perspectivas

Quinta-feira, 23 Abril 2015

A amálgama da Helena Matos

Filed under: cultura — O. Braga @ 6:01 pm
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Hoje está na moda, em França, utilizar na política o substantivo “amálgama”: sempre que o governo socialista francês mistura coisas que não são misturáveis (e fá-lo muitas vezes), a oposição fala em “amálgama”.

É também o caso da Helena Matos: faz aqui uma amálgama quando compara, por exemplo, uma rectoscopia, por um lado, e uma “aspersão láctea mamilar” — “amálgama” porque a gravidez não é uma doença e a amamentação não é uma patologia.

Parece que a Helena Matos considera a gravidez uma doença e a amamentação uma patologia que deve ser verificada pelo Estado para justificar uma falta ao trabalho.

Para ela parece ser igual que um indivíduo vá fazer uma rectoscopia para verificação de um cancro na próstata que justifique um estado de incapacidade para o trabalho, ou que uma mãe faça esguichar as tetas em frente a um médico para provar que ela está a amamentar e que merece uma hora de folga por dia (ou coisa que o valha). Para ela parece ser tudo uma questão de doença.

Esta amálgama é confrangedora e está em contradição com as medidas de apoio à natalidade do governo de Passos Coelho: por um lado dizem que apoiam a natalidade, mas por outro  lado metem as mamas das mães de fora para provarem que estão a amamentar.

Decidam-se! Ou a amamentação é, por princípio, um direito que carrega em si mesmo um delito em potência (jus gentium), a vigiar pela ASAE ou por organizações afins do Estado; ou é por princípio uma virtude e um direito natural (jus naturale).

Sábado, 20 Setembro 2014

O João Miranda e a Raquel Varela

Filed under: bovinotecnia — O. Braga @ 8:24 pm
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Perante uma mundividência absurda sobre a realidade, o João Miranda argumenta com cinismo. Face ao absurdo, só o cinismo faz algum sentido. Eu não simpatizo com Karl Marx, mas ele tinha razão quando dizia que pessoas como o João Miranda têm uma “moral de merceeiro”.

Não passa pela cabeça do João Miranda que terá havido outras razões, para além das razões de contabilidade de mercearia, para que escoceses votassem sim ou não à independência da Escócia.

A única diferença entre o João Miranda e, por exemplo, a Raquel Varela, é a concepção que os dois têm do Estado; de resto, são iguaizinhos: reduzem toda a realidade à economia. O João Miranda é uma espécie de “comunista do reviralho”.

Tanto um como a outra vêem a realidade de uma forma determinista (mas em nome da “liberdade” !) — uma vez que (toda) a realidade é determinada absolutamente pela economia. O futuro está determinado; não existe escapatória para os “amanhãs que cantam”, de um lado e doutro. Ambos defendem o fim da História, cada um à sua maneira. O futuro é uma certeza e o passado é uma incerteza; a moral é invertida em nome desse determinismo. O João Miranda e a Raquel Varela fazem parte do mesmo problema, e não são solução para nada.

Terça-feira, 8 Abril 2014

O P.S.D de Passos Coelho e a versão oficiosa acerca do salário mínimo

 

No tempo da URSS, o Partido Comunista dizia que esse país era o “sol do mundo”. Hoje, o Partido Social Democrata de Passos Coelho diz que a Alemanha de Angela Merkel é a “luz do universo”. Mas este Partido Social Democrata consegue ser mais merkeliano que a própria Angela Merkel — como os comunistas conseguem ser mais marxistas que o próprio Karl Marx: agora que a Alemanha já tem um salário mínimo nacional (de 8,50 Euros / Hora!), a bovinotecnia coelhista sai da lura para defender que não deve haver aumento do salário mínimo nacional. E vejamos os argumentos (o verbete foi apagado pelo seu autor, tamanho era o absurdo).

«Sátão, Aguiar da Beira, Sernancelhe, Fornos de Algodres, Paços de Ferreira, Lousada, Ourique, Góis, Mondim de Basto, Vimioso, Vila de Rei, Felgueiras, Vizela, Celorico da Beira, Boticas, Barrancos, Sousel, Vila Nova de Paiva, Cinfães, Alandroal, Fafe, São Pedro do Sul, Tábua, Vinhais, Marvão, Cabeceiras de Basto, Penamacor, Oleiros, Freixo de Espada à Cinta, Arronches, Sabugal, Ponte de Lima, Pampilhosa da Serra, Castro Daire, Mesão Frio, Almodôvar, Almeida, Sardoal, Alfândega da Fé, Moimenta da Beira, Crato, Meda, Valpaços, Armamar, Paredes de Coura, Alviázere e Santa Marta de Penaguião. São os municípios que, de acordo com números de 2011, têm diferença entre o salário mínimo nacional e a remuneração base média mensal superior a –160.

O Bloco quer um salário mínimo de 545€. Isto corresponde a um aumento superior a 12%. Nos municípios apontados significaria um aumento de desemprego verdadeiramente brutal: o efeito de um aumento de salário mínimo no município de Lisboa não é particularmente relevante para o desemprego mas, em regiões cujos salários médios estão perto do salário mínimo, significa uma destruição cega pelo centralismo socializante-controlador.»

os brioches da bovinotecnicaEste raciocínio tem diversas anormalidades, mas só me vou reter em algumas.

1/ defende a ideia segundo a qual deve existir em Portugal realidades estatutárias de cidadania conforme se vive em Lisboa ou na “província”. Ou seja, “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”. Deve haver um salário mínimo lisboeta e nenhum salário mínimo para a “paisagem”.

2/ defende a ideia segundo a qual uma empresa que não pode ou não quer pagar o salário mínimo deve continuar no mercado a competir com aquelas empresas que o pagam (de Lisboa ou não).

3/ defende a ideia segundo a qual um cidadão que trabalhe pode viver em Portugal com 300 Euros mensais.

4/ defende a ideia segundo a qual é legal pagar menos do que o salário mínimo.

5/ defende a ideia segundo a qual o ideal seria que uma pessoa trabalhasse sem receber qualquer salário, para que o desemprego fosse debelado. O problema da economia portuguesa está nos salários: se os portugueses ganharem menos do que os chineses, a economia salva-se.

Segunda-feira, 24 Março 2014

Outra filha-da-putice do blogue Blasfémias

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 6:18 pm
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amigo da onçaEsta merda escrita no blogue Blasfémias (ver imagem) revela bem o que está por detrás do Partido Social Democrata de Passos Coelho. Não se trata só de cinismo: resvala já para a filha-da-putice. Ora, a obragem de uma filha-da-putice é obra do respectivo obrador que tem um adjectivo próprio bem conhecido no vernáculo da língua portuguesa.

A reportagem jornalística acerca da realidade da dificuldade dos 5 Euros para pagar o serviço de transporte de bombeiros incomoda aos obreiros da actual filha-da-putice portuguesa, encarnada neste Partido Social Democrata de Passos Coelho.

Hão-de morrer como os grilos: com os cornos espetados no chão e de cu para o ar.

Sexta-feira, 14 Março 2014

A logomaquia trapaceira

 

Se eu ganhar, por exemplo, 5.000 Euros mensais e me retirarem 10% do meu rendimento, fico apenas com a “miséria” de 4.500 Euros mensais. Mas se eu ganhar 500 Euros por mês, e se me tirarem 5% do salário, fico mais rico: sobra-me a espantosa pecúnia de 475 Euros.

A bovinotecnia, de quando em vez, deveria deixar de dar tiros no pé. Podem enganar alguns, mas não enganam a maioria — e, em democracia, é a maioria que conta.

Quinta-feira, 13 Março 2014

As leis laborais bovinotécnicas e blasfemas

Filed under: Tirem-me deste filme — O. Braga @ 8:46 pm
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a sociedade ideal blasfema

Trabalho em troca de comida. E não digam que vêm daqui!

O critério bovinotécnico para a reestruturação da dívida pública portuguesa

 

O blogue Blasfémias faz depender a reestruturação da dívida pública das condições de manutenção das infraestruturas do país, quando publica esta imagem abaixo:

manifesto-70

Vejamos agora outra imagem (desta vez, da minha lavra):

a divida e as intraestruturas web

Em uma situação de infraestruturas de luxo e pedintes em massa, a lógica do blogue Blasfémias também é aplicável. Quando não são as pessoas que contam, mas antes são as infraestruturas que nos merecem atenção, por um lado, e por outro lado a cidadania transforma-se em um conceito abstracto, isso significa que Passos Coelho tem que sair, já, e a toque de caixa.

Terça-feira, 11 Março 2014

Pior do que um comunista, só um neoliberal

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 11:15 am
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O neoliberal é a única criatura que é capaz de colocar o vil metal acima da família, dos amigos e do seu país.

mad man

Sexta-feira, 8 Novembro 2013

A narrativa bovinotécnica do João Miranda

 

A economia não pode ser vista em termos de “keynesianos” contra os “não-keynesianos”, e vice versa. A economia não é razão especulativa ou abstracta: a economia é um fenómeno real da actividade humana que envolve pessoas reais, de carne e osso. As doutrinas económicas, sejam quais forem, têm todas a sua importância relativa, mas não deixam de ser, todas elas, apenas doutrinas e nada mais do que isso.

Tudo o que é objectivo é composto por factos, e os factos estão interligados entre si (nexo causal). Por exemplo, é um facto que a economia portuguesa enfraqueceu com a entrada no Euro: aquilo que parece ser um aumento do PIB (depois da entrada no Euro) é apenas um inflacionamento dos números decorrente da entrada do país em um sistema com uma moeda forte, por um lado, e por outro lado, resultado do endividamento sistémico do Estado. E a economia portuguesa enfraqueceu porque a indústria de mão-de-obra intensiva, que predominava na década de 1990, quase desapareceu e não foi substituída por outro tipo de indústria com alta produtividade — e daí o Estado português ter-se endividado, ano após ano na década de 2000, para assim evitar uma recessão económica que causaria escândalo entre os portugueses.

Ou seja, o endividamento do Estado português foi a “muleta” de uma opção política e monetária que consistiu em adiar a resolução dos problemas reais da economia portuguesa para as calendas (“empurrar para a frente, com a barriga”).

(more…)

A bovinotecnia do João Miranda

Filed under: Coelhismo — O. Braga @ 4:30 am
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O bovinotécnico João Miranda justifica assim a baixa da taxa de desemprego:

“Não é o crescimento que causa a baixa do desemprego, é a baixa do preço do trabalho que torna a economia mais competitiva e causa crescimento e baixa o desemprego.”

bovinotecniaEm apenas um ano, mais de 100.000 portugueses emigraram para trabalhar lá fora. Ora, cem mil trabalhadores são cerca de 2% da população activa portuguesa.

E se a taxa de desemprego baixou algumas décimas percentuais, concluímos que não só que a taxa de desemprego real não baixou, como aumentou alguma coisa. Ou seja, nem com a baixa do preço do trabalho — que existe em casos de novos postos de trabalho que estão muito longe de ser a norma — podemos falar em aumento do emprego em Portugal.

Em suma: baixou a taxa de desemprego nominal mas não aumentou o emprego real.

Mais uma vez: ¿quem é que paga ao João Miranda para escrever "aquilo"?

(*) A bovinotecnia é a arte de tratar do "gado" de uma forma tal que se consiga fazer crer aos "bovinos" que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.

Segunda-feira, 14 Outubro 2013

A bovinotecnia neoliberal do partido de Passos Coelho já entrou em desespero

Párem os relógios, desliguem os telefones,
Não deixem o cão ladrar ao ver os ossos,
Mantenham os pianos fechados e batam tambores,
Tragam o caixão, e a segui-lo o cortejo fúnebre.

Que o avião circule sobre nós em sinal de luto
escrevendo com fumo no céu: Ele morreu.
Enfeitem com laços as pombas da cidade
E aos policias de trânsito ponham luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste.
A minha semana de trabalho, a minha folga de Domingo.
O meu dia, a minha noite, a minha conversa, a minha canção:

E pensei que o amor ia durar para sempre.

E agora as estrelas não são precisas: apaguem-nas todas:
Embrulhem a Lua e apaguem o Sol;
Esvaziem o oceano e varram o bosque
Porque perderam a utilidade.

W. H. Auden, “Blues para um Funeral”


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

(Luís de Camões)

  • “Este governo” e Paulo Portas são responsáveis; e Passos Coelho não tem nada a ver com “este governo”: pelo contrário!, Passos Coelho é vítima “deste governo” e de Paulo Portas.

  • O nome de Passos Coelho é mencionado, naquela merda, uma só vez.

  • O Tribunal Constitucional faz uma análise subjectiva da Constituição. As leis são subjectivas. A Constituição é subjectiva. A culpa, para além de ser de Paulo Portas e deste governo — mas não de Passos Coelho! —, também é da Constituição que não deveria existir porque é subjectiva, por um lado, e por outro lado, é do Tribunal Constitucional que interpreta subjectivamente a Constituição subjectiva.

  • O programa da Troika é inegociável e não admite excepção. É comer e calar. E por isso, não podem existir alternativas. Enquanto que em Portugal se exige a redução do défice em dois anos para os 3%, em outros países da União Europeia — por exemplo, Espanha, Itália, Bélgica, etc. — já não se aplica o mesmo critério. ¿E de quem é a culpa? Do Tribunal Constitucional!, pois claro!; e da Constituição subjectiva.

  • O programa da Troika é inegociável. E os contratos das PPP (Parcerias Público-privadas) também são inegociáveis. Os cortes nas pensões de reforma a partir dos 300 Euros terão que ser feitos porque as PPP (Parcerias Público-privadas) são inegociáveis e o programa da Troika também.

  • Eu escrevo segundo o Acordo Ortográfico. Estou dentro das normazinhas. Sou da Direitinha politicamente correcta.

  • “Saber fazer contas” é sempre ceder nas negociações de qualquer negócio. Por exemplo, um empresário que “saiba fazer contas” nunca regateia o preço da venda, e dá sempre uma maior margem de lucro ao cliente.

  • Um segundo “resgate” da Troika é sempre pior do que a Troika pretende agora com este primeiro “resgate” — porque o segundo “resgate” vai ser de cortes abruptos, enquanto este “resgate” vai no mesmo sentido, embora mais anestesiado (enfia o bisturi, e passa o anestesiante; enfia mais o bisturi, e passa o anestesiante; e assim sempre, até ser cadáver).
  • Por isso, este “resgate” é melhor do que o segundo “resgate”, porque este “resgate” não chateia a nossa presença no Euro, enquanto que o segundo “resgate” pode chamar a atenção dos portugueses para o problema do Euro. Ora, eu, que sou da Direitinha coelhista politicamente correcta, defendo o Euro e a Banca. Os portugueses que comam erva!

     

     

    (*) A bovinotecnia é a arte de tratar do “gado” de uma forma tal que se consiga fazer crer aos “bovinos” que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.

Segunda-feira, 7 Outubro 2013

Os nanóides morais do Partido Social Democrata

 

O governo prepara-se para cortar nas pensões de sobrevivência dos idosos e viúvos, para economizar 100 milhões de euros por ano. Compreende-se. Afinal, o estado já não tem mais por onde reduzir a sua despesa, e precisa de gerir parcimoniosamente todos os seus escassos recursos, a fim de manter os seus serviços sociais básicos, sem os quais não cumprirá as suas funções sociais mais elementares.”

Em primeiro lugar, “Estado” escreve-se com maiúscula — porque, de outro modo, não poderíamos saber o estado a que o Estado chegou…!

Em segundo lugar, esta posição dos blasfemos é ainda pior do que a do Bloco de Esquerda, porque o Estado gasta com abortos cerca de 100 milhões de Euros por ano.

Ao menos, o Bloco de Esquerda é coerente: "não há cortes para ninguém!". Em contraponto, os blasfemos do PSD do Pernalonga defendem cortes para as reformas em 100 milhões de Euros, mas não colocam nem sequer a hipótese de quem aborta pagar o seu abortozinho…

Por isso é que este Partido Social Democrata de Passos Coelho (e dos blasfemos) é muito mais perigoso do que a esquerda radical — porque dá uma no cravo e outra na ferradura, esconde-se por detrás de uma incoerência ética total, são uma espécie de nanóides morais.

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