perspectivas

Domingo, 12 Julho 2015

Para o esquerdalho, as aparências são certezas

Filed under: A vida custa,Passos Coelho — O. Braga @ 8:08 pm

 

Nunca simpatizei com Angela Merkel, mas é impossível não lhe dar razão perante a acção do ‪Syriza‬ na Grécia. De modo semelhante, sempre critiquei aqui Passos Coelho, mas a Esquerda tem o condão de nos fazer tolerar o que à partida nos pareceria intolerável.

“Uma fotografia de Laura Ferreira levantou celeuma. Não é a alopécia iatrogénica que me levanta qualquer questão, antes saber com que estatuto alguém que é cônjuge de um Primeiro Ministro do meu país integra a comitiva de uma visita oficial e já agora, tendo em conta esta tão importante medida de 2011, às expensas de quem.”

Com ou sem alopécia, de direita ou de esquerda

Repare-se como o esquerdalho parte do princípio indubitável de que a esposa do primeiro-ministro viajou a expensas do Estado: é uma verdade adquirida e assumida como princípio. E mais: é assumido que a esposa do primeiro-ministro viajou em primeira classe  — como se a criatura delatora estivesse dentro do avião e testemunhasse tudo.

Qualquer pessoa com dois dedos de testa — mesmo que não saiba o que significa “alopécia iatrogénica” — usaria de maior prudência no juízo. Por exemplo, faria uma pergunta, e não uma afirmação. A Esquerda constrói certezas a partir de aparências, e quando as aparências não coincidem com os factos, desancam desalmadamente na realidade. 

Sexta-feira, 12 Junho 2015

A má consciência de quem sabe que defende o fim da TAP

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 6:13 am
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A lógica permite chegar a uma conclusão errada com total confiança: quando a estupidez é uma explicação suficiente, não há necessidade de qualquer outra. A idiotice é a mais estranha das doenças: o doente nunca sofre, e quem aguenta tudo são os outros; e temos um governo idiota.

Disse-me um dia atrasado um homem do povo: “os outros (os socialistas) eram ladrões; estes (Passos Coelho e comandita) são burros”. Mas “os estúpidos são os outros”, como soe aos burros dizer.

Toda a gente sabe — o povo não é estúpido tanto quanto se pensa! — que a TAP é já um cadáver adiado. Mas eles brandem “os amanhãs que cantam” à moda do Partido Comunista: “o sol brilhará, o dia radioso virá, a TAP vai ter isto e aquilo”; têm a certeza do futuro. É esta gente que critica o Partido Comunista: eles são iguaizinhos aos comunas, embora com uma segunda realidade nos antípodas.

É bom que o Ministério Público se mantenha atento a esta pressa de vender a TAP a patacos. Não chega que a União Europeia aprove a venda de Portugal: tem que ser os portugueses a aceitar explicitamente vendê-lo.

Quinta-feira, 11 Junho 2015

TAP: o Estado recebe “piners”

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 7:44 pm
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O Estado vendeu a TAP e recebe “piners”. Com negócios destes, mais vale fechar de vez o país.

pppsPassos Coelho vai perder as eleições, e com jeitinho vai fazer companhia ao preso 44; este negócio da TAP cheira a corrupção que tresanda.

Outro negócio fechado por Passos Coelho é o da redução das pensões de reforma:

“O povo português é sempre tão benigno e sempre tão imbecil que nem sequer se apercebe de que o governo anunciou mais um corte de seiscentos milhões de euros nas pensões e reformas, incluindo o mesmo num plano que entregou em Bruxelas.”

Foi esta semana atormentada por fait divers que demonstram a verdadeira idiotia do povo português.

Entretanto:

600 mil idosos com fome ou mal alimentados:

“30,7% dos mais velhos têm baixo peso e são poucos os que tomam suplementos.”

A dita “Direita” entregou já o Poder de bandeja à Esquerda. O António Costa não precisa de fazer mais nada para ser primeiro-ministro.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

Reembolso do IRS, ou um governo que quer perder as eleições

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 4:32 pm
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O processo propositadamente demorado de reembolso do IRS, este ano, é mais uma acha para a fogueira da desgraça da coligação governamental nas próximas eleições.

Quinta-feira, 19 Fevereiro 2015

A União Europeia e a Branca de Neve

Filed under: Europa,Passos Coelho — O. Braga @ 11:26 am
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Na União Europeia da Branca de Neve, há sete anões. A Grécia do Syriza é o Ranhoso (“dengoso”, no Brasil); o Portugal de Passos Coelho é o Fanhoso (“soneca”, no Brasil). Claro que a Branca de Neve é a Angela Merkel. Quando o Ranhoso anda chateado com a Branca de Neve, o Fanhoso diz logo que “põia que nãum põde ser!”

Quando a Branca de Neve quer que o Ranhoso tenha um excedente orçamental de 1,5% (em relação ao PIB) em 2015,  3% em 2016 e 4,5% em 2016, para que possa pagar rapidamente a sua dívida aos credores alemães, o Ranhoso recusa porque tem cerca de 50% de desempregados jovens; mas o Fanhoso diz logo: “Õda-se!, pãece que é pãivo!”

ranhoso-fanhoso

Sexta-feira, 13 Fevereiro 2015

A Carta aos Gregos

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 11:32 am
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O problema da Carta aos Gregos é o de que implicitamente se tenta branquear o despesismo e a fuga sistémica ao fisco na Grécia anterior à  bancarrota. É como se tudo o que se passou antes de 2011 na Grécia nunca tivesse acontecido. Ora, não podemos ter razão em qualquer crítica a Passos Coelho quando fazemos de conta que a situação na Grécia (ou em Portugal) não se deveu a uma má governação anterior a 2011.

A Carta aos Gregos é um albergue espanhol.

Eu até concordo com algumas posições de Bagão Félix, mas não concordo de todo com os pressupostos ideológicos, por exemplo, de Francisco Louçã. E o facto de ambos assinarem a mesma Carta retira-lhe qualquer fundamentação metajurídica coerente — ou seja, é como se partíssemos do princípio de que essências diferentes pudessem produzir substâncias iguais.

Terça-feira, 23 Dezembro 2014

Os antolhos ideológicos do jornal “O Diabo”

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 9:32 am
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Qualquer português sabe que a privatização dos CTT (uma empresa pública que dava lucro!) deu na degradação dos serviços de correios, por um lado, e por outro  lado transformou um monopólio do Estado em um monopólio privado.

A maior contradição liberal que possamos conceber é a ideia de “monopólio privado”; um liberal (em economia) que defenda um monopólio privado não faz ideia do que seja o liberalismo económico. Por isso é que o Carlos Abreu Amorim acaba por ser mais coerente do que os liberais de pacotilha que por aí pululam.

Portanto, é evidente que os serviços de correio, prestados pelos CTT, estão hoje degradados, e ainda não passou um ano sobre a privatização. Por este andar, Portugal vai voltar aos correios da Idade Média.

O jornal “O Diabo” tenta justificar a opção ideológica do governo de Passos Coelho de privatizar a TAP (nos termos em que a quer privatizar) através da crítica à ideologia aos sindicatos. Ou seja: tu quoque.

É este tipo de irracionalidade, de ambas as partes (capital versus sindicatos), que tomou conta de Portugal desde 1974, e que impede que ambas as partes tenham argumentos sólidos e atitudes e acções úteis — porque aquilo que é útil pode não ser pragmático, e porque o pragmatismo não considera a verdade como um valor. O pragmatismo de Passos Coelho (tal como o pragmatismo dos sindicatos) também é ideológico e não se preocupa com a verdade.


Diz O Diabo:

“O argumento oficial dos grevistas é primário: a TAP não deveria ser entregue a privados porque a empresa representa um interesse estratégico nacional. De nada tem servido lembrar-lhes que não cabe aos sindicatos decidir o que é ou não é o interesse nacional e como este deve ou não deve ser defendido, pois não detêm qualquer prerrogativa legislativa ou executiva no regime democrático.

Essa decisão cabe aos deputados da Nação, legitimamente eleitos pelo povo, e ao Governo que desse Parlamento imana e periodicamente presta contas ao eleitorado.”

burro com oculos 300 webQuando Passos Coelho foi eleito com um programa eleitoral que depois virou (literalmente) do avesso, é estranho que se venha defender a “legitimidade dos deputados da Nação”.

Ou seja, os “deputados da Nação” podem defender uma coisa e o seu contrário, mas a opinião pública e as organizações da sociedade civil (como é o caso dos sindicatos: são organizações da sociedade civil) não podem ter qualquer opinião ou empreender quaisquer acções “em defesa da Nação”. Foi com posições destas que o Estado chegou a este estado.

Com o programa eleitoral apresentado por Passos Coelho em 2011, e com o qual ganhou as eleições, o presidente da república deveria ter convocado eleições antecipadas logo que possível — porque Passos Coelho foi eleito de forma legal mas não é um legítimo primeiro-ministro. Nem tudo o que é legal é legítimo. Não é legítimo enganar os portugueses, embora neste país seja legal.

Mas como o presidente da república é da mesma cor política do primeiro-ministro, tornou-se legítimo o que é de facto ilegítimo. Esta é uma das muitas razões por que o Chefe-de-estado deve ser o Rei.

Sexta-feira, 19 Dezembro 2014

A actual Direita portuguesa, no Poder, é revolucionária

 

o KapoUma característica da Esquerda é a de que não só respeita os mais velhos do seu grupo político, mas também aprende com a experiência deles. Por exemplo, vimos esse facto com o silêncio respeitoso da Esquerda em geral em relação às palavras escabrosas proferidas por Mário Soares quando foi visitar o seu (dele) amigo José Sócrates à prisão.

Já a Direita não segue o mesmo critério: a opinião dos mais velhos conta pouco.

Isto significa que é a actual Direita que é revolucionária, e que a Esquerda é conservadora — porque uma das características do conservadorismo é o respeito pela opinião, em princípio, mais experiente dos mais velhos.

Passos Coelho veio introduzir na política um espírito revolucionário que se opõe ao conservadorismo — a tal ponto que os prosélitos deste Partido Social Democrata de Passos Coelho (ou da ala de Paulo Portas do CDS/PP, o que vai dar no mesmo) tratam os seus compagnons de route mais velhos como “relapsos da revolução cultural”.

A actual Direita portuguesa, no Poder, é revolucionária.

passos-coelho-wrong-way-webA greve na TAP não tem justificação. Mas a teimosia do governo de Passos Coelho em não querer dialogar com os sindicatos também não tem justificação. Há três hipóteses em relação à privatização da TAP, a ver:

1/ uma questão puramente ideológica, da parte de Passos Coelho. Ele vê o mundo de certa forma, e essa mundividência é transformada em dogma: coloca uns antolhos e segue sempre em frente.

2/ a TAP não tem qualquer possibilidade de sobrevivência se não for privatizada a 100%. Esta hipótese já provou ser falsa, e por isso não passa de retórica de baixo coturno vinda do governo de Passos Coelho.

3/ há interesses obscuros, não só da parte do Passos Coelho, mas também de outros píncaros da actual coligação, que consiste em participação em negócio, tráfico de influências, corrupção e possível branqueamento de capitais.

Eu inclino-me mais para a terceira hipótese. Depois da TAP privatizada com dolo para os interesses de Portugal, vamos ver o Passos Coelho — e outros da actual elite política da Direita — na prisão de Évora a fazer companhia a José Sócrates.

E a democracia é isto.

Sábado, 13 Dezembro 2014

Aquilo que o socialista António Costa não diz em público

 

1/ a política económica e financeira de um possível governo socialista liderado por António Costa não será certamente diferente da do actual governo de Passos Coelho. A Alemanha não deixa. O António Costa, assim como o François Hollande, fará aquilo que Angela Merkel mandar.

As “reformas” de António Costa serão na área da cultura fracturante, tal como fez o amigo dele José Sócrates.

2/ a legalização da eutanásia será uma “reforma” de António Costa.

3/ a procriação medicamente assistida — que gera os novos filhos de pai incógnito — para toda a gente e sem qualquer controlo, será outra “reforma” de António Costa.

4/ a adopção plena e sem quaisquer restrições de crianças por pares de invertidos.

5/ a legalização das “barrigas de aluguer” para pares de invertidos, ou seja, a normalização do comércio de crianças.

6/ proibição de uso de símbolos religiosos em locais públicos; esta será outra “reforma” de António Costa, que por exemplo incluirá a proibição ou restrição de exibição de presépios públicos na época natalícia.

Portanto, entre António Costa e Passos Coelho, prefiro o mal menor: prefiro Passos Coelho — porque a política económica será a mesma!

Sobre a privatização da TAP

Filed under: Europa,Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 7:24 am
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O IV ReichPassos Coelho acredita que a TAP pode ser privatizada e continuar a ser uma companhia aérea de “bandeira” nacional. Eu penso que ele, ou é burro, ou é ingénuo. Ou então é maquiavélico, tal como o seu antecessor José Sócrates — espero que Passos Coelho não acabe no banco dos réus.

Mais vale que Passos Coelho seja honesto para com os portugueses: “somos obrigados pela União Europeia (controlada pela Alemanha) a privatizar, e é certo que vamos perder a ‘companhia de bandeira’”.

Mas ser honesto, na política portuguesa, é sempre colocar em causa a União Europeia — e isso não convém. A União Europeia da Alemanha é sacrossanta: substitui hoje o Sacro Império Romano-Germânico.

Quarta-feira, 3 Dezembro 2014

Luís Mira Amaral e os talibãs ecológicos

 

Terça-feira, 18 Novembro 2014

O governo está a matar o mercado de arrendamento

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 12:38 pm
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O governo de Passos Coelho diz que tem dinamizado o mercado de arrendamento; mas com os impostos tão altos, qualquer pessoa com dois dedos de testa verifica que (se puder) mais vale não arrendar.

aluga-sePor exemplo, com uma renda de 500 Euros para um bom apartamento, 40% deste valor vai para o Estado — imposto IMI cada vez mais alto, imposto de selo de 10% de uma renda, IRS de 15% — e para as despesas de condomínio. Ou seja, o bom apartamento fica realmente alugado por 300 Euros.

Ora, quem não precisar de alugar, mais vale ter as suas casas fechadas. Ou então terá que aumentar os preços das rendas, e se o mercado não pagar, então, fecha-se o apartamento até aparecer alguém que pague o valor.

Este exemplo também se aplica a um apartamento mais modesto alugado com uma renda, por exemplo, de 250 Euros — uma vez que as despesas são proporcionais: 100 Euros vão para o Estado, o que significa uma renda líquida de 150 Euros !

Ou seja, o governo está a matar o mercado de arrendamento.

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