perspectivas

Sábado, 14 Fevereiro 2015

A psicose contra a propriedade privada

Alguém me chamou à  atenção para este vídeo de uma norueguesa que dá pelo nome de Ingunn Sigurdsdatter; e ao fim de 30 minutos parei de ver.

Antes de mais, um ponto de ordem que revela uma firme convicção da minha parte: a crescente influência política da mulher na nossa sociedade tem-se revelado muitíssimo negativa e perniciosa. Demonstrem-me que estou errado!. A mulher é, em juízo universal, guiada pela emoção e tende a negligenciar a razão. E quando a influência da emoção é preponderante, a sociedade tende para autodestruição. É muito raro ver uma mulher filósofa. Vemos muitas poetisas, mas a poesia não é filosofia propriamente dita.

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Domingo, 3 Agosto 2014

Cepticismo de David Hume e a contraposição de Kant

Filed under: filosofia — O. Braga @ 7:40 am
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(no seguimento do verbete anterior)

O princípio do empirismo

David Hume nega o conceito de “ideias inatas de pensamento” — aliás, na linha dos estóicos: foram os estóicos que influenciaram a posição da Igreja Católica segundo a qual “a alma é criada no acto da concepção da vida” (embrião). Hoje sabemos que este conceito é, no mínimo, duvidoso; mas não vamos discuti-lo agora.

David Hume retomou a ideia de Aristóteles segundo a qual não há nada no intelecto que não tenha estado primeiro nos sentidos. Parafraseando Hume:

“Todas as nossas ideias não são mais do que cópias das nossas impressões ou, por outras palavras, é-nos impossível pensar uma coisa que não tenhamos anteriormente sentido, ou pelos sentidos externos ou pelos externos” (“Enquiry Concerning Human Understanding”, 63).

Ou seja, David Hume adoptou a teoria do balde que se traduz, hoje, na teoria da identidade de uma certa neurologia. Foi contra a teoria do balde de David Hume que Kant se insurgiu.

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Sábado, 2 Agosto 2014

O cepticismo de David Hume

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:25 am
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O meu colega do Lavras Resiste escreveu o seguinte:

“[Segundo David Hume] as nossas ideias, nossas teorias, até mesmo a matemática, nada mais são do que retrabalhamento mental de impressões deixadas pelos objectos do mundo em nossos sentidos.”

O meu “problema” com o trecho é o “até mesmo a matemática”.


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Quarta-feira, 17 Julho 2013

Desejo e moral

David Hume dizia que não seria irracional que alguém preferisse a destruição do mundo a sofrer uma esfoladela num seu dedo. Vamos chamar a este princípio de Hume a “absolutização do interesse próprio”. Desde logo, Hume joga com a palavra “racional”, e podemos perguntar: ¿será racional que alguém prefira que o mundo inteiro seja destruído – incluindo a própria pessoa que deseja salvaguardar o seu dedo de qualquer mazela – para evitar uma esfoladela num seu dedo?

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Quarta-feira, 6 Fevereiro 2013

Sofia Reimão e o cepticismo de David Hume

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 5:37 pm
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(Os verbetes desta série podem ser lidos sob esta categoria).

Sofia Reimão escreve o seguinte (pág. 63 do referido livro):

(i) Embora inclua fundamentais problemas teóricos de natureza metafísica e teológica, o tema da morte permanece, antes de mais, como um assunto antropológico: diz respeito à vida humana.

(ii) A questão do significado da morte está relacionada com a questão da natureza humana, com a questão fundamental que é a de saber “o que é o homem”.

(iii) Este problema não pode ser esclarecido se for negligenciado o problema da realidade da mortalidade.


1/ Verificamos aqui, neste excerto, com uma clarividência total, a inversão da prioridade lógica das coisas (a inversão revolucionária do nexo causal), causado pelo embotamento intelectual da pós-modernidade absorvida pela Técnica. Desde logo, seria avisado que se utilizasse a conjunção adversativa “ou” — de natureza metafísica ou teológica — em vez da copulativa “e”, porque a “metafísica”, mesmo sendo a “clássica” (como se houvesse outra!), não é a mesma coisa que “teologia”.

2/ Depois, diz que os problemas de natureza metafísica são “teóricos”, e por isso, relegados para um segundo plano, uma vez que o termo usado, “antes de mais”, releva a prioridade da morte como um “assunto antropológico”, em detrimento dos primeiros princípios. Ou seja, por exemplo, a primeira lei de Leibniz é considerada “teórica” e, por isso, de importância secundária. Ou os axiomas da lógica, que não são físicos, têm uma importância relativa e secundária para a “questão do ser”.
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Segunda-feira, 4 Fevereiro 2013

David Hume e o milagre

“Dado que uma experiência uniforme equivale a uma prova, que é uma prova directa e completa, produzida pela natureza do facto, contra a existência de qualquer milagre, nenhuma semelhante prova pode ser destruída ou o milagre só pode tornar-se credível por meio de uma prova oposta e que seja superior.”
— David Hume, “Investigações sobre o Entendimento Humano”

Não vamos refutar este preconceito negativo de David Hume por intermédio da teologia (o que seria possível por alguém que não eu, porque não sou teólogo), mas antes vamos refutá-lo utilizando a ciência.
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Domingo, 9 Dezembro 2012

“O Novo Rebelde”, segundo Chesterton

“O novo rebelde é um céptico que não confia integralmente em nada. Não tem nenhuma lealdade; por isso, não pode ser nunca realmente um revolucionário. E o facto de ele duvidar de tudo constitui um obstáculo quando pretende denunciar qualquer coisa — porque toda a denúncia implica uma doutrina moral de qualquer tipo; e o revolucionário moderno duvida não só de uma qualquer instituição que ele denuncia, mas também duvida da doutrina através da qual ele a denuncia. Por isso, ele escreve um livro queixando-se que o império insulta a pureza das mulheres, e depois escreve outro livro (acerca do problema sexual) em que ele insulta o sexo. Ele insulta o Sultão porque as raparigas cristãs perdem a sua virgindade, e depois insulta a senhora D. Grundy porque ela guarda a sua virgindade.

chesterton-daguerre-webComo político, ele gritará que a guerra é uma perda de vidas, e depois, como filósofo, dirá que a vida é uma perda de tempo. Um pessimista russo denuncia um polícia por ter morto um camponês, e depois demonstra através de mais altos princípios filosóficos que o camponês se deveria ter suicidado. Um homem denuncia o casamento como sendo uma mentira, e depois denuncia os devassos aristocráticos por tratarem o casamento como uma mentira. Diz que a bandeira é uma bugiganga, e depois culpa os opressores da Polónia e da Irlanda porque lhes retirarem e proibirem as respectivas bugigangas.

O homem desta tendência moderna vai primeiro a uma reunião política onde se queixa que os selvagens são tratados como se fossem bestas; e depois pega no chapéu e no guarda-chuva e vai para uma reunião científica onde ele faz prova de que os selvagens são praticamente bestas. Em resumo, o revolucionário moderno, sendo um céptico infinito, está sempre comprometido em minar as suas próprias minas. No seu livro acerca da política, ele ataca os homens por transgredirem na moral; e no seu livro acerca da ética, ataca a moral por transgredir em relação aos homens. Por isso, o homem moderno em revolta tornou-se praticamente inútil para todos os propósitos de revolta. Revoltando-se contra tudo, ele perdeu o direito de se revoltar contra o que quer que seja.”

— G. K. Chesterton

Segunda-feira, 26 Novembro 2012

O Neoliberalismo combate o Estado, mas depende do Estado para combater o Estado (2)

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Segunda-feira, 5 Novembro 2012

“Acção política” não se resume a “acção revolucionária”

Filed under: ética,filosofia,Política,Ut Edita — O. Braga @ 8:22 am
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“Um homem escrupuloso”, nota Ortega, “não pode ser um homem de acção.”

via De Rerum Natura: Retrato do Político, segundo Ortega y Gasset.

Com todo o respeito pelo Eugénio Lisboa e por Ortega y Gasset de quem também li qualquer coisa, não concordo com a proposição em epígrafe. E não concordo porque se parte de uma determinada concepção de política que se baseia no conceito de Contrato Social que David Hume criticou, e com razão. Ou seja, Ortega y Gasset parte do princípio de há apenas uma forma de fazer política e de ser político — o político moderno.
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Domingo, 14 Outubro 2012

O século de David Hume

A principal característica do cepticismo moral do homossexual David Hume foi o de se agarrar a excepções para definir o geral. Ou, por outras palavras, Hume dedica o seu interesse às excepções, outorgando-lhes um valor tão fundamental quanto ao conjunto de casos ordinários.

Ficou célebre o exemplo que David Hume deu do pai que não sente espontaneamente amor pelos seus filhos e que, segundo Hume, esse pai censurava-se a si mesmo por esse facto; e por receio de sair da normalidade, esse pai obrigava-se a esse amor que não tinha, fingindo que o tinha. A partir desta clara excepção à regra, David Hume generaliza: conclui ele que a moral não surge senão mediante o equivalente a “sentimentos supostos naturais”. Ou, melhor dizendo: a excepção, segundo o homossexual David Hume, passou a ser a regra geral.

Hoje vivemos no tempo do esplendor do cepticismo moral de Hume: as excepções ditam a regra. E, muitas vezes de modo inconsciente, toda a gente pretende ser a excepção que dita a regra. Perdeu-se a noção de juízo universal. Em nome das excepções, sacrifica-se a regra da maioria. David Hume foi o campeão das ditaduras das minorias que surgem agora, no século XXI, com todo o seu potencial totalitário.

Os novos totalitarismos que se anunciam serão diferentes dos do século XX: não serão totalitarismos de maiorias, mas em vez disso, de minorias. Serão as excepções à regra que farão a regra da maioria à força do controlo policial orwelliano.

Domingo, 9 Setembro 2012

A ficção do contrato social

Eu sou muito crítico da teoria moral e da teoria do conhecimento de David Hume, mas já não sou tanto da sua teoria política e da teoria de justiça. A teoria do conhecimento de Hume foi pelo menos parcialmente desbaratada pela praxis científica, mas a sua teoria moral é a que prevalece hoje na elite portuguesa.

A ambiguidade de David Hume consiste na discrepância ou incoerência entre as suas teorias moral e do conhecimento, por um lado, e as suas teorias da política e da justiça, por outro lado.

A vida social organiza-se segundo ficções, por exemplo, a ficção do contrato assente na promessa, que permitiu que a classe política portuguesa tivesse conduzido o nosso país à ruína e à dissolução em apenas 30 anos.

Na teoria política, David Hume denunciou a ilogicidade e a irracionalidade do contrato social iluminista, demonstrando a evidência da nulidade das promessas feitas pelos políticos, promessas essas que estão subjacentes ao contrato social entre o povo e as elites. A governança de Passos Coelho prova à saciedade que David Hume tinha razão.
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Sexta-feira, 24 Agosto 2012

Algumas ideias acerca de David Hume

A filosofia moral ou ciência da natureza humana pode ser tratada de duas maneiras diferentes, cada uma delas tem o seu mérito peculiar e pode contribuir para o entretenimento, instrução e reforma da humanidade”.

É assim que David Hume começa o seu ensaio “Investigação Acerca do Entendimento Humano” [Editora Nova Cultura, São Paulo, 1989, página 63 (1)]. Hume reduziu a moral à natureza humana, o que significa que (para David Hume) os valores morais não existiriam, em si mesmos, se o ser humano não existisse. Ou, por outras palavras, segundo David Hume, os valores que presidem à ética e à moral — por exemplo, o valor da justiça — são apenas epifenómenos da existência humana, e não realidades ideológicas em si mesmas. O realista Nicolau Hartmann colocou posteriormente as ideias de Hume no sítio onde deveriam estar e de onde nunca deveriam ter saído: segundo Hartmann, os valores da ética e da moral (2) existem por si mesmos — por exemplo, o valor da justiça existe por si mesmo e não é dedutível de uma qualquer utilidade; e, conclui Hartmann, existem provavelmente muitos valores éticos e morais que o ser humano ainda não descobriu.
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