perspectivas

Terça-feira, 20 Novembro 2007

As incongruências da Europa: do País Basco ao Kosovo

Filed under: Europa — O. Braga @ 6:23 pm
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Não simpatizo com Hugo Chavez, mas acho espantoso que os políticos espanhóis se arroguem no direito de dar lições de democracia a quem quer que seja. Se existe País na União Europeia com algum défice democrático, é a Espanha.
Acho uma vergonha que nenhum político português se atreva a balbuciar o princípio da verdade sobre Espanha. Hugo Chavez fê-lo com o maior despudor, e por isso está a ser alvo de uma campanha Ad Hominem inqualificável por parte dos me®dia espanhóis comandados pela plutocracia hegemonista espanhola. (1)

A idiossincrasia espanhola é independente da monarquia ou da república, até porque países como a Dinamarca e a Suécia são monarquias que constituem exemplos de democraticidade.

O sistema político espanhol é o de uma oligarquia económico-política em que o direito à liberdade das nacionalidades é subalternizado por valores políticos de sujeição a uma plutocracia nacional que preside à supranacionalidade espanhola. Em Espanha, o poder económico está acima do poder político, o que significa que o dinheiro submete o espírito.
Todos os países têm regiões que se identificam com o Todo nacional; Espanha tem nações historicamente amordaçadas, destituídas da sua identidade histórica por um esforço colonizador de séculos por parte do centralismo castelhano, num processo sinistro e etnocida que ainda decorre. A lógica do centralismo plutocrata madrileno em relação às nacionalidades é esta:

“Ou alienas a tua cultura, a tua língua, a tua identidade, os teus valores e os teus princípios, e juntas-te a nós, ou vamos ter em particular preocupação todos os esforços para que passes, sob o ponto de vista económico e político, o pior possível. Em último caso, invadimos o teu território com armas e bagagens.”

Sempre foi assim.

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A União Europeia está a transformar-se num monstro político. Um exemplo disto é o facto de defender a independência do Kosovo e apoiar os independentistas kosovares, ao mesmo tempo que chama de “terroristas” aos bascos que defendem a independência do País Basco. Esta diferença de critério político está directamente ligada à exagerada importância que a União Europeia está a dar ao lobby político espanhol, com a ajuda dos franceses (que têm também o problema da Sardenha) que são parte interessada na alienação da nação basca. A União Europeia tem ainda menos autoridade moral que os Estados Unidos para defender a independência do Kosovo.

(1) Por motivos profissionais, fui obrigado a conhecer muito bem Espanha. Conheço as diferentes mentalidades e culturas, conheço o sistema político e conheço o medo encapotado e os tabus de uma parte muito significativa dos espanhóis quando se trata de falar sobre determinados temas políticos abertamente.

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