perspectivas

Terça-feira, 9 Abril 2013

O metafísico, o moralista e o esteta

Filed under: ética,Tempo de Café — orlando braga @ 9:35 am
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“A cada conceito da vida cabe não só uma metafísica, mas também uma moral.
O que o metafísico não faz porque é falso, e o moralista não faz porque é mau, o esteta não faz porque é feio.”

— Fernando Pessoa, “Aforismos e Fragmentos sobre a Arte”, 1975, pág. 128

Segunda-feira, 1 Abril 2013

A apologia negativa dos Estados Unidos

Filed under: Tempo de Café — orlando braga @ 10:54 am
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Quando se diz, por exemplo, que Thomas Jefferson foi um “americano nato”, e simultaneamente presume-se que não terão existido “brasileiros natos” até ao fim do século XVIII, entramos em sofisma. Os Estados Unidos são um país importante nos últimos dois séculos, mas transformar os Estados Unidos em um objecto de apologia acrítica é exactamente fazer o jogo político de Barack Obama que pretende nivelar o seu próprio país por baixo.

Desde a sua fundação que se usa nos Estados Unidos a palavra “Homeland” — inclusivamente na Constituição americana —, que é exactamente o sinónimo de “Pátria”. Em língua inglesa, Homeland significa Pátria. Portanto, querer dizer que nos Estados Unidos não existe uma noção de Pátria semelhante ou mesmo idêntica a muitos outros países do mundo, é um absurdo. Aliás, quase todo o artigo é um absurdo, e por isso qualquer tentativa de o desconstruir teria que ter no mínimo o dobro de palavras. Por exemplo, quando se diz que “os Estados Unidos se escoram no Cristianismo” — querendo dizer que “os outros países não se escoram no cristianismo” —, ficamos sem saber por que razão, a seguir à URSS e à Alemanha nazi, os Estados Unidos seguiram-lhes o exemplo e legalizaram o aborto.

Por outro lado, o combate ideológico a Obama não deveria ser conduzido por uma estratégia de auto-redução ao absurdo e de auto-refutação. Uma apologia a uma determinada realidade (social, ética, metafísica, etc.) que se caracterize por descrever exclusivamente aquilo que essa realidade “não é” — tentativa de uma definição negativa — é uma auto-redução ao absurdo. Se, por exemplo, eu disser que “um ser humano não é um gastrópode, não é uma bactéria, não é um símio, não é um quadrúpede, etc., ad infinitum”, para além de não ficarmos com uma noção daquilo que o ser humano, de facto, é, ficamos apenas com um conceito negativo do ser humano que, por isso, não significa nada.

Sábado, 7 Julho 2012

Um postal é necessariamente sintético

Filed under: Blogosfera,Tempo de Café,Ut Edita — orlando braga @ 4:20 pm

A escrita de um verbete — ou postal, como é comummente chamado — que contenha entre 300 a 400 palavras demora-me sensivelmente entre 15 a 20 minutos, contando já com o tempo da sintaxe e da morfologia. Se incluirmos o tempo da procura de uma imagem para ilustrar o postal, andarei à volta de 25 minutos de tempo consumido.

A escrita de um postal com 300 palavras tem que necessariamente sintetizar ideias. E quando se sintetizam ideias, o conteúdo ideológico do postal é susceptível de eventuais interpretações inadequadas, porque lhe falta o detalhe que expurgaria grande parte dos mal-entendidos. Isto faz com que, ao lermos um postal com 300 palavras, tenhamos que nos concentrar naquilo que é objectivo nele — aquilo que está lá escarrapachado e escrito — e não naquilo que pensamos que não está está nele expresso.

Não devemos partir do princípio de que pelo facto de não transparecer, num postal de 300 palavras, um determinado detalhe ou uma certa ideia, decorra desse facto que o autor ignore esse detalhe ou essa certa ideia — porque um postal de 300 palavras não é, obviamente, um postal de 1500 palavras, ou mesmo um opúsculo ou um livro de lombada larga. Fazendo uma analogia: quando escrevemos um postal de 300 palavras, tiramos uma fotografia a um objecto, ao mesmo tempo que ignoramos, mais ou menos, todo o ambiente em redor desse objecto.

Um postal de 300 ou 400 palavras não é um artigo de fundo, daqueles que encontramos nos jornais especializados. A blogosfera ou a Internet não substituem a consulta e a leitura de livros: um postal de 300 palavras pode dar eventualmente e apenas algumas dicas sobre temas a consultar na biblioteca.

Nota: este verbete tem 284 palavras.

Quarta-feira, 9 Novembro 2011

José Mattoso acerca de S. Tomás de Aquino

Filed under: cultura,Esta gente vota,Livros,politicamente correcto,Tempo de Café — orlando braga @ 10:35 am
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“O rigor lógico, a agudeza da inteligência e a vastidão dos conhecimentos permitem-lhe construir um sistema filosófico extremamente coerente e realista a partir dos princípios aristotélicos.

Todavia, o método escolástico infunde-lhe uma inegável frieza. O recurso maciço às definições, distinções e citações dificilmente poderia emocionar qualquer auditório. A sua obra consulta-se, mas não se lê. Para usar os termos de Bloom [Harold], tem força intelectual mas falta-lhe o fulgor estético.”

— José Mattoso, referindo-se a S. Tomás de Aquino, in “Memória & Sabedoria”, pág. 189, Edições Húmus, 2011 [os sublinhados são meus, e os parêntesis também]

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Terça-feira, 8 Novembro 2011

O neo-ateísmo e a Segunda Lei da Termodinâmica

“A segunda lei da termodinâmica ou segundo princípio da termodinâmica expressa, de uma forma concisa, que “A quantidade de entropia de qualquer sistema isolado termodinamicamente tende a incrementar-se com o tempo, até alcançar um valor máximo”. Mais sensivelmente, quando uma parte de um sistema fechado interage com outra parte, a energia tende a dividir-se por igual, até que o sistema alcance um equilíbrio térmico.”

— Fonte: Wikipedia

O chamado neo-ateísmo escora-se no neodarwinismo, conforme as teorias de Daniel Dennett, Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris, Julian Savulescu, Anthony Cashmore, Richard Dawkins, etc. — e mais recentemente de Stephen Hawking (que deu o dito pelo não dito). O neodarwinismo significa a extensão da validade da teoria evolucionista de Charles Darwin não só ao surgimento da vida no planeta Terra, mas também à própria origem do universo (como podemos ver no último livro de Stephen Hawking, na Teoria de Cordas e na teoria do Multiverso).
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Quinta-feira, 3 Novembro 2011

Pio Moa desmonta César Vidal [e Pedro Arroja]

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Tempo de Café — orlando braga @ 8:24 am

Durante uma série de postais [que eu denunciei, por exemplo, aqui] o Pedro Arroja coincidiu com a opinião de César Vidal segundo a qual a Reforma protestante valorizou o trabalho, ao passo que — segundo Vidal — o catolicismo não o fez. Agora, o galego Pio Moa vem coincidir com a minha opinião (porque é certo que só hoje tive conhecimento desse artigo de Pio Moa).

  • A Espanha católica liderou a Europa no século XV e XVI. E essa liderança foi feita sem amor ao trabalho?!!
  • Ainda no século XIX, o PIB per capita espanhol era superior ao francês, ao alemão e ao da maioria dos países europeus excepto a Inglaterra.
  • A revolução industrial, que de facto fez atrasar os países católicos do sul da Europa, nasceu em Inglaterra, que foi o país menos protestante de todos os países protestantes, porque o anglicanismo é uma religião muito semelhante ao catolicismo e bastante diferente, nos rituais e na liturgia, do luteranismo e do calvinismo.
  • A revolução industrial, que nasceu Inglaterra, foi em primeiro lugar adoptada pela católica Bélgica, enquanto que a vizinha Holanda calvinista permaneceu atrasada durante algum tempo.
  • Os países escandinavos, bem protestantes, só começaram a levantar a cabeça já o século XX ia adiantado.
  • A França católica incorporou-se na revolução industrial; e o mesmo aconteceu com o norte de Itália sob o controlo e domínio da Áustria católica.
  • A revolução industrial aconteceu na Alemanha na Renânia que é maioritariamente católica; enquanto isso, a Prússia protestante manteve-se até quase ao fim do século XIX (até à morte de Bismarck) um território agrário e sujeito ao poder feudal dos Junckers prussianos.

Quando as pessoas só vêem o que está a frente do nariz e o que acontece agora e já, cometem erros de palmatória.

Quarta-feira, 2 Novembro 2011

Eu gostaria imenso de ter mais respeito pelos ateus

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Tempo de Café — orlando braga @ 4:22 pm

«Naturalism commonly refers to the philosophical belief that the natural universe is a closed system and that only natural laws and forces (as opposed to supernatural ones) operate in the universe, and that either nothing exists beyond the natural universe or, if it does, it does not affect the natural universe. Followers of naturalism (naturalists) assert that natural laws are the rules that govern the structure and behavior of the natural universe, that the universe is a product of these laws and that the goal of science is to discover and publish them systematically.»

Segundo um putativo ateu, esta é a definição de “naturalismo” (embora me pareça mais um conceito de “naturalismo) que justifica a negação do sobrenatural, “porque se afectasse o Universo natural, então estaria no domínio daquilo que as ciências podem estudar, e seria considerado «natural»”.

“Um exemplo: imaginemos um universo onde a «Dança da Chuva» funciona. O facto de funcionar implicaria que isso poderia ser observado empiricamente, e estudado.”


Em primeiro lugar, vamos abordar aqui a teoria do “mundo aumentado”, de Poincaré.

Imaginem que na noite passada, enquanto dormíamos, tudo no universo aumentou para o dobro do tamanho. Em função desse mundo aumentado para o dobro, os empiristas (e o ateu) continuariam a dizer que as medições [empíricas] descrevem e sondam a realidade de maneira suficiente.

Em segundo lugar, os processos físicos [cujos efeitos podem ser “observados empiricamente”] são regulados por leis da natureza e por princípios lógicos, mas estes não são físicos! Nós apenas observamos os efeitos de princípios lógicos imateriais [estes últimos não podem ser “observados empiricamente”, mas apenas os seus efeitos podem ser “observados empiricamente”; ou seja: nós observamos empiricamente os efeitos da acção da lei da gravidade, mas não observamos empiricamente a própria lei da gravidade].

Por conseguinte, aquilo que não é físico — ou o “não-físico” —, como por exemplo, a dimensão de validade independente do tempo, também pertence à Realidade, sendo que esta última [a Realidade], exactamente por isso, é mais do que o universo físico. Chegamos então à conclusão, por pura dedução lógica, que o universo físico é apenas um aspecto parcial da Realidade.

Se o universo físico [o tal que pode ser "observado empiricamente"] é apenas um aspecto parcial da Realidade, subsume-se que a Realidade engloba [ou abrange] aquilo a que se convencionou chamar de “natural” e de “sobrenatural”.

[Via]

Quinta-feira, 27 Outubro 2011

Quando colocamos os antolhos

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Tempo de Café — orlando braga @ 7:47 am

Se, por desventura, Portugal se transformasse num país com uma taxa de desemprego real a rondar, por exemplo, os 30% da população activa, e a fome e a miséria grassasse pela nação, o Insurgente continuaria certamente a falar na “culpa do Estado Social”.

O discurso nestes termos seria inevitável, porque o “Estado Social” transformou-se em uma palavra-mestra equivalente às palavras-mestras da Esquerda mais radical: como, por exemplo, “fascismo”, ou “capitalismo”. O que guia o Insurgente é uma ideologia política que, tal como acontece na Esquerda que esse blogue tanto critica, o impede de ver a realidade.

A ideologia política que orienta o Insurgente faz exactamente o jogo conveniente da Esquerda radical que esse blogue critica. Eu não vejo o Insurgente a defender, por exemplo, a renegociação dos negócios pornográficos das PPP’s (Parcerias Público-Privadas) que hipotecam o futuro do país em muitas gerações — talvez porque as PPP’s não fazem parte do “Estado Social”, e por isso não lhes interessa falar no assunto.

A política do governo de Passos Coelho está condenada a falhar porque transformou uma teoria política e económica em um dogma. Basta ouvirmos o discurso do ministro das finanças para constatarmos o dogmatismo sonolento de um doutrinador medieval. Porém, o pior que nos pode acontecer — e para gáudio dos idiotas úteis de uma putativa “Direita” que serve os interesses da Esquerda — é chegarmos ao fim deste governo hayekiano ortodoxo com um Estado que não tenha dinheiro sequer para pagar os ordenados à polícia e ao exército. Então, talvez o Insurgente celebre o nascimento do “Estado mínimo”.

Quarta-feira, 12 Outubro 2011

Primeiro puseram-nos na merda, e agora querem que a gente cante elegias

Filed under: Tempo de Café — orlando braga @ 12:21 pm
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BRUSSELS — The EU warned Tuesday that the eurozone requires permanent tough austerity measures if it is to cope with public debt set to crash through the 100-percent-of-GDP barrier and keep rising for many years.

via AFP: EU says eurozone needs ‘permanent’ austerity.

“Austeridade permanente”, diz a União Europeia. Entretanto, e simultaneamente, George Soros vem dizer que a União Europeia se deve transformar num Estado leviatão — quando Soros, que quase levou à bancarrota a Libra inglesa em 1993, defende qualquer coisa, temos que nos colocar de pé atrás. Temos, pois, por um lado, a UERSS proposta por Soros e, por outro lado, a “austeridade permanente”. Ou seja, uma nova, moderna e adaptada edição da China para os países periféricos da União Europeia!

Reparem bem, meus amigos: para ter “austeridade permanente”, prefiro que Portugal reassuma o seu controlo da política monetária através do nosso Banco de Portugal.

Se é para estar na merda, apenas por estar na merda, então que sejamos minimamente soberanos. O que os burocratas europeus e os plutocratas globalistas estão a propor é que estejamos na merda e sem o mínimo de soberania; ou seja, que passemos a estar em uma dupla merda. Além disso, vários economistas de renome, entre eles o monárquico Ferreira do Amaral, são de opinião que Portugal sairá mais depressa da situação em que está se o nosso país sair do Euro…! (naturalmente que ninguém defende uma saída abrupta do Euro, mas uma saída planificada).

Terça-feira, 11 Outubro 2011

O casamento deve sair do Código Civil

Filed under: Tempo de Café — orlando braga @ 10:39 am
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Com a legalização do “casamento” gay, o casamento deixou de ser a aliança entre os dois géneros com a sucessão de gerações, e passou a ser um simples contrato. E sendo um simples contrato, o Estado já não tem nada a ver com o assunto, e as leis devem doravante servir apenas para regular as disputas sobre eventuais violações de cada contrato em particular, e para a regulação do poder paternal no caso de existirem crianças.

As instituições da sociedade civil, como por exemplo a Igreja Católica, teriam a responsabilidade (cada uma à sua maneira) de instituir o tipo específico de contrato de casamento, afastando o Estado desta problemática. Voltaríamos ao tempo em que se dizia: “são casados segundo a tradição católica”, ou, “são casados segundo a lei muçulmana”, etc.

Segunda-feira, 10 Outubro 2011

A teoria económica e a importância da educação das nossas crianças

Filed under: ética,cultura,economia,educação,Política,Tempo de Café — orlando braga @ 2:07 pm

Estudar economia é estudar o comportamento produtivo de uma determinada espécie de animais.

Este artigo do João César das Neves é interessante e vou comentá-lo em uma perspectiva complementar.

Em primeiro lugar, a ideia de “progresso”. O progresso não é uma lei da natureza. Mesmo que entendamos que o progresso existe, nada nos garante que o amanhã seja o progresso de hoje. Mas eu não vejo o presente como o progresso do passado: como dizia Elsa Triolet, “o futuro não é o progresso do presente: é outra coisa”. Portanto, o que vivemos hoje não é o progresso do passado, mas é “outra coisa”; e sobre o progresso, estamos conversados.
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Quinta-feira, 6 Outubro 2011

Luiz Vaz de Camões, ou Luís Vaz de Camões?

Filed under: Tempo de Café — orlando braga @ 7:41 pm

No Twitter veio à discussão o facto de a Academia Brasileira de Letras argumentar que depois da morte de Ruy Barbosa, é obrigatório que o nome do ilustre brasileiro seja mudado para Rui Barbosa. Ver aqui (Ficheiro PDF).

Vamos seguir a lógica e o bom-senso. A Academia brasileira tem razão naquilo que defende? Na minha opinião não tem, e passo a fundamentá-la.

O máximo que a Academia Brasileira de Letras poderia defender é que seria correcto escrever das duas formas (Ruy ou Rui), porque o nome Ruy não era estrangeiro (ao contrário do que dizem os “academistas”) — era perfeitamente um nome brasileiro no tempo em que Ruy Barbosa viveu. Não faz sentido que mudem o nome de uma pessoa só porque ela já não está viva! Não tem lógica nenhuma!

De modo idêntico, e na minha opinião, podemos escrever Luiz Vaz de Camões, ou Luís Vaz de Camões: ambas as formas estão correctas. Na primeira forma respeitamos o nome original e verdadeiro da pessoa, e na segunda forma adaptamos o seu nome às reformas ortográficas que entretanto aconteceram — mas a adaptação ortográfica não substitui o nome original da pessoa.

Vou ainda mais longe: por exemplo, o nome Afonso. Ainda no século XIX escrevia-se Aphonso (com “ph”). Tratando-se de um nome próprio — e só por isso! — não é incorrecto que façamos referência a uma pessoa que viveu no século XIX utilizando o seu nome original (Aphonso), embora não seja também incorrecto utilizarmos a adaptação da reforma ortográfica (Afonso).

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