No seguimento do referendo na Suíça cujo resultado determinou a proibição de construção de mais minaretes de mesquitas, os me®dia portugueses e internacionais ― principalmente a Al Reuters ― mostraram-se escandalizados com a “impiedade” e a “islamofobia” do povo suíço. Fazendo zapping televisivo, deparei-me com um programa sobre o mundo rural português, em que o jornalista lamentava a construção de casas de emigrantes de estilo francês e alemão na paisagem rural portuguesa. Se num canal a jornalista se escandalizava com o resultado do referendo suíço, no outro canal um seu colega de profissão mostrava-se incomodado com a intrusão cultural da estranja na paisagem rural portuguesa. Ainda num terceiro canal de TvCabo, decorria uma discussão conduzida por um terceiro jornalista sobre o “casamento” gay ― coisa que no mundo islâmico é absolutamente normal, como Vocês sabem.
A ideia que eu tenho é que a classe jornalística está desfasada da realidade objectiva do povo português ― os jornalistas vivem num mundo virtual, em uma espécie de alienação ideológica e cultural. São capazes de defender uma coisa e o seu contrário com uma desfaçatez tal que até um mentecapto se dá conta que as contradições que só podem ter uma raiz ideológica.
Em primeiro lugar, a proibição de construção de minaretes na Suíça não significa a proibição de construção de mesquitas naquele país. Os muçulmanos continuam livres de fundar locais de culto em qualquer lugar da Suíça ― desde que não coloquem no edifício a chaminé almóada.
Em segundo lugar, os me®dia esquecem-se que nos países muçulmanos em geral, é proibida a construção de igrejas cristãs, e nos países islâmicos mais “tolerantes” como a Turquia ou a Indonésia, os cristãos são perseguidos e muitas vezes assassinados.
Em terceiro lugar, o referendo suíço foi precedido de semanas de discussão pública em que todas as partes envolvidas ― a favor e contra a construção de minaretes ― tiveram a oportunidade igual de colocar os seus pontos de vista.
É tempo de os me®dia ― e o poder político em geral ― começarem a ter mais respeito pela vontade popular.