perspectivas

Terça-feira, 24 Fevereiro 2015

Quando for a Lisboa, vou fazer a barba ao Figaro’s Barbershop, e levo a minha cadela

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 6:11 pm
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A inclusão (social) pode ser uma forma de exclusão na medida em que exclui a diferença qualitativa. Quando dois seres humanos diferem qualitativamente, pela sua essência ou natureza — um homem é diferente de uma mulher —, o fanatismo politicamente correcto da “inclusão”  exclui a diferença.

Figaro’s Barbershop

Por outro  lado, a “inclusão” feminista não inclui as mulheres, na medida em que reivindica direitos especiais  para elas (por exemplo, em Portugal, a mulher tem o direito de matar um filho recém-nascido sem levar pena de prisão).

Ou seja, o argumento feminista da “inclusão” auto-exclui positivamente a mulher; é um argumento exclusivo, e não inclusivo; é exclusivo no sentido dos privilégios que reivindica para a mulher, e não propriamente em matéria de direitos que nega ao homem (e aos cães).

Se abrisse (em Lisboa) um cabeleireiro só para mulheres e para gatos, eu não faria disso motivo para invadir o estabelecimento comercial. Até acharia original. Mas a exclusão inclusiva feminina não tolera qualquer exclusão que não seja a feminista.

O Partido Socialista e o aeroporto de Beja

Filed under: Política — O. Braga @ 4:33 pm
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A história do aeroporto de Beja faz lembrar uma outra do careca que só tinha dois cabelos e foi ao barbeiro, que lhe diz: “Caro senhor, caiu-lhe um cabelo e agora só tem um!”; ao que o careca responde: “Não há problema!, deixe ficar assim mesmo despenteado!”.

Os gnósticos modernos

 

A Gnose foi um movimento religioso da Antiguidade Tardia que teve as suas raízes em uma visão dualista (dualismo ontológico, e não propriamente um dualismo cartesiano) proveniente do Oriente [por exemplo, do Parsismo e do Maniqueísmo], e de acordo com a qual existe uma contradição entre o espírito e a matéria, bem e mal, luz e trevas. Os primeiros textos gnósticos datam do século II d.C.; as suas origens são obscuras; mas, provavelmente, a Gnose desenvolveu-se, no império romano, paralelamente ao Cristianismo e como uma grandeza religiosa independente.

(texto longo, com 1900 palavras)

(more…)

Segunda-feira, 23 Fevereiro 2015

Ser um Mozart ou um Beethoven

Filed under: cultura — O. Braga @ 9:27 am
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Diz a Inês Teotónio Pereira, corroborando o CR7,  que “competir connosco próprios é a estratégia certa”. Foi o que fez Beethoven.

partitura-BeethovenSe analisarmos as pautas musicais originais de Beethoven, vemos ali muita rasura, muita emenda, muita “competição com ele próprio”.

Mas isso não aconteceu com Mozart: com este último, a música fluía para a pauta musical original com raras emendas, como se a partitura estivesse já escrita na cabeça dele e apenas fosse necessário passá-la para o papel.

Ser um Mozart ou um Beethoven aplica-se a indivíduos, mas não a povos.

Não há “povos Mozart” ou “povos Beethoven”: há “indivíduos Mozart” (em todas as áreas da actividade humana, e não só na música ou no futebol), “indivíduos Beethoven”, e outros indivíduos que não são nem uma coisa nem outra.

O que pode haver é uma cultura antropológica que incentiva os indivíduos de um povo a serem “Beethoven” quando não nascem “Mozart” — porque ser Mozart é um dom, uma dádiva que a Natureza, o Destino e as Estrelas concedem ao indivíduo.

Ninguém é Mozart porque quer: nasce-se Mozart. Mas se é verdade que Beethoven não nasceu Mozart, podemos eventualmente ser Beethoven se “competirmos connosco próprios”; mas nunca seremos Mozart só porque queremos ser.

A Rússia precisa da União Europeia como a boca precisa de pão

Filed under: Europa,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 8:20 am
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Há no Observador uma plêiade de idiotas que reduzem a realidade a uma ideologia maniqueísta. Há aqui um burro que afirma que “a Rússia quer acabar com a União Europeia” (enquanto agremiação de países), quando em verdade a Rússia precisa da União Europeia para que a sua economia possa ser sustentável.

É preciso que as pessoas entendam o seguinte: o problema da Rússia não é especificamente com a União Europeia: o problema da Rússia é com os Estados Unidos de Obama — porque estou convencido de que se existisse um presidente republicano nos Estados Unidos, não existiriam os problemas que temos hoje na Ucrânia.

A União Europeia é uma extensão da política americana na Europa, qualquer que seja essa política. A União Europeia é uma anã política. A “União Europeia” significa “subserviência canina aos Estados Unidos”. Quando a política externa americana é má e contraditória, como é a de Obama, é a União Europeia que paga a factura.

Quando a União Europeia impõe sanções económicas à  Rússia por causa da anexação da Crimeia (Crimeia que sempre pertenceu à  Rússia, pelo menos desde o tempo do Czar Pedro O Grande), seria estúpido — como é estúpido o escriba do Observador —  que a Rússia desse a outra face e não reagisse: é neste contexto que devemos ver, por exemplo, os apoios financeiros ao Syriza e à Front Nationale de Marine Le Pen.

Domingo, 22 Fevereiro 2015

Resquícios do Neanderthal em Portugal

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 7:28 pm
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A filosofia não é literatura

Filed under: filosofia — O. Braga @ 12:27 pm
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“A análise da experiência real NÃO É a mesma coisa que a análise lógica das proposições que imperfeitamente a expressam.

Na análise da experiência real levamos em conta sensações e estados interiores que nem mesmo saberíamos traduzir em palavras, mas que estão vivos na nossa memória.

Reduzir a filosofia a análise de proposições é o mesmo que imaginar que decorar a lista telefónica é conhecer todas as pessoas.”

→ Olavo de Carvalho, no FaceBook

Neste contexto, aquilo a que Olavo de Carvalho chama de “experiência real” é a experiência subjectiva. Mas para que a experiência subjectiva passe a ser intersubjectiva (ou seja, passe a ser objectiva), temos que recorrer a símbolos que contêm em si mesmos uma qualquer axiomática que confere ao símbolo uma representação ou um representado — ou seja, os símbolos têm que ter, subjacente a eles, um qualquer nexo lógico implícito.

A filosofia não é uma narrativa literária ou poesia, em que os escritos do autor podem ser facilmente interpretados conforme a subjectividade de cada leitor. Por exemplo, se lermos alguns poemas de Fernando Pessoa, em cem pessoas podemos encontrar outras tantas interpretações diferentes desses poemas — porque a poesia é filosofia sem lógica.

Esta é uma das razões por que Heidegger ou Nietzsche, por exemplo, são menos filósofos do que literatos: uma boa literatura não significa “filosofia” propriamente dita.

O que eu fiz aqui foi uma análise das proposições supracitadas de Olavo de Carvalho. Isso não significa que eu tenha reduzido a filosofia à  análise de proposições: significa que, sem a análise de proposições, a “filosofia” é pura literatura.

Sábado, 21 Fevereiro 2015

O Vasco Pulido Valente e o século XIX

 

vpvO Vasco Pulido Valente faz aqui uma comparação entre Portugal e a Grécia; mas compara Portugal e a Grécia no século XIX. E depois extrapola os factos dessa comparação para o século XXI. Mas em nenhum momento fala realmente do século XXI: por exemplo, não diz se a Grécia deveria ou não ter entrado no Euro; a actualidade é escamoteada.

Na década de 1990, antes de entrar no Euro, Portugal estava a crescer mais de 2% ao ano, e em 2000 (ano da entrada de Portugal no Euro) a dívida pública portuguesa era de 50% do PIB. Hoje, quinze anos volvidos no Euro, a dívida pública portuguesa ultrapassa já os 130% do PIB. Em 2011, quando entrou a Troika, a dívida pública já era de 90% do PIB…

¿Ninguém vê aqui um nexo causal?! ¿Será preciso fazer um desenho?

Pelo menos desde 1974, o maior problema da nossa economia foi a balança comercial (a diferença entre o que se exporta e o que se importa).

Antes da entrada no Euro e antes de Schengen, as alfândegas faziam o crivo das importações através de taxas aduaneiras; depois do Euro, acabaram as alfândegas para a União Europeia, e foi o descalabro: o país passou a endividar-se à  fartazana quando importava, em roda livre, de países da União Europeia.

Passos Coelho resolveu o problema, a partir de 2011, com um aumento brutal de impostos que é prejudicial para as empresas portuguesas (não vendem tanto no mercado português), empresas estas  que não podem fazer mais nada senão baixar salários para poder concorrer, no mercado de exportação, também com países do terceiro mundo.

O Euro acabou por destruir parcialmente o mercado interno (consumo interno de produtos fabricados em Portugal). É disto que as elites bem instaladas em Lisboa não dizem. Preferem falar do século XIX.

Rui Moreira em grande

Filed under: Portugal — O. Braga @ 12:28 pm
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“O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, quer entregar uma medalha municipal de Mérito, Grau Ouro, a Sindika Dokolo, coleccionador de arte e marido de Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. A proposta está agendada para a reunião do executivo da próxima segunda-feira e precisa de receber parecer favorável da Assembleia Municipal, para ser validada.”

Medalha de Ouro do Porto para marido de Isabel dos Santos

Cada vez mais o Porto se distancia de Lisboa de António Costa. Dizem que a História não se repete, mas parece que temos uma reedição nacional do fim da década de 1970.

A Troika mudou de nome

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 10:45 am
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A pedido do governo grego, a Troika mudou de nome: agora chama-se τρόϊκα.

Para a Esquerda, esta mudança de nome é muito importante, porque se acredita que mudando o nome das coisas, estas deixam de ser o que são. Por exemplo, se a Esquerda chama a uma pedra, “pau”, a pedra deixa automaticamente de ser pedra e “vira” pau (neste caso seria um varapau pelas costas deles abaixo!), como que por magia.

Sexta-feira, 20 Fevereiro 2015

O Frei Bento Domingues mete as religiões todas no mesmo saco

Filed under: Igreja Católica,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:13 pm
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« As religiões na Europa deram muitos maus exemplos ao longo da história, disse hoje frei Bento Domingos, argumentando que, com mais compaixão e cooperação dentro da União Europeia, os problemas da Grécia ou Portugal já podiam estar resolvidos.

“As religiões na Europa deram muitos maus exemplos ao longo da história. Se querem ter de novo audiência na Europa e acolhimento, que se transformem nas formas extremas de acolhimento daqueles que são escorraçados”, defendeu frei Bento Domingues, em declarações à Lusa.»

→ Frei Bento Domingues: Religiões deram maus exemplos na Europa

Em primeiro lugar, como é normal em Frei Bento Domingues, mistura religião e política — e é esse mesmo Frei Bento Domingues que mistura religião e política que critica o Islamismo!

Em segundo lugar, o Frei Bento Domingues serve-se do exemplo do Islão para criticar o Cristianismo.

Por último, o Frei Bento Domingues pretende ser ele próprio um veículo de Revelação religiosa — uma espécie de profeta moderno à  espera de ser interditado e internado.

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O Rui Tavares diz que os gregos são meus concidadãos

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 2:04 pm
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«O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições anti-austeridade do Governo grego. Numa carta, dirigida aos “concidadãos gregos”, que vai ser entregue esta sexta-feira de manhã na embaixada helénica em Lisboa, e publicada em dois jornais de Atenas, o Efimerida e o diário do Syriza, o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.»

“Gregos: aguentem firmes que vêm reforços a caminho”

¿ O que é um “concidadão”? Vamos ao dicionário:

Concidadão é um indivíduo que, em relação a outro ou outros, é da mesma cidade ou do mesmo país; patrício.

¿Desde quando um grego é meu concidadão?! O que é que se passa com esta gente?! Mesmo que fosse possível uma graduação na concidadania, seria mais meu concidadão um brasileiro ou um angolano do que um grego.

Que o Rui Tavares é um doente mental, é uma evidência: basta olhar para ele. Mas que os doentes mentais passem a ter acesso aos jornais, dá já a sensação de um país que pretende ser governado a partir de dentro de um manicómio.

rui tavares web

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