perspectivas

Quinta-feira, 24 Fevereiro 2011

Peter Singer e a sua guerra aos tabus

Convém dizer, desde já, que não é possível uma cultura sem tabus; uma cultura sem tabus é um círculo quadrado. Por isso, quando gente como Peter Singer diz que pretende eliminar os tabus da nossa cultura, temos todos que desconfiar porque se trata de uma contradição nos termos que redunda no absurdo.

A coerência lógica que podemos perceber no pensamento de Peter Singer, é que ele pretende impôr um tabu contra uma série de tabus — ou seja, pretende impôr uma cultura em que o tabu nela vigente seja a rejeição da maioria dos tabus. Será que isto faz sentido? É, pois, nestes termos que temos que colocar o problema: o tabu que Peter Singer pretende validar na nossa cultura (substituindo uma série de tabus culturais vigentes) é racional e verdadeiro?


Peter Singer adora animais...

Peter Singer defende há muito tempo a ideia segundo a qual a “nova esquerda” deve substituir as ideias marxistas (na economia) pelo naturalismo evolucionista. Contudo, esta substituição, segundo ele, deve ser apenas aplicada na propaganda política e cultural; e as ideias marxistas clássicas ficarão de reserva, à espera de serem utilizadas logo que a esquerda chegue ao Poder.
A nova esquerda é, pois, neo-ateísta na linha de Daniel Dennett, Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris, Julian Savulescu, Anthony Cashmore, e Peter Singer. Assim, o marxismo económico ficou na gaveta à espera do momento adequado para a sua implementação na acção política.

Uma das bandeiras políticas da Nova Esquerda, senão a mais importante, é a guerra contra a família natural — ou seja, o núcleo familiar tradicional composto por um pai, uma mãe e os filhos. É neste contexto de guerra total contra a família natural que devemos inserir, por exemplo, a Fatwa de Peter Singer contra o tabu do incesto.

O tabu do incesto — e ao contrário do que Peter Singer defende, e mesmo do que alguns eticistas tradicionais também defendem — não é só intuitivo, mas é absolutamente racional e decorre da concepção de família vigente que se escora não só na Natureza, mas também na singularidade da espécie humana. Neste caso, como na maioria dos casos, a intuição humana pode seguir uma espécie de “razão oculta”.

O tabu do incesto é racional porque nele assenta a ordem da família humana natural: se, por exemplo, os filhos fornicassem com as suas mães [como aconteceu com o Édipo da mitologia grega], mesmo com o uso de contraceptivos, deixava de ser possível a distinção entre gerações; deixaria de se saber quem são os pais, filhos, maridos ― as categorias fundamentais da família ruiriam e qualquer hierarquia como pressuposto da autoridade tornar-se-ia impossível.

Caso isso acontecesse, a autoridade passaria a basear-se exclusivamente na lei do mais forte, como acontece, por exemplo, nas alcateias. Ora, na espécie humana, a autoridade (e o conceito de “ordem”) não existe de forma idêntica à que verificamos existir entre os lobos, ou entre os porcos que Peter Singer tanto gosta.

Naturalmente que se alguém pretende eliminar a família natural da sociedade, uma das coisas que tem que fazer é defender o fim do tabu do incesto. Estas ideias não são novas : Platão defendeu uma coisa semelhante na sua “República” e nas “Leis”. A destruição da família humana natural é a melhor forma de se instituir um totalitarismo, e neste contexto, a guerra cultural contra o tabu do incesto faz todo o sentido.

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