perspectivas

Quarta-feira, 10 Setembro 2014

O António Piedade Procrustes, e os cérebros da mulher e do homem

 

“É um assunto muito vulgar atribuir ao cérebro capacidades diferentes consoante o sexo. Contudo, e apesar das diferenças anatómicas e hormonais que distinguem o homem da mulher, não se encontrou até hoje nenhuma diferença distintiva na fisiologia e metabolismo do cérebro nos dois sexos. Há uma ligeira diferença de tamanhos mas, como já se disse, o tamanho não implica imediatamente uma função diferente.”

António Piedade Procrustes

O António Piedade nega a realidade. Para ele, “diferença” é sinónimo de “hierarquia”, e por isso — segundo o arquétipo mental do bicho — é necessário que tudo seja igual para que não haja hierarquia.

Para que não hajam diferenças, o António Piedade olha para a realidade e nega-a, mediante um delírio interpretativo. Aquele cérebro nefelibático não consegue perceber que a diferença não é sinónimo de inferioridade ou de superioridade; e aqui é que se constata a incoerência do negaceiro endémico: para ele, tem que ser tudo igual porque, se assim não for, há gente inferior e outra superior. A própria negação das diferenças é uma forma de discriminação ontológica do ser humano.

Estudos científicos recentes revelam que os cérebros de mulheres e de homens são diferentes:

“Scientists now know that sex hormones begin to exert their influence during development of the fetus. A recent study by Israeli researchers that examined male and female brains found distinct differences in the developing fetus at just 26 weeks of pregnancy. The disparities could be seen when using an ultrasound scanner. The corpus callosum — the bridge of nerve tissue that connects the right and left sides of the brain — had a thicker measurement in female fetuses than in male fetuses.

Observations of adult brains show that this area may remain stronger in females. “Females seem to have language functioning in both sides of the brain,” says Martha Bridge Denckla, PhD, a research scientist at Kennedy Krieger Institute.”

How Male and Female Brains Differ


O António Piedade faz lembrar a história de Procrustes:

procrustes07Juntaram-se os cidadãos e instituíram a democracia, e o areópago encarregou um membro da academia, Piedade Procrustes, da investigação empírica da desigualdade entre os cidadãos, com recurso a processos de aferição alegadamente baseados na ciência.

O Piedade Procrustes não se fez rogado e construiu, como instrumento de medição, a sua própria cama.

Depois de ter, com recurso a ela [à cama], esticado e decepado todos os voluntários que se apresentaram para os testes sobre a igualdade da cidadania, de forma a que já todos cabiam nela exactamente, o Piedade Procrustes informou a academia, baseado nos testes realizados, que todos os cidadãos da democracia tinham o mesmo tamanho ― o que significa que, entre outras coisas, as mulheres eram iguais aos homens.

Pensava o Piedade Procrustes que a igualdade perante a lei e a igualdade dos direitos políticos e civis tivessem por base a igualdade dos próprios seres humanos ― e como era um democrata fervoroso, eliminou todas as diferenças.

No entanto, a democracia não supõe igualdade dos homens e mulheres, mas antes ignora a sua desigualdade. A democracia não escamoteia a existência de diferenças de sexo, de origem, de cor, de religião, e de capacidade intelectual ou outras, mas torna as pessoas indiferentes face a elas ― o que faz com que se desligue, a natureza humana, por um lado, e a sociedade, por outro lado.

Precisamente porque a política despreza todas as diferenças naturais, estas podem ser aproveitadas noutras áreas: assim, a família fundamenta-se na diferença entre o homem e a mulher ― e daí o facto das mulheres preferirem contrair matrimónios com homens não constituir qualquer acto de discriminação.

Quinta-feira, 4 Setembro 2014

O flatus vocis do António Piedade

 

Quando o António Piedade fala de alimentação e de Aquecimento Global, a voz dele torna-se flatulenta.

Lund University

“A new study from Lund University in Sweden has, for the first time, reconstructed solar activity during the last ice age. The study shows that the regional climate is influenced by the sun and offers opportunities to better predict future climate conditions in certain regions.

For the first time, a research team has been able to reconstruct the solar activity at the end of the last ice age, around 20 000–10 000 years ago, by analysing trace elements in ice cores in Greenland and cave formations from China.

During the last glacial maximum, Sweden was covered in a thick ice sheet that stretched all the way down to northern Germany and sea levels were more than 100 metres lower than they are today, because the water was frozen in the extensive ice caps. The new study shows that the sun’s variation influences the climate in a similar way regardless of whether the climate is extreme, as during the Ice Age, or as it is today.”

SUN’S ACTIVITY INFLUENCES NATURAL CLIMATE CHANGE

Qualquer pessoa com bom-senso é de opinião que se deve ter uma alimentação saudável que não dispense, por exemplo, alguma proteína animal. Repito: alguma. Mas quando o António Piedade escreve isto, não se trata de lapsus calami: em vez disso, é flatus vocis.

O que é espantoso é que, depois do escândalo do FCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), em que “cientistas” ingleses inventaram dados e adulteraram outros para “provar” que existe um Aquecimento Global antropogénico, ainda existam idiotas como o António Piedade que seguem a cartilha de Malthus que se demonstrou não ter fundamento científico sólido.

Terça-feira, 5 Agosto 2014

O António Piedade, o neocórtex humano, os macacos e as relações sociais

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 7:49 am
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“Há investigações sociais e biológicas que mostram haver um limite superior para o número de indivíduos com os quais conseguimos manter relações sociais frequentes e estáveis. Nos anos 90 do século passado, o cientista R.I.M Dunbar publicou uma série de artigos em que relacionava o número de indivíduos nos grupos sociais de espécies primatas (incluindo a nossa) com o tamanho do neocortex cerebral. E Dunbar chegou à conclusão de que cada um de nós não consegue gerir, em média, mais de 150 relações individuais. Há como que um limite da capacidade cognitiva de que dispomos para manter estáveis as nossas relações pessoais. Acima desse limite deixamos de conseguir sociabilizar. Esse limite, ou esse número, é desde então conhecido por número de Dunbar.”

O TAMANHO DAS NOSSAS REDES SOCIAIS



Quando eu li a comparação que o António Piedade faz entre o ser humano e o macaco, por um momento quase acreditei nele.

Seguindo o raciocínio do António Piedade, o homem de Neanderthal — que tinha um neocórtex maior do que o homo sapiens — teria uma capacidade cognitiva maior do que o homo sapiens sapiens. E já não falo em outros mamíferos, como por exemplo, a baleia, que tem um neocórtex muitíssimo maior do que o ser humano.

As abelhas, que têm apenas 960 mil neurónios em todo o sistema nervoso (quando o ser humano tem cerca de 23 mil milhões de neurónios apenas no córtex cerebral), têm uma capacidade de relacionamento social muitíssimo superior à dos humanos, criando relacionamentos fortes na colmeia que seriam impossíveis na sociedade humana. Ou seja, qualquer ligação de causa/efeito entre o tamanho do neocórtex, ou do número de neurónios do neocórtex, por um lado, e a capacidade de relacionamento dentro da mesma espécie, por outro lado, é simplificadora.

Por exemplo, o chimpanzé tem cerca de 6 mil milhões de neurónios no córtex cerebral, ao passo que o elefante tem 11 mil milhões de neurónios no córtex cerebral. Ora — como dizem os darwinistas — se “o chimpanzé está mais perto do homem”, na realidade a quantidade de neurónios do elefante aproxima-se mais da quantidade de neurónios do ser humano, e em comparação com o chimpanzé.


Este tipo de raciocínio simplificador (a do António Piedade) é típica do cientismo  e do blogue Rerum Natura. Cuidado!, porque essa gente tem opinião!: eles enganam facilmente os ignaros, e sentem-se felizes por os enganar. Gostam de enganar o povo, e em nome da “ciência”.

Eles fazem de conta de que o ser humano não é um sujeito, quando comparam o córtex do ser humano com o córtex de um macaco. A ideia deles é a de criar uma elite que sabe que é uma espécie de macaco através do conhecimento (gnosticismo), elite essa que se distingue dos ignorantes que não têm consciência de que são uma espécie de macacos. Ou seja, segundo o raciocínio do António Piedade, há duas categorias de seres humanos: os que sabem que são macacos (a elite cientificista e darwinista), e os que não sabem que são macacos (os seres humanos em geral e os símios); e apenas os da primeira categoria serão “salvos mediante o conhecimento”: são os Pneumáticos actuais.


Por fim: o António Piedade confunde os “relacionamentos fortes”, por um lado, com os “relacionamentos fracos” — sendo que, estes últimos, apenas o ser humano é capaz de elaborar. Ou seja, confunde “comunidade”, por um lado, e “rede social”, por outro lado. Na comunidade, os laços sociais são fortes; na rede social, predominam os “relacionamentos fracos”.

Os “relacionamentos fracos” permitem ao ser humano lidar com milhares de pessoas, dependendo das circunstâncias e da situação particulares em que ele (ser humano) se encontra a cada momento.

E quando eu vejo o blogue Rerum Natura — a que pertence o Carlos Fiolhais que tanto reclama contra o governo por causa dos “cortes na ciência” — defender posições destas, começo a dar razão a Passos Coelho quando quer acabar com aquela macacada toda.

Sexta-feira, 25 Julho 2014

O Carlos Fiolhais deveria olhar para isto, em nome da ciência

Filed under: Esta gente vota — orlando braga @ 7:15 pm
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O Carlos Fiolhais, do blogue Rerum Natura que tanto critica o FCT, deveria dar uma vista de olhos ao progresso da ciência expresso neste verbete da Helena Matos:

“O poliamor é então identificado como sendo, mais do que uma prática sexual, um posicionamento moral que envolve profundamente o sujeito na sua produção de si, e onde a parrhēsia (franqueza) é o principal elemento avaliativo da moralidade do sujeito poliamoroso. Esta parrhēsia é fundamental para a manutenção da autonomia do Eu, pelo que ela é oferecida mas também exigida do Outro; a equidade da relação de alteridade é fundamental para o sujeito que, sem o Outro, não se pode constituir como tal. Se tudo isto permite ao indivíduo questionar o horizonte de possibilidades daquilo que o constitui como sujeito, abre também a porta a uma possível hegemonização desta moral para todas as relações de intimidade.”

Ou seja, segundo os investigadores portugueses das ciências sociais (alguns deles pagos com os nossos impostos), é necessário eliminar a hegemonização da normativização monogâmica e heterocêntrica, substituindo-a por uma hegemonização da moral poliamórica.

Quarta-feira, 18 Junho 2014

Dinossauros, Deus e o Evangelho — David Marçal dixit

Filed under: A vida custa,filosofia — orlando braga @ 6:03 pm
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A Bíblia, no Génesis, diz que o universo foi criado em sete dias. O David Marçal critica aqui quem acredita que o mundo foi criado em sete dias (ou coisa do género). Vamos todos fazer um esforço de pedagogia em relação ao David Marçal porque ele andou na universidade e terá, por isso, capacidade para aprender alguma coisa.

(more…)

Carlos Fiolhais e a Técnica como argumento céptico

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 8:34 am
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Vindo do Carlos Fiolhais, este vídeo não é apenas um conjunto de truques cinematográficos: é uma tentativa de proclamar a Técnica e denunciar tudo o que não seja a Técnica. A Realidade inteira é reduzida por Carlos Fiolhais à Técnica e ao cientismo.

Por exemplo, e na linha do “pensamento” do David Marçal, os fenómenos de Poltergeist são implicitamente, e por essa via, concebidos como contendo uma qualquer espécie de fraude e escondendo uma qualquer Técnica que os justifique.

Como escreveu Desidério Murcho, parafraseando Alvin Plantinga:

“Isto conduz ao escândalo do cepticismo: se eu argumento a favor do cepticismo, então é claro que me apoio nas mesmíssimas faculdades cognitivas cuja fiabilidade é negada na conclusão do meu argumento céptico.”

Sábado, 14 Junho 2014

Sobre a obrigatoriedade do voto

Filed under: Política,Portugal — orlando braga @ 5:40 am
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Vamos colocar o problema da “liberdade” em termos kantianos — embora eu não concorde totalmente com a visão de Kant acerca da “liberdade”; mas está na moda concordar com ele. Para Kant, a “liberdade” pode ser negativa e positiva (repare-se que é “e”, e não “ou”).

A liberdade negativa é aquela que consiste em não ser impedido de agir — a de não ser impedido por outrem naquilo que desejamos fazer, ou a liberdade de se exprimir sem censura. Em contraponto, a liberdade positiva é a liberdade do cidadão-legislador, segundo o princípio de autonomia de Kant, que consiste em tomar parte nas decisões políticas e públicas, e de co-exercer a autoridade em geral.

amish1/ À primeira vista, parece que a abstenção do acto de votar em eleições políticas é apenas uma expressão de liberdade negativa. Parece que o abstémio do voto desdenha a liberdade positiva. É o que o escriba do blogue Rerum Natura pretende dizer aqui.

Por exemplo, existem certas representações colectivas de determinadas comunidades, como por exemplo, entre os Hutteritas e/ou nos Menonitas (por exemplo, a comunidade Amish, nos Estados Unidos), que por motivos religiosos proíbem o voto (entre outras coisas). O escriba do Rerum Natura pode considerar que as pessoas dessas comunidades são estúpidas; mas isso é problema dele. Ele tem o direito de considerar que toda a gente é estúpida com sua (dele) excepção.

Obrigar o cidadão a votar (nem que “seja em branco”, como diz o escriba do Rerum Natura) é uma intrusão insuportável do Estado na vida privada e até íntima do cidadão entendido como pessoa — e não só enquanto indivíduo. O cidadão não é um número que apenas conta para as estatísticas: antes, é uma pessoa.

2/ Num sistema dito “democrático” como é o português, em que o cidadão não sabe em quem vota (não conhece sequer, muitas vezes, o político eleito pela sua circunscrição — com excepção das eleições autárquicas!), não é legítimo que se seja obrigado a votar. No sistema “democrático” português, obrigar o cidadão a votar seria um exercício de pura violência de Estado — porque o Estado português não é democrático propriamente dito. O sistema político português é uma oligarquia partidária, e não uma democracia.

3/ A abstenção é uma forma de participação política — embora negativa. Por isso, podemos dizer que a abstenção é também, até certo ponto, uma forma de liberdade positiva. De resto, não há uma diferença real entre a abstenção e o voto em branco ou o voto nulo: a diferença é apenas de categorização estatística, mas em política significa praticamente o mesmo.

Não devemos partir do princípio de que as pessoas não vão votar porque está a chover, ou porque foram para a praia. Pode haver gente que não vote por essas razões, mas seria um abuso generalizar.

Se a abstenção é grande, cabe ao sistema político reformar-se para cativar uma maior afluência às urnas de voto — mas nunca inverter o ónus da responsabilidade política, utilizando a força bruta do Estado sobre as pessoas e impondo aos cidadãos um sistema político caduco e que de “democrático” só tem o nome.

Domingo, 25 Maio 2014

A Helena Damião e o crioulo

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 5:01 pm
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A Helena Damião acha que o crioulo pode ser instrumento de arte poética. Pode ser; mas na terra dos crioulos. Por exemplo, podemos ver aqui em baixo a canção de Cesária Évora, “Sodade”: pouca gente percebe a letra, mas o som da morna (que tem origem no fado português, diga-se em abono da verdade) cativa mesmo os povos nórdicos…

É politicamente correcto — fica bem! É coisa finíssima!, própria os “tios” e das “tias”— achar que do crioulo se extrai uma “grande poesia”. Por exemplo, não é necessária qualquer métrica na poesia crioula porque esta está acima de qualquer colete de forças formal.

A poesia crioula é coisa do povo (ui!, que fino!); ¿e haverá coisa mais genial do que a poesia popular?

Mal andou o poeta popular português, Aleixo de seu nome, que deu à métrica uma importância inusitada e despicienda. A poesia do Aleixo é igual às outras: o que é genial é o “Ai Se Sesse” do crioulo Zé da Luz.

Quarta-feira, 21 Maio 2014

A degradação da alta cultura portuguesa

Filed under: cultura — orlando braga @ 7:30 am
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É muito raro eu estar de acordo com alguma coisa escrita no blogue Rerum Natura, mas seria desonesto se apenas aqui apontasse as coisas com que não concordo e não mencionasse aquilo que concordo. Dois textos:

“Na última década, Portugal tem vivido no fio da navalha no que respeita ao ensino da matriz clássica.

Em cada ano lectivo que se inicia, os números sempre mais reduzidos de escolas, turmas e alunos evidenciam uma inevitabilidade: o adeus definitivo às línguas e cultura que são a base da nossa civilização.

Com base na ideia de que as Humanidades não servem para nada e que as aprendizagens que importam são as que preparam para a «vida», extinguiu-se quase por completo, primeiro, o estudo do Grego, e, de seguida, o estudo do Latim.”

O Grego e o Latim morreram em Portugal

Sobre a opção de Latim no ensino público

Quinta-feira, 15 Maio 2014

O David Marçal e a Alexandra Solnado

 

O David Marçal, quando escreve isto, demonstra que não faz a mínima ideia de quem foi o professor universitário Ian Pretyman Stevenson. Não é só uma questão de bom-senso: é burrice, mesmo!, embora uma burrice iluminada. Nas universidades portuguesas criam-se muitos burros iluminados.

Podemos afirmar, com toda a pertinência e racionalidade, que o David Marçal é burro — não porque a teoria da reencarnação seja uma verdade absoluta, mas porque existem fenómenos que merecem uma investigação científica (que foi o que o professor Ian Pretyman Stevenson fez).

Se a Alexandra Solnado falou com Jesus Cristo, ou não, é uma crença dela que é equivalente à crença do David Marçal segundo a qual é o professor Ian Pretyman Stevenson que é burro, e não ele (David Marçal).

Mas o que importa não são as evidências subjectivas, mas antes as evidências objectivas (o resultado da experiência). E na medida em que o David Marçal desconhece, deveria estar calado; porque não estando calado sobre aquilo que desconhece, parece que é burro: e, como dizia o velho António, “em política o que parece, é”.

Terça-feira, 13 Maio 2014

É bom voltar a Aristóteles, face a idiotas que escrevem sobre a ciência

Filed under: A vida custa,Ciência,Esta gente vota — orlando braga @ 12:48 pm
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O António Piedade, do blogue Rerum Natura, escreve o seguinte:

“Assim como há 400 anos o telescópio desvendou um universo novo e quebrou mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas, também estas novas tecnologias de visualização cerebral abrem miríades de horizontes sobre a mente humana, e estendem as possibilidades da sua interacção com a Natureza.”

O que o António Piedade pretende dizer é que o telescópio e toda a parafernália tecnológica ao dispôr do Homem, “depois de ter quebrado mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas”, revelaram a verdade acerca do universo. Hoje, a julgar pelo pensamento do António Piedade, já não há mitos nem lendas. Assim como Karl Marx engendrou o fim da História, o António Piedade chegou ao fim da ciência.

“O que, em princípio, moveu os homens a proceder as primeiras indagações filosóficas foi, e como é hoje, a admiração. Entre os objectos que admiravam e que não podiam dar-se razão, aplicaram-se primeiro aos que estavam ao seu alcance; depois, avançando passo a passo, quiseram explicar os fenómenos mais relevantes; por exemplo, as diversas fases da Lua, o curso do Sol e dos astros e, por último, a formação do universo. Ir em busca de uma explicação e admirar-se é reconhecer que se ignora. E assim, pode dizer-se que o amigo da ciência também é, de certa maneira, amigo dos mitos, porque o assunto dos mitos é o maravilhoso.”

Aristóteles, “Metafísica”, II

Para o António Piedade, o amigo da ciência não é amigo dos mitos; para ele, a ciência não tem mitos, já que as crenças dele são certezas coimbrinhas.

Quinta-feira, 24 Abril 2014

¿Eu não disse?! A culpa do próximo terramoto em Lisboa vai ser das praxes!

 

O Carlos Fiolhais escreve o seguinte: “não se percebe por que razão o muro foi usado como “palco”, aparentemente para cânticos e saltos de alunos de um curso contra outro” (…) O muro não deve ter caído naturalmente”, etc. Estamos no domínio do “suponhetamos”: o Carlos Fiolhais “suponheta” que o muro não caiu naturalmente, mas provavelmente caiu porque alguém subiu para cima dele, e que possivelmente foi palco para cânticos”, etc.. desespero web

Mas o que interessa saber, segundo o Carlos Fiolhais , é o facto de não ser possível ao muro cair se não fosse a praxe. Isto é ciência da mais pura!, só pode vir de uma mente iluminada! Ou seja, a julgar pela opinião do Carlos Fiolhais , a melhor forma de demolir muro velhos e instáveis é realizar praxes académicas na sua vizinhança.

A Câmara Municipal de Lisboa deveria proibir as praxes académicas na cidade, não vá uma praxe provocar um novo terramoto como o de 1755 — com a agravante de não termos hoje um Marquês de Pombal para superintender à reconstrução da capital; diga-se que o Marquês tinha já, então, proibido as praxes académicas quiçá porque, à semelhança do que acontece com o Carlos Fiolhais, suspeitava de uma ligação de nexo causal entre as praxes e as catástrofes, naturais ou não.

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