perspectivas

Terça-feira, 29 Julho 2014

Não tenho um outro título para este verbete

 

Um automóvel está parado no sinal vermelho; e vem um ciclista e bate-lhe na traseira, causando danos na bicicleta e no automóvel. Segundo as associações de ciclistas, quem deve pagar todos os prejuízos (do automóvel e da bicicleta) é o proprietário do automóvel e em nome de um conceito a que chamam “responsabilidade objectiva”.

Eu andei à procura do significado de “responsabilidade objectiva”, que absurdamente implica a existência do conceito jurídico de “responsabilidade subjectiva” — como se no Direito a responsabilidade não tenha que ser sempre “objectiva”. A “responsabilidade subjectiva” é própria do confessionário católico, e não da barra dos tribunais.

Das duas, uma: ou eu estou a ficar “gágá” e perdi a possibilidade de coerência lógica, ou a política ensandeceu de vez. O ser humano é louco por natureza, mas é a loucura humana que gera a Razão que, por sua vez, vai controlar a loucura. No caso da política portuguesa, a loucura já não gera a Razão.

A Helena Matos fez aqui a categorização dos argumentos das associações de ciclistas.

O que é espantoso é que aquele argumentário das associações de ciclistas seja publicado em jornais. Os jornais publicam qualquer tipo de notícia desde que por detrás dela esteja um qualquer poder fáctico. Eu estou convencido de que se existisse em Portugal uma Associação de Psicóticos Profissionais, qualquer nota de imprensa dessa organização seria publicada pelos me®dia.

Segunda-feira, 28 Julho 2014

Segundo o semanário SOL, “um cão conheceu Nova Iorque”

 

Talvez a maioria das pessoas que leu a “notícia” no semanário SOL, acreditou realmente que aquele cão “conheceu” Nova Iorque. Um dia destes poderemos ler uma “notícia” no SOL: “Professor universitário leva o seu gato à biblioteca para conhecer a obra de Jean-Paul Sartre”.

cao conhece nova iorque sol

(more…)

Domingo, 27 Julho 2014

O provincianismo da chusma de Cascais

 

O João Távora escreve o seguinte:

“No meu entender o ditador [Salazar] veste como uma luva as expectativas de uma época que em certa medida hoje persistem: o provincianismo messiânico.”

O messianismo nunca foi coisa que tenha tido origem no provinciano, leia-se, no povo: teve sempre origem nas elites: por um efeito de Trickle-down, o messianismo estende-se depois à base da pirâmide social — mas desde o tempo dos profetas políticos do Antigo Testamento, o messianismo político foi sempre assunto de uma plêiade de auto-iluminados (por exemplo, também o messianismo gnóstico da Antiguidade Tardia ou o messianismo político das elites que surgiu na Europa com a Reforma protestante).

Aliás, há uma frase de Agostinho da Silva (que, quando comparado com o João Távora, é uma merda, obviamente!), que reza assim:

“Os portugueses sempre adoraram o concreto: entendem o abstracto, mas procuram traduzi-lo imediatamente em concreto.”

O messianismo político não se compadece com a preferência em relação ao concreto. O messianismo é abstracto por natureza, porque de certa forma recusa o empírico.

Uma das características do messianismo é uma certa falta de aderência ao concreto e à realidade. Em casos extremos, a neurose do messias político transforma-se em uma psicose aguda que induz uma interpretação delirante a partir de factos reais e verdadeiros (ver Eugène Minkowski e Joseph Gabel).

O termo “provincianismo messiânico” é contraditório em si mesmo, a não ser que o provincianismo político bacoco habite em Cascais, na vizinhança do João Távora.

Sábado, 26 Julho 2014

O Jornal de Angola e o jornalismo de mentecaptos

 

Ao longo dos últimos anos sempre defendi as posições do Jornal de Angola contra as opiniões da Esquerda e não só: por exemplo, contra as opiniões de José Pacheco Pereira. Mas isto ultrapassa o razoável: um artigo assinado por um tal Artur Queiroz. Não se trata ali e agora de defender a liberdade de Angola como país soberano (o que é razoável): trata-se de um chorrilho de asneiras e de insultos com os quais se pretende assumir uma qualquer razão.

Em primeiro lugar, o jornaleiro Artur Queiroz inicia o texto com insultos; ou seja, os insultos não são o corolário de uma análise (o que até poderia ser razoável), mas são o pressuposto dessa análise. Estamos perante um ad Hominem.

Depois entra na falácia Tu Quoque: a pena-de-morte na Guiné Equatorial é justificada porque os Estados Unidos também a praticam. Pela mesma ordem de ideias, o holocausto da minoria Tutsi no Ruanda seria justificável porque existiu o holocausto nazi em relação aos judeus.

Depois, o jornaleiro do Jornal de Angola confunde o Estado de Direito nos Estados Unidos, por um lado, com a ditadura da Guiné Equatorial em que não existe de facto um Estado de Direito.

Desde logo, nem todos os estados americanos têm pena-de-morte; e os que a praticam têm apoio popular através de eleições livres. Podemos criticar a pena-de-morte em alguns estados federais americanos (existem 15 estados americanos que aboliram a pena-de-morte por iniciativa dos cidadãos através de eleições), mas fazer uma comparação entre a Guiné Equatorial e os Estados Unidos não lembra a um mentecapto. Mas lembra ao jornaleiro do Jornal de Angola.

A seguir, em vez de falar da língua portuguesa, o jornaleiro do Jornal de Angola entra pela falácia do espantalho, quando faz considerações de natureza económica acerca de Portugal; é que, de facto, não tem nada a ver “o cu com as calças”. Depois de uma guerra civil em Angola em que dezenas de milhares de crianças morreram de fome, e milhões de pessoas foram deslocadas, o jornaleiro do Jornal de Angola vem dizer que em Portugal “as crianças morrem à fome”! Deve estar a ver em Portugal o seu próprio país.

Angola — e o Jornal de Angola, que é de facto um órgão oficioso do governo de Angola — tem tido uma grande compreensão por parte de uma maioria da população portuguesa que não se identifica com a esquerda radical que inclui uma parte do Partido Socialista.

Mas o que se torna cada vez mais intolerável é a ideia, agora propalada pelo Jornal de Angola, de que Portugal tem que se submeter aos desejos de Angola por causa da “culpa da sua herança colonial”.

A ideia do Jornal de Angola — e do governo de Angola — pode ser resumida da seguinte maneira: “Portugal tem uma culpa histórica por causa da colonização de Angola, e por isso tem que ‘baixar a bolinha’ e fazer o que Angola manda!”

É tempo dos portugueses terem orgulho da sua herança histórica, incluindo a sua herança colonial; e quem não gostar, “problema dele”!

E quanto à CPLP: se o Japão, a União Indiana, a China e outros que tais, entrarem para a CPLP, Portugal deveria sentir orgulho em sair da organização — porque não faz sentido uma CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa) em que se fala chinês, japonês, um qualquer dialecto hindu e/ou árabe.

Os revolucionários reaccionários

Filed under: A vida custa,Política,politicamente correcto — orlando braga @ 8:14 am

 

Eu pertenço à reacção tradicional contra a revolução reaccionária: hoje, a revolução não é um conceito revolucionário, mas antes é uma racionalização política demencial.

Por exemplo, a ideologia de género, as engenharias sociais na área dos costumes que pretendem (delirantemente) alterar o fundamento da natureza humana (por exemplo, a adopção de crianças por pares de invertidos, a equiparação do “casamento” gay ao casamento natural, o negócio sórdido das “barriga de aluguer”, etc.), são formas de negação do real por parte dos novos reaccionários ditos “revolucionários”, desfasados da realidade por intermédio de construções lógicas delirantes.

Sexta-feira, 25 Julho 2014

A Raquel Varela e o “sionismo”

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 4:13 pm
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A Esquerda actual — e também a extrema-direita: les bons esprits se rencontrent… —, em vez de falar de “anti-semitismo”, utiliza agora o termo “sionismo”. “Sionismo” passou a ser uma palavra-mestra que implica a exigência de uma ideia-mestra — a “lógica de uma ideia”, parafraseando Hannah Arendt.

“Sionismo” deriva do termo hebraico “Sião” que significa “fortaleza” ou “rocha”, para designar Jerusalém. No século XIX surgiu na Europa um movimento sionista que defendia o retorno dos judeus a Israel — ninguém tem dúvidas de que a Jerusalém histórica é judia. Theodore Herzl (1860 – 1904) desenvolveu um programa político que reclamava direitos de um Estado soberano sobre o território, então sob jurisdição do califado turco. O programa político de Herzl foi apoiado pela famosa Declaração de Balfour de 1917.

Após a II Guerra Mundial e os horrores do Holocausto, a criação de um Estado judaico recebeu o apoio das Nações Unidas e, em 1948, formava-se o Estado de Israel.

Portanto, ¿O que é “sionismo”? O sionismo é um movimento político que defende a existência de um Estado de Israel e encoraja, ainda hoje, os judeus da diáspora a regressarem a Israel.

Para os sionistas — muitos dos quais não são religiosos — esse Estado detém uma grande importância enquanto protector do povo e da cultura judaicos.


A Raquel Varela, a propósito daquilo a que ela chama de “sionismo”, defende a ideia segundo a qual se deve “impedir qualquer concentração de poder” — mas o partido em que ela milita defende a concentração de poder nas mãos de uma elite comunista. Ou seja, segundo a Raquel Varela, a concentração de poder no Partido Comunista é boa; e a dos outros é má.

Por outro lado, a Raquel Varela, na sua qualidade de militante do Partido Comunista, é soberanista quando se trata do Estado de Portugal; mas quando se trata do Estado de Israel, já não é soberanista. Ela é soberanista nuns casos, mas noutros não: tem dias; ou depende da subjectividade dela.

Transcrevo um texto do Reinaldo Azevedo:

“Quando se fala que o Hamas recorre a escudos humanos no confronto com Israel, o que, obviamente, provoca um grande número de mortos, muitos críticos da política israelense contestam o que é uma evidência. Dizem que essa afirmação faz parte da máquina de propaganda de Israel. Será mesmo?

Abaixo, há um vídeo do dia 8 deste mês. Trata-se de uma entrevista que o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, concede à Al-Aqsa TV, que é a televisão do Hamas. Prestem atenção, em especial a partir dos 32s. Traduzo na sequência.”

À Raquel Varela não lhe faz confusão que o Hamas utilize crianças como escudos humanos.

Para ela, isso é normal — faz parte daquilo a que ela chama de “civilização em Gaza”. Ela não se importa que morram crianças porque são utilizadas cobardemente como escudos humanos. Aliás, ela não só não se importa com a morte daquelas crianças, como até defende que devem morrer mais crianças na sua função política de escudos humanos em uma guerra, e em nome da “civilização em Gaza”.

O João Távora, o Zézé Camarinha e o Ricardo Salgado

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 2:57 pm
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O João Távora escreve o seguinte, a respeito do banqueiro Ricardo Salgado:

camarinha“Sei por vários testemunhos pessoais como o banqueiro é uma pessoa de trato fácil, que procura uma proximidade e um contacto directo com as pessoas sem pruridos hierárquicos que, com o dom de uma memória prodigiosa, a todos trata amigavelmente pelo nome próprio.”

O Zézé Camarinha também é “uma pessoa de trato fácil, que procura uma proximidade e um contacto directo com as pessoas sem pruridos hierárquicos” (ele não é esquisito: tanto “marcha” a senhora doutora como a sopeira, desde que ele utilize a língua), “tem o dom de uma memória prodigiosa” (não há nome que lhe escape), “a todas trata amigavelmente pelo nome próprio” (é naquela base: “Beibe! Ai desenrascate iu best!”.

A diferença entre o Ricardo Salgado, por um lado, e o Zézé Camarinha, por outro lado, é que o segundo é inócuo e o primeiro iníquo. E o João Távora não sabe a diferença.

Pinto Balsemão defende o parlamentarismo, mas sem círculos eleitorais uninominais

 

Obviamente. Pretende imitar os ingleses, mas sem a democracia inglesa em que o candidato a deputado de uma circunscrição eleitoral, e por um qualquer partido, anda a bater porta-a-porta, para saber o que os eleitores pensam.

O que o Bilderberger Pinto Balsemão pretende é a reformulação do simulacro de democracia; baralhar as cartas e torná-las a dar, ficando tudo na mesma.

Felizmente, poderemos dizer, um dia destes: Obit anus, abit onus.

Quarta-feira, 23 Julho 2014

Os buracos mortais da cidade de Gaia socialista

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 8:39 pm

 

buraco1

buraco2

Terça-feira, 22 Julho 2014

A deputada socialista Catarina Marcelino no FaceBook

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 11:37 am
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catarina marcelino

Reparem na preocupação com a discriminação entre o feminino e o masculino: “autor/a”. Já que ela se referiu, no plural, a “insultos”, “difamações” e “comentários infames”, poderia ter optado pelo plural geral, “autores”. Mas não é assim: o politicamente correcto faz questão de discriminar ostensivamente os sexos, relegando para segundo plano a qualidade da língua portuguesa.

Segunda-feira, 21 Julho 2014

A que ponto isto chegou !

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 9:48 pm
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antonio jose ferrinhos web

António José Seguro a tocar ferrinhos em Condeixa

O absurdo da ideia da neurociência da “consciência como epifenómeno do cérebro”

 

Reza a história que num simpósio de investigadores da natureza realizado em Göttingen, Alemanha, em 1854, um fisiólogo presente, de seu nome Jacob Moleschott, declarou que, “tal como a urina é uma secreção dos rins, assim as nossas ideias são apenas secreções do cérebro”. Perante isto, o conhecido filósofo Hermann Lotze levantou-se, e disse que “ao ouvir tais ideias do distinto colega conferencista, quase acreditei que ele tinha razão…”

Hoje vivemos em um mundo em que é legítimo dar a uma pessoa uma resposta estúpida a uma pergunta estúpida, porque o pensamento e as crenças não coincidem.

O fluxo de sinais que aflui ao cérebro (cerca de 100 milhões de células sensoriais) não é portador de qualquer indicação de quaisquer propriedades (materiais) para além destas células — a não ser o facto de estas células terem sido estimuladas em determinados pontos da superfície do corpo.

Portanto, ainda é preciso acrescentar “algo” aos dados sensoriais (à sensação) na nossa cabeça para que esses dados possam dar origem a uma “realidade”.

Esse “algo” é o X de Kant ou a “alma” de Platão. Sem a autoconsciência de que a consciência se pensa, não é possível qualquer conteúdo dessa consciência. O X de Kant e a “alma” de Platão são conceitos, e não são noções.

Não é possível definir o conteúdo do “ser”, porque qualquer conceito que se utilizasse para definir o “ser” seria imediatamente preenchido por algo que “é” — ou seja, o conceito já conteria aquilo que deveria ser ele a definir. Portanto, não pode existir qualquer definição de “ser” semelhante à definição de um objecto no mundo que se distinga de outros objectos.

Mas o facto de não ser possível definir o conteúdo do “ser”, isso não significa que o “ser” não exista. Estamos perante uma evidência — a existência do “ser” — que não necessita de qualquer experiência científica para ser verificada. O ser humano tem certezas sem provas; a ciência tem provas sem certezas. Ora, é esse tipo de evidências (as certezas sem provas) que a “ciência” actual pretende anular.

Se a consciência e a percepção se podem explicar pela constituição do cérebro — o que é defendido pela neurociência através daquilo que se chama “Teoria da Identidade” — então “o Eu não é nada mais senão uma hipótese do cérebro” (Susan Blackmore). O que a neurociência hoje defende é o abandono da ilusão de sermos alguém: “o Eu não é mais do que células nervosas que disparam” (Rudolfo Llinas, Patricia Churchland).

Paul Churchland afirma que é possível substituir a frase: “O senhor Pereira pensa que…”, pela frase: “No cérebro do senhor Pereira, disparam no momento T1 os neurónios N1 a N12 do núcleo Y, desta e daquela maneira”. Portanto, segundo a neurociência, o ser humano não pensa realmente de forma autónoma; ou seja, são os processos químicos e físicos dos neurónios que decidem o que eu faço, o que penso e o que sou; e minha vida psíquica e espiritual é secundária.

Karl Popper fez uma crítica demolidora à Teoria da Identidade, chamando à atenção para o facto de esta teoria não poder ter qualquer sentido se obedecer aos seus próprios pressupostos. Se as minhas ideias são produtos ou efeitos da química que se processa na minha cabeça, então nem sequer é possível discutir a neurociência: a teoria da identidade não pode ter qualquer pretensão de verdade, visto que as provas da neurociência são também química pura: se alguém defende uma teoria contrária, também tem razão, dado que a sua química apenas chegou a um resultado diferente. Karl Popper chamou a esta armadilha lógica de “pesadelo do determinismo físico”.

Hoje vivemos em um mundo em que é legítimo dar a uma pessoa uma resposta estúpida a uma pergunta estúpida, porque o pensamento e as crenças não coincidem.

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