perspectivas

Segunda-feira, 12 Agosto 2019

Angela Merkel vai provar do seu próprio veneno

¿Quem não se lembra dos sorrisos amarelos de Passos Coelho, na presença da Troika?

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Foi esta subserviência formal em relação à Troika que me levou à crítica sistemática de Passos Coelho. O meu “problema” com o Passos Coelho não foi o de ele ter obedecido às ordens da Troika: em vez disso, foi a forma como ele obedeceu às ordens da Troika (“As árvores morrem de pé”).

merkel-and-schauble-web

coelho-merkel-x-300¿Quem não se lembra das exigências de Angela Merkel em relação à austeridade na economia portuguesa, e em nome da exigência de um Orçamento de Estado com um défice máximo de 3% do PIB?

¿Quem não se lembra do ministro das Finanças “manquinho” da Alemanha que infernizou a vida dos portugueses por causa do défice?

Pois bem, é agora a Esquerda alemã (o partido SPD, que faz parte do governo de coligação presidido por Angela Merkel) que defende um défice do Orçamento de Estado, um brutal aumento dos impostos, e um aumento da dívida do Estado alemãopara combater o Aquecimento Global!

Entretanto, a China está a construir novas centrais de produção de electricidade a carvão que, só em 2019, irão aumentar a produção chinesa de energia fóssil (a carvão) em 45GW.

Este aumento de produção de energia chinesa (à base de carvão e só em 2019) corresponde a 107% do total da produção de energia fóssil (carvão) da Alemanha.


O “combate ao Aquecimento Global” é a nova forma de promoção política e cultural do comunismo na Europa.

Quinta-feira, 26 Julho 2018

Ser liberal, hoje, é ser anti-liberal

Filed under: liberalismo,Nancy Fraser,Nuno Melo,Passos Coelho — O. Braga @ 7:03 am

 

O Nuno Melo pode ser comparado a José Pedro Aguiar-Branco : um homem que me pareceu ter boas ideias, mas que soçobrou pragmaticamente às pressões do sistema político vigente. Aguiar-Branco também tinha uma carreira política promissora em um PSD que nada tinha a ver com o actual de Rui Rio; mas o pragmatismo político prevaleceu talvez sobre as suas próprias ideias.

“O político nunca diz aquilo em que acredita, mas antes diz aquilo que julga ser eficaz.” — Nicolás Gómez Dávila

kapo-webAguiar-Branco parecia ser uma excepção à regra; mas, para não dizer aquilo em que acredita, ele remeteu-se ao silêncio de um governo caninamente subserviente a Angela Merkel.

O grande erro de Passos Coelho não foi o de instaurar uma política de austeridade (que era e ainda é necessária): o erro dele foi o de se apanascar em relação a Angela Merkel, e, com essa sua posição de amouco político, ou de Kapo de um Konzentrationslager, Passos Coelho representou o apanascamento da nação portuguesa. Ora, isto nunca lhe perdoo. Passos Coelho chegou ao ponto de menosprezar os portugueses reais (porque para ele, os portugueses pareciam ser uma entidade abstracta) em nome do apanascamento à ideologia imposta pela desequilibrada Angela Merkel.

A política de austeridade não implica necessariamente o apanascamento político.

A actual situação política no Ocidente é muito complexa, e por isso é absolutamente necessária uma simplificação das ideias, ou seja, é preciso ideologia. Infelizmente, isto já não vai com abstracções de intelectuais de urinol.

“Os portugueses sempre adoraram o concreto: entendem o abstracto, mas procuram traduzi-lo imediatamente em concreto.” — Agostinho da Silva

A complexidade da situação política ocidental pode ser resumida da seguinte forma: o conceito de Nancy Fraser de “Neoliberalismo Progressista” (de que falei aqui) é pertinente, faz todo o sentido.

Ou seja, verificamos que quase tudo o que a Esquerda radical (passo a redundância) defende (com excepção das premissas económicas), é imediatamente adoptado pelo chamado “liberalismo”.

É assim que uma certa “Direita” dita “liberal” (por exemplo, a de Rui Rio), que se manifesta muito na SIC do Bilderberger Pinto Balsemão, faz a apologia do partido Democrático dos Estados Unidos e apaparica sistematicamente o Obama e a Hillary Clinton, contra Donald Trump.

A diferença entre Rui Rio e a Catarina Martins é a de que o primeiro não acredita que a economia possa ser exclusivamente baseada em um capitalismo de Estado.

É apenas a economia que os separa. Em tudo o resto, embora não sejam idênticos, os dois são indiscerníveis. Por exemplo, na política cultural, não conseguimos distinguir Rui Rio de Catarina Martins.

A situação política portuguesa — e Ocidental — seria histriónica, se não fosse grave.

É neste contexto da indiscernibilidade cultural entre a Esquerda radical e os liberais, que surge o fenómeno político do chamado “populismo”, de Donald Trump, do Brexit, de Nigel Farage, de Geert Wilders, de Marine Le Pen, de Viktor Órban, da Polónia e da república Checa, de Matteo Salvini, etc.. Nancy Fraser tem razão neste aspecto.

A indiscernibilidade política entre a Esquerda radical e o liberalismo, manifesta-se, por exemplo, na política de fronteiras: é assim que (por exemplo) Angela Merkel ou Hillary Clinton, ou o bilionário liberal George Soros (e os neocons e liberais em geral), “concordam” com a Esquerda radical trotskista em relação a uma política permissiva de imigração.

Ser irracional é hoje uma condição política essencial. Ser irracional voltou a estar na moda. Quem não se mostra irracional não vinga no actual cenário político Ocidental.

O chamado “populismo” vem exactamente introduzir uma certa racionalidade no debate político — e por isso é que é imediatamente rechaçado, tanto pela Esquerda radical como pelos liberais. Se virmos, por exemplo, o canal de televisão da SICn, diremos que se trata de uma extensão me®diática do Bloco de Esquerda; aliás, toda a me®dia está tomada pela Esquerda, e com a bênção dos liberais. Neste contexto, a seguinte proposição de Nuno Melo foi considerada “fassista”:

“O espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos, mas estes devem respeitar as nossas leis, valores e costumes, de forma a não nos sentirmos sequestrados na nossa casa”.

Por exemplo, a liberal Angela Merkel não subscreveria esta proposição de Nuno Melo; a liberal Hillary Clinton diria, a propósito, que Nuno Melo é um herege — porque, como diz Nancy Fraser, o liberalismo entrou em competição com a Esquerda radical no sentido do controlo da política cultural. Ou seja, o liberalismo deixou de ser racional.

Hoje, ser liberal é não ter a mínima ideia da sociedade que se pretende construir; é emular a Esquerda nas políticas culturais, minando assim a estrutura metafísica, ética, cultural, política e económica da sociedade. Ser liberal, hoje, é imitar a sociopatia da Esquerda. Ser liberal, hoje, é ser anti-liberal.

Sexta-feira, 6 Abril 2018

Os CTT portugueses e ingleses

Filed under: Coelhismo,ctt,Passos Coelho — O. Braga @ 6:47 pm

Sábado, 2 Dezembro 2017

A galopinagem do galopim

 

Não é possível dissociar este texto do professor Galopim de Carvalho, por um lado, de uma série de textos do galopim escritos no passado (ver aqui e aqui), por outro lado. Aliás, o galopim não faz outra coisa senão galopinar, mesmo quando se dá a ares de intelectualóide de urinol e fala daquilo que não sabe.

Vivemos em um ambiente de mediocridade, em que se tecem loas a um vigarista para se legitimar a crítica a um incompetente.

Quem leu o que escrevi nos últimos anos (ver aqui) acerca de Passos Coelho, sabe que eu fui um feroz crítico do governo dele. Mas isso não significa que o António Costa seja melhor. Vivemos em um ambiente de mediocridade, em que se tecem loas a um vigarista para se legitimar a crítica a um incompetente.

O que nos surpreende, nos psicopatas, é a incapacidade de aprenderem com a experiência.

o-monhe-das-cobras-webO galopim  continua a galopinar  para o Partido Comunista da ex-União Soviética; não se deu conta de que a experiência nos demonstrou de que ele não tem razão. Como psicopata que é (por exemplo, através de uma mundividência cientificista e positivista radical), o galopim  segue uma ideologia  que se desliga da experiência — e tudo isto em nome da “ciência”!

O galopim pensa que o actual “ressurgimento da economia” (sic) apareceu como por obra do Espírito Santo: esta forma de ver a realidade é espelhada no conceito de Fé Metastática. Ou seja, parece que (a julgar pelo raciocínio do galopim) o “ressurgimento da economia” não tem nada a ver com a acção política do governo de Passos Coelho.

Eu não sei se o galopim é um romântico ou um estúpido — aliás, o positivismo é o romantismo transportado para a ciência —, quando ele vê em António Costa um redentor ou uma espécie de messias que nos veio salvar do “pesadelo de quatro longos anos” (sic).

O maniqueísmo da galopinagem do galopim marca a mentalidade de merda das “elites intelectuais” deste país. Não se pugna pela excelência, mas antes pela máquina política de angariação de votos. É esta uma das razões por que a democracia bateu no fundo.

A galopinagem do galopim esconde propositadamente um facto insofismável: a economia real portuguesa não se alterou em dois anos com passes de mágica do monhé das cobras.

A realidade da economia portuguesa não mudou em dois anos como que por milagre. É esta a razão por que o António Costa consegue ser mais nocivo para o país do que o Passos Coelho — porque o problema de Passos Coelho era a insensibilidade social e a submissão canina a Ângela Merkel, ao passo que o problema de António Costa é o populismo e a demagogia semelhantes aos praticados pelo camarada dele José Sócrates.

Por este caminho, não tarda muito temos aí a Troika outra vez; mas, quando isso acontecer, o galopim meterá a viola ao saco e irá galopinar para casa dele.

Domingo, 12 Julho 2015

Para o esquerdalho, as aparências são certezas

Filed under: A vida custa,Passos Coelho — O. Braga @ 8:08 pm

 

Nunca simpatizei com Angela Merkel, mas é impossível não lhe dar razão perante a acção do ‪Syriza‬ na Grécia. De modo semelhante, sempre critiquei aqui Passos Coelho, mas a Esquerda tem o condão de nos fazer tolerar o que à partida nos pareceria intolerável.

“Uma fotografia de Laura Ferreira levantou celeuma. Não é a alopécia iatrogénica que me levanta qualquer questão, antes saber com que estatuto alguém que é cônjuge de um Primeiro Ministro do meu país integra a comitiva de uma visita oficial e já agora, tendo em conta esta tão importante medida de 2011, às expensas de quem.”

Com ou sem alopécia, de direita ou de esquerda

Repare-se como o esquerdalho parte do princípio indubitável de que a esposa do primeiro-ministro viajou a expensas do Estado: é uma verdade adquirida e assumida como princípio. E mais: é assumido que a esposa do primeiro-ministro viajou em primeira classe  — como se a criatura delatora estivesse dentro do avião e testemunhasse tudo.

Qualquer pessoa com dois dedos de testa — mesmo que não saiba o que significa “alopécia iatrogénica” — usaria de maior prudência no juízo. Por exemplo, faria uma pergunta, e não uma afirmação. A Esquerda constrói certezas a partir de aparências, e quando as aparências não coincidem com os factos, desancam desalmadamente na realidade. 

Sexta-feira, 12 Junho 2015

A má consciência de quem sabe que defende o fim da TAP

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 6:13 am
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A lógica permite chegar a uma conclusão errada com total confiança: quando a estupidez é uma explicação suficiente, não há necessidade de qualquer outra. A idiotice é a mais estranha das doenças: o doente nunca sofre, e quem aguenta tudo são os outros; e temos um governo idiota.

Disse-me um dia atrasado um homem do povo: “os outros (os socialistas) eram ladrões; estes (Passos Coelho e comandita) são burros”. Mas “os estúpidos são os outros”, como soe aos burros dizer.

Toda a gente sabe — o povo não é estúpido tanto quanto se pensa! — que a TAP é já um cadáver adiado. Mas eles brandem “os amanhãs que cantam” à moda do Partido Comunista: “o sol brilhará, o dia radioso virá, a TAP vai ter isto e aquilo”; têm a certeza do futuro. É esta gente que critica o Partido Comunista: eles são iguaizinhos aos comunas, embora com uma segunda realidade nos antípodas.

É bom que o Ministério Público se mantenha atento a esta pressa de vender a TAP a patacos. Não chega que a União Europeia aprove a venda de Portugal: tem que ser os portugueses a aceitar explicitamente vendê-lo.

Quinta-feira, 11 Junho 2015

TAP: o Estado recebe “piners”

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 7:44 pm
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O Estado vendeu a TAP e recebe “piners”. Com negócios destes, mais vale fechar de vez o país.

pppsPassos Coelho vai perder as eleições, e com jeitinho vai fazer companhia ao preso 44; este negócio da TAP cheira a corrupção que tresanda.

Outro negócio fechado por Passos Coelho é o da redução das pensões de reforma:

“O povo português é sempre tão benigno e sempre tão imbecil que nem sequer se apercebe de que o governo anunciou mais um corte de seiscentos milhões de euros nas pensões e reformas, incluindo o mesmo num plano que entregou em Bruxelas.”

Foi esta semana atormentada por fait divers que demonstram a verdadeira idiotia do povo português.

Entretanto:

600 mil idosos com fome ou mal alimentados:

“30,7% dos mais velhos têm baixo peso e são poucos os que tomam suplementos.”

A dita “Direita” entregou já o Poder de bandeja à Esquerda. O António Costa não precisa de fazer mais nada para ser primeiro-ministro.

Sexta-feira, 5 Junho 2015

Reembolso do IRS, ou um governo que quer perder as eleições

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 4:32 pm
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O processo propositadamente demorado de reembolso do IRS, este ano, é mais uma acha para a fogueira da desgraça da coligação governamental nas próximas eleições.

Quinta-feira, 19 Fevereiro 2015

A União Europeia e a Branca de Neve

Filed under: Europa,Passos Coelho — O. Braga @ 11:26 am
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Na União Europeia da Branca de Neve, há sete anões. A Grécia do Syriza é o Ranhoso (“dengoso”, no Brasil); o Portugal de Passos Coelho é o Fanhoso (“soneca”, no Brasil). Claro que a Branca de Neve é a Angela Merkel. Quando o Ranhoso anda chateado com a Branca de Neve, o Fanhoso diz logo que “põia que nãum põde ser!”

Quando a Branca de Neve quer que o Ranhoso tenha um excedente orçamental de 1,5% (em relação ao PIB) em 2015,  3% em 2016 e 4,5% em 2016, para que possa pagar rapidamente a sua dívida aos credores alemães, o Ranhoso recusa porque tem cerca de 50% de desempregados jovens; mas o Fanhoso diz logo: “Õda-se!, pãece que é pãivo!”

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Sexta-feira, 13 Fevereiro 2015

A Carta aos Gregos

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 11:32 am
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O problema da Carta aos Gregos é o de que implicitamente se tenta branquear o despesismo e a fuga sistémica ao fisco na Grécia anterior à  bancarrota. É como se tudo o que se passou antes de 2011 na Grécia nunca tivesse acontecido. Ora, não podemos ter razão em qualquer crítica a Passos Coelho quando fazemos de conta que a situação na Grécia (ou em Portugal) não se deveu a uma má governação anterior a 2011.

A Carta aos Gregos é um albergue espanhol.

Eu até concordo com algumas posições de Bagão Félix, mas não concordo de todo com os pressupostos ideológicos, por exemplo, de Francisco Louçã. E o facto de ambos assinarem a mesma Carta retira-lhe qualquer fundamentação metajurídica coerente — ou seja, é como se partíssemos do princípio de que essências diferentes pudessem produzir substâncias iguais.

Terça-feira, 23 Dezembro 2014

Os antolhos ideológicos do jornal “O Diabo”

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 9:32 am
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Qualquer português sabe que a privatização dos CTT (uma empresa pública que dava lucro!) deu na degradação dos serviços de correios, por um lado, e por outro  lado transformou um monopólio do Estado em um monopólio privado.

A maior contradição liberal que possamos conceber é a ideia de “monopólio privado”; um liberal (em economia) que defenda um monopólio privado não faz ideia do que seja o liberalismo económico. Por isso é que o Carlos Abreu Amorim acaba por ser mais coerente do que os liberais de pacotilha que por aí pululam.

Portanto, é evidente que os serviços de correio, prestados pelos CTT, estão hoje degradados, e ainda não passou um ano sobre a privatização. Por este andar, Portugal vai voltar aos correios da Idade Média.

O jornal “O Diabo” tenta justificar a opção ideológica do governo de Passos Coelho de privatizar a TAP (nos termos em que a quer privatizar) através da crítica à ideologia aos sindicatos. Ou seja: tu quoque.

É este tipo de irracionalidade, de ambas as partes (capital versus sindicatos), que tomou conta de Portugal desde 1974, e que impede que ambas as partes tenham argumentos sólidos e atitudes e acções úteis — porque aquilo que é útil pode não ser pragmático, e porque o pragmatismo não considera a verdade como um valor. O pragmatismo de Passos Coelho (tal como o pragmatismo dos sindicatos) também é ideológico e não se preocupa com a verdade.


Diz O Diabo:

“O argumento oficial dos grevistas é primário: a TAP não deveria ser entregue a privados porque a empresa representa um interesse estratégico nacional. De nada tem servido lembrar-lhes que não cabe aos sindicatos decidir o que é ou não é o interesse nacional e como este deve ou não deve ser defendido, pois não detêm qualquer prerrogativa legislativa ou executiva no regime democrático.

Essa decisão cabe aos deputados da Nação, legitimamente eleitos pelo povo, e ao Governo que desse Parlamento imana e periodicamente presta contas ao eleitorado.”

burro com oculos 300 webQuando Passos Coelho foi eleito com um programa eleitoral que depois virou (literalmente) do avesso, é estranho que se venha defender a “legitimidade dos deputados da Nação”.

Ou seja, os “deputados da Nação” podem defender uma coisa e o seu contrário, mas a opinião pública e as organizações da sociedade civil (como é o caso dos sindicatos: são organizações da sociedade civil) não podem ter qualquer opinião ou empreender quaisquer acções “em defesa da Nação”. Foi com posições destas que o Estado chegou a este estado.

Com o programa eleitoral apresentado por Passos Coelho em 2011, e com o qual ganhou as eleições, o presidente da república deveria ter convocado eleições antecipadas logo que possível — porque Passos Coelho foi eleito de forma legal mas não é um legítimo primeiro-ministro. Nem tudo o que é legal é legítimo. Não é legítimo enganar os portugueses, embora neste país seja legal.

Mas como o presidente da república é da mesma cor política do primeiro-ministro, tornou-se legítimo o que é de facto ilegítimo. Esta é uma das muitas razões por que o Chefe-de-estado deve ser o Rei.

Sexta-feira, 19 Dezembro 2014

A actual Direita portuguesa, no Poder, é revolucionária

 

o KapoUma característica da Esquerda é a de que não só respeita os mais velhos do seu grupo político, mas também aprende com a experiência deles. Por exemplo, vimos esse facto com o silêncio respeitoso da Esquerda em geral em relação às palavras escabrosas proferidas por Mário Soares quando foi visitar o seu (dele) amigo José Sócrates à prisão.

Já a Direita não segue o mesmo critério: a opinião dos mais velhos conta pouco.

Isto significa que é a actual Direita que é revolucionária, e que a Esquerda é conservadora — porque uma das características do conservadorismo é o respeito pela opinião, em princípio, mais experiente dos mais velhos.

Passos Coelho veio introduzir na política um espírito revolucionário que se opõe ao conservadorismo — a tal ponto que os prosélitos deste Partido Social Democrata de Passos Coelho (ou da ala de Paulo Portas do CDS/PP, o que vai dar no mesmo) tratam os seus compagnons de route mais velhos como “relapsos da revolução cultural”.

A actual Direita portuguesa, no Poder, é revolucionária.

passos-coelho-wrong-way-webA greve na TAP não tem justificação. Mas a teimosia do governo de Passos Coelho em não querer dialogar com os sindicatos também não tem justificação. Há três hipóteses em relação à privatização da TAP, a ver:

1/ uma questão puramente ideológica, da parte de Passos Coelho. Ele vê o mundo de certa forma, e essa mundividência é transformada em dogma: coloca uns antolhos e segue sempre em frente.

2/ a TAP não tem qualquer possibilidade de sobrevivência se não for privatizada a 100%. Esta hipótese já provou ser falsa, e por isso não passa de retórica de baixo coturno vinda do governo de Passos Coelho.

3/ há interesses obscuros, não só da parte do Passos Coelho, mas também de outros píncaros da actual coligação, que consiste em participação em negócio, tráfico de influências, corrupção e possível branqueamento de capitais.

Eu inclino-me mais para a terceira hipótese. Depois da TAP privatizada com dolo para os interesses de Portugal, vamos ver o Passos Coelho — e outros da actual elite política da Direita — na prisão de Évora a fazer companhia a José Sócrates.

E a democracia é isto.

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