perspectivas

Quinta-feira, 20 Agosto 2015

O prevenção em relação às parafilias é um “horror” — diz Isabel Moreira

 

Tudo o que seja estigma social em relação aos desvios sexuais — por exemplo, a pedofilia — é considerado pela deputada lésbica do Partido Socialista como um “horror”; a prevenção das consequências sociais e culturais da pedofilia “é um horror”, segundo a lésbica Isabel Moreira.

 

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Quarta-feira, 19 Agosto 2015

A coerência de Frei Bento Domingues

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 9:47 am
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“A incoerência de um discurso depende daquele que o escuta. Parece-me que o espírito é constituído de tal modo que não pode ser incoerente para si mesmo” — Paul Valéry

Saiu um livro — com CD e tudo — com o título “Frei Bento Domingues e o Incómodo da Coerência”.

Se pensarmos que “a coerência incomoda”, talvez seja verdade: a coerência de Che Guevara, de Fidel Castro, de Lenine, de Estaline, etc., também incomodou muita gente. Isto significa que a coerência é apenas uma qualidade secundária e formal. A coerência de um indivíduo qualquer não pode avaliar-se sem nos referirmos à base ideológica que rege as suas posições políticas. Por exemplo, aceitar tacitamente Karl Marx e ser católico está longe de qualquer coerência.

Um indivíduo pode ser coerente na procura de um determinado fim, mas a retroacção histórica conduz a realidade para um fim totalmente diferente: voltamos a S. Tomás de Aquino: não chega agir segundo a consciência (ser coerente): é preciso informar a consciência.

Terça-feira, 18 Agosto 2015

Os modernos dizem que “a lógica evolui”

Filed under: ética — O. Braga @ 1:05 pm
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Temos aqui uma citação de um tal “filósofo” Richard Kearney sobre o problema do Mal. No fundo, trata-se de uma versão moderna e invertida da Teodiceia. O que faz o “filósofo”?

Primeiro cita Santo Agostinho, esquecendo-se que Santo Agostinho baseia-se em ideias de Jesus Cristo (S. Mateus 15, 18-20): é o que sai do homem que pode ser mau, e não o que entra nele. “Filósofo” moderno que se preze, não cita Jesus Cristo.

Logo a seguir o “filósofo” perverte o sentido dado por Santo Agostinho às ideias de Jesus Cristo: diz ele (implicitamente): “se o mal vem de dentro do homem, e se há muitos homens, então segue-se que não existe um Mal universal”. O raciocínio é non sequitur. E depois justifica a negação do Mal universal através de S. Tomás de Aquino:

“E existirá uma noção universal de Mal? Não, disse Kearney, mas é preciso explicar este “não”. Para São Tomás de Aquino pode dar-se o caso de as pessoas que cometem o Mal pensarem que estão a fazer Bem. Com base em Espinoza, precisou que isso não decorre da opinião, decorre sim da interpretação: o Mal humano é o que está sujeito a um conflito de interpretação”.

Há aqui uma perversão ou uma distorção das ideias de S. Tomás de Aquino que caracteriza a filosofia moderna. Vejamos o que S. Tomás de Aquino quer dizer:

Se a lei eterna se apresenta ao homem pela voz da consciência, toda a prescrição da consciência humana obriga a vontade (do homem) a conformar-se-lhe. Acontece que as consciências (humanas) não são todas idênticas. Não é, pois, o acto (do homem) em si mesmo, mas antes é a percepção (a interpretação) que a razão do homem dá, que qualifica a sua vontade: se a consciência apresenta esse acto como um mal — ainda que o acto seja um bem — a vontade adere-lhe como um mal.

Até aqui, estamos todos entendidos. Prossigamos o raciocínio de S. Tomás de Aquino que se complica um pouco mais:

Em função do papel da consciência na percepção (interpretação) da razão, diz o Santo que é mister ao homem obedecer sempre à sua consciência, mesmo que errónea (mesmo que a interpretação esteja errada): a vontade que se inclina para um objecto que ele (o homem) percebe como um mal é uma vontade má — ainda que a sua percepção / interpretação seja defeituosa e o objecto seja bom em si mesmo —, porque a vontade desvia-se da consciência: “toda a vontade que se afasta da razão, seja ela recta ou errónea, é sempre má” (Suma Teológica, I-II, 19,5).

Mas, ao contrário do que foi proposto pelo “filósofo” moderno supracitado, S. Tomás de Aquino não sacraliza o arbitrário subjectivo!

O que S. Tomás de Aquino constata é que um acto apenas é moral se se conforma com os ditâmes da consciência. O acto cometido por uma consciência errónea continua a ser mau em si mesmo, e distinto daquele que obrigaria uma consciência informada. E obedecer à consciência nada retira à falta prévia de o homem em causa não ter informado a sua consciência — se apenas podemos obedecer à nossa natureza pessoal, temos o dever de a substituir por uma melhor sempre que possível.

Em suma:

  • um acto é moral apenas e só quando o homem obedece à sua consciência;
  • é melhor obedecer à consciência, mesmo que estejamos errados, do que não lhe obedecer;
  • o facto de se obedecer à consciência não significa que o acto seja bom ou mau: a bondade ou maldade do acto depende da capacidade de informarmos a nossa consciência.

O ensino escolar deve ser um contributo para que as crianças informem as suas consciências o melhor possível.

A ideia segundo a qual “os valores foram inventados pelo homem e evoluem” é tão estúpida que pode ser até acariciada pela Helena Damião. Com jeitinho, a Helena Damião e o “filósofo” moderno dirão que “os números primos foram invenção humana” e a que “a lógica evolui”. Esta gente não tem emenda.

Segunda-feira, 17 Agosto 2015

A região do Porto tem que se juntar à Galiza (e a Espanha)

Filed under: Portugal — O. Braga @ 4:53 pm
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Os jornaleiros lisboeiros do pasquim “A Bola” trazem a lista dos melhores marcadores da I Liga depois da 1ª jornada do campeonato, como se pode ver na imagem abaixo.

lisboeiros-aboubakar

O jogador do FC Porto, Aboubakar, marcou dois golos na 1ª jornada, mas não vem na lista. Para os lisboeiros, é como se o Porto não existisse. Já Salazar dizia: “Povo de Portugal e do Minho!”; para Salazar, o Minho não era parte de Portugal.

Os jornaleiros lisboeiros são salazaristas nos seus subconscientes. Mais vale à região norte de Portugal unir-se à Galiza e pertencer a Espanha; pelo menos víamo-nos livres da aldeia alface, a capital-do-império-que-já-não-existe.

(imagem daqui)

Os libertários seguem Nietzsche

 

A Helena Damião chama aqui à atenção para a “coimbrização” 1 da classe académica em geral: hoje é preciso ter muito cuidado com os professores universitários, tanto em Portugal como no Brasil. Hoje, professor que se preze é “coimbrinha”. A inteligência académica atingiu o grau zero — embora ainda longe do zero absoluto.

Temos aqui um texto de um professor de Direito do Brasil. Vou citar uma amostra:

“O direito ao próprio corpo ainda está longe de ser conquistado e reconhecido como um direito fundamental da pessoa humana”.

pessoa-humana
Gostaria que um professor de Direito (coimbrinha) me explicasse o que é uma “pessoa não humana” — porque se existem “pessoas humanas” (e “círculos redondos”, também), também devem existir pessoas que não sejam humanas. Quando uma “pessoa humana” — como parece ser o meu caso — verifica que um professor de Direito constata a existência (do ponto de vista ontológico) de “pessoas não humanas”, começa a desconfiar da merda do Direito Positivo. Talvez o distinto professor de Direito estivesse a pensar no pai dele.

Temos ali um professor de Direito que recusa a normalização do Direito. Ou seja, defende a lei da selva. Ou melhor: o Direito é visto como negação da sociedade.2 Kant explica por que razão o professor é coimbrinha.

1/ Os homens são “insociavelmente sociáveis” (Kant); querem viver em sociedade, pois sabem que isso é necessário (sociabilidade), mas nenhum está disposto a impôr a si próprio as exigências provenientes dessa existência colectiva (insociabilidade). Se entregues a si mesmas, as relações humanas seriam passionais e gerariam conflitos e insegurança, acabando numa situação contrária ao objectivo da associação. É necessário, por isso, compreender em que condições um direito é verdadeiramente um direito — garantindo realmente a cada um a faculdade de usar os seus direitos (direitos subjectivos), mas impondo-lhe também deveres legítimos.

2/ Se a função do Direito Positivo é o de rectificar, seria contraditório que fosse buscar os seus fundamentos àquilo que existe (na sociedade e na Natureza). Por exemplo, não é porque existem (na Natureza e/ou na sociedade) homens mais fortes do que outros que o Direito tem que necessariamente defender os mais fortes; ou não é porque existem gays que se torna necessário legalizar o “casamento” gay como um direito; ou não é porque existem pessoas viciadas em heroína que o seu consumo deve ser necessariamente legalizado como sendo um direito.

Os factos não justificam o direito e não fundam o Direito. Um professor de Direito deveria saber disto.

A redução da norma ao facto, que caracteriza o Direito Positivo actual, deve-se ao problema de saber o que funda o direito: trata-se de um problema metafísico que os coimbrinhas fazem de conta que não existe.

3/

“Cada qual se considera livre exactamente onde o seu sentimento de existir é mais forte.”

— Nietzsche

Toda a actual infra-estrutura ideológica politicamente correcta do Direito e da política é baseada nas ideias de Nietzsche (que depois tiveram os seus sucessores ideológicos, desde Heidegger, Ayn Rand, a Foucault e a Derrida, por exemplo), — e, na economia liberal, nos marginalistas do século XIX que descambou na actual concepção de uma total subjectivização do capitalismo (neoliberalismo). Ou seja, a infra-estrutura ideológica vigente é baseada no sentimento, no subjectivo absolutizado, e na emoção; mas não na Razão.

Se o acto de meter uma bala nos miolos traduz o meu “sentimento mais forte de existir”, então segue-se que a minha felicidade de existir e de viver é reduzida à minha própria morte. O acto niilista do suicídio passa a traduzir uma felicidade de viver — o que é uma contradição em termos.

Segundo Nietzsche, por exemplo, o sentido da vida escolhido por Hitler é ontológica- e eticamente equivalente ao sentido de vida escolhido por Albert Schweitzer — porque, para ambos, alegadamente o que conta é que as suas (deles) liberdades foram apenas condicionadas pela força dos seus (deles) sentimentos (emoções) de existir.

A esta infra-estrutura ideológica niilista e nietzscheana, o politicamente correcto acrescentou uma super-estrutura ideológica baseada na absolutização (metafísica, ética, política e jurídica) da liberdade negativa a que chama “autonomia”.

À semelhança de Kant, o americano Isaiah Berlin3 opõe a liberdade negativa (por exemplo, a liberdade de se exprimir sem censura) à liberdade positiva que é o poder de tomar parte nas decisões públicas e de exercer a autoridade em geral.

Estes dois aspectos da liberdade deveriam sempre coincidir: aquele que exerce o Poder não pode (racionalmente) querer anular-se a si próprio.

Mesmo que coloquemos reservas a Kant e a Berlin, e seguíssemos o ponto de vista de Raymond Aron segundo o qual a liberdade negativa é a liberdade por excelência, então teríamos que aceitar todo o “pacote” ideológico de Aron que afirma que todas as outras liberdades — para além da liberdade negativa — não passam de “direitos-capacidades” ou de “direitos-crenças”: por exemplo, o direito a um emprego; ou o direito à educação; ou o direito ao reconhecimento legal de que um gay foi sexualmente violado durante a confusão de uma orgia gay; ou o direito ao “casamento” gay: tudo isto são “direitos-capacidades” ou de “direitos-crenças” (segundo Aron) que podemos exigir do Estado, mas que o Estado (ou seja, a sociedade organizada) não tem qualquer obrigação de conceder.

Porém, o que o professor coimbrinha brasileiro defende é liberdade negativa de Aron, e ao mesmo tempo a obrigação da sociedade em conceder “direitos-capacidades” ou de “direitos-crenças” em função da subjectivização absoluta do Direito e da ética, ou seja, negando qualquer critério à liberdade positiva: pretende conciliar Berlin e Kant, por um lado, e Aron, por outro lado, o que é uma impossibilidade objectiva.


Notas
1. A “coimbrização” é o equivalente português do Imbecil Colectivo, segundo Olavo de Carvalho: “O ‘imbecil colectivo’ é uma comunidade de pessoas de inteligência normal ou superior que se reúnem com o propósito de imbecilizar-se umas às outras”.

2. A sociedade é um reagrupamento de individualidades, estruturado por ligações de dependência recíproca, e evoluindo segundo esquemas regulamentados e regidas por instituições — sendo que “instituição” é uma forma de organização de vida social que a sociedade concede a si mesma para assegurar a sua perenidade.

3. “Duas Concepções da Liberdade”.

Domingo, 16 Agosto 2015

O feminismo exige uma mutação genética na espécie humana

 

O feminismo, ao colocar a ética e a metafísica sob o domínio e jugo da política, pretende a guerra entre os sexos, e não a paz.

Temos aqui o discurso ideológico feminista da Esquerda radical actual, através de Beatriz Gimeno. O feminismo, na sequência do marxismo cultural, tem a tendência de atribuir todas as especificidades das relações entre homem e mulher à cultura antropológica; trata-se de uma simplificação da realidade, tal como fazem todas as ideologias. Ou seja, assim como os marxistas clássicos (Leninistas) reduzem a realidade à economia e à luta de classes, os novos marxistas reduzem a realidade à cultura e à política. Daí a proposição de Beatriz Gimeno:

“Os homens matam (as mulheres) por uma determinada ideia política”.

Esta redução da realidade (das relações entre os dois sexos) à política e à cultura, é assustadora — mais ainda vinda de gente que aspira ao Poder político.

É certo que a política e a cultura antropológica tem um papel importante a desempenhar nas relações entre os sexos; é verdade que existem más e boas tradições. Por exemplo, a tradição do morgadio, que já não existe entre nós, prejudicou durante séculos tanto filhas como filhos em Portugal e na Europa; entre os maomedanos, a tradição da excisão feminina é eticamente condenável; e segundo o Alcorão, uma filha tem apenas direito a 1/3 da herança quando comparada com um filho que tem direito aos 2/3 da herança. Aqui falamos, de facto, de problemas culturais e políticos que podem ser corrigidos através do Direito Positivo.

Porém, a correcção de injustiças não justifica a criação de outras injustiças, porventura até maiores do que as anteriores. O que o feminismo exige é que o homem deixe de ser ontologicamente masculino, em nome de uma putativa igualdade entre o homem e a mulher — sendo que esta igualdade não é apenas de jure: reclama-se uma igualdade radical que tenha como bitola ou referência a natureza da mulher e, por isso, exige-se implícita- ou explicitamente a feminização do homem, ou pelo menos a anulação e a repressão do masculino. Recusa-se a ideia de que existem naturezas intrínsecas diferentes no homem e na mulher. O feminismo e a ideologia de género estão intimamente ligadas e alimentam a psicose política contemporânea.

¿Onde é que Beatriz Gimeno e quejandas se baseiam para tentar legitimar o feminismo? Resposta: no problema ético das relações entre os dois sexos. Mas a ética está a montante da política e da cultura antropológica.

Metafísica → ética → cultura → política → economia

A ética está na causa — ou é o fundamento — da política e da cultura. E a montante da ética está a metafísica. Mas, para Beatriz Gimeno e para as feministas em geral, a ética e a metafísica não contam: reduz-se a realidade toda à política. Seria como se analisássemos um rio sem reconhecer a existência da nascente do rio: observávamos apenas o seu caudal (doxa), em um determinado ponto do seu curso, e intencionalmente ignorássemos a nascente (a causa) e a foz (a consequência) (episteme). O discurso feminista não deixa de ser intrinsecamente feminino: pleno de emoção e com pouca lógica; e o mais grave é que não se deixa permear pela Razão.

A ética é constituída por valores que existem independentemente de qualquer utilidade. Mas, para a visão radical feminista, os valores têm que ser úteis (utilitarismo), ou seja, têm que ter um estrito sentido prático adequado a determinadas circunstâncias políticas.

Inverte-se o sentido da realidade: a política passa a determinar a ética, e não o contrário, como seria de esperar. E a própria metafísica é reduzida à política do Zeitgeist. É esta a doença incurável do nosso tempo.

É o próprio feminismo (o “mulismo”) que legitima o evidente aumento actual da violência homicida contra as mulheres — porque se os valores (como defende o feminismo) têm que ter uma qualquer utilidade prática específica, e por isso não existem em si mesmos independentemente do que é útil —, então segue-se que a violência sobre as mulheres, de certa maneira, acaba por se justificar por uma qualquer utilidade prática. O feminismo, ao colocar a ética e a metafísica sob o domínio e jugo da política, pretende a guerra entre os sexos, e não a paz.

Sábado, 15 Agosto 2015

Presunção e água benta, cada um toma a que quer

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 5:50 pm
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Continua o discurso laudatório do ex-padre Anselmo Borges em relação ao “papa Francisco”. Se recordamos que Anselmo Borges defendeu publicamente a legalização do aborto, ficamos com uma noção das afinidades… les bons esprits se rencontrent… “Onde houver um cadáver, aí se juntarão os abutres” (Mateus 24, 28).

A humildade é uma qualidade rara no ser humano. Mas, se temos um Papa, é para que ele tenha as qualidades raras que nós, mais comuns, não temos. Não faz sentido que um Padre que se diz ser Santo embarque em uma feira de vaidades mundana. “¿Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?” (Mateus 16, 26).

A criminalização dos maus tratos dos pais e das mães

 

“Governo aprovou a Estratégia para o Idoso, que prevê repressão de todas as formas de violência contra os mais velhos. Com a AR de férias, fica em banho-maria até à próxima legislatura”.

Aprovada criminalização do abandono ou exploração de idosos

Perante a decadência moral da sociedade, o Estado intervém cada vez mais; mas uma maior intervenção do Estado não compreende o problema. Não precisamos de mais leis e decretos. Do que precisamos novamente é de uma cultura moral razoável e segura, em que cada cidadão (ou a maioria deles) esteja disposto a assumir a responsabilidade não só por si próprio, mas também por todos os cidadãos.

Ainda há poucos anos, não passaria pela cabeça de ninguém criminalizar os maus tratos dos idosos, porque se tratavam de casos tão raros que eram apontados a dedo. Ainda existia, naquela altura, o estigma moral que a Esquerda erradicou da nossa cultura. A Esquerda passou a dizer que, em moral, vale quase tudo: é tudo uma questão de opinião e de desejo subjectivo. Os professores passaram a ser desrespeitados e mesmo maltratados nas escolas: o ensino tradicional desmorona-se e a Esquerda rejubila.

A Esquerda avança com o aborto livre e grátis, e com o “casamento” gay — com a anuência asinina de uma “Direita” culturalmente derrotada. As estruturas tradicionais entraram em colapso, sobretudo a família. Uma em cada duas crianças cresce numa família onde não nasceu. Muitas famílias degeneram em comunidades de conveniência composta por utilizadores de aparelhos dependentes de uma tomada eléctrica.

A Esquerda exulta!: vai destruindo a sociedade sem deixar impressões digitais.

Esta lei revela o colapso do regime político actual. E o Partido Social Democrata e o CDS/PP não estão isentos de responsabilidades.

A nossa sociedade ultrapassou o limiar da pobreza em termos éticos, morais, religiosos e ideológicos. Quando se tem que fazer uma lei para criminalizar especificamente os maus tratos das pessoas idosas, a sociedade já não tem combustível moral. Aquilo que fazia parte da cultura e dos costumes (o respeito pela mãe e pelo pai), é agora substituído pelo medo da polícia.

Sexta-feira, 14 Agosto 2015

Os ateus e os calvinistas: um problema idêntico

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:37 pm
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Recebi o seguinte comentário de um “cristão” de uma seita herdeira do Calvinismo:

“Animal quadrúpede, o que eu disse foi que o materialismo veio antes do esquerdismo, e estava presente, por exemplo, no atomismo da Índia antiga e em Demócrito; podemos concluir com isso que essa perspectiva está presente em diversas culturas em maior ou menor grau; o materialismo que herdamos do século 21 é herança da Igreja Católica (principalmente pós Renascimento), quando a Igreja deu às costas para Mística Cristã; não tenha o trabalho de publicar o meu comentário, porque não lerei mais seu blog. Boa sorte com suas fantasias.”


“Em verdade, nada sabemos de nada, pois a opinião vem de fora para cada qual. É preciso conhecer o Homem com este critério: que a verdade fica longe dele.” — Demócrito 1


Definição:

Dizemos do “materialismo” que é o conjunto de doutrinas que não admitem outra realidade para além da matéria, sendo o pensamento e o espírito modalidades ou qualidades da matéria.

A palavra “materialismo” é equívoca: é muitas vezes utilizada com intenção polémica e em sentido pejorativo. Por exemplo, algumas seitas cristãs e a seita católica do “papa Francisco” dizem que “os ricos são materialistas apenas porque têm dinheiro”. A riqueza é identificada com o “materialismo”. Jesus Cristo nunca disse que era impossível a um rico entrar no Reino dos Céus: disse apenas que era difícil.

Dizer que Demócrito e/ou os atomistas eram “materialistas”, no sentido moderno, é um abuso, e revela a completa ignorância de quem tirou um cursinho online de filosofia e já julga que sabe tudo.

Os que mais se aproximavam do “materialismo” (no sentido moderno), na Grécia Antiga, foram os epicuristas 2. Quanto muito, podemos dizer que os atomistas (tal como Aristóteles) foram os precursores da ciência e do empirismo científico, o que não significa que tenham sido “materialistas”. Por exemplo, John Locke foi empirista e não consta que fosse materialista — no sentido moderno, “materialismo” identifica-se com “ateísmo”; nem Rousseau foi ateu e/ou materialista; e Voltaire era deísta, o que não é a mesma coisa que “materialista”. Nem mesmo Diderot se pode considerar propriamente materialista, porque defendeu um panteísmo lírico.

Para além dos epicuristas — que não eram propriamente “materialistas” no sentido moderno —, o materialismo propriamente dito surgiu na Idade Moderna. Podemos falar de materialismo em Helvetius, D’Holbach, La Mettrie, (materialismo mecanicista), Comte (Positivismo) David Hume, Bentham e os utilitaristas (Stuart Mill, por exemplo), a Esquerda Hegeliana (Feuerbach, Karl Marx, Engels), Neopositivismo, etc..

O materialismo (no sentido da definição supracitada) é uma característica da mente revolucionária (moderna) e do gnosticismo anti-cósmico (da Antiguidade Tardia com reflexos na modernidade), ou seja, é uma característica daquilo a que se convencionou, depois da Revolução Francesa, chamar de “Esquerda”.

Mente revolucionária = Esquerda.

A ciência não é “materialista”. O que pode acontecer é que uma grande parte dos cientistas sejam materialistas. De modo semelhante, e por analogia, não podemos dizer que a energia nuclear é boa ou má: depende do uso que fazemos dela. A ciência é eticamente neutra e escora-se na metafísica: por isso, é um absurdo dizer que a ciência é “materialista” ou “ateia”.

Eu sou um grande adepto da ciência porque esta procura a verdade — assim como a filosofia e a religião, embora de modos diferentes. A filosofia, a religião e a ciência não se opõem: complementam-se! Uma atitude anti-científica ou anti-religiosa revela uma mente obscurantista.

É tão um obscurantista um ateu como um calvinista fanático.

Por outro lado, a negação da matéria — por exemplo, o Imaterialismo de Berkeley, que é uma forma de Positivismo — ou o repúdio da matéria são características dos cristãos gnósticos modernos, de tipo calvinista nomeadamente.

A verdadeira doutrina católica — que não é a do “papa Francisco”, porque tem uma visão quase panteísta da Natureza — escorada na patrística e em Santo Agostinho, considera a Natureza (ou seja, aquilo a que se convencionou chamar de “matéria”, seja o que for que seja a “matéria” porque nem a ciência sabe bem o que é) uma criação de Deus, e por isso, uma realidade boa e positiva. Apreciar a Natureza (a “matéria”) e dar graças a Deus por ela, é uma característica do bom católico.


Notas
1. citado do Vol. I da História da Filosofia de Nicola Abbagnano, Editorial Presença, 1969, pág. 92
2. Epicuro interpretado por Lucrécio, nota bem!

Quinta-feira, 13 Agosto 2015

A Esquerda, e a ordem da desordem (2)

 

No seguimento do verbete anterior acerca de um artigo do José António Saraiva, temos o fenómeno da proliferação das tatuagens como exemplo da contradição da contemporaneidade marcada pela Esquerda dita “libertária”. A tatuagem é simultaneamente um mimetismo (uma moda) e a negação do mimetismo (a negação da moda). O problema é que, por natureza, uma coisa ou um facto não podem ser e não-ser ao mesmo tempo.

tatooQue a tatuagem é uma moda (um mimetismo), qualquer pessoa pode verificar. A negação do mimetismo radica na especificidade da tatuagem (as características da tatuagem que se querem únicas) com que se pretende marcar o indivíduo como único e irrepetível.

A singularidade do ser humano — da pessoa — é um legado da cultura cristã. Segundo a cultura cristã (e estóica), a pessoa é única e irrepetível. Mas enquanto o Cristianismo esteve fortemente presente na cultura antropológica, não era necessário ao individuo afirmar veemente- e exteriormente a sua singularidade: fazia parte da cultura a assunção cultural, espiritual e interiorizada dessa singularidade; esta estava implícita na cultura antropológica. Não passava pela cabeça de um cidadão, apenas há 30 anos, colocar em causa o princípio da singularidade da sua pessoa à luz dos princípios cristãos.

Paradoxalmente, com a subjectivização jurídica e cultural do “indivíduo” (a sobreposição e o domínio do Direito Positivo em relação à cultura antropológica e à tradição), a singularidade do indivíduo é colocada em causa porque deixou de existir o esteio (a base) cultural da tradição cristã da singularidade da pessoa (do ser humano). Aquilo que estava implícito na cultura antropológica marcada pelo Cristianismo (a singularidade do ser humano), deixou de estar em função do desvanecimento da cultura cristã.

À medida em que a sociedade se atomiza (o indivíduo é transformado em um átomo, desligado do Todo social, por força da arbitrariedade política de Esquerda que determina o Direito Positivo), acentuando o individualismo egocêntrico (porque existe um tipo de individualismo saudável, ligado ao Todo social e marcado exactamente pela cultura cristã), os valores da singularidade da pessoa deixam de ser espirituais e passaram a necessitar de uma afirmação física, exteriorizada e chã. Aquilo que era interior ao indivíduo (a afirmação espiritual e simbólica da singularidade da pessoa) passou a ser-lhe exterior (a necessidade de sinais físicos e exteriores para a afirmação dessa singularidade).

Os símbolos — que são característicos humanos — foram (com a tatuagem, mas não só) substituídos por um tipo de sinalética que é comum ao mundo animal. A tatuagem é menos um símbolo do que um sinal; é um sinal contemporâneo e pós-cristão da afirmação da singularidade da pessoa. Um símbolo não se muda sem que se mude o que ele representa (o seu significado); um sinal pode ser alterado arbitrariamente e mantendo-se o seu significado — e o significado da tatuagem é a afirmação exterior (e não necessariamente interior e espiritual) da singularidade da pessoa que a usa. Neste sentido, a tatuagem é um sinal (como os animais irracionais também têm os seus sinais) e não um símbolo: o símbolo carece de uma experiência espiritual que caracteriza a pessoa.

É neste sentido que a tatuagem é simultaneamente um mimetismo e a negação do mimetismo. É simultaneamente um mimetismo da espécie (da sociedade) e o distanciamento do indivíduo em relação à espécie. Na sociedade cristã também podemos falar de um mimetismo da singularidade humana, mas tratava-se de um mimetismo espiritual e de valores que não necessitava de uma exteriorização urgente e ostensiva.

Quarta-feira, 12 Agosto 2015

A Esquerda, e a “ordem da desordem”

 

A Esquerda vê na desordem uma ordem. Desde já, devemos ter algum cuidado e saber o que significa “ordem” (e dirá o Ludwig Krippahl: “lá vem este gajo com as definições…! que mania!”).

No sentido comum, a “ordem” é a disposição ou arranjo harmonioso e regular das coisas, seres ou ideias. Mas em sociologia política, “ordem” é o conjunto de instituições e de normas que garantem a possibilidade de relações harmoniosas entre membros de uma sociedade — por exemplo, “ordem social”, “ordem pública”.

O problema é o de que “o conjunto de instituições e de regras que garantem a possibilidade de relações harmoniosas entre membros de uma sociedade” não significa a mesma coisa à Esquerda e à Direita — porque, na esteira de Rousseau, a Esquerda considera que não existe “civilização” enquanto forma de “ordem”, mas apenas existem “culturas diferentes”.

Esta posição da Esquerda é contraditória na medida em que a Esquerda defende acerrimamente o conceito de “humanidade”: mas, se se admite (como faz a Esquerda) que não há “várias humanidades” dentro da humanidade, segue-se que é essencial reclamar a unidade da nossa civilização (ou da nossa cultura), não definida como um “particularismo” (como faz a Esquerda), mas antes como condição de todos os seres humanos — da nossa sociedade — de acesso ao universal (como faz a Direita, nomeadamente os filósofos chamados de “comunitaristas”).

O José António Saraiva escreveu um artigo de que cito um parágrafo:

“Até há pouco era consensual, por exemplo, que as pessoas deviam sair à rua lavadas, penteadas e vestidas com roupa limpa e decente. Só os vagabundos não o faziam. Tal não estava escrito em parte nenhuma, mas não passava pela cabeça de ninguém contestar esta evidência. Ora bem: hoje as calças compram-se manchadas e rotas, as camisas usam-se com a fralda de fora, certos penteados tentam imitar os cabelos despenteados. Há uma vontade notória de desafiar as regras.”

As referências estão a desaparecer?

O José António Saraiva tem uma coragem rara em uma figura pública. A coragem dos homens honestos.

(more…)

Um exemplo da acção social da Esquerda

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:03 am

 

Na Noruega, todos os dias e à primeira hora da manhã, um indivíduo defeca em um buraco de um campo de golfe. Há dez anos que o esquerdista chega bem cedo, entra no campo de golfe, escolhe um buraco a gosto, e caga dentro dele. Mas ele tem o seu critério: não caga em qualquer buraco; mas todos os dias caga em um buraco diferente, talvez por uma questão de afirmação da diversidade cultural. Isto de Segunda-feira a Sexta-feira; aos fins-de-semana dá folga ao terrorismo fecal.

A gerência do campo de golfe instalou um novo sistema de iluminação para demover o meliante; mas ele trepa a uma árvore e desliga as lâmpadas; e depois opera o seu ritual cagativo num buraco do desgraçado campo de golfe.

Estamos em presença de uma característica de esquerda: a obsessão pela defecação em local público, que revela um Transtorno Obsessivo Compulsivo. O esquerdista sente um impulso irreprimível para cagar em qualquer lugar público. Está perfeitamente consciente do que faz, tem uma ideia obsessiva mas é metódico, subversivo, segue um protocolo de tipo maçónico (só caga de Segunda a Sexta-feira) e muito preocupado com os detalhes da cagação pública.

O esquerdista é um indivíduo que, por qualquer razão, teve uma experiência negativa em relação à coisa pública; e por isso caga nela sistematicamente, expressando assim o seu Transtorno Obsessivo Compulsivo.

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