perspectivas

Segunda-feira, 12 Maio 2014

Um idiota chamado Vítor Belanciano

 

O idiota escreveu o seguinte:

“O festival acabou por se construir como um ensejo político, através da afirmação sexual, emergindo também como reflexo da Europa actual, fracturada e crispada, incapaz de perceber que é pelas diferenças (económicas, políticas, culturais ou de estilos de vida), e pela riqueza que cada país transporta, que se deve unir.”

Já lá vamos ao festival de música que se transformou num comício político.

Conchita-WurstA diferença entre termos, ou mais concretamente, entre indivíduos, pode ser “numérica” quando se opõe à identidade: por exemplo: um homem é diferente de outro homem, porque ambos têm identidades individualizadas (passo a redundância). E pode ser “qualitativa” quando dois seres humanos diferem pela sua natureza ou essência: por exemplo: um homem é diferente de uma mulher.

Estes dois tipos de diferença — numérica e/ou qualitativa — são objectivos e genéricos: sabemos que um indivíduo (homem ou mulher) não é, pela natureza das coisas, idêntico a outro; e sabemos por determinação natural que uma mulher não é idêntica ao homem. Contudo, entre um homem e outro homem, por um lado, e entre uma mulher e um homem, existem semelhanças, e por isso é que são diferentes.

Portanto, a diferença (numérica e/ou qualitativa) requer uma identidade que é objectiva e não apenas subjectiva.

Hoje afirma-se muitas vezes o “direito à diferença” (principalmente da esquerda que é a paladina dos Direitos do Homem entendidos como uma política em si mesma). O “direito à diferença” não é a mesma coisa que “respeito pela diferença”.

O conceito de “direito à diferença” refuta-se a si mesmo — porque se os direitos do Homem se fundamentam no princípio da igualdade natural de todos os seres humanos, o “direito à diferença” é a negação dessa igualdade natural fundamental. Além de ser contraditória em termos, o conceito de “direito à diferença” é radicalmente nocivo à sociedade, na medida em que a reivindicação de direitos especiais e exclusivistas de determinados grupos sociais — por exemplo, o feminismo, ou o homossexualismo —, pode conduzir a um retrocesso do princípio de igualdade natural, não só entre os dois sexos mas também entre os seres humanos em geral.

O “direito à diferença” é um absurdo e um perigo iminente de retorno à barbárie.

Por outro  lado, o respeito pela diferença só faz sentido quando há, de facto, diferença objectiva, que pode ser numérica ou qualitativa. Não é, por exemplo, porque um indivíduo se convence a si próprio de que é um boi que podemos dizer que ele tem tem o “direito à diferença” ontológica e que merece o respeito pela sua diferença — porque o desejo desse indivíduo em ser boi não corresponde a uma realidade objectiva, mas antes se circunscreve apenas à sua subjectividade. Os desejos individuais não tem que ser necessariamente todos respeitados.

Em vez diferença, no caso do travestido barbudo, devemos falar de diversidade. Se não existe uma semelhança evidente entre uma série de termos entendidos individualmente, não podemos falar de “diferença”, mas de “diversidade”: o “diverso”, sendo a desmultiplicação ad infinitum das características que separam radicalmente as identidades dos termos em questão, reúne em si tudo o que não pode ser incluído no discurso racional. Falar em “diversidade” não é falar naquilo que é concreto e objectivo: antes, é uma abstracção — que inclui a subjectividade — que nos conduz ao infinito e, portanto, ao ininteligível.

Ou seja, nada nos garante que no próximo “festival da canção” da Eurovisão não irá ganhar um viking sueco com cornos e vestido em pele de boi. Isso não é diferença: é diversidade. Perceberam por que o Balenciano é um idiota?

Por fim, defender que um festival de música se deva transformar em um comício político não é apenas próprio de um idiota: é de alguém que não sabe distinguir uma panela de um penico; é pura estupidez.

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