perspectivas

Sexta-feira, 13 Julho 2012

A fé inabalável do darwinismo

Que das mutações aleatórias surja a complexidade do sistema de coagulação sanguínea — e da vida, em geral — é um verdadeiro e autêntico milagre!

Quando eu aqui escrevo sobre a metafísica, ou sobre filosofia em geral, não utilizo o mesmo software mental, por assim dizer, que utilizo quando escrevo sobre ciência. O que posso fazer é retirar conclusões metafisicas de uma evidência científica, mas essas minhas eventuais conclusões metafisicas não fazem parte da ciência entendida segundo o princípio aristotélico que estabelece o circuito do conhecimento científico mediante a evidência empírica → teoria → evidência empírica.

Mas eu não sou um cientista, pelo menos no sentido do método e comummente aceite. Alguém que se diga cientista, ou defensor da ciência no sentido naturalista, não deve misturar a ciência com a metafísica — o que não é meu caso, porque para além de não ser cientista, sou um adversário feroz da assunção do monopólio do conhecimento por parte do Positivismo. Um cientista não pode dizer, por exemplo, que “Deus não existe”, porque a ciência, por sua própria natureza, não pode demonstrar que algo não existe. E quando a ciência se imiscui na metafísica, não estamos perante ciência mas perante o cientismo.

Karl Popper estabeleceu o princípio da falsicabilidade, segundo o qual toda a proposição passível de ser refutada ou colocada parcialmente em causa através de factos, pode ser objecto da investigação da ciência. Mas se algo — ou um fenómeno — é objecto de investigação científica, não significa que seja legítimo que se estabeleça uma teoria separada dos factos empíricos, ou deduzida metafisicamente desses factos.


Num postal anterior, falei da irredutível complexidade do sistema de coagulação sanguínea nos mamíferos. E falou-se aqui, em resposta, na eventual e alegada “evidência em favor da evolução” (ver definição de “evolução”) “como a existência de outros sistemas de coagulação de complexidade mais reduzida”.

Para respondermos a esta objecção, temos que separar a metafísica, por um lado, da ciência positivista, por outro lado. E se fizermos essa separação, podemos facilmente constatar que mesmo os sistemas mais simples ou simplificados de coagulação sanguínea, não poderiam transformar-se, de uma forma objectiva e concreta, gradualmente e em pequenos passos, até se tornarem no sistema de complexidade irredutível de se falou no postal anterior.

Por exemplo, dada a natureza da “cascata” da coagulação sanguínea dos mamíferos, o aparecimento de uma nova proteína teria que ser imediatamente regulada; e, por isso, desde o seu início, qualquer nova etapa da “cascata” iria requerer tanto uma proenzima como também uma enzima que active a proenzima no lugar preciso e adequado! e no exacto momento indicado!!

Para que o leitor entenda, ou trocando por miúdos: o argumento da “existência de outros sistemas de coagulação de complexidade mais reduzida que evidenciam a evolução do sistema de coagulação sanguínea nos mamíferos”, parte do princípio da semelhança da constituição dos agrupamentos de aminoácidos — as semelhanças entre regiões específicas entre diferentes proteínas do sistema — que formam as diversas proteínas presentes na “cascata”. Essas semelhanças existem. Porém, a partir desse facto — da semelhança entre partes proteicas —, o darwinismo parte para a metafísica, quando lança a hipótese, segundo a qual, a partir da duplicação de genes se pode conceber empiricamente um sistema proteico de raiz. E a partir de uma mera e simples hipótese, transforma-a em certeza [metafísica].

Porém, a hipótese de duplicação dos genes — e da sua mistura — não nos diz nada sobre o modo como uma determinada proteína, ou um sistema proteico, terá sido inicialmente produzido, de forma lenta ou rápida, mediante um processo de selecção natural ou através de qualquer outro mecanismo. Com vista a demonstrar que um sistema foi desenvolvido gradualmente por um mecanismo darwinista, é necessário provar que a função desse sistema poderá “ter sido formada por modificações numerosas e sucessivas”. Repito: provar. Ora, essa prova não existe, e por isso, o darwinismo transforma a falta de provas em uma certeza metafísica. Trata-se de uma fé: a maior fé que existe é a do darwinista, porque é inconfessável!

Existem tentativas — que não passam disso mesmo: tentativas — de explicar o sistema de coagulação sanguínea à luz da fé darwinista, e a partir de outros sistemas simples de circulação sanguínea. Por exemplo, a teoria de Russell Doolittle — se for necessário, falarei desta teoria. Mas todas essas teorias evolucionistas não passam disso mesmo: teorias apenas, com a agravante de não se escorarem na realidade dos factos: são narrativas, estórias imaginativas, retórica, que se distanciam dos factos tal quais eles são na realidade. É conversa desprovida de um modelo com números e quantidades, e por isso é metafísica, e não ciência.

A selecção natural, ou melhor, o mecanismo da evolução darwinista, só funciona se houver “algo” que seleccione “outro algo” que seja desde já e imediatamente útil, e não no futuro. A selecção natural é presentista. Se repararmos bem no funcionamento da cascata do sistema de coagulação sanguínea, verificamos — isto é ciência! Verificamos! — que o coágulo não aparece antes do seu terceiro momento: a formação do factor-tecido, no seu primeiro momento, permanece inexplicada à luz da teoria darwiniana, como se todo o sistema de coagulação fosse concebido para um futuro, e para um determinado fim. Que das mutações aleatórias surja a complexidade do sistema de coagulação sanguínea — e da vida, em geral — é um verdadeiro e autêntico milagre!


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