perspectivas

Domingo, 29 Janeiro 2012

Os novos Macartismos

Filed under: A vida custa,ética — O. Braga @ 10:26 am
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Quando dois aviões embateram nas torres gémeas de Nova Iorque, gerou-se em todo o mundo um clima político securitário que ainda hoje perdura, e que se aprofundou com a nova tecnologia que despe literalmente o cidadão que pretende viajar de avião. O terror passou a justificar o terror. Em nome da liberdade, restringe-se a liberdade. Quando, à entrada para o avião, sou apalpado em tudo o que é sítio, dizem-me que “é para o meu bem”: quebra-se a privacidade do indivíduo em nome da putativa salvaguarda da sua privacidade.

A crítica que o José Pacheco Pereira faz aqui aos “anónimos”, é pertinente; assim como a crítica que se fez ao totalitarismo comunista, no tempo de Joseph McCarthy, também era pertinente. O que eu já não considero pertinente nem racional foi a “caça às bruxas” do Macartismo, em que muita gente inocente foi apanhada em uma teia de esquizofrenia política e social. Custa-me a aceitar que seja considerado pertinente que, em um ambiente em que alegadamente impera a ilegitimidade e a ilegalidade, se justifique a tomada de medidas ilegítimas, embora legais.

Portanto, a crítica política que o José Pacheco Pereira faz aos “anónimos” é um fait-divers e pretende ocultar o verdadeiro problema, que é ético e resulta, por isso, de uma hierarquização de valores. A reacção dos “anónimos” à lei SOPA é apenas a outra face da medalha de que fazem parte os autores da lei: é um radicalismo que se opõe a outro.

Pedro Rosa Mendes critica a ponta do aicebergue onde ele próprio está sentado

Eu não conheço, em detalhe, a orientação política de Pedro Rosa Mendes e, por isso, vou apenas circunscrever a minha opinião a este áudio.

http://www.youtube.com/watch?v=wmGPv4bgOrw

Angola representa hoje o desígnio [ou o desenho] de uma certa concepção política globalista/sincrética que pretende moldar o mundo, e que se revela em uma determinada comunhão entre mundividências políticas ainda há pouco tempo opostas — se é que deixaram de ser opostas. É esse mesmo sincretismo político globalista que determina a construção da União Europeia que Pedro Rosa Mendes apoia politicamente, e face à qual ele próprio entra em contradição quando critica Angola.

Henry Kissinger e Zhou Enlai, 1971


Angola é apenas uma das muitas “faces descaradas” desse sincretismo globalista que pretende uma união dos opostos segundo uma concepção heracliteana da realidade. Esta tentativa sincrética de eliminação da Metaxia [segundo o conceito de Platão] que é o “campo neutro” onde o Homem se situa face à “dialéctica dos contrários” que impera no universo e que deriva da ordem divina, é uma característica fundamental da política contemporânea. Segundo Heraclito, o Homem pode “elevar-se” e anular a sua existência metáxica, tornando nulas as próprias leis da Natureza: hoje, a política segue Heraclito [e Nietzsche] e mandou os pós-socráticos às malvas.

A ilusão da política contemporânea consiste em defender a ideia segundo a qual a eliminação da Metaxia pode, de facto, ser efectuada através da pura negação da realidade, por um lado; ou seja, prevalece hoje, na cultura intelectual e das elites em geral [a "ruling class"], a ilusão de que basta negarmos a realidade para que ela deixe de existir. E, por outro lado, pela validação absoluta de um sincretismo que é elevado a um estatuto de religião política, segundo Montesquieu, que se pretende que substitua a espiritualidade humana tradicionalmente concebida pelas religiões universais [por exemplo, na maçonaria que está evidentemente por detrás da construção do leviatão europeu].

O que está hoje em causa, na concepção política definida por uma certa visão da ética e da metafísica, pode ser sintetizado nesta frase de G. K. Chesterton [“S. Tomás de Aquino”]: «Todas as concepções filosóficas e políticas modernas e contemporâneas partem de um paradoxo; de um ponto de vista peculiar que exige o sacrifício daquilo a que os seus autores chamam de “ponto de vista saudável”».

A política trata, hoje, de erradicar o senso-comum. Seja em Angola ou em Paris de onde nos fala o Pedro Rosa Mendes.

Sábado, 28 Janeiro 2012

O conceito de “revolução permanente” islâmico e trotskista

O conceito trotskista de “revolução permanente” apareceu pela primeira vez na História, devidamente estruturado, no Corão (ou Alcorão, como alguns fazem questão). A “revolução permanente” aparece no Corão através de uma ideologia de “batalha permanente” que se pretende que elimine e erradique os inimigos do Islão [os inimigos da revolução].

A simples existência do infiel (ou seja, aquele que não é muçulmano) é vista pelo Corão como uma “injustiça ontológica” que tem que ser eliminada ao serviço de um imperativo superior. A própria existência do infiel — o facto de o infiel viver — e do relapso [o traidor] é vista como uma injustiça [Alcorão 5,33]. Podemos traçar aqui um paralelismo cultural e ideológico entre o Islamismo e a esquerda marxista e neo-marxista contemporânea, que inclui o marxismo cultural. Por exemplo, para um apologeta do Bloco de Esquerda ou do Partido Comunista, a minha simples existência — ou a existência de um conservador — é, em si mesma, uma injustiça ontológica que deve ser erradicada da face da Terra.

Porém, se por um lado podemos traçar um paralelismo entre o Islamismo e o marxismo, por outro lado podemos fazer uma referência à situação histórica a que assistimos durante o período do reinado de D. João II, mas principalmente durante o reinado de Manuel I que coincidiu com a governança dos Reis Católicos espanhóis que expulsaram os judeus da Península Ibérica, causando assim o início da decadência dos reinos português e espanhol. Contudo, existe no caso da acção política dos reis católicos uma grande diferença em relação à ideologia da “revolução permanente” do Islão e do marxismo [e do nazismo] : na península ibérica, os judeus foram expulsos pelos católicos, mas não foram mortos ou eliminados; e esta diferença não deve ser escamoteada.


O que aconteceu com a acção dos reis católicos espanhóis em relação aos judeus foi uma deriva ideológica que não se fundamentou nos textos bíblicos. Por exemplo, no Corão existem 189 referências ou apelos à “morte dos infiéis”, 27 destas de modo imperativo, mas nem uma referência ao amor entre seres humanos; em contraponto, nos Evangelhos encontramos apenas uma referência metafórica à violência religiosa em Mateus 10, 34 : “Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.”

Porém é preciso ter em atenção as características de cada um dos evangelhos sinópticos: pessoalmente, gosto do Evangelho de S. Marcos e principalmente de S. Lucas, mas não tanto de S. Mateus e ainda menos de S. João. Se eu tivesse que recomendar a leitura de um Evangelho a um neomarxista, recomendaria o Evangelho segundo S. Mateus: 1) a salvação é sobretudo a salvação do nosso pecado (o equivalente da auto-crítica revolucionária marxista); 2) não há nenhum ser humano que satisfaça as exigências da condição humana (traduz a exigência do super-homem gnóstico e revolucionário); 3) todos os seres humanos estão implicados em redes económicas que nos tornam também culpados pela injustiça e exploração no mundo, e pela destruição da natureza (o equivalente da ecologia contemporânea e da obsessão pela igualdade expressa pelo politicamente correcto). De todos os Evangelhos, o Evangelho segundo S. Mateus é o mais “politicamente correcto”.


A “revolução permanente” islâmica elege como principal inimigo interno, a mulher. A relação da ideologia islâmica com a mulher é paradoxal: trata-se de uma “misoginia libertina”: por um lado, a misoginia islâmica é evidente; e por outro lado, a poligenia/poligamia islâmica introduz um traço libertino a essa mesma misoginia. Ora este fenómeno de “misoginia libertina” paradigmática não aconteceu na Europa medieval cristã, tal como escrevi aqui; e, por outro lado, essa misoginia libertina afirmou-se na Europa, como paradigma cultural, com o Iluminismo e principalmente durante o século XIX.

Essa “misoginia libertina” é também um dos traços culturais da nossa cultura contemporânea ocidental marcada pelo marxismo cultural e pela revolução sexual — embora assente em paradigmas éticos diferentes — e que justifica, por exemplo, o aborto como sendo do interesse da mulher, assim como o Islamismo justifica a repressão da expressão do feminino como sendo do interesse da própria mulher.

Sexta-feira, 27 Janeiro 2012

O “direito” dos gays a ter filhos e a homofobia dos Monty Python

Filed under: politicamente correcto — O. Braga @ 12:49 pm
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http://www.youtube.com/watch?v=sFBOQzSk14c

FRANCIS: Why are you always on about women, Stan?
STAN: … I want to be one.
REG: … What?
STAN: I want to be a woman… I want to have babies.
REG: You want to have babies?!?!?!
STAN: It’s every man’s right to have babies if he wants them.
REG: But you can’t have babies.
STAN: Don’t you oppress me.
REG: I’m not oppressing you, Stan — you haven’t got a womb. Where’s the fetus going to gestate? You going to keep it in a box?
(STAN starts crying.)
JUDITH: Here! I’ve got an idea. Suppose you agree that he can’t actually have babies, not having a womb, which is nobody’s fault, not even the Romans’, but that he can have the *right* to have babies.
FRANCIS: Good idea, Judith. We shall fight the oppressors for your right to have babies, brother. Sister, sorry.
REG: What’s the point?
FRANCIS: What?
REG: What’s the point of fighting for his right to have babies, when he can’t have babies?
FRANCIS: It is symbolic of our struggle against oppression.
REG: It’s symbolic of his struggle against reality.

E ainda dizem que Satanás não existe

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:32 am

“Un hombre de Florida ha sido detenido acusado de matar a otra persona y de comerse un ojo y parte del cerebro de la víctima, según el informe policial difundido este jueves.”

via Mata a un indigente y se come un ojo y parte de su cerebro – Libertad Digital.

O provincianismo de Lisboa

Filed under: A vida custa,cultura,Esta gente vota — O. Braga @ 10:10 am
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“O pior é que entretanto a ilusão se estendeu à província. As câmaras arranjaram “vereadores culturais”, com funções para lá da compreensão humana. Promoveram encontros, conferências, colóquios, simpósios, festivais. Convenceram o Estado a comprar os cineteatros de 1905 ou 1940, que se iam desfazendo serenamente em ruínas, para uma “produção nacional” imaginária ou pobre.”

via Povo: Brincadeiras “culturais”, Por Vasco Pulido Valente.

Se há alguma coisa de provinciano nos lisboetas é a mania de chamar de “província” a Portugal. Para o lisboeta, Portugal é província e Lisboa não é Portugal; ou então, Portugal é Lisboa e a província é algures no estrangeiro. É aqui que se revela, de facto, o verdadeiro e genuíno provincianismo português: o lisboeta.

Quem financia a agenda política totalitária da ILGA-Europa ?

A ILGA-Europa diz-se uma ONG (Organização Não-Governamental); porém, para que uma organização possa ser considerada como ONG, deve ter, entre outras características, 1) a condição de que a maioria do seu financiamento deve vir de contribuições de filiados nacionais da organização, 2) de membros individuais da organização, 3) ou de outras ONG’s. Sem estas características e segundo os critérios da ONU, uma organização não pode ser considerada uma ONG (Organização Não-Governamental).
(mais…)

Quinta-feira, 26 Janeiro 2012

A paixão do “vintage” (2)

Filed under: Fotografia — O. Braga @ 6:47 pm

Sigrid Rausing, de quem falarei num próximo postal

O Partido Socialista, o P.L. 118, e a inversão do ónus da prova

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 5:39 pm

“Pagar novas taxas por cada Gigabyte adquirido é uma das consequências do projecto-lei apresentado pelo PS, que pressupõe que todos fazemos cópias de obras de autores e que vai encarecer muitos suportes de armazenamento digital (discos rígidos, etc) A polémica está lançada na Internet.”

via Destak.pt | Proposta em discussão: Projecto de lei diz que todos fazemos cópias de obras de autores.

A senhora Dona Gabriela Canavilhas sempre me causou alguma estranheza; sempre a considerei tão ministeriável quanto a Fernanda Câncio é jornalista: devem haver ali outras coisas pelo meio, literalmente.

A senhora Dona Gabriela Canavilhas, que apresentou o P.L. 118, inverte o ónus da prova: todos os consumidores são, à partida, culpados de violação de direitos de autor; mais grave: não há forma de os condenados a priori — ou seja, os consumidores, em geral — poderem provar a sua inocência.

Deus abençoe os húngaros, e livre-os do maoísta Durão Barroso

O que a Comissão Europeia — e, portanto, a União Europeia — está a fazer à Hungria não é só uma vergonha descarada: é um verdadeiro escândalo!

God Bless the Hungarians

Não tendo em que se agarrar para julgar qualquer desvio democrático da Hungria, a Comissão Europeia, dirigida pelo ex-militante maoísta José Manuel Durão Barroso, tentou implicar com a putativa falta de independência do Banco emissor húngaro; tratou-se de um problema técnico — e não de um problema de regime político — que, entretanto, foi resolvido, a contento, pelo governo húngaro.

Naturalmente que a Comissão Europeia do maoísta Durão Barroso não poderia ficar por aqui: resolvido o problema do Banco da Hungria, a Comissão inventou outro problema de “défice democrático” da Hungria: a idade de jubilação dos juízes húngaros.

Segundo os patetas das luminárias da Comissão Europeia, quando o governo húngaro da Direita conservadora baixou a idade de reforma dos juízes de 70 para 62 anos — que é a idade de reforma de todos os húngaros — cometeu uma ilegalidade na medida em que, segundo as ditas luminárias, se trata de um acto “discriminação” negativa. Mas isto tem alguma lógica ou cabe na cabeça de alguém?!!! Pelo contrário: os juízes estavam a ser discriminados, e agora já não estão.

Por outro lado, como é que o estabelecimento normativo da idade de reforma de um grupo social, considerado em si mesmo, pode ser discriminatório ?!!! Será que os juízes, no entender das luminárias da União Europeia, não deveriam ter reforma?!

A União Europeia começa a ser uma associação criminosa, um ninho de nepotismo político de burocratas controlados por uma elite política para-totalitária que se dedica a fazer a vida negra aos cidadãos dos diferentes países da Europa.

Será que o PSD do Pernalonga vai convidar os nossos jovens a emigrar para a China?

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 12:37 pm

“Las autoridades chinas anunciaron este jueves un programa para atraer a expertos extranjeros cualificados en cinco ámbitos industriales durante los próximos cinco años, al tiempo que aumentan las barreras para la entrada de los emigrantes que huyen de la crisis.”

via China busca trabajadores extranjeros cualificados – Libre Mercado.

Estudo: pessoas divorciadas vivem menos tempo

Filed under: curiosidades — O. Braga @ 12:21 pm

“A new study entitled “Divorce and Death” appearing “Psychological Science” shows that broken marriages can kill at the same rate as smoking cigarettes.”

via Study: Divorce Can Kill at Same Rate as Smoking – MSN Relationships – article.

Bora! Toca a casar!

A democracia egípcia [ou será "egícia"?!!!] já tem barbas

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Islamismo — O. Braga @ 8:58 am
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“Lange Bärte und Gewänder bestimmen im neuen ägyptischen Parlament das Bild: Die Mehrheit der Abgeordneten zählt zu den Islamisten.”

via Ägypten: Parlament der Bärte – jetzt regieren die Islamisten – Nachrichten Politik – Ausland – WELT ONLINE.

De tantas barbas ter a democracia “egícia”, os seus representantes já se dão ao luxo de dormitar de vez em quando, seguindo o exemplo dos nossos deputados no parlamento. Dois terços dos democratas “egícios” já têm barbas; em contraponto, cada vez mais os nossos representantes na assembleia da república preferem usar “cuecão de couro”.

A Irlanda volta aos “mercados”

Filed under: economia — O. Braga @ 8:13 am
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“THE GOVERNMENT made its first return to the bond markets since September 2010 today as short-term borrowing costs fell.

The National Treasury Management Agency, which manages the State’s debt, swapped bonds due to be repaid in 2014 into new bonds due for repayment at the later date of 2015.”

via Debt Crisis: Government succeeds in re-entering bond market with €3.5bn swap – Irish, Business – Independent.ie.

Uma notícia que vale a pena dar

Filed under: Geral — O. Braga @ 8:03 am

“O Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra irá promover dois cursos intensivos de iniciação ao Grego e ao Latim.”

Ler o resto em De Rerum Natura: Cursos intensivos de iniciação ao Grego e ao Latim.

Jean-Paul Sartre exagerou quando afirmou que “o real não é belo”; a ideia segundo a qual “rerum natura pulchra non est” é manifestamente um juízo universal exagerado. Nem tudo é mau, no reino da Natureza.

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