perspectivas

Segunda-feira, 25 Março 2013

¿O ponto de interrogação invertido?

Filed under: Geral — O. Braga @ 6:41 pm

 

Ao contrário do que está implícito aqui, a inversão do ponto de interrogação no início de uma frase não é só característica do espanhol: no português antigo, ou arcaico, também se utilizou. Alexandre Herculano, no seu português vernáculo, ainda chegou a utilizá-lo.

O ponto de interrogação invertido foi comum ao espanhol e ao português. E também não é verdade que a decisão da Real Academia Espanhola introduziu, em 1754, uma “novidade”: pelo contrário, apenas reconheceu e tornou oficial um uso anterior da língua espanhola escrita.

Não sei bem quando se perdeu totalmente o seu uso no português, mas parece que a primeira reforma ortográfica republicana de 1911 é suspeita da sua eliminação. De qualquer modo, muitos literatos do século XIX, como Eça de Queirós ou Camilo Castelo Branco, já não o usavam nos seus manuscritos.

Eu penso que o ponto de interrogação invertido faz todo o sentido. Por exemplo:

“A Ana foi ao baile e a Maria não foi?”

ou

“A Ana foi ao baile ¿e a Maria não foi?”

O sinal “¿” informa o leitor de que vem aí uma interrogação, o que torna a leitura mais compreensível e fluente. E numa altura em que temos um Acordo Ortográfico que determina que cada um escreve como quiser, eu também tenho o direito de adoptar um arcaísmo da língua.

 

A ler: Ponto de interrogação invertido: o Vitorino Nemésio era um iletrado

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3 comentários »

  1. ” O sinal “¿” informa o leitor de que vem aí uma interrogação, o que torna a leitura mais compreensível e fluente.”
    Acho o mesmo. Ainda mais para textos longos finalizados com perguntas.

    Comentar por Dibs Gabriel — Domingo, 21 Setembro 2014 @ 3:40 pm | Responder

  2. Não é toda pergunta que exige, a meu ver, o sinal invertido na frente, porém somente naquelas em que a pergunta começa abruptamente no meio frase. Por exemplo: Na frase “Ele é um cachorro?” não exige, mas já na ” Eu sou um homem, ¿ele é um cachorro?” é absolutamente necessário, ou melhor, indispensável.

    Eu uso-o em meus textos, e se muito à frente eu tornar-me escritor usá-lo-ei também porque acho que tudo o que serve para tornar a nossa língua portuguesa mais expressiva deve ser assimilado. As soluções literárias não surgem em maioria naturalmente, mas (sino) partem duma elite intelectual — assim aconteceu com o latim, como também com o inglês e o alemão…

    Há um escritor brasileiro que usa essa solução, não sei se da “minha forma’ ou da forma espanhola. Um tal de Yuri Vieira. Ele que abriu meus olhos para isso.

    Comentar por Ítalo Almeida — Quinta-feira, 5 Janeiro 2017 @ 2:16 am | Responder

    • 1/ Não é “espanhola”. Usava-se em português antes da reforma de 1911.

      2/ Ou se usa em todos os casos, ou não faz sentido usar.

      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 5 Janeiro 2017 @ 9:31 am | Responder


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