perspectivas

Domingo, 8 Março 2020

O Estado não é moralmente neutro, mas antes segue a moral das elites políticas do Zeitgeist

Filed under: liberalismo,liberalismo económico,marxismo cultural — O. Braga @ 7:40 pm

Várias mulheres alemãs desempregadas (algumas delas, casadas e com filhos) foram abordadas pelos respectivos Centros de Emprego para trabalharem em casas-de-putas — no seguimento da legalização da prostituição na Alemanha: os chulos alemães passaram a pagar impostos e a ter acesso aos Centros de Emprego para recrutamento de novas putas.

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É isto o que um palerma chamado Nuno Medeiros (mas escreve no Observador! Que luxo!) chama de “pragmatismo”:

«Seja como for, o consumo das chamadas drogas leves e a prostituição são mais velhos que a Sé de Braga e estão à vista impune de todos, por isso não vale a pena tapar o sol com a peneira. Mais vale tratar destes temas com maturidade democrática, pragmatismo e humanismo. Cada um poderá depois ter a sua opção moral, religiosa, espiritual, intelectual ou racional e optar por fazer ou não um destes actos, mas o Estado não se deve demitir de regular sobre os mesmos, numa abordagem sistémica e humanista, preocupada com a saúde pública e económica do País


“O liberalismo prega o direito do indivíduo ao embrutecimento, desde que esse embrutecimento não estorve o embrutecimento do seu vizinho.”
— Nicolás Gómez Dávila

O que está implícito no texto do referido palerma é a ideia segundo a qual “o Estado deve ser moralmente neutro” (o que é absolutamente falso!); e, alegadamente, o “pragmatismo” necessário à boa legislação provém dessa putativa “neutralidade do Estado”.

O Estado é visto, por aquela avantesma, como uma entidade abstracta separada da população e da sua cultura.

Ora, é esta abstracção do conceito de “Estado” que é a grande ameaça em relação às democracias actuais. O novo Totalitarismo de Veludo, que nos é hoje imposto nomeadamente pela geringonça, é baseado nesta abstracção e na alienação do conceito de “Estado”.

Por outro lado, o chamado “pragmatismo económico” (segundo aquela avantesma) justifica as rupturas drásticas na cultura antropológica: por exemplo, o facto de existirem drogas e drogados justifica a legalização do consumo e comércio da droga, assim como a existência de putas justifica a legalização e normalização da prostituição.

“Onde o terrorismo e a pornografia prosperam, o liberal rende-lhes homenagem em nome da liberdade de consciência.”
— Nicolás Gómez Dávila

De modo semelhante, concluímos nós que a pedofilia poderá vir a ser legalizada pelos utilitaristas da Nova Esquerda se houver alguma vantagem económica para o Estado proveniente do exercício da predação sexual de crianças — porque, se os pedófilos existem, “o Estado não se deve demitir de regular sobre os mesmos, numa abordagem sistémica e humanista, preocupada com a saúde pública e económica do País”. E “cada um poderá depois ter a sua opção moral, religiosa, espiritual, intelectual ou racional e optar ou não por ser pedófilo”.

¿Estão a ver o perigo deste tipo de “raciocínio” utilitarista?

A ideia segundo a qual o facto cria o Direito” retira ao Direito Positivo qualquer legitimidade que não seja a decorrente da vontade (moral) das elites políticas da nossa época — ou seja, o Estado não é moralmente neutro, mas antes segue a moral da elite política que decorre da aliança entre a Esquerda marxista cultural, por um lado, e por outro lado a “Direita” dita “liberal”.

Sexta-feira, 3 Maio 2019

A “pessoa”, como princípio de diferenciação cultural que caracteriza a singularidade da Europa (1)

 

A Cristina Miranda diz aqui aquilo que eu já resumi (neste espaço) da seguinte forma: a diferença entre o Bloco de Esquerda, por um lado, e os liberais portugueses, por outro lado, reduz-se à (concepção da) economia. Em tudo o resto são semelhantes, são compagnons de route do movimento revolucionário que conduzirá inevitavelmente a um novo tipo de totalitarismo.

« [os liberais portugueses] são uma espécie de “bloco de esquerda” nas liberdades individuais e no progressismo, mas liberais “não-socialistas” na economia.»

Lamento mas a Direita nunca governou em Portugal


A redução da realidade inteira à economia é uma característica própria de indigentes intelectuais, ou então de marxistas (o que vai dar no mesmo).

O “dilema” dos liberais portugueses é o de que não é possível (em termos práticos) defender o liberalismo na economia ao mesmo tempo que se defende uma cada vez maior (e multifacetada) intervenção do Estado na sociedade (ou seja, defender o liberalismo económico e, simultaneamente, defender a negação crescente e progressiva do liberalismo político).

Os liberais portugueses vivem em uma situação política de contradição insanável. Os liberais portugueses caíram numa armadilha ideológica que os conduzirá inexoravelmente à sua (deles) morte política.

E a armadilha ideológica colocada pela Nova Esquerda (a que se seguiu à queda do muro) consiste na ideia segundo a qual “é preciso cada vez mais intervenção do Estado na sociedade para assim defender uma cada vez maior afirmação da liberdade do indivíduo”. Mas os liberais portugueses não vêem a contradição do propósito da Esquerda.

Uma crescente e cada vez maior intervenção do Estado na sociedade não pode obviamente conduzir a uma maior liberdade individual, mas antes conduz à anomia e ao isolamento do indivíduo face a um Estado plenipotenciário  — ou seja, conduz ao prelúdio de um novo tipo de totalitarismo que tem como desígnio o fascismo chinês.

Não é por acaso que o fascismo chinês é o modelo político defendido pelas elites mundialistas para as diferentes regiões do planeta, e a União Europeia é uma clara tentativa impôr na Europa um fascismo político à imagem da China (sinificação).

A discussão deste assunto é prolixa: os liberais portugueses, salvo excepções, têm um baixo Coeficiente de Inteligência. Discutir com eles é “chover no molhado”.

Segunda-feira, 17 Setembro 2018

Steve Bannon dá um KO à jornalista chefe do jornal The Economist

 

Sexta-feira, 13 Julho 2018

¿O que (porra!) é “ser liberal”?! (a diferença entre o Pedro Arroja e o João Miranda)

Filed under: liberalismo,liberalismo económico,liberdade — O. Braga @ 10:01 pm

 

Existe por aqui e aqui e aqui uma cumbersa sobre quem é mais “liberal” do os outros que se dizem “liberais”. Em Portugal, o “liberalismo” é como a “homofobia”: são ambos conceitos que ninguém consegue definir.

Se “a função do Estado liberal é a de garantir os direitos individuais” — então segue-se que o Bloco de Esquerda é um partido liberal, porque este partido é o principal arauto dos putativos “direitos individuais” em Portugal.

Em primeiro lugar, há que distinguir entre “liberalismo político” (que saiu da filosofia dos “direitos naturais” de John Locke), e “liberalismo económico”.

O primeiro é a forma abstracta e racional de um individualismo moderado (repito: moderado), ligado ao desenvolvimento do Direito como defesa contra a arbitrariedade e discricionariedade do poder das elites — e tem a sua melhor exposição no “Espírito das Leis”, de Montesquieu (1748), com a teoria da separação (e equilíbrio) dos “poderes” que inspirou profundamente a Constituição dos Estados Unidos de 1787 e, embora em muito menor escala, a Declaração dos Direitos do Homem de 1789.

O liberalismo político foi criticado por Rousseau (como não poderia deixar de ser!) através do conceito de "Vontade Geral".

Com o passar do tempo, o liberalismo político na Europa foi passando a ser a muleta das próprias elites, quando se tornou sucessivamente o apoio ideológico da média e da alta burguesia, sempre que estas duas classes se democratizam (o “liberalismo radical”, analisado por Tocqueville). Pouco a pouco, o liberalismo político foi “perdendo gás” e valor doutrinário, e tende a ser confundido com o liberalismo económico.

Este último é o resultado das teorias dos economistas ingleses, escoceses e franceses do século XVII, que surgiram (as teorias) como factores de “progresso social”: o próprio Karl Marx elogiou alguns economistas da escola escocesa.

A partir da Revolução Francesa, da "Vontade Geral" de Rousseau, e com o desenvolvimento do socialismo no século XIX, o conceito de liberalismo muda, tanto em política como em economia.


Podemos dizer o que “o liberalismo não é” — tentativa de definição negativa.

  • O liberalismo é contra qualquer concepção democrática do Poder que proclame o reinado da "Vontade Geral" (de Rousseau) e conduzindo a uma tirania das massas — ver, por exemplo, as críticas do liberal anti-utilitarista Benjamim Constant ao pensamento de Rousseau; outros liberais anti-utilitaristas: por exemplo, Germaine de Staël (1766 – 1817), Tocqueville (1805 – 1859);
  • por outro lado, o liberalismo é contra as reivindicações colectivistas ou planificadoras (socialização da propriedade, regulamentação dos direitos do trabalho);
  • por fim, o liberalismo é contra uma tal intervenção do Estado na sociedade civil que implique uma ruptura do equilíbrio natural que (o liberalismo) identifica no concurso espontâneo das vontades individuais.


Se a função do Estado liberal é a de garantir os direitos individuais — então segue-se que o Bloco de Esquerda é um partido liberal, porque este partido é o principal arauto dos putativos “direitos individuais” em Portugal.


Este é o busílis da questão: ¿o Bloco de Esquerda é um partido liberal?!

Claro que não!. Mas a postura da Nova Esquerda veio baralhar a política. Hoje, o “liberalismo” é muito diferente do liberalismo clássico dos séculos XVII e XVIII.

Hoje, os “direitos individuais” do liberalismo político são utilizados pela Esquerda para minar o liberalismo económico: a Esquerda coloca o liberalismo político contra o liberalismo económico.

O conceito de igualdade, da parte do Bloco de Esquerda, é a de uma igualdade social, em contraposição à igualdade de direitos do liberalismo clássico. É neste sentido que o Pedro Arroja tem razão quando diz que o João Miranda é de Esquerda. Ou, como escreveu Olavo de Carvalho:

« Há muitos motivos para você ser contra o socialismo, mas entre eles há dois que são conflituantes entre si: você tem de escolher. Ou você gosta da liberdade de mercado porque ela promove o Estado de Direito, ou gosta do Estado de Direito porque ele promove a liberdade de mercado. No primeiro caso, você é um “conservador”; no segundo, é um “liberal”.
(…)
Ou você fundamenta o Estado de Direito numa concepção tradicional da dignidade humana, ou você o reinventa segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes.
(…)
O conservadorismo é a arte de expandir e fortalecer a aplicação dos princípios morais e humanitários tradicionais por meio dos recursos formidáveis criados pela economia de mercado. O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários.

O conservadorismo é a civilização judaico-cristã elevada à potência da grande economia capitalista consolidada em Estado de Direito. O liberalismo é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de Direito. »

Para mim é certo que o João Miranda gosta do Estado de Direito porque este promove a liberdade de mercado; e parece-me que o Pedro Arroja (como eu!) gosta da liberdade de mercado porque esta promove o Estado de Direito.

O Pedro Arroja fundamenta o Estado de Direito numa concepção tradicional da dignidade humana; o João Miranda reinventa o Estado de Direito segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes.

Grande parte dos “liberais” portugueses (incluindo o João Miranda)  faz o jogo político da Esquerda. Ou melhor dizendo: o liberalismo português (do Blasfémias  e do Insurgente ) é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba por dissolver no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o próprio Estado de Direito.

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Terça-feira, 10 Abril 2018

O ‘liberalismo’ português que estrangula a liberdade

Uma gaja que dá pelo nome de Diana Soller escreveu um artigo no sítio da Não-esquerda que é Observador. O título do artigo é o seguinte: Hungria: o Inverno do nosso descontentamento”. Resumindo o artigo, a gaja defende a ideia segundo a qual “não existe democracia na Hungria porque o povo húngaro não votou de acordo com as ideias dela”.

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Quando a democracia não agrada aos estúpidos, deixa de ser democracia. Caímos já no grau zero da inteligência. (more…)

Terça-feira, 25 Abril 2017

Os liberais portugueses (PSD) deveriam ser proibidos de criticar o José Pacheco Pereira

Filed under: Globalismo,globalização,Insurgente,liberalismo económico,PSD — O. Braga @ 11:05 am

 

Um Insurgente apresentou este gráfico abaixo com este título: “Foi o livre comércio e a globalização que nos permitiu escapar da pobreza, não a política”.

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Em primeiro lugar, parece que Portugal começou a ter o livre comércio depois dos outros países do mundo; dá a impressão de que o Estado Novo era contra o comércio livre — a não ser que “livre comércio” signifique “défice endémico da balança de transacções”, e, assim sendo, não vejo como se escapa à pobreza com esse défice endémico.

Em segundo lugar, vejam que desde o 25 de Abril de 1974 até ao ano 2000, o PIB português relativo subiu apenas 5 pontos percentuais (em 26 anos!), o que dá um crescimento real e relativo da economia de 0,2% por ano!; e se tivermos em consideração a crise económica e financeira de 2011, a economia portuguesa estará hoje nos mesmos níveis relativos de 1974 (sublinho: nível relativo).

Em terceiro lugar, a chamada “globalização” é hoje a mesma coisa que “globalismo”. E “globalismo” é uma ideologia política que colocou Portugal nos mesmos níveis de economia relativa de 1974 — não obstante a muleta da União Europeia e o apoio do BCE [Banco Central Europeu].

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