perspectivas

Quinta-feira, 23 Maio 2013

A herança de Luís Filipe Meneses em Gaia

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 7:04 pm
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Hoje fui as serviços municipalizados da empresa Águas de Gaia pagar a água e constatei que havia imensa gente a pagar facturas vencidas para repor o fornecimento de água depois de corte do abastecimento.

Em Portugal inteiro, o local onde se paga mais por metro cúbico de água é em Gaia. Mesmo que não exista consumo nenhum, o cidadão de Gaia paga sempre por mês entre 15 a 20 Euros de impostos à empresa Águas de Gaia “gerida” por Luís Filipe Meneses. Ou seja, em Gaia não é preciso consumir água para pagar um balúrdio de impostos. E Luís Filipe Meneses diz que é liberal…

Os portuenses que se ponham a pau. A herança de Luís Filipe Meneses em Gaia não augura nada de bom se ele ganhar a Câmara Municipal do Porto. Não há cu que aguente os impostos de Menezes. A Câmara Municipal de Gaia é uma “casa a arder”.

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Quarta-feira, 22 Maio 2013

Os livros ditos digitais

Filed under: A vida custa,cultura,Livros,Ut Edita — O. Braga @ 6:22 pm

“O digital tornou o sonho de editar o seu próprio livro mais acessível à generalidade das pessoas.” — via: Publique o seu próprio livro. Saiba como

Quando eu descubro um texto interessante na Internet transformo-o logo em ficheiro PDF, para poder sublinhar as passagens mais importantes. E se o texto é mesmo muito bom, imprimo-o a partir do PDF, para que para além de poder sublinhar o possa sentir entre as minhas mãos, folheá-lo e até fazer anotações.

Nós só aprendemos com a leitura se o texto fizer parte do nosso mundo físico, ou seja, quando o texto se transforma num objecto concreto e manuseável. A dificuldade do Homem em conhecer, antes do surgimento da escrita e em que a cultura se transmitia por via oral, era a de que se vivia num mundo virtual semelhante ao mundo digital actual. O conhecimento do homem pré-histórico era virtual porque o meio de conhecimento não fazia parte do mundo físico, palpável e real; hoje, como os livros virtuais e e-books, o meio de conhecimento volta a ser virtual embora de modo diverso da do homem pré-histórico.

Tocar num ecrã de um computador não é a mesma coisa que tocar numa folha de um livro em papel. Num ecrã de computador, o texto não pertence ao nosso mundo físico e real, como se as palavras pertencessem a uma outra dimensão, como se víssemos o texto através de um espelho e apenas pudéssemos tocar a superfície do espelho e não as palavras escritas em si mesmas.

Quando folheamos um livro, aprendemos a memorizar o local em cada página onde aparecem determinadas palavras. Cada edição de um livro (em papel) tem a sua arrumação própria, a sua organização concreta, a sua ordem intrínseca. Quando precisamos de voltar a consultar esse livro, sentimos as suas páginas pelo tacto e pela memória, e através do tacto e da memória sabemos em que área do livro está aquilo que precisamos de recordar, e nessa área do livro sabemos antecipadamente a posição do texto procurado na página direita ou esquerda, e se está no topo ou no fundo da página. A leitura de um livro em papel é real e física, é uma leitura carnal, é um acto de amor através do tacto, é um acto de inteligência através do exercício constante da memória.

Uma fila de livros expostos numa estante não é a mesma coisa que uma série de ficheiros de e-book escondidos num computador. Os livros expostos numa prateleira apanham ar e raios de luz do sol, ao passo que os e-book nunca serão atómica e fisicamente expostos ao ar e à luz.

Os livros numa estante são exotéricos, porque pertencem ao nosso mundo real e molecular; os e-book são esotéricos, porque os átomos que os compõem não são deles, mas antes pertencem a um dispositivo electrónico que lhes empresta a existência. Um livro existe por si mesmo com a sua estrutura molecular própria; um e-book existe apenas em função de uma estrutura molecular que não é sua.

Um e-book só passa a ser um livro quando é impresso em papel, assim como uma série de canções em MP3 só passa a ser um disco quando gravado em CD. Podemos pegar fisicamente, com as nossas mãos, num CD com canções e emprestá-lo a um amigo, assim como podemos retirar fisicamente um livro de uma prateleira e dá-lo a alguém. Mas já não podemos tocar com os nossos dedos numa canção em MP3, nem podemos pegar fisicamente num e-book para o emprestar a outrem.

A ideia da moda segundo a qual se pode publicar um livro em e-book é uma ilusão; é uma actualização do neolítico, e acaba por ser uma forma de negação da cultura e da civilização.

A domesticação jacobina da Igreja Católica

Em entrevista à TVI24, o truculento, diabólico e laicista jacobino Augusto Santos Silva afirmou que o novo cardeal de Lisboa, D. Manuel Clemente, tem que ser igual ao “cardeal colorido”. Porque “quem se mete com os jacobinos, leva!”.

Terça-feira, 21 Maio 2013

Carlos Fiolhais e Galileu

Filed under: A vida custa,Ciência,filosofia — O. Braga @ 9:18 am
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Estava a ler este artigo de Carlos Fiolhais, e estava a concordar com o seu conteúdo até que esbarrei com invocação sistémica de Galileu:

“Esta separação de águas, possível dentro da mesma pessoa, pode ser remontada a Galileu, um homem de fé que não perdeu a fé diante do Tribunal da Inquisição, quando se viu no lugar de actor principal num drama que marcou a história das relações entre igreja e ciência, hoje já resolvido após o papa João Paulo II ter admitido um erro de juízo.”

Qualquer cientista propriamente dito reconhece hoje, e a partir da perspectiva actual segundo o conceito de paradigma de Thomas Kuhn, que a reacção do Papa às teses de Galileu foi absolutamente correcta. As teses de Copérnico receberam o imprimatur porque foram formuladas como hipóteses. Porém, Galileu não quis formular quaisquer hipóteses, mas afirmar verdades absolutas — e isto numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

A Igreja Católica, naquela época, defendeu a concepção científica mais moderna embora se tenha atido a concepções cosmológicas erradas. Um critério semelhante ao da Igreja Católica daquele tempo é hoje utilizado por Carlos Fiolhais quando defende o paradigma do darwinismo: mas Carlos Fiolhais fala sistematicamente em Galileu sem falar nele próprio e naquilo que comprovadamente de errado ele ainda defende.

Carlos Fiolhais comporta-se hoje de forma mais dogmática do que a Igreja Católica do tempo de Galileu.

Não me agrada um certo paternalismo espertalhão de Carlos Fiolhais em relação à religião. “A fé do cientista é a maior que existe, porque é inconfessável” — escreveu o físico francês Roland Omnès. Dizer que “um cientista não tem fé”, e que “a fé só é característica dos religiosos”, só pode vir de um paternalismo espertalhão em relação à religião. O que acontece é que a fé do cientista é uma fé chã, reduzida a uma parte ínfima da realidade. Por isso, comparar negativamente a fé de um ateu com a fé de um religioso é manifestação de má-fé.

Carlos Fiolhais não compreendeu, do alto da sua cátedra, que não existe tal coisa de “não-crença”. A verdade é que a não-crença é sempre uma forma de crença. O que existe é “crença inadequada”, ou reduzida, ou limitada a uma parte da realidade; e a ciência é esta crença limitada e/ou reduzida.

Carlos Fiolhais não percebe que um ateu é herdeiro da cultura cristã; e como não percebe isto que é tão simples de perceber, também não percebe que o Cristianismo está presente na mundividência do ateu mesmo que ele não queira. E depois, como não percebe isto, Carlos Fiolhais vem dizer que “um ateu pode ter um sentido da existência humana impregnado de ética” — como se a ética do ateu existisse independentemente da História do Cristianismo e da ética cristã.

Quando leio Carlos Fiolhais fico mal-disposto — não porque não concorde com ele, mas porque é gente desta estirpe que molda a opinião pública.

A Autoridade de Direito de Francisco José Viegas

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Francisco José Viegas alardeia a sua autoridade de direito desprovida de autoridade de facto. Ler aqui.

Segunda-feira, 20 Maio 2013

O blogue Estado Parido e a recusa da paridura

O blogue Estado Sentido é um exemplo, entre muitíssimos, de um grupo de pessoas que não estão preparadas para discutir mais nada que não seja a politica politiqueira e a vidinha do Jet Set. Por exemplo, este “postal” faz eriçar os pêlos púbicos do traseiro (vulgo “Cuelhos”):

“O natural é aquilo a que um está habituado.”

Segundo este raciocínio, o canibalismo entre as tribos remotas da Papua, ou a excisão feminina entre as tribos berberes e em determinadas culturas islâmicas, é natural porque se está habituado. Ou um indivíduo habitua-se a “papar” criancinhas e a pedofilia passa a ser natural. É tudo uma questão de uso e de hábito. Esta gente é tão burrinha (graças a Deus) que não pára um minuto para pensar antes de escrever qualquer coisa.

“No entanto, todos estamos acostumados à ideia de paternidade e maternidade. Vulgo mãe e pai.”

Segundo este raciocínio, um indivíduo nasce dos testículos do pai e dos ovários da mãe por uma questão de hábito; ou, por uma construção social e cultural, e apenas por essa razão, é que dizemos que “temos pai e mãe”. Digamos que um tipo “habitou-se a ter pai e mãe”, porque também poderia ter nascido, por exemplo, da barriga de uma perna de Zeus e dos colhões de um touro.

“Impedir casais homossexuais de adoptar, argumentado com o direito das crianças a terem um crescimento ”normal” é tão inválido como dizer que a normalidade existe.”

Segundo este raciocínio, e se a normalidade não existe, não existem normas. As normas — sejam jurídicas ou morais — definem uma normalidade. Norma versus normalidade: ambas as palavras têm a mesma raiz etimológica. Certo? Uma norma define uma certa normalidade. O que eu não percebo é por que razão se estabelece uma norma para os pares de invertidos poderem adoptar crianças ao mesmo tempo que se diz que a normalidade não existe.

Quando um idiota chapado chega a secretário-de-estado da cultura, temos a radiografia do país

1/ Este argumentário começa com um sofisma que é contraditório em si mesmo: se a lei é geral (como diz o escriba), a norma não tem que se adequar sistematicamente a factos; e o que a lei da adopção por pares de homossexuais fez, foi adequar a norma ao facto. As leis não são feitas para casos de excepção. Em matéria de filiação, legisla-se para o maior número possível. Depois, os casos particulares encontram a sua solução por interpretação e adaptação das regras gerais (equidade).

A lei é geral e impessoal, e somente pela aplicação desta regra geral é que ela permite resolver os problemas individuais. A lei é a expressão do corpo social que institucionaliza referências legíveis por todos. E no caso da família e das crianças, a lei é guardiã da clareza da genealogia: a lei é a norma necessária e unívoca.

Privar uma criança da diferença sexuada entre o seu pai e a sua mãe, não é só privá-la das aptidões individuais: é também privá-la das diferenças estruturantes entre a posição paterna e a posição materna. É privá-la de um espaço ou de uma distância entre dois lugares e duas funções, é também privar a criança de um significante ou de uma representação “pai” e de uma representação “mãe” — a não ser que se chame “pai” a uma mulher ou “mãe” a um homem, o que é um absurdo orwelliano.

2/ Por outro lado, o escriba entra numa segunda falácia lógica: a inversão do ónus da prova. Não são os opositores da adopção por pares de invertidos que têm que provar seja o que for: pelo contrário, é quem defende a adopção que tem que fazer prova de que os pares de homossexuais são sempre um ambiente benéfico para a educação de uma criança.

Se eu digo, por exemplo, que “o homo sapiens sapiens, em 75 mil anos de existência, sempre se organizou societariamente de uma determinada maneira”, quem quiser alterar esse tipo de organização societária é que tem que provar a validade do seu argumento — e não vale aqui a inversão do ónus da prova.

Naturalmente que um burro carregado de livros, e que subiu na política à custa de lamber as botas aos donos do sistema, como é o caso de Francisco José Viegas, bate palmas a sofismas deste calibre. Como é que um idiota deste calibre pôde chegar a secretário-de-estado da cultura?!

3/ Outro argumento alegadamente a favor da adopção de crianças por pares de fanchonos é a falta de adoptantes. O escriba cita em inglês. Em países em que o “casamento” gay foi legalizado há mais tempo, surgiu um breve surto de adopções, mas rapidamente o entusiasmo de desvaneceu — porque a adopção é vista pelo lóbi político homossexualista como uma forma de afirmação cultural e social de um determinado estilo de vida (homossexual), sendo que as crianças são instrumentalizadas neste processo. Ou seja, o argumento segundo o qual a adopção gay vai ajudar sequer a resolver um pouco o problema das crianças instituídas é outro sofisma politicamente correcto.

4/ Outro argumento do escriba é o de que uma pessoa (um indivíduo), só por si, pode adoptar uma criança segundo a lei portuguesa. A instituição da adopção por um celibatário não é uma instituição necessariamente em conformidade com os interesses da criança, porque está em contradição com o princípio fundamental do Direito que é o da dupla linhagem da criança (paterna e materna). A adopção por um celibatário cria uma filiação unilinear.

Mas, apesar dos inconvenientes que tem, a adopção por um só indivíduo cria um problema menor do que a adopção por um par de homossexuais, porque mais vale a carência própria desta situação ser inscrita pelo Direito, do que fazer de conta de que se tratam de situações identicamente diferentes (equivalentes).

Na adopção, mesmo simples ou por um celibatário, não se trata apenas de educação mas também de filiação. A partir do momento em que se toca na filiação, toca-se na estrutura fundamental do humano. E o que os filhos da puta da classe política estão a fazer é a tocar na estrutura ontológica do humano.

O que me surpreende é que um burro que diz que “não é de esquerda”, e que é “liberal”, defenda ideias orwellianas deste calibre, e tenha mesmo chegado a secretário-de-estado de Passos Coelho. Isto diz quase tudo acerca de Passos Coelho.

Sábado, 18 Maio 2013

‘ O progresso da opinião pública ‘

“Quando aprovaram o casamento gay disseram que a adopção era um assunto completamente diferente. Depois passaram a argumentar que é apenas justo que os casais tenham todos os mesmos direitos de co-adopção, mas que a co-adopção é uma coisa diferente de adopção. Aprovada a co-adopção passarão a dizer que até já há casais gays que adoptam e que uns não podem ser discriminados em relação aos outros.” (via)

Através do “progresso da opinião pública”, a classe política acabará por convencer o povo de que uma pedra é um pau, um velho está a mais na sociedade e deve ser eutanasiado, uma criança recém-nascida “não é uma pessoa porque não tem consciência” e pode ser legal e legitimamente morta pela mãe, e que Estaline e Trotski eram boas pessoas.

É tudo uma questão de “progresso da opinião pública”. O problema é se o progresso sai ao contrário.

O comentário professoral

Filed under: A vida custa,filosofia — O. Braga @ 2:44 pm

Normalmente, quando um qualquer leitor não concorda com os meus argumentos críticos em relação a Karl Marx, ou a Proudhon, ou a Nietzsche, ou a Heidegger, etc., escreve mais ou menos o seguinte nos comentários:

“Seu texto é interessante, inteligente. Entretanto comete equívocos graves em relação a Proudhon. Minha única dica é a seguinte: pesquise esse autor com mais atenção.”

A este tipo de comentário chamamos de professoral.

O comentário professoral é aquele que reconhece ao “aluno” o seu esforço, o seu progresso, mas não aponta erros de raciocínio e, em vez disso, aconselha mais estudo. “Meu caro, você esforça-se mas não chega: agarre-se aos livros”. E se se lhe perguntar: “mas onde está o meu erro de raciocínio?” A resposta surge veloz e escorreita: “Minha única dica é a seguinte: pesquise esse autor com mais atenção”.

Quando, numa discussão escrita, partimos de pressupostos que não são declarados expressamente (à partida) porque queremos esconder alguma coisa (por exemplo, queremos esconder a nossa incapacidade de argumentação), podemos incorrer na falácia Audiatur et altera pars. É o caso do comentário professoral.

Sexta-feira, 17 Maio 2013

La Vie en Rose na ‘direita’ portuguesa

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 9:59 pm

Quando os políticos de “direita” recusarem conversas televisionadas amenas e sorridentes com radicais de esquerda, podemos começar a levá-los a sério.

Na mouche!

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:56 pm
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“Ficamos a saber que os costumes são mais uma fronteira que o «democrata-cristão» Paulo Portas e o seu partido podem facilmente ultrapassar.”

De Passos Coelho poderíamos esperar tudo. De Paulo Portas apenas esperamos a hipocrisia política.

Ficamos todos à espera que a classe política decida que a Terra é quadrada

Filed under: A vida custa,politicamente correcto — O. Braga @ 8:30 pm

“E quando a assembleia da república legislar que a terra é quadrada, que as árvores são pastéis de nata, que os pedregulhos são manteiga, que os excrementos são alimentos saudáveis e recomendáveis, logo a RR, zelosa e diligentemente, se submeterá a esse nominalismo surrealista; porque não interessa o que as coisas são, porque elas são aquilo que delas dissermos: a nomeação que decidimos dar às coisas é uma varinha mágica que cria a sua realidade – e quem contradisser estas coisas é um perigosíssimo fundamentalista, ortodoxo raivoso, extremista barbudo, intolerante fanático, enfim é eu.”

Quando Satanás domina os partidos do Poder – por Nuno Serras Pereira

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