perspectivas

Quarta-feira, 1 Agosto 2012

A obsessão com as tentações pode ser uma tentação

Filed under: ética,Religare,Ut Edita — O. Braga @ 8:27 pm
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“Devemos rezar todos os dias para resistirmos às tentações.”
— [Lido num blogue afecto à Opus Dei].

Se atentarmos à estrutura do Pai Nosso, a referência à tentação vem no fim. Em primeiro lugar não está a tentação: antes, está o Pai Nosso (Deus): “seja feita a Tua Vontade”. E depois vem a frugalidade necessária do “pão nosso de cada dia nos dai hoje”, de que precisamos para podermos continuar a glorificar o Seu Nome.

Nós devemos rezar a Deus apenas porque nos sentimos bem com Ele; porque Lhe agradecemos a vida e o pão nosso de cada dia; porque nos identificamos com Ele; porque precisamos Dele; e porque gostamos da Sua companhia.

De nada nos vale rezar a Deus apenas “para resistir às tentações”; porque aquilo que consideramos ser um mal pode ser um bem, e apenas podemos estar eventualmente errados acerca da noção que temos desse mal.

E porque se rezamos a Deus só porque nos sentimos bem com Ele, teremos uma bússola interior que nos indica intuitivamente o norte do Bem. E teremos a consciência de que não somos perfeitos e que, por isso, nos subordinamos voluntariamente à Sua vontade.

A obsessão com as tentações pode ser uma tentação.

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Quarta-feira, 7 Julho 2010

O Neopuritanismo ou o Purificacionismo (2)

Hannah Arendt definiu como característica fundamental da mente revolucionária, gnóstica e totalitária, a capacidade do gnóstico moderno em definir a realidade como se estivesse na posse da verdade límpida e absoluta, em que os contornos da realidade são imbuídos de uma clareza inquestionável que desafia a própria ciência e até a substitui através do cientismo. O gnóstico e revolucionário não tem dúvidas absolutamente nenhumas acerca da sua visão da realidade, nunca se questiona nem admite que se coloquem questões sobre a sua mundividência. O gnóstico é o próprio Deus na Terra.

O Quénia, é um país com problemas graves de alimentação, de habitação, saúde pública e educação; um país com uma frágil democracia onde ainda há pouco tempo aconteceram fenómenos de violência étnica; um país em que existem problemas de desemprego endémico e muito fracas condições de trabalho. Muito recentemente (a 4 de Julho de 2010), Hillary Clinton referiu num discurso que a máxima prioridade da política externa americana para África é a implementação dos “direitos” dos gays e do “casamento” gay, e o Vice-presidente americano Joe Biden foi recentemente expressamente enviado por Obama ao Quénia no sentido de pressionar o governo queniano a ceder à prioridade máxima do governo americano em relação a África.

A expressão desta prioridade máxima obamista é cultural, na linha da “abolição da cultura” e dos valores definidos por Georg Lukacs quando fundou a Escola de Frankfurt. Porém, os gnósticos modernos vão mais longe: pretendem agora estender a acção das engenharias sociais, que pretendem alterar a natureza da estrutura fundamental da realidade, a países e povos que não têm uma cultura cristã e ocidental genuína e de raiz, como é o caso dos países africanos.
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O Neopuritanismo ou o Purificacionismo (1)

Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos, escreveu um ensaio sobre as novas tendências da esquerda a nível global que crescem actualmente sobre os escombros do marxismo-leninismo. O ensaio tem o título genérico de “Purifying the World: What the New Radical Ideology Stands For”“Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical”.

Os três mestres da suspeita

Para que seja possível entender cabalmente não só esta Nova Esquerda que desponta — conforme retratada por Ernest Sternberg —, como o movimento revolucionário em geral, é necessária a leitura do livro “As Religiões Políticas” de Eric Voegelin e, se possível, “A Nova Ciência da Política” do mesmo autor, sendo que esta segunda obra de Eric Voegelin reveste-se já de alguma complexidade de linguagem que talvez não seja acessível a muita gente.

Para além das ditas obras de Eric Voegelin, seria também aconselhável a leitura da obra de Hans Jonas “The Gnostic Religion” ( “A Religião Gnóstica”) que serve de suporte científico à própria obra de Eric Voegelin. Outras obras de outros autores contemporâneos, como Kurt Rudolph, Giovanni Filoramo, Yuri Stoyanov e Michel Tardieu, concedem à obra de Eric Voegelin a autoridade científica irrefutável que o movimento gnóstico moderno (através dos seus ideólogos) recusa, por razões que toda a gente pode compreender.
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