perspectivas

Segunda-feira, 22 Setembro 2014

¿O que é um intelectual?

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 10:46 am

 

A palavra “intelectual” tem uma conotação marxista, mas reduzi-la a essa condição é um erro.

Talvez por isso é que José Gil diz que “já não há intelectuais”. Mas “intelectual” não é a mesma coisa que “intelectualismo”; e quando se confundem os dois conceitos, os intelectuais desaparecem de facto, como é óbvio. “Intelectualismo” ganhou um sentido pejorativo como uma tendência para uma especulação ideológica (racionalismo) sem aderência à realidade; ou seja, o intelectualismo opõe-se ao pragmatismo. Neste sentido de “intelectualismo”, hoje é politicamente incorrecto ser “intelectual”.


O problema é a definição de “intelectual”. Podemos encontrar uma definição de intelectual em um qualquer dicionário, mas trata-se apenas de uma definição nominal (por exemplo: “pessoa dada ao estudo; pessoa de grande cultura”), e não de uma definição real 1. Para uma definição real de “intelectual”, temos que partir de dados da experiência, ou seja, temos que partir da experiência que temos, ou da que constatamos de forma intersubjectiva, em relação a determinadas pessoas.

Podemos começar por laborar em uma definição negativa de “intelectual” (aquilo que um intelectual não é). Por exemplo, um burro carregado de livros não é um intelectual; uma “pessoa dada ao estudo” não é necessariamente um “intelectual” — porque bastaria decorar o dicionário inteiro para se ser “intelectual”.

De modo semelhante, nem toda a gente que trabalha em ciência é cientista propriamente dito: há os “cientistas trabalhadores” que, por exemplo, quando utilizam a equação de Schrödinger abstraem-se do que ela significa e apenas a utilizam de uma forma prática nos seus trabalhos. E depois há os “cientistas criadores”, ou propriamente ditos, que são os verdadeiros “intelectuais da ciência” (embora o intelectual não se reduza à área da ciência), em relação aos quais o sentido intuitivo da equação de Schrödinger está presente quando lidam com ela.

Portanto, chegamos a uma primeira característica do intelectual: a criação. Um intelectual é uma pessoa que cria algo, seja nas artes, seja na ciência, seja na filosofia, etc.. Um intelectual é um criador.


Mas um intelectual não é apenas um criativo, detentor de um “pensamento divergente”: também deve conciliar a criatividade com o “pensamento convergente” (a inteligência), e aqui está a grande dificuldade na classificação do “intelectual”. Ao pensamento divergente do criativo deve-se associar a capacidade crítica da inteligência que permite identificar e eliminar intuitivamente as ideias sem qualquer sentido real. Por isso é que o tradicional intelectual marxista não era de facto um intelectual; e por isso é que, em certo sentido, Julien Benda tinha alguma razão quando se referiu à “traição dos intelectuais” — porque de facto não o eram.

Portanto, um intelectual deve conciliar o pensamento divergente, por um lado, e o pensamento convergente, por outro lado; deve ser criativo mas com um apurado sentido crítico.


Chegamos apenas a uma aproximação de uma definição (uma noção) de “intelectual”, porque o “ser criativo” e o “apurado sentido crítico” pode ser relativizado pela subjectividade de quem faz um juízo de valor. Ou seja, pode haver quem considere, por exemplo, o Zézé Camarinha como sendo um intelectual: é criativo, é pragmático, e não é propriamente burro. Logo, segue-se que o Zézé Camarinha é um intelectual. ¿Será?

Ao Zézé Camarinha, para além da criatividade, do pragmatismo e da inteligência que ele possa ter, falta-lhe a cultura para ser intelectual — “cultura” aqui entendida como “cultura individual”, que difere de “cultura antropológica”, de “cultura popular” e de “cultura de classe”. A verdadeira cultura individual está aberta a todo o tipo de culturas — embora de forma crítica. O acriticismo é sinónimo de incultura.

Enfim, poderíamos definir o intelectual da seguinte maneira:

Um intelectual é um criador dotado de uma grande inteligência, de uma notável cultura individual caracterizada por um forte capacidade crítica, e de uma grande experiência de vida (é muito difícil encontrar um intelectual com 30 ou 40 anos de idade, por exemplo).

Alguns exemplos de intelectuais portugueses recentes: Agostinho da Silva, Eduardo Lourenço, Eduardo Prado Coelho, José Pacheco Pereira. Dos mais antigos do século XX, poderíamos falar em Fernando Pessoa, por exemplo, ou em Almada Negreiros. Estes são intelectuais propriamente ditos.

Nota
1. As definições reais são as que resultam das características invariavelmente observadas a partir dos dados da experiência, ao passo que as definições nominais assentam numa convenção prévia (por exemplo, os sinónimos de um dicionário).

Passos Coelho e a “classe de merda”

Filed under: Passos Coelho — orlando braga @ 9:15 am
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Se o Estado elimina a classe média com impostos pornográficos, surge uma “classe me®dia” — que é uma espécie de classe média com muito pouco dinheiro.

E uma classe me®dia não faz circular dinheiro na economia. E sem dinheiro a circular na economia, não há investimento. E sem investimento, não há crescimento da economia. E sem crescimento da economia, não podemos pagar a dívida aos credores internacionais. E se não pagamos a dívida aos credores internacionais, as taxas de juros aumentam. Se as taxas de juro aumentam, os impostos aumentam. Se os impostos aumentam, o que resta da classe me®dia transforma-se em “classe de merda”.

Com uma “classe de merda”, só se pode esperar uma revolução com o Partido Comunista à frente, e uma nova fuga dos capitalistas para o Brasil.

Domingo, 21 Setembro 2014

Beatriz Gimeno, a Isabel Moreira de Espanha: um caso para o psiquiatra Júlio Machado Vaz

 

bg-im


“Um mundo lésbico é a solução”.

“A heterossexualidade obrigatória é uma ferramenta do patriarcado para colocar as mulheres em uma posição subordinada em relação aos homens”.

“A heterossexualidade não é o modo natural de viver a sexualidade, mas é uma ferramenta política e social com uma função muito concreta que as feminista denunciam há décadas: subordinar as mulheres aos homens; um regime regulador da sexualidade que tem como finalidade contribuir para uma distribuição desigual entre mulheres e homens, construindo assim uma categoria de opressores, os homens, e uma de oprimidas, as mulheres”.

“A condição masculina significa a pertença ao género que detém todo o Poder”.

“A heterossexualidade é a ferramenta principal do patriarcado”.

“Esquecer que, na maior parte dos períodos históricos, se as mulheres tivessem podido escolher, teriam escolhido não manter relações sexuais com os homens, não viver com eles, não relacionar-se com eles — é esquecer algo fundamental na história das mulheres (e dos homens)”.

julio machado vaz web“É a heterossexualidade que, verdadeiramente, se crava nas vidas e nos corpos das mulheres. Situar-se no espaço físico do lesbianismo pode ser libertador na medida em que se assume uma posição de “outsider” em relação à heterossexualidade, na medida em que o corpo se sente mais livre e respira, na medida em que a mulher se pode observar de fora, e fazer-se mais consciente dos mecanismos de opressão que operam sobre nós”.

“A heterossexualidade não só se ensina, mas também fazem-se esforços ímprobos para que a maioria das mulheres sintam que não têm outra opção; a heterossexualidade é fortemente induzida, e daí vêm os múltiplos mecanismos destinados a sustentá-la, a ensiná-la, a favorecê-la, a castigar a dissidência, a pressionar as mulheres para que se façam heterossexuais de forma definitiva; mecanismos psicológicos, sociais, económicos, políticos.

Se a heterossexualidade fosse natural, ou sequer benéfica para as mulheres, não necessitaria dos enormes mecanismos complexos que se utilizam para manter as mulheres dentro dela”.

“O feminismo luta com denodo para limitar os danos que a heterossexualidade causa nas mulheres”.

“Sabe-se que qualquer mulher pode ser lésbica”.

“Não há uma construção ideológica rígida da feminilidade; não é necessária: o único requisito da feminilidade é a de esta esteja submetida, a cada momento histórico, aos desejos masculinos”.

“São muitas as lésbicas que afirmam ter escolhido sê-lo, ou por razões políticas, ou, se não estão conscientes dessa escolha política, dizem ter chegado à conclusão de que, como lésbicas, são mais felizes, na medida em que descobrem que as relações entre mulheres são dotadas de qualidades que não encontram nos homens”.

“Muitas mulheres sentem que escolher uma vida de lésbica é escolher uma vida que se afaste da que viveram as suas mães”.

“O feminismo combate para que as mulheres não percam as suas energias intelectuais e/ou afectivas com os homens”.

“Muitas mulheres teriam muito a ganhar se existisse uma equação que colocasse em pé de igualdade a homossexualidade e a heterossexualidade, ou que fomentasse a não-heterossexualidade. Ensinam-nos como limitar os problemas de saúde física e mental, económicos, políticos e pessoais, mas nada se diz de que estes problemas também poderiam se combatidos vivendo um estilo de vida lésbico”.

“A violência machista só se exerce dos homens em relação às mulheres, porque os homens são os únicos que, nesta sociedade, se podem encontrar em uma posição masculina. Só um homem pode sentir que possui a legitimidade simbólica, cultural, e histórica que lhe dá o patriarcado para matar a sua mulher. Quando um homem mata uma mulher por machismo, é um acto de ódio em relação a todas as mulheres”.


Respigado aqui.

Uma feminista é, por definição, uma deficiente cognitiva

 

A feminista espanhola Beatriz Gimeno, do partido espanhol “Podemos”, escreve o seguinte acerca da madre Teresa de Calcutá:

“Teresa de Calcutá era vista como pobre e austera, mas o seu funeral estava cheio de gente com dinheiro e com Poder. Bastou ver o plantel de enlutados, e ficou claro que a freira não podia ser senão uma impostora. Os poderosos acolhem os seus na morte, e não é possível que a morte de alguém que realmente tenha estado verdadeiramente com os pobres, os explorados, seja lamentada pelos ricos; é simplesmente uma impossibilidade lógica.

Apesar de não termos tido consciência de como até que ponto Teresa de Calcutá ter sido má como uma cobra, rapidamente tomámos consciência e hoje sabemos que ela era uma sádica que fazia sofrer os doentes, pobres solenes e doentes que ela prejudicava para que chegassem ao céu sem pecado; mas quando lhe tocou um pouco de sofrimento, ela foi para um hospital caríssimo nos Estados Unidos. Ela não queria ter alguma coisa a ver com o sofrimento.”


¿Seria possível que a feminista Beatriz Gimeno escrevesse uma coisa parecida acerca do funeral de Nelson Mandela? Duvido! E duvido porque uma feminista é naturalmente burra: mesmo que se diga que “ela olha só para um lado”, o facto de só se olhar para um lado revela burrice.

Ou então, para a Beatriz Gimeno, Nelson Mandela era “amigo dos ricos”. Ou seja, o que ela quer dizer é que em vez de os ricos serem “amigos” de Nelson Mandela, era o próprio Nelson Mandela que era “amigo” dos ricos. De modo semelhante, segundo a feminista Beatriz Gimeno, era a própria Madre Teresa de Calcutá que era “amiga” dos ricos.

funeral de nelson mandela web

De facto, a Madre Teresa de Calcutá esteve internada, em 1992, em um hospital nos Estados Unidos a ser tratada a uma pneumonia. O hospital em que Madre Teresa de Calcutá esteve internada foi o Scripps Clinic, que é uma clínica que pertence ao sistema de saúde sem fins lucrativos, Scripps Health.

Portanto, o que a feminista Beatriz Gimeno diz acerca de um “hospital caríssimo” em que esteve internada a Madre Teresa de Calcutá, é uma filha-da-putice — para além de ser uma mentira. Uma filha-da-putice é mais do que uma mentira: é uma mentira própria de uma filha-da-puta.

A Helena Damião e a ideia falsa de que “existe neutralidade do Estado”

Filed under: educação — orlando braga @ 5:10 am
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O pior argumento para se ser contra a dita “mercantilização do ensino” é afirmar que o Estado é ideologicamente neutral. Trata-se de um sofisma.

Ou seja, é um mito a ideia segundo a qual “o ensino estatal incute necessariamente mais e melhores valores nas crianças”.

O ensino na Alemanha nazi era uma exclusividade do Estado de Hitler; foi ele que proibiu o Ensino-em-casa ou “Home Schooling” que existia na Alemanha desde o tempo do Sacro-Império. Na ex-URSS, o ensino era monopólio do Estado, e continua a ser em Cuba e na Coreia do Norte. Portanto, os argumentos da Helena Damião a favor da exclusividade do ensino público, não colhem.

Quando se fala em “ensino”, seja privado ou público, temos que saber, em primeiro lugar, quais os valores que são incutidos às crianças: como escreveu Hannah Arendt, o ensino deve ser conservador, porque chegará a hora de os futuros adultos fazerem a sua própria revolução, e não têm que ser agora doutrinados pelas ideias dos revolucionários adultos actuais — pertençam estes ao Estado ou ao sector privado.

Só depois de termos definido os valores que devem orientar o ensino, poderemos dizer se o privado é melhor do que o público, ou vice-versa. O Estado não é necessariamente neutral em termos de valores, nem o sector privado é neutral nos valores que incute nas crianças.

É em função dos valores que norteiam uma instituição que devemos medir a sua qualidade.

Sábado, 20 Setembro 2014

O João Miranda e a Raquel Varela

Filed under: bovinotecnia — orlando braga @ 8:24 pm
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Perante uma mundividência absurda sobre a realidade, o João Miranda argumenta com cinismo. Face ao absurdo, só o cinismo faz algum sentido. Eu não simpatizo com Karl Marx, mas ele tinha razão quando dizia que pessoas como o João Miranda têm uma “moral de merceeiro”.

Não passa pela cabeça do João Miranda que terá havido outras razões, para além das razões de contabilidade de mercearia, para que escoceses votassem sim ou não à independência da Escócia.

A única diferença entre o João Miranda e, por exemplo, a Raquel Varela, é a concepção que os dois têm do Estado; de resto, são iguaizinhos: reduzem toda a realidade à economia. O João Miranda é uma espécie de “comunista do reviralho”.

Tanto um como a outra vêem a realidade de uma forma determinista (mas em nome da “liberdade” !) — uma vez que (toda) a realidade é determinada absolutamente pela economia. O futuro está determinado; não existe escapatória para os “amanhãs que cantam”, de um lado e doutro. Ambos defendem o fim da História, cada um à sua maneira. O futuro é uma certeza e o passado é uma incerteza; a moral é invertida em nome desse determinismo. O João Miranda e a Raquel Varela fazem parte do mesmo problema, e não são solução para nada.

Boas razões para viver na cidade do Porto

Filed under: Geral — orlando braga @ 8:05 pm
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E voltar a votar em Rui Moreira.

cafe majestic web

“O Relojoeiro Cego” de Richard Dawkins

Filed under: ética,Ciência,filosofia,Quântica — orlando braga @ 2:07 am
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“É imoral permitir o nascimento de crianças com síndroma de Down.”Richard Dawkins, no Twitter

“Na minha vida particular, estou pronto a exaltar-me com pessoas que cozem as lagostas vivas” — Richard Dawkins, “O Relojoeiro Cego”, 1986


“A biologia é o estudo de coisas complicadas, que aparentam terem sido concebidas com uma finalidade. A física é o estudo de coisas simples, que não nos tentam a invocar a concepção”. — Richard Dawkins, ibidem

“A física parece ser um tema complicado, porque nos é difícil entender as ideias da física.

(…)

O comportamento dos objectos físicos, não biológicos, é tão simples que é viável utilizar uma linguagem matemática conhecida para o descrever, razão por que os livros de física estão cheios de matemática.

Os livros de física podem ser complicados, mas os livros de física, tal como os automóveis e os computadores, são produto de um objecto biológico — a inteligência humana. Os objectos e os fenómenos que um livro de física descreve são mais simples do que uma única célula do corpo do seu autor”. Richard Dawkins, ibidem


Eu já pensei em criar um blogue com o título “O Relojoeiro Cego”, para ir refutando sistematicamente o livro. Mas depois pensei que seria uma tarefa inglória, porque seria lutar contra o paradigma científico de Richard Dawkins que marca, por exemplo, o blogue Rerum Natura. Talvez seja mais eficaz o que Passos Coelho está a fazer: corta-se neste tipo de “ciência”, e pronto!

Eu acho inacreditável como um professor universitário de Oxford tenha escrito dislates deste calibre. Mas isto é só uma pequena amostra (se calha, escrevo mesmo o blogue!). Por exemplo, sem a força entrópica da gravidade — que a física estuda — não seria possível que da realidade das partículas elementares pudessem surgir os aminoácidos que, através daquilo a que Richard Dawkins chama de “acaso cumulativo”, “aparecem espontaneamente” na natureza de sequência correcta para formar uma proteína.

Ou seja, a “inteligência humana”, a se refere Richard Dawkins, só se tornou possível porque existe uma área da Realidade primordial e muito complexa que a física estuda; e a biologia vem depois.

Afirmar que a interligação entre a força quântica, por um lado, e a força entrópica da gravidade, por outro lado, — interligação essa que está na base da teoria atómica e da física molecular que, por sua vez, estão na base do “surgimento” das moléculas, ácidos nucleicos, enzimas, etc.) — são “fenómenos simples de descrever”, é absolutamente inacreditável vindo de um professor universitário da área das ciências.

O sofisma de Richard Dawkins, tal como o dos darwinistas primevos (que diziam que “a célula viva surge espontaneamente da lama”), corresponde a uma certa ideia errada de Hegel, por um lado, e de Spencer, por outro lado, segundo a qual “o progresso é uma lei da natureza” e que “a evolução se processa necessariamente do mais simples em direcção ao mais complexo”. Como não se conhece empiricamente aquilo a que se chama de “simples”, então diz-se que “não é complexo”.

Como é evidente que Richard Dawkins tem uma enorme dificuldade de abstracção, afirma ele que “os livros de física estão cheios de matemática”, como se a matemática fosse a tal coisa “simples” que — na opinião dele — não se compara com a “complexidade da biologia”.

Eu não acho que cozer uma lagosta viva seja um acto de bom gosto; mas também não acho que seja imoral deixar nascer uma criança com síndroma de Down.

O que é anormal no tipo de “ciência” e de “cientistas” que temos hoje, é que se defenda a pertinência da primeira posição e a impertinencia da segunda posição. Mas é este tipo de “ciência” que é defendido, por exemplo, no blogue Rerum Natura. É este tipo de gente que tem que ser combatido sem quartel. Bem haja Passos Coelho, neste particular.

Sexta-feira, 19 Setembro 2014

Os machistas e as mulistas: as mulas são as fêmeas dos machos

Filed under: A vida custa,cultura — orlando braga @ 9:47 am
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Mais um chorrilho de asneiras da radical feminista espanhola Beatriz Gimeno.

Desde logo parte de um princípio errado: o de “igualdade de género”, em vez de “igualdade de sexos”. Quando se parte de um princípio errado, toda a teoria está errada (Aristóteles). “Género” aplica-se na gramática: género masculino e género feminino. Há, por maioria de razão e em juízo universal, cromossomas XX e XY; e depois há uma minoria pequeníssima de excepções à regra; mas não podemos transformar as excepções em regra.

“Género” designa também, em lógica, uma classe de extensão superior à extensão de outra classe que se chama “espécie”. Da lógica, o “género” passou à classificação biológica, onde designa a sub-divisão da família que precede a espécie. Portanto, substituir o conceito de “sexo” pelo de “género” é um absurdo, e revela uma criatura com deficiência cognitiva.

A “igualdade dos sexos” é jurídica, por um lado, é ética, por outro (a Declaração Universal dos Direitos Humanos); é também ontológica no sentido de “facto de existir” e no sentido do Dasein de Heidegger em que a igualdade dos sexos é entendida no contento da “existência”. Mas na natureza não existe “igualdade dos sexos”; naturalmente que os dois sexos não são iguais.

For the United States, a study by the U.S. Department of Justice (DoJ) in 2000, surveying sixteen thousand Americans, showed 7.4% of men reported being physically assaulted by a current or former spouse, cohabiting partner, or girlfriend, or date in their lifetime.

Domestic violence against men

As mulistas, como é o caso da Beatriz Gimeno, identificam-se com os machistas.

the_family-John Dickson Batten - 1886 webNos Estados Unidos, os números oficiais apontam para 7,4% dos homens que são vítimas de violência doméstica de mulheres, mas também se sabe que a maioria dos homens tem vergonha e não participa às autoridades a violência de que é alvo.

É provável, por isso, que os números sejam mais elevados: há quem diga que 25% dos casos de violência doméstica são de mulheres contra homens. Mas a mulista Beatriz Gimeno é zarolha: só vê por um olho (e dêmos graças que não seja pelo olho do cu).

Podemos conceber o conceito de “igualdade” de duas maneiras: por um lado, “igualdade” pode ser a relação de grandezas que permite que duas coisas ou seres possam ser substituídos um pelo outro.

É este o conceito de “igualdade de género” adoptado pelas feministas: os homens e as mulheres são intermutáveis — segundo as feministas.

Mas também podemos conceber, por outro lado, a “igualdade” como o princípio segundo o qual os indivíduos, no seio de uma comunidade política, devem ser tratados da mesma maneira: é este o conceito cristão, ético e jurídico de “igualdade dos sexos”.

O conceito feminista de “igualdade de género”, em vez de diminuir a violência contra as mulheres, tem contribuído para aumentar esse tipo de violência — como podemos constatar de facto em Espanha.

De nada serve a lei, se não existir previamente um consenso ético universal acerca da violência doméstica: podem fazer todas as leis repressivas e violentas possíveis contra o homem, que o problema não será nunca debelado por via legal: porque o problema, antes de ser legal e político, é ético. E as mulistas, tal como os machistas, fazem tábua rasa da ética.

Quinta-feira, 18 Setembro 2014

O João Miranda não faz a mínima ideia do que é uma nação

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 7:50 pm

 

O João Miranda só concebe níveis geográficos de Poder; para ele, o conceito de “nação” não existe: o Estado resume-se a uma determinada organização geográfica de Poder, que pode incluir, por exemplo, em um mesmo território, Zulos e Vietcongues. Nesta concepção de “Poder”, a noção de “nação” é estranha.

Advém desta alienação do conceito de “nação” a ideia segundo a qual a existência de uma União Europeia reduz os custos da independência. Se isto fosse verdade, a URSS ainda existiria hoje, embora com alterações políticas/ideológicas internas; ou o império austro-húngaro não teria acabado em 1918.

Portanto, em termos práticos e históricos, essa ideia do João Miranda é falsa. Até a China tem hoje enormes problemas internos com secessões de nacionalidades indígenas. O que acontece, de facto, é que os custos da independência deixam de depender parcialmente do Reino Unido e passam a depender parcialmente da União Europeia — ou seja, a dependência da Escócia é transferida de uma entidade estatal para outra entidade estatal.

Isto significa que não há nenhuma redução real dos custos da independência. O que há é uma opção política sobre a partilha dos custos de independência (ou melhor: da dependência); e quando esta opção é política, nem sempre é boa em termos económicos.

O leviatão da União Europeia está a destruir as economias da Europa

Filed under: Europa — orlando braga @ 6:50 pm
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Até ontem, as operações financeiras e de serviços entre uma determinada empresa e uma sua filial estavam livres de taxação de IVA. Por exemplo, uma empresa com sede em Lisboa que tivesse uma filial no Porto, não pagava IVA se enviasse produtos da sede para a filial.

Ontem, o TJUE (Tribunal de Justiça da União Europeia) decidiu que os serviços fornecidos por uma empresa às suas filiais estão agora sujeitos a IVA. Um grupo de juízes, que não tem qualquer aderência à realidade, juízes que nunca trabalharam na economia real, gente que não faz a mínima ideia do que é uma empresa, escumalha que vem taxar as transacções internas entre filiais de uma mesma empresa.

Brevemente teremos este cenário: 1/ Acabaram-se as remessas de produtos à consignação (porque ninguém está para pagar IVA sem ter a certeza da venda ao consumidor final); 2/ As restrições de stocks vão aumentar; 3/ As empresas vão concentrar os seus produtos em um só armazém (o que terá consequências na eficiência da política de distribuição).

Há limites para o condicionamento político das ideias

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 9:34 am

 

Há textos que começam muito bem, mas depois, pelo meio, surge uma ou outra ideia que “borra a pintura”. É o caso deste: a certa altura, escreve-se:

“Da mesma forma que, na idade média, se acreditava que tempestades e terramotos eram castigos divinos pelos pecados humanos, hoje há quem identifique num furacão a consequência directa da exploração petrolífera. A ciência substituiu a religião, mas o raciocínio manteve-se – continuamos a acreditar que tudo depende só de nós.”

Na Idade Média não se acreditava que “tudo depende só de nós”. Aliás, a proposição em causa é auto-contraditória, porque um castigo divino não “depende só de nós”. Um castigo divino é prerrogativa da liberdade divina, e portanto reconhece-se que existe um livre-arbítrio da divindade.

Pelo contrário, a ciência substituiu a liberdade — seja a do Homem, seja a de Deus que é negado — por um determinismo que se pretende basear em um nexo causal (causa → efeito) que na realidade não existe senão em algumas leis da natureza que se baseiam em estatísticas e constatações de facto realizadas no passado — não há nenhuma garantia ou certeza de que a lei da gravidade, por exemplo, se aplicará da mesma forma no futuro.

Dizer que “a ciência substituiu a religião” é um sofisma; comparar ciência e religião — ou colocar a ciência e a religião em um mesmo plano de análise — é outro sofisma.

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