perspectivas

Segunda-feira, 14 Outubro 2013

A bovinotecnia neoliberal do partido de Passos Coelho já entrou em desespero

Párem os relógios, desliguem os telefones,
Não deixem o cão ladrar ao ver os ossos,
Mantenham os pianos fechados e batam tambores,
Tragam o caixão, e a segui-lo o cortejo fúnebre.

Que o avião circule sobre nós em sinal de luto
escrevendo com fumo no céu: Ele morreu.
Enfeitem com laços as pombas da cidade
E aos policias de trânsito ponham luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste.
A minha semana de trabalho, a minha folga de Domingo.
O meu dia, a minha noite, a minha conversa, a minha canção:

E pensei que o amor ia durar para sempre.

E agora as estrelas não são precisas: apaguem-nas todas:
Embrulhem a Lua e apaguem o Sol;
Esvaziem o oceano e varram o bosque
Porque perderam a utilidade.

W. H. Auden, “Blues para um Funeral”


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

(Luís de Camões)

  • “Este governo” e Paulo Portas são responsáveis; e Passos Coelho não tem nada a ver com “este governo”: pelo contrário!, Passos Coelho é vítima “deste governo” e de Paulo Portas.

  • O nome de Passos Coelho é mencionado, naquela merda, uma só vez.

  • O Tribunal Constitucional faz uma análise subjectiva da Constituição. As leis são subjectivas. A Constituição é subjectiva. A culpa, para além de ser de Paulo Portas e deste governo — mas não de Passos Coelho! —, também é da Constituição que não deveria existir porque é subjectiva, por um lado, e por outro lado, é do Tribunal Constitucional que interpreta subjectivamente a Constituição subjectiva.

  • O programa da Troika é inegociável e não admite excepção. É comer e calar. E por isso, não podem existir alternativas. Enquanto que em Portugal se exige a redução do défice em dois anos para os 3%, em outros países da União Europeia — por exemplo, Espanha, Itália, Bélgica, etc. — já não se aplica o mesmo critério. ¿E de quem é a culpa? Do Tribunal Constitucional!, pois claro!; e da Constituição subjectiva.

  • O programa da Troika é inegociável. E os contratos das PPP (Parcerias Público-privadas) também são inegociáveis. Os cortes nas pensões de reforma a partir dos 300 Euros terão que ser feitos porque as PPP (Parcerias Público-privadas) são inegociáveis e o programa da Troika também.

  • Eu escrevo segundo o Acordo Ortográfico. Estou dentro das normazinhas. Sou da Direitinha politicamente correcta.

  • “Saber fazer contas” é sempre ceder nas negociações de qualquer negócio. Por exemplo, um empresário que “saiba fazer contas” nunca regateia o preço da venda, e dá sempre uma maior margem de lucro ao cliente.

  • Um segundo “resgate” da Troika é sempre pior do que a Troika pretende agora com este primeiro “resgate” — porque o segundo “resgate” vai ser de cortes abruptos, enquanto este “resgate” vai no mesmo sentido, embora mais anestesiado (enfia o bisturi, e passa o anestesiante; enfia mais o bisturi, e passa o anestesiante; e assim sempre, até ser cadáver).
  • Por isso, este “resgate” é melhor do que o segundo “resgate”, porque este “resgate” não chateia a nossa presença no Euro, enquanto que o segundo “resgate” pode chamar a atenção dos portugueses para o problema do Euro. Ora, eu, que sou da Direitinha coelhista politicamente correcta, defendo o Euro e a Banca. Os portugueses que comam erva!

     

     

    (*) A bovinotecnia é a arte de tratar do “gado” de uma forma tal que se consiga fazer crer aos “bovinos” que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.

Terça-feira, 18 Junho 2013

Em política, não há santos e pecadores

O maniqueísmo político, que divide a sociedade em grupos bons e outros maus, é uma herança do marxismo que é utilizada inconscientemente mesmo por aqueles que dizem combater o marxismo , como é o caso de uma certa Direita actual.

Ainda no século XIX, antes de Karl Marx recolocar o maniqueísmo gnóstico da Antiguidade Tardia na agenda política e apesar do radicalismo jacobino da revolução francesa, nas discussões políticas era normal não haver nem santos nem pecadores, e tão somente pontos de vista diferentes. Não existiam negações ontológicas dos adversários políticos, nem se pensava que por causa da diferença de opinião o adversário deveria deixar de existir.

Hoje, os nossos adversários políticos são sempre “sujinhos sujinhos”, seja à esquerda ou à direita. Nós somos sempre os bons e os outros são sempre os maus e independentemente do valor das ideias em discussão: Marcuse chamou a isso “tolerância repressiva” e o seu conceito já tomou conta de uma certa direita.

Eu não sei quem está a “usar os alunos como reféns”: se os professores fazendo greve aos exames, se o governo anunciando despedimentos de professores em vésperas de exames. Se esta greve dos professores é “sujinha, sujinha”, este governo é “porquinho, porquinho”. Os sindicatos estão à altura moral deste governo imoral.

Domingo, 26 Agosto 2012

A lógica neoliberal: um erro justifica sempre outro erro

A leitura deste texto do CAA causa-me quase tantas náuseas quanto um qualquer texto de um dirigente do Bloco de Esquerda sobre o mesmo assunto. O espírito é idêntico: dispara para todos os lados e mistura batatas e brócolos.

A lógica neoliberal é esta: se a RTP deu prejuízos no passado, então não há como reformar a RTP: antes, há que privatizar o negócio. Desta forma se justifica o erro do passado, e até podemos legitimamente pensar que a gestão danosa do passado, a que o Partido Social Democrata não esteve alheio, foi propositada: fez-se com que a RTP tivesse prejuízos acumulados para agora se poder justificar a sua privatização. É assim que os revolucionários de esquerda e de direita “constroem” o futuro através de uma política de terra queimada no passado.

Um neoliberal, como é o caso do CAA, não consegue distinguir “política cultural” de “política da cultura”; e um militante do Bloco de Esquerda, também não. São parecidos. Tanto para um, como para outro, só existe “política cultural”. Mas a verdade é que existe uma coisa diferente de “política cultural”: é a “política da cultura” que envolve, por exemplo, a política da língua.

Uma coisa seria privatizar um canal da RTP; outra coisa bem diferente é privatizar tudo em nome do dogma neoliberal. Este governo já começa a cansar.

Domingo, 6 Novembro 2011

O governo de Passos Coelho instituiu um PREC de sinal contrário

(more…)

Segunda-feira, 31 Outubro 2011

A ditadura fiscal de Passos Coelho

Filed under: Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 9:02 am
Tags: , ,

Segundo ouvi hoje na rádio, o governo de Passos Coelho — mais conhecido por “Pernalonga” — pretende estabelecer, por lei, a obrigatoriedade de o cidadão comum pedir recibo de qualquer compra que faça. Ora isto vai contra os princípios da liberdade individual, uma vez que o consumidor não pode ser responsabilizado pelas eventuais vigarices ou má-fé de quem lucra com o negócio da venda — ou seja, o comerciante.

O Pernalonga e o seu governo, assim como a maioria parlamentar deste PSD do Pernalonga, aproveitam-se da actual situação excepcional do país para instituir ilegítima e ilegalmente uma espécie de estado-de-sítio, violando princípios do Estado de Direito e as liberdades fundamentais do cidadão. O Pernalonga parte do princípio segundo o qual o acordo com o BCE/FMI lhe dá legitimidade não só para subverter a Constituição, mas principalmente para fazer tábua rasa da liberdade individual em nome da necessidade de uma ditadura fiscal.

Quinta-feira, 27 Outubro 2011

Um exemplo da irracionalidade do governo de Passos Coelho e de Paulo Portas

Os portugueses TODOS vão continuar a gastar 100 milhões de Euros/ano com abortos gratuitos em hospitais públicos, ao mesmo tempo que, por exemplo, os reformados com pensões mais baixas vêem as suas reformas congeladas e mesmo cortadas; ou que as despesas com a educação das nossas crianças sofrem cortes orçamentais drásticos; etc.

Qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe imediatamente que isto não faz sentido. O absurdo é auto-evidente. Mas o que podemos esperar do CDS/PP liderado por um simpatizante gayzista, e de um Partido Social Democrata liderado por um radical ideológico hayekiano/neoliberal? O absurdo, evidentemente !

Domingo, 1 Maio 2011

Cada cavadela, cada minhoca…



Adenda: Afinal parece que se trata de um lapsus linguae

Terça-feira, 26 Abril 2011

Mais dois tiros no pé do PSD do Pernalonga

O primeiro tiro no pé do PSD do Pernalonga foi a interpretação do discurso de ontem do presidente da república.
(more…)

%d bloggers like this: