racionalmente, ter uma validade intemporal e serem identificáveis nas suas características principais.
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Terça-feira, 30 Junho 2009

A fobia ateísta

Arquivar em: cultura, educação, ética — O. Braga @ 7:58 pm
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A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) invoca o artigo 43 da Constituição para denunciar a contratação de docentes da disciplina de Religião e Moral por proposta da Igreja Católica, quando é o próprio artigo 43 ― segundo a leitura que dele faz a AAP ― que faz com que isso aconteça. Trata-se de um argumento circular: o artigo 43 é interpretado pela AAP como “proibição de ensino de religião e moral na escola pública mesmo sendo facultativa”, quando não é isso que está escrito no artigo citado.

Portanto, segundo a AAP, se a Constituição proíbe, o Estado não pode contratar; se os cidadãos exigem, o Estado é sempre obrigado a contratar sem concurso porque “o ensino público não será confessional” (Artº 43 § 3 da Constituição). Seria como se eu chegasse a uma repartição pública e o porteiro me dissesse: “Você precisa de um salvo-conduto para entrar aqui”; e eu perguntasse: “onde posso obter esse salvo-conduto?” E a resposta fosse pronta: “Aqui.” Seja por que lado pegasse na questão, eu estaria sempre tramado.
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A estupidez do docente universitário

Arquivar em: Esta gente vota — O. Braga @ 5:07 pm

Uma das características congénitas de Carlos Abreu Amorim, é a sua (dele ) estupidez. Trata-se de uma característica inata que se adequa perfeitamente ao que foi escrito por ele e transcrito aqui. A criatura serve-se de uma estória contada por Jorge Luís Borges para a transformar numa realidade aos olhos de quem a lê ― quando se sabe que o escritor argentino sofreu uma grande influência cultural de várias religiões e até era conservador.

Segundo Cipolla, a estupidez é uma característica de alguns seres humanos e é independente de outras características pessoais ― a estupidez não escolhe estatuto social, classe, profissão, sexo, raça, etc..
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A Razão e o símbolo religioso

«Se há um corpo natural, há também um corpo espiritual. (…) Porém, o corpo espiritual não é o primeiro. Primeiro, foi o natural, depois, o espiritual. O primeiro homem é da Terra e terrestre. O outro homem é do céu…Mas eu digo-vos, irmãos: a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus…mas todos seremos transformados. »

― S. Paulo (1 Cor 15, 44)

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Segunda-feira, 29 Junho 2009

Perguntas à futura primeira-ministra de Portugal

Arquivar em: Perguntas a MFL — O. Braga @ 8:31 pm
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Descoberta imagem do apóstolo São Paulo do século IV?

Arquivar em: curiosidades — O. Braga @ 7:42 pm
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Foi descoberta muito recentemente, numa catacumba em Roma, uma imagem que os especialistas atribuem ao apóstolo S. Paulo. Durante os trabalhos de restauro da catacumba de Sta. Thekla, foi descoberto um fresco datado do século IV d.C. que os arqueólogos do Vaticano dizem ser uma imagem de S. Paulo de Tarso.

Ver notícia completa aqui (em inglês).

Revista de imprensa

Arquivar em: A vida custa — O. Braga @ 10:27 am

absurdoPortugal tem 1,8 milhões de pobres. Por coincidência, é esse o número de reformados existentes no país e cuja pensão média é de 385 euros. Contudo, fiquei a saber que os portugueses são pobres, desmobilizados mas, apesar disso, felizes, isto é, pautam-se pela lógica da hiena: comem os restos dos outros, fornicam uma vez por ano…e riem de quê?

Porém, nem tudo é mau: na área do governo existe um Patrão que acumula três cargos desde que trocou a chefia do gabinete de José Sócrates pela presidência do ITP: a par da liderança do IPT, onde terá um salário mensal de cerca de 10 mil euros, Patrão é membro do CGS da TAP e vogal da administração da ENATUR, onde não tem remuneração. Portanto, este não vai pela lógica da hiena: come e não deixa restos para ninguém, fornica e ninguém o vê rir em público.

Família de Jackson quer funeral planetário. Só podem estar a brincar…temos que aturar os me®dia em constante cobertura em directo que nem a Madre Teresa de Calcutá teve aquando da sua morte, e agora querem um funeral planetário para um pedófilo? Ou isto está tudo doido ou eu estou a ficar caquéctico… o indivíduo com 50 anos já se intoxicava todos os dias com medicamentos ― para além da dose diária chutada para a veia ― e querem um funeral planetário para venerar um alienado?

Realmente, devo estar a ficar senil…o mundo anda de pernas para o ar, mas não só nos EUA: porque carga de água o novo livro de Mia Couto tem como título “Jerusalém” em Portugal e nos países africanos de expressão portuguesa, e o título de “Antes de Nascer o Mundo” no Brasil? Será por causa do novo Acordo Ortográfico que ainda assim exige uma tradução do português europeu para o português do Brasil? Passaria pela cabeça de algum escritor de língua inglesa atribuir dois ou mais títulos diferentes a um mesmo livro seu em função de vários países da mesma língua? ˙˙˙oıɹáɹʇuoɔ oɐ ɐʇıɹɔsǝ ɐɯn ǝnb oɔıƃólı sıɐɯ é ǝnb oɔıɟáɹƃoʇɹo opɹoɔɐ ɯn ǝp opɹnsqɐ oɐ ǝpǝɔ ǝnb ɐɔıʇílod ǝssɐlɔ ɐɯn ɯoɔ ɹɐʇuǝnƃɐ ǝnb soɯǝʇ ɐɯıɔ ɹod ɐpuıɐ ǝ ˙ǝɹnʇɐ so ǝnb ǝʇuǝƃ ɐ ǝ oɔnlɐɯ opnʇ ɐpuɐ ¿sıɐɯ ǝnb ɯǝqɐs ¿oɹʌıl op ɐʇıpéuı ǝ lɐuıƃıɹo oãçnpɐɹʇ ɐɯn ɹǝzɐɟ ǝ ɐnƃuíl ɐ ɹɐpnɯ lıɔáɟ sıɐɯ ɐıɹǝs oãu

Domingo, 28 Junho 2009

O estatuto de semi-deusa da mulher no nosso direito positivo

O estatuto da mulher atingiu no nosso ordenamento jurídico foros de escândalo. A mulher tem um direito que o homem não tem nem nunca terá: o de poder matar outro ser humano sem culpa ou culpa mitigada. Trata-se de um estatuto de semi-deusa que lhe permite poderes de divindade.
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O arrombador de portas

O arrombador de portas

O arrombador de portas

Quando Emídio Rangel e os seus capangas, já lá vão mais de duas décadas, arrombaram a porta da TSF e ocuparam as suas instalações pela calada de uma madrugada ― e independentemente de terem (ou não) direito reconhecido por lei à posse da estação de rádio ―, fiquei naquela altura a saber que o homem não olha a meios para atingir os seus fins. A ética de Emídio Rangel é teleológica; portanto, não me admira absolutamente nada que ele não queira ver a realidade tal qual ela se nos apresenta, quando se recusa a ver aquilo que a maioria dos portugueses já viu sem precisar de acreditar nos me®dia.

Emídio Rangel presta-se, nesta entrevista, a um papel vergonhoso. Ele, que se diz o paladino da liberdade de expressão nos me®dia, não consegue ver que a compra de 30% da TVI pela Portugal Telecom aumentaria o peso do Estado na televisão que já tem Estado a mais, com a RTP com 2 canais, com participação em pelo menos dois canais de cabo (TVN e SIC notícias). A liberdade dos me®dia só serve a Rangel quando lhe interessa; é a tal moral teleológica.

Em vez de constatar a perniciosidade do negócio para a comunicação social, Rangel prefere atacar toda a comunicação social. Portanto, temos alguém que arrombou a porta da TSF para ocupar à força esta estação de rádio, e que diz agora que o serviço de informação de Manuela Moura Guedes “é uma vergonha e não tem respeito nenhum pelas regras éticas e deontológicas que os jornalistas deveriam respeitar em qualquer circunstância.” O homem não se enxerga. E depois, vai mais longe: “Há, de facto, hoje, a oposição da Comunicação Social em geral a José Sócrates.” Já não é só a TVI: todos os me®dia estão contra o coitadinho do Sócrates. Pergunto-me sobre qual é a porta que Rangel quer arrombar desta vez…

O materialismo ou o ‘disparate do século XX’

Sábado, 27 Junho 2009

Os símbolos nacionais representam a Nação, e não o Estado

Arquivar em: Portugal — O. Braga @ 8:44 pm
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aqui qualquer coisa que não bate certo: desde quando um “sistema monárquico” não pode conter em si mesmo um princípio democrático? Ainda vamos ver os tugas ensinar os ingleses sobre o que é a democracia…
O rei é ― ou deve ser ― eleito (ou aclamado) em Cortes; a hereditariedade não deve ser sinónimo de coroação automática. Se recuarmos aos primórdios da monarquia na península ibérica, entre os visigodos, o rei era eleito em Cortes (as chamadas “Dietas”). Um primeiro pretendente ao trono que não tivesse a aprovação geral das Cortes era substituído por outra pessoa da sua família, ou mesmo por alguém de outra família.
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