perspectivas

Sábado, 22 Agosto 2015

Um chimpanzé não é uma pessoa

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 2:49 pm
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O Ludwig Krippahl, agora que é militante notório do partido “Livre”, já se dá ao luxo de contraditar directamente professores universitários de filosofia, como por exemplo o Pedro Galvão. Com toda a sinceridade possível: eu quero lá saber se o meu interlocutor é professor ou se é varredor de ruas! O que me interessa saber é o resultado das suas ideias.

Eu critico principalmente — sublinho: principalmente — as consequências das ideias, e não os eventuais erros de construção ideológica. Por exemplo, seria estúpido que criticássemos a teoria da relatividade apenas pelos eventuais erros de Einstein durante a sua construção.

As definições são importantes, na filosofia como em tudo na vida. Sem definições não sabemos do que estamos a falar. Mas não devemos abusar das definições, porque um conceito depende doutro conceito, e este doutro, ad infinitum. Se nos enredarmos nas definições, não saímos delas. Mas isto não significa que possamos prescindir das definições — nomeadamente das definições reais. Mas é um facto que, em geral, as pessoas de Esquerda — como é o caso do Ludwig Krippahl — têm horror às definições, porque as definições limitam o poder fáctico da ideologia política.

O Ludwig Krippahl começa por dizer que, pelo facto (pelo menos aparente) de um chimpanzé se reconhecer (a si mesmo) ao espelho, tem autoconsciência. E, neste sentido, diz o Ludwig Krippahl que o chimpanzé é uma pessoa — assim como o ser humano é uma pessoa enquanto tem autoconsciência.

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Domingo, 7 Junho 2015

À atenção da deputada Isabel Moreira: por favor não esquecer os transdeficientes

 

A Esquerda em geral, o Partido Socialista e a Isabel Moreira em particular, não podem fazer de conta que os transdeficientes não existem. Um transdeficiente é uma pessoa normal que sente que é um aleijadinho e, em função desse sentimento, corta um braço ou fura um olho.

transdeficienteConforme se poderá ler nesta notícia, existe um movimento na América do Norte para o reconhecimento social e político da dignidade dos transdeficientes, movimento esse que exige que o Estado apoie e ajude os transdeficientes a serem aleijadinhos, por exemplo, tornando as amputações grátis em hospitais públicos.

Um transdeficiente sente, por exemplo, que é cego; mas o seu corpo contradiz o seu sentimento, porque ele vê coisas! Tal como acontece com os transgéneros (que a Isabel Moreira tanto defende na assembleia da república), o transdeficiente sente que o seu corpo não se identifica com aquilo que ele sente que deveria ser: vai daí, ele pega em um picador de gelo e fura os olhos; e passa, assim, a ser feliz.

Outro exemplo: um indivíduo sente que é coxo; mas tem as duas pernas, o que o torna infeliz. Em função disso, marca uma consulta de psiquiatria com o dr. Júlio Machado Vaz, e este explica-lhe que esse sentimento não é patológico, ao contrário do que a sociedade preconceituosa defende: na medida em que ser aleijadinho é tão normal como não ser, o transdeficiente, em busca da sua felicidade, pega em uma serra eléctrica e corta uma perna.

Ora, acontece que um transdeficiente, que é obrigado a cortar uma perna ou um braço, ou a furar os olhos (porque o transdeficiente já nasceu assim: ele não pode ser de outro modo!, ao contrário do que as mentes conservadoras da direita extremista e decadentes pensam!), não tem qualquer apoio do Estado. É neste sentido que apelamos a Isabel Moreira para que entregue na assembleia da república uma proposta-de-lei no sentido de tornar os transdeficientes visíveis na nossa sociedade.

A invisibilidade social dos transdeficientes revela uma sociedade preconceituosa e arcaica que obnubila e escamoteia os direitos humanos. Ser aleijadinho é um direito como qualquer outro. A verdade é que os transdeficientes existem e não podem ser ignorados, tal como os transgéneros existem e não podem ser ignorados.

Na invisibilidade social do transdeficiente, o que está em causa é a autonomia corporal e direito à auto-expressão. No próximo livro, o Pedro Galvão vai certamente defender a tese ética de que os hospitais públicos devem ter uma ala de amputação para transdeficientes.

A deputada Isabel Moreira, se quiser ser consequente com as suas ideias, não pode exigir na assembleia da república a visibilidade dos transgéneros ao mesmo tempo que faz de conta que os transdeficientes não existem. “Ou há moralidade, ou comem todos”.

Segunda-feira, 1 Junho 2015

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, e Pedro Galvão

Filed under: ética — O. Braga @ 8:34 am
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Se pudesse haver um diálogo entre Buda e Nietzsche, as formas como cada um dos dois concebia o mundo e a sociedade seriam totalmente diferentes; e embora eu estivesse mais de acordo com a mundividência de Buda, nem eu nem ninguém conseguiria provar que Buda teria razão por intermédio de argumentos do tipo usados em questões matemáticas ou científicas.

De modo semelhante, não podemos provar, por artes da matemática ou da ciência, que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada (ou quem se lhe opõe) tem razão. Podemos concordar com Buda ou com Nietzsche, mas não simultaneamente com os dois, através da nossa sensibilidade, intuição, inteligência e capacidade de raciocínio (lógica).

Pedro Galvão começou por dizer (minuto 39) que “não é relativista”. ¿O significa “relativismo”?

O termo relativismo pode ter pelo menos três acepções:

1/ a do sofismo grego ou cepticismo, segundo a qual a verdade é relativa aos indivíduos; neste sentido, podemos aceitar que Pedro Galvão não seja relativista na medida em que ele próprio diz que procura uma verdade objectiva;

2/ relativismo etnológico e sociólogo: doutrina que, distinguindo as diferenças culturais e éticas entre as diversas sociedades, recusa-se a julgar as sociedades em função de um qualquer paradigma ético e cultural. Penso que esta acepção de relativismo também não se aplica a Pedro Galvão;

3/ o relativismo como afirmação da impossibilidade de um conhecimento absoluto dos princípios e das causas primeiras, ou seja, alegadamente é a “ciência verdadeira” que se satisfaz com o relativo e que estabelece, por observação (empirismo, pragmatismo, positivismo ), as relações entre os fenómenos. O positivismo e o utilitarismo têm origem comum.

É no sentido 3/ que Pedro Galvão é objectivamente relativista; e por isso o Padre tem razão quanto implicitamente lhe chamou de “relativista”. E assim como não podemos fazer prova, através de equações matemáticas e/ou através de teorias científicas, que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada tem razão — também o relativismo cientificista do Pedro Galvão não pode ser usado legitimamente para defender uma teoria ética.

A premissa relativista de Pedro Galvão consiste na negação do absoluto (ou pelo menos a omissão dele, o que vai dar no mesmo): “se não é possível conhecer o absoluto”, pensará Pedro Galvão, “não vale a pena falar dele nem considerá-lo na teoria ética”. Isto é positivismo aplicado à ética.

Embora não possamos conhecer o conteúdo do absoluto, podemos, através da inteligência, da intuição e da lógica, detectar-lhe a forma — assim como, se olharmos para a linha do horizonte, podemos intuitivamente saber que existe “algo” para além dela. Se não existe nenhuma possibilidade de enraizar a ética no absoluto, todas as reflexões são inúteis e a lógica não existe.

A partir do momento em que Pedro Galvão nega o absoluto, navega em águas turvas, porque não há possibilidade do relativo sem uma relação lógica com um absoluto, mesmo que hipotético. E por isso é a ética de Pedro Galvão é inconsistente, relativista, ziguezagueante e sem razões.

(vídeo via).

Terça-feira, 5 Maio 2015

Pedro Galvão e o aborto

Filed under: ética — O. Braga @ 12:45 pm
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O Domingos Faria coloca aqui um resumo da tese de Pedro Galvão sobre o aborto.

Antes de mais, como disse Ronald Reagan, “noto que todos os defensores do aborto já nasceram”. Perante uma visão absurda da vida e da realidade, só resta ao Pedro Galvão o seu (dele) cinismo.

Segundo a tese “ética” de Pedro Galvão, a simples abstinência sexual é equiparada ao aborto: por exemplo, um anacoreta que viva isolado na montanha é tão responsável pelo aborto (porque evita ter filhos através da abstenção sexual) quanto a abortadeira mais compulsiva.

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Sobre o livro “Ética com Razões” de Pedro Galvão

Filed under: ética — O. Braga @ 9:52 am
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O Domingos Faria coloca aqui um verbete segundo o qual é possível ao leitor do livro em epígrafe fazer perguntas ao respectivo autor.

O dito livro é de tal forma ideológica- e logicamente enviesado que para o refutar eu teria que escrever pelo menos três livros — como diz Olavo de Carvalho: “a mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação. Uma única palavra falsa requer muitas para ser desmentida.”

Portanto, se o leitor do dito livro pretende ter uma opinião sobre qualquer tema em particular que não seja a do próprio Pedro Galvão, pode entrar em contacto comigo para o email orlando_braga arroba yahoo.co.uk.

Segunda-feira, 9 Março 2015

A democracia, a Esquerda, a Direita da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e os direitos de braguilha

Depois da rejeição do Relatório Estrela pelo parlamento europeu, surgiram dois novos relatórios no mesmo sentido: o de instituir o aborto como um “direito humano”. São os relatórios Tarabella e Panzeri.

Se estes dois relatórios forem rejeitados pelo parlamento europeu, irão surgir provavelmente quatro novos relatórios no mesmo sentido; e se os quatro forem rejeitados, surgirão oito novos relatórios no sentido de instituir o aborto como “direito humano”. E assim por diante…

A democracia é isto: é o “progresso da opinião pública” mediante uma pressão política (por parte de uma elite psicótica) de tal forma violenta que vence pelo cansaço qualquer oposição e para além de qualquer racionalidade.

À  medida em que o tempo passa, e em função desta União Europeia, estou cada vez mais céptico em relação àquilo a que se convencionou chamar “democracia”. Se a democracia serve para nos impôr a desumanidade através do formalismo processual de promulgação do Direito Positivo, então nada distingue a democracia de um totalitarismo. E, totalitarismo por totalitarismo, mais vale optar por um que defenda a vida humana.

A estratégia seguida pelos progressistas (de direita e de esquerda, por que já não podemos falar de Direita ou de Esquerda) é o de Aldous Huxley na novela “Maravilhoso Mundo Novo”: o controlo das massas era realizado através de um mecanismo repetitivo e incessante dirigido ao inconsciente do cidadão durante as horas de sono. Hoje, essa função é realizada pelos me®dia apoiados por organizações capitalistas como, por exemplo, a Fundação Francisco Manuel dos Santos, ou a SIC de Pinto Balsemão  — e por isso é que já não faz sentido falar de Esquerda ou de Direita: a única coisa que os divide é o conceito de “propriedade privada”; em tudo o resto são iguais.

A “libertação das massas”, que o sistema democrático defende, segue o conceito de Marcuse de “desenvolvimento não repressivo da libido” (“Eros e Civilização”); se juntarmos ao “desenvolvimento não repressivo da libido” os efeitos afrodisíacos do consumismo exigido, por exemplo, pelos donos do Pingo Doce ou do Continente, em vez de libertação das massas temos uma nova escravatura das massas à  moda de Aldous Huxley. A felicidade passa a ser sinónimo de irresponsabilidade.

E, na actual época de crise económica, quando os afrodisíacos do consumismo estão pela hora da morte, resta aos donos da democracia propôr às massas a “libertação da libido” através da promulgação de direitos de braguilha que compensam os salários de miséria, até que se alcance um estado de animalização colectiva a que cinicamente se chama de “felicidade”, promovida por literatura “filosófica” barata (no preço e no conteúdo) como, por exemplo, a do Pedro Galvão subsidiada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Para se conseguir este estado de animalização feliz, o sistema democrático propõe-se erradicar o livre-arbítrio do ser humano. É neste contexto que surge o conceito contraditório de “aborto como direito humano” — como se assassinar um ser humano passasse a ser um direito — que se baseia em uma estratégia de estimulação contraditória que induz uma dissonância cognitiva nas massas que reduz drasticamente a capacidade crítica e o livre-arbítrio do cidadão.

A liberdade democrática é utilizada para retirar o livre-arbítrio e a capacidade de discernimento ao cidadão. Se isto é liberdade, então uma ditadura pode ser melhor.

Sábado, 7 Março 2015

A irracionalidade da ética do Pedro Galvão (parte I: aborto)

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 1:43 am
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Um tal Pedro Galvão publicou, com o apoio da Fundação da família do capitalista Francisco Manuel dos Santos, um opúsculo com o título “Ética com Razões”. Quando eu verifiquei que o livrinho tinha o apoio do professor secundário de “filosofia” Rolando Almeida e do utilitarista e naturalista Desidério Murcho, desconfiei.  Ainda assim comprei o livreco. Vou aqui comentar as várias partes do dito, começando hoje pela primeira parte: o aborto.

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