perspectivas

Domingo, 2 Março 2014

Para os Estados Unidos, a Crimeia é diferente das Ilhas Malvinas

Filed under: Política — O. Braga @ 1:44 pm
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Quando a Inglaterra de Thatcher enviou as suas Forças Armadas para resgatar umas ilhas minúsculas no Atlântico Sul ao largo da Argentina, não ouvi os Estados Unidos reclamar da protecção do Reino Unido em relação à população inglesa das Malvinas. Mas quando Putin pretende proteger a população russa da Crimeia, os Estados Unidos já fazem de conta que essa população russa não existe. Os Estados Unidos têm dois pesos e duas medidas, o que lhes retira qualquer autoridade moral.

A Crimeia só recentemente foi agregada à Ucrânia. A sua população é maioritariamente russa. Mas aquilo que não era um escândalo em relação às Malvinas (o envio de tropas inglesas), passou a ser um escândalo em relação à Crimeia.

Se a política for vista de uma forma maniqueísta, então não existe qualquer possibilidade de verdade em política. Parece que apenas e só os Estados Unidos têm o direito de intervir militarmente em outros países, e fora de um mandato da ONU: por exemplo, na Moldávia e na Ossétia, os Estados Unidos cagaram (falemos português!) para a ONU e intervieram sem mandato. Mas quando a Rússia alega pretender defender a população russa na Crimeia, os Estados Unidos ameaçam a Rússia com uma cagança inédita. Os Estados Unidos nem sequer colocam a possibilidade de um referendo na Crimeia, porque a democracia, para os Estados Unidos, depende dos seus interesses circunstanciais.

2 comentários »

  1. Não vejo semelhança entre o caso da Guerra das Malvinas e a atual invasão na Criméia.
    As ilhas Falkland estão sob o poder do Império Britânico de forma contínua desde 1833, e a população da região é totalmente de origem das ilhas britânicas. Na verdade neste caso a questão é muito simples: as ilhas são de propriedade do Reino Unido e ponto final. O máximo que a Argentina pode fazer é o que ela tentou em 1982, que é tomar pela força.
    Já a situação da Criméia e da Ucrânia em geral é muito diferente e bem mais complexa.
    Mas sinceramente, sobre a reação do governo americano a crise eu posso dizer que do Obama não se pode esperar nada de bom, só que o mesmo serve para o Putin.

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    Comentar por Leonardo Barbosa — Segunda-feira, 3 Março 2014 @ 2:39 pm | Responder

    • 1/ A Crimeia só se separou da Rússia há 20 anos, e com a promessa de a Ucrânia não aderir à NATO — promessa essa que foi agora quebrada pelos Estados Unidos de Obama.

      2/ Já no tempo dos czares, ou seja, antes de 1917 e do golpe-de-estado bolchevique, a Crimeia fazia parte da Rússia. Os tártaros sempre pertenceram ao império russo dos czares, e depois de 1917, Lenine e Estaline apenas deram continuidade a essa realidade.

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      Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 3 Março 2014 @ 6:50 pm | Responder


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