perspectivas

Domingo, 13 Abril 2014

A imagem de Passos Coelho na opinião pública

Filed under: Passos Coelho — orlando braga @ 8:20 am

 

governo_de_assalto

Respigado no FaceBook

O Estado Social e a contradição do Vasco Pulido Valente

 

Para evitar mal-entendidos, convém dizer, desde já, que não sou a favor do Estado Social no sentido definido, já no século XVIII, por Kant na sua crítica ao Camaralismo (por favor, ler: Kant contra Wohlfahrtsstaat).

Este texto de Vasco Pulido Valente é tão lunático como é lunática a defesa actual do Wohlfahrtsstaat — porque o Estado Social é o Wohlfahrtsstaat do tempo de Kant, embora actualizado.

vpvÉ inconcebível que o Vasco Pulido Valente pense que uma pessoa pobre não possa ter, de jure, qualquer possibilidade financeira de ser operado à apendicite, por exemplo; pelo menos eu penso que ele não pensa que um pobre, por ser pobre, deve sofrer uma espécie de “eutanásia lenta”… é preciso ter cuidado com os paradigmas mentais e reais (a Indonésia, por exemplo, não deve ser um paradigma real, nem a ucronia do retorno histórico deve ser um paradigma mental).

Portanto, o Estado Social deve ser entendido, na sua essência, conforme a crítica que Kant fez ao Wohlfahrtsstaat. Afirmar que “ a recusa do Estado Social significa a negação do direito do cidadão à assistência médica e hospitalar”, só pode vir de uma pessoa em estado de delirium tremens.

Se lermos o texto do Vasco Pulido Valente até ao fim, ele fala na família. ¿E o que diz ele?

“A família, que ajudava e completava a escola, está frágil ou, para efeitos práticos, desapareceu, e a escola teve de a substituir. O peso financeiro disto aumentou de ano para ano, de dia para dia, e não se prevê que alguma vez venha a diminuir.”

Ou seja, o texto do Vasco Pulido Valente é auto-contraditório e aponta para o absurdo: por um lado, pretende afirmar que “a assistência médica-hospitalar economicamente acessível aos cidadãos em geral é igual a Estado Social”, que ele diz que é insustentável; mas, por outro lado, ele reconhece um facto: a família tradicional, e mesmo a família natural, tendem a perder o valor simbólico que existia na nossa cultura antropológica e ainda há pouco tempo, se é que a destruição desse simbolismo não é já total e irreversível.

Ou seja, como não é possível ter “chuva no nabal e sol na eira”, o Vasco Pulido Valente infere que mais vale acabar com a chuva e com o sol. Que se impluda Portugal! O princípio do terceiro excluído parece não fazer parte do arquétipo mental do Vasco Pulido Valente.

Esta contradição do Vasco Pulido Valente reflecte uma contradição da União Europeia de que Portugal “apanha” por tabela.

Por um lado, temos as agendas políticas das engenharias sociais que tendem a transformar os Estados europeus em uma série de Wohlfahrtsstäte submetidas ao “directório europeu” liderado pela Alemanha. Por isso é que o Tribunal Europeu dos “Direitos Humanos” impõe aos Estados da União Europeia o “casamento” gay, a adopção de crianças por pares de invertidos, etc., destruindo os símbolos culturais desses países. Eu não ouvi o Vasco Pulido Valente falar quando o José Sócrates legalizou o “casamento” gay sem consulta popular: andou caladinho que nem um rato.

Por outro lado, e em contraponto à política das engenharias sociais, a União Europeia impõe um princípio de libertarismo económico que tende a reduzir o Estado à condição de “Estado exíguo”, nas palavras do professor Adriano Moreira.

Ora, não é possível termos as engenharias sociais (impostas pela União Europeia) e, simultaneamente, o libertarismo económico do “Estado mínimo” (também impostas pela União Europeia). Não é possível termos “sol na eira e chuva no nabal”. Esta contradição da União Europeia é também a contradição do Vasco Pulido Valente e de quase toda a “Direita” portuguesa. No meio disto tudo, só a Esquerda é coerente: defende as engenharias sociais e o Estado de Wohlfahrtsstaat devidamente actualizado.

Em suma, para que a crítica de Vasco Pulido Valente fosse coerente e eficaz, ele teria que, em primeiro lugar, fazer a crítica à agenda da política correcta das engenharias sociais. Mas isso ele não faz, porque ele não é tolo!: não há nada que lhe possa tirar o regalo de um bom vinho, um saboroso conduto e, depois do repasto, um charuto cubano! E viva o Passos Coelho!

Ficheiro PDF do texto de VPV

Sábado, 12 Abril 2014

A contraproducente Assunção Esteves

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — orlando braga @ 7:48 am
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james-bond-webA recusa de Assunção Esteves — leia-se, Partido Social Democrata + CDS/PP — em convidar os “Militares de Abril” a participar nas comemorações do próximo 25 de Abril revela a miopia política de quem nos governa: a recusa do convite é contraproducente, porque estão (o PSD+CDS) a dar uma importância excessiva a um facto político que existirá de qualquer modo — ou seja, não é porque o convite não seja feito que o facto político da intervenção dos militares nas comemorações do 25 de Abril desaparece da cena política: pelo contrário!, a recusa da Assunção criou já um facto político ainda maior do que se tivesse sido feito o convite!

Há um ditado chinês que diz, mais ou menos isto: “mantém os teus inimigos próximos de ti para que possas controlá-los de uma forma mais eficaz”. Não perceber isto revela a burrice da Assunção Esteves e de quem manda nela (Passos Coelho). Estamos entregues a burros; mas burros que têm um ego do tamanho do universo e julgam-se o supra-sumo da perspicácia política.

Repare bem, caro leitor: Passos Coelho é o político mais burro que tivemos depois do 25 de Abril de 1974: consegue ser mais burro do que o General Vasco Gonçalves! Mas quem o vir, à primeira vista e naquela pose fatela de James Bond do bairro da Amadora, cai no conto do vigário.

Terça-feira, 8 Abril 2014

O P.S.D de Passos Coelho e a versão oficiosa acerca do salário mínimo

Filed under: Passos Coelho — orlando braga @ 7:49 am
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No tempo da URSS, o Partido Comunista dizia que esse país era o “sol do mundo”. Hoje, o Partido Social Democrata de Passos Coelho diz que a Alemanha de Angela Merkel é a “luz do universo”. Mas este Partido Social Democrata consegue ser mais merkeliano que a própria Angela Merkel — como os comunistas conseguem ser mais marxistas que o próprio Karl Marx: agora que a Alemanha já tem um salário mínimo nacional (de 8,50 Euros / Hora!), a bovinotecnia coelhista sai da lura para defender que não deve haver aumento do salário mínimo nacional. E vejamos os argumentos (o verbete foi apagado pelo seu autor, tamanho era o absurdo).

«Sátão, Aguiar da Beira, Sernancelhe, Fornos de Algodres, Paços de Ferreira, Lousada, Ourique, Góis, Mondim de Basto, Vimioso, Vila de Rei, Felgueiras, Vizela, Celorico da Beira, Boticas, Barrancos, Sousel, Vila Nova de Paiva, Cinfães, Alandroal, Fafe, São Pedro do Sul, Tábua, Vinhais, Marvão, Cabeceiras de Basto, Penamacor, Oleiros, Freixo de Espada à Cinta, Arronches, Sabugal, Ponte de Lima, Pampilhosa da Serra, Castro Daire, Mesão Frio, Almodôvar, Almeida, Sardoal, Alfândega da Fé, Moimenta da Beira, Crato, Meda, Valpaços, Armamar, Paredes de Coura, Alviázere e Santa Marta de Penaguião. São os municípios que, de acordo com números de 2011, têm diferença entre o salário mínimo nacional e a remuneração base média mensal superior a –160.

O Bloco quer um salário mínimo de 545€. Isto corresponde a um aumento superior a 12%. Nos municípios apontados significaria um aumento de desemprego verdadeiramente brutal: o efeito de um aumento de salário mínimo no município de Lisboa não é particularmente relevante para o desemprego mas, em regiões cujos salários médios estão perto do salário mínimo, significa uma destruição cega pelo centralismo socializante-controlador.»

os brioches da bovinotecnicaEste raciocínio tem diversas anormalidades, mas só me vou reter em algumas.

1/ defende a ideia segundo a qual deve existir em Portugal realidades estatutárias de cidadania conforme se vive em Lisboa ou na “província”. Ou seja, “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”. Deve haver um salário mínimo lisboeta e nenhum salário mínimo para a “paisagem”.

2/ defende a ideia segundo a qual uma empresa que não pode ou não quer pagar o salário mínimo deve continuar no mercado a competir com aquelas empresas que o pagam (de Lisboa ou não).

3/ defende a ideia segundo a qual um cidadão que trabalhe pode viver em Portugal com 300 Euros mensais.

4/ defende a ideia segundo a qual é legal pagar menos do que o salário mínimo.

5/ defende a ideia segundo a qual o ideal seria que uma pessoa trabalhasse sem receber qualquer salário, para que o desemprego fosse debelado. O problema da economia portuguesa está nos salários: se os portugueses ganharem menos do que os chineses, a economia salva-se.

Sexta-feira, 28 Março 2014

A pobreza parece voltar a ser uma “virtude”

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — orlando braga @ 12:43 pm
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«Uma das ideias circulantes deste tempo cruel sem “sensibilidade” é a descoberta pelos mentores do Primeiro-ministro, que lhe escreveram a moção ao Congresso, e pela actual versão da JSD, de um abstruso e enganador termo a que chamam “justiça geracional”.

O termo designa uma espécie de legitimação para atacar os rendimentos dos pais e dos avós em nome dos netos. Na verdade, os “jovens “ que o usam de modo lampeiro não estão preocupados com o seu futuro, mas com o seu presente.

Roma não paga a traidores, diz-se, mas Lisboa paga aos serviçais. Aliás seria interessante ver se a ideia de “justiça geracional” serve, por exemplo, para justificar que se subam consideravelmente as reformas daqueles que começaram a trabalhar aos dez, onze, doze, treze, catorze anos, idade em que muitos dos reformados de miséria tiveram que ir trabalhar. Então nesses casos, as gerações do presente não lhes devem nenhuma “justiça”?»

José Pacheco Pereira

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A sinificação de Portugal

 

«Substituir cortes “temporários” por cortes permanentes é um gigantesco passo na transformação da pobreza conjuntural (que é aquela que os defensores do governo apresentam como um efeito colateral do “ajustamento”) por uma pobreza estrutural (o corolário da tese do “vivemos acima das nossas posses”, logo temos que regressar ao lugar virtuoso da nossa pobreza original).

O tempo é o grande construtor dessa pobreza estrutural, cada dia que passa, é um novo plano de austeridade. Transformar os cortes em permanentes remete para uma ideia sobre os portugueses, a sociedade e o estado, que vai muito para além de um “estado de emergência” gerado pela bancarrota de há dois anos.

Para além disso, permanente, ou seja para sempre, mostra a vontade de “empacotar” num armário recôndito, num gueto, ou num caixão, com o menor custo e o mais depressa possível, a geração presente que “não presta”, não é competitiva e esperar pelo desabrochar de uma nova geração empreendedora, inovadora, não-piegas, que despreza os direitos (dos outros), e que está à espera desta “justiça geracional”, com uma pequena ajuda dos que mandam.»

José Pacheco Pereira

liderança e igualdade web

Nota
1. Sinificação é a transformação social e económica de uma sociedade, de uma nação ou de um grupo de nações segundo o modelo burocrático e fascista chinês, em que coexiste o capitalismo privado de monopólio, por um lado, e por outro lado a coordenação da economia por parte de políticos e burocratas.

Isto é apenas o princípio do abuso sistemático dos CTT privatizados

Filed under: Passos Coelho — orlando braga @ 11:47 am
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«Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa diz que a actualização do tarifário terá efeitos a partir de 7 de Abril e enquadra-se no “Convénio de Preços assinado entre os CTT e o regulador, reflectindo não só a queda de tráfego” em 2013, mas também o aumento dos “custos operacionais com combustíveis e transportes”.»

Preços dos CTT vão aumentar 2,6%

Em Portugal, a “queda de tráfego” — ou seja a diminuição do consumo de um determinado produto ou serviço autóctone — justifica sempre um aumento de preços. Mas em qualquer país racional, deveria acontecer o contrário disto.

Em tempo de crise aguda — em Portugal — praticamente nunca existe deflação, a não ser de alguns produtos importados. A tradição portuguesa impõe que os preços dos produtos e serviços autóctones aumentem em tempo de crise económica, mesmo que de forma ligeira e residual.

Portugal é talvez o único país da Europa em que quanto menos um produto é consumido ou um serviço é utilizado, mais aumenta o preço desse produto e/ou desse serviço. Portugal funciona endemicamente “anti-mercado”, devido a uma histórica protecção do Estado aos monopólios privados. E quando não existem monopólios privados, o Estado protege sempre e invariavelmente a cartelização dos preços.

Por isso é que eu fui contra a privatização dos CTT (e desde sempre, contra Passos Coelho!) 1, contra a privatização da água, da TAP, da REN, e mesmo da EDP: entre ter monopólios privados, por um lado, e monopólios do Estado, por outro lado, prefiro os segundos, porque estes pelo menos podemos controlar mesmo que remota- e indirectamente através do voto.

Nota
1. Eu fui convidado para ser militante do PSD. Quando soube que era o Passos Coelho que ia para o “poleiro”, recusei o convite.

Segunda-feira, 24 Março 2014

Outra filha-da-putice do blogue Blasfémias

Filed under: Passos Coelho — orlando braga @ 6:18 pm
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amigo da onçaEsta merda escrita no blogue Blasfémias (ver imagem) revela bem o que está por detrás do Partido Social Democrata de Passos Coelho. Não se trata só de cinismo: resvala já para a filha-da-putice. Ora, a obragem de uma filha-da-putice é obra do respectivo obrador que tem um adjectivo próprio bem conhecido no vernáculo da língua portuguesa.

A reportagem jornalística acerca da realidade da dificuldade dos 5 Euros para pagar o serviço de transporte de bombeiros incomoda aos obreiros da actual filha-da-putice portuguesa, encarnada neste Partido Social Democrata de Passos Coelho.

Hão-de morrer como os grilos: com os cornos espetados no chão e de cu para o ar.

Passos Coelho é um irresponsável

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — orlando braga @ 4:58 pm

 

Duas notícias de hoje (cliquem nas respectivas imagens para as ler):

privação material severa web

passos quer mais cortes web

¿Será Passos Coelho acha que 10% da população em situação de severa miséria material, não chega? O que é que ele pretende? 20% ? 40% da população portuguesa a pão e sopinha? Será que a miséria, na opinião de Passos Coelho, é sinal de virtude?

Passos Coelho não é só um irresponsável!: é uma pessoa muito perigosa!

Domingo, 23 Março 2014

O Cortador de Profissão

Filed under: Passos Coelho — orlando braga @ 9:09 am

 

Chamo-me Passos Coelho,
Cortador de profissão,
Corto ao jovem, corto ao velho,
Corto salário e pensão.
Corto subsídios, reformas,
Corto na Saúde e na Educação.
Corto regras, leis e normas
E cago na Constituição.


Corto ao escorreito e ao torto,
Fecho Repartições, Tribunais…
Corto bem-estar e conforto,
Corto aos filhos, corto aos pais,
Corto ao público e ao privado,
Aos independentes e liberais.

Mas é aos agentes do Estado
Que gosto de cortar mais:
Corto regalias, corto segurança,
Corto direitos conquistados,
Corto expectativas, esperança,
Dias Santos e feriados.

Corto ao polícia, ao bombeiro,
Ao professor, ao soldado;
Corto ao médico, ao enfermeiro,
Corto ao desempregado.
No corte sou viciado:
A cortar sou campeão.
Mas na gordura do Estado?
Descansem, não corto, não!.
Eu corto
a Bem da Nação.

passos cortador de profissao web

Sexta-feira, 21 Março 2014

O governo de Passos Coelho tem que sair

Filed under: Passos Coelho — orlando braga @ 12:24 pm

 

  1. Do ponto de vista da ética, da cultura antropológica e dos costumes, os actuais deputados do Partido Social Democrata são semelhantes aos do Partido Socialista; neste aspecto, tanto faz votar Partido Socialista como Partido Social Democrata.
  2. Do ponto de vista da concepção da cidadania e da economia, o governo de Passos Coelho segue a Escola de Chicago (neoliberalismo): os interesses nacionais são considerados irrelevantes.

Ou seja: não há vantagens objectivas em votar no Partido Social Democrata: é igual ao Partido Socialista nos costumes e na cultura, e pior do que este na concepção da cidadania.

o Kapo

Quinta-feira, 20 Março 2014

A esquizofrenia política da governança de Passos Coelho

 

Albuquerque portugal niveis salariais 2011 webbancos recusaram renegociar emprstimos web

Estas duas imagens acima (clique nelas para ler as notícias) são eloquentes e falam por si: revelam a filha-da-putice do regime coelhista. Se as pessoas auferiam um determinado nível salarial e assumiram compromissos com a Banca na compra de habitação própria, a ministra das finanças vem agora dizer que “O problema não é meu! Desenrasquem-se! Debaixo da ponte também se dorme!”

Um governo não serve apenas fazer correcções orçamentais ou para reduzir o défice. Um governo existe em função das pessoas, dos cidadãos. Para fazer o que a ministra das finanças está a fazer, bastaria um qualquer contabilista. Ora, não é um qualquer contabilista que pode ser ministro das finanças de um país — a não ser que estejamos já em uma ditadura e não nos tenhamos dado conta.

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