perspectivas

Segunda-feira, 1 Abril 2013

A apologia negativa dos Estados Unidos

Filed under: Tempo de Café — O. Braga @ 10:54 am
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Quando se diz, por exemplo, que Thomas Jefferson foi um “americano nato”, e simultaneamente presume-se que não terão existido “brasileiros natos” até ao fim do século XVIII, entramos em sofisma. Os Estados Unidos são um país importante nos últimos dois séculos, mas transformar os Estados Unidos em um objecto de apologia acrítica é exactamente fazer o jogo político de Barack Obama que pretende nivelar o seu próprio país por baixo.

Desde a sua fundação que se usa nos Estados Unidos a palavra “Homeland” — inclusivamente na Constituição americana —, que é exactamente o sinónimo de “Pátria”. Em língua inglesa, Homeland significa Pátria. Portanto, querer dizer que nos Estados Unidos não existe uma noção de Pátria semelhante ou mesmo idêntica a muitos outros países do mundo, é um absurdo. Aliás, quase todo o artigo é um absurdo, e por isso qualquer tentativa de o desconstruir teria que ter no mínimo o dobro de palavras. Por exemplo, quando se diz que “os Estados Unidos se escoram no Cristianismo” — querendo dizer que “os outros países não se escoram no cristianismo” —, ficamos sem saber por que razão, a seguir à URSS e à Alemanha nazi, os Estados Unidos seguiram-lhes o exemplo e legalizaram o aborto.

Por outro lado, o combate ideológico a Obama não deveria ser conduzido por uma estratégia de auto-redução ao absurdo e de auto-refutação. Uma apologia a uma determinada realidade (social, ética, metafísica, etc.) que se caracterize por descrever exclusivamente aquilo que essa realidade “não é” — tentativa de uma definição negativa — é uma auto-redução ao absurdo. Se, por exemplo, eu disser que “um ser humano não é um gastrópode, não é uma bactéria, não é um símio, não é um quadrúpede, etc., ad infinitum”, para além de não ficarmos com uma noção daquilo que o ser humano, de facto, é, ficamos apenas com um conceito negativo do ser humano que, por isso, não significa nada.

2 comentários »

  1. O Heitor é daqueles órfãos do comunismo que encontraram um novo paizinho nos Estados Unidos. Trocou o grande líder pela grande nação e meteu as orelhas do rato Mickey por cima das orelhas de burro.

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    Comentar por Carlos Velasco — Segunda-feira, 1 Abril 2013 @ 11:56 am | Responder

  2. Foi um dos artigos mais idiotas que vi. Uma tentativa bisonha de mistificação da Superpotência para deslumbrar os pobres desgraçados famintos do Terceiro Mundo. Além de a definição negativa ser um joguinho de palavras infantil, o próprio conceito de “excepcionalidade” é um devaneio de Império, uma espécie de embriaguez de auto-lisonja que desemboca em auto-indulgência ( ora, se sabe muito bem que os americanos não são nem de longe um dos povos mais inteligentes… ).
    Creio que o Império Romano no seu apogeu considerava-se “excepcional”, assim como o Macedônico, o Egípcio, a China antiga, os Mongóis de Gengis Khan, os Astecas, os Britânicos na era do “Rule Britannia” e do “British-Israelism”, etc, etc. Hoje os povos associados a essas estruturas não existem, vivem sob regimes ditatoriais, ou são “democracias-iluminadas-multi-culturais-politicamente-corretas-progressistas”, termo sinônimo de “puteiro com bandeira”.

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    Comentar por hmelchiori — Segunda-feira, 1 Abril 2013 @ 4:16 pm | Responder


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