perspectivas

Domingo, 7 Junho 2015

À atenção da deputada Isabel Moreira: por favor não esquecer os transdeficientes

 

A Esquerda em geral, o Partido Socialista e a Isabel Moreira em particular, não podem fazer de conta que os transdeficientes não existem. Um transdeficiente é uma pessoa normal que sente que é um aleijadinho e, em função desse sentimento, corta um braço ou fura um olho.

transdeficienteConforme se poderá ler nesta notícia, existe um movimento na América do Norte para o reconhecimento social e político da dignidade dos transdeficientes, movimento esse que exige que o Estado apoie e ajude os transdeficientes a serem aleijadinhos, por exemplo, tornando as amputações grátis em hospitais públicos.

Um transdeficiente sente, por exemplo, que é cego; mas o seu corpo contradiz o seu sentimento, porque ele vê coisas! Tal como acontece com os transgéneros (que a Isabel Moreira tanto defende na assembleia da república), o transdeficiente sente que o seu corpo não se identifica com aquilo que ele sente que deveria ser: vai daí, ele pega em um picador de gelo e fura os olhos; e passa, assim, a ser feliz.

Outro exemplo: um indivíduo sente que é coxo; mas tem as duas pernas, o que o torna infeliz. Em função disso, marca uma consulta de psiquiatria com o dr. Júlio Machado Vaz, e este explica-lhe que esse sentimento não é patológico, ao contrário do que a sociedade preconceituosa defende: na medida em que ser aleijadinho é tão normal como não ser, o transdeficiente, em busca da sua felicidade, pega em uma serra eléctrica e corta uma perna.

Ora, acontece que um transdeficiente, que é obrigado a cortar uma perna ou um braço, ou a furar os olhos (porque o transdeficiente já nasceu assim: ele não pode ser de outro modo!, ao contrário do que as mentes conservadoras da direita extremista e decadentes pensam!), não tem qualquer apoio do Estado. É neste sentido que apelamos a Isabel Moreira para que entregue na assembleia da república uma proposta-de-lei no sentido de tornar os transdeficientes visíveis na nossa sociedade.

A invisibilidade social dos transdeficientes revela uma sociedade preconceituosa e arcaica que obnubila e escamoteia os direitos humanos. Ser aleijadinho é um direito como qualquer outro. A verdade é que os transdeficientes existem e não podem ser ignorados, tal como os transgéneros existem e não podem ser ignorados.

Na invisibilidade social do transdeficiente, o que está em causa é a autonomia corporal e direito à auto-expressão. No próximo livro, o Pedro Galvão vai certamente defender a tese ética de que os hospitais públicos devem ter uma ala de amputação para transdeficientes.

A deputada Isabel Moreira, se quiser ser consequente com as suas ideias, não pode exigir na assembleia da república a visibilidade dos transgéneros ao mesmo tempo que faz de conta que os transdeficientes não existem. “Ou há moralidade, ou comem todos”.

Terça-feira, 23 Março 2010

Os porcos ambientalistas, ou os ambientalistas porcos

O “porco ambientalista” é um animal transgénico desenvolvido na universidade de Guelph, no Canadá, que tem uma mistura de ADN de rato. É o “porco-rato”, que se pretende introduzir na alimentação humana porque, segundo dizem os investigadores, produz menos 70% de fósforo nas suas fezes do que um porco-porco.

Os cientistas da dita universidade dizem que nunca provaram a carne do porco-rato (ou do ambientalista porco) mas dizem que, a julgar pelas análises químicas realizadas, a carne do porco-rato não é diferente da carne do porco-porco ― decididamente, a ciência e a culinária parecem ser incompatíveis; se fôssemos a cozinhar baseando-nos em resultados de análises químicas dos ingredientes, não seriam precisos os chefes-de-cozinha…

O problema dos ambientalistas porcos, ou melhor, dos porcos ambientalistas, não fica por aqui. Existem cabras transgénicas desenvolvidas com alteração de ADN de cujo leite se extrai filamentos de seda de aranha (a “cabra-aranha”); e uma truta que se misturou com uma espécie de vaca belga (a “vaca-truta”) que se pretende venha a ter mais carne do que a truta normal. E ainda não se lembraram se produzir o “Abutriu”, que é a mistura de ADN de um abutre com as P…Q…os Pariu !

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